A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.
O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.
Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos.
O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.
A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária.
Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país.
Cerca de 100 pessoas foram burladas com promessas de admissão para o Instituto de Formação de professores de Chongoene e para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique. As burlas incluem promessas relacionadas aos empregos no aparelho do Estado e soltura de detidos nas esquadras de Gaza. As vítimas pagaram entre 5 e 50 mil meticais. Em conexão com o caso, está detido um ex-funcionário do SERNAP.
O indiciado de 45 anos de idade escondia-se por detrás de vários perfis profissionais, e conforme as preocupações das suas vítimas, colocava as cartas na mesa mediante o pagamento de elevadas somas em dinheiro.
No esquema de burlas supostamente realizadas pelo ex-funcionário do serviço nacional penitenciário, caíram mais 100 pessoas, na sua maioria jovens recém formados residentes em Xai-Xai.
Entre as vítimas, há duas jovens de 20 e 21 anos de idade, que viram o sonho de admitir ao Instituto de Formação de Professores de Chongoene transformar-se num pesadelo.
Outra vítima diz ter sido contactada pelo burlador que apresentava facilidade para ingressar às fileiras das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
Por sua vez, o indiciado alega ser um “biscateiro” e refuta autoria das burlas que ocorreram entre Fevereiro e Abril corrente.
A Polícia da República de Moçambique, entretanto, diz que evidências apontam para o seu envolvimento nas burlas, e que segue investigações para se apurar de que forma o indiciado teve acesso a informação sigilosa das suas vítimas.
Na posse do indiciado, foi encontrado um telemóvel cujo banco de informação aponta para mais de 100 transferência de valores estimados em quase 500 mil meticais.
O Comando-Geral da Polícia mandou deter imediatamente e instruir processos disciplinares e criminais contra todos os agentes de intervenção rápida que consomem bebidas alcoólicas em serviço e dispararam de forma indiscriminada, ferindo colegas. O novo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas diz que também estará atento a essas situações.
O comportamento tem sido registado nas posições Teatro Operacional Norte e nas Subunidades de Intervenção Rápida e o Ministério do Interior classifica, nesta instrução, de casos gritantes de consumo de bebidas alcoólicas.
De acordo com Ministério do Interior: “estas situações, levam membros ao ponto de recorrerem ao uso de armas de fogo e realizar disparos descontrolados, pondo em risco a ordem, segurança e o bom cumprimento da missão”.
De acordo com o documento, por se tratar de infracções criminais e disciplinares, o pelouro instruiu o Estado Maior da Unidade de Intervenção a tomar as seguintes medidas: Detenção imediata de membros que, deliberadamente, disparam nas posições ou aleijam colegas; Abertura de processo criminal e disciplinar; Retirada do fardamento e equipamento militar.
Segundo o documento, em crises extremas que ultrapassam competências provinciais, os agentes devem ser enviados a Maputo para que sejam submetidos ao tratamento no Hospital Psiquiátrico de Infulene.
Confrontado com o assunto, o novo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, Júlio Jane, disse que também estará atento à situação nas forças armadas.
O Centro Cultural Franco-Moçambicano apresenta, este sábado, a partir das 17h, a sétima edição do Festival Jazz no Franco.
O Dia Internacional do Jazz, celebrado a 30 de Abril, é uma ocasião especial para reconhecer a importância do género musical. Instituído pela Organização das Nações Unidas, em 2011, a data destaca o papel diplomático do jazz, ao unir pessoas de todas as partes do mundo através da sua paixão pela música.
A primeira edição do Jazz no Franco realizou-se em 2018 e, desde então, tem sido um ponto de encontro anual para os amantes do jazz em Moçambique. Inspirado pelos valores do Dia Internacional do Jazz, o festival procura sempre apresentar uma programação diversificada, reunindo artistas nacionais e internacionais.
