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O Presidente da República, Daniel Chapo, exige que as recomendações apresentadas pelos deputados do Parlamento Infantil sejam efectivamente respondidas e acompanhadas de resultados concretos, defendendo que não basta garantir o acesso das crianças à escola.

Daniel Chapo falava esta quinta-feira, em Maputo, durante o encerramento da VIII Sessão do Parlamento Infantil, onde se mostrou disponível para responder às preocupações levantadas pelos deputados, relacionadas com áreas como saúde, educação e segurança.

O Chefe do Estado chamou a atenção para a responsabilidade das escolas, das famílias e das instituições do Estado na protecção e desenvolvimento das crianças, defendendo que nenhuma deve ser silenciada ou privada do direito de expor as suas preocupações.

Entre os problemas levantados pelos deputados estiveram as gravidezes precoces e as uniões prematuras. Sobre a matéria, Chapo recordou que estas práticas são puníveis por lei, mas reconheceu que persistem dificuldades na denúncia, sobretudo em determinadas comunidades e ambientes sociais.

O Presidente da República destacou igualmente a necessidade de combater a insegurança em Cabo Delgado, apontando o terrorismo como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento e à continuidade da educação das crianças afectadas pelos deslocamentos.

“A primeira coisa que eu gostaria de fazer […] é resolver o terrorismo em Cabo Delgado”, afirmou Daniel Chapo, sublinhando que muitas crianças são obrigadas a deslocar-se constantemente, o que compromete a sua permanência na escola.

No encerramento da sessão, o Chefe do Estado determinou ainda que, antes da realização da IX Sessão do Parlamento Infantil, seja apresentado um balanço das recomendações feitas pelas crianças, indicando claramente o que foi cumprido e o que permanece por concretizar.

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O Director-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, defendeu que a paz é o melhor remédio para os problemas do continente africano. Falando na abertura da Conferência Ibrahim Governance Weekend, em Marraquexe, Adhanom afirmou que os conflitos são um obstáculo ao desenvolvimento do continente africano.

Tedros Adhanom, que falava durante a cerimónia de abertura da Conferência Ibrahim Governance Weekend, considerou que é preciso haver investimento nas pessoas para o continente se desenvolva, afirmando que apenas a paz pode acabar com os problemas de África.

“As escolhas que fizermos, agora, moldarão o futuro do financiamento global da saúde e precisamos acertar. Porque, em última análise, a saúde não é um custo a ser contido. É um investimento a ser nutrido, um investimento nas pessoas, na estabilidade e no crescimento económico. Mas há uma coisa ainda mais fundamental para o futuro da África do que a saúde. E junto-me a isso, meu irmão Mo, e essa única coisa é a paz. A melhor maneira de alcançar a paz é ter o melhor remédio: a paz. Sem paz, nada mais fará a diferença”, disse Adhanom.

Tedros Adhanom admitiu que os cortes súbitos da ajuda externa por países ocidentais estão a afectar a distribuição de medicamentos, o pagamento a profissionais de saúde e o financiamento de outras infraestruturas. E diz que existe diferença entre crise e oportunidade, que é a liderança de todos.

“Em primeiro lugar, agora é o momento para a liderança dos governos se livrarem do jugo da dependência da ajuda e traçar o caminho para a auto-suficiência. Em segundo lugar, precisamos da liderança dos credores na forma de empréstimos concessionais em condições justas. Quando os países africanos pagam mais para tomar empréstimos do que os países de alta renda, há algo errado com o sistema. E, em terceiro lugar, precisamos da liderança de doadores generosos, não para pagar salários e custos operacionais de programas de saúde ou outros, mas para desenvolver a capacidade para que possamos administrá-los nós mesmos”, acrescentou.

Adhanom adiantou que a OMS está a trabalhar para ajudar os países africanos a tornarem-se mais eficientes e auto-suficientes perante a redução na ajuda externa, desafio que a própria organização enfrenta. O Ibrahim Governance Weekend 2025 realiza-se entre 01 e 03 de Junho em Marraquexe, sob o tema “Alavancar os recursos de África para colmatar o défice financeiro”.

