O projecto prevê a instalação de quatro unidades de processamento de minerais a partir de 2027, na Zona Franca Industrial de Minheuene, província de Nampula.
A criação de um parque de processamento de recursos minerais em Nacala, província de Nampula, está prevista no âmbito de um memorando de entendimento assinado, esta terça-feira, entre o Ministério dos Recursos Minerais e Energia e a Nacala Park Management Co., Lda., constituída por iniciativa do grupo chinês Jinan Yuxiao. O projecto prevê um investimento inicial de 65 milhões de dólares norte-americanos e a instalação de quatro unidades industriais a partir de 2027.
O memorando foi assinado pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, e pelo presidente do Conselho de Administração do Grupo Yuxiao, Wu Tao, à margem da Conferência sobre Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d 2026), que contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo.
A primeira fase do projecto contempla unidades de processamento de escória com alto teor de titânio, silicato de zircónio, háfnio de ultra-alta pureza e grafite de alta pureza. As instalações deverão ser implantadas nas zonas francas industriais de Locone e Minheuene, sendo que o parque ficará localizado nesta última, a cerca de dez quilómetros do Porto de Nacala.
Com uma área de 350 hectares, a Zona Franca Industrial de Minheuene ainda não iniciou as operações, decorridos quinze anos desde a sua criação. O memorando estabelece as bases de cooperação para o desenvolvimento das infra-estruturas, o licenciamento ambiental, o financiamento e a futura operação comercial do parque. Os pedidos de aprovação dos quatro projectos iniciais foram submetidos à Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) no dia 6 de Outubro, encontrando-se em tramitação a certificação da entidade operadora.
O projecto pretende reforçar o processamento de matérias-primas minerais em território nacional, numa aposta na transformação local dos recursos antes da sua exportação. Entre as matérias-primas previstas estão o concentrado de grafite proveniente do projecto DH e o concentrado de ilmenite extraído das minas do grupo.
O Presidente da República recebeu, esta terça-feira, em audiência, o embaixador de Portugal em fim de missão diplomática em Moçambique, António Manuel Coelho da Costa Moura. O encontro, de carácter protocolar e simbólico, serviu para a apresentação de cumprimentos de despedida e reafirmação dos laços históricos entre os dois países.
À saída da audiência, o diplomata português enalteceu o gesto do Chefe de Estado moçambicano, classificando o momento como particularmente especial por coincidir com as celebrações dos 50 anos da independência nacional. “Foi uma reunião fundamentalmente de cortesia, mas que simboliza bem a relevância das relações entre Portugal e Moçambique”, declarou.
O embaixador sublinhou que o Presidente da República de Portugal participará nas cerimónias oficiais do jubileu da independência moçambicana, reforçando a importância da relação bilateral. Durante o encontro, António da Costa Moura agradeceu a hospitalidade moçambicana e expressou a sua intenção de manter os laços com o país. “Continuarei sempre a levar Moçambique no meu coração, mesmo após o término da minha missão diplomática”, disse.
Ao fazer um balanço da cooperação entre os dois países, o diplomata destacou o bom estado das relações, referindo que Portugal e Moçambique atravessam um momento favorável para o aprofundamento dos laços, graças à recente entrada em funções de novos governos em ambos os países. “Este alinhamento de ciclos políticos cria condições propícias para irmos mais longe nos próximos quatro ou cinco anos”, afirmou.
No domínio económico, António da Costa Moura defendeu o fortalecimento das trocas comerciais, apontando que Portugal é, atualmente, um dos dez maiores investidores em Moçambique, com cerca de 400 empresas, na sua maioria pequenas e médias, a operar no país. Sublinhou ainda que o ambiente de negócios em Moçambique tem registado melhorias, o que contribui para reforçar a confiança dos investidores.
A cooperação entre os dois países abrange diversas áreas, com destaque para a defesa, educação, saúde e desenvolvimento económico, no âmbito do Programa Estratégico de Cooperação. O embaixador reiterou o compromisso de Portugal em continuar a apoiar o progresso de Moçambique.
“Foi uma experiência profissional e pessoal extremamente gratificante. Levo comigo as amizades, o carinho e o respeito que encontrei em Moçambique”, concluiu o diplomata.
Ministro da Defesa israelita diz que foram detectados mísseis iranianos cerca de duas horas depois da entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos EUA.
O presidente norte-americano, Donald Trump, acusou tanto Israel como o Irão de violarem o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em declarações aos jornalistas na Casa Branca antes de partir para a cimeira da NATO em Haia, nos Países Baixos.
