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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e o Secretário-Geral do Partido Socialista (PS) de Portugal, José Luís Carneiro, defenderam o reforço da cooperação entre Moçambique e Portugal, com particular atenção para a mobilidade de cidadãos, investimento, educação, cultura e criação de oportunidades para as novas gerações.

A mobilidade de cidadãos, investidores e estudantes esteve entre os principais temas discutidos, num encontro em que as partes também reflectiram sobre o futuro da cooperação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Falando à imprensa após a reunião, José Luís Carneiro destacou a importância de aprofundar os laços entre os dois países, considerando que a cooperação deve continuar a assentar não apenas na língua e na cultura, mas também no investimento e na criação de oportunidades para os jovens.

O dirigente socialista sublinhou ainda o contributo das empresas portuguesas que investem em Moçambique, assim como dos estudantes e trabalhadores moçambicanos residentes em Portugal, para o desenvolvimento das economias dos dois países.

Sobre a CPLP, Carneiro considerou a organização um instrumento estratégico para reforçar a inserção dos Estados-membros no contexto internacional e promover a cooperação cultural, linguística, empresarial, técnica e científica.

Defendeu igualmente uma maior articulação entre os países lusófonos nas instituições multilaterais, através da concertação de posições sobre matérias de interesse comum.

O Secretário-Geral do PS reiterou, por outro lado, o compromisso dos deputados socialistas na Assembleia da República portuguesa com o desenvolvimento de Moçambique e com a comunidade moçambicana residente nos dois países.

José Luís Carneiro classificou a reunião como “muito positiva” e “construtiva”, considerando que poderá produzir resultados no futuro.

O encontro decorreu em Maputo, no Gabinete do Presidente da República, no âmbito de uma audiência concedida por Daniel Chapo ao líder socialista português, que se fez acompanhar pelo Presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.

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O Banco Mundial aprovou um apoio de emergência de 10 milhões de dólares para reforçar a resposta aos danos provocados pelas cheias, que causaram oito mortos e três desaparecidos, anunciou o primeiro-ministro de Cabo Verde.

O apoio foi acionado ao abrigo de um programa de cooperação para ajudar os esforços do Governo numa recuperação económica resiliente e equitativa, com o Banco Mundial a permitir um desembolso imediato, adiantou Ulisses Correia e Silva, na página oficial do Facebook.

O governante agradeceu ao Grupo Banco Mundial pela “resposta célere” ao pedido efectuado por Cabo Verde “e pelo elevado sentido de solidariedade” perante a necessidade de emergência social e infraestrutural, para proteger as pessoas e reconstruir com maior resiliência”.

Segundo a RTP, a tempestade, na madrugada de segunda-feira, provocou oito mortos e três desaparecidos na ilha de São Vicente, onde casas e estradas foram destruídas, pontes colapsaram e alguns bairros ficaram inundados.

Também foram registados danos em Santo Antão e São Nicolau, com o Governo a declarar situação de calamidade por seis meses nos três municípios, para permitir a mobilização urgente de recursos.

Na terça-feira, um contingente de 30 militares e polícias, três viaturas e material para limpezas e transporte de água chegou para apoiar as operações de resposta e recuperação em São Vicente.

A Primeira-Ministra, empossou, na tarde desta quarta-feira, cinco novos quadros da Função Pública, com destaque para os presidentes do Conselho de Administração da ProAzul, da Administração Nacional de Estradas (ANE) e da Agência Metropolitana de Transportes. 

Benvinda Levi exigiu dos empossados “entrega abnegada ao serviço do povo” e resultados concretos, afastando a margem para desculpas.  

“Caros empossados, é a vossa responsabilidade assegurar o cumprimento da missão das instituições para as quais foram nomeados, promovendo um ambiente de harmonia e colaboração interinstitucional. Neste processo, deverão privilegiar o trabalho em equipa, promovendo valores como inclusão, integridade e transparência em todos os processos, respeitando e fazendo respeitar a lei e os procedimentos estabelecidos”, afirmou.

O novo presidente do Conselho de Administração da ANE, Paulo Fumane, garantiu que vai trabalhar para que a transitabilidade no país atinja o nível desejado. 

