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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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Sete pessoas, entre as quais seis turistas e o piloto, morreram na sequência da queda de um helicóptero nas proximidades do Monte Ololokwe, no condado de Samburu, centro do Quénia.

O acidente ocorreu por volta das 9h13 locais, quando a aeronave efectuava um voo turístico entre a reserva de vida selvagem de Loisaba e Ewaso Nyiro, um rio que atravessa várias reservas nacionais.

Segundo a Autoridade de Aviação Civil do Quénia (KCAA), o aparelho era um helicóptero Eurocopter EC130 B4. A entidade informou que está a apoiar a coordenação das operações de resposta ao acidente.

O Ministério dos Transportes e o Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos deverão investigar as circunstâncias que estiveram na origem da queda.

Até ao momento, as autoridades não divulgaram as identidades nem as nacionalidades das vítimas.

O acesso ao local do acidente permanece difícil, de acordo com a Cruz Vermelha do Quénia, que recorre a drones para sobrevoar a área e avaliar a situação. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma coluna de fumo no local da queda, próximo do Monte Ololokwe.

Samburu é uma das principais zonas turísticas do Quénia, conhecida pelas suas reservas de fauna bravia e pelas paisagens naturais.

O acidente ocorre após uma série de quedas fatais de helicópteros registadas no país nos últimos anos.

Em Fevereiro deste ano, seis pessoas, incluindo um parlamentar, morreram na queda de um helicóptero no condado de Nandi.

Em Abril de 2024, o então chefe das Forças de Defesa do Quénia, general Francis Omondi Ogolla, morreu juntamente com outras nove pessoas na queda de um helicóptero militar na região ocidental do país. Duas pessoas sobreviveram ao acidente.

Em Junho de 2021, pelo menos dez soldados morreram quando outro helicóptero militar se despenhou durante uma tentativa de aterragem nas proximidades de Nairobi.

A Libéria concordou em receber até 1.200 pessoas deportadas dos Estados Unidos da América, no âmbito de um acordo migratório estabelecido com a Administração de Donald Trump.

As autoridades liberianas anunciaram, esta terça-feira, que os deportados serão acolhidos ao longo de um ano. O primeiro grupo, composto por 20 pessoas, deverá chegar ao país na quinta-feira.

O Ministro da Informação da Libéria, Jerolinmek Piah, explicou, em conferência de imprensa realizada em Monróvia, que entre os deportados estarão cidadãos ou nacionais de países africanos e do hemisfério ocidental, desde que estejam clinicamente autorizados a viajar.

O acordo faz parte de uma política mais ampla da Administração norte-americana destinada a combater a imigração ilegal. Nos últimos meses, os Estados Unidos estabeleceram acordos com vários países africanos para receber pessoas deportadas que não são necessariamente nacionais desses países.

Especialistas levantam, contudo, preocupações sobre a possibilidade de alguns deportados estarem abrangidos por ordens de protecção emitidas por juízes de imigração norte-americanos, que impedem o seu regresso aos países de origem por razões de segurança.

Questionado sobre esta matéria, Jerolinmek Piah não esclareceu se algum dos deportados que deverão ser enviados para a Libéria possui uma ordem de protecção.

O governante afirmou ainda que os cidadãos transferidos poderão solicitar asilo na Libéria depois da chegada ou abandonar o país quando assim o entenderem.

Em contrapartida, os Estados Unidos prestarão apoio à Libéria na gestão do programa e no reforço do seu sistema migratório.

Quase 400 vendedores e populares do distrito de Chongoene, em Gaza concentraram-se defronte do edifício do Governo Distrital, em protesto contra a retirada dos vendedores da N1, no Mercado “Senta Baixo”, e a desativação da paragem com o mesmo nome. A medida, segundo o Governo, visa travar a onda de sinistros naquele troço da estrada, e apela aos manifestantes a conformarem-se com a ordem.
Ângelo Tsane

