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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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Jornalista José de Nascimento defende reforço da segurança e revisão da governação sul-africana perante a persistência dos actos xenófobos

As manifestações que têm ocorrido na África do Sul, particularmente às quintas-feiras, continuam a suscitar preocupações sobre a segurança dos imigrantes e o impacto da xenofobia na economia do país. Segundo o jornalista José de Nascimento, que se encontra na África do Sul, os protestos, inicialmente mais concentrados em Durban, agora denominada eThekwini, deverão estender-se à província de Mpumalanga, onde estão previstas novas manifestações.

José de Nascimento explica que, ao contrário da mobilização registada a 30 de Junho, os actuais protestos têm tido uma incidência mais localizada, embora exista preocupação com a sua expansão para outras regiões do país.

O jornalista considera que as autoridades sul-africanas devem reforçar a segurança e actuar de forma mais firme para proteger os imigrantes. Segundo afirma, a polícia tem demonstrado maior intervenção, citando como exemplo um episódio recente em que impediu manifestantes de atacarem um grupo de imigrantes que se encontrava acampado junto do Departamento de Administração Interna, na tentativa de solicitar o estatuto de refugiado ou asilo político.

Para José de Nascimento, a persistência de actos xenófobos está a afectar negativamente a imagem internacional da África do Sul e poderá ter consequências económicas, sobretudo nas zonas fronteiriças e nas regiões que mantêm fortes relações comerciais com os países vizinhos.

XENOFOBIA AFECTA ECONOMIA

O jornalista chama particular atenção para a província de Mpumalanga, onde, segundo explica, a actividade económica está fortemente ligada ao intercâmbio com Moçambique.

Nascimento destaca o crescimento de Mbombela, anteriormente conhecida como Nelspruit, atribuindo parte desse desenvolvimento ao intercâmbio comercial e industrial com Moçambique. Salienta que a circulação de cidadãos moçambicanos que atravessam a fronteira para realizar compras e desenvolver actividades comerciais representa uma importante fonte de dinamização económica para a região.

Neste contexto, alerta que a continuidade dos actos xenófobos e a eventual redução da circulação de cidadãos estrangeiros poderão provocar consequências negativas para a economia local e, de forma mais ampla, contribuir para o enfraquecimento da economia sul-africana.

O jornalista defende, por isso, que o Governo sul-africano deve rever aspectos da sua governação, particularmente no que diz respeito à política migratória e à forma como as autoridades respondem aos episódios de violência contra estrangeiros.

 

POLÍCIA DEVE ACTUAR CONTRA VIOLÊNCIA

 

José de Nascimento considera que, numa primeira fase, as autoridades devem reforçar a presença policial e responsabilizar criminalmente os autores de ataques contra imigrantes.

Defende igualmente uma intervenção de maior alcance, acompanhada por programas de educação cívica dirigidos não apenas às escolas, mas à sociedade sul-africana no seu conjunto, com o objectivo de combater preconceitos e reduzir a hostilidade contra estrangeiros.

Na sua análise, a questão ultrapassa a situação dos imigrantes em situação irregular ou sem documentação, uma vez que, independentemente do seu estatuto migratório, todos os indivíduos estão protegidos pelos direitos humanos e não devem ser vítimas de violência física, psicológica ou emocional.

 

RELAÇÕES COM MOÇAMBIQUE EM RISCO

O jornalista considera ainda que a xenofobia pode prejudicar as relações da África do Sul com outros países africanos, particularmente com os Estados vizinhos. No caso de Moçambique, recorda que milhares de pessoas atravessam regularmente a fronteira para trabalhar, fazer negócios ou realizar compras na África do Sul, contribuindo para a circulação de bens e capitais entre os dois países.

Nascimento defende que a África do Sul deve adoptar uma abordagem migratória mais inclusiva e transformar as declarações políticas em medidas concretas.

Para o jornalista, a União Africana e a SADC também devem assumir uma posição mais exigente perante as autoridades sul-africanas, tendo em conta que os episódios de xenofobia têm ocorrido de forma cíclica nos últimos anos.

