O Presidente da República, Daniel Chapo, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, reafirmaram esta quinta-feira, em Maputo, o compromisso de aprofundar a parceria estratégica entre os dois países, com destaque para a cooperação económica, o combate ao terrorismo, o apoio às reformas estruturais e a concertação em matérias da agenda internacional.
O compromisso foi assumido durante um encontro de trabalho realizado no Gabinete da Presidência da República, no qual as duas partes fizeram um balanço da cooperação bilateral e identificaram novas áreas para o fortalecimento das relações entre Maputo e Moscovo.
Falando à imprensa no final da audiência, Sergei Lavrov afirmou que o Presidente Daniel Chapo evocou os laços históricos estabelecidos entre Moçambique e a então União Soviética durante a luta de libertação nacional, considerando esse período como a base da parceria estratégica entre os dois Estados.
Segundo o chefe da diplomacia russa, o apoio soviético à luta pela independência continua vivo na memória colectiva dos moçambicanos, tanto pela assistência prestada durante o processo de libertação como pelo reconhecimento imediato do Estado moçambicano após a proclamação da independência, a 25 de Junho de 1975.
Lavrov referiu igualmente que a cooperação entre os dois países se manteve após a independência, abrangendo o fortalecimento das instituições públicas, o desenvolvimento de uma economia nacional independente e o apoio às reformas levadas a cabo por Moçambique.
A cooperação económica ocupou um lugar de destaque nas conversações. O ministro russo revelou que Daniel Chapo apresentou a visão do Governo para novas reformas económicas e para o reforço da cooperação bilateral, tendo as duas partes acordado integrar essas prioridades nos preparativos da próxima reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Económica e Técnico-Científica, com vista a apoiar a implementação das reformas.
Durante o encontro foi igualmente abordada a situação de segurança no norte de Moçambique. Lavrov assegurou que a Rússia continuará disponível para responder aos pedidos de apoio apresentados por Maputo no combate ao terrorismo que afecta aquela região do país.
Os dois dirigentes analisaram ainda assuntos da agenda internacional, tendo reafirmado a coordenação entre Moçambique e a Rússia no âmbito das Nações Unidas e de outras plataformas multilaterais, matéria que, segundo Lavrov, será aprofundada nas conversações com a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.
Jaime Macuane e Eduardo Chiziane foram apurados como consultores no Diálogo Nacional inclusivo. Os consultores foram eleitos numa altura em que se aproxima o lançamento de auscultação pública a ser dirigida pelo Presidente da República, no dia 10 deste mês.
O apuramento de Jaime Macuane e Eduardo Chiziane surge no âmbito de um convite público para a selecção de consultores para a elaboração dos termos de referência dos 10 grupos de trabalho criados no quadro do Diálogo Nacional Inclusivo em curso no país.
Jaime Macuane é cientista político, consultor de larga experiência em reformas de administração pública e docente na faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane.
Por sua vez, Eduardo Chiziane é jurista, consultor com uma larga experiência em reformas legislativas e actualmente director da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane.
Segundo o presidente da Comissão Técnica, Edson Macuácua, neste momento, as agências estão viradas para o lançamento da auscultação pública, que terá lugar no centro de conferência, no dia 10 deste mês, numa cerimónia a ser dirigida pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo.
UNIÃO EUROPEIA REFORÇA APOIO AO DIÁLOGO INCLUSIVO
O apoio foi assegurado pelo embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, durante uma reunião entre a Comissão Técnica de materialização do Diálogo Nacional Inclusivo e os embaixadores da União Europeia.
O apoio é multiforme e compreende assistência técnica e apoio logístico para as várias etapas do processo de diálogo. De acordo com a UE, o apoio será canalizado através de duas organizações da sociedade civil, o Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (MASC) e o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD).
O presidente da Comissão Técnica, Edson Macuácua, assegura que será feito um uso transparente e eficiente dos recursos. A Comissão Técnica irá proceder ao lançamento da auscultação pública, numa cerimónia pública, no Centro de Conferência Joaquim Chissano, na Cidade de Maputo.
