A Ministra da Educação, Samaria Tovela, apelou à paciência dos professores que reclamam o pagamento de horas extraordinárias em atraso, reconhecendo a legitimidade das suas reivindicações, mas sublinhando que o Estado não dispõe de capacidade financeira para liquidar toda a dívida de uma só vez.
A governante reagia à nova onda de paralisação das aulas protagonizada por docentes que exigem a regularização dos valores em dívida. Apesar de reconhecer o direito dos professores a reclamarem os seus créditos, Samaria Tovela considera que a interrupção das actividades lectivas não constitui a melhor forma de protesto, por prejudicar milhares de alunos.
A ministra alertou ainda que os docentes que aderirem à paralisação poderão enfrentar implicações e procedimentos administrativos previstos na lei.
Recorde-se que o Governo anunciou ter regularizado integralmente o pagamento das horas extraordinárias referentes ao ano de 2022 e parte de 2023. Contudo, continua por liquidar o remanescente desse ano, bem como a totalidade dos valores correspondentes a 2024.
O Fundo Monetário Internacional alerta que a economia mundial pode entrar numa situação próxima da recessão, caso o conflito entre Irão e Israel se prolongue. O FMI diz também que a permanência do barril do Petróleo acima dos 100 dólares até 2027 pode contribuir para esta queda da economia mundial.
A informação consta no mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional, divulgado esta semana, que apresenta três cenários para a economia global, todos dependentes da evolução da situação da guerra no Médio Oriente.
No cenário considerado mais optimista, o crescimento económico mundial deverá situar-se em 3,1% em 2026, abaixo das previsões divulgadas em Janeiro, que eram de 3,3%. Num cenário adverso, com conflito prolongado e petróleo mais caro, o crescimento poderá cair para 2,5%.
Neste contexto, o FMI aponta que a situação no Golfo representa um risco muito maior para a economia mundial do que as tarifas comerciais impostas anteriormente pelos Estados Unidos da América. O prolongamento da crise poderá provocar inflação persistente, aumento das taxas de juros e recessão em vários países.
O relatório revela ainda que as economias emergentes serão das mais afectadas devido à forte dependência do petróleo. O Irão poderá registar uma contracção económica acima de 6%, enquanto países como Iraque, Catar e Kuwait também deverão sofrer quedas significativas no Produto Interno Bruto. Na Europa, o impacto deverá agravar ainda mais os efeitos da crise energética causada pela guerra na Ucrânia.
A Índia surge como uma das poucas economias com perspectivas positivas, em 6,4%, impulsionadas pelo crescimento interno e pela redução de tarifas comerciais norte-americanas sobre produtos indianos.
Apesar do ambiente de incerteza, o FMI prevê uma recuperação gradual caso o conflito seja de curta duração.
Os deputados da oposição na África do Sul abandonaram o parlamento, numa pressão política para o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, renunciar ao cargo após acusações de lavagem de dinheiro.
O protesto levado a cabo pelos deputados da oposição no parlamento sul-africano ocorreu durante uma sessão de perguntas e respostas ao Governo deste país, liderado por Cyril Ramaphosa.
A oposição contestou a continuidade dos trabalhos parlamentares, enquanto persistem as acusações contra Ramaphosa. Os parlamentares defendem que Ramaphosa deve responder politicamente pelas acusações de lavagem de dinheiro.
O governante enfrenta acusações relacionadas com o alegado encobrimento de um assalto ocorrido em 2020 numa das suas propriedades privadas, onde teriam sido roubadas grandes somas em moeda estrangeira.
Ramaphosa rejeita qualquer envolvimento em irregularidades e insiste que não pretende abandonar o cargo.
Refira-se que na semana passada, o Tribunal Constitucional sul-africano considerou que o relatório independente produzido em 2022 deveria ter sido encaminhado para um comité parlamentar de impeachment, ou seja, de destituição, destinado a aprofundar a investigação sobre o escândalo.
