Moçambique pretende alargar a cooperação com São Tomé e Príncipe para além do domínio político-diplomático, com particular atenção para as áreas de formação, comércio, agricultura e pescas.
Segundo um comunicado, a posição foi defendida nesta quinta-feira pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, em São Tomé e Príncipe, onde representa o Presidente da República, Daniel Chapo, na cerimónia de tomada de posse do Presidente reeleito daquele país, Carlos Vila Nova.
Falando à imprensa moçambicana, a PM destacou a formação como uma das áreas em que os dois países já mantêm uma cooperação efectiva, com estudantes e quadros são-tomenses a beneficiarem de formação em Moçambique, particularmente nos sectores da medicina, polícia e justiça.
Segundo Benvinda Levi, existe abertura para o alargamento das oportunidades de formação e do número de bolsas disponibilizadas a São Tomé e Príncipe, incluindo no âmbito do Centro de Instrução de Polícia, onde Moçambique actualmente concede bolsas anuais.
A governante defendeu, contudo, que a cooperação bilateral deve avançar para novas áreas, sobretudo a comercial, considerando que existem potencialidades e necessidades complementares entre os dois países.
“Temos boas cooperações na área político-diplomática, mas as outras áreas, fora esta da formação, não têm sido muito desenvolvidas”, afirmou Maria Benvinda Levi, acrescentando haver “muitas possibilidades e interesse de parte a parte para alargar a cooperação”.
No domínio comercial, a PM apontou o cacau e o café entre os produtos de São Tomé e Príncipe que apresentam potencial para uma maior circulação, enquanto Moçambique dispõe de capacidades e oportunidades na área da agricultura que podem responder a necessidades do mercado são-tomense.
A pesca constitui igualmente uma área identificada como potencial para o reforço da cooperação e da troca de experiências, tendo em conta a experiência são-tomense neste sector e a extensa costa marítima de Moçambique.
Para concretizar estas oportunidades, a dirigente defende a criação de mecanismos de trabalho entre os dois países que permitam identificar necessidades e áreas prioritárias de intervenção.
“O importante é que os dois países formem equipas de trabalho e identifiquem quais são as suas necessidades mais importantes”, sublinhou a PM, defendendo que, a partir dessa identificação, os dois países possam avançar de forma mais segura e efectiva.
A Primeira-Ministra participou hoje na cerimónia de tomada de posse de Carlos Vila Nova, que inicia o seu segundo mandato como Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, depois de ter sido reeleito, em Julho passado, à primeira volta, com 55,88 por cento dos votos.
A cerimónia reuniu altas individualidades nacionais e estrangeiras, entre as quais os Presidentes da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, e do Gabão, Brice Clotaire Oligui Nguema, e os Primeiros-Ministros de Portugal, Luís Montenegro, da Guiné Equatorial, Manuel Osa Nsue Nsua, e de Marrocos, Aziz Akhannouch.