 

MANIFESTAÇÕES CHEGAM A MPUMALANGA

As manifestações que têm ocorrido regularmente às quintas-feiras deverão, desta vez, ter como novo foco a província de Mpumalanga. José de Nascimento admite que a mobilização poderá manter-se pacífica, mas alerta para a necessidade de reforço da segurança, considerando que a evolução dos protestos poderá ser imprevisível. O jornalista recorda ainda que a actual situação ocorre num país cuja história de luta contra o apartheid contou com o apoio de vários Estados africanos, incluindo Moçambique, Angola e Zimbabwe.

Na sua perspectiva, a defesa dos direitos dos imigrantes e o combate à xenofobia devem ser encarados também como uma questão de responsabilidade regional, num continente onde a mobilidade das populações e as relações económicas entre países são cada vez mais importantes.

 

A Amnistia Internacional instou, na terça-feira, o Governo da Argélia a abandonar os planos de retomar as execuções e de alargar a aplicação da pena de morte a responsáveis por incêndios florestais, na sequência dos fogos que devastaram o nordeste do país no mês passado.

Os incêndios, que atingiram várias zonas do nordeste da Argélia, provocaram oficialmente 12 mortos, embora testemunhas tenham relatado um número de vítimas significativamente superior.

A Argélia não realiza execuções desde 1993, apesar de os tribunais continuarem a proferir sentenças de morte em alguns casos, incluindo processos relacionados com terrorismo. As penas, contudo, não têm sido executadas.

Na sequência dos incêndios, o Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, ordenou ao ministro da Justiça que preparasse alterações ao Código Penal para permitir a aplicação da pena de morte a pessoas consideradas responsáveis por provocar incêndios florestais.

Num comunicado, a Amnistia Internacional apelou às autoridades argelinas para que abandonem imediatamente qualquer plano destinado a ampliar o âmbito da pena de morte ou a retomar as execuções, depois de mais de três décadas sem que nenhuma tenha sido concretizada.

A organização defendeu ainda a adopção de uma moratória oficial sobre as execuções como primeiro passo para a abolição total da pena de morte no país.

Tebboune afirmou que as pessoas condenadas à pena capital deverão ser executadas imediatamente depois de esgotadas todas as possibilidades de recurso. O Governo iniciou este mês a análise de propostas de alteração ao Código Penal.

Além dos responsáveis por incêndios florestais, o Presidente argelino indicou que os planos de alargamento da pena de morte poderão abranger também casos de rapto e abuso de crianças.

Os incêndios florestais são frequentes no norte da Argélia durante o Verão. Especialistas apontam, contudo, que as alterações climáticas têm contribuído para agravar o fenómeno, através de períodos de seca mais prolongados e temperaturas elevadas.

Tebboune, por sua vez, afirmou que os incêndios registados recentemente apresentavam indícios de uma acção criminosa.

A Amnistia Internacional afirmou igualmente ter recebido relatos de fontes consideradas credíveis que apontam para um número de vítimas muito superior ao balanço oficial, incluindo mais de 70 mortos num único município.

Em Julho de 2023, mais de 30 pessoas morreram quando incêndios atingiram milhares de hectares de florestas e terras agrícolas na Argélia, destruindo também centenas de habitações.

No mesmo ano, mais de 50 pessoas foram condenadas à pena de morte, algumas à revelia, pelo linchamento de um homem de 38 anos que tinha sido falsamente acusado de provocar incêndios florestais mortais dois anos antes.

 

Nairobi, capital do Quénia, vai receber em 2029 os Mundiais de atletismo, a primeira edição da competição disputada no continente africano, seguindo-se a cidade alemã de Munique, em 2031, anunciou ontem a World Athletics.

A decisão foi tomada na 242.ª reunião do Conselho Mundial de Atletismo, a decorrer em Budapeste, capital da Hungria, após um processo de candidatura que contou com quatro propostas de “elevada qualidade”, revelou o presidente do organismo, Sebastian Coe, citado em comunicado.

“Nairobi e Munique apresentaram, em última análise, duas propostas convincentes. Oferecem oportunidades muito diferentes, mas igualmente entusiasmantes para a nossa modalidade”, sublinhou o dirigente.

A escolha de Nairobi marca a estreia do continente africano a receber o evento maior da modalidade. Entre outros, a capital queniana já acolhera os Mundiais de sub-18, em 2017, os Mundiais de sub-20, em 2021, e integra desde 2020 o circuito do World Athletics Continental Tour Gold através do Kip Keino Classic.

