Transformar o Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, criar um Tribunal de Contas, garantir autonomia financeira ao poder judicial e reforçar a justiça eleitoral, bem como o combate à corrupção, são algumas das principais propostas constantes no Pacto pela Justiça e Estado de Direito Democrático.
O documento foi apresentado durante o Congresso da Justiça, realizado recentemente na cidade de Maputo, tendo o seu texto final sido tornado público esta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República.
Para responder aos desafios enfrentados pelo sector, o Segundo Fórum da Justiça, realizado há uma semana na capital do País, recomendou um conjunto de reformas estruturais consideradas essenciais para o fortalecimento do sistema judicial.
Entre as principais propostas destacam-se a transformação do Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, a conversão do Tribunal Administrativo em Supremo Tribunal Administrativo e a criação de um Tribunal de Contas.
Para além destas alterações institucionais, o documento de 18 páginas defende igualmente o reforço da independência dos tribunais, com enfoque na autonomia administrativa e financeira do poder judicial.
O pacto propõe ainda a constitucionalização da fixação de uma percentagem do Orçamento do Estado destinada ao sector da Justiça, de forma a garantir uma autonomia financeira efectiva e progressiva.
No capítulo eleitoral, o documento sublinha que a credibilidade dos resultados constitui uma condição essencial para a paz e estabilidade no País, alertando que Moçambique não deve continuar a enfrentar crises pós-eleitorais evitáveis através da implementação de reformas estruturais.
“O País não pode continuar a assistir a crises pós-eleitorais evitáveis, quando existem reformas que estão ao alcance do Estado”, refere o documento.
O Pacto pela Justiça dedica igualmente atenção ao combate à corrupção no sistema judicial, classificando o fenómeno como uma das mais graves ameaças ao Estado de Direito.
“A corrupção no sistema de justiça é a mais grave das traições ao Estado de Direito, porque subverte o único árbitro que os cidadãos têm para defender os seus direitos”, lê-se no documento.
Para enfrentar este problema, são propostas medidas como a criação de canais confidenciais de denúncia, o reforço da fiscalização das declarações patrimoniais dos magistrados e uma maior cooperação entre as instituições de justiça e a sociedade civil.
O Clube de Desportos do Maxaquene anunciou a saída do treinador principal Mauro Jamal e do seu adjunto, Jossias Mazive, numa decisão que surge em resposta à sequência de maus resultados registados pela equipa no arranque da temporada.
O fim da ligação entre o técnico e o histórico emblema “tricolor” foi confirmado pelo próprio Mauro Jamal, que revelou ter chegado a um entendimento com a direcção do clube para a rescisão do contrato, após apenas seis meses no comando técnico da equipa.
A decisão acontece poucos dias depois da eliminação prematura do Maxaquene na Fase da Cidade da Taça de Moçambique. No último sábado, os “tricolores” foram derrotados por 2-1 pela Liga Desportiva de Maputo, formação que compete no segundo escalão do futebol moçambicano, resultado que precipitou o afastamento da prova.
Contudo, a eliminação na Taça foi apenas o culminar de um período difícil vivido pelo clube. De regresso ao Moçambola nesta temporada, após garantir a promoção no ano passado, o Maxaquene atravessa um dos piores inícios de campeonato da sua história recente.
Decorridas cinco jornadas, a equipa ocupa a 12.ª posição da tabela classificativa, sem conhecer o sabor da vitória. Os números espelham a crise de resultados: apenas dois pontos conquistados, fruto de dois empates e três derrotas, um único golo marcado e seis sofridos.
A fragilidade ofensiva tem sido uma das principais preocupações da equipa técnica e dos adeptos, numa formação que tem encontrado dificuldades para transformar posse de bola e oportunidades em golos. A falta de eficácia no ataque contrasta com as expectativas criadas em torno do regresso do clube à principal competição nacional.
Com a saída de Mauro Jamal, a direcção do Maxaquene procura agora encontrar rapidamente um novo treinador capaz de inverter a tendência negativa e devolver estabilidade competitiva à equipa. O principal objectivo passa por assegurar a permanência no Moçambola e evitar que o histórico clube volte a enfrentar problemas de despromoção.
