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Banco de Moçambique alerta para desigualdades persistentes no acesso aos serviços financeiros

Apesar dos avanços registados na inclusão financeira, o país continua a enfrentar profundas desigualdades no acesso aos serviços financeiros. Um relatório do Banco de Moçambique revela que as províncias de Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado continuam com fraca cobertura de serviços financeiros, o crédito à economia voltou a diminuir e persistem limitações na literacia financeira.

O Relatório de Inclusão Financeira de 2025 conclui que a expansão dos serviços digitais permitiu aumentar o número de moçambicanos com acesso ao sistema financeiro. No entanto, o Banco de Moçambique alerta que os benefícios continuam distribuídos de forma desigual entre as províncias e entre homens e mulheres.

O documento refere que, apesar dos progressos alcançados, persistem desafios estruturais que impedem uma inclusão financeira mais abrangente e equilibrada.

Apesar dos progressos registados, persistem desafios estruturais associados à necessidade de reduzir as desigualdades regionais e de género no acesso e uso de serviços financeiros. As referidas desigualdades caracterizam-se por limitações de literacia financeira e digital, bem como dificuldades de protecção do consumidor, o que reforça a necessidade de intervenções mais direccionadas.

O relatório identifica também fortes disparidades na distribuição dos pontos de acesso aos serviços financeiros. 

Há disparidades significativas na distribuição dos pontos de acesso por província, em termos demográficos e geográficos, que afectam o desenvolvimento económico e a penetração dos serviços financeiros. Enquanto a Cidade e Província de Maputo apresenta os maiores níveis de cobertura dos serviços financeiros, Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado registam os valores mais baixos, evidenciando desafios estruturais.

Embora o número de pontos de acesso tenha crescido 36 por cento entre 2024 e 2025, impulsionado pelos agentes de moeda electrónica, o crédito à economia reduziu para 19 por cento do Produto Interno Bruto.

Importa intensificar as acções de literacia financeira e digital, bem como reforçar a protecção do consumidor, tendo em conta as especificidades dos diferentes segmentos populacionais existentes no país. A bancarização deve ser impulsionada através da expansão da rede de agências e agentes bancários e do reforço da adesão aos pagamentos digitais.

O Banco de Moçambique considera que a consolidação da inclusão financeira dependerá da implementação destas recomendações, de forma a reduzir as desigualdades regionais e garantir maior acesso da população aos serviços financeiros e ao crédito.

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