O palco da competição em 2029 será o Estádio Kasarani, que está a ser alvo de uma remodelação estrutural completa no âmbito dos preparativos para acolher a Taça das Nações Africanas (CAN) de futebol, em 2027.

O Quénia é a segunda Nação mais medalhada da história dos Mundiais de atletismo e concluiu a edição de Tóquio 2025 na segunda posição do quadro de medalhas, com sete títulos e 11 pódios no total.

“Era importante que o Campeonato Mundial de atletismo viesse para África quando tivéssemos o anfitrião certo, a candidatura certa e as circunstâncias certas. Nairobi demonstrou enfaticamente que este é o seu momento”, afirmou Sebastian Coe.

Dois anos mais tarde, em 2031, a competição regressa à Alemanha, 22 anos após ter passado por Berlim, em 2009.

O Estádio Olímpico de Munique voltará a ser o centro das atenções, depois de, em 2018, ter acolhido o Campeonato da Europa e, em 2022, os Europeus multidesportivos, cuja vertente de atletismo atraiu cerca de 267 mil espectadores.

Nos Mundiais de Tóquio, em 2025, a Alemanha arrecadou cinco medalhas, uma das quais de ouro, tendo terminado no terceiro lugar do quadro de medalhas nos Europeus de Birmingham.

“Sabemos que Munique tem capacidade para organizar grandes campeonatos, sabemos que a Alemanha tem um público para o atletismo e acreditamos que Munique 2031 tem todos os ingredientes para ser um espetacular Campeonato do Mundo de atletismo”, sustentou Coe.

Depois da passagem pela capital japonesa no ano passado, o evento agendado para Munique assinala também o regresso dos Mundiais a solo europeu.

A próxima edição da competição decorre em Pequim, de 10 a 19 de Setembro de 2027, mantendo-se o mês de Setembro como horizonte previsto para a realização das edições de Nairobi 2029 e Munique 2031.

O Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente do Grupo Singita, Luke Bailes, avaliaram ontem, em Maputo, o avanço dos projectos de investimento turístico que o grupo está a desenvolver no Arquipélago de Bazaruto, numa altura em que o Chefe do Estado tem intensificado os esforços de promoção de Moçambique como destino de investimento, estando prevista a abertura do primeiro lodge da Singita no país dentro de quatro anos.

Segundo o comunicado da Presidência, no encontro, realizado no Gabinete do Presidente da República, Luke Bailes actualizou o Chefe do Estado sobre os progressos alcançados no projecto da Ilha Santa Carolina e sobre o trabalho adicional em curso em Inhassoro e Vilankulo, incluindo a participação das equipas de arquitectura responsáveis pelos empreendimentos.

“Acabei de ter uma reunião com o Presidente e atualizei-o sobre a Singita e o trabalho que estamos a fazer no Arquipélago de Bazaruto e todo o trabalho adicional que estamos a fazer em Inhassoro e Vilankulo, quem são os nossos arquitectos e quão longe chegámos até agora”.

A evolução dos projectos ocorre no contexto das iniciativas do Presidente da República para mobilizar novos investimentos e criar condições para o desenvolvimento de sectores com potencial de geração de emprego, receitas e valorização dos recursos naturais, com particular atenção para o turismo.

Segundo Luke Bailes, o Chefe do Estado mostrou-se satisfeito com os progressos alcançados, numa fase em que a empresa continua a preparar o desenvolvimento dos seus empreendimentos no país.

“E o Presidente está muito contente com os progressos até agora, e estamos todos ansiosos por finalmente abrir, mas há muito trabalho a ser feito entre agora e essa altura”.

O Presidente da Singita indicou que a empresa espera abrir o primeiro lodge em Moçambique dentro de quatro anos, devendo a Ilha Santa Carolina constituir a primeira etapa da expansão do grupo no Arquipélago de Bazaruto.

A estratégia prevê uma segunda fase de expansão no arquipélago, com a construção de uma unidade hoteleira na ponta norte da Ilha de Bazaruto. “E depois, a seguir ao projecto da Santa Carolina, faremos um hotel em Bazaruto, na ponta norte de Bazaruto”.

Fundada por Luke Bailes, a Singita é uma marca africana de ecoturismo e hotelaria de luxo que combina turismo de alto padrão, conservação da biodiversidade e desenvolvimento das comunidades locais.

