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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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O Governo da província de Tete quer acelerar a diversificação da economia local e desafia o empresariado nacional a preparar-se para ocupar maior espaço nas cadeias de valor associadas à exploração dos recursos minerais.

O desafio foi lançado pelo governador da província de Tete, Domingos Viola, durante uma visita realizada à Feira Internacional de Maputo, FACIM, onde manteve contacto com instituições e empresas ligadas ao desenvolvimento económico da região do Vale do Zambeze.

Para o governante, a imagem de Tete como uma província essencialmente produtora de carvão deve ser ultrapassada. A aposta passa pela transformação dos recursos existentes em oportunidades de negócio, emprego e maior retenção de valor dentro da economia provincial.

“Em Tete, toda a gente repara no carvão mineral”, reconhece Viola, defendendo, contudo, a abertura de “outras áreas de investimento”. O Governador considera que a província dispõe de outros recursos minerais e de potencial em sectores como agricultura, turismo, energia e serviços.

A preocupação central é garantir que o crescimento da actividade extractiva tenha maior impacto sobre as empresas e comunidades moçambicanas. Segundo o dirigente, as empresas interessadas na exploração de recursos devem criar condições para que a população residente nas zonas de ocorrência dos recursos seja uma das primeiras beneficiárias da actividade económica.

Neste contexto, Viola destaca a importância do conteúdo local e da revisão do quadro legal da mineração. Na sua leitura, a legislação deve permitir que os moçambicanos participem de forma mais efectiva nas cadeias de fornecimento de bens e serviços às grandes empresas.

O sector privado nacional é, por isso, chamado a elevar a sua capacidade técnica e financeira para responder à procura criada pela mineração. A oportunidade, segundo o Governador, não está apenas na extracção, mas também nos serviços, fornecimentos e actividades complementares que gravitam em torno dos grandes projectos.

Mas Tete pretende ir além da mineração. Na agricultura, a província quer avançar para um modelo de produção comercial com maior especialização ao longo da cadeia de valor. A ideia é separar a produção da comercialização, permitindo que diferentes operadores se dediquem à produção, logística, transformação e colocação dos produtos no mercado.

O turismo surge igualmente como uma frente de diversificação. O rio Zambeze e a albufeira de Cahora Bassa são apontados como activos ainda subaproveitados. O Governo vê espaço para desenvolver actividades turísticas fluviais, restauração, alojamento e outros serviços, beneficiando também da proximidade do Parque Nacional de Mágoè.

É neste contexto que Tete prepara a Conferência Internacional de Investimento de Tete 2026, marcada para os dias 8 a 10 de Outubro, na cidade de Tete. O encontro pretende posicionar a província como um pólo competitivo de investimento nacional e internacional e apresentar oportunidades nos sectores da energia, mineração, agricultura, turismo, infra-estruturas, indústria e serviços. 

Sob o lema “Tete no Horizonte de Investimentos: Oportunidades para uma Nova Era de Desenvolvimento”, a conferência deverá servir também para apresentar projectos, mobilizar financiamento e estabelecer parcerias estratégicas entre investidores, empresas e instituições.

A agenda energética reforça a posição estratégica da província. Além da presença da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, estão em perspectiva novos investimentos estruturantes, com destaque para o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, considerado uma plataforma para a expansão da capacidade energética e para a industrialização.

Para o sector empresarial, a expectativa é que a conferência não se limite à apresentação de oportunidades, mas resulte em negócios concretos, maior participação das PME nacionais e criação de emprego.

O desafio colocado por Tete é, assim, transformar recursos naturais em cadeias de valor nacionais. Mais do que exportar matéria-prima, a província quer atrair investimento, desenvolver empresas locais e aumentar a parcela de valor que permanece na economia moçambicana.

A cidade de Maputo acolhe, desde  31 de Agosto até ao dia 5 de Setembro de 2026, a 16.ª edição do Kugoma– Fórum de Cinema Moçambique. O festival, já consolidado como um ponto de encontro fundamental para a divulgação e debate da arte cinematográfica no país, é um convite da Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique, ao público em geral, a juntar-se a esta grande festa do cinema.

A sessão de abertura do festival, realizada nesta quinta-feira, contou com a exibição do filme “O Ouro e o Mundo”, longa-metragem de ficção do realizador Ico Costa, filmado em Inhambane, com a presença do realizador, do co-produtor nacional e um dos jovens atores.