Os vendedores e populares contestam a decisão do Governo Provincial que determina a transferência da antiga paragem e do Mercado Senta Baixo, junto à Estrada Nacional Número 1 (N1), para um novo mercado, construído de raiz em 2019, no distrito de Chongoene.
Os vendedores concentraram-se, entre a manhã e a tarde desta terça-feira, defronte do gabinete do administrador em Chongoene. Alegam que a mudança para o Mercado da Paz, localizado a 500 metros, poderá reduzir o movimento e afetar as vendas. Por isso, rejeitam a saída da actual paragem e do mercado junto à Estrada Nacional Número 1.
“Queremos manter as paragens e o mercado, é o que nós queremos. É aqui onde buscamos comida para os nossos filhos e não queremos ir ao mercado dos chineses.”
O Serviço Distrital de Actividades Económicas de Chongoene, entretanto, alerta que o Governo não vai recuar na decisão de transferir os vendedores e apela aos manifestantes a conformarem-se com a ordem.
A medida, segundo as autoridades, pretende reduzir o risco de acidentes e mortes naquele troço da EN1, onde o aumento do fluxo de viaturas e a circulação de pessoas são apontados como factores de risco.
O Governo garante ” condições no Mercado da Paz e defendemos a sua  ocupação do espaço, face à orientação já discutida com representantes dos comerciantes desde 2022″.
O novo espaço, segundo as autoridades, dispõe de condições consideradas adequadas para a actividade comercial e representou um investimento de 10 milhões de meticais.

Uma aluna dada como desaparecida na segunda-feira, na província de Maputo, foi encontrada sem vida, esta terça-feira, na Praia de Xai-Xai, em Gaza. A menina que saiu de casa com destino à escola, mas não chegou a comparecer às aulas.

Ângelo Tsane

A rapariga, que em vida respondia pelo nome de Lacksimida Abel Ubisse, foi encontrada sem vida, esta terça-feira, na Praia de Xai-Xai, província de Gaza, depois de ter sido dada como desaparecida na segunda-feira.

A informação é confirmada pela Polícia da República de Moçambique, que localizou o corpo na praia. Segundo a PRM, o corpo encontra-se “na morgue do Hospital Provincial de Xai-Xai, aguardando os procedimentos legais”.

A finada residente no Posto Administrativo de 3 de Fevereiro, distrito da Manhiça, província de Maputo, saiu de casa, na segunda-feira, por volta das 7 horas, alegadamente com destino à escola, mas não chegou a comparecer às aulas nem regressou à residência.

As circunstâncias da morte estão sendo apuradas pelas autoridades.

Subiu para 94 o números de mortes na sequência do naufrágio no lago Kariba, no Zimbabwe. Entre as vítimas mortais, há 30 crianças com menos de 10 anos.

Nos últimos sete dias, as autoridades zimbabweanas recuperaram 79 corpos ligados ao caso de naufrágio no lago Kariba. Assim, os óbitos subiram para 94, desde a tragédia marítima que ocorreu na semana passada.

Entre os mortos estão 30 crianças com menos de 10 anos, uma delas um bebê de um mês. Informações preliminares do Governo do Zimbabwe indicam que o naufrágio resultou de negligência e erro humano.

“O barco tinha certificação de navegação marítima. Foi certificado pelo Ministério do Transporte e Infraestrutura. Os problemas que ocorreram foram resultado de negligência e erro humano pelo capitão do barco.

Isso não tem nada a ver com o facto de o barco ter ou não certificação de navegação. Ele recebeu uma certificação autorizada pelo Ministério do Transporte através da Agência de Desenvolvimento Infraestrutural. Então, sim tinha sido certificado.”

Segundo o governo local, correm termos para o apuramentos de outras circunstâncias que teriam propiciado a ocorrência do naufrágio

“O Governo aprovou que avancemos e constituámos um inquérito para começar as investigações sobre o que, exactamente, aconteceu, porque há muitas histórias veiculadas nas redes sociais, por pessoas sem autoridade, sobre como este barco e outros do lago  Caribe são geridos, particularmente aqueles que são propriedades pela Agência de Desenvolvimento de  Infraestrutura. Então, sim, há uma investigação que vai ser instituída o mais rápido possível”.

O barco que naufragou tinha capacidade para transportar 90 passageiros, mas além dos 94 corpos identificados, foram resgatadas 77 pessoas. O Lago Kariba fica na fronteira entre o Zimbabee e a Zâmbia e é o maior lago artificial do mundo em volume.