“É verdade que trabalhei no sector do Estado há alguns anos, mas acabei de tomar posse e preciso de sentar com os colegas e, dentro das minhas competências, recolher toda a informação necessária. Temos de encontrar soluções para a N1, que é a espinha dorsal do país, e que deve ter padrão e qualidade de primeiro nível, garantindo comodidade e segurança no transporte de pessoas e bens”, disse.

Por sua vez, o novo presidente do Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul (ProAzul), Oswaldo Petersburgo, prometeu imprimir uma nova dinâmica ao sector. 

“Vamos encorajar e galvanizar a área marinha e aquática, promover o turismo e desenvolver a extensa costa moçambicana, sempre respeitando as orientações e a visão do Presidente da República e do Conselho de Ministros”, assegurou.

O recém-nomeado presidente da Agência Metropolitana de Transportes de Maputo, Fernando Andela, afirmou estar empenhado em melhorar a mobilidade urbana. 

“Temos a responsabilidade de garantir a implementação do projecto de BRT, avaliado em mais de 250 milhões de dólares, para além de iniciativas envolvendo automotoras, comboios e autocarros de grande capacidade, conhecidos como ‘Papabichas’”, referiu.

Para o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, foi empossada como secretária executiva adjunta Carla Mosse Lázaro, que quer acelerar o combate à desnutrição crónica. 

“Com a criação do grupo técnico a nível de base, vamos melhorar a planificação, redistribuir parceiros pelos diferentes distritos e comunidades e reforçar a monitoria e avaliação das acções”, explicou.

Na mesma cerimónia, foi ainda empossada Emília Fumo como directora-adjunta do Instituto Nacional de Saúde.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu esta quarta-feira, na Presidência da República, em Maputo, uma delegação da Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO), a quem reiterou o seu compromisso de promover o diálogo inclusivo e a independência económica como pilares para o desenvolvimento social do país.

Em mais um encontro com a sociedade civil para se inteirar das suas actividades e procurar o diálogo que ajude na pacificação do país, bem como na inclusão, o Presidente da República reuniu-se com uma delegação da Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO).

O encontro decorreu no quadro da visão do Chefe do Estado de assegurar que todos os estratos sociais participem activamente na construção de consensos e na definição das políticas públicas, garantindo que estas respondam às necessidades reais da população, sem deixar ninguém para trás.

Emília de Fátima Chissico, delegada da ACAMO para a Cidade e Província de Maputo, disse, no final da audiência, que a organização se deslocou à Presidência para expressar reconhecimento pelas acções do Chefe do Estado.

“Nós viemos aqui hoje saudar a Sua Excelência o Presidenta da República de Moçambique pelo trabalho que ele tem feito. O que é que nos comoveu mesmo? Nós, como pessoas com deficiência, achámos melhor chegar ao Gabinete, como Sua Excelência disse, Gabinete do Povo, para vir saudar-lhe pela iniciativa do diálogo inclusivo e da luta pela independência económica”, afirmou.

A representante frisou que a ACAMO vê nas acções do Presidente Chapo uma demonstração de que todos os cidadãos, independentemente da sua condição física, têm direito às mesmas oportunidades e ao exercício pleno da cidadania. “Nós sentimos que somos pessoas como qualquer outra pessoa que também tem os seus direitos, por isso que nos aproximámos à Presidência para vir dizer muito obrigado pelo trabalho que está a fazer”, sublinhou.

Segundo Chissico, o Chefe do Estado demonstrou conhecer profundamente a ACAMO, a sua origem e a sua sede nacional, o que facilitou a interacção. “ [O Presidente da República] recebeu-nos muito bem. E, felizmente, ele conhece a ACAMO, como surgiu a ACAMO, conhece a nossa sede nacional na Beira [província de Sofala]. Foi fácil”, destacou.

Durante o encontro, o estadista comprometeu-se a apoiar a ACAMO, considerando o seu funcionamento alinhado com os estatutos e o Plano Estratégico. “Ele recebeu-nos muito bem e prometeu-nos ajudar, porque ele achou que a ACAMO é organizada e está a trabalhar conforme os estatutos e Plano Estratégico”, acrescentou a delegada.