Entre os vários destaques da programação, salienta-se também um cine-concerto imperdível com a projeção do clássico do cinema mudo “The Great Train Robbery” (1903), realizado por Edwin S. Porter, acompanhado por uma banda que criará toda a banda sonora e os efeitos de foley ao vivo.

Este ano, o festival partilha espaço com o FilmLab Moçambique, uma iniciativa de capacitação de jovens promovida pelo projeto REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL .

Durante seis dias, a programação vai passar por três espaços culturais emblemáticos da capital: o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), o Museu Mafalala e o Centro Cultural Chapa 100.

Nesta 16.ª edição, o KUGOMA reforça o seu compromisso com a valorização do cinema moçambicano e africano, promovendo exibições de filmes, encontros com realizadores, oficinas e debates sobre o presente e o futuro da produção audiovisual.

O encerramento do festival será marcado por mais uma atividade da REDE de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, que apresentará pela primeira vez, a sua plataforma online em atualização, e pela habitual Gala de Premiação, onde serão atribuídos o Prémio Novos Autores, destinado a destacar os talentos emergentes, e o Prémio Maxfilm Creative.

A entrada é livre e aberta a todo público, desde cinéfilos e profissionais do setor a estudantes e curiosos. A programação detalhada para cada um dos locais será disponibilizada 

Estão disponíveis 726 milhões de meticais da Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais para os próximos cinco anos. O valor é co-financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e será gerido pelo Moza Banco.

É mais uma linha de financiamento que é colocada à disposição, com foco para a zona Rural. A província de Nampula foi o palco para a sua divulgação na manhã desta quinta-feira.  

“A Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais, é uma iniciativa estruturada pelo Governo da República de Moçambique, em parceria com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA),que  responde à um desafio central do nosso processo de desenvolvimento: fazer com que o financiamento chegue, de forma adequada, sustentável, responsável e com custos comportáveis, aos produtores, aos empreendedores e às empresas que geram bens e serviços, produção, emprego e rendimento no meio rural”, explicou Salim Valá, ministro da Planificação e Desenvolvimento.

A Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais conta com 726 milhões de meticais para os próximos cinco anos. O valor é co-financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, que também colocou dinheiro na primeira fase que decorreu de 2019 a Março de 2026.

Jaana Keitaanranta, directora do FIDA em Moçambique, deixou uma garantia: “como FIDA e o Governo aqui presente, faremos todos os esforços de apoiar para que este modelo seja referência, não só no país, mas também na região. Pedimos igualmente que continuem a dar especial apoio aos grupos de poupança e crédito produtivo,  que se tem desenvolvido bastante e tem tido um papel cada vez mais preponderante nas finanças rurais inclusivas.

O FIDA gera a nível internacional uma carteira de 315 milhões de dólares, dos quais, 90% são doações. Moçambique é para o FIDA o terceiro país que mais beneficia dos seus fundos.

O Moza Banco é a instituição confiada para gerir e disponibilizar os 726 milhões de meticais aos beneficiários. “É falar de atividades que sustentam e geram rendimento para muitas famílias moçambicanas e que se concentram precisamente em províncias como esta. Todos os destinatários têm que ter consciência que estes não são fundos perdidos, por estar envolvido a entidade do Estado não significa que nós não temos que devolver”, alertou Manuel Soares, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Moza Banco.

Nampula posiciona-se e na voz do chefe do Executivo provincial, Eduardo Abdula, diz que parte deste financiamento deve beneficiar o desenvolvimento do agricultor local.

“Queremos que esta linha ajude a mudar a forma como olhámos para o produtor rural, que este deixa de ser visto apenas como produtor de subsistência e tenha condições para transformar num verdadeiro empresário rural”.

No período da tarde, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, a sua comitiva e o PCE do Moza Banco deixaram as formalidades e fizeram-se ao distrito de Rapale para conhecer alguns beneficiários do Fundo de Desenvolvimento de Iniciativas Locais.

No ano passado, a margem financeira do Governo foi apertada, por isso dos mais de 356 mil projectos submetidos ao FDEL a nível nacional, foram aprovados e financiados 18.562. Este ano, o valor foi dobrado para ter mais beneficiários.  

O Presidente da República, Daniel Chapo, exige que as recomendações apresentadas pelos deputados do Parlamento Infantil sejam efectivamente respondidas e acompanhadas de resultados concretos, defendendo que não basta garantir o acesso das crianças à escola.