A auscultação pública terá lugar em todo o país e na diáspora, envolvendo todos os estratos sociais. Os principais grupos-alvo são os partidos políticos, sociedade civil, jovens, mulheres, académicos, camponeses, agentes económicos, organizações sócio-profissionais e fazedores de cultura.
Para uma maior abragência, serão organizados encontros com um público diversificado, mesas redondas para debates temáticos e especializados com grupos específicos, encontros individualizados com personalidades proeminentes da sociedade política, civil, académica e cultural.
O seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, reagiu, nesta terça-feira, à carta de Dominguez enviada a si à Federação Moçambicana de Futebol, em que explica os motivos pelos quais não enviou o seu passaporte a tempo.
Falando à imprensa, Conde reiterou que não tem nada contra o capitão dos Mambas, mas sim irá pautar sempre pelo cumprimento das regras na selecção nacional, alertando que não se pode faltar ao respeito aos jogadores convocados.
O seleccionador nacional lembrou que, quando chegou aos Mambas, os seus antecessores tinham abdicado de Dominguez na slecçcão nacional, tendo sido ele a resgatá-lo, sobretudo pelo respeirto que tem pelo capitão do combinado nacional e pela história.
“Dominguez é o capitão da selecção nacional e neste momento está aqui connosco, mas tenho muito respeito por ele. Não sei porque vocês, imprensa, questionam muito sobre isso”, disse.
Chiquinho Conde anota que, enquanto seleccionador nacional, tem um compromisso com a Federação Moçambicana de Futebol e com o futebol.
“Pagam-me para tomar decisões em, como tal, é preciso que haja disciplina, tal como regem as directrizes da Federação Moçambicana de Futebol. Eu, como seleccionador, irei tomar as devidas medidas em função daquilo que é o benefício da selecção nacional”, anotou Chiquinho Conde.
Para Chiquinho Conde, ninguém deve estar acima de uma instituição. O seleccionador nacional reitera que não será ele o responsável por acabar com a carreira de Dominguez nos Mambas.
“Tenho um carinho enorme por Dominguez, assim como o povo moçambocano tem e ele merece acabar com dignidade. Não serei eu a precipitar a sua ligação com a selecção”.
Ainda sobre a carta que o capitão dos Mambas escreveu, Conde diz que não esperava que procedesse dessa maneira, pois uma simples chamada telefónica e uma conversa poderia ter resolvido as coisas.
O timoneiro do combinado nacional entende que o Dominguez poderia ter sido melhor aconselhado. Ainda assim, abre a possibilidade de o “puto maravilha” voltar a envergar a camisola da selecção nacional.
“Desejo as minhas felicidades ao Dominguez. Ele faz parte deste grupo de trabalho e muitos que não estão aqui também fazem parte. É verdade que o Dominguez tem uma posição diferente por ser capitão, mas existem normas e elas devem ser respeitadas”, conclui.
MAMBAS EFECTUARAM UM TREINO EM MAPUTO
Os Mambas efectuaram, hoje, em Maputo, a única sessão de treinos antes de partirem para Kampala, onde vão defrontar a sua congénere do Uganda na próxima sexta-feira, em jogo da sétima jornada do Grupo G da zona africana de qualificação para o Campeonato do Mundo, 2026.
Chiquinho Conde teve à sua disposição apenas os jogadores que actuam internamente, devendo os “estrangeiros” juntar-se à selecção nacional em Kampala.
O treino centrou-se na recuperação dos jogadores, que no fim-de-semana jpogaram pelas suas equipas no Moçambola. Segundo planod e trabalho da equipa técnica, o combinado nacional vai afectuar duas sessões de treinos em solo ugandês antes partida. Os Mambas partem para este jogo com um histórico favorável após a vitória contra o Uganda na primeira volta, por 3-1.
Pelo menos dois mil alunos estudam ao relento e em péssimas condições e mais de 400 não ainda têm o livro de Português da quarta classe, em Chibuto, na província de Gaza. Para melhoria da rede escolar o município de Chibuto está a investir 34 milhões de meticais.
Estudar em condições condignas é o sonho de Quesito Francisco, aluno da quarta classe, da Escola Primária Francisco Manyanga, no município de Chibuto, mas, enquanto isso não se concretiza, o menor e seus colegas assistem às aulas em condições precárias.