Fundado em 1920, o Maxaquene é um dos clubes mais emblemáticos do futebol moçambicano, com um vasto palmarés nacional e reconhecido por ter formado algumas das maiores figuras do desporto africano, entre as quais Eusébio da Silva Ferreira. O actual momento, porém, exige respostas rápidas para impedir que a crise desportiva se aprofunde.
Enquanto a direcção avalia possíveis substitutos para o comando técnico, os adeptos aguardam uma reacção da equipa que permita recolocar o clube no caminho dos bons resultados e da estabilidade competitiva.
A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, recebeu, nesta segunda-feira, na sede do Parlamento, em Maputo, o embaixador da República Federal da Alemanha acreditado em Moçambique, Ronald Münch, num encontro que marcou a apresentação de cumprimentos de despedida do diplomata.
Durante a audiência, o embaixador alemão fez um balanço da sua missão no País, destacando os principais marcos da cooperação bilateral entre Moçambique e a Alemanha. Münch sublinhou o potencial do povo moçambicano e a importância de aprofundar as relações nos domínios político, económico, social e da cooperação para o desenvolvimento.
O diplomata enalteceu ainda os laços históricos que unem os dois países, construídos ao longo de décadas através de intercâmbios académicos, profissionais e culturais. Manifestou igualmente interesse na continuidade e no reforço da cooperação entre os parlamentos de Moçambique e da Alemanha, incluindo a possibilidade de realização de encontros virtuais entre representantes das duas instituições legislativas.
Por seu turno, o porta-voz da presidente da Assembleia da República, Oriel Chemane, afirmou que Margarida Talapa felicitou o diplomata pelo trabalho desenvolvido ao longo da sua missão em Moçambique, considerando que a sua actuação contribuiu para o fortalecimento das relações de amizade e cooperação entre os dois povos.
Segundo Chemane, a presidente da Assembleia da República expressou ainda o reconhecimento pelo apoio multiforme prestado pela República Federal da Alemanha a Moçambique em diversos sectores de desenvolvimento, com destaque para a assistência em situações de emergência provocadas por desastres naturais que afectam ciclicamente o País.
A líder parlamentar agradeceu igualmente o contínuo apoio alemão ao processo de desenvolvimento nacional, sublinhando o contexto internacional marcado pela redução dos recursos destinados à cooperação para o desenvolvimento.
O encontro foi descrito como uma ocasião de reafirmação das boas relações entre os dois países e de compromisso com a continuidade da cooperação institucional e diplomática.
A selecção nacional de futebol, os Mambas, procura, nesta terça-feira, reencontrar-se com os bons resultados quando defrontar a Indonésia, em partida amigável da Data-FIFA, marcada para o Estádio Gelora Bung Karno, em Jacarta.
Depois da derrota por 4-1 diante de Omã, os Mambas chegam ao confronto com a Indonésia determinados a corrigir os erros identificados no primeiro teste realizado em solo asiático e a demonstrar uma imagem mais próxima daquela que permitiu à equipa alcançar resultados positivos nos últimos meses.
Para Dário Melo, o grupo já identificou as falhas que comprometeram o desempenho frente aos omanenses. O médio acredita que a resposta poderá surgir diante dos anfitriões.
“Para o jogo de ontem (domingo), eu acho que nos faltou um pouco de concentração e acabámos por pagar caro pelos erros. Mas para o jogo de amanhã (hoje) estamos convictos de que iremos vencer e seremos vitoriosos contra a Indonésia”, afirmou.
O jogador reconhece que a selecção moçambicana terá pela frente um ambiente difícil, num estádio que deverá estar repleto de adeptos indonésios, mas considera que o apoio do público local não será determinante.
“Sabemos que estamos no País deles e vai ser um pouco difícil por causa do apoio dos adeptos, mas tenho certeza de que iremos ser vitoriosos”, sublinhou.