Daniel Chapo falava esta quinta-feira, em Maputo, durante o encerramento da VIII Sessão do Parlamento Infantil, onde se mostrou disponível para responder às preocupações levantadas pelos deputados, relacionadas com áreas como saúde, educação e segurança.

O Chefe do Estado chamou a atenção para a responsabilidade das escolas, das famílias e das instituições do Estado na protecção e desenvolvimento das crianças, defendendo que nenhuma deve ser silenciada ou privada do direito de expor as suas preocupações.

Entre os problemas levantados pelos deputados estiveram as gravidezes precoces e as uniões prematuras. Sobre a matéria, Chapo recordou que estas práticas são puníveis por lei, mas reconheceu que persistem dificuldades na denúncia, sobretudo em determinadas comunidades e ambientes sociais.

O Presidente da República destacou igualmente a necessidade de combater a insegurança em Cabo Delgado, apontando o terrorismo como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento e à continuidade da educação das crianças afectadas pelos deslocamentos.

“A primeira coisa que eu gostaria de fazer […] é resolver o terrorismo em Cabo Delgado”, afirmou Daniel Chapo, sublinhando que muitas crianças são obrigadas a deslocar-se constantemente, o que compromete a sua permanência na escola.

No encerramento da sessão, o Chefe do Estado determinou ainda que, antes da realização da IX Sessão do Parlamento Infantil, seja apresentado um balanço das recomendações feitas pelas crianças, indicando claramente o que foi cumprido e o que permanece por concretizar.

Moçambique pretende alargar a cooperação com São Tomé e Príncipe para além do domínio político-diplomático, com particular atenção para as áreas de formação, comércio, agricultura e pescas.

Segundo um comunicado, a posição foi defendida nesta quinta-feira pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, em São Tomé e Príncipe, onde representa o Presidente da República, Daniel Chapo, na cerimónia de tomada de posse do Presidente reeleito daquele país, Carlos Vila Nova.

Falando à imprensa moçambicana, a PM destacou a formação como uma das áreas em que os dois países já mantêm uma cooperação efectiva, com estudantes e quadros são-tomenses a beneficiarem de formação em Moçambique, particularmente nos sectores da medicina, polícia e justiça.

Segundo Benvinda Levi, existe abertura para o alargamento das oportunidades de formação e do número de bolsas disponibilizadas a São Tomé e Príncipe, incluindo no âmbito do Centro de Instrução de Polícia, onde Moçambique actualmente concede bolsas anuais.

A governante defendeu, contudo, que a cooperação bilateral deve avançar para novas áreas, sobretudo a comercial, considerando que existem potencialidades e necessidades complementares entre os dois países.

“Temos boas cooperações na área político-diplomática, mas as outras áreas, fora esta da formação, não têm sido muito desenvolvidas”, afirmou Maria Benvinda Levi, acrescentando haver “muitas possibilidades e interesse de parte a parte para alargar a cooperação”.

No domínio comercial, a PM apontou o cacau e o café entre os produtos de São Tomé e Príncipe que apresentam potencial para uma maior circulação, enquanto Moçambique dispõe de capacidades e oportunidades na área da agricultura que podem responder a necessidades do mercado são-tomense.

A pesca constitui igualmente uma área identificada como potencial para o reforço da cooperação e da troca de experiências, tendo em conta a experiência são-tomense neste sector e a extensa costa marítima de Moçambique.

Para concretizar estas oportunidades, a dirigente defende a criação de mecanismos de trabalho entre os dois países que permitam identificar necessidades e áreas prioritárias de intervenção.

“O importante é que os dois países formem equipas de trabalho e identifiquem quais são as suas necessidades mais importantes”, sublinhou a PM, defendendo que, a partir dessa identificação, os dois países possam avançar de forma mais segura e efectiva.

A Primeira-Ministra participou hoje na cerimónia de tomada de posse de Carlos Vila Nova, que inicia o seu segundo mandato como Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, depois de ter sido reeleito, em Julho passado, à primeira volta, com 55,88 por cento dos votos.

A cerimónia reuniu altas individualidades nacionais e estrangeiras, entre as quais os Presidentes da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, e do Gabão, Brice Clotaire Oligui Nguema, e os Primeiros-Ministros de Portugal, Luís Montenegro, da Guiné Equatorial, Manuel Osa Nsue Nsua, e de Marrocos, Aziz Akhannouch.

