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A intensificação dos ataques contra imigrantes na África do Sul começa a produzir efeitos que ultrapassam a esfera social e política, alimentando preocupações quanto ao impacto sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a capacidade da maior economia africana de atrair capital estrangeiro.

Numa conjuntura marcada por crescimento económico moderado, elevado desemprego, limitações fiscais e necessidade de maior investimento privado, analistas alertam que a deterioração do ambiente de segurança pode agravar a percepção de risco do mercado sul-africano.

Segundo a agência Reuters, economistas e analistas de mercado defendem que a sucessão de manifestações e episódios de violência contra cidadãos estrangeiros poderá reduzir o apetite dos investidores internacionais, sobretudo daqueles que avaliam novos projectos de investimento directo estrangeiro no país.

A consultora sul-africana ETM Analytics advertiu, citada pela Reuters, que os protestos contra imigrantes representam “o principal risco de curto prazo” para os mercados financeiros do país. A instituição considera que a evolução da crise poderá influenciar o comportamento do rand, aumentar a volatilidade dos activos financeiros e afectar as expectativas dos agentes económicos.

O receio surge numa altura em que a África do Sul procura recuperar o dinamismo económico. O país continua a enfrentar uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo, crescimento económico inferior ao potencial e uma necessidade crescente de mobilizar investimento privado para expandir a capacidade produtiva, modernizar infra-estruturas e estimular a criação de emprego.

O investimento directo estrangeiro desempenha um papel estratégico neste processo. Além da entrada de capitais, contribui para a transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e integração das empresas sul-africanas nas cadeias globais de valor.

Entretanto, os sucessivos episódios de violência contra comerciantes e trabalhadores estrangeiros podem afectar um dos factores mais valorizados pelos investidores: a previsibilidade do ambiente de negócios.

A própria reputação internacional da África do Sul começa a sofrer desgaste. De acordo com a Reuters, membros do Governo sul-africano reconhecem que os ataques xenófobos podem comprometer a imagem do país, afectar empresas nacionais que operam noutros mercados africanos e reduzir o seu poder de influência económica no continente.

O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e afirmou que “não permitiremos que grupos utilizem as legítimas preocupações da população para promover a violência e a ilegalidade”, reiterando que a aplicação das leis migratórias compete exclusivamente às instituições do Estado.

Embora os mercados financeiros ainda não tenham registado uma reacção expressiva, economistas consideram que a persistência da violência poderá reflectir-se no custo do financiamento, no comportamento da moeda sul-africana e nas decisões de investimento de empresas multinacionais.

A preocupação estende-se igualmente ao comércio regional. A África do Sul é o maior parceiro económico de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Moçambique. Qualquer deterioração do seu ambiente económico pode repercutir-se sobre o comércio transfronteiriço, os fluxos de investimento, as remessas dos trabalhadores migrantes e a integração económica regional.

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Há sensivelmente dois meses, cerca de duzentos trabalhadores da Nuke Transporte, empresa subcontratada pela mineradora Vulcan, estiveram em greve exigindo melhores condições de trabalho. No entanto, nesta terça feira, a empresa decidiu quebrar contratos com sete trabalhadores, por alegadamente serem os autores das manifestações e conflitos.  Os visados, por sua vez, decidiram amotinar-se no recinto onde funciona o escritório da empresa para exigir explicações pelas suas  demissões e paralisaram as actividades, e fizeram reféns três gestores da empresa, todos de nacionalidade chinesa.

Os protestatários alegam que a empresa rescindiu contratos sem justa causa e exigem indemnizações.
Segundo os trabalhadores, a decisão de manter os gestores em cárcere privado vai continuar até que haja consensos entre as partes junto das entidades competentes.

A Polícia foi accionada para garantir a ordem e segurança no local e evitar ocorrências de desordem durante as manifestações.

O “O País” procurou ouvir, junto da direcção da empresa, as razões que levaram os os gestores a tomar esta decisão, mas ninguém se prontificou a prestar declarações.

O “O País” contactou igualmente o advogado da Nuke Transport, presente no local dos factos, que se negou a falar sobre o assunto, alegando que não era a pessoa indicada para falar com mais profundidade sobre a demissão dos trabalhadores.

