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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para a persistência da corrupção, da violência e das violações dos direitos humanos no Sudão do Sul, a poucos meses das eleições previstas para Dezembro deste ano. A advertência surge depois de uma comissão de direitos humanos das Nações Unidas ter concluído que o país não registou progressos significativos na luta contra a corrupção e na estabilização política.

O Governo sul-sudanês pretende realizar as eleições em Dezembro, naquela que será a primeira votação desde a independência do país, conquistada há 15 anos. Entretanto, a situação política e de segurança continua marcada por fortes tensões entre as forças leais ao Presidente Salva Kiir e as ligadas ao líder da oposição, Riek Machar.

Segundo a comissão da ONU, o agravamento dos confrontos ocorre num contexto de colapso do acordo de partilha de poder entre os dois rivais políticos. A instabilidade tem sido acompanhada por graves violações dos direitos humanos, incluindo assassinatos, deslocamentos forçados, violência sexual e detenções arbitrárias.

A comissão considera que continuam ausentes várias condições necessárias para a realização de eleições pacíficas, livres e credíveis. O espaço político e cívico no país terá igualmente diminuído, dificultando a participação e a actuação de diferentes sectores da sociedade.

No domínio da corrupção, a ONU afirma que pouco mudou desde a publicação, no ano passado, de um relatório que denunciava o desvio de milhares de milhões de dólares provenientes das receitas petrolíferas por elites governamentais.

Os recursos, segundo o documento, terão sido desviados enquanto o país continuava com graves carências em áreas fundamentais, como educação, saúde e construção de instituições públicas.

O comissário da ONU, Carlos Castresana Fernandez, defendeu a realização de investigações independentes às alegadas violações e práticas de corrupção, alertando que a impunidade contribui para o agravamento da violência.

Por sua vez, a presidente da comissão, Yasmin Sooka, afirmou que os padrões de violação dos direitos humanos pouco se alteraram, enquanto o custo humano da crise continua a aumentar.

As eleições no Sudão do Sul já foram adiadas duas vezes, em 2022 e 2024, devido à incapacidade do Governo de criar as condições e estruturas necessárias para a sua realização.

A recente ordem do presidente queniano William Ruto para fechar pequenos negócios de propriedade de imigrantes gerou pânico no país. Mas agora, buscando reverter a situação, o Quénia alertou os trabalhadores estrangeiros de que eles têm 90 dias para regularizar sua situação.

O ministro das Relações Exteriores do Quénia insistiu que as novas regras não representam uma proibição total. Musalia Mudavadi afirmou: “O Quénia não está implementando uma proibição geral para estrangeiros que atuam em pequenos negócios, mas busca garantir que sua participação esteja em conformidade com o Protocolo do Mercado Comum da Comunidade da África Oriental e com a legislação nacional aplicável.”

O anúncio de Ruto gerou temores de que o Quênia pudesse presenciar o tipo de violência xenófoba vivenciada na África do Sul nos últimos meses. Nairóbi procurou dissipar essas preocupações.

Musalia Mudavadi afirmou: “O Quénia está aberto ao comércio em pequena e grande escala por parte de estrangeiros, desde que cumpram os requisitos de imigração, autorização de trabalho, registro e licenciamento. A abordagem do Quênia é, portanto, mais regulatória do que discriminatória.”

O anúncio inicial causou particular preocupação entre muitos burundianos que ganham a vida vendendo produtos nas ruas de Nairóbi.

No início da semana, centenas de burundianos acorreram à embaixada do Quénia, buscando retornar para casa. Em seguida, o ministro adjunto das Relações Exteriores do Quênia emitiu um pedido de desculpas, antes que o gabinete do presidente declarasse que “realizará um processo de regularização ordenado” nos próximos 90 dias para garantir que os migrantes possuam a documentação correcta.

Manifestantes na África do Sul deram até 30 de Setembro aos imigrantes em situação irregular para abandonarem o país, ameaçando realizar protestos de maior dimensão caso as suas exigências não sejam atendidas.