Para esta sétima edição, o evento conta com a participação de: Bokani Dyer Trio (África do Sul), 18h0, na Sala Grande; João Cabral (Moçambique), 19h30, Jardim; Hugo Corbin Quartet (França), 20h30, Sala Grande; Stélio Mondlane’s Project Evolution (Moçambique), 22h, Jardim.
O festival contará com The Vinyl Experience, um DJ set com Dub Rui, que fará uma selecção especial antes e depois dos concertos, às 17h e às 23h, no palco do Restaurante Palato.
SOBRE OS ARTISTAS
Bokani Dyer Trio é liderado pelo pianista e compositor Bokani Dyer, um dos principais nomes do jazz contemporâneo sul-africano. Natural de Botswana e criado em Joanesburgo, Dyer formou-se com distinção na University of Cape Town. O trio mistura influências do jazz tradicional com uma abordagem moderna, reflectindo a visão inovadora de Dyer. Com actuações em festivais internacionais, o trio lançou o aclamado álbum Neo Native (2019), que conquistou o prémio de Melhor Álbum de Jazz nos South African Music Awards (SAMA).
João Cabral é um músico moçambicano que combina a guitarra e a voz para criar uma sonoridade envolvente, misturando ritmos africanos e influências do jazz. Compositor, arranjista e produtor, já se apresentou em vários concertos e festivais nacionais e internacionais. Licenciado e Mestre em Jazz Performance pela University of Cape Town, celebra o Dia Internacional do Jazz interpretando tanto standards do género como temas dos seus álbuns River of Dreams (2009) e Walks of Life (2023), destacando o poder do jazz em unir culturas.
Hugo Corbin é um guitarrista e compositor Francês. Desde o seu primeiro álbum, Inner Roads (2019), a sua música é uma viagem sonora, inspirada no cinema e na literatura. No seu mais recente trabalho, Room To Dream, lançado em Março de 2025 pelo selo Quai Son Record, a sua guitarra ganha ainda mais vida ao lado do baixo de Marc Buronfosse e da bateria de Guillaume Dommartin. Desta vez, a voz também tem um papel de destaque, com Monika Kabasele a trazer a sua interpretação única, depois da parceria com Corbin no álbum Grécofuturisme. Com influências de cineastas como David Lynch e Kim Jee-Woon, Corbin cria músicas que nos fazem sonhar e aproveitar o momento.
Stélio Mondlane é um baterista, produtor e compositor moçambicano, com uma carreira sólida e diversas participações em festivais renomados, como o Festival Azgo, More Jazz Series, Bushfire, MASA Festival, entre outros, tanto em Moçambique como no exterior. Ao longo de sua trajectória, Stélio tem colaborado com artistas nacionais e internacionais, além de estar envolvido em projectos sociais relacionados ao autismo. Actualmente, lidera o Stélio Mondlane’s Project e participa de outros projectos musicais. Vencedor de dois prémios Ngoma Moçambique, já lançou um CD e um DVD e está a preparar o lançamento do seu segundo álbum, com o objectivo de continuar a enriquecer a cena musical moçambicana e além-fronteiras.
A X-Hub – Incubadora de Negócios Culturais e Criativos, acolhe nas suas instalações, na Cidade de Maputo, a segunda edição do projecto “Mulher Tem Power”, no próximo dia 19, a partir das 11h – a iniciativa é promovida pelo Movimento Supa Woman, liderado pela cantora Kátia Vanessa.
Com entrada gratuita e aberto ao público, a iniciativa celebra a força, criatividade e resiliência da mulher moçambicana, no contexto das comemorações do Dia Internacional da Mulher (8 de Março) e do Dia da Mulher Moçambicana (7 de Abril).