 

Nos últimos dias, circularam informações alarmantes dando conta de que jovens da comunidade de Chigamane, em Vilankulo, Inhambane, havia incendiado um lodge e ameaçado novos ataques contra estâncias turísticas da região. Estas alegações rapidamente se espalharam, gerando uma onda de apreensão entre operadores turísticos, investidores e potenciais visitantes. No entanto, uma análise cuidadosa e informações recolhidas junto das autoridades, da comunidade e dos operadores turísticos revelam que estas acusações são infundadas e perigosamente distorcidas.

O diretor do Serviço Distrital de Cultura e Turismo de Vilankulo, Lucas Vilanculos, em entrevista concedida ao O País, esclareceu os factos. Segundo ele, o que realmente aconteceu foi um incidente isolado e sem relação com qualquer ameaça organizada ou deliberada por parte da comunidade.

“No dia 22 de maio, um descuido na queima de lixo nas machambas da comunidade de Chigamane fez com que o fogo se alastrasse para áreas próximas às estâncias turísticas. Contudo, a comunidade, em conjunto com os responsáveis pelos lodges, conseguiu debelar as chamas antes que estas atingissem qualquer infraestrutura turística. Não houve qualquer dano às estâncias turísticas, muito menos um incêndio provocado intencionalmente por jovens da comunidade”, afirmou o Vilanculos, sublinhando a tranquilidade da situação no distrito.

Infelizmente, na noite seguinte ao incidente, indivíduos de má-fé distribuíram cartas anónimas nas estâncias turísticas, ameaçando novos incêndios. Estes documentos, repletos de acusações e exigências, foram utilizados para sustentar uma narrativa que carece de qualquer base factual. A notícia, que alegava a destruição de um resort e prometia novos ataques, foi amplamente difundida, ganhando destaque em diversos meios de comunicação e projetando uma imagem negativa e injusta sobre Vilankulo.

“As alegações de incêndios e ameaças são completamente falsas”, reafirmou o diretor. “Esta desinformação já está a ter impactos graves, numa altura em que Vilankulo trabalha arduamente para recuperar-se dos desafios enfrentados nos últimos anos, incluindo a tempestade tropical Felipo e as manifestações pós-eleitorais que abalaram a confiança de turistas e investidores”.

O turismo é um setor extremamente sensível, que prospera num ambiente de paz e estabilidade. Notícias falsas, como as que têm circulado, não apenas colocam em causa a segurança do destino, como também minam os esforços de recuperação e desenvolvimento da economia local.

A comunidade de Chigamane, apontada como responsável por atos de vandalismo, também repudiou as alegações. Em declarações exclusivas ao O País, membros da comunidade expressaram indignação face à narrativa construída. “Nunca fizemos nem temos qualquer intenção de fazer ameaças ou queimar lodges. Somos uma comunidade trabalhadora que valoriza o papel do turismo no desenvolvimento da nossa região”, sublinhou um representante local.

As autoridades locais, em coordenação com a Associação de Turismo de Vilankulo e outros organismos relevantes, estão a reforçar os mecanismos de comunicação e segurança para tranquilizar tanto os residentes quanto os visitantes. “Vilankulo está em paz. Não há qualquer ameaça à segurança das estâncias turísticas, e os visitantes podem continuar a desfrutar da beleza única deste destino”, garantiu o diretor.

Além disso, está em curso uma campanha de sensibilização e esclarecimento junto da comunidade nacional e internacional, destacando a tranquilidade e o potencial turístico da região.

Vilankulo é, e continua a ser, um dos destinos mais encantadores e seguros de Moçambique. A sua beleza natural, aliada à hospitalidade das suas gentes, torna esta região um ponto de referência para o turismo nacional e internacional. O momento é de união e resiliência para dissipar quaisquer dúvidas e continuar a construir uma imagem sólida e positiva para este destino ímpar.