Dário Melo aproveitou igualmente para deixar uma mensagem aos adeptos moçambicanos, apelando à confiança na equipa apesar do resultado negativo registado diante de Omã.
“Peço aos moçambicanos que continuem a apoiar-nos e não fiquem desanimados com o resultado de domingo. Amanhã (referindo-se a hoje), vamos procurar dar uma resposta positiva”, declarou.
Também o capitão Edmilson Dove mostrou confiança na capacidade de reacção da equipa nacional, embora reconheça que a exibição diante de Omã ficou aquém das expectativas.
“Tivemos um jogo menos conseguido e estamos cientes de que nem tudo aquilo que fizemos nos saiu da melhor forma possível. Já estamos a trabalhar para melhorar os aspectos que temos de corrigir e manter as poucas coisas boas que fizemos durante os 90 minutos”, referiu.
O experiente defesa considera que a equipa deve encarar o próximo desafio com optimismo e espírito de crescimento.
“O objectivo é sempre crescer. Nem tudo aquilo que desejamos corre da melhor forma possível, mas estamos de cabeça levantada e focados no jogo de amanhã, na esperança de conseguirmos um resultado positivo”, acrescentou.
Sobre o ambiente que os Mambas encontrarão em Jacarta, Dove reconhece a força do apoio dos adeptos da casa, mas garante que a selecção está preparada para o desafio.
“Os adeptos vão naturalmente apoiar a equipa da casa, mas este é um momento para desfrutar e representar Moçambique da melhor forma possível, sem olhar para o resultado passado e com uma mentalidade positiva.”
O capitão destacou ainda o ambiente vivido no seio da selecção nacional, sobretudo numa convocatória marcada pela integração de vários estreantes.
“O ambiente é de harmonia e de família. Todos os que chegam são bem-vindos porque vêm para ajudar e dar o seu contributo. Aqui não existem hierarquias, somos todos iguais e estamos todos aqui para representar Moçambique”, afirmou.
O duelo entre Moçambique e Indonésia será histórico, já que marcará o primeiro confronto entre as duas selecções. Para os Mambas, a partida representa não apenas uma oportunidade de recuperação após a derrota frente a Omã, mas também um importante teste no processo de preparação para os próximos compromissos oficiais, incluindo as qualificações para o Campeonato Africano das Nações, em Setembro e Outubro.
A expectativa da equipa técnica liderada por Chiquinho Conde é que a selecção apresente maior consistência defensiva, melhor aproveitamento das oportunidades criadas e uma atitude competitiva capaz de traduzir em campo a confiança demonstrada pelos jogadores na antevisão ao encontro.
O Parque Nacional de Zinave tornou-se a primeira área de conservação de Moçambique a acolher rinocerontes brancos, numa operação que marca um momento histórico para a preservação da biodiversidade e para o turismo de natureza no País.
Os animais foram translocados a partir do Parque Nacional do Kruger, na África do Sul, numa operação que envolveu uma viagem de mais de mil quilómetros até ao seu novo habitat, na província de Inhambane. A iniciativa insere-se nos esforços de repovoamento e restauração ecológica em curso no parque.
Com esta introdução, o Zinave passa a integrar o grupo das áreas de conservação nacionais que albergam espécies emblemáticas da fauna africana, reforçando a sua posição como um dos principais santuários de vida selvagem em Moçambique.
Segundo o administrador do Parque Nacional de Zinave, António Abacar, a chegada dos rinocerontes representa um passo significativo na consolidação da diversidade animal da reserva.
“Faz com que a população cresça um pouco mais. Estamos a falar de uma população já significativa de animais dentro do parque. Esta espécie vem complementar aquilo que é a referência dos Big Five, que incluem o rinoceronte, o elefante, o leão, o leopardo e o búfalo”, afirmou.
O responsável destacou ainda que o parque regista actualmente um crescimento contínuo da fauna, resultado dos programas de repovoamento implementados nos últimos anos.
“Envolvemos 16 espécies diferentes até este momento e estamos a notar que a população vai crescer. No ano passado, fizemos uma contagem aérea simbólica e apurámos que temos mais de 5 mil animais dentro do sistema”, acrescentou.
