Ao longo da Estrada Nacional Número 7 (EN7), no troço que liga a cidade de Tete ao município de Moatize, várias mulheres encontram na venda de pedras uma fonte de sustento para as suas famílias. Sob o sol, expostas aos riscos do trânsito, passam os dias à espera de clientes, numa actividade que, apesar das dificuldades, tem permitido melhorar as condições de vida dos seus agregados familiares.
É o caso de Crecia Castro, mãe de cinco filhos, que há seis anos se dedica à venda de pedras em Moatize. A actividade permitiu-lhe adquirir electrodomésticos e assegurar a frequência escolar dos filhos, graças ao rendimento obtido ao longo dos anos.
Entretanto, a vendedora afirma que o negócio já não apresenta o mesmo movimento de outros tempos, devido à redução do número de clientes, situação que dificulta a satisfação das necessidades básicas da família.
A diminuição das vendas representa um desafio para mulheres que dependem exclusivamente desta actividade para garantir a alimentação, a educação dos filhos e outras despesas domésticas. Com uma experiência de dez anos no mesmo ramo, Rita Manuel também conhece os desafios da profissão. Apesar das dificuldades, a venda de pedras permitiu-lhe construir a sua própria casa, um resultado que considera fruto do esforço e da persistência ao longo de uma década.
Além da redução da procura, as vendedeiras enfrentam diariamente os riscos associados à proximidade da estrada, onde a circulação constante de viaturas constitui uma ameaça à sua segurança. Entre Tete e Moatize, os montes de pedras expostos à beira da EN7 representam mais do que uma actividade comercial informal.
São o reflexo do esforço de mulheres que encontram no trabalho diário uma forma de sustentar as famílias e conquistar melhores condições de vida, mesmo perante a diminuição das vendas e os perigos a que estão expostas.