“Eles [Irão] violaram-no [o cessar-fogo], mas Israel também o violou”, reagiu, questionado sobre o lançamento de mísseis balísticos por parte do Irão. Segundo Trump, citado por Euronews, Telavive “descarregou” logo após ter aceitado o acordo.
“Não estou satisfeito com Israel”, adiantou, sublinhando também que, com os ataques norte-americanos, as capacidades nucleares do Irão desapareceram.
Logo após fazer declarações aos jornalistas a criticar a actuação do Irão e de Israel, Trump deixou um aviso a Telavive na rede social Truth Social.
Após a ligação, Trump recorreu novamente às redes sociais para garantir que Israel não vai atacar o Irão, menos de uma hora após acusar ambos os lados de violar o cessar-fogo americano.
“Israel não vai atacar o Irão,” escreveu na Truth Social. “Todos os aviões vão dar meia volta e voltar para casa, enquanto fazem um amigável ‘aceno de avião’ ao Irão. Ninguém será ferido, o cessar-fogo está em vigor!”
Segundo o EuroNews, durante a ligação, Netanyahu terá dito a Trump que Israel está mais inclinado a realizar o ataque, uma vez que é necessária uma resposta à violação do cessar-fogo pelo Irão, de acordo com a imprensa israelita.
O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, declarou que o Irão “violou completamente” o cessar-fogo depois de lançar dois mísseis contra o norte de Israel, cerca de duas horas após a entrada em vigor do acordo mediado pelos Estados Unidos e pelo Catar.
“Dei ordens às Forças de Defesa de Israel para que respondam com força à violação do cessar-fogo pelo Irão, com ataques intensos contra alvos do regime no coração de Teerão”, afirmou Katz num comunicado, dando indicações para ataques contra alvos paramilitares e governamentais iranianos em Teerão.
Mais de 40 pessoas, incluindo crianças e profissionais de saúde, foram mortas em ataque a um hospital no Sudão, no fim de semana, segundo informações avançadas pelo Director-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), na terça-feira.
O ataque de sábado ao Hospital Al Mujlad ocorreu em Kordofan Ocidental, perto da linha de frente entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido paramilitares, que lutam entre si desde o início do conflito em Abril de 2023.
O Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu o fim dos ataques à infraestrutura de saúde, sem dizer quem foi o responsável.
O escritório da OMS no Sudão disse que seis crianças e cinco médicos foram mortos no ataque, relatando grandes danos às instalações.
O grupo de direitos humanos Emergency Lawyers acusou um drone do exército de atingir o hospital no sábado, e em um comunicado no domingo estimou o número de mortos em nove.
A Black Bulls e o Ferroviário de Maputo já conhecem as datas da sua participação nas competições africanas de clubes da época 2025/2026. 19 a 21 e 26 a 28 de Setembro as duas equipas fazem estreia nas afrotaças.
Campeão nacional e vencedor da Taça de Moçambique da época passada, Black Bulls e Ferroviário de Maputo estreiam nas competições africanas em Setembro próximo, quando disputarem a ronda preliminar da Liga dos Campeões e Taça CAF, respectivamente.
De acordo com o calendário disponibilizado pela Confederação Africana de Futebol, as duas equipas moçambicanas terão que disputar duas pré-eliminatórias para chegarem à fase de grupos das respectivas competições.
Assim, Setembro está reservado para a ronda preliminar com a 1ª mão a disputar-se entre 19 a 21, enquanto a 2ª mão será de 26 a 28 do mesmo mês.
Caso se qualifiquem para a segunda fase das eliminatórias, Black Bulls e Ferroviário de Maputo jogam em Outubro, nomeadamente de 17 a 19 para a primeira mão, e 24 a 26 para segunda mão.
A fase de grupos decorre de Novembro de 2025 a Fevereiro de 2026, com pausa em Dezembro e Janeiro para a disputa do CAN de Marrocos, seguindo-se a fase do mata-mata em Março, para os quartos-de-final, Abril para as meias-finais e Maio para a grande final.
Mali e Rússia assinaram acordos, na segunda-feira, para fortalecer suas relações económicas e comerciais, incluindo um acordo de cooperação sobre “o uso pacífico da energia nuclear”, disse o Kremlin, em um comunicado.
O presidente interino do Mali, Assimi Goïta, encontrou-se com o presidente russo, Vladimir Putin, durante uma visita oficial de cinco dias a Moscovo, que começou no domingo.
Os dois líderes também assinaram um acordo sobre a criação de “uma Comissão Intergovernamental Rússia-Mali para cooperação comercial, económica, científica e técnica”.
“Nossos números comerciais continuam modestos, mas, antes de tudo, estão mostrando uma tendência positiva” , disse Vladimir Putin, citado por African News.
