As baixas temperaturas que se fazem sentir na cidade de Maputo estão a provocar um aumento significativo de casos de gripe e constipação nas unidades sanitárias. Crianças, mulheres grávidas e adultos são os grupos mais afectados, apresentando sintomas como tosse persistente, febre, dores de garganta, congestão nasal e mal-estar geral, numa altura em que as autoridades de saúde reforçam o apelo à prevenção e desencorajam a automedicação.
Nos corredores dos hospitais, os relatos de pacientes revelam o impacto do frio na saúde. Elisa Machava descreve um quadro de sintomas persistentes que a tem afectado nos últimos dias.
“É a dor de garganta até o peito mesmo. É a cuspação mais forte. Até dói o peito. Então toma dois, três medicamentos e acaba mais logo”, contou. Já Victória Macuacua, mãe de uma criança doente, afirma que o filho tem sido frequentemente afectado nesta época. “Nesse tempo de frio, ele sempre apanha gripe. E agora já voltámos para o hospital. Me deram medicação”, relatou.
Entre os pacientes, há também casos em que a automedicação agravou a situação clínica. Luísa, uma gestante, explica que inicialmente recorreu a soluções caseiras para aliviar os sintomas. “Eu tenho que recorrer às soluções caseiras. Só quando ela é um pouco agressiva é que eu me dirijo ao hospital”, disse. Por sua vez, Etelvina, mãe de uma paciente internada, reconhece os riscos da automedicação. “Prefiro levar ela ao hospital, em vez de ir lá automedicar. Eu automediquei ela e aquela medicação, na verdade, só estava lá a fazer mal. Viemos para aqui e ela acabou ficando internada”, lamentou.
Perante a crescente procura pelos serviços de saúde, o Hospital Central de Maputo (HCM) esclarece que os casos observados correspondem ao comportamento normal das doenças respiratórias associadas à estação fria e não a uma nova vaga da COVID-19.
Segundo o director dos Serviços de Urgência do HCM, Dino Lopes, o último caso confirmado da doença foi registado há vários meses. “Só foi em Abril, se a memória não me falha, que tivemos um caso de covid de um doente com outras patologias associadas. De lá para cá, diariamente, os casos que suspeitamos fazíamos testes e ainda não tivemos um caso positivo de covid-19. Então, é gripe, é resfriado. Na própria época, os vírus são vários”, esclareceu.
O responsável recomenda a adopção rigorosa de medidas preventivas para reduzir o risco de transmissão. “Temos que ter a etiqueta da tosse. Arejar os espaços. Os espaços têm que ter um arejamento que permita a circulação adequada do ar. É preciso hidratar para evitar que ressequemos tanto a mucosa”, aconselhou. Dino Lopes acrescentou ainda que, “havendo condições, além dessas outras medidas, era muito necessário vacinação”, apontando a imunização como uma das estratégias mais eficazes para reduzir os efeitos das doenças respiratórias durante o Inverno.
Entretanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação das temperaturas baixas nas próximas semanas. O director dos Serviços Centrais de Previsão Meteorológica, Dorival Mutereda, alerta que o período mais frio do ano ainda não terminou. “O frio vai até quase o final de Julho. Então, ainda estamos no pico do frio”, explicou. O meteorologista advertiu ainda para as variações térmicas ao longo do dia.
“Quem sair de casa essa hora não está agasalhado, mas ao regresso já está com problemas de frio. Estamos na época do frio, temos que estar sempre agasalhados”, recomendou.
Num contexto em que as infecções respiratórias tendem a aumentar durante o Inverno, especialistas defendem a adopção de medidas preventivas, incluindo o uso adequado de vestuário para o frio, a hidratação regular, a ventilação dos ambientes e, sempre que possível, a vacinação.
Em vários países, a imunização sazonal tem sido usada como uma das principais estratégias para minimizar o impacto das doenças respiratórias associadas às baixas temperaturas.