Portanto, até a saída da nossa equipa  do local das manifestações por volta das 17 horas ainda não havia consenso entre as partes.

O Governo moçambicano reconheceu esta terça-feira que os altos índices de violência contra a criança são ainda um desafio entre os países da África austral, apelando a acções “expressivas e coordenadas” para travar o problema nesta região.

“Moçambique e a região ainda enfrentam desafios relacionados aos altos índices de violência contra a criança”, disse o secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Esmail, na abertura da Conferência Regional das Instituições Nacionais de Direitos Humanos da África Austral sobre Promoção e Protecção dos Direitos da Criança.

No evento de três dias que decorre em Maputo e reúne diversas organizações da sociedade civil africanas e parceiros internacionais, Abdul Esmail reiterou que esta situação “exige acções expressivas e coordenadas” para que “ninguém fique para trás”.
“Este evento representa o interesse regional na melhoria progressiva do quadro de implementação dos direitos da criança e reforço das perspectivas sobre a promoção e protecção dos direitos da criança em cada um dos nossos países”, afirmou o governante.

Assinalando os desafios enfrentados por Moçambique no combate à violência contra a criança, Esmail lembrou os dados até 2019, quando 32,1% das meninas e 40,3% dos rapazes, com idades entre 18 e 24 anos, sofriam algum tipo de violência antes dos 18 anos, “entre os quais referiram terem sido vítimas 14,3% das meninas e 8,4% dos rapazes”.

“Segundo o inquérito demográfico e de saúde 2022-2023, 48,4% das raparigas estão afectadas pelas uniões prematuras”, acrescentou, apontando também para “desafios significativos” associados à desnutrição crónica e ao aumento do número de menores em conflito com a lei no país.

Na ocasião, o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos em Moçambique defendeu que a promoção e protecção dos direitos da criança é um “imperativo moral, social e legal”, já que a mesma é o “sujeito de plenos direitos e termómetro do desenvolvimento sustentável” das sociedades.

Segundo Albachir Macassar, os progressos celebrados, quando passam 35 anos desde a adopção da Convenção Internacional dos Direitos Humanos das Crianças e 25 anos da Carta Africana sobre os Direitos e Bem-estar da Criança, mostra a vontade de todos os países em manter o “interesse superior” da criança sempre em dia, demonstrando, frisou, a necessidade destes instrumentos serem “reflectidos na realidade diária destas mesmas crianças”.

Apesar dos “notáveis progressos”, o presidente da comissão dos direitos humanos também alertou para a “prevalência de desafios” para o país e toda a região austral africana, destacando a fraca proteção de “algumas categorias de crianças consideradas vulneráveis”, como menores com deficiência e com albinismo.

Para Macassar, o desafio das organizações sociais é transformar os compromissos assumidos em medidas “concretas e eficazes”, acompanhadas da definição de “prioridades e metas concretas”.
“Os nossos compromissos devem ser acompanhados pela definição de prioridades e metas, isto é fundamental. Sair daqui da mesma forma que entrámos não vai valer a pena”, acrescentou.

Quarenta pessoas morreram vítimas de acidente de viação nos últimos nove meses na província de Tete. As autoridades locais estão preocupadas com a situação, que tem estado a agravar-se, e apelam aos automobilistas a redobrarem medidas de condução defensiva nas estradas.

A província de Tete registou, nos primeiros nove meses deste ano, 40 mortes resultantes de 27 acidentes de viação, um aumento em oito vítimas mortais em relação ao igual período do ano passado, em que se contabilizaram 32 vítimas mortais causadas pela ocorrência de 23 sinistros rodoviários.

Este crescimento preocupa as autoridades provinciais que, de acordo com Jorge Alguineiro, Director Provincial dos Transportes e Comunicações, em Tete, há que se fazer um trabalho para minimizar a situação.

“Nós tivemos aqui um crescimento de acidentes de viação em quatro acidentes, porque nós tínhamos no ano passado 23, mas este ano foram 27. E mortos, o número cresceu também em nove, no ano passado nós tivemos 31, este ano 40. Em termos de feridos graves, crescemos também em quatro, como o crescimento, aqui 30 do ano passado, 34 para este ano. Feridos ligeiros diminuímos em 10, aqui é de 42 para 32, que é 42 do ano passado e 32 deste ano, por tanto houve um decréscimo. Em termos de danos avultados estamos a crescer, tendo passado de 17 para 26 e danos ligeiros, crescemos em cinco, ou seja de cinco para 10”, esclareceu Jorge Alguineiro.