“A nossa sala é de chapas de zincos, gostaria (…) de mudar para uma boa sala”, disse Quesito Francisco.
Um outro assunto com o qual se debatem é o da falta de carteiras. Mais de 400 alunos regressam às aulas para o terceiro e último trimestre na escola Primária Francisco Manyanga, mas, entre sorrisos, escondem o drama da falta de carteiras e material escolar, pois os livros, especificamente o manual de português, não chegam para todos.
“Temos preocupação de livros (…) Todos os dias nós estamos a sentar três-três. Depois, outros andam a nos provocar por causa de livros, andam a nos bater”, queixam-se aos alunos.
O professor, Efigénio Alfredo valida a preocupação dos alunos, e acrescenta que, vezes sem conta, a falta de livro e as condições em que os alunos têm aulas resultam na perda da concentração, além de limitar a missão de ensinar e formar com qualidade.
“Há dias que algumas chapas têm feito algum barulho, dias de chuva, dias de ventania. Alguns alunos não têm livros, mas conseguimos nos agrupar. Entretanto, quando já é um trabalho de casa, torna-se um pouco difícil, mas mesmo assim, tentamos orientar a criança para que vá ao colega vizinho, de modo a ter o instrumento para poder assinar trabalhos de casa”, revelou.
O Director da escola, António Bendzane, reconhece o problema e esclarece que a escola ainda não recebeu os manuais de distribuição gratuita da quarta classe, em particular de disciplina de português.
“Funcionamos com o livro que nós recolhemos no ano passado, mas eles já não têm aquelas condições para que o aluno possa vir a usar, porque tem a falta de páginas. São voltas de seis turmas, então, cinco estão a trabalhar em condições muito difíceis”, admitiu o gestor escolar.
Ainda no município de Chibuto, mais de dois mil alunos estudam ao relento e, em péssimas condições, uma dura realidade, que segundo o presidente do município , Henriques Machava, poderá ser ultrapassada com investimento na rede escolar .
“Mais de duas mil crianças vão deixar de estudar em condições precárias. Estamos agora no processo de reabilitação de quatro salas, reabilitação do bloco administrativo, construção de sanitários. Estas acções vão ajudar, pois, na escola 25 de Junho já tem resultados, porque mais de mil crianças que estudavam em condições críticas já estão em salas condignas”, conclui o autarca.
As obras para melhoria da rede escolar no município de Chibuto estão orçadas em mais de 37 milhões de meticais, financiadas pelo Banco Mundial.
O Governo quer melhorar os laços de cooperação e amizade com a Malásia. Nesta segunda-feira, a comunidade malaia residente em Maputo reuniu-se para celebrar o aniversário da independência do país asiatico, em Maputo.
Vestidos a rigor, em ambiente de festa, a comunidade da Malásia residente em Moçambique reuniu-se, esta segunda-feira, em Maputo, para celebrar.
E não era para menos. Comemorava-se mais de um ano após o alcance da independência da Malásia.
“Nós ganhamos nossa independência dos britânicos e isso é um milagre muito significativo para nós. E isso dá à nação multicultural da Malásia a liberdade de se expressar e perseguir os seus sonhos. Então esse é o verdadeiro significado do nosso Dia da Independência”, disse Kulvinder Dhillon, natural da Malásia.
São 68 anos livres do colonialismo e várias conquistas alcançadas ao longo de décadas e, por isso, não faltou o brinde, para celebrar a prosperidade.
No dia da Malásia, o país do sudeste asiatico celebra igualmente os anos de cooperação e amizade com Moçambique e o governo espera mais.
O Cônsul Honorário da Malásia, Salimo Abdula, descreveu a comunidade malasiana como exemplar e espera que haja mais troca de experiências em vários sectores de desenvolvimento.
O Dia da Independência da Malásia assinala-se a 31 de Agosto.
Entre várias personalidades, a celebração contou com a participação de amigos, entre os convidados.
O presidente chinês, Xi Jinping, recebeu o seu homólogo russo, Vladimir Putin, em Pequim, na terça-feira, chamando-o de “velho amigo”, enquanto os dois líderes iniciavam uma nova rodada de negociações bilaterais. O encontro destaca o aprofundamento dos laços entre China e Rússia, especialmente desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022. O presidente Putin descreveu o relacionamento como “estratégico” e de “nível sem precedentes”.