Para que a destituição de Ramaphosa avance, será necessário o apoio de pelo menos dois terços dos 400 deputados do Parlamento, entretanto, antes, o comité multipartidário encarregado do processo ainda terá de conduzir investigações adicionais.
Os Presidentes dos Estados Unidos da América e da China defenderam a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego internacional de petróleo e gás, numa altura em que o bloqueio iraniano continua a provocar tensão nos mercados energéticos mundiais. O encontro entre os governantes decorreu em Pequim e marcou uma nova aproximação diplomática entre as duas maiores economias do mundo.
Em comunicado de imprensa, a Casa Branca afirmou que Xi Jinping e Donald Trump querem a abertura do estreito Ormuz para garantir o livre fluxo de energia.
“Ambos partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o livre trânsito de energia. O presidente Xi deixou clara a oposição da China à militarização do estreito e a quaisquer esforços para impor taxas pelo seu uso”, disse Donald Trump.
Trump revelou ainda que Xi Jinping manifestou disponibilidade para ajudar na resolução da crise e apontou que Pequim garantiu que não vai apoiar o Irão.”O Presidente Xi gostaria de ver um acordo. Ele disse: Se eu puder ajudar de alguma forma, terei todo o prazer em ajudar (…) Ele disse que não iria fornecer equipamento militar ao Irão”.
Por sua vez, Xi Jinping defendeu que os projectos das duas nações devem avançar. “Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, afirmou o Presidente da China.
Apesar do ambiente de cooperação, houve alertas para os Estados Unidos. “Washington deve estar atento aos riscos de conflito caso os Estados Unidos desrespeitem as pretensões chinesas sobre Taiwan”, sublinhou.
As conversações terminaram com um convite formal de Donald Trump para que Xi Jinping visite a Casa Branca em Setembro.
Representantes do Governo, jornalistas, académicos e membros da sociedade civil defenderam, nesta quinta-feira, em Maputo, a necessidade de reforçar a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social moçambicanos, num contexto marcado pela transformação digital, redução de receitas publicitárias e desafios à independência editorial.
O debate decorreu durante a Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, organizada pelo Jornal Evidências, sob o lema “Discutir a Sustentabilidade dos Órgãos de Comunicação Social é Também Reflectir sobre a Democracia”.
Na abertura do evento, a directora do Gabinete de Informação (GABINFO), Emília Moiane, reconheceu que os media tradicionais enfrentam dificuldades crescentes para captar receitas publicitárias, devido ao crescimento das plataformas digitais.
“Os media digitais estão, de alguma forma, a roubar aquilo que é a publicidade ou a fonte de receita dos media tradicionais. Temos também problemas relacionados às agências de publicidade. São muitos desafios”, afirmou.
Segundo Emília Moiane, o Governo reconhece que a sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social constitui um elemento central para o funcionamento saudável do sector e da democracia.
“O Governo nunca vai deixar de olhar para esta parte relativa à sustentabilidade dos media com muita atenção e clareza de que é preciso fazer alguma coisa”, declarou.
A dirigente revelou ainda que o estatuto orgânico do GABINFO prevê mecanismos de apoio financeiro aos órgãos de comunicação social, embora reconheça que o modelo ainda precisa de maior regulamentação e equilíbrio na distribuição da publicidade entre media tradicionais e digitais.
Questionada sobre o risco de interferência editorial decorrente da comparticipação financeira do Estado, no âmbito da revisão das leis de comunicação social e radiodifusão, Emília Moiane rejeitou que tal represente ameaça à independência dos media.
“Não olhamos isso como um factor de redução da independência do próprio órgão. Os órgãos públicos têm participação do Estado, mas a lei garante independência aos jornalistas e aos órgãos de comunicação social públicos”, explicou.
A responsável sustentou que o Estado não interfere directamente nas linhas editoriais dos órgãos apoiados financeiramente.
“Há comparticipação, sim, mas não há interferência na funcionalidade desses órgãos. O Estado não está sentado a censurar notícias”, afirmou.