O Presidente da República tem reiterado, em diferentes ocasiões, que o desenvolvimento nacional deve ser construído com base na participação equilibrada de comunidades rurais e urbanas, jovens, mulheres, empresários, trabalhadores e grupos vulneráveis, assegurando que todos tenham acesso às oportunidades criadas pelos programas de crescimento e coesão social.

A audiência desta quarta-feira insere-se nessa agenda de governação participativa e inclusiva, reforçando a ligação directa entre o Executivo e as organizações da sociedade civil que representam sectores específicos da população.

Para a ACAMO, este tipo de abertura institucional é um passo importante para o fortalecimento da cidadania e para a criação de condições que permitam às pessoas com deficiência visual participar de forma activa nas decisões que moldam o futuro do país.

PR dirige abertura oficial da 14ª Reunião Nacional das Autarquias Locais

O Presidente da República, Daniel Chapo, dirige esta quinta-feira a sessão de abertura oficial da 14ª Reunião Nacional das Autarquias Locais, numa das instâncias hoteleiras da capital do país.

O evento, promovido pelo Ministério da Administração Estatal e Função Pública (MAEFP), decorre sob o lema “Por um Desenvolvimento Autárquico Sustentável, Inclusivo e Resiliente”.

Durante a abertura oficial, o Chefe do Estado irá interagir com os titulares dos órgãos autárquicos, num espaço de reflexão e troca de experiências sobre a governação local.

A participação do Presidente da República traduz o compromisso do Executivo em fortalecer a governação local, promover a inclusão e garantir que o desenvolvimento das autarquias seja sustentável, resiliente e centrado no bem-estar dos cidadãos.

A 14ª Reunião Nacional das Autarquias Locais constitui um fórum para analisar, discutir e propor soluções concretas aos principais desafios que se colocam à gestão autárquica no país.

Retomaram-se as avaliações trimestrais na província de Maputo, canceladas depois de uma fraude académica marcada pela circulação dos enunciados antes da realização das provas. A Direcção Provincial da Educação diz estar em curso investigações para identificar os responsáveis pelo vazamento antecipado das provas.

A circulação dos enunciados das provas trimestrais, antes da sua realização, tem vindo a preocupar as autoridades. O facto obrigou o sector da Educação em Maputo a anular as avaliações do primeiro e segundo ciclos, realizadas na quarta e quinta-feira da semana passada, tendo igualmente adiado as que estavam previstas para sexta-feira.

Os alunos tiveram que, mais uma vez, se preparar para realizar as provas quase uma semana depois. Em algumas escolas visitadas pelo jornal O País, nesta quarta-feira, alguns mostraram-se tristes pela repetição, porque acham que deveria ser aplicada outra medida e não o cancelamento.

“Eu estou preparada para realizar o teste, mas muito triste, porque não é justo que voltemos a realizar um teste que já fizemos. Hoje devíamos estar aqui para receber as provas e não para fazê-las novamente”, disse uma das alunas.

Mas outros olham com bons olhos a decisão do sector da Educação e condenam essas práticas.“Para mim, foi melhor terem cancelado os testes porque não é correto que alguns colegas usem cábulas. Eu aconselho os colegas a se esforçarem mais e evitarem esse tipo de comportamento”, destacou um dos alunos.

Em entrevista exclusiva à equipa de reportagem, a directora da Educação na província de Maputo, Carménia Canda, assegurou que o sector, em conjunto com a PRM, está a investigar os casos.

“Tivemos que cancelar esses exames porque já estavam a circular nas redes sociais. Estamos a trabalhar com a polícia no sentido de desvendar quem vazou as provas e acreditamos que essa pessoa pode ser identificada”, disse.

Canda acrescentou que novas estratégias estão a ser desenhadas para que casos do género não voltem a acontecer.

“Estamos a definir novas estratégias, aprendemos com o erro desta vez, com aquilo que aconteceu. Mesmo não tendo a certeza da porta de saída dessas provas, antecipamos algumas medidas de segurança que não me convém revelar para não comprometer a estratégia definida, mas que vão permitir melhorar o controlo e fechar o cerco deste vazamento de provas”, frisou.