O grupo possui propriedades na África do Sul, Tanzânia, Zimbabwe e Ruanda, tendo expandido a sua presença para Botswana em 2026, e estabelece como propósito de longo prazo a preservação e protecção de grandes áreas de natureza selvagem africana para as futuras gerações.

Vendedores de Chongoene voltam a protestar contra a retirada da zona de Senta Baixo. O grupo diz que o mercado de Chongoene não pertence ao governo e recusa-se a ser transferido para uma área que considera de risco, por estar numa curva acentuada da EN1. Os vendedores exigem uma solução.

Quatro semanas depois, cerca de 400 vendedores do Mercado Senta Baixa, em Chongoene, voltaram a protestar contra a transferência para o Mercado da Paz. O grupo recusa-se a abandonar o actual espaço, alegando que a alternativa indicada pelas autoridades está localizada numa zona de risco, junto a uma curva acentuada da Estrada Nacional Número Um.

Para os vendedores, a questão não se resume à mudança de local. O grupo contesta também a utilização do Mercado da Paz como alternativa, alegando que o espaço não pertence ao Governo.

“Ali não vamos entrar, porque não é o nosso espaço. Os proprietários haviam alugado o local aos chineses e, quando estes terminaram as suas actividades, devolveram-no aos proprietários. Nós, aflitos, continuamos aqui fora”, explica Miséria Chachuaio, vendedeira em Chongoene.

A insegurança junto ao Senta Baixo é outro dos argumentos apresentados pelos vendedores para rejeitar a transferência. A proximidade com a curva da EN1, dizem, coloca em risco a vida de quem trabalha e circula naquele ponto.

“Quase que acontecia um acidente. O carro saiu da via e veio na nossa direção. Um dia, os carros ainda vão acabar por nos atropelar aqui”, alerta Miséria Chachuaio.

A preocupação é partilhada por Lurdes Bocal, vendedeira em Chongoene.

“O que vamos fazer? Um carro quase atropelou as pessoas ali. E veja que esta é uma curva muito acentuada”, afirma.

Os vendedores contestam ainda as informações do Governo sobre a titularidade do Mercado da Paz e acusam as autoridades de tentar ocupar o espaço à força, sem diálogo com os proprietários.

“Aquele mercado não foi construído pelo Governo. Querem tomar de assalto e à força uma propriedade alheia, e o dono revolta-se. Os donos do espaço têm as suas tradições, mas o Governo não quer aproximar-se para dialogar; querem tomar à força por serem Governo”, acusa Marieta, representante do grupo de vendedores.

A situação, segundo os vendedores, agrava-se com as dificuldades enfrentadas por quem permanece no Senta Baixa, onde alegam existir episódios de agressão e dificuldades de circulação.

“Estamos a ser agredidos. As pessoas são obrigadas a descer pela linha férrea, carregando sacos de 25 quilogramas até Venhene”, denuncia Marieta.

Perante o impasse, o grupo pede uma intervenção das autoridades para encontrar um espaço que reúna condições de segurança para o exercício da actividade comercial.

“Queremos pedir ao Chapo que nos arranje um espaço e queremos saber para onde vamos”, apela Miséria Chachuaio.

A reivindicação ocorre num contexto de crescente insegurança no Senta Baixa, apontada como zona de concentração de pessoas e onde, nas últimas semanas, foram registados pelo menos nove casos criminais.

Entre os casos está o de um agente económico que terá sido assaltado duas vezes no mesmo dia, por grupos diferentes. Depois de perder uma motorizada para os meliantes, dois homens terão ainda tentado assaltá-lo, sem conseguir levar os 20 mil meticais que transportava quando seguia para casa.

No último caso, um estudante e o seu tio terão confessado o envolvimento no crime, alegando que pretendiam obter dinheiro para despesas de viagem e para uma tentativa de deslocação a Portugal.

“Queríamos apenas 10 ou 15 mil meticais para juntar ao 60 mil e  pagar um contrato em Portugal”

Carlos Macuácua, a polícia vai reforçar a presença policial no local para travar a onda de crimes no local. Com estes últimos casos, sobe para 12 o número de agentes de carteira móvel assaltados na zona de Senta Baixa nos últimos meses.