“Nossa interação próxima reflecte a natureza estratégica das relações russo-chinesas”, disse Putin durante as negociações.
O presidente Xi repetiu o sentimento, posicionando a China como um parceiro global estável, em meio às crescentes mudanças geopolíticas. “China e Rússia permaneceram fiéis às suas aspirações originais e mantiveram o rumo”, disse Xi, acrescentando que “apoiamos o desenvolvimento nacional um do outro e defendemos uma ordem global mais justa”.
A China continuou a negociar com a Rússia apesar das sanções ocidentais, proporcionando uma vital salvação económica. Ao mesmo tempo, Pequim enfrenta escrutínio por acusações de que algumas empresas chinesas podem estar indirectamente apoiando o sector militar russo. Xi também promoveu a estabilidade da China em contraste com as interrupções comerciais causadas pelas tarifas americanas introduzidas pelo ex-presidente Donald Trump.
As negociações acontecem um dia antes de um grande desfile militar em Pequim, que marca o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. A China deve revelar sua mais recente tecnologia militar, exibindo equipamentos nacionais e suas crescentes ambições globais.
O secretário-geral da ONU expressou hoje a sua “profunda consternação” perante o terramoto de magnitude 6,0 que, na noite passada, atingiu o leste do Afeganistão, deixando mais de 900 vítimas mortais e cerca de 2 700 feridos.
“O secretário geral expressa a sua solidariedade para com o povo afegão, estende as suas sinceras condolências às famílias das vítimas e deseja uma rápida recuperação aos feridos”, especifica o comunicado divulgado pelo porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, citado por Lusa.
As Nações Unidas e os seus parceiros no Afeganistão estão agora a coordenar-se com as autoridades talibãs para avaliarem rapidamente as necessidades, prestar assistência de emergência e estarem preparados para mobilizar apoio adicional, acrescenta a nota.
Além disso, a ONU está a elaborar um apelo de emergência e foram disponibilizados, segundo a imprensa internacional, 5 milhões de dólares do fundo de emergência das Nações Unidas para fazer face a esta catástrofe.
“As Nações Unidas no Afeganistão não pouparão esforços para ajudar a população, mas o actual financiamento humanitário é insuficiente para satisfazer as necessidades. O secretário-geral apela a recursos humanitários adicionais para responder urgentemente à tragédia e às crises actuais”, refere também o comunicado.
Mais de seis bairros no município de Xai-Xai enfrentam problemas no abastecimento de água, após o roubo e vandalização do posto de transformação de energia do subsistema de Patrice Lumumba. Os moradores também reclamam das altas tarifas e da qualidade do serviço. A Águas da Região Sul (ADRS) garante que a situação será normalizada em breve.
Um novo caso de vandalização de um posto de transformação de energia, no subsistema de furos do Infantário, no posto administrativo de Patrice Lumumba, deixou pelo menos seis bairros sem água, no município de Xai-Xai, província de Gaza.
“Nós estamos preocupados, porque não está a sair água. Decorrente desta situação, ficamos sem alternativa de acesso à água para as necessidades domésticas diversas”, lamentou um residente do bairro 24, em Patrice Lumumba.
Segundo os agentes de segurança privada, os malfeitores invadiram as instalações durante a madrugada deste domingo. “Desligaram o quadro, era uma hora da manhã. Cavaram e retiraram o quadro. Não é a primeira vez, há outros postos que também sofrem este tipo de roubo”, explicou um dos agentes.
A situação agravou a crise de água, em particular nos bairros 11, 24 e Coca Missave, onde os moradores exigem a reposição imediata do abastecimento do líquido.
“Em outras zonas há água, então não sei se isso tem a ver com a vandalização ou não. Em poucas palavras, só queremos melhorias”, apelou um munícipe.
A ADRS confirmou, através de um comunicado, que há restrições de abastecimento em pelo menos seis bairros, na sequência da vandalização. Entretanto, garantiu que “as equipas técnicas encontram-se no terreno a trabalhar com máxima urgência, com vista à reposição da normalidade do serviço”.