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria de Fátima Simão Manso, participa, esta quarta-feira, em Díli, Timor-Leste, na 31.ª Sessão do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde irá reafirmar o compromisso de Moçambique com os princípios e objectivos da organização.

A reunião, que será dirigida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste, Benedito dos Santos Freitas, decorre sob o lema “A Consolidação do Estado de Direito Democrático e os Desafios para a CPLP”.

Na sua intervenção, Maria de Fátima Simão Manso deverá destacar a importância do multilateralismo, da cooperação e da solidariedade entre os Estados-membros, reiterando o empenho de Moçambique no fortalecimento da CPLP enquanto espaço privilegiado de diálogo e concertação política.

A participação moçambicana surge igualmente como uma oportunidade para contribuir para a reflexão sobre os desafios comuns da comunidade, com particular enfoque na promoção da paz, prevenção de conflitos, boa governação, desenvolvimento sustentável e reforço da cooperação económica e empresarial entre os países lusófonos.

A reunião do Conselho de Ministros constitui, assim, um momento de concertação entre os Estados-membros e de reafirmação do papel da CPLP na promoção de valores partilhados e na resposta colectiva aos desafios actuais.

À margem da sessão, a Secretária de Estado Manso será recebida em audiência pelo Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, encontro que deverá contribuir para o aprofundamento das relações de amizade e cooperação entre Moçambique e Timor-Leste.

A presença de Moçambique em Díli reforça, deste modo, o seu envolvimento activo na agenda da CPLP e o compromisso do país com a consolidação de uma comunidade assente na paz, no diálogo, na cooperação e no desenvolvimento sustentável.

Mais de 33 mil crianças foram vacinadas contra o sarampo no distrito de Nacarôa, província de Nampula, durante uma campanha de bloqueio do surto que alcançou 33.457 crianças dos seis aos 59 meses, correspondentes a 108% da meta inicialmente estabelecida.

A campanha, realizada de 7 a 11 de Agosto, foi promovida pela Universidade Lúrio (UniLúrio), em parceria com a Amref Health Africa e as autoridades de saúde, no âmbito do projecto Strengthening Vaccine Delivery Systems (VDS) in Mozambique, financiado pela Pfizer Foundation.

A iniciativa contou com a coordenação estratégica da UniLúrio e da Amref Health Africa, em parceria com a Direcção Provincial de Saúde de Nampula e o Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Nacarôa. A meta inicial era vacinar 31.040 crianças, tendo sido superada em 2.417 crianças.

Para assegurar uma maior cobertura territorial, foram mobilizadas 67 equipas de vacinação, distribuídas por sete áreas de saúde. As equipas recorreram a postos fixos, brigadas móveis e brigadas porta a porta, levando a vacinação às unidades sanitárias e a vários espaços comunitários, entre os quais escolas, creches, igrejas, mesquitas e feiras.

No primeiro dia da campanha foram vacinadas 6.847 crianças. O número cresceu progressivamente até atingir 33.457 crianças no quinto e último dia, permitindo alcançar uma cobertura de aproximadamente 108%.

Para além da vacinação, a campanha permitiu identificar 50 crianças que nunca tinham sido vacinadas e alcançar 32.899 pessoas através de acções de mobilização social e educação em saúde.

Durante os cinco dias da campanha, não foram registados Eventos Adversos Pós-Vacinação, enquanto a taxa de desperdício vacinal se manteve em níveis reduzidos.

A UniLúrio participou no acompanhamento das actividades no terreno, bem como na gestão e implementação da campanha, em articulação com a Amref Health Africa, a DPS-Nampula e o SDSMAS-Nacarôa.

A intervenção ocorreu num contexto de preocupação com o avanço do sarampo na província. Em Julho de 2026, Nampula contabilizava 801 casos de sarampo, dois óbitos e oito distritos em situação de surto activo, situação que levou ao reforço da vacinação e da vigilância epidemiológica e à identificação de Nacarôa como uma das áreas prioritárias de intervenção.