Os protestos semanais têm continuado na cidade de Durban, onde o movimento March and March ganhou força nos últimos meses. O líder do movimento, Sphelele Shinga, estima que até 1,5 milhão de pessoas possam participar na próxima grande manifestação.

Shinga afirmou que os activistas pretendem realizar uma mobilização de grande dimensão no dia 30 de Setembro, para exigir a saída dos imigrantes sem documentos da África do Sul.

“Todas as comunidades estão a reunir-se novamente. Estão a despertar, a defender as suas casas e o seu país”, afirmou o líder do movimento.

Entretanto, o grupo decidiu alterar a data da manifestação devido a preocupações relacionadas com a segurança, depois de vários meses de protestos nas ruas.

A situação tem também afectado refugiados que permanecem nas ruas enquanto aguardam pela verificação da sua documentação. Uma refugiada ganesa, Princesa Adjei, afirmou que a situação se tornou insustentável.

“Não podemos continuar a dormir nas ruas para sempre. Pessoas já morreram por dormirem na rua”, disse Adjei, acrescentando que o grupo aguardava por autocarros enquanto os seus documentos eram verificados.

Durante a manifestação, activistas pela paz, entre os quais Ela Gandhi, permaneceram ao lado dos refugiados. A antiga deputada e neta de Mahatma Gandhi criticou a retórica adoptada pelos manifestantes contra os imigrantes.

Para Ela Gandhi, as acusações de que os migrantes são responsáveis pelos principais problemas enfrentados pela África do Sul são infundadas.

“A retórica que essas pessoas estão a usar é completamente falsa. Não são os migrantes que estão a causar os problemas de que falam”, afirmou.

O prazo estabelecido para 30 de Setembro aumenta, assim, o risco de novas manifestações de grande dimensão em Durban, num contexto de crescente tensão em torno da imigração e da permanência de estrangeiros em situação irregular no país.

A Federação Africana de Futebol (FMF) aceitou a transferência para a cidade de Maputo do jogo da primeira jornada de qualificação ao CAN 2027 entre Moçambique e Senegal. A partida, inicialmente marcada para Dakar, será disputada no Estádio Nacional do Zimpeto, no dia 25 de Setembro.

O adversário dos Mambas nesta partida, Senegal, não tem o estádio disponível para o jogo, que estava inicialmente marcado para ser disputado em Dakar.

“O jogo da 1.ª Jornada da Fase de Qualificação para a Taça Africana das Nações (Pamoja 2027), entre Senegal e Moçambique, inicialmente previsto para o dia 25 de Setembro de 2026, no Stade Abdoulaye Wade, em Dakar, será realizado no Estádio Nacional do Zimpeto, em Maputo. A alteração resulta de um pedido da Federação Senegalesa de Futebol, devido à indisponibilidade do Stade Abdoulaye Wade, que estará ocupado com jogos dos Jogos Olímpicos da região.”, lê-se no comunicado da Federação Moçambicana de Futebol.

Em termos práticos, o que houve foi uma permuta, e assim,  Senegal irá acolher a partida da 5.ª jornada em Dakar. A alteração apenas oferece oportunidade de Moçambique aproveitar a condição de anfitrião na primeira partida do grupo, e realizar dois jogos seguidos sem desgaste de viagem, porque segundo o comunicado…

“Mantém-se inalterado o jogo da 2.ª Jornada, com o Sudão, agendado para 29 de Setembro de 2026, às 15h00, no Estádio Nacional do Zimpeto.”

A FMF termina apelando a todos os moçambicanos a afluir ao estádio para apoiar os Mambas.

Magistrados de Moçambique, África do Sul, Angola, Zimbabwe, Tanzânia, Brasil e Portugal estão reunidos na cidade da Beira, no V Colóquio Internacional de Direito Processual, promovido anualmente pelo Tribunal Supremo. 

O encontro deste ano tem como lema “Promoção e proteção integral dos direitos da criança: um compromisso do sistema judicial”. O objectivo central do colóquio é capacitar tecnicamente os magistrados e promover a aplicação uniforme das leis nacionais e internacionais, assegurando que em cada decisão judicial prevaleça o superior interesse da criança. 