O regresso de espécies de grande porte ao Zinave é visto pelas autoridades como um indicador de recuperação ecológica, após anos de intervenções de reabilitação do ecossistema e reforço das medidas de conservação.
Paralelamente, o parque enfrenta desafios relacionados com a exploração ilegal de recursos naturais e a caça furtiva, embora as autoridades garantam que a pressão tem vindo a diminuir.
“O grande problema, neste momento, é a exploração florestal dentro do parque, com destaque para espécies específicas. Isto nos preocupa, mas estamos a trabalhar com as comunidades. Em relação à caça, é mínima, neste momento, e não temos presença de armas de grande calibre dentro do sistema”, explicou António Abacar.
O administrador sublinhou ainda o impacto positivo das campanhas de sensibilização realizadas junto das comunidades locais, incluindo programas de entrega voluntária de armas em anos anteriores, o que contribuiu para a redução de práticas ilegais.
Parceira do processo de recuperação do parque há cerca de uma década, a Peace Parks Foundation considera que os investimentos realizados estão a produzir resultados concretos, tanto na conservação da fauna como no desenvolvimento sustentável das áreas circundantes.
O impacto já se faz sentir também no turismo. No último ano, cerca de 500 visitantes escolheram o Parque Nacional de Zinave como destino, número que tende a aumentar com a crescente visibilidade do parque como um dos poucos locais da região onde é possível observar os chamados “Big Five”.
Com a chegada dos rinocerontes brancos, Zinave reforça o seu posicionamento como destino emergente do turismo de conservação em África, ampliando o potencial da província de Inhambane como referência nacional na área do ecoturismo.
O secretário de Estado na província de Niassa, Silva Livone, determinou a suspensão e banimento de várias entidades ligadas à exploração e gestão de áreas de conservação na província, incluindo a Sociedade Búfalo Safar, a Sociedade Nhali Kanga e a empresa WCS, no âmbito de uma decisão que visa reestruturar a administração da Reserva Especial do Niassa.
As medidas foram anunciadas durante uma reunião de trabalho em Lichinga e incluem ainda a suspensão da direcção da Reserva Especial do Niassa, abrangendo o administrador da unidade e toda a equipa de gestão em funções.
Segundo o governante, as forças de segurança deverão ocupar imediatamente as áreas abrangidas pelas decisões, garantindo o controlo do território até novas instruções das autoridades centrais.
“A Sociedade Búfalo Safar está banida na nossa província. A Polícia da República de Moçambique e outras forças de segurança devem ocupar esta área até novas ordens”, declarou.
Na mesma intervenção, Silva Livone anunciou igualmente a suspensão temporária da Sociedade Nhali Kanga, no distrito de Marupa, com efeitos imediatos.
“Fica suspensa a actividade da Sociedade Nhali Kanga, com ocupação do local pelas forças de segurança até novas ordens”, afirmou.
O secretário de Estado foi mais longe ao determinar a cessação de qualquer relação institucional com a empresa WCS, ordenando a retirada de todos os seus elementos do território provincial.
“Qualquer elemento da WCS que entrar no aeroporto de Lichinga ou em qualquer área da província deve ser imediatamente recolhido. A nossa relação com a WCS terminou até novas ordens”, declarou.
Silva Livone anunciou ainda a criação de uma equipa multissectorial para assumir a gestão interina da Reserva Especial do Niassa, liderada por Adelino Emílio Cidione, chefe do Departamento Provincial de Fiscalização no Serviço Provincial do Ambiente.
A equipa será coadjuvada por outros técnicos e por representantes das forças de defesa e segurança, que actuarão em coordenação com o objectivo de garantir a protecção da área de conservação.
O governante determinou igualmente o reforço da presença da Polícia de Protecção dos Recursos Naturais e outras unidades de segurança, defendendo uma actuação firme perante eventuais ameaças.
“Se houver ameaça, deve-se responder à altura, incluindo o terrorismo, porque conhecemos os modos de actuação destas pessoas na província”, afirmou.
A decisão inclui ainda a comunicação formal ao ministro da Agricultura, Ambiente e Pesca, Roberto Mito Albino, a quem caberá a validação das medidas ao nível do Governo central.
Silva Livone justificou as medidas com alegadas falhas de coordenação entre operadores, gestão da reserva e comunidades locais, apontando conflitos recorrentes entre homem e fauna bravia.
“Ficou comprovado que há fraco compromisso entre operadores, direcção da reserva e comunidades locais, com arrogância e má actuação, o que tem contribuído para o conflito homem-fauna-bravia”, referiu.
O governante sublinhou que o objectivo das decisões é reforçar a protecção da fauna e flora, garantir a segurança das populações e promover o desenvolvimento sustentável da província do Niassa.
Volvidas 72 horas desde o assassinato do bispo da Diocese de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, continuam por esclarecer as circunstâncias do crime que chocou a comunidade católica e a sociedade moçambicana. Até ao momento, nem o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) nem a Diocese de Quelimane divulgaram informações sobre os possíveis autores ou motivações do homicídio.
Enquanto decorrem as investigações, a residência episcopal transformou-se num local de peregrinação e solidariedade. Fiéis, líderes religiosos, académicos e representantes de diferentes sectores sociais têm ido ao local para prestar homenagem ao prelado, assassinado na madrugada de sábado.
Entre as manifestações de pesar destaca-se a visita de membros da Comunidade Muçulmana Nativa, que expressaram consternação pela morte de uma figura reconhecida pelo diálogo inter-religioso e pela promoção da convivência pacífica.
“O falecimento do Reverendíssimo Bispo acabou sendo um grande pesadelo para nós. Não há motivos para tirar a vida de um líder que nunca fez mal a ninguém, um homem de convivência e de irmandade. Precisamos que este caso seja esclarecido porque é preocupante para todos nós”, afirmou Augusto Nobre, membro da Comunidade Muçulmana Nativa.
Também o docente universitário Gaudêncio Material destacou o legado de proximidade deixado por Dom Osório Citora Afonso.
“Foi um bispo que aproximava todas as camadas sociais e até visitava comunidades de outras religiões. Transmitia a mensagem de um pastor que procurava unir a sociedade. Não pode haver pessoas destinadas a morrer naturalmente e outras vítimas de assassinatos”, lamentou.
À medida que cresce a expectativa em torno dos resultados das investigações, especialistas defendem a necessidade de um trabalho forense rigoroso para o esclarecimento do caso.
O capitão na reserva Abdul Machava, com formação em Balística, considera que a natureza do crime sugere uma acção executada com elevado grau de preparação. Segundo a sua análise preliminar, baseada nas informações conhecidas até ao momento, a investigação deverá concentrar-se na trajectória do projéctil, na localização dos impactos secundários e nos vestígios deixados pela munição.
“É fundamental que a investigação seja conduzida com base em evidências científicas. A análise da trajectória do disparo, da distância do atirador e dos vestígios balísticos poderá ajudar a construir o perfil do autor e a compreender a dinâmica do crime”, explicou.
Machava alertou ainda para a necessidade de reforçar a componente forense das investigações criminais no País.
“Não podemos continuar a assistir a incidentes desta natureza sem respostas claras. É preciso recolher dados cientificamente sustentados que permitam determinar quem fez, como fez e em que circunstâncias actuou”, defendeu.
A morte de Dom Osório Citora Afonso continua a gerar profunda comoção em Quelimane e em várias partes do País. Reconhecido pelo seu trabalho pastoral, pela defesa da paz e pela promoção do diálogo entre comunidades religiosas, o bispo era considerado uma das figuras mais respeitadas da Igreja Católica na região Centro de Moçambique.
À medida que avançam as investigações, familiares e fiéis aguardam respostas das autoridades sobre um crime que abalou, não apenas a Diocese de Quelimane, mas também a sociedade moçambicana, no seu todo.
