A intensificação dos ataques contra imigrantes na África do Sul começa a produzir efeitos que ultrapassam a esfera social e política, alimentando preocupações quanto ao impacto sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a capacidade da maior economia africana de atrair capital estrangeiro.
Numa conjuntura marcada por crescimento económico moderado, elevado desemprego, limitações fiscais e necessidade de maior investimento privado, analistas alertam que a deterioração do ambiente de segurança pode agravar a percepção de risco do mercado sul-africano.
Segundo a agência Reuters, economistas e analistas de mercado defendem que a sucessão de manifestações e episódios de violência contra cidadãos estrangeiros poderá reduzir o apetite dos investidores internacionais, sobretudo daqueles que avaliam novos projectos de investimento directo estrangeiro no país.
A consultora sul-africana ETM Analytics advertiu, citada pela Reuters, que os protestos contra imigrantes representam “o principal risco de curto prazo” para os mercados financeiros do país. A instituição considera que a evolução da crise poderá influenciar o comportamento do rand, aumentar a volatilidade dos activos financeiros e afectar as expectativas dos agentes económicos.
O receio surge numa altura em que a África do Sul procura recuperar o dinamismo económico. O país continua a enfrentar uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo, crescimento económico inferior ao potencial e uma necessidade crescente de mobilizar investimento privado para expandir a capacidade produtiva, modernizar infra-estruturas e estimular a criação de emprego.
O investimento directo estrangeiro desempenha um papel estratégico neste processo. Além da entrada de capitais, contribui para a transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e integração das empresas sul-africanas nas cadeias globais de valor.
Entretanto, os sucessivos episódios de violência contra comerciantes e trabalhadores estrangeiros podem afectar um dos factores mais valorizados pelos investidores: a previsibilidade do ambiente de negócios.
A própria reputação internacional da África do Sul começa a sofrer desgaste. De acordo com a Reuters, membros do Governo sul-africano reconhecem que os ataques xenófobos podem comprometer a imagem do país, afectar empresas nacionais que operam noutros mercados africanos e reduzir o seu poder de influência económica no continente.
O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e afirmou que “não permitiremos que grupos utilizem as legítimas preocupações da população para promover a violência e a ilegalidade”, reiterando que a aplicação das leis migratórias compete exclusivamente às instituições do Estado.
Embora os mercados financeiros ainda não tenham registado uma reacção expressiva, economistas consideram que a persistência da violência poderá reflectir-se no custo do financiamento, no comportamento da moeda sul-africana e nas decisões de investimento de empresas multinacionais.
A preocupação estende-se igualmente ao comércio regional. A África do Sul é o maior parceiro económico de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Moçambique. Qualquer deterioração do seu ambiente económico pode repercutir-se sobre o comércio transfronteiriço, os fluxos de investimento, as remessas dos trabalhadores migrantes e a integração económica regional.
O Edil do Município de Pemba, Satar Abdulgani, alertou a Polícia da República de Moçambique sobre o aumento de casos de pedido de declaração para efeitos de legalização de porte e uso de armas de fogo. Ainda assim, o presidente do Município da capital de Cabo Delgado não apresentou o número de pessoas que solicitaram o documento junto às autoridades locais.
Quase uma semana depois de ter alertado sobre o aumento do número de pessoas interessadas em ter arma de fogo para efeitos de segurança em Pemba, a nossa equipa de reportagem foi ao município para saber porque razão o edil da cidade está preocupado com uma situação que é legalmente considerada normal.
Em resposta, Satar Abdulgani disse que apesar de não ter dados comparativos do antes e depois, o que mais o preocupa são os pedidos que acontecem neste momento, desde que assumiram o comando da edilidade, numa altura em que a província está assolada pelo terrorismo.
“Não vou lhe trazer dados concretos, porque alguns deles fazem pedidos nos bairros, a declaração dos bairros, e eles nos reportam que tem esse tipo de situação. Nós já deixamos uma comunicação nos bairros que quando aparecer um pedido para este fim tem que passar directamente para o presidente do Conselho Municipal, que é para podermos monitorar e rastrear esses pedidos”, disse Satar Abdulgani.
Ademais, de acordo com o edil, não é o número de pessoas que fazem os pedidos, mas o mal que podem causar depois da legalização do porte de armas de fogo. “O facto de ter 5, 6 pessoas a fazerem pedido de armas em menos de um ano é preocupante. 5, 6 pessoas é suficiente para plantar um terror, por exemplo, se essa arma for usada indevidamente. Então, não vamos dizer que estaremos preocupados com o facto de termos 100, 200 pessoas, não. O facto de ter 5, 3 pessoas é preocupante e razão pela qual nós manifestamos a quem é de direito nesse caso que é o Comando Provincial”, explicou.