Para os organizadores, proteger a criança é proteger a dignidade humana, defender a família e, em última instância, fortalecer o Estado de Direito. O tema não foi escolhido ao acaso. É uma prioridade assumida ao mais alto nível pelo sistema judicial moçambicano como orientação para todo o ano. “Falar de direitos da criança é falar do próprio sentido da justiça, sobretudo quando se trata dos mais vulneráveis”, defende o Tribunal Supremo. 

Na óptica dos magistrados, é preciso construir uma “justiça amiga da criança”. “Às vezes utilizamos palavras e procedimentos que podem ser perfeitamente compreendidos pelos profissionais do direito, mas que podem ser muito difíceis para uma criança. Uma justiça amiga da criança é uma justiça que sabe comunicar com ela, que respeita a sua idade e maturidade, e que procura evitar que a criança sofra novamente por causa do próprio processo”, afirmou Neide Correia, presidente do parlamento infantil. 

Na agenda de debates estão temas sensíveis como alienação parental, abandono afetivo, guarda compartilhada e a proteção de crianças vítimas de conflito armado. Assuntos que, segundo os participantes, exigem rigor técnico, mas também muita sensibilidade humana. O colóquio alerta ainda para o impacto da pobreza. “A pobreza continua a privar milhões de crianças do pleno exercício dos seus direitos. Uma criança que cresce na pobreza têm maior probabilidade de abandonar a escola, de enfrentar situações de violência, de ser explorada ou de entrar em contacto com o sistema de justiça”, lembrou Mary Louise, representante da UNICEF no evento. Um dos principais propósitos é criar mecanismos para o fortalecimento da cultura jurídica e encontrar uma plataforma comum de atuação entre a justiça formal e os sistemas comunitários de proteção. 

“O compromisso com os direitos da criança não deve ser apenas uma declaração institucional, deve traduzir-se em decisões, em políticas, práticas e comportamentos concretos. Cada processo que envolve uma criança representa uma história de vida. Proteger uma criança é investir numa sociedade mais justa, mais solidária e mais humana. Sejamos capazes de transformar o conhecimento em acção e os princípios em práticas ”, apelou Adelino Muchanga, Presidente do Tribunal Supremo.

A Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e o Fundo de Fomento de Habitação (FFH) assinaram, esta quinta-feira, em Maputo, um Memorando de Entendimento para reforçar a cooperação no desenvolvimento de projectos habitacionais e na protecção financeira das famílias.

A parceria prevê a criação de um pacote de seguros destinado aos beneficiários dos projectos de habitação social do FFH, o desenvolvimento de projectos para a construção de um condomínio residencial para os colaboradores da EMOSE e a identificação de novas oportunidades de investimento imobiliário em todo o país.

O Presidente do Conselho de Administração da EMOSE, Janfar Abdulai, considera que a parceria vai além de uma relação comercial e permitirá reforçar a protecção das famílias de baixa renda.

“Este memorando vai além de uma simples parceria comercial. Estamos a criar uma rede de segurança financeira real para os moçambicanos que beneficiam da habitação social. Ao associar a experiência em seguros da EMOSE aos projectos do FFH, garantimos que as famílias não percam os seus lares em momentos de vulnerabilidade, ao mesmo tempo que valorizamos o nosso capital humano com habitação condigna”, afirmou.

Por seu turno, o PCA do FFH, Amorim Pery, disse que a parceria está alinhada com os objectivos do Governo de promover a inclusão urbana e a sustentabilidade habitacional.

“O nosso foco é garantir que o acesso à habitação digna venha acompanhado de sustentabilidade a longo prazo. A colaboração com a EMOSE permite-nos desenhar soluções técnicas robustas para novas infra-estruturas e, acima de tudo, salvaguardar os investimentos dos mutuários através de produtos de protecção financeira inovadores e acessíveis”, realçou.

As duas instituições defendem que a cooperação poderá contribuir para a criação de soluções habitacionais mais seguras, sustentáveis e inclusivas, associando a construção de casas a mecanismos de protecção financeira para os beneficiários.