As condições mecânicas das viaturas, a degradação de algumas vias de acesso e, sobretudo, os factores humanos, como o excesso de velocidade, a condução sob efeito de álcool e a imprudência ao volante, foram apontados como as principais causas dos sinistros.

“A questão do comportamento humano é muito importante para diminuir os acidentes de viação. E um dos aspectos que nós priorizamos é a questão da fiscalização. Aí nós vamos directamente para controlar os níveis de álcool de cada condutor, naqueles locais que nós temos de fiscalização os pontos super importantes, falo do quilômetro 18, o posto de fiscalização de Mboja, de Cahunje e vários outros pontos que nós temos, mesmo até na saída da província”, destacou o Director Provincial dos Transportes e Comunicações em Tete.

No mesmo período, cerca de 500 automobilistas foram surpreendidos a conduzir sob efeito de álcool durante as operações de fiscalização realizadas em diferentes pontos da província de Tete.

O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, através do ProAzul, procedeu ao lançamento da Conta Satélite da Economia Azul (CSEA), na Galeria de Maputo. A cerimónia de lançamento foi dirigida pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi. 

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, afirmou que o lançamento da CSEA marca uma etapa importante para a divulgação acessível e transparente de informação fiável relativa à economia azul, pois, pela primeira vez, Moçambique passa a dispor de uma ferramenta estatística que permite a recolha de dados económicos específicos sobre as actividades ligadas ao mar e às águas interiores, possibilitando avaliar o contributo real deste sector no Produto Interno Bruto nacional.

O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino,  mostrou a sua satisfação e considerou a Conta Satélite da Economia Azul uma ferramenta essencial para a governação baseada em evidências, permitindo medir o contributo real da economia azul no desenvolvimento nacional.

A Representante do Banco Mundial  afirmou que este é um passo fundamental para integrar o verdadeiro valor do oceano nas decisões económicas nacionais, salientando que os empregos são os caminhos mais rápidos para sair da pobreza e que a necessidade de criar oportunidades de trabalho nunca foi tão urgente.

A Conta Satélite da Economia Azul constitui um instrumento estratégico para medir, planear e valorizar o contributo da economia azul, promovendo políticas públicas e investimentos mais sustentáveis.

O transporte ferroviário de passageiros foi interrompido por dez dias depois da vandalização da linha de Sena que culminou com o descarrilamento de um comboio de carga, Os passageiros, bem como a direcção dos Caminhos de Ferro de Moçambique em Sofala, lamentam os prejuízos e apelam para que não haja mais destruição das linhas.

Foi retomada esta terça.feira a circulação de comboios de passageiros a partir da cidade da Beira  para Tete, Chimoio e Machipanda, depois de uma interrupção de dez dias devido a vandalização da Linha de Sena que culminou com o descarrilamento de um comboio de mercadorias, sem vítimas humanas.  

A partida aconteceu na estação da cidade da Beira para Moatize, província de Tete, facto que não acontecia há 10 dias, depois da Linha de Sena ser sabotada por indivíduos até agora desconhecidos.

A sabotagem da linha de Sena, que culminou com o descarrilamento do comboio de mercadorias, propiciou a que os Caminhos de Ferro de Moçambique, por razões de segurança, tenham decidido suspender os comboios de passageiros.

Depois de consertada a linha, cujo prejuízos ascenderam a sete milhões de dólares, foi retomada nesta terça-feira a circulação de comboios de passageiros o que alegra os utentes, que ficaram bastante prejudicados com a interrupção deste meio de transporte, fundamental na ligação entre Beira e os distritos do norte de Sofala e do Sul de Tete.

Na retoma, o ambiente encontrado na estação ferroviária da Beira foi de centenas de passageiros à procura de um lugar, tanto nas carruagens da segunda, assim como da primeira classe.

Isac Fernando é um dos passageiros que apanhou o comboio e disse estar muito satisfeito, porque, “esses dias que estava paralisado, já estava muito apreensivo, porque há muitas viagens que não aconteceram, há muitos negócios que também não aconteceram, porque nós temos estado a usar o comboio para essas trocas comerciais, negócios e também essa locomoção para questões profissionais”.

