As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.
Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.
Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.
“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.
Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.
“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.
Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.
Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.
“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.
Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.
Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.
“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.
Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.
A Movitel apresentou recentemente, na FACIM 2026, um conjunto de soluções digitais que exploram o potencial da tecnologia 5G para responder às necessidades de empresas e instituições públicas em Moçambique. A participação da operadora destacou aplicações que vão do acesso à Internet de banda larga à gestão inteligente de infra-estruturas, transportes e operações industriais.
Entre as soluções apresentadas estiveram o Acesso Fixo sem Fios (FWA), as redes 5G privadas, as câmaras com Inteligência Artificial, os Sistemas Inteligentes de Transporte, os Centros de Operações Inteligentes, a gestão portuária e os sistemas de simulação e treino.
Com esta oferta, a operadoral procura aproximar a conectividade das necessidades concretas de funcionamento das organizações. O enfoque está na utilização da tecnologia para facilitar o acesso à informação, acompanhar operações e apoiar decisões com base em dados.
DA CONECTIVIDADE ÀS APLICAÇÕES PRÁTICAS
O FWA permite disponibilizar Internet de banda larga através da rede móvel, reduzindo a dependência de uma ligação por cabo até às instalações do utilizador. A solução constitui uma alternativa para empresas e instituições que necessitam de acesso à Internet sem depender exclusivamente da expansão da rede fixa.
As redes 5G privadas, por sua vez, destinam-se a ambientes como empresas, fábricas e parques industriais, onde a conectividade pode ser adaptada às exigências de cada operação. Estas redes permitem maior controlo sobre o acesso e a utilização dos recursos de comunicação.
Segundo a abordagem apresentada pela Movitel, o potencial do 5G vai além do aumento da velocidade. A baixa latência e a capacidade de ligação de múltiplos dispositivos podem apoiar aplicações que exigem comunicação rápida entre equipamentos e sistemas de processamento de dados.
SOLUÇÕES PARA EMPRESAS E SERVIÇOS PÚBLICOS
Na área da análise de imagens, as câmaras com Inteligência Artificial permitem identificar eventos e apoiar a monitorização de espaços e infra-estruturas. Nos transportes, os sistemas inteligentes podem contribuir para acompanhar o tráfego e melhorar a gestão da circulação.
Os Centros de Operações Inteligentes reúnem informações de diferentes sistemas numa plataforma de acompanhamento, permitindo uma visão integrada das operações e apoiando a resposta a ocorrências.
A oferta inclui igualmente soluções de gestão portuária, destinadas à coordenação das actividades e dos fluxos de mercadorias, bem como sistemas de simulação e treino, orientados para a preparação de profissionais em ambientes virtuais e controlados.
O 5G surge, neste contexto, como uma infraestrutura de conectividade que pode apoiar a integração destas aplicações, em articulação com plataformas digitais e ferramentas de análise de dados.
Implementação gradual
A Movitel prevê avançar, num futuro próximo, com testes e implementação gradual das soluções baseadas em 5G. A prioridade deverá incidir nas zonas urbanas, nas empresas, nas instituições públicas e nos sectores com maior procura por ligações de alta velocidade.
A apresentação na FACIM permitiu dar a conhecer estas possibilidades de utilização, sem representar a disponibilização imediata de todas as soluções em todo o território nacional.
Ao reunir serviços de conectividade e aplicações digitais, a operadora apresentou uma perspectiva de evolução tecnológica centrada na sua utilidade: facilitar o trabalho das organizações, melhorar a gestão de recursos e ampliar o acesso a serviços digitais em Moçambique.
O Tribunal Judicial da Cidade de Pemba ordenou a devolução de um computador, dois telefones celulares e um tablet apreendidos ao jornalista Estácio Valoi há quase três meses. Os equipamentos eram utilizados pelo jornalista para trabalho e comunicação.
Segundo o despacho judicial citado pelo Misa Moçambique, o tribunal revogou a medida por considerar concluídas as diligências que justificaram a apreensão dos equipamentos.
Ainda de acordo com o mesmo despacho, a apreensão está relacionada com uma investigação jornalística sobre alegados crimes ambientais e contrabando de madeira envolvendo um empresário de nacionalidade libanesa.
O MISA afirma estar preocupado com o impacto da apreensão prolongada de instrumentos de trabalho no exercício da actividade jornalística e sublinha a importância de salvaguardar as liberdades de imprensa e de expressão, o direito à informação, bem como a confidencialidade das fontes e dos materiais de investigação.
Uma nova comunidade está a ganhar forma ao longo da montanha, no bairro Mateus Sansão Mutemba, na cidade de Tete. No local, já é possível encontrar várias residências de alvenaria, algumas vias de acesso e ligações de energia eléctrica, apesar de a área ser considerada de risco.