Por sua vez, o director-executivo do MISA Moçambique, Ernesto Nhanale, considerou que a sustentabilidade dos media em Moçambique continua a ser um “paradoxo”, devido à fragilidade económica do País e à dependência do sector em relação à publicidade institucional.
“O negócio dos media depende de um mercado empresarial competitivo e de cidadãos com capacidade económica para consumir produtos e serviços”, explicou.
Nhanale alertou que, num contexto de economia pouco robusta e forte peso do Estado no mercado publicitário, a independência editorial pode tornar-se limitada.
“A maior forma de garantir independência é a capacidade de gerar receitas próprias. No nosso contexto, esse consumidor não tem grande capacidade de pagar”, afirmou.
O responsável destacou ainda a importância da educação cultural e da valorização do consumo de conteúdos jornalísticos como factores essenciais para fortalecer a indústria da comunicação social.
Também presente no evento, o presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu que a sustentabilidade dos media é fundamental para consolidar a democracia, a transparência e a participação cidadã.
“O Município de Maputo reconhece o papel determinante da comunicação social na promoção da transparência, da governação participativa e da aproximação entre instituições e cidadãos”, afirmou.
Salim Valá destaca papel estratégico dos media no fortalecimento da democracia
O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que a comunicação social desempenha um papel central na consolidação da democracia, promoção da transparência e desenvolvimento económico e social de Moçambique.
Falando nesta quinta-feira, em Maputo, durante a abertura da Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, o governante defendeu que o debate sobre a sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação social está directamente ligado à qualidade da democracia e ao fortalecimento do espaço público.
“Discutir a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social é também reflectir sobre a democracia”, afirmou.
Segundo Salim Valá, os media vão além da simples transmissão de informação, assumindo-se como instituições fundamentais para o escrutínio público, formação da opinião e promoção da cidadania democrática.
O ministro destacou que o sector da comunicação social atravessa um período de profundas transformações, marcado pela expansão das plataformas digitais, redução das receitas publicitárias tradicionais e crescente influência das grandes empresas tecnológicas globais.
“Os media enfrentam hoje desafios estruturais impostos pela transformação digital e pela necessidade de adaptação dos seus modelos de financiamento e funcionamento”, referiu.
O governante reconheceu igualmente as dificuldades económicas e operacionais enfrentadas pelos órgãos de comunicação social no país, mas elogiou a capacidade de resistência e continuidade do sector.
“Apesar dos constrangimentos, os media continuam a desempenhar a sua missão de informar, educar e aproximar os cidadãos da vida pública”, declarou.
Durante a sua intervenção, Salim Valá abordou também o impacto da inteligência artificial no jornalismo, alertando para os desafios éticos associados ao uso das novas tecnologias, sobretudo no que diz respeito à verificação da informação, combate à desinformação e preservação da credibilidade editorial.
A Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media reúne, na Cidade de Maputo, representantes do Governo, jornalistas, académicos, organizações da sociedade civil e especialistas em comunicação social para discutir soluções sobre sustentabilidade económica, independência editorial e transformação digital dos media moçambicanos.
As autoridades do sector de recursos minerais e energia em Nampula garantem que o abastecimento de combustíveis deverá normalizar-se nos próximos dias, após constrangimentos registados no fornecimento de gasolina e diesel na província.
Segundo a Inspecção-Geral dos Recursos Minerais e Energia (IGREME), há combustível suficiente no Terminal Oceânico de Nacala e o processo de distribuição para os postos de abastecimento já está em curso.
O inspector da IGREME, Adelto Cumbana, explicou que os atrasos estiveram relacionados com questões administrativas e garantias financeiras para a descarga do produto, situação que, segundo disse, já começou a ser ultrapassada pelo Governo.
“Temos boas expectativas de que esta situação poderá ser ultrapassada nos próximos dias. Tivemos alguns impasses relacionados com algumas garantias para que o combustível pudesse ser descarregado, mas é uma situação que o Governo já acautelou. Já foi feito o pagamento de uma tranche de combustível”, afirmou.