Teresa Maimisse é residente no distrito de Cheringona, há cerca de 200 quilómetros da cidade da Beira, e deveria ter saído de Chiveve na terça-feira da semana passada, mas devido a interrupção. 

“Sim, criou um impacto negativo mesmo, porque sem a circulação do comboio nós ficamos muito tristes, porque o comboio nos ajuda muito para transportar bens de pessoas”, disse. Os nossos entrevistados dirigiram-se depois aos autores da vandalização para apelar que coloquem mão na consciência, por forma a não prejudicarem a empresa e nem os que se beneficiam destes serviços.

“É preciso mesmo colocar a mão na consciência, porque este aqui é um comboio de passageiros. Esta vandalização, em algum momento, se tivesse encontrado este comboio, poderíamos ter, se calhar, várias mortes, então, para esses que têm estado mesmo a vandalizar, na verdade, eles devem colocar a mão na consciência e não voltar a fazer isso, porque é um acto mesmo não abonatório e é condenável e repudiável”, disse Alberto Francisco, passageiro.

Os caminhos de Ferro de Moçambique, através de Atanásio das Neves, Director de Manutenção dos CFM-Centro, garantiram que o transporte de passageiros da cidade da Beira para vários pontos voltou à normalidade.

“Hoje, primeiro saiu uma automotora para Chimoio, e neste momento, como puderam acompanhar também, durante o embarque, vai sair o comboio para Moatize. Amanhã teremos o comboio que vai para Marromeu”, disse Atanásio das Neves.

Entretanto, há passageiros que ficaram retidos na cidade da Beira cerca de 10 dias sem poderem viajar de comboio a fim de cumprirem com os seus interesses. Atanásio das Neves diz que esta situação não é boa para ninguém.

“Por isso, por favor, se houver alguma coisa, tem que sempre evitarmos termos prejuízos nesses aspectos. O CFM sofre muito com os prejuízos quando há descarrilamento. São incalculáveis e esses prejuízos acabam afectando não só ao CFM, mas à própria economia do país, porque todos nós estamos a remar na mesma direcção”, disse.

Refira-se que foi reforçada a segurança ao longo das Linhas de Sena e Machipanda e as  autoridades de justiça estão a investigar os actos de vandalização que ocorreram nas duas linhas.

A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento e a petrolífera ENI investem quatro milhões de Euros, o equivalente a mais de duzentos e noventa e cinco milhões de Meticais, para implementação de projectos de fortalecimento da economia azul, na província de Cabo Delgado. Com a duração de três anos, os projectos vão ser implementados nos distritos de Ibo e Pemba, para melhorar infraestruturas escolares e promover práticas sustentáveis ligadas à economia azul.

O projecto de conservação do ambiente e desenvolvimento económico das comunidades costeiras será implementado na ilha do Ibo, que está localizado dentro do arquipélago das Quirimbas, uma área de conservação de Cabo Delgado.

“O que nós queremos é a prática. Iniciamos hoje e precisamos concluir para começarmos com os outros projectos. Não queremos só dois projectos, mas queremos mais projectos, mais programas nesta província de Cabo Delgado, que a população precisa”, disse Fernando da Silva, Secretário de Estado Cabo Delgado, que acrescentou ainda que “nós assumimos essas actividades, esses projectos como nossos”. 

Fernando Silva diz mesmo que a ideia é trabalhar em conjunto com os parceiros “para que possamos ter sucessos que a população precisa”.

Além da ENI, Cabo Delgado recebeu mais três milhões e quinhentos mil euros da Cooperação Italiana, para protecção do ambiente e investimentos no sector da educação. Marica Calabrese, representante da ENI, assumiu que os projectos que estão a ser implementados devem impactar na vida das populações de Cabo Delgado.

“Estes projectos são importantes porque todas as pessoas de Cabo Delgado possam acreditar que o gás de Cabo Delgado impacta na vida dos habitantes. Estes projectos são pagos pelo gás de Cabo Delgado. Então é importante acreditar e lembrar todos os dias que a vida de todas essas pessoas está a mudar graças a esses projectos de gás, disse Marica Calabrese.