O alcance de 33.457 crianças vacinadas representa, assim, um resultado acima da meta definida e reforça a resposta das autoridades de saúde e dos parceiros ao surto de sarampo no distrito de Nacarôa.

Moçambique e a Índia reafirmaram, esta terça-feira, o compromisso de reforçar e consolidar a sua Parceria Estratégica Bilateral, bem como a cooperação no âmbito da parceria Índia-África e no contexto do Sul Global.

O compromisso foi assumido durante a terceira sessão de Consultas Políticas entre a República de Moçambique e a República da Índia, realizada em Maputo, no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

A delegação moçambicana foi chefiada pelo Embaixador José Matsinha, Director da Direcção para Ásia e Oceânia, enquanto a delegação indiana foi liderada por Janesh Kain, Secretário Adjunto (Joint Secretary) para África Austral no Ministério das Relações Exteriores da Índia.

Na sessão de abertura, os dois chefes de delegação destacaram as excelentes relações de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre os dois países, reiterando a necessidade de aprofundar os laços bilaterais e consolidar a Parceria Estratégica entre Moçambique e Índia.

Durante as Consultas Políticas, as duas delegações trocaram informações sobre a situação política, de segurança e socioeconómica nos respectivos países, tendo igualmente discutido mecanismos destinados ao reforço das relações de amizade, cooperação e Parceria Estratégica bilateral, bem como questões multilaterais de interesse mútuo.

As duas partes acordaram continuar a trabalhar conjuntamente para fortalecer a cooperação bilateral, identificando como áreas prioritárias o domínio político-diplomático, defesa, combate ao terrorismo, segurança marítima, segurança pública, educação, energia, mineração, agricultura, saúde, comunicação e transformação digital, transportes e logística, indústria farmacêutica, indústria têxtil, comércio e investimento.

No âmbito do aprofundamento do diálogo bilateral, Moçambique e Índia acordaram ainda realizar, em Nova Deli, a VI Sessão das Consultas Políticas de Cooperação Bilateral, em data a ser acordada entre as duas partes.

A sessão decorreu num ambiente de abertura e franqueza, assente no conhecimento mútuo e nos fortes laços de amizade e irmandade que unem os dois povos e países.

A participação da juventude em processos decisórios continua aquém do desejado em Moçambique, e a continuidade desse paradigma pode conduzir ao prolongamento e continuidade de conflitos. A constatação e o alerta são de um documentário do Instituto para Democracia Multipartidária.

O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) iniciou, nesta terça-feira, um ciclo de apresentações de um documentário sobre a paz e a reconciliação em Moçambique. Produzido com todos os actores da sociedade, o documentário alerta para mais atenção com a juventude.

“De acordo com aquilo que é o retrato que temos no nosso documentário, vemos que a questão da inclusão e participação do cidadão nos processos da governação, particularmente os jovens, está aquém do que devia”, disse Fidália Maculuve do IMD, apelando que “haja uma força única,  que de facto dê a voz a diferentes intervenientes que possam ser ouvidos”.

Um dos oradores do evento, Rodrigues Dambo aponta as desigualdades sociais como a maior das causas de conflitos.

“Claro que nunca teremos uma sociedade igual, mas a desigualdade sempre existirá. O que é necessário é que nós tenhamos mentes desarmadas para que esta desigualdade não seja refúgio de actos que atentem contra a paz. É evidente que o maior problema é o nível da desigualdade, então, temos de, cada um de nós, contribuir para reduzir este nível da desigualdade.”

O documentário foi apresentado na Universidade Joaquim Chissano. O presidente do Centro de Estudos Estratégicos daquela instituição, Énio Chingotuane, referiu que o País está a ignorar lições do passado que levaram a conflitos.

“O problema não é a existência do conflito em si, mas se nós não conseguimos geri-los e deixamos que eles se tornem violentos. O que nós verificamos hoje no cenário moçambicano é que parece que as lições que nós tivemos do passado, dos conflitos anteriores, não estão necessariamente a ser absorvidas para os conflitos actuais”, referiu.

O pesquisador entende que tal ignorância explica o prolongamento do conflito de Cabo Delgado até hoje sem caminhos para o diálogo e a negociação. O documentário será apresentado em todo o País, com a juventude como público prioritário.

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