De acordo com o responsável, o Terminal Oceânico de Nacala dispõe actualmente de reservas suficientes para abastecer a província. Adelto Cumbana avançou ainda que apenas a distribuidora Camelouse abasteceu 51 camiões num único dia.
“Há muito combustível nos terminais. A título de exemplo, a maior distribuidora que temos em Nacala, que é a Camelouse, só hoje (ontem) abasteceu 51 camiões”, disse.
As autoridades revelaram igualmente que um navio com mais de 10 milhões de litros de gasolina se encontra atracado em Nacala, aguardando autorização para descarga.
“Existe um navio atracado com cerca de 10 milhões e 601 mil litros de gasolina à espera de autorização para descarregar, uma questão que acreditamos que será ultrapassada antes mesmo do estoque disponível se esgotar”, acrescentou.
Enquanto persistem filas nos postos de abastecimento da cidade de Nampula, as autoridades suspeitam da existência de um esquema de revenda ilegal de combustível nos bairros periféricos, envolvendo motociclistas.
Segundo Adelto Cumbana, alguns motociclistas estariam a abastecer repetidamente para depois transferirem o combustível para recipientes plásticos destinados ao comércio informal.
“Percebemos que há tantas motorizadas nas bichas, não porque as pessoas querem abastecer para circulação. Há um sistema que estão a usar: abastecem, depois baldeiam o combustível em recipientes plásticos e voltam novamente às filas”, denunciou.
Face à situação, o Governo provincial promete reforçar as medidas de fiscalização e controlo nos postos de abastecimento para combater práticas especulativas e garantir o fornecimento regular à população.
Moçambique tem enfrentado, nos últimos anos, desafios pontuais no abastecimento de combustíveis devido à volatilidade do mercado internacional, dificuldades logísticas e pressão cambial.
O Terminal Oceânico de Nacala é considerado uma das principais infra-estruturas estratégicas para o abastecimento da região Norte do País, incluindo Nampula, Cabo Delgado e Niassa.
A governadora da província de Manica, Francisca Tomás, defendeu a responsabilização criminal dos autores de boatos sobre alegados casos de atrofiamento de órgãos genitais masculinos, fenómeno que já provocou 13 mortos e mais de 20 feridos em diferentes distritos da província.
Os episódios de violência popular foram registados nos distritos de Chimoio, Vanduzi, Báruè, Mossurize e Gondola, sendo este último o mais afectado, com quatro mortes confirmadas.
Falando durante uma visita de trabalho ao distrito de Mossurize, Francisca Tomás condenou os ataques motivados por desinformação e apelou ao fim da justiça pelas próprias mãos.
“Não podemos matar por causa de um boato dessa natureza. Não podemos nos matar entre nós. Primeiro temos de verificar se, de facto, esse indivíduo tem órgãos genitais atrofiados. Não é logo que ouviu um boato que correm atrás da pessoa indicada e começam a bater até matar”, afirmou.
A governadora sublinhou que as autoridades de saúde têm observado os supostos casos denunciados pela população e garantiu não haver evidências de desaparecimento ou mutilação de órgãos genitais.
“De todos os casos que aconteceram, levamos as pessoas ao hospital para serem observadas, e não há nada que está desaparecendo. Isso é boato”, declarou.
Francisca Tomás considerou preocupante a propagação de informações falsas que acabam por desencadear violência colectiva e instou as autoridades policiais e judiciais a agirem com firmeza contra os responsáveis.
“Nós temos de acabar com esses boateiros. Temos de prender esses boateiros e entregá-los à justiça para serem julgados”, defendeu.
Os rumores sobre supostos casos de “roubo” ou atrofiamento de órgãos genitais têm provocado episódios semelhantes em vários países africanos ao longo das últimas décadas, frequentemente associados a crenças supersticiosas e desinformação comunitária.
Durante a deslocação a Mossurize, a governadora orientou um comício popular na localidade de Chaiva, inaugurou empreendimentos socioeconómicos e visitou obras de construção de dez residências destinadas a funcionários do Estado, incluindo a casa do administrador distrital.