A visita de Goïta a Moscovo ocorre logo após o grupo paramilitar russo Wagner deixar o Mali. O grupo estava destacado no país desde Dezembro de 2021 e vinha sendo repetidamente acusado de violações dos direitos humanos.
Foi substituído pelo Corpo Africano, uma organização administrada pelo governo russo.
Os países da Aliança dos Estados do Sahel têm recorrido cada vez mais à Rússia em busca de ajuda para combater grupos jihadistas.
Ataques contra instalações militares se intensificaram no Mali nas últimas semanas. O grupo jihadista Jama’at Nasr al-Islam wal-Muslimin (JNIM), ligado à Al-Qaeda, matou dezenas de soldados em um ataque a uma base militar neste mês.
No início de Junho, o Kremlin disse que planejava aumentar a cooperação económica e militar com os países africanos.
O Presidente da República, Daniel Chapo, condecorou, esta segunda-feira, várias personalidades nacionais e instituições, em reconhecimento pelos méritos e contribuições relevantes prestadas à Pátria, no âmbito das celebrações do quinquagésimo aniversário da Independência Nacional.
As distinções foram atribuídas ao abrigo da alínea l) do artigo 158 da Constituição da República e do artigo 39 da Lei n.º 10/2011, de 13 de Julho, através de decretos presidenciais separados.
Foram atribuídas condecorações em diversas categorias, destacando-se a Ordem Samora Moisés Machel, do 1.º Grau, a Fernando Erverard do Rosário Vaz; a Ordem 25 de Junho, do 1.º Grau, a título póstumo, a Carlos Machili; e a Ordem 4 de Outubro, também a título póstumo, ao Cardeal Dom Alexandre José Maria dos Santos.
Com a Medalha Bagamoyo, foram distinguidos Alberto Jeremias Manjate, Ana Maria Nhampule, Arlindo Francisco Hoguane, Eugênio Dique Mandlate e Horácio Agostinho Cossa, pelo seu empenho na promoção dos valores da paz, cidadania e inclusão sociopolítica.
O Chefe do Estado distinguiu igualmente 1.100 cidadãos com a Medalha Veterano da Luta de Libertação de Moçambique, em reconhecimento pela participação activa nas frentes armada e clandestina da luta de libertação nacional, e pelo seu esforço na preservação das conquistas da independência.
Na categoria da Medalha Nachingwea, foram distinguidos Calista Jesus Terezinha Francisca Luís da Silva e o Hospital Geral de Polana Caniço, pelos méritos extraordinários demonstrados na defesa dos direitos humanos, da mulher e da criança, bem como no combate às calamidades naturais e epidemias, incluindo a Covid-19.
No campo académico, receberam a Medalha de Mérito Académico Brazão Mazula, José Mário Joaquim Magode, Maomede Naguib Omar e Maria Perpétua Gonçalves, pelo contributo na formação das novas gerações e na produção de conhecimento científico.
A Medalha de Mérito da Ciência e Tecnologia foi atribuída a Ana Olga Machatine de Almeida Hausse Mocumbi, Eduardo Samo Gudo Júnior, e, a título póstumo, a Venâncio Simão Massingue.
No sector agro-pecuário, António Manuel Antunes recebeu a Medalha de Mérito Agro-Pecuário, em reconhecimento pela sua contribuição na promoção da produção pecuária.
A Medalha de Mérito Combate à Pobreza foi atribuída ao Banco de Moçambique, Manuel José João, Pedro Zacarias Chaúque, Rogério da Luz de Jesus Gomes e Timóteo Valente Fuel, a título póstumo, pelo seu papel na promoção do crescimento económico inclusivo e na criação de um ambiente favorável ao investimento.
No domínio das artes e cultura, foram homenageados com a Medalha de Mérito Artes e Letras o Centro de Documentação e Formação Fotográfica, Ghorwane SCRL – Cooperativa de Música, Joaquina Silia, Matias Ntundo, Mutumbela Gogo e Victor Vieira Raposo.
A Medalha de Mérito Desportivo foi atribuída a Estrela Botão Fernandes Gonçalves, Issa Tarmamade e João Carlos da Conceição, pelo seu papel no desenvolvimento do desporto, particularmente no futebol e arbitragem femininos.
Na preservação ambiental, foram distinguidos António José Augusto Abacar, Armando Uleva Guenha, Carlos Manuel dos Santos Serra e Pedro Estêvão Muagura, com a Medalha de Mérito de Ambiente.