Por seu turno, Gabriele Annis, Embaixador da Itália em Moçambique disse que o seu país estará sempre ao lado de Moçambique neste caminho de paz, crescimento e sustentabilidade. 

“O mar, do qual Moçambique possui uma das mais extensas costas de África, com cerca de 2.750 quilômetros de costa incontaminada, e que historicamente ligou as nossas culturas e os nossos povos, continua hoje a unir-nos como símbolo de amizade, confiança e cooperação entre os nossos países”, disse.

O embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, afirmou que o apoio “se insere no novo modelo de cooperação italiana com África”, destacando que Moçambique é uma das prioridades dessa política.

Os memorandos de entendimento para os projectos do meio ambiente e da educação, foram assinados pelo Secretário do Estado na província de Cabo Delgado, representante da ENI e da Agência de Cooperação Italiana.

 

A UNICEF acusou esta terça-feira Israel de estar a bloquear a entrada em Gaza de bens essenciais, incluindo 1,6 milhões de seringas compradas pela agência para a campanha de vacinação em curso.

O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Ricardo Pires, lamentou, em conferência de imprensa em Genebra, que Israel considere as seringas e os frigoríficos como bens de “dupla utilização” – para fins civis e militares – e acrescentou estar a ser “muito difícil” conseguir passar estes artigos pelos controlos e inspecções, “apesar da urgência da situação”.

As vacinas têm como objectivo imunizar as crianças em Gaza contra doenças “mortais, mas evitáveis”, como a poliomielite, o sarampo e a pneumonia, garantiu.

A UNICEF, que está a realizar uma campanha de vacinação infantil em massa no âmbito do cessar-fogo em vigor, indicou que seringas e frigoríficos a energia solar para armazenar os frascos de vacinas aguardam autorização alfandegária desde Agosto.

Além disso, há pelo menos 938 mil biberões “que podiam chegar a crianças que sofrem de diferentes graus de subnutrição”, mas estão também bloqueados na fronteira, acrescentou Ricardo Pires.

O Coordenador de Actividades Governamentais nos Territórios (COGAT), unidade das forças armadas israelitas que supervisiona o fluxo de ajuda humanitária para Gaza, não explicou a demora, mas assegurou não estar a limitar a entrada de alimentos, água, material médico e artigos para abrigo e acusou o Hamas de roubar mantimentos humanitários, acusações que o grupo islamita palestiniano nega.

No domingo, a UNICEF lançou a primeira de três rondas de vacinação para chegar a mais de 40 mil crianças com menos de 03 anos que não foi possível imunizar em dois anos de guerra.

No primeiro dia da campanha, mais de 2.400 crianças receberam várias vacinas. “Ainda temos duas jornadas pela frente, e para isso precisamos de mais mantimentos”, disse Ricardo Pires.

O cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em vigor desde 10 de Outubro, previa distribuir um grande volume de ajuda humanitária em todo o enclave, mas as agências de assistência têm afirmado repetidamente que a quantidade permitida não é suficiente para satisfazer as necessidades de uma população de dois milhões de pessoas, em grande parte deslocadas e subnutridas.

 

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pretende mobilizar investimentos avaliados em 1,7 mil milhões de dólares em vários projectos estratégicos durante a vigésima Conferência Anual do Sector privado, que será realizada nos dias 12 a 14 deste mês. O valor, segundo o Vice-Presidente da CTA, Honório Manuel, será direcionado a iniciativas em sectores como agroindústria, energia, infraestrutura e indústria transformadora, com o objectivo de gerar emprego, aumentar a produção nacional e dinamizar a economia.

Segundo Honório Manuel, os projectos abrangem sectores considerados estratégicos para o relançamento económico, incluindo agro-indústria, logística e infraestrutura, indústria transformadora, energia e serviços digitais. “Estamos a falar de iniciativas que têm potencial de gerar emprego, aumentar a capacidade produtiva interna e substituir importações. Além disso, permitem criar novas cadeias de valor e garantir maior competitividade das nossas empresas”, explicou.

O dirigente sublinha que grande parte dos projectos será apresentada em formato de Parcerias Público-Privadas, modelo que considera essencial num contexto em que o Estado enfrenta limitações orçamentais. “É fundamental criar condições claras, previsíveis e transparentes para que o sector privado se envolva. A CSP será o espaço onde o Governo, os investidores e os empresários alinharão expectativas em torno dessas oportunidades”, disse.