O edil de Pemba reconhece a existência de focos de criminalidade na cidade, mas considera estranha as tentativas de obtenção legal de armas de fogo para efeitos de defesa pessoal
“A cidade de Pemba é uma cidade segura, razão pela qual estamos aqui todos a viver, não saímos, não fugimos, não nos movimentamos, queremos desenvolver a nossa cidade e mostrarmos a qualquer parceiro que seja, para a população, que é uma cidade segura. Os pequenos incidentes que têm acontecido são incidentes normais que têm acontecido mesmo em grandes cidades onde não existe um conflito como este que existe na província de Cabo Delgado, mas é uma cidade segura e não há necessidade que eu tenha arma de fogo. Eu não tenho arma de fogo aqui onde eu estou, eu estou limpo”, frisou Abdulgani.
Tendo a notícia sobre o suposto aumento de pedidos de declarações no município para efeitos de obtenção de armas de fogo para uso pessoal, o edil de Pemba garante segurança na cidade e pede calma à população.
“Não é para a população ficar preocupada e entrar em pânico, só a recomendação que nós deixamos por conta da segurança dos próprios munícipes junto das suas famílias é que quem tem que fazer um pedido de porte de arma tem que ser mesmo na estrutura competente que é a própria PRM. E nós não queremos aconselhar aos jovens para terem de qualquer maneira as armas de fogo porque em algum momento, momento de ira, de qualquer descuido, podemos usar mal esta arma para nossas próprias famílias e nós nos arrependermos nisso”, alerta, apelando ainda que “temos que ser vigilantes face a essas situações todas”.
A equipa de reportagem do O País procurou ouvir a Polícia da República de Moçambique, entidade responsável pela legalização de armas de fogo na posse dos civis, para reagir à preocupação do edil de Pemba, mas não obteve resposta.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou que a Rússia pode estar a prepara-se para uma “grande guerra” na Europa, “em 2029 ou 2030”, no continente europeu e defendeu a necessidade de haver uma “forte pressão” sobre o país liderado por Vladimir Putin.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta quinta-feira que não há sinais de que a Rússia “queira parar” a invasão e alertou que o país poderá estar a preparar-se para uma “grande guerra” em “2029 ou 2030”.
“Precisamos de pressionar mais a Rússia. De acordo com a situação no campo de batalha, não vemos que a Rússia queira parar. O problema é que, observando a indústria militar russa, vemos que estão a aumentar a sua produção. E a nossa avaliação é que querem continuar esta guerra”, começou por considerar o presidente da Ucrânia numa publicação na rede social X.
Zelensky defendeu que, se existir uma “forte pressão”, a Rússia “precisará de uma pausa”. No entanto, defendeu a necessidade de “reconhecer” que o país liderado por Vladimir Putin “quer uma grande guerra”, que poderá acontecer em “2029 ou 2030”.
“Acreditamos que, se exercermos uma forte pressão, os russos precisarão de uma pausa. Mas temos de reconhecer que eles querem uma grande guerra e preparar-se para estarem prontos em 2029 ou 2030 – neste período – para iniciar uma guerra desta dimensão. No continente europeu. Encaramos isso como um grande desafio”, escreveu.
Neste sentido, Zelensky afirmou, ainda, que é necessário “pensar” em como deter a Rússia na Ucrânia e “fazer tudo para diminuir as suas capacidades”.
O alerta de Zelensky surge um dia após o Canadá ter aplicado novas sanções contra Moscovo, visando sobretudo o setor energético russo. As sanções canadianas têm como alvo 13 indivíduos e 11 entidades, várias das quais envolvidas no desenvolvimento e execução do programa de drones da Rússia, segundo um comunicado de Otava.
“Foram também sancionadas diversas entidades russas especializadas em gás natural liquefeito, dado que a Rússia continua a depender das receitas energéticas para financiar a sua guerra de agressão contra a Ucrânia”, acrescentou o comunicado.
As sanções visam ainda 100 navios da chamada “frota fantasma” usada pela Rússia para contornar as penalizações já existentes.
Os Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido já tinham aplicado sanções semelhantes.
Nas últimas semanas, a Ucrânia tem enfrentado a intensificação dos ataques russos contra as suas infraestruturas energéticas e o assalto das forças russas à cidade estratégica de Pokrovsky, no leste do país, à medida que o inverno se aproxima e as negociações para o fim da guerra estão paradas.