Os moradores continuam a construir as suas habitações numa zona marcada por limitações no acesso aos serviços básicos, particularmente água potável. Segundo os residentes, a comunidade ainda não dispõe de uma fonte segura e regular de abastecimento, situação que obriga algumas famílias a recorrer à água do rio para o consumo diário.
Para conseguir água, há moradores que afirmam ser obrigados a acordar nas primeiras horas da manhã e percorrer longas distâncias em busca do precioso líquido. A situação preocupa a população, que teme igualmente os riscos para a saúde associados ao consumo de água sem tratamento adequado.
Para além da falta de água, os residentes mostram-se preocupados com a localização das suas casas, construídas numa área considerada vulnerável. Apesar disso, a expansão da comunidade continua, com novas residências a surgir ao longo da encosta.
Outro aspecto que chama a atenção é a existência de ligações de energia eléctrica em algumas habitações. Os moradores afirmam, contudo, que essas ligações não são realizadas directamente por técnicos da Electricidade de Moçambique, mas por indivíduos que se apresentam como intermediários.
A situação levanta preocupações quanto à segurança das ligações e à sua legalidade, sobretudo numa zona onde a ocupação do espaço continua a expandir-se sem que estejam asseguradas todas as condições básicas de habitabilidade.
Enquanto a comunidade cresce, persistem os desafios relacionados com a segurança das construções, o acesso à água potável e a regularidade das ligações eléctricas.
A expansão de residências numa zona considerada de risco coloca igualmente em evidência a necessidade de uma intervenção das autoridades municipais e dos sectores responsáveis pelo ordenamento territorial, de modo a garantir que a ocupação do espaço urbano seja feita em condições de segurança.
Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que contestam a liderança de Ossufo Momade voltaram, ontem, a prometer acções para resgatar o partido, alertando que a convocação do Conselho Nacional é uma estratégia do actual líder para não sair.
“Gostaríamos de reafirmar, diante dos microfones da comunicação social e ao povo moçambicano, que tudo faremos para resgatar a nossa Renamo das amarras do regime Ossufista e devolver aos membros do partido e à população, em geral, e com olhos postos aos próximos pleitos eleitorais que se avizinham”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros, João Machava.
Segundo a Lusa, em conferência de imprensa , em Maputo, para anunciar a chamada segunda reunião de coordenação que reúne a autoproclamada comissão nacional de gestão do partido, nos dias 12 e 13 deste mês, o representante dos guerrilheiros considerou que a convocação do Conselho Nacional da Renamo é mais uma estratégia de Ossufo Momade para não abandonar a liderança.
“Nós estamos atentos às manobras da direcção do partido e não ficaremos de braços cruzados. A reunião que estamos a convocar irá tomar medidas consentâneas e proporcionais à situação”, prometeu João Machava.
O grupo acusou a actual direcção do partido de desonestidade e de agir como “mafiosos”, por não quererem avançar com conversas entre as partes para se alcançar um consenso.
“São pessoas aliadas ao presidente do partido, Ossufo Momade (…). Ele manda a sua equipa que (…) quer ditar regras e, se for assim, vamos ao Conselho Nacional divididos e vamos sair de lá mais divididos”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros.
“As manobras dilatórias são como o que aconteceu no ano passado, porque se tinha convocado o Conselho Nacional para Vilanculos [província de Inhambane] para o mês de Março, que se arrastou até Outubro. Pode ter convocado o Conselho Nacional para o ‘boi dormir’, são essas manobras e sabemos que Ossufo pode e é capaz de fazer isso”, acrescentou, defendendo a realização de um congresso extraordinário para o actual líder abandonar a liderança, garantindo que “ele vai sair”.
A 28 de Agosto, a Renamo anunciou a realização do Conselho Nacional nos dias 21 e 22 de Outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja liderança é fortemente contestada.
A realização do Conselho Nacional tem sido defendida pelos críticos internos de Ossufo Momade, como o histórico e ex-deputado António Muchanga, que defende publicamente a saída do líder, e também por antigos guerrilheiros, que exigem a sua saída da liderança da Renamo, ocupando as sedes em protesto.
Esse Conselho Nacional chegou a estar convocado para Março. Contudo, não se realizou, tendo sido promovida em alternativa uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, província de Manica, a 27 e 28 de Março.
Nessa altura, a Renamo anunciou do Conselho Nacional, referindo que Ossufo Momade, líder contestado do partido, poderá abandonar o cargo ainda neste ano.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.
Em Janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.