Questionado sobre os principais constrangimentos que continuam a travar o desenvolvimento empresarial, Honório Manuel reconhece que o país tem avançado em algumas reformas, mas ainda enfrenta desafios marcantes, tais como a burocracia na criação de empresas, morosidade no licenciamento, imprevisibilidade tributária e dificuldades na execução contratual.

“O sector privado necessita de previsibilidade. Um investidor só arrisca o seu capital quando sabe quais são as regras do jogo, se elas são estáveis e se existe confiança de que serão respeitadas. Hoje, ainda temos zonas cinzentas que desincentivam a tomada de decisão”, afirmou.

Para Manuel, o Diálogo Público-Privado é um instrumento estruturante para corrigir estes obstáculos, desde que os compromissos sejam assumidos com metas, calendários e mecanismos de acompanhamento. “É importante que o Diálogo Público-Privado deixe de ser apenas um exercício de discurso e passe a ser uma matriz de execução real, com responsabilidades partilhadas entre Governo e sector privado”, reforçou.

O Vice-Presidente da CTA afirma que um dos eixos estratégicos da próxima fase do desenvolvimento económico nacional deve ser a industrialização orientada para o mercado interno e regional. Moçambique continua a importar grande parte dos bens que consome, incluindo alimentos e produtos de primeira necessidade que poderiam ser produzidos localmente.

“Nós podemos e devemos produzir mais dentro do país. Temos terra, mão-de-obra jovem e recursos naturais. O que falta é assegurar condições para que os empresários invistam em processamento, tecnologia e logística. Se não criarmos capacidade de transformação local, continuaremos dependentes do exterior e vulneráveis a choques externos”, frisou.

Manuel destaca que a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) oferece oportunidades inéditas para inserir Moçambique nas cadeias de valor regionais, mas isso só será possível com políticas de estímulo à produção e à exportação.

Questionado sobre o impacto do clima político na economia, Manuel foi cauteloso, mas afirmou que estabilidade é um activo económico e que qualquer incerteza institucional pode atrasar decisões de investimento.

“Os investidores observam sinais, e a previsibilidade institucional é essencial. O país deve continuar a consolidar o diálogo e reforçar a confiança entre as instituições e a sociedade civil para garantir que o ambiente económico seja favorável ao investimento”, disse.

Ao concluir, o Vice-Presidente da CTA reforçou que a Conferência não deve ser apenas um evento de discursos e apresentações, mas sim um espaço de assinatura de acordos, mobilização de capitais e definição de compromissos claros.

“O sector privado está pronto para investir e contribuir para o crescimento económico. O que esperamos é que este seja um momento de viragem, em que saímos com decisões concretas, projectos financiados e uma agenda clara de reformas para os próximos meses”, finalizou.

A abertura da Vigésima Conferência Anual do Sector privado será presidida pelo presidente da República, Daniel Chapo, que vai igualmente, participar de um painel de alto nível onde será o moderador.

O artista plástico Eugénio Saranga apresenta, nesta quarta-feira, uma exposição intitulada “Os que julgam sem voz – ensaio sobre a ferida da caça furtiva”, na Fundação Fernando Leite Couto. 

A exposição apresenta uma faceta de Saranga, virada para as questões contemporâneas da vida selvagem ao próprio comportamento humano ligado à natureza.

Eugénio Saranga pertence à geração de artistas que se posiciona num momento de reafirmação de arte plástica moçambicana e procura ir além do que se exige ao artista, viver o seu tempo e denunciar o que subverte a ordem das coisas. A natureza e tudo que nela habita. 

Nas obras de desenho com recurso a tinta-da-china e caneta gel sobre papel, as imagens são associadas ao mundo selvagem ao mesmo tempo que espiritual. Sobre as figuras preenchidas pelo preto destaca-se o vermelho, das criaturas ávidas de se alimentar de outros seres, dos animais que serão feridos de uma morte inesperada, que vai servir a um fim que vai além da ganância humana.

Eugénio Saranga é, actualmente, artista plástico e curador de arte. É membro e vice-presidente do Núcleo de Arte e da Associação de Fotografia em Moçambique.

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