A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, defendeu uma profunda reestruturação do sector empresarial do Estado, com foco na sustentabilidade financeira, controlo do risco fiscal e prevenção do sobre-endividamento das empresas públicas.
A posição foi apresentada durante a cerimónia de tomada de posse dos novos presidentes dos conselhos de administração do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e do Fundo de Fomento da Habitação (FFH).
Foram empossados Danilo Nanla para liderar o IGEPE, Rudêncio Morais para a ENH e Amorim Pery para o FFH. Segundo Benvinda Levi, os novos dirigentes assumem funções num momento de reformas estruturais no sector empresarial do Estado.
“Pretende-se, com estas medidas, tornar os sectores estratégicos da nossa economia mais competitivos e virados para o desenvolvimento socioeconómico do nosso país, com o objectivo último de lançar os alicerces para a tão almejada soberania económica”, afirmou.
No caso do IGEPE, a chefe do Governo destacou a necessidade de consolidar os processos de reestruturação e viabilização económica das empresas participadas pelo Estado, defendendo maior rigor financeiro e transparência na gestão pública.
“O IGEPE deverá reforçar as boas práticas de governação corporativa, transparência, prestação de contas e controlo interno das empresas públicas e participadas”, declarou.
Benvinda Levi alertou ainda para a necessidade de evitar situações de sobre-endividamento no sector empresarial do Estado, recomendando uma gestão orientada para resultados e geração de receitas para o Tesouro Público.
Relativamente à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, a primeira-ministra considerou que o País atravessa uma fase decisiva no aproveitamento dos recursos naturais, sobretudo do gás natural da Bacia do Rovuma.
“O processo de exploração dos hidrocarbonetos requer um reposicionamento institucional para salvaguardar o interesse estratégico económico e energético nacional”, disse.
A governante defendeu que os grandes projectos de gás natural devem traduzir-se em benefícios concretos para os moçambicanos, incluindo criação de emprego, industrialização e redução da dependência de combustíveis importados.
Benvinda Levi referiu ainda que Moçambique deve aproveitar as oportunidades resultantes das tensões internacionais no Estreito de Ormuz, importante rota global de petróleo e gás, para fortalecer o posicionamento do País como produtor de gás natural.
No sector da habitação, a primeira-ministra pediu ao FFH maior dinamismo na implementação de programas de urbanização e expansão do acesso à habitação condigna.
“Esperamos o estabelecimento de mais parcerias estratégicas para o desenvolvimento acelerado de projectos de habitação e urbanização em todo o País”, afirmou.
Durante o discurso, Benvinda Levi sublinhou que Moçambique necessita de instituições públicas “fortes, modernas e transparentes”, orientadas para resultados concretos que impactem positivamente a vida dos cidadãos.
A governante aproveitou ainda a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos anteriores dirigentes do IGEPE, ENH e FFH, destacando o contributo dado à consolidação institucional daqueles organismos do Estado.
Empossados prometem trabalho
Todos os empossados têm passagem pelas instituições que passam a dirigir. Em poucas palavras, Danilo Nanla comprometeu-se a garantir a sustentabilidade das empresas, apontando “boa organização e boa direcção e transparência” como principais estratégias a usar.
A nova direcção do Fundo de Fomento à Habitação assumiu ser “um desafio proporcionar moradia digna, criar uma nova centralidade”, mas apontou coordenação interinstitucional como a chave de sucesso para que espaços atribuídos sejam efectivamente ocupados, “bastando haver infra-estruturas de água e energia e qualidade de saneamento”.
Já a nova direcção da EHN comprometeu-se a “dar novo dinamismo à empresa, para que os recursos petrolíferos que o País possui possam trazer uma mudança de vida dos moçambicanos”, disse Rudêncio Morais.
O empossamento foi testemunhado pelos titulares dos ministérios das Finanças e das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.