Refira-se que as avaliações que foram canceladas, tanto nas escolas do ensino público quanto privado, serão realizadas até sexta-feira, 15 de agosto.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou hoje, em Berlim, que espera que a reunião marcada para sexta-feira, no Alasca, entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, resulte em um cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Discutimos a reunião no Alasca e esperamos que haja um cessar-fogo”, afirmou Zelensky após uma videoconferência com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e Donald Trump. O diálogo também contou com a participação de líderes europeus em reunião virtual.

Segundo anúncio da Casa Branca, a cimeira entre Trump e Putin acontecerá na base militar de Elmendorf-Richardson, localizada em Anchorage, no Alasca. Este local, no norte da cidade, é considerado o único no estado que atende aos requisitos de segurança necessários para uma reunião de grande porte como esta.

Este encontro será o primeiro entre os presidentes dos dois países desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.

O reitor da Universidade Pedagógica de Maputo propõe uma reflexão profunda sobre a ética e a mentira, esta última vista por estudiosos como estratégia de sobrevivência dos seres vivos, incluindo o homem.  

Jorge Ferrão deu uma aula aberta na Universidade que dirige, esta terça-feira, subordinada ao tema “O comportamento animal para além da força”.

O académico fez contraponto com os evolucionistas Charles Darwin  e Lixing Sun, este último que defende que todo ser, incluindo o homem, é mentiroso. 

Nós fizemos este contraponto de Darwin e Lixing Sun e Lixing Sun é alguém que escreve e diz todos os seres precisam de mentir. Então, quer seja para se alimentar, para sobrevivência, reprodução, etc, explicou o académico, acrescentando que a natureza não seria natureza se não tivesse esse tipo de argumentos para existência. 

Diante desta realidade, uma questão surge: Como fazer coexistir a ética e a sobrevivência? Indagou o académico. 

“Mentir não ajuda, mas se não o fizer também não sobrevive”, sustentou. Assim, Ferrão propõe uma reflexão sobre como olhamos para as relações entre os animais e as formas, muitas vezes, ludibriadas, que usam para conseguir seus objectivos. 

É que segundo explica o académico, a força já não é o pressuposto para sobreviver, como sustentava Darwin há mais de 500 anos. O reitor da UP explica que “Darwin dizia, como base, que só sobrevivia na natureza aquele que era forte, mas 500 anos depois desta teoria descobre-se que há muitas espécies que sobrevivem graças à sua astúcia”. Para deixar mais claro o seu raciocínio, disse que tais espécies têm a capacidade de enganar os outros para poder  sobreviver, ludibriar para poder ter uma fémea, mentir para, enfim, deixar que o seu DNA se reproduza.  

A aula aberta ministrada pelo académico enquadra-se no âmbito da celebração dos 40 anos de existência da Universidade Pedagógica.

O Exército da República Democrática do Congo acusa o grupo rebelde M23 de violar repetidamente o acordo de cessar-fogo, com ataques sucessivos no leste do país. 

A região leste da República Democrática do Congo, rica em recursos naturais, é palco de confrontos há décadas entre forças governamentais e grupos armados.

O grupo rebelde M23, apoiado pelo Ruanda, retomou as armas em 2021 e já conquistou diversas zonas estratégicas, como Goma e Bukavu. Nos últimos dias, os confrontos intensificaram-se na cidade de Mulamba, na província de Kivu do Sul, onde a linha de frente estava relativamente estável desde Março.

Um acordo de cessar-fogo foi assinado no mês passado em Doha, no Qatar, com apoio dos Estados Unidos, e previa uma trégua permanente. No entanto, o Exército congolês afirma que os ataques “quase diários” representam uma violação clara do acordo. O exército do Congo prometeu responder às provocações com força.

O grupo M23, por sua vez, acusa o governo congolês de manter operações ofensivas. A situação agrava ainda mais a crise humanitária na região e ameaça colapsar os esforços diplomáticos em curso.

O artista plástico Gonçalo Mabunda propõe uma reflexão sobre os motivos que empobrecem as nações e faz um olhar crítico aos líderes africanos, na sua recente obra intitulada “O Adivinho dos Fabricantes da Pobreza”.