Munícipes preocupados com tarifas de água em Xai-Xai
Maria Nhachengo, de 54 anos, residente no bairro 24 há 30 anos, queixa-se das taxas de consumo de água, que, segundo ela, triplicaram entre agosto e setembro, contraste com os poucos dias em que a água jorrou em sua residência.
“Dizem que consumi nove metros cúbicos, mas em casa somos apenas três pessoas. No mês passado paguei 133 meticais, agora pago 730”, questionou Maria.
A qualidade do serviço e as tarifas elevadas também preocupam os moradores dos bairros 9 e 11, que exigem mudanças.
“O abastecimento é bastante irregular e as faturas são penalizadoras, considerando o tipo de água que recebemos. O Estado deveria analisar a situação financeira e econômica dos cidadãos e tentar reduzir o preço das faturas de água”, apelou um residente do bairro 9.
O posto administrativo de Patrice Lumumba é o mais afetado pela vandalização do subsistema da Águas da Região Sul em Xai-Xai.
Um menor de 12 anos morreu após ter sido baleado pela polícia a bordo de um carro. Para retaliar, a população matou um agente da PRM e bloqueou a EN1, impedindo, assim, a passagem de carros por mais de sete horas.
O sol ainda nascia quando Bobole, no distrito de Marracuene, se transformou num palco de horror e luto. O que parecia ser mais um dia normal na Estrada Nacional Número Um (EN1) terminou em sangue, gritos e revolta: uma criança de apenas 12 anos morreu atingida por uma bala disparada pela Polícia da República de Moçambique (PRM).
A cena aconteceu pouco depois das cinco da manhã, quando um carro proveniente da África do Sul, com destino à província de Manica, deixava o posto de controlo de Nyongonhane, onde haviam pernoitado.
“Minutos depois, o veículo foi perseguido por agentes da PRM que exigiam documentos ao motorista. Ao tentar apresentar os papéis, um disparo. A bala perfurou o vidro traseiro e atravessou a nuca de uma criança que seguia no banco de trás”, contou Mathew Nyamunda, transportador da viatura atingida.
A morte foi imediata, mas os presentes só se aperceberam instantes depois do sucedido.
No interior do carro, o sangue estampado nos assentos e o cartucho da bala abandonado no asfalto tornaram-se provas do terror.
O tiro não só ceifou uma vida da criança, como acendeu a fúria da população local. Testemunhas relatam que os quatro agentes, ao perceberem o erro, tentaram fugir, três conseguiram, mas um não conseguiu escapar. Foi cercado, linchado até à morte diante de dezenas de pessoas revoltadas.
“Levaram plásticos, capim e colocaram nele. Queimaram as pernas dele, mas conseguiu levantar e sair para estrada, mas o trouxeram de volta e incendiaram todo o corpo dele”, relatou Salaudina Samson, testemunha.
Ainda assim, os tumultos prevaleceram, e mesmo para tirar os corpos do local, a polícia teve dificuldades, isso porque a população não permitia a passagem de nenhum carro e muito menos a remoção do corpo do agente da PRM.
“Vieram outros polícias que pediram para levar o agente que foi morto, e nós perguntámos como é que eles queriam levar aquele agente sem que se responsabilizassem com a criança morta e que ainda estava no interior do carro?!”, reclamou Egidio Chirindza.
Só por volta das oito horas é que os corpos foram removidos, mas a polícia teve de lançar gás lacrimogêneo para dispersar a população e conseguir remover os corpos.
Em reacção, o Comando-Geral da PRM, atraves do seu porta-voz Leonel Muchina, confirmou o sucedido e admitiu “imperícia” e irresponsabilidade por parte dos agentes.
“Os agentes que se faziam acompanhar deste que perdeu a vida encontram-se sob custódia e a eles vai lhes caber um processo disciplinar, com proposta de expulsão, porque não nos revemos nessa atitude”, declarou Leonel Muchina.
A polícia garante, também, toda assistência à família do menor para realização das cerimónias fúnebres.