A segunda edição do “Mulher Tem Power” terá uma programação dinâmica e composta por momentos de debate, feira mista, exposição de arte e entretenimento diversificado com destaque para Música – que contará com actuações de Kátia Vanessa, Xixel Langa, Tawida Aly, Guitess Bambo, Ducha Lichucha e Mano Tsotsi, Dança – Grupo Infinity, Poesia e Teatro – Companhia de Teatro Mbeu (monólogo), Humor (stand-up comedy) – Rico Bioss e sessão de desfile de moda com o estilista Omar Adelino.
A Roda de Conversa subordinado ao tema “Direitos da Mulher vs. Violência Doméstica – um olhar sobre o nosso Amor Próprio”, juntará diversas mulheres empoderadas quem além de discutir sobre a temática proposta partilharão as suas trajectórias, desafios e conquistas, num painel composto por Eunice Andrade, Dora Chipande, Mirza Jamal, Murgue Jamú e Raquel Vedor.
De acordo com a X-Hub, o evento será composto por um espaço de bem-estar e atendimento reservado a consultas individuais e dinâmicas em grupo, com terapeutas holísticas e coaches, além das sessões de yoga e rodas de conversa de apoio emocional.
SOBRE O MOVIMENTO
Idealizado pela artista e activista Kátia Vanessa, o Supa Woman é um movimento dedicado ao empoderamento feminino. Através de acções de impacto social e cultural, a iniciativa promove o fortalecimento pessoal, social e profissional das mulheres, incentivando o autoconhecimento, a valorização pessoal e a criação de redes de apoio e empreendedorismo. O movimento visa inspirar e capacitar mulheres, raparigas e aliados para concretizar projectos transformadores, promovendo uma sociedade mais justa e inclusiva.
O escritor moçambicano, Mia Couto, foi um dos galardoados com o prémio literário de dimensão internacional também conhecido como o “Oscar dos livros”, da PEN/AMERICA, na sua edição de 2025. O galardão é atribuído ao conjunto da obra do escritor.
Em comunicado oficial da PEN AMERICA, divulgado hoje, o júri do prémio justifica que a escolha se deveu ao facto da escrita de Mia Couto “sondar a história conturbada da sua terra natal, bem como os enigmas essenciais de identidade e existência humanas”.
Segundo o mesmo júri, Mia Couto ocupou “um lugar singular na paisagem da literatura africana e mundial”.
Couto é o primeiro escritor de língua portuguesa a receber este galardão. A cerimónia de entrega vai acontecer no dia 8 de Maio em Nova Iorque, numa das mais prestigiadas salas de teatro de Manhattan.
Ao escritor juntam-se mais duas figuras, a dramaturga libanesa-americana Mona Mansour, que será homenageada com o Prémio PEN/Laura Pels da Fundação Internacional para o Teatro, e Charles H. Rowell, fundador da Callaloo, uma publicação que celebra escritores e artistas visuais de ascendência africana em todo o mundo.
O presidente da República conferiu, hoje, posse a Júlio Jane, como Estado Maior-General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Daniel Chapo exigiu ordem e disciplina dentro das FADM, e desafiou o empossado a adoptar uma postura de antevisão.
Durante o seu discurso de empossamento, o Comandante em Chefe das Forças de Defesa de Moçambique enalteceu o trabalho feito por Júlio Jane, durante o seu percurso militar. Chapo lembrou ao empossado que o país enfrenta desafios ligados ao terrorismo, a subversão, os crimes transnacionais e as manifestações violentas.
Por esta razão, exigiu uma postura de antecipação, para que não sejam surpreendidos. O Chefe de Estado exigiu ainda que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique sejam a força da disciplina e referência de lealdade.
A Júlio Jane, Daniel Chapo desafiou a acabar com as desigualdades no exército, lembrando que há casos de combatentes que não se apresentam no teatro operacional, pois possuem “costas quentes”. Além disso, o Presidente apelou que sejam imprimidas reformas estruturantes no exército, para que possam fazer frente aos novos desafios .
Os clientes da ZAP passam, oficialmente, a partir desta sexta-feira, a desfrutarem de um canal 100% desportivo, denominado Z Sports. Em HD, o canal vai servir de exposição do desporto nacional e divulgação de talentos.