Se há algo que este incidente demonstrou é que, mesmo diante da desinformação, Vilankulo permanece firme, resiliente e preparado para receber o mundo de braços abertos.

Uma criança de 10 anos de idade foi assassinada e enterrada numa machamba,no distrito de Dondo, província de Sofala. O corpo foi descoberto sete dias após o seu desaparecimento, foi exumado e enterrado pelas autoridades que não conheciam os parentes.  Entretanto, os familiares exigiram uma outra exumação, e a vítima foi reconhecida e sepultada pela terceira vez num outro cemitério. 

Uma menor que em vida respondia pelo nome de Ana Manuel, carinhosamente chamada aninha, e que tinha 10 anos de idade, foi assassinada  e enterrada numa machamba,  no distrito de Dondo em Sofala, em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas.

A menor, de acordo com dados colhidos junto a família, saiu da sua residência, onde vivia com os pais, na tarde do dia 25 de Maio, na companhia da sua irmã mais nova de três anos. 

Passado algum tempo a mais nova regressou sozinha para casa e sem saber da sua irmã. Nisso, os pais pensaram que fosse mais uma travessura da pequena Aninha, uma vez que, de forma frequente, a pequena costumava sair de casa para a casa da avó, sem avisar. 

No dia seguinte ela deveria ir para escola. Aninha frequentava a quarta classe. Dada a ausência prolongada, os pais contactaram a avó que, para surpresa de todos, afirmou que não estava com neta.

Outros familiares foram igualmente contactados e nada.

O alerta do desaparecimento da menor foi lançado e a Polícia foi informada sobre o caso e iniciaram diligências. 

Sete  dias depois, ou seja na manhã deste domingo, que coincidiu com o dia da criança, um grupo de camponesas notou,  numa machamba,  uma matilha de cães a latir e a tentar cavar no local. 

Acharam estranho a atitude dos cães e aproximaram e o horror veio à tona. Parte do corpo da Aninha estava à vista. A machamba fica localizada a cerca de cinco quilómetros da sua residência. 

A Polícia local foi informada, mas não tinha informação do desaparecimento de Aninha, por isso o corpo foi enterrado em um cemitério local. A informação circulou pelo distrito e, no mesmo dia, a família da Aninha soube do sucedido e decidiu ir até ao cemitério onde o corpo foi sepultado. Na presença das autoridades foi efectuado uma outra exumação e a vítima foi reconhecida.

A família solicitou que fosse efectuado um funeral condigno num outro cemitério e Aninha foi assim sepultada pela terceira vez de forma definitiva. 

O SERNIC ainda não tem dados sobre o autor ou autores do crime. 

Com a morte desta menor, passa para 11 o número de casos de assassinato de mulheres em Sofala, dos quais dois envolvendo menores de idade. Lembre-se que no ano passado foram registado 18 casos  contra 25 de 2023. 

O Aston Villa da Inglaterra é o mais novo clube interessado nos préstimos do internacional moçambicano Geny Catamo, segundo avança o Jornal A Bola, na sua edição desta segunda-feira.

O jogador do Sporting valorizou-se depois da conquista do bicampeonato português e da Taça de Portugal, este ano, sendo um dos alvos de várias equipas europeias, que pretendem ter o moçambicano nos seus planteis.

Entretanto, o Sporting só liberta o jogador em caso de pagamento da metade da cláusula de rescisão, avaliada em 60 milhões de euros. Ou seja, os leões pedem do Aston Villa o valor de 30 milhões de euros.

Em caso de consumação da transferência, Geny Catamo iria disputar a Liga Europa na temporada 2025/26, uma vez que o Aston Villa terminou na sexta posição da liga inglesa.

Uma provável contratação de Geny Catamo pelo Aston Villa seria para colmatar as possíveis saídas dos extremos Marcus Rashford e Marco Asencio, que estavam no Aston Villa por empréstimo do Manchester United e Paris Saint-Germain, sendo que devem regressar aos respectivos clubes.