A tuberculose matou mais de 1,2 milhão de pessoas, no ano passado, segundo a Organização Mundial da Saúde. Depois de três anos de aumento, a Organização Mundial da Saúde anunciou uma ligeira queda nos casos de tuberculose em 2024, como fruto das medidas de prevenção e tratamento, mas alertou para os cortes no financiamento internacional que podem travar esse progresso.
O relatório revela que 10,7 milhões de pessoas adoeceram no último ano, uma redução de 1% em relação a 2023 e que as mortes caíram 3%, para 1,23 milhões em todo o mundo. Apesar da melhoria, a OMS lembra que 87% dos casos continuam concentrados em apenas 30 países, com destaque para a Índia, Indonésia e Nigéria.
A agência reconhece avanços importantes em regiões como África e Europa, onde as taxas de incidência e mortalidade diminuíram de forma significativa. No entanto, alerta que o mundo ainda está longe das metas da Estratégia para o Fim da Tuberculose, que prevê reduzir a doença em 50% até 2025.
Nesta altura, há 18 vacinas e 29 medicamentos em fases de teste, um número recorde, o que aumenta a esperança de novos tratamentos eficazes.
O Presidente da República, Daniel Chapo, inicia hoje uma visita de trabalho de dois dias à província de Sofala, com especial enfoque na cidade da Beira e o distrito de Dondo.
Durante a sua estadia, o Chefe do Estado vai dirigir a Cerimónia Central do Lançamento da Campanha Agrária 2025-2026, a realizar-se no posto administrativo de Mafambisse. O evento marca o início das actividades ligadas à promoção da produção agrícola e à segurança alimentar no país.
No âmbito da visita, está igualmente prevista a entrega de uma unidade educacional e de uma unidade fabril. Chapo vai dirigir uma cerimónia de abertura da primeira reunião nacional dos Chefes de Postos Administrativos, na cidade da Beira.
Pelo menos 42 pessoas estão desaparecidas e presume-se que tenham morrido após o naufrágio de uma embarcação com migrantes na costa da Líbia, declarou esta quarta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Em comunicado, a agência da ONU lamentou “a perda de vidas em mais um trágico incidente na costa da Líbia”, escreve o Noticias ao Minuto.
Segundo a OIM, a 08 de Novembro corrente, as autoridades líbias conduziram uma operação de busca e salvamento após o naufrágio de um bote insuflável junto ao campo petrolífero de Al-Buri.
De acordo com os sobreviventes, a embarcação, que transportava 49 migrantes e refugiados [47 homens e 2 mulheres], partiu de Zuwara (norte da Líbia) a 03 de Novembro por volta das 03:00, no horário local (mesma hora em Maputo). Aproximadamente seis horas depois, ondas fortes provocaram a falha do motor, fazendo com que a embarcação virasse e lançasse todos os passageiros ao mar.
A OIM referiu que depois de seis dias à deriva, apenas sete homens, dos quais quatro do Sudão, dois da Nigéria e um dos Camarões, foram resgatados.
“Tragicamente, 42 pessoas continuam desaparecidas e são dadas como mortas, incluindo 29 do Sudão, oito da Somália, três dos Camarões e duas da Nigéria. A equipa da OIM prestou assistência médica de emergência, forneceu água e alimentos aos sobreviventes assim que estes chegaram ao ponto de desembarque, em coordenação com as autoridades competentes”, indicou a nota.
De acordo com os dados mais recentes do Projecto Migrantes Desaparecidos da OIM, o número de mortes no Mediterrâneo Central já ultrapassou as mil este ano.
Este naufrágio, ocorrido poucas semanas após outros incidentes fatais perto de Surman (Líbia) e Lampedusa (Itália), sublinha os perigos persistentes enfrentados pelos migrantes e refugiados ao longo da rota do Mediterrâneo Central, afirmou a agência da ONU.
Com este último naufrágio, este total aumentou, segundo a OIM, que reforçou “a necessidade urgente de uma cooperação regional mais forte, da expansão de rotas migratórias seguras e regulares e de operações de busca e salvamento mais eficazes para evitar mais perdas de vidas”.
A ex-primeira-dama do Gabão e o seu filho foram condenados na terça-feira à revelia a 20 anos de prisão por desvio de fundos públicos e branqueamento de capitais, noticiaram esta quarta-feira os meios de comunicação social locais.
Sylvia Bongo e Noureddin Bongo foram considerados culpados dos casos de desvio de fundos e branqueamento de capitais pelo Tribunal Penal Especial de Libreville, mesmo estando os dois ausentes da sessão de julgamento.