Com mais de 14 anos no mercado Moçambicano, a Zap decide abrir uma nova página, e nela quer escrever e contar a história do desporto nacional. Com o lançamento do canal Z Sports, dedicado a 100% aos conteúdos desportivos, a Zap quer, para além de expor as modalidades, resgatar as lendas e influenciar a qualidade desportiva.
A ideia é promover o desporto nacional, mas haverá janela criada para conteúdos internacionais em qualidade HD e na língua portuguesa.
Presente na cerimónia de lançamento do canal, nesta sexta-feira, na cidade de Maputo, o governo aplaudiu a concretização. O canal Z sports está enquadrado no pacote mini, e pode ser visto por todos.
Desmantelada, na Beira, uma rede de jovens, que se dedicava, nos últimos seis anos, a falsificar certidões de habilitações literárias das escolas públicas e privadas, assim como recibos e VD de empresas ligadas à ferragem e restauração.
Era na base de equipamento informático, que a rede de jovens, formados em informática, falsificava diverso tipo de documentos, consoante o pedido dos seus clientes. A rede operava no mercado do Maquinino, onde tinha uma reprografia.
Um dos detidos disse que eram contactados telefonicamente pelos seus clientes e mediante um pagamento emitem o pedido, principalmente justificativos de compra de material de construção ou de consumo de alimentos.
“Então, alguém veio ao meu encontro e disse que quer uma VD, para justificar uma compra que fez no mercado negro. Então, eu vou para lá, imprimo a tal VD e dou a pessoa, e a pessoa vai justificar ao seu patrão o que comprou. Ganho algum [dinheiro] (…) Eu sei que é ilegal, mas como não tenho emprego”, disse um dos indiciados.
Parte das VD falsificadas eram usadas para levantamento de material de construção. “Os mestres, quando vão pedir as cotações nas instituições, nas ferragens, os mestres procuram por alguém que possa lhes dar a VD. Então, eu entrego VD em branco. Não sei como é que eles preenchem”, continuou
São VD até com número de séries. A Polícia da República de Moçambique disse que a detenção dos quatro indivíduos e a apreensão do material informático é resultado de denúncias, que vinham sendo efectuadas há bastante tempo por parte de algumas entidades comerciais em Sofala.
“Dando contas de elevadas perdas de receptação de VDs ou também de facturas falsificadas. Portanto, as empresas forneciam o material, mas quando realizada a contabilidade ao final do mês, verificava-se que o material ora entregue aos clientes não era compatível com o que efectivamente tinham em sua contabilidade”, explicou Dércio Chacate, porta-voz da PRM.
As autoridades vão continuar a investigar este assunto para apurar se a rede incluía funcionários dos estabelecimentos de ensino público e privado assim como das empresas de ferragem e restauração certificados foi encontrado na posse dos detidos.
“Vendida ao Diabo” é uma curta-metragem de Aléssio Nhadombe. O cineasta estreia-se com a história de uma mulher, cujo destino foi selado ainda na infância. Aos seis anos, ela foi entregue como moeda de troca pelos próprios pais, através de um ritual, desesperados pela busca por riqueza.
Já adulta e casada, a mulher enfrenta um doloroso conflito em seu relacionamento: a impossibilidade de engravidar, uma consequência sombria do pacto que a condenou desde cedo. Enquanto luta contra os fantasmas do passado, ela precisa encontrar uma maneira de se libertar dessa maldição antes que seja tarde demais.
Alesio Nhadombe é um cineasta moçambicano, que está há 10 anos a trabalhar num dos maiores grupos de mídia em Moçambique, o grupo SOICO. Engrenou no mundo do cinema em 2017, começando por escrever guiões. Em 2023 grava a sua primeira curta metragem. Este sábado, estreia sua primeira obra no Cine Teatro Scala, às 18h.