Moçambique realizou, de 26 a 30 de Outubro, uma missão de cooperação à Tanzânia para conhecer modelos de gestão de reservas alimentares que possam servir de referência para a criação e operacionalização da Reserva Alimentar Nacional.
A iniciativa, realizada com o apoio do Programa Mundial para a Alimentação (PMA), visa reforçar a segurança alimentar, garantir maior estabilidade no abastecimento de produtos alimentares e melhorar a capacidade de resposta do país a situações de emergência e choques climáticos.
A delegação moçambicana foi liderada pela Directora-Geral do Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural (FAR, FP), Lúcia da Luz Luciano, e pelo Director-Adjunto do PMA em Moçambique, Maurício Burtet. Integraram igualmente representantes do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) e de outras instituições ligadas à segurança alimentar.
Durante a visita, os representantes moçambicanos mantiveram encontros com o Ministério da Agricultura da Tanzânia, a Agência Nacional de Reservas Alimentares (NFRA) e o Conselho de Cereais e Outros Produtos (CPB), para conhecer os mecanismos de aquisição, armazenamento, conservação e comercialização de produtos agrícolas.
Na cidade de Babati, a delegação visitou silos e armazéns da NFRA, onde teve contacto com procedimentos de controlo da qualidade dos cereais, incluindo a verificação do teor de humidade, detecção de aflatoxinas, limpeza e secagem dos produtos. Foram igualmente apresentados sistemas digitais de rastreabilidade e gestão de stocks.
Segundo os dados partilhados durante a missão, a NFRA dispõe actualmente de uma capacidade de armazenamento de cerca de 776 mil toneladas, com planos de expansão para aproximadamente três milhões de toneladas até 2030.
A agenda incluiu ainda visitas ao Mercado de Cereais de Kibaigwa, ao Centro de Excelência de Mtanana e ao Tanzania Bureau of Standards (TBS), onde a delegação conheceu experiências nas áreas de comercialização agrícola, processamento de cereais, acondicionamento de produtos e controlo laboratorial de qualidade.
No balanço da missão, a Directora-Geral do FAR, Lúcia da Luz Luciano, destacou a importância das experiências recolhidas para a definição do modelo de funcionamento da futura Reserva Alimentar Nacional, particularmente nas áreas de armazenamento, conservação, controlo de qualidade e digitalização dos sistemas de gestão.
Entre os próximos passos estão a elaboração de um relatório técnico, o diagnóstico das infra-estruturas nacionais de armazenamento e a definição de um modelo institucional, financeiro e operacional ajustado à realidade moçambicana.
A cooperação prevê igualmente o reforço das capacidades técnicas nacionais e a identificação de novas oportunidades de intercâmbio com instituições tanzanianas.