Mais conhecido pelas suas esculturas feitas através de armas desactivadas, que apelam à paz, Gonçalo Mabunda apresenta desta vez, em pré-exposição, uma reflexão profunda sobre tudo o que empobrece os povos.

Com um título provocativo, pretende convidar o Homem à humildade e tocar a sua consciência sobre este a pobreza, um mal que assola a muitos. “Quando eu digo adivinho da pobreza, estou a tentar falar das pessoas que fazem a pobreza”, explicou. O artista plástico argumenta que todo indivíduo que ouvindo este título se sentir constrangido é o causador da pobreza.

Por outro lado, vira o cano para os políticos e dirigentes africanos que têm recorrido a métodos inconstitucionais para chegar ao poder. A crítica é feita através de uma cadeira totalmente feita de ferro e material bélico desactivado e reaproveitado. “Eu falo dos novos presidentes africanos que não aprendem. O trono não é via arma, o trono é dado”, concluiu.

Repleta de polissemia, a obra convida os apreciadores à promoção da paz e a ver  Moçambique de forma diferente. Nas palavras de Moreira Chonguiça, que começou por dizer que o autor da obra já não pertence mais à família Mabunda, mas a Moçambique e ao mundo, devido a sua dimensão artística, a mais recente faz-nos esquecer os anos de guerra e lembra-nos que Moçambique está a caminho do desenvolvimento.  

A classe empresarial, que também esteve no evento de pré-exposição,  na noite desta terça-feira, no Centro Cultural Franco Moçambicano, instituição que assinala 30 anos de existência, defendeu a necessidade de apoiar a arte deste género e incentivar o consumo de produtos culturais nacionais.

Chuvas em Cabo Verde fazem pelo menos oito mortos e deixam suspensa a distribuição de água em São Vicente, devido a uma inundação na estação de captação local. A responsável pela Proteção Civil da ilha de São Vicente dá ainda conta de três desaparecidos e 12 desalojados. O Governo cabo-verdiano decretou dois dias de luto nacional, iniciado na terça-feira.

“Sete são resultado das cheias e um foi eletrocutado. Temos três desaparecidos e um bom número de desalojados que estão a ser apoiados”, afirmou o vereador para a Proteção Civil, Ambiente e Saneamento da ilha de São Vicente, José Carlos da Luz, em declarações à Rádio de Cabo Verde, revelando que quatro das vítimas mortais são crianças.

O ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, confirmou à Rádio Renascença que não de outras nacionalidades.

As chuvas inundaram ruas, levantando pavimentos e arrastando carros à medida que espalhavam detritos. Há registo de danos materiais significativos, com casas, lojas e viaturas total ou parcialmente destruídas, tendo o executivo activado o Fundo Nacional de Emergência, o que “permitirá, num primeiro momento, afectar de forma extraordinária todos os recursos que forem necessários para apoiar as populações”, explicou o ministro, citado pela Renascença.

Segundo a imprensa internacional, houve muitas casas particulares e comércios afectados.A tempestade perturbou também a actividade turística, fazendo com que hotéis ficassem alagados.

Na ilha de São Vicente, entre as três e as quatro horas da madrugada de segunda-feira, registaram-se cerca de 163 milímetros de chuva por hora. Um valor que “excedeu de longe a norma para a ilha”, referiu Ester Brito, presidente do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) de Cabo Verde, citada pelo jornal Santiago Magazine, justificando a ausência de alerta para chuvas torrenciais com a falta de equipamentos.

“Utilizamos imagens de satélite e modelos de previsão, mas sem radares não conseguimos estimar a quantidade exacta de chuva que poderá cair”, explicou.

O comandante do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, Major Domingos Tavares, confirmou não ter recebido qualquer aviso prévio por parte do INMG, situação que impediu a activação antecipada de mecanismos de prevenção.

Além da situação de calamidade nas ilhas de São Vicente e Santo Antão, o governo cabo-verdiano decretou luto nacional de dois dias, a contar a partir de terça-feira.

Quanto ao presidente do país, José Maria Neves, destacou “a prontidão” dos serviços de proteção civil, bombeiros, polícia e cidadãos que participaram na assistência dada às vítimas.

Também Marcelo Rebelo de Sousa reagiu à tragédia em Cabo Verde, manifestando “profundo pesar”.

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