No sector do trabalho, receberam a Medalha de Mérito do Trabalho Anabela de Fátima Mesquita Adrianopoulos, Eduardo Alberto Rufino de Matos, Eugénio João Muianga, Francisco Manuel da Conceição Pereira, Isabel Vaz Enes Archer da Cunha, Joaquina da Conceição Manuel Maria Castigo, Manuel Fernando Veterano, Maria Maurício Miguel Limodo e Paulo Abdala Charifo.
As condecorações serão oficialmente impostas no dia 25 de Junho, por ocasião das comemorações da Independência Nacional, nas cerimónias a decorrer em todas as províncias do país e na Cidade de Maputo. Para o efeito, o Presidente da República delegou poderes aos Secretários de Estado provinciais e da Cidade de Maputo.
O Irão reivindicou um ataque, esta segunda-feira, contra a base de Al-Udeid no Qatar, uma das principais instalações militares norte-americanas no Médio Oriente.
O ataque aconteceu pouco depois de as autoridades de Doha terem encerrado o espaço aéreo do país, de acordo com a imprensa internacional.
O anúncio foi feito na televisão estatal iraniana ao som de música marcial, descreveu a agência de notícias Associated Press (AP), e acompanhado de uma legenda no ecrã: “uma resposta poderosa e bem-sucedida das forças armadas do Irão à agressão americana”.
As autoridades de Doha e de Washington ainda não se pronunciaram sobre o ataque iraniano.
Esta decisão vem no seguimento de ameaças de Teerão a bases militares dos Estados Unidos na região, em retaliação aos bombardeamentos da aviação norte-americana na madrugada de domingo contra instalações nucleares da República Islâmica.
Pouco antes do anúncio na televisão estatal, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, escreveu na rede social X: “Não iniciámos a guerra nem a procurámos. Mas não deixaremos a invasão ao grande Irão sem resposta.”
O Sistema Nacional de Saúde enfrenta uma ruptura no stock de medicamentos, incluindo a vacina BCG, administrada a recém-nascidos para prevenir as formas mais graves e raras de tuberculose. Em Maputo, há bebés que aguardam pela primeira dose há quase dois meses.
O Hospital Geral José Macamo, uma das principais unidades sanitárias da capital, confirma que não está a vacinar recém-nascidos há cerca de um mês, devido à escassez da vacina. Actualmente, a unidade conta com mais de cinquenta crianças por vacinar.
Para tentar minimizar o impacto, o hospital tem estado a encaminhar os utentes a outras unidades sanitárias onde ainda restam algumas doses da vacina. No entanto, o problema não se restringe a José Macamo. Outras unidades hospitalares de referência em Maputo também enfrentam dificuldades no fornecimento do imunizante.
Famílias continuam a percorrer diversos centros de saúde à procura da vacina para os seus filhos. Há casos de crianças nascidas no início de Maio que ainda não receberam a BCG.
Segundo as autoridades, o país aguarda a chegada de quantidades não especificadas de medicamentos diversos, incluindo vacinas, para reforçar os armazéns nacionais.
Além da BCG, os hospitais têm registado escassez de vários medicamentos e material cirúrgico, o que pressiona ainda mais o Sistema de Saúde pública.
A região do Sahel foi responsável por 51% das mortes relacionadas ao terrorismo no mundo em 2024, acima dos 48% em 2023, de acordo com o Índice Global de Terrorismo (GTI) de 2025, publicado pelo Instituto de Economia e Paz, sediado em Sydney.
Segundo o relatório, citado pelo Africanews, o Sahel também foi responsável por 19% de todos os ataques terroristas no mundo em 2024.
Burkina Faso continua sendo o país mais afectado da região. Mais de 700 mortes registradas em todo o país foram associadas a grupos como Jamaat Nusrat Al-Islam wal Muslimeen.
No Níger, mais de 400 vidas foram perdidas em ataques terroristas no ano passado. Insurgentes teriam atacado aldeias, postos militares e aglomerações públicas.
Na Nigéria, um ataque na vila de Mafa, no estado de Yobe, teria matado entre 100 e 150 pessoas e ferido várias outras no ano passado.
Outro ataque do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) contra membros do Boko Haram nas áreas do nordeste do Lago Chade, no estado de Borno, ocorreu em 24 de abril do ano passado.
Segundo relatos, setenta membros do Boko Haram e dez do ISWAP foram mortos nos confrontos.
No Mali, um ataque descarado a uma escola da Gendarmaria na parte sul da capital, Bamako, deixou 60 soldados mortos no ano passado.
Jamaat Nusrat Al-Islam wal Muslimeen assumiu a responsabilidade pelo ataque.
De acordo com as Nações Unidas, os ataques terroristas continuaram ininterruptos em 2025, e o número de mortos continua aumentando.