A equipa treinada pelo espanhol  Unai Emry teve uma boa campanha na última edição da Liga dos campeões europeus, ao terminar entre os oito primeiros colocados na fase liga, entretanto  eliminado nos quartos-de-final pelo actual campeão PSG, com um agregado de 5-4.

Geny Catamo é o segundo jogador moçambicano a ser mencionado para um clube inglês, depois de Reinildo Mandava que está na mira do Crystal Palace. Aliás, para além do Aston Villa, Everton é outro clube inglês que mostrou interesse em ter Geny Catamo no seu balneário.

Sabe-se, porém, segundo escreve o jornal A Bola, que o Amora estaria interessado em terminar o processo de venda dos restantes 75% do passe de Geny Catamo, um negócio que espera seja terminado ainda neste mercado de verão. Dos 75% que estão na posse do Amora, 85% são da Black Bulls, clube onde Catamo terminou o processo de formação, com o Maxaquene, primeiro clube de formação do jogador, a ser, também, beneficiado no negócio.

Um acidente de autocarro no estado de Kano, no norte da Nigéria, matou 22 atletas, que voltavam de um evento desportivo nacional, de acordo com o governador local, citado por Aljazeera.

O autocarro, que supostamente transportava mais de 30 passageiros, caiu da Ponte Chiromawa, na rodovia expressa Kano-Zaria, no sábado, disse o governador de Kano, Abba Kabir Yusuf, à agência de notícias Associated Press.

Não se conhece a causa exacta do acidente, mas Corpo Federal de Segurança Rodoviária (FRSC) disse que “pode ​​ter ocorrido como resultado de fadiga e excesso de velocidade” após uma longa viagem noturna.

Os sobreviventes do acidente foram levados a um hospital local para tratamento.

Segundo a AlJazeera, os atletas, que estavam acompanhados por seus treinadores e dirigentes esportivos, representavam o estado de Kano no Festival Nacional de Desporto da Nigéria.

O Governador de Kano declarou luto nacional na segunda-feira. Seu vice, Aminu Gwarzo, disse que as famílias das vítimas receberiam 1 milhão de nairas e suprimentos alimentares como apoio.

A Associação Nacional de Estudantes Nigerianos divulgo um comunicado, informou o jornal nigeriano The Guardian, dizendo que o incidente “de partir o coração” “lançou uma sombra de tristeza sobre toda a nação, particularmente sobre os jovens e as comunidades desportivas”.

O Festival Nacional de Desporto da Nigéria reúne atletas dos 35 estados do país a cada dois anos.

O presidente da Nigéria, Bola Tinubu, disse recentemente que os jogos, que incluem esportes, que vão desde basquete em cadeira de rodas à luta tradicional da África Ocidental, representam “a unidade, a força e a resiliência que nos definem como nação”.

O poeta e escritor Nelson Lineu vai lançar, entre às 8h e às 11h desta segunda-feira, na Escola Portuguesa de Moçambique, na Cidade de Maputo, o seu primeiro livro infanto-juvenil. Intitulado Quem ensinou a avó a contar estórias, o conto é dedicado ao seu sobrinho

Um dia desses, Nelson Lineu teve a felicidade de se tornar tio de Dilan. Longe de imaginar o impacto  que o primogénito da irmã gémea teria na sua carreira literária, o escritor aceitou o desafio da mãe: escrever um poema dedicado ao sobrinho. 

Com graça, o poema ficou pronto. No entanto, sem demora, o autor perdeu-o. Ainda assim, como é de palavras que vive o escritor, Nelson Lineu mudou de rumo. Ao invés de um poema, decidiu, recomposto da perda, escrever um conto, sempre dedicado ao pequeno Dilan. Para o efeito, recuou para sua infância, em Quelimane, de modo a recuperar a fascinante relação da irmã gémea com as avós materna e paterna. 