“Sylvia Bongo foi considerada culpada de receber e desviar fundos públicos, branqueamento de capitais, apropriação indevida de fundos e instigação à falsificação”, afirmou o juiz Jean Mexant Essa Assoumou, do Tribunal Penal Especial de Libreville, ao anunciar a sua decisão.
Por seu lado, Noureddin Bongo foi considerado culpado de “desvio de fundos públicos, suborno, usurpação de títulos e funções, branqueamento de capitais agravado e associação criminosa”, ainda de acordo com a mesma sentença.
Segundo o magistrado, ambos “abusaram do poder presidencial” após o AVC sofrido pelo Presidente Ali Bongo em 2018.
Além da pena de prisão, o tribunal impôs a cada um uma multa de 100 milhões de francos CFA (mais de 152 mil euros), enquanto juntos deverão pagar 1.000 milhões de francos CFA (mais de 1,5 milhões de euros) por danos morais ao Estado gabonês.
O filho da ex-primeira-dama deverá pagar ainda mais 1,2 mil milhões de francos CFA (cerca de 1,8 milhões de euros) por danos financeiros.
Sylvia Bongo, de 62 anos, e o seu filho, de 33, não estiveram presentes no julgamento, que teve início esta segunda-feira, porque abandonaram o país rumo a Angola em Maio passado, graças à intervenção da União Africana (UA).
Os dois residem agora em Londres e anunciaram recentemente que não regressariam para um julgamento que consideram uma farsa.
Durante o processo, o procurador-geral, Eddy Minang, mostrou imagens de aviões privados e de diferentes propriedades imobiliárias, como a sua mansão em Londres e o seu palácio em Marraquexe, Marrocos, adquiridos com dinheiro branqueado.
O procurador afirmou também que a ex-primeira-dama recebeu 16 mil milhões de francos CFA (mais de 24 milhões de euros) para suas “necessidades pessoais”, enquanto o ex-assistente pessoal da ex-primeira-dama deu conta em tribunal da compra de joias, vestidos e obras de arte por um valor total entre três e quatro milhões de dólares anuais, bem como de desvio de fundos públicos para contas no Dubai.
Outra dezena de personalidades próximas ao Governo do ex-Presidente Bongo estão a ser julgadas no âmbito deste processo, que se estenderá até ao próximo dia 14.
Os militares tomaram o poder no Gabão em 30 de Agosto de 2023, pouco depois de as autoridades eleitorais anunciarem a vitória de Ali Bongo nas controversas eleições daquele mês.
A família do ex-chefe de Estado – que se tornou Presidente após a morte de seu pai, Omar Bongo, em 2009 – ocupava o poder desde 1967.
Foi lançado em Maputo, esta terça-feira, o livro “Eu e o Meu Sonho: Memórias de um Povo em Armas”, da autoria de Francisco Cabo. A obra do veterano revisita o percurso da luta de libertação nacional e defende a necessidade de uma independência económica no país.
Com um tom reflexivo e patriótico, Francisco Cabo, no livro “Eu e o Meu Sonho: Memórias de um Povo em Armas”, narra o que viveu no processo da libertação nacional e hoje apela à independência económica, que na sua leitura é um grande desafio para o país.
Para o autor do livro, os momentos que são relatados no livro são mensagens de coragem, determinação e esperança. “A fase actual, que é uma fase de luta pela independência econômica, também requer muito sacrifício. Por isso mesmo, essa determinação que os combatentes de 25 de Setembro tiveram deve ser fonte de inspiração para os mais jovens”, disse Francisco Cabo.
O veterano da luta de libertação afirma que os moçambicanos devem trabalhar para a paz efectiva no processo do Diálogo Nacional Inclusivo.
“É um momento em que nós temos que estar todos juntos, embora haja diferença em ideias, mas as ideias devem ser ouvidas, discutidas e no sentido de formar consenso. E é esse consenso que pode nos levar para levar avante o desenvolvimento do país”, assume Francisco Cabo.
O governo enalteceu o lançamento e encorajou outros veteranos a registar as suas experiências para preservar a memória colectiva e fortalecer a identidade nacional.
Os apreciadores da literatura que estiveram no local, falam de um livro que reacende a essência dos moçambicanos em nome do progresso e liberdade.
É o caso de Eduardo Zuber que considera que o livro é uma forma de entender a perspectiva do sonho numa fase em que o país precisa desenvolver-se.
“Trazer esse livro em uma vertente econômica depois de 50 anos de independência, significa que a experiência da luta pