Há várias indústrias no país que estão a beneficiar-se do gás natural, defende o representante representante da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Titos Nhabomba, que falava no Fórum MozIndus, na FACIM 2026.
Debruçando-se sobre o tema “Processamento Local de Minerais e Hidrocarbonetos – Oportunidades na cadeia de gás em Moçambique”, Nhabomba destacou indústrias alimentares, de cerâmica, de bebidas e outras.
O responsável falou ainda do uso do gás natural para a mobilidade urbana, na medida em que o produto é usado como combustível. Neste momento, há em Moçambique cerca de quatro mil viaturas a utilizar gás natural.
Nos dias de hoje, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos diz que um dos seus focos é criar condições para que mais famílias possam usar gás natural em Moçambique, à semelhança do que acontece em Inhambane e Maputo.
“É preciso destacarmos que os distritos do norte da província de Inhambane, particularmente Vilanculos, Inhassoro e Govuro, perro de quatro mil famílias não sabem o que é comprar lenha, carvão ou outra fonte de energia, porque elas já beneficiam do gás natural canalizado às suas residências”, referiu Nhabomba.
Já na província de Maputo, o representante da ENH diz que iniciativas similares estão a ser implementadas. Espera-se que no ano de 2026, segundo a fonte, que mais mil famílias passem a beneficiar-se do gás natural canalizado na província.
O gás usado nessas duas províncias é proveniente de Pande e Temane, na província de Inhambane. Para além da produção de gás natural naquela região, há um novo projecto que produz gás de cozinha, vendido no país em botijas.
“Há um projecto que acabou de iniciar que produz gás de cozinha, ou seja, podemos provavelmente, sem saber, alguns de nós nas nossas residências, estarmos a usar botijas cujo gás é produzido em Pande e Temane”, assegurou.
O referido projecto, segundo o representante da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, produz 30 mil toneladas de gás de cozinha anualmente, o que corresponde a 55% a 60% da quantidade que anteriormente o país importava.
Outro produto que sai de Pande e Temane é o gás condensado. “Está a ser produzido o gás condensado na mesma região que já é usado para vários fins no território nacional. Há uma pequena refinaria na Matola a aproveitar o condensado para produzir diesel para actividades de navegação”, revelou.
Há, na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, grandes projectos a surgir que para o território nacional vão proporcionar 900 milhões de pés cúbicos por dia, assegurou o representante da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
“Esta é a quantidade de gás que é designada gás doméstico, aquele que nos termos da lei dos petróleos é o gás que deve ser usado para industrializar Moçambique, ou seja, caros empresários, a oportunidade de industrializar Moçambique através do gás natural é uma realidade”, fez saber o responsável.
Nhabomba diz haver projectos concretos na Bacia do Rovuma e o Governo de Moçambique, em colaboração com as concessionárias, fizeram questão de reservar uma quantidade significativa para promover a industrialização.
“Há desafios: as infra-estruturas necessárias para tirar o gás natural da Bacia do Rovuma para o território nacional. Por isso, a ENH assegurou a concessão junto do Conselho de Ministros para implantar uma terminal de recepção do gás natural liquefeito algures entre Beira e norte de Inhambane”, disse Nhabomba.
Por sua vez, Hassane Dassat, representante da Sasol Moçambique, falou no evento da subcontratação industrial no conteúdo local-substituição de importações por produção nacional com enfoque nas Micro, Pequenas e Médias Empresas, nos sectores como energia, mineração e infra-estruturas.
Referiu que a companhia tem 78% dos seus gastos com empresas moçambicanas, e quando a Sasol desligou a sua planta por alguns dias, foram as empresas nacionais responsáveis pela manutenção dos equipamentos.
“Na construção do PSA, nós temos cerca de 84% dos contratos adjudicados a moçambicanos. A construção já terminou, e estamos a entrar para uma fase de operações e estamos a estabelecer um plano de conteúdo local específico para a fase das operações”, fez saber o representante da Sasol Moçambique.
Os números são alcançados pela empresa, segundo explica Dassat, porque a Sasol investe em empresas moçambicanas. Tem iniciativas de desenvolvimento empresarial focadas nas empresas, através de programas de formação.
“Temos um programa de certificação. Resolvemos aquele que é um dos problemas de muitos moçambicanos, o acesso ao financiamento. Ouvimos aqui o BCI a mencionar uma linha de financiamento que tem connosco. Já apoiamos cerca de 70 empresas na província de Inhambane”, sublinhou Hassane Dassat.
O 6º Fórum Mozindus, na 61ª edição da FACIM 2026, foi realizado na sala de seminários de Ricatla. O evento fez um diagnóstico do sector industrial, através de debates sobre financiamento, incentivos, logística e capital humano.