Os administradores das áreas de conservação afirmam que os ataques terroristas começam a comprometer o desempenho e os ganhos esperados, podendo colocar em causa vários projectos desenvolvidos em benefício das comunidades vizinhas. A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido pela Biofund ao longo dos últimos dez anos.

Mais um ataque terrorista assolou a zona-tampão da Reserva Especial do Niassa, no passado dia 3 de Setembro. Não foi o primeiro incidente do género. A sucessão dos ataques começa a preocupar os administradores das áreas de conservação, que alertam para os impactos negativos na segurança, na conservação da biodiversidade e nos projectos de desenvolvimento comunitário.

“Gostaríamos que continuássemos a manter esta relação com as comunidades para desenvolvermos as cadeias de valor. Se há um ataque em áreas de conservação, para nós é um retrocesso, porque as comunidades passam a ter receio, medo de continuar lá a desenvolver os seus projectos. Nós mesmos, como fiscais e gestores dos parques, ficamos com o receio de estar a enfrentar guerras que não esperávamos que pudessem acontecer nas áreas de conservação”, disse João Muchanga, Administrador da Reserva Nacional do Gilé.

A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido nos últimos dez anos pela Biofund, que permitiu implementar diversas acções nas áreas de conservação.

“Então, é todo um problema que deve ser ultrapassado. A abertura de 65 quilómetros de picada, estabelecendo o limite sul do Parque Nacional do Gilé, a translocação de 200 búfalos, a instalação de sistemas de monitoria ecológica, incluindo o VHF, F-Ranger e coleiras GPS, bem como o reforço das estruturas de gestão nas três áreas. O Monte Mabo merece particular destaque, com a constituição legal da Associação Conserva Mabo e a recente declaração de Mabo como área de conservação comunitária”, explicou Luís Bernardo Honwana, Director-Geral da Biofund.

Para a União Europeia, o término do programa não significa o abandono dos resultados alcançados. Por isso, os parceiros prometem dar continuidade ao apoio e apelam a um maior envolvimento do sector privado na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento das comunidades.

“A conservação e o desenvolvimento local precisam caminhar juntos. Isso exige uma análise económica sólida, cadeias de valor realistas, maior envolvimento do sector privado e soluções adaptadas às realidades locais”, afirmou Anne-Ael Pohu, representante da União Europeia.

No seminário de apresentação dos resultados, foram debatidas estratégias para o combate aos conflitos relacionados com a fauna bravia, bem como mecanismos de financiamento de projectos destinados à localização e catalogação de espécies nas áreas de conservação.

A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, defende a revitalização da Associação dos Músicos Moçambicanos (AMMO) como ponto de partida para a resolução dos principais desafios que afectam a classe artística.

A posição foi manifestada na passada quinta-feira, 10 de Setembro, durante um encontro com a Direcção da AMMO, realizado na sede da agremiação, em Maputo, com o objectivo de analisar as preocupações dos músicos e identificar possíveis soluções.

Antes do encontro, Matilde Muocha visitou a sala de música, o estúdio de gravação e o espaço destinado à realização de espectáculos, tendo constatado as condições em que a associação desenvolve as suas actividades.

Durante a reunião, a AMMO, através do seu representante, Willy Matine, e de outros membros presentes, apresentou como uma das prioridades a realização de uma Assembleia Geral para a eleição do novo corpo directivo da associação.

Entre os desafios apontados estão igualmente a melhoria das condições de funcionamento da sala de música e do estúdio de gravação, o incumprimento da legislação sobre direitos de autor por parte dos utilizadores de obras musicais e a falta de patrocínio por parte do empresariado nacional.

A associação defendeu ainda a necessidade de serem criados mecanismos que permitam determinar a contribuição do sector da música para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Na sua intervenção, Matilde Muocha disse ter ficado positivamente surpreendida com o trabalho que encontrou na AMMO, apesar dos desafios apresentados. Sublinhou que o Governo tem a responsabilidade de acompanhar e apoiar os movimentos associativos ligados ao sector da cultura.

Segundo a governante, a AMMO é uma das associações de referência no sector cultural e criativo, não apenas pelo seu papel na congregação dos músicos, mas também por estar na génese do movimento cultural moçambicano no período pós-independência.