Assim, a protagonista do conto infanto-juvenil é Olga, nome da irmã gémea do autor, que, no plano fictício construído em 2020, traduz a incompreensão de uma personagem que sofre pelo facto de a sua avó Madalena não saber contar histórias.

Ora, apesar do real interesse em dedicar o conto ao sobrinho, o processo de escrita não foi fácil.  Por isso mesmo, a última versão do texto só ficou pronta em 2023, pois, pelo meio, o autor abandonou o enredo para se dedicar a aprender a escrever com maior rigor possível para as crianças. Em parte, porque o desfecho da história não era convincente, segundo lhe disse a editora Teresa Noronha. 

Nesse processo de aprendizagem, Nelson Lineu, que tem o hábito de ler sobre guião/cinema, encontrou uma luz que o clarificou sobre os estatutos das personagens, o conflito da história e o desfecho. Paralelamente a isso, uma imagem da filha, publicada numa rede social a 7 de Abril de 2023, com lenço e uma enxada na cabeça, deu-lhe o que faltava para que o conto fosse editado em livro. É algo inefável. Mas o escritor “jura” que a imagem foi determinante para colorir a protagonista e o enredo. 

Para o escritor, Quem ensinou a avó a contar estórias é uma viagem para a infância, para vários lugares que não são apenas físicos. É uma viagem para a relação com os outros e para a compreensão da importância das histórias. Afinal, garante, “contar histórias é uma forma de existir”.

Com Quem ensinou a avó a contar estórias, Nelson Lineu não pretende (apenas) transmitir valores morais. Melhor, o escritor espera veicular as várias possibilidades de interpretação das narrativas. Aliás, a experiência, para o autor, foi tão agradável que promete publicar mais infanto-juvenis e produzir outros conteúdos para as crianças. Por exemplo, desenhos animados e séries. 

Quem ensinou a avó a contar estórias é um livro ilustrado por Ídasse. Nesta segunda-feira, na Escola Portuguesa de Moçambique, na Cidade de Maputo, será lançado no intervalo das 8h e às 12h, num evento que inclui  dramatização do texto pelo actor Fernando Macamo. Nas próximas semanas, o livro também será apresentado nas cidades da Beira, Chimoio, Quelimane e Nampula.

O escritor Mauro Brito vai apresentar o livro editado pela Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa.  

 

SOBRE O AUTOR 

Nelson Lineu é licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane. É professor de Filosofia e de História da Arte na Escola Nacional de Artes Visuais. É membro efectivo da Associação dos Escritores Moçambicanos e membro fundador do Movimento Literário Kuphaluxa, onde foi Director-Geral da Revista Literatas (Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona). 

Nelson Lineu foi co-roteirista na telenovela moçambicana “Maida” e na série moçambicana “A Infiltrada”. 

No cenário literário publicou o conjunto de crónicas “O Passo certo no caminho errado” (2021), “Asas da água” (2019) e “Cada um em mim” (2014). 

Na qualidade de copywriter, passou por Anima – Estúdio Criativo e Grow, Agência de Comunicação e Publicidade. 

Nelson Lineu também apresentou e produziu o programa radiofónico literário “Da Palavra ao Livro”.  

 

O exército nigeriano matou mais de 60 jihadistas, incluindo líderes do Boko Haram e do ISWAP, em operações no estado de Borno, no nordeste da Nigéria, reforçando o combate ao terrorismo na região.

A lista de mortos na operação inclui um líder ligado ao Boko Haram e à ramificação do grupo, o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês), disse o exército num comunicado citado pela DW.

As tropas da Operação Hadin Kai, lançada em 2021 contra os grupos que defendem a ‘jihad’ (guerra santa), realizaram “um ataque terrestre e aéreo simultâneo às posições terroristas em Bita, estado de Borno” na sexta-feira.