Em 2018, sucedeu na presidência do partido a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano.
Ossufo Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de Outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, partido que também perdeu nessas eleições o estatuto de líder da oposição.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) reivindicou, esta quarta-feira, ataques contra dois navios de guerra norte-americanos e oito petroleiros no Golfo Pérsico, alegando tratar-se de uma acção de retaliação contra ataques dos Estados Unidos a embarcações iranianas.
Num comunicado, a IRGC afirmou que a sua força naval atacou e causou “pesados danos” aos destróieres norte-americanos DDG-119 e DDG-53. A mesma fonte indicou que oito petroleiros foram igualmente atingidos.
A Guarda Revolucionária acrescentou que outras dez embarcações que tentavam atravessar uma zona de navegação restrita no Estreito de Ormuz, alegadamente com apoio e incentivo dos Estados Unidos, também foram alvo de ataques.
Fontes iranianas afirmaram ainda que as forças da IRGC atacaram uma base militar norte-americana localizada na Jordânia. Entretanto, foram registadas várias explosões durante a noite de terça-feira em zonas da ilha de Kharg, no sul do Irão, e na região de Jask.
Por seu lado, o Comando Central dos Estados Unidos informou que as forças norte-americanas destruíram cinco petroleiros iranianos, na sequência de um ataque iraniano contra um navio de guerra dos EUA.
Segundo as Forças Armadas norte-americanas, a Guarda Revolucionária lançou, por duas vezes, ataques com mísseis balísticos contra um navio de guerra da Marinha dos Estados Unidos nos últimos dois dias. O navio conseguiu escapar aos ataques e não houve registo de feridos entre a tripulação norte-americana.
Em resposta, as forças dos Estados Unidos destruíram quatro petroleiros alegadamente ligados à Guarda Revolucionária no Golfo de Omã e outro nas proximidades da ilha de Kharg.
A escalada ocorre numa zona estratégica para o transporte mundial de petróleo, aumentando os receios de uma deterioração do conflito e de possíveis perturbações na navegação comercial no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.
O Ministério da Saúde assumiu uma postura de “mão dura” e “tolerância zero” contra casos de mau atendimento, cobranças ilícitas e roubo de medicamentos nas unidades sanitárias do país. O anúncio foi feito pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, na abertura do 51º Conselho Coordenador do setor, realizado na Bahia.
Visivelmente preocupado com as denúncias que circulam nas redes sociais e na comunicação social, o governante questionou os profissionais sobre a imagem que o sector tem passado à população.
“Quando a gente abre a televisão ou o telefone, nas redes sociais, há sempre notícias sobre cobrança ilícita, mau atendimento, maus tratos, roubo de medicamentos, falta disso, falta daquilo. Colegas, ficam satisfeitos com isso? Querem ser conhecidos como o grupo de mau atendimento, o grupo das cobranças ilícitas?”, perguntou Isse.
O Ministro foi categórico ao afirmar que não haverá espaço para conivência. “Colegas, vamos ser muito implacáveis nesta componente. Mão dura contra os autotres. E quando esta componente de mau atendimento, das cobranças ilícitas, do roubo de medicamentos tiver rosto, não haverá piedade. Tolerância zero”, declarou.
O titular da Saúde lembrou que a mudança depende do compromisso de cada profissional. “A saúde de Moçambique está na dedicação de cada um, na bravura de cada um, na procura de soluções. Se cada um fizer isto, vamos vencer esta batalha”, afirmou.
Dados apresentados durante o encontro indicam que, em 2025, 54 profissionais foram expulsos em todo o país por envolvimento em desvio de medicamentos, cobranças ilícitas e mau atendimento. O Ministro admitiu sentir vergonha perante o cenário atual.
“Eu sinto alguma vergonha quando sou confrontado com esta questão do atendimento ao povo moçambicano. Por isso, colegas, o nosso compromisso é que temos que ser reconhecidos como o contingente ou o grupo que acabou com o mau atendimento”, concluiu.
Centenas de burundeses residentes no Quénia compareceram à embaixada do país em Nairóbi na segunda-feira em busca de documentos de viagem para deixar o país, dias depois de o presidente William Ruto ter ordenado o fechamento de pequenas empresas administradas por estrangeiros.
O Quénia há muito tempo atrai migrantes de toda a Comunidade da África Oriental (EAC), cujos membros desfrutam de liberdade de movimento dentro do bloco regional.
Na semana passada, Ruto deu início aos pequenos negócios de propriedade estrangeira até segunda-feira para encerrarem suas actividades, afirmando que o país “não conquistou a confiança dos investidores nos vendedores ambulantes”.