Para Matilde Muocha, a reorganização da associação é fundamental para que esta possa representar e defender eficazmente os interesses da classe artística.

“Espero que este contacto permita acelerar algumas reformas, sobretudo a nível estrutural, organizando a desejada e aguardada Assembleia Geral, até para legitimar a agremiação junto do Governo e parceiros”, afirmou.

A Secretária de Estado acrescentou que a associação deve organizar-se de modo a tornar-se mais acolhedora e capaz de defender os direitos dos artistas.

Matilde Muocha garantiu, igualmente, que o Governo continuará a acompanhar de perto as associações que trabalham em defesa dos artistas nacionais.

O encontro com a AMMO foi o primeiro realizado por Matilde Muocha com uma agremiação artística desde a sua indicação para o cargo, em 2025.

Quase um mês depois de a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado ter recomendado o cancelamento do concurso para a aquisição de equipamentos destinados ao Município de Pemba, o procedimento ainda não foi revogado.

A Procuradoria já comunicou a sua posição à entidade competente, que se encontra a analisar o caso, incluindo a possibilidade de acolher a recomendação ou encontrar fundamentos que justifiquem a reconsideração do acto.

Entretanto, o Conselho Municipal de Pemba confirmou que o edil é o beneficiário efectivo da empresa municipal, defendendo que o processo decorreu com transparência e dentro dos limites legais.

Segundo o município, a legislação de prevenção e combate ao branqueamento de capitais determina a identificação das pessoas colectivas e dos respectivos beneficiários efectivos. Neste caso, a identificação do presidente do Conselho Municipal resulta do facto de a autarquia ser a única sócia da empresa municipal, cabendo ao edil a sua representação e gestão.

O Conselho Municipal sustenta, por isso, que não existe qualquer ilegalidade na identificação do edil como beneficiário efectivo da empresa.

Quanto ao concurso para a aquisição dos equipamentos, a edilidade defende que recorreu ao regime excepcional de contratação por ajuste directo, modalidade prevista na legislação em determinadas circunstâncias.

A autarquia justifica a decisão com a situação de emergência relacionada com os problemas enfrentados pela empresa municipal de resíduos sólidos urbanos (URB), bem como com a necessidade de prevenir outros constrangimentos que possam afectar a cidade nos próximos tempos.

O município considera que a existência de uma empresa municipal constitui uma mais-valia para responder, de forma autónoma, aos problemas da cidade, sobretudo numa altura em que a autarquia enfrenta vários desafios de natureza social e infra-estrutural.

Caso não seja identificada qualquer ilegalidade no procedimento, o Município de Pemba poderá avançar com a aquisição dos equipamentos, cuja chegada está prevista, em princípio, para Outubro próximo.

Entretanto, no que diz respeito às duas aquisições cujo valor ultrapassa cinco milhões de meticais e que, nos termos da lei, deveriam ser submetidas a concurso público, a edilidade comprometeu-se a analisar a situação antes de se pronunciar definitivamente sobre a matéria.

Quase 94 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas no Iémen na sequência da intensificação dos confrontos entre os rebeldes houthis e as forças governamentais, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

As províncias de Taiz e Lahj estão entre as zonas mais afectadas, concentrando mais de 48 mil pessoas deslocadas devido à violência. Perante a crescente crise humanitária, a agência das Nações Unidas para as migrações apela a um apoio urgente para garantir abrigo, água potável e condições básicas de saneamento às famílias afectadas.

A escalada da violência levou também mais de duas mil pessoas a atravessar o mar em direcção ao vizinho Djibuti, chegando em pequenas embarcações através da costa norte daquele país.

Equipas da OIM encontram-se a prestar assistência aos recém-chegados, com a distribuição de alimentos e a disponibilização de abrigo de emergência. Mulheres e crianças procuram protecção contra as elevadas temperaturas sob toldos improvisados instalados ao longo da costa.

A retoma dos combates está a aumentar os receios de que o Iémen volte a mergulhar numa guerra civil de grande escala. O conflito que assola o país provocou cerca de 150 mil mortos antes do cessar-fogo alcançado em 2022.

Os houthis, apoiados pelo Irão, mantêm ainda posições estratégicas que lhes permitem ameaçar uma das principais rotas marítimas comerciais no Mar Vermelho, agravando as preocupações com a segurança e a estabilidade regional.

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