Mais de quatrocentas mil pessoas continuam a consumir água imprópria em nove distritos da província de Gaza. A situação agravou-se com a seca, cheias e inundações que afectaram mais de 220 sistemas de abastecimento. Para mitigar o sofrimento das comunidades, o Governo diz necessitar de construir, com urgência, 200 sistemas de abastecimento de água.

O défice de acesso à água continua a ser um dos principais desafios da província de Gaza, admitiu, nesta quinta-feira, o director provincial da Obras Públicas, João Chivambo, que apontou as zonas rurais com ponto de maior incidência na sequência da dispersão da população.

“A taxa de cobertura de abastecimento de água é 70,03% e a nossa população na província de Gaza é cerca de 1,5 milhão, aproximadamente 1,1 milhão na zona rural, e é onde temos o maior desafio”, explica João Chivambo.

Segundo o responsável, a população não abrangida pela rede de abastecimento ultrapassa 400 mil habitantes. Para reduzir este défice, a província estima que sejam necessários “um pouco mais de 200 sistemas” de abastecimento de água.

As cheias contribuíram para agravar as dificuldades, afectando infra-estruturas de abastecimento de água em vários distritos da província.

No distrito de Chókwè, foram directamente afectados 50 sistemas de abastecimento de água e 101 bombas manuais, segundo Carmindo Chivoze, director distrital de Planeamento de Chókwè.

Dos 50 sistemas afectados, 15 permanecem inoperacionais, estando já identificados para reabilitação. Deste universo, 14 deverão ser reabilitados através da FIBAS e um pelo parceiro Servtech.

Em relação às bombas manuais, Chivoze explica que parte das infra-estruturas já foi intervencionada, embora persistam pontos considerados críticos no distrito.

“Temos alguns pontos críticos”, refere o director distrital de Planeamento, apontando localidades como Sovéia, Candiza, Maluluani, Cumba, Tititi e Mpunguane.

Em Guijá, as cheias afectaram 21 furos de bombas manuais e quatro sistemas de abastecimento de água, havendo ainda registo de contaminação do lençol freático.

Os dados são avançados por Rosa Wate, directora distrital de Planeamento de Guijá, que explica que 11 furos de bombas manuais já foram reabilitados, enquanto dois sistemas de abastecimento de água foram recuperados, nomeadamente os de Empanguane e Ndonga.

A nível dos distritos de Chókwè, Guijá, Massingir, Chibuto e Xai-Xai, foram contabilizados 25 sistemas de abastecimento de água e 207 fontes dispersas afectadas pelas cheias.

Segundo os dados apresentados, 38 fontes dispersas foram reparadas, 22 desinfectadas e dois sistemas de abastecimento de água reabilitados. Apesar das intervenções realizadas, as autoridades do governo em Gaza reconhecem que o problema permanece. A dispersão da população, sobretudo nas zonas rurais, continua a exigir avultados investimentos para  expansão das infra-estruturas de abastecimento.

A Cimentos de Moçambique está a investir cerca de 150 milhões de dólares na modernização e expansão da capacidade produtiva das suas fábricas de Nacala, Dondo e Matola. Os investimentos incluem a reabilitação e instalação de novos fornos e deverão reforçar a produção nacional de clínquer, reduzindo a necessidade de importações e, consequentemente, a saída de divisas do país.

Segundo o Director Comercial da Cimentos de Moçambique, Ailton Novele, os investimentos fazem parte de um processo de transformação da base industrial da empresa, que actualmente conta com quatro fábricas no país.

Em Nacala, a empresa concluiu recentemente um projecto de remodelação que envolveu praticamente a construção de uma nova unidade de produção. O novo forno tem capacidade para produzir três mil toneladas de clínquer por dia e foi inaugurado pelo Presidente da República no mês passado.

No Dondo, a Cimentos de Moçambique também colocou em funcionamento um forno com capacidade para três mil toneladas de clínquer por dia, enquanto na Matola foi reabilitado e comissionado um forno com capacidade de duas mil toneladas diárias.

“Estamos a falar de investimentos grandes, que directamente têm um impacto enorme na economia, concretamente no que concerne à poupança de divisas”, explica Ailton Novele.