A medida gerou medo entre muitos estrangeiros, particularmente burundeses que ganham a vida vendendo produtos nas ruas de Nairóbi, provocando uma corrida para obter documentos para retornar ao país.
Com grandes envelopes pardos nas mãos, multidões formaram filas durante horas em frente à embaixada do Burundi, enquanto malas e sacolas plásticas se acumulavam no complexo, com muitos se preparando para partir.
“Eles nos expulsaram como animais”, disse o pastor Jean-Baptiste Ndayizeye à AFP.
Ndayizeye afirmou que dois de seus vizinhos foram atacados e roubados, comparando a situação à violência xenófoba na África do Sul. A AFP não conseguiu verificar as alegações de forma independente.
“O que os sul-africanos fizeram aos estrangeiros e o que os quenianos estão fazendo é a mesma coisa”, disse ele, acrescentando que era injusto que eles não tivessem recebido nenhum aviso.
Outro burundês, Eric Bizimana, que veio para o Quénia em 2022 após anos de desemprego em seu país, disse que nunca solicitou uma autorização de trabalho devido ao alto custo.
“Eles estão muito tristes” por terem que deixar o Quénia, disse Philemon Jaika Adamba, um mototaxista queniano que levou dois burundianos até a embaixada. “Não é justo.”
O Burundi, um país com cerca de 15 milhões de habitantes e um dos mais pobres do mundo, faz parte da Comunidade da África Oriental (EAC), juntamente com o Quénia, a potência econômica da região.
O ministro das Relações Exteriores do Burundi, Edouard Bizimana, condenou a “violência contra estrangeiros, particularmente burundianos”.
“O governo do Quénia é responsável pelas vidas dos burundeses que vivem no Quênia”, ele publicou no X.
“Permitir que civis quenianos façam o trabalho da polícia dá a impressão de um Estado falido, porque abre rédea solta à violência, aos saques e à xenofobia”, acrescentou.
O secretário de Estado adjunto das Relações Exteriores do Quénia, Korir Sing’Oei, visitou a embaixada na segunda-feira, pediu desculpas aos burundianos e garantiu-lhes que a polícia protegeria as áreas onde foram relatados casos de violência.
Sing’Oei afirmou que as declarações do presidente foram “mal interpretadas”.
“Devido a essa falta de compreensão, muitos foram atacados por seus vizinhos e amigos”, disse ele.
“Nosso principal objectivo é saber como você está vivendo, onde você está, se você possui identificação e se seus empregos estão registados”, disse ele.
O porta-voz do governo, Charles Owino, disse que as autoridades abriram um “período formal para documentação e registo” e pediu aos cidadãos burundeses que apresentassem seus documentos na embaixada.
“O governo reconhece que, devido a circunstâncias históricas e dinâmicas regionais, vários cidadãos da África Oriental, incluindo diversos burundianos, residem e atuam no Quénia sem a documentação completa”, disse Owino.
Um funcionário do Conselho Municipal de Xai-Xai é acusado de liderar um esquema de burlas que terá lesado vários munícipes, envolvendo a venda de terrenos e licenças de actividades económicas, mediante cobranças de 20 a 25 mil meticais por processo. Após os pagamentos, as vítimas dizem ter recebido documentos alegadamente falsos e que o funcionário se colocou em fuga. O município confirma e anuncia medidas no caso.
Dezenas de munícipes denunciaram ao Município de Xai-Xai terem sido alvo de um esquema de burla de terrenos e licenças de actividades económicas, alegadamente liderado por um funcionário afecto à Vereação de Actividades Económicas.
Entre as vítimas está uma jovem de 30 anos de idade e as suas quatro irmãs, que dizem ter perdido mais de 60 mil meticais num esquema de aquisição de terrenos nas zonas da Praia e de Inhamissa, em Xai-Xai. Segundo as vítimas, o dinheiro foi entregue ao referido funcionário na expectativa de obter os respectivos terrenos. De acordo com a vítima, depois de receber o dinheiro, o funcionário deixou de aparecer, tendo-se colocado em fuga para parte incerta. As irmãs ficaram sem os terrenos e sem o valor entregue.
“Gastámos mais de 65 mil meticais para adquirir terrenos para cada uma de nós, mas, quando chegou a vez de nos apresentar os terrenos e a documentação, começou a dar voltas e nunca mais conseguimos recuperar o dinheiro”, denuncia.
O caso não será isolado. No Posto Administrativo da Praia, pelo menos oito pessoas terão apresentado queixas contra o mesmo funcionário, segundo o chefe daquela unidade administrativa.