As pessoas com deficiência solicitam ao Governo que inclua o protector solar na lista de medicamentos, de modo a beneficiar de isenção de taxas fiscais, conforme prevê a Lei de Promoção e Protecção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A informação foi avançada nesta segunda-feira, durante o lançamento da semana de consciencialização para respeito pelos direitos desta classe social.
Dois anos depois da aprovação da Lei sobre Deficiência, que prevê que os protectores solares destinados a pessoas com deficiência beneficiem de isenção de taxas de importação, as pessoas com albinismo continuam a sofrer com taxas aduaneiras.
Nesta segunda-feira, o Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência, FAMOD, juntou-se à organização Amor à Vida para lançar a semana de consciencialização, na sequência das celebrações do Dia Internacional da Consciencialização sobre o Albinismo.
Na sequência, foram destacados alguns desafios de quem vive com o problema na pigmentação da pele: a dificuldade de aquisição de protector solar, um produto essencial para a sobrevivência da pessoa com albinismo.
“Eu não vivo sem protector. Eu não posso sair sem aplicar o protector solar, Não posso ir trabalhar sem protector solar. O protector solar é vida, para mim. Qualquer tipo de actividade que eu faço, tem duas horas, e duas horas que eu tenho de renovar”, defendeu Gizela Samuel, uma pessoa com albinismo cujo depoimento foi secundado por Milton Mulhovo, da Associação Amor à Vida.
“A consequência directa mesmo é essa, que a pessoa vai ter sequelas na pele, que a longo prazo podem chegar a um nível de cancro e que, infelizmente, pode até causar a morte da pessoa.”
Os actuais preços sufocam a quem depende do protector solar. Por isso, a sua isenção é essencial.
“Eu sabia que o protector solar é considerado um cosmético e é importante que ele passe a ser considerado um fármaco, que é para poder beneficiar de isenção. E aqui há um aspecto importante. Por exemplo, no âmbito da Lei 10/2024, que é a Lei de Promoção, Impostos, Direitos e Pessoas com Deficiência, o protector solar já é alvo de isenção aduaneira. Contudo, essa isenção ainda não se reflecte na realidade, e também é importante que, por exemplo, se especifique, isto já na pauta aduaneira, qual, de facto, tem de ser o protector solar que vai beneficiar de isenção”, explicou Munlhovo.
Este e vários outros desafios que afligem este grupo social estarão em debate entre 8 e 13 de Junho, na semana dedicada à consciencialização.
“Nesta semana toda, nós vamos advogar para a remoção deste medicamento, para que deixe de ser um produto cosmético e seja considerado como um medicamento. E, sendo assim, nós acreditamos que poderia chegar a mais pessoas com albinismo e, por consequência, prevenir contra o cancro de pele nas pessoas com albinismo”, defendeu Zeca Chaúque, presidente da FAMOD.
O lema para o Dia Internacional da Conscientização sobre o Albinismo, celebrado a cada 13 de Junho, é “Orgulhosamente na minha pele: celebrando todos os tons de pele”.
As baixas temperaturas que se fazem sentir na cidade de Maputo estão a provocar um aumento significativo de casos de gripe e constipação nas unidades sanitárias. Crianças, mulheres grávidas e adultos são os grupos mais afectados, apresentando sintomas como tosse persistente, febre, dores de garganta, congestão nasal e mal-estar geral, numa altura em que as autoridades de saúde reforçam o apelo à prevenção e desencorajam a automedicação.
Nos corredores dos hospitais, os relatos de pacientes revelam o impacto do frio na saúde. Elisa Machava descreve um quadro de sintomas persistentes que a tem afectado nos últimos dias.
“É a dor de garganta até o peito mesmo. É a cuspação mais forte. Até dói o peito. Então toma dois, três medicamentos e acaba mais logo”, contou. Já Victória Macuacua, mãe de uma criança doente, afirma que o filho tem sido frequentemente afectado nesta época. “Nesse tempo de frio, ele sempre apanha gripe. E agora já voltámos para o hospital. Me deram medicação”, relatou.