Pelo menos 56 unidades sanitárias em 16 distritos moçambicanos já administram o injetável lenacapavir, para prevenção da infeção por HIV, beneficiando 15.700 pessoas, avançou o Ministério da Saúde citado pela Lusa.

Segundo a informação, o medicamento lenacapavir para prevenir o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) já é administrado em 17 unidades sanitárias da província da Zambézia, no centro de Moçambique, e 21 da província de Maputo, no sul. A cidade de Maputo soma outras 17 unidades sanitárias que iniciaram a administração do medicamento, enquanto a província de Nampula, no norte do país, iniciou a administração do medicamento numa unidade sanitária.

“Importa esclarecer que a implementação não ocorre apenas em centros de saúde, mas também em hospitais. A previsão inicial de implementação em 55 unidades sanitárias foi alcançada. Embora o número total de unidades sanitárias se mantenha, houve ajustamentos na abrangência geográfica, incluindo a expansão para a província de Nampula”, esclareceu o ministério.

Os dados avançados pelo Governo indicam que até 21 de Agosto 15.703 pessoas tinham iniciado a prevenção com lenacapavir, das quais 9.264 beneficiários na província da Zambézia, 4.263 na cidade de Maputo, 2.146 na província de Maputo e 30 em Nampula.

“O país recebeu inicialmente cerca de 17.280 doses para início desta forma de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). Considerando o elevado ritmo de utilização, o Ministério da Saúde mantém a monitoria regular dos níveis de stock, das redistribuições entre províncias e das entregas subsequentes, com vista a assegurar a continuidade dos serviços”, indica-se na mesma informação.

As autoridades sanitárias afirmam estarem em curso atividades de monitorização da implementação, seguimento clínico dos beneficiários, farmacovigilância, testagem de HIV, gestão de stock e reforço dos mecanismos de referência e continuidade da PrEP. Os dados recolhidos nesta fase servirão igualmente para orientar a expansão progressiva do lenacapavir para outras províncias e unidades sanitárias.

O Ministério da Saúde esclarece que o lenacapavir é uma nova opção de Profilaxia Pré-Exposição injetável de longa duração, administrada semestralmente a pessoas HIV negativas com risco de exposição, introduzida no âmbito do reforço da prevenção combinada ao HIV.

Moçambique iniciou em 22 de Abril a utilização do medicamento injetável, com a primeira dose administrada na província de Maputo, visando reduzir novas infecções e acelerar o controlo da doença no país.

“Estamos aqui, com muito orgulho, a lançar esta nova terapia inovadora, eficaz para a saúde do povo moçambicano, porque sabemos que, juntos, com essas intervenções combinadas que estamos aqui a introduzir, poderemos, a médio e longo prazo, ter gente com saúde”, disse então o ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse.

A nova opção de PrEP arrancou na província de Maputo, marcando a introdução de uma “tecnologia inovadora” na resposta ao Vírus da Imunodeficiência Humana, com aplicação inicial a pessoas a partir dos 15 anos.

Moçambique regista cerca de 92 mil novas infecções por ano, das quais 34 mil entre adolescentes e jovens dos 15 aos 24 anos, grupo considerado prioritário na nova estratégia de prevenção, referiu na ocasião o ministro da Saúde.

Ussene Isse sublinhou na altura o potencial da nova abordagem para reduzir o estigma e aumentar a adesão à prevenção, sobretudo entre jovens e adolescentes.

O ministro destacou que Moçambique passa a integrar o grupo de nove países africanos com acesso à nova tecnologia, considerada de longa duração e elevada eficácia na prevenção, mas alertou para a necessidade de controlo rigoroso na administração do fármaco.

A introdução do lenacapavir conta com o apoio do Governo dos Estados Unidos e da Organização Mundial da Saúde (OMS), no quadro de parcerias internacionais para reforço da prevenção e controlo do HIV no país, instituições representadas na cerimónia.

Um inspector da Polícia da República de Moçambique (PRM), afecto ao Posto de Fiscalização do Rio Save, no distrito de Govuro, província de Inhambane, foi detido em flagrante delito, acusado de cobrança ilícita de 200 meticais a um condutor de transporte de passageiros.

A detenção ocorreu no dia 31 de Agosto, na Vila Franca do Save, na sequência de denúncias de alegadas cobranças ilícitas protagonizadas pela força conjunta colocada naquele posto de fiscalização.