“Confirmamos os casos. São, até aqui, oito casos, e estamos preocupados em saber como isto aconteceu”, avançou Jamaldine Matsinhe.
O Gabinete Jurídico do Município de Xai-Xai confirma a existência das denúncias e diz que já recebeu pelo menos oito casos, mas admite que o número de vítimas pode aumentar.
“Neste momento, temos cerca de oito casos que já recebemos no município, mas não descartamos também a possibilidade de existirem outros.”
Uma outra jovem afirma ter pagado 25 mil meticais pela aquisição de um terreno no Posto Administrativo de Inhamissa. Na sequência do pagamento, recebeu um Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, DUAT, que posteriormente descobriu ser falso.
As denúncias abrangem também a emissão de falsas licenças para o exercício de actividades económicas, aumentando a dimensão do caso, avançou o chefe do Gabinete Jurídico, Simão Simbine.
“Por enquanto, temos dois tipos, temos em maior número a falsificação de licenças ou títulos de uso e aproveitamento do solo ou da terra. Temos também o caso de falsificação de licença para o exercício de actividade económica.”
O responsável revela ainda que os documentos apresentados pelas vítimas ostentam assinaturas falsificadas.
“Os munícipes têm apresentado aqui um DUAT com uma assinatura falsificada, que não confere com a assinatura do presidente do Município de Xai-Xai. Tanto os DUAT, como também as próprias licenças que apresentaram os munícipes estão na mesma situação.”
Perante as acusações, o Município de Xai-Xai diz ter tomado medidas administrativas contra o funcionário e aberto uma investigação para apurar o eventual envolvimento de outros funcionários dos sectores de terra e actividades, incluindo líderes locais.
“Nós, como município, desencadeamos alguns procedimentos administrativos internamente, para apurar-se a responsabilidade deste nosso funcionário, e também participámos junto das autoridades para a investigação.”
O município admite ainda a possibilidade de envolvimento de outros funcionários no esquema.
“O processo está em instrução, que é para apurar quem está envolvido, quais são os mecanismos que usavam para poder chegar a estes intentos.”
Enquanto aguardam esclarecimento do caso, as vítimas pedem justiça e intervenção da polícia.
O caso surge num contexto de crescentes problemas na gestão de terras no município. Só nos últimos dois meses, a edilidade diz ter detectado 100 casos de DUAT duplicados, na sequência da introdução do sistema electrónico de actualização de dados.
O governador de Gaza anuncia o decurso de uma investigação que envolve funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, dos serviços de Identificação Civil e professores, na sequência da desqualificação de atletas por falsificação de idades nos Jogos Desportivos Escolares 2026. O caso fez a província, que defendia o título conquistado em 2024, cair para a nona posição da classificação geral.
A província de Gaza, que chegou a Inhambane com o estatuto de campeã da última edição dos Jogos Desportivos Escolares, realizada em 2024, na província de Nampula, regressa a casa na nona posição da classificação geral, depois da desqualificação de vários atletas por falsificação de idades.
A situação manchou a participação da província na edição de 2026. Perante o caso, o governador de Gaza, Alfeu Cuna, anunciou a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias que permitiram a inscrição de atletas com idades alegadamente incompatíveis com os requisitos da competição.
“Gaza registou um total de oito do total de 31 casos no País. Queremos, desde já, anunciar que o caso já está em investigação no Serviço Nacional de Investigação Criminal e, após o fecho, vamos avançar para medidas mais sérias”, garantiu Cuna.
Entre os suspeitos de envolvimento no processo estão funcionários dos serviços de Identificação Civil, encarregados de educação, professores e funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos.
“Que há envolvimento de funcionários da Direcção Provincial de Identificação é um facto. Agora, queremos apurar o envolvimento de pais e encarregados, funcionários da Direcção e professores”, destacou.
Alfeu Cuna diz que a investigação deverá ser conduzida com celeridade, de modo a esclarecer responsabilidades e permitir a aplicação de uma penalização exemplar aos envolvidos.
Apesar do revés, a participação de Gaza ficou também marcada por resultados positivos em algumas modalidades.
“Destacamos, nas modalidades, em primeiro lugar, o voleibol feminino e, em terceiro lugar, o andebol masculino, sendo seis medalhas de ouro, cinco medalhas de prata e cinco de bronze. E, nas modalidades colectivas, tivemos 12 medalhas de ouro no voleibol e 12 medalhas de bronze no andebol”, avançou Lurdes Machava, directora provincial da Juventude e Desportos.
Na XVI edição dos Jogos Desportivos Escolares, a província fez-se representar por uma delegação composta por 128 estudantes-atletas e 15 técnicos, que competiram em oito modalidades.