A empresa mineira África Grest Wall fez a entrega das terras para o cultivo de arroz, mandioca e gergelim no posto administrativo de Mitange, província de Tete
A Africa Great Wall Mining Development Company concluiu a doação de 108.000 m² (10,8 hectares) de terra agrícola a 216 famílias reassentadas no posto administrativo de Mitange, província de Tete. A iniciativa integra o programa de responsabilidade social da empresa e visa garantir segurança alimentar e sustento às comunidades afectadas pela actividade mineira na região. As terras vão servir para o cultivo de arroz, mandioca e gergelim.
A primeira fase é de 28.000 m² destinados ao cultivo de arroz, beneficiando 56 famílias. Cada agregado recebeu uma parcela de 20×25 metros, devidamente identificada com placa de propriedade.
A segunda fase é de uma área de 80.000 m² destinados à mandioca, beneficiando 160 famílias, também com parcelas individuais de 20×25 metros.
Além das culturas alimentares, a empresa apoia a introdução do gergelim como cultura de rendimento de alto valor no mercado internacional, disponibilizando assistência técnica chinesa, sementes melhoradas, formação prática e acompanhamento durante todo o ciclo agrícola.
Um dos beneficiários da aldeia de reassentamento 3573 manifestou satisfação: “A casa é boa. Eu gosto. Esta é a nossa casa.”
A Africa Great Wall afirma que a doação de terras agrícolas representa o cumprimento integral do compromisso de reassentamento, quando ocupa terras da comunidade, constrói novas casas; quando altera modos de vida, apoia novas formas de sustento.
A vida de futebolistas como Eusébio, nascidos nos subúrbios da capital moçambicana e que alcançaram o estatuto de vedetas na metrópole, é o mote de uma exposição que revela como a sua ascensão foi uma exceção no sistema colonial.
“Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo” é o nome da exposição que o Museu Nacional de Etnologia abre esta sexta-feira ao público, em Lisboa, e que propõe uma viagem aos subúrbios de Lourenço Marques, nas décadas de 1950-70, convidando a uma reflexão sobre cultura, desporto e os legados do colonialismo.
Nuno Domingos, investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e curador desta exposição, disse à Lusa que a mostra se foca na vida de jogadores como Eusébio, Matateu, Coluna, Hilário e Vicente, procurando ir “à sua base, ao mundo onde eles nasceram e a uma cidade como Lourenço Marques, que é uma cidade colonial profundamente dividida entre o seu centro e o seu subúrbio”.
“Esta divisão claramente projecta as bases do sistema colonial português, as suas lógicas descritas, que tinham inevitavelmente uma componente racial”, adiantou.
Por esta razão, a exposição fala do Caniço, que “é precisamente a cidade suburbana onde vivia grande parte da população africana e onde muitos destes jogadores cresceram”.
“Digamos que é uma procura de encontrar um pouco as origens destes jogadores que muitas vezes são só conhecidos a partir das suas trajectórias, a partir do momento em que chegam a Lisboa para jogar no Benfica, no Sporting e no Belenenses, esquecendo nós que eles tiveram uma vida anterior”, disse.
A exposição recorda a guerra colonial, que em Moçambique começou em 1964, bem como “o modo como o Estado Novo procurou instrumentalizar os percursos destes jogadores de futebol para defender um pouco o império na altura, que estava sob pressão internacional grande”.
“Nomeadamente após as vitórias do Benfica na Taça dos Campeões em 1961, 1962, depois a vitória do Sporting e depois, fundamentalmente, a participação no Mundial de 1966, estes jogadores tornaram-se muito visíveis e o Estado Novo claramente percebeu que os podia utilizar para defender a sua perspectiva lusotropical plural e racial do Império, que claramente não tinha muito a ver com o que se passava no terreno.
A mostra recorre à fotografia, a objectos da cultura pop da metade do século XX, a publicações de imprensa e a objectos da esfera futebolística, que, em estreito diálogo com as colecções do museu, desvendam os contrastes culturais e sociais existentes na cidade de Lourenço Marques.
Além de Nuno Domingos, a exposição, inaugurada hoje, tem a curadoria de Gonçalo Amaro, director do Museu Nacional de Etnologia.

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