Mas, para a comunidade de Bobole, as palavras não foram suficientes. A dor da perda de uma criança e a revolta contra a impunidade transformaram a estrada num campo de protesto.
Durante mais de sete horas, o tráfego esteve paralisado, criando filas quilométricas, pois populares colocaram carros parados no meio da estrada como forma de impedir a transitabilidade de outras viaturas. transtorno para muitos, que tiveram suas agendas atrasadas e algumas canceladas.
“Estou aqui desde às cinco horas, venho da África do Sul e vou a Maxixe, mas já são 12 estamos aqui parados, crianças estão cheias de fome, vou a uma cerimônia familiar, mas terá de ser adiada”, contou Luís Mbazima.
Eram longas horas de espera que muitos preferiram abandonar as viaturas, estendiam suas capulanas, na estrada ou mesmo na berma a observar tudo o que acontecia ou mesmo para dormir.
“Nós saímos do Romão. Temos trouxas de hortícolas e vamos vender. Não sabemos o que os nossos filhos vão comer hoje e nem sabemos como é que iremos voltar para as nossas casas, pois não temos dinheiro e não mais chegaremos ao mercado. Se não tivesse parado por aqui, chegaria a Manhiça às 6 horas para vender e, por volta das 15 horas, regressar à casa” desabafou a vendedora Cacilda Mboene.
Quem não aguentava a espera caminhava longas distâncias a pé, não importava a idade e muito menos a carga que carregava.
Só por volta das 12 horas é que o trânsito voltou a fluir, naquele ponto e milhares de pessoas, puderam seguir viagem para os diferentes pontos do país.
O director-geral da Total Energies nega que houve quebra de acordos com a população de Palma, que se queixa de várias injustiças, incluindo o isolamento de Afungi. A multinacional francesa garante cumprimento dos acordos e diz que tudo faz para o desenvolvimento das populações locais.
Há cerca de duas semanas a população do distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, denunciou várias irregularidades cometidas pela multional Total Energies, líder do projecto Mozambique LNG, incluindo o isolamento de Afungi, depois de verem transferidas quase todas as empresas subcontratadas pelo projecto Mozambique LNG e os seus trabalhadores, para o acampamento, onde foram reforçadas todas as medidas de segurança e mantém-se com as portas fechadas.
Em reacção a estas queixas, que segundo os residentes de Palma tem resultado, por um lado, em soma de prejuízos nos negócios e, por outro, na falta de oportunidades de emprego, o director-geral da Multinacional Francesa explicou que tal se deve ao reinício do projecto Mozambique LNG, que exige treinamento de todos no mesmo lugar.
“Ouvi dizer que operamos de forma isolada, talvez seja uma desentendimento do que estamos a fazer para nos preparar para o início do projecto, que implica um acréscimo muito forte de actividades. Então, é muito importante que todas as empresas que participaram do início estejam bem preparadas e no mesmo lugar para poder trabalhar e façam um reinício efectivo de qualidade. Muitos trabalham para o projeto de Palma e estão cientes disso”, explicou Maxime Rabiloud.
Outra preocupação dos residentes de Palma é com a revogação de acordos e incumprimento de promessas, algo que a Total diz não constituir a verdade.
“Não temos quebra de acordo com a população de Palma e agora estamos a fazer muito mais devido à retoma do projecto e clarificamos o nosso compromisso de continuar a trabalhar com estas populações”.
A multinacional francesa garante que inclui a população local em projectos de desenvolvimento
Rabilloud falava depois da assinatura de um memorando de entendimento com a Agência Nacional de Desenvolvimento Integrado do Norte, cujo objectivo é criar mais postos de emprego em Palma e Mocimboa da Praia.
“Assinamos mais um momento de extrema importância, que vai galvanizar a nossa economia local e o bem estar das populações”, disse Jacinto Loureiro, presidente da ADIN.
O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, disse na ocasiao que a iniciativa é uma mais valia para reerguer as vítimas do terrorismo.
“Queremos daqui a alguns dias visitar os distritos abrangidos e ver iniciativas que resultem na implementação deste memorando de entendimento, para que as famílias mudem de vida”.
A implementação deste acordo está orçado em 10 milhões de dólares americanos, equivalentes a 632 milhões de meticais.

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