“A intensa batalha resultou na neutralização de pelo menos 60 terroristas”, disse o exército no comunicado, sem fornecer mais detalhes, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

Numa operação separada, as forças especiais da Operação Hadin Kai efetuaram um “ataque de precisão” na sexta-feira contra um reduto-chave do Boko Haram/ISWAP no eixo Kukawa do norte de Borno.

Ainda segundo a DW, os militares nigerianos disseram que abateram Abu Fatima, o seu adjunto, vários especialistas em explosivos e outros elementos do grupo durante uma “intensa troca de tiros”.

A missão foi concluída sem baixas para o exército, que disse também ter recuperado várias espingardas AK-47, carregadores, diversas munições e material para o fabrico de engenhos explosivos.

O nordeste da Nigéria tem sofrido ataques do Boko Haram desde 2009, violência que se intensificou a partir de 2016 com o surgimento do grupo dissidente, o ISWAP.

Ambos os grupos procuram impor um estado islâmico na Nigéria, um país com uma maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul.

O Boko Haram e o ISWAP já mataram mais de 35 mil pessoas e provocaram cerca de 2,7 milhões de deslocados internos, principalmente na Nigéria, mas também em países vizinhos como Camarões, Chade e Níger, segundo dados do governo e da ONU.

A província de Inhambane é uma das regiões mais emblemáticas de Moçambique, com paisagens paradisíacas e um solo rico em recursos naturais, especialmente gás natural. Desde o início da exploração de gás pela multinacional sul-africana Sasol, em 2004, a província tem contribuído significativamente para as receitas fiscais nacionais. Contudo, a distribuição desses rendimentos tem gerado controvérsias e levantado questões cruciais sobre justiça fiscal e equidade na gestão de recursos naturais.

De acordo com dados oficiais, em 2024, a Sasol pagou aproximadamente 124,9 milhões de dólares americanos ao Estado moçambicano em impostos, um valor equivalente a cerca de 7,9 mil milhões de meticais. Deste montante, 95,9 milhões de dólares foram provenientes do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC), enquanto 18,2 milhões de dólares correspondem ao Imposto de Produção e 4,5 milhões ao Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRPS). Apesar destas cifras impressionantes, apenas uma pequena fração, correspondente a 10% do Imposto de Produção, é transferida para a província de Inhambane. Este valor, equivalente a cerca de 1,8 milhões de dólares (116 milhões de meticais), tem sido considerado insuficiente para enfrentar os desafios enfrentados pelas comunidades locais.

O governador de Inhambane, Francisco Pagula, trouxe o debate para o centro das atenções, apontando as limitações do atual modelo de redistribuição de receitas. Nas suas declarações, ele destacou que, embora o aumento para 10% represente um progresso em relação aos 2,75% anteriormente destinados aos distritos de Inhassoro e Govuro, a fórmula ainda penaliza severamente as comunidades que convivem com os impactos diretos da exploração de recursos naturais.

Num tom firme e ao mesmo tempo pedagógico, o governador Francisco Pagula explicou os desafios enfrentados pela província diante do atual modelo de redistribuição de receitas. “No passado recente, todos nós sabíamos que tínhamos apenas os 2,75% que beneficiavam os distritos de Inhassoro e Govuro. Hoje temos os 10%, embora seja necessário reconhecer que, por ser a primeira vez, este é também um momento de aprendizagem”, afirmou.

O governador destacou que a base de cálculo, limitada exclusivamente ao Imposto de Produção, restringe consideravelmente os benefícios que poderiam ser canalizados para atender às necessidades locais. “A forma como são calculados os 10%, nós, como província, ainda não nos sentimos satisfeitos porque sabemos que os 10% são calculados através do Imposto de Produção. Isso faz com que o valor resultante seja não tão significativo para enfrentar os desafios das nossas comunidades”, explicou Pagula.