A aposta na produção local de clínquer surge num contexto em que a indústria cimenteira moçambicana tem recorrido à importação desta matéria-prima para responder às necessidades do mercado. Com o reforço da capacidade instalada, a Cimentos de Moçambique pretende reduzir progressivamente essa dependência e libertar recursos em moeda estrangeira para outros sectores da economia.

A estratégia tem também uma componente de geração de emprego. Só a unidade de Nacala deverá criar cerca de 150 postos de trabalho directos e indirectos, enquanto a empresa prevê alcançar números semelhantes com o reforço das operações no Dondo e na Matola.

A criação de oportunidades tem ocorrido igualmente durante as fases de construção e reabilitação das unidades industriais. A empresa diz estar a privilegiar a contratação de mão-de-obra local, incluindo jovens, tanto nas obras das fábricas como nas intervenções realizadas nas pedreiras.

“Em Nacala foi a mesma coisa, tanto na fase de construção como na fase de implementação haverá oportunidades para mais jovens moçambicanos”, afirma o Director Comercial.

Para além dos investimentos nas três fábricas, a Cimentos de Moçambique está a intervir também na sua cadeia de fornecimento de matérias-primas. Em Mwanza, por exemplo, decorrem trabalhos de remodelação da pedreira, envolvendo igualmente a contratação da população local.

A empresa considera que o reforço da produção nacional pode contribuir para tornar a indústria cimenteira mais robusta e reduzir a exposição do sector às necessidades de importação.

Foi neste contexto que a Cimentos de Moçambique participou na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo, FACIM, onde apresentou parte da sua actividade industrial e os investimentos realizados no país.

A empresa levou para a feira uma exposição destinada a mostrar o seu contributo para a economia nacional e aproximar-se de potenciais parceiros, fornecedores e investidores. A participação teve ainda como objectivo despertar o interesse dos jovens pelas áreas de engenharia e produção industrial.

Com mais de três mil empresas presentes na FACIM, a Cimentos de Moçambique esperava aproveitar o evento para estabelecer novas parcerias comerciais, identificar fornecedores e explorar oportunidades de negócio, mantendo também o apoio à iniciativa do Governo de promoção do investimento e do sector privado nacional.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defende a actuação do seu Governo perante a crise migratória em Ceuta, onde cerca de 80 mil migrantes terão tentado entrar no território espanhol no final de Julho.

Numa entrevista de uma hora à televisão estatal espanhola, Sánchez reconheceu a necessidade de reforçar a preparação do Estado para responder ao que classificou como “ataques híbridos”, tendo em conta a localização de Ceuta e Melilla, duas cidades autónomas espanholas situadas no Norte de África e que fazem fronteira com Marrocos.

O chefe do Governo espanhol considera que a localização das duas cidades lhes confere uma “singularidade muito importante”, defendendo, por isso, o reforço da capacidade de resposta às situações de emergência migratória.

A crise em Ceuta tem gerado crescente preocupação entre os moradores, perante a chegada de milhares de migrantes e a limitada capacidade da pequena comunidade para acolher um fluxo desta dimensão.

Sánchez admitiu a necessidade de aumentar as infra-estruturas de acolhimento, de modo a garantir melhores condições aos migrantes que chegam à cidade.

O primeiro-ministro espanhol defendeu igualmente a actuação dos serviços de inteligência na previsão dos fluxos migratórios, mas reconheceu que esta é uma das áreas que precisa de ser aperfeiçoada para permitir uma resposta mais eficaz às futuras crises.

Sánchez confirmou ainda que o Rei Felipe VI deverá visitar Ceuta, embora não tenha avançado a data da deslocação.

Enquanto isso, milhares de migrantes permanecem em condições precárias, alojados em tendas improvisadas instaladas numa praia da cidade. Segundo informações divulgadas, os migrantes recebem apenas uma refeição por dia, fornecida pela Cruz Vermelha.

O acampamento tem sido também palco de manifestações de grupos que, há várias semanas, pressionam pela retirada dos migrantes de Ceuta. Os manifestantes alegam que a situação resulta daquilo que consideram ser uma resposta insuficiente do Governo espanhol à crise humanitária.

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