Segundo o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Inhambane (GPCCI), uma equipa operativa introduziu-se num mini-autocarro de transporte de passageiros, tendo testemunhado um agente regulador de trânsito a exigir e receber 200 meticais do condutor da viatura.

Perante os factos, o agente foi imediatamente abordado e detido em flagrante delito. O indiciado foi identificado como inspector da Polícia de Trânsito em exercício de funções no Posto de Fiscalização do Rio Save.

O indiciado foi presente ao Juiz de Instrução Criminal, que legalizou a sua detenção no mesmo dia.

Em comunicado emitido esta quinta-feira, 3 de Setembro, o GPCCI exortou os servidores públicos e os cidadãos em geral a cumprirem as normas e a denunciarem casos de corrupção de que sejam vítimas ou testemunhas.

Dez cidadãos foram detidos na sequência dos confrontos entre a população e agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), ocorridos no povoado de Sendedza, distrito de Angónia, província de Tete.

Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) morreu e outros contraíram ferimentos ligeiros na sequência de confrontos com populares, durante uma operação policial contra a venda e consumo de drogas, realizada no dia 2 de Setembro, no povoado de Sendedza, distrito de Angónia, em Tete.

A operação foi desencadeada pela Força Operativa do Comando Provincial da PRM, que realizou uma rusga dirigida a locais suspeitos de comercialização e promoção do consumo de estupefacientes.

Segundo a Polícia, durante a operação foram identificados dois pontos de venda de cannabis, nomeadamente um estabelecimento comercial e uma residência. Os respectivos proprietários foram identificados e detidos, tendo sido apreendida a droga que alegadamente era comercializada nos dois locais.

Quando os agentes se encontravam a transportar os dois suspeitos e a droga apreendida para o Comando Distrital da PRM em Angónia, onde seriam realizados os procedimentos legais subsequentes, foram surpreendidos por um grupo de populares.

De acordo com a Polícia, os populares atacaram os agentes com objectos contundentes, tendo provocado a morte de um dos membros da corporação e ferimentos ligeiros noutros agentes envolvidos na operação.

Na sequência da violência, a PRM anunciou a detenção de dez cidadãos, apontados como participantes directos nos confrontos.

A Polícia diz pretender responsabilizar criminalmente os envolvidos, como forma de repudiar actos de violência contra agentes da autoridade e desencorajar a repetição de situações semelhantes.

 

O director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas e um motorista estão detidos e são indiciados dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função. O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção (GPCC) em Gaza confirmou, esta quinta-feira, a detenção de dois funcionários do Governo do distrito de Mandlakazi, na província de Gaza, por alegado desvio de insumos agrários.

Entre os detidos encontra-se o director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, Artur Mathe, e um motorista do Governo distrital. Os dois são indiciados da prática dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função, segundo confirmou Saquina Jenga, magistrada do Ministério Público.

“Efectivamente, confirmamos a detenção do director substituto do Serviço Distrital de Actividades Económicas de Manjacaze. A detenção foi efectuada na semana passada. Importa salientar que também está detido o motorista do mesmo serviço. Eles são indiciados da prática dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função”, explicou a magistrada.

De acordo com os dados apurados, o motorista foi detido no distrito de Chókwè, depois de ter sido alegadamente interceptado num posto de controlo a transportar adubos numa viatura protocolar do Governo distrital.

O motorista terá percorrido o trajecto Mandlakazi–Guijá–Chókwè quando foi abordado pelas autoridades. Segundo Saquina Jenga, o Ministério Público promoveu igualmente a detenção do director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, tendo em vista garantir que este aguardasse, em prisão preventiva, os ulteriores termos do processo.

“Os arguidos foram efectivamente submetidos ao primeiro interrogatório e foi-lhes aplicada esta medida de coacção”, acrescentou. O caso está a gerar preocupação entre os agricultores, que alertam para a continuidade de alegados esquemas de desvio de insumos agrários e exigem que as investigações prossigam até à identificação de todos os possíveis envolvidos.

Os produtores defendem ainda que as autoridades devem esclarecer as circunstâncias em que os insumos foram retirados do circuito oficial de distribuição e determinar o seu destino.

O País sabe que o caso está sob investigação desde Junho. A magistrada do Ministério Público, Saquina Jenga, não afasta a possibilidade de novas detenções no âmbito do processo.

Na tentativa de obter uma reacção do administrador do distrito de Mandlakazi sobre as detenções, O País contactou a autoridade administrativa, que informou não ter autorização superior para se pronunciar sobre o assunto.

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