Ele foi além, sugerindo uma alternativa que considera mais justa e sustentável. “Se fosse 10% fruto de todos os impostos pagos pela Sasol, podem ter certeza que seria uma grande valia, uma grande contribuição e um crescimento para a nossa província”, sublinhou o governador, acrescentando que, apesar da gratidão pelos 10% atuais, é imprescindível pensar em uma revisão futura para garantir maior equidade.

Os valores transferidos para a província em 2023 ilustram a disparidade entre a riqueza extraída e os benefícios devolvidos. Do montante recebido, 65 milhões de meticais foram utilizados na construção de menos de três quilómetros de estradas e em um único centro de saúde. Em 2024, os cerca de 65 milhões de meticais alocados estão a financiar a construção de uma estrada pavimentada na vila-sede de Morrumbene e um centro de saúde no distrito de Inharrime.

Nos distritos diretamente impactados pela exploração de gás, como Inhassoro e Govuro, a situação é ainda mais desafiadora. Cada distrito recebeu cerca de 8 milhões de meticais em 2024, valores que têm sido canalizados para projetos limitados, como a pavimentação de trechos curtos de estrada. “Estamos a falar dos 7,25% destinados a província, os 2,75% vão diretamente para os distritos, e também existem obras em andamento. Temos a pavimentação de cerca de 150 a 200 metros na vila-sede de Inhassoro”, detalhou Pagula.

O contraste entre a riqueza que sai da província e os recursos que nela permanecem suscita uma questão essencial: como garantir que as comunidades que convivem com os impactos diretos da exploração de recursos naturais recebam benefícios proporcionais? Para Francisco Pagula, a resposta passa por uma revisão urgente do modelo de redistribuição. “Sentimos que há necessidade de, no futuro, refletir sobre a forma como são calculados os 10%”, reiterou o governador.

As declarações de Pagula sublinham a urgência de uma reforma que garanta maior justiça fiscal e desenvolvimento sustentável para as comunidades de Inhambane. À medida que a província continua a desempenhar um papel central na economia nacional, torna-se imperativo assegurar que a riqueza gerada se traduza em melhores condições de vida para a sua população.

Exiguidades de meios e engarrafamento na única via que dá acesso à lixeira da cidade da Beira, o que  está a contribuir para a existência de montões de lixo em algumas zonas da urbe, pondo em causa a saúde pública.  No chiveve são produzidas cerca de mil toneladas por dia, mas cerca de metade é que está a ser recolhido.

Os gestores do conselho Municipal da Beira estão a enfrentar enormes dificuldades para manter a urbe limpa, em relação aos inúmeros resíduos sólidos produzidos diariamente pelos munícipes.

É que mil toneladas de lixo produzidas em toda a cidade da Beira por dia, a edilidade só consegue remover a metade, para a única lixeira do Chiveve, a lixeira da Munhava, contribuindo para a existência de montões de lixo com destaque no posto administrativo de Inhamizua, o mais populoso, onde existem cinco bairros.

A edilidade diz que os munícipes têm razão pois a vereação de higiene e salubridade está em crise de meios circulantes para recolher o lixo.

Para melhorar a recolha e tratamento do lixo, o município da Beira introduziu um sistema denominado ponto a ponto, em forma piloto em três bairros, considerada viável economicamente.

Apesar da recolha ponto a ponto há munícipes que não obedecem a horas marcadas e continuam a deitar lixo desordenadamente num período impróprio.

A vereação de higiene e salubridade terminou exortando  aos munícipes para colaborarem no processo de recolha e tratamento do lixo por forma a minimizar as dificuldades que está a enfrentar actualmente, enquanto o sistema de recolha ponto a ponto não for introduzido em toda a cidade. 

 O tratamento de resíduos sólidos continua a ser um enorme desafio para os gestores do Conselho Municipal da Beira, devido a exiguidades de meios para a sua remoção.

No Chiveve são produzidos diariamente cerca de uma tonelada de lixo, mas a edilidade só consegue recolher a metade, o que contribui para a existência de inúmeros montões de lixo em diversas zonas dos 26 bairros.

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