Entre os pacientes, há também casos em que a automedicação agravou a situação clínica. Luísa, uma gestante, explica que inicialmente recorreu a soluções caseiras para aliviar os sintomas. “Eu tenho que recorrer às soluções caseiras. Só quando ela é um pouco agressiva é que eu me dirijo ao hospital”, disse. Por sua vez, Etelvina, mãe de uma paciente internada, reconhece os riscos da automedicação. “Prefiro levar ela ao hospital, em vez de ir lá automedicar. Eu automediquei ela e aquela medicação, na verdade, só estava lá a fazer mal. Viemos para aqui e ela acabou ficando internada”, lamentou.
Perante a crescente procura pelos serviços de saúde, o Hospital Central de Maputo (HCM) esclarece que os casos observados correspondem ao comportamento normal das doenças respiratórias associadas à estação fria e não a uma nova vaga da COVID-19.
Segundo o director dos Serviços de Urgência do HCM, Dino Lopes, o último caso confirmado da doença foi registado há vários meses. “Só foi em Abril, se a memória não me falha, que tivemos um caso de covid de um doente com outras patologias associadas. De lá para cá, diariamente, os casos que suspeitamos fazíamos testes e ainda não tivemos um caso positivo de covid-19. Então, é gripe, é resfriado. Na própria época, os vírus são vários”, esclareceu.
O responsável recomenda a adopção rigorosa de medidas preventivas para reduzir o risco de transmissão. “Temos que ter a etiqueta da tosse. Arejar os espaços. Os espaços têm que ter um arejamento que permita a circulação adequada do ar. É preciso hidratar para evitar que ressequemos tanto a mucosa”, aconselhou. Dino Lopes acrescentou ainda que, “havendo condições, além dessas outras medidas, era muito necessário vacinação”, apontando a imunização como uma das estratégias mais eficazes para reduzir os efeitos das doenças respiratórias durante o Inverno.
Entretanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação das temperaturas baixas nas próximas semanas. O director dos Serviços Centrais de Previsão Meteorológica, Dorival Mutereda, alerta que o período mais frio do ano ainda não terminou. “O frio vai até quase o final de Julho. Então, ainda estamos no pico do frio”, explicou. O meteorologista advertiu ainda para as variações térmicas ao longo do dia.
“Quem sair de casa essa hora não está agasalhado, mas ao regresso já está com problemas de frio. Estamos na época do frio, temos que estar sempre agasalhados”, recomendou.
Num contexto em que as infecções respiratórias tendem a aumentar durante o Inverno, especialistas defendem a adopção de medidas preventivas, incluindo o uso adequado de vestuário para o frio, a hidratação regular, a ventilação dos ambientes e, sempre que possível, a vacinação.
Em vários países, a imunização sazonal tem sido usada como uma das principais estratégias para minimizar o impacto das doenças respiratórias associadas às baixas temperaturas.
As autoridades da República Democrática do Congo (RDC) elevaram para 515 o número de casos confirmados no surto de Ébola, declarado a 15 de Maio, no leste do país. A doença já causou 91 mortes.
No último boletim sobre a doença, divulgado na noite de domingo com dados até sábado, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) indicou terem sido registados 27 novos casos nas 24 horas anteriores à publicação do relatório.
Segundo as autoridades, 283 pacientes encontram-se hospitalizados ou em isolamento. O número de pessoas recuperadas subiu para 12, mais três do que na última contagem, enquanto as zonas de saúde afectadas em três províncias congolesas se mantêm em 25.
O surto foi declarado em Ituri — província fronteiriça com o Sudão do Sul e o Uganda — que continua a ser o epicentro da doença, com 487 casos. Contudo, propagou-se às províncias orientais de Kivu Norte, com 25 casos, e Kivu Sul, com três.
A epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram detectados até ao momento 19 casos, incluindo 14 considerados importados da RDC, entre os quais dois óbitos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto, que foi classificado, a 17 de Maio, como uma «emergência de saúde pública de importância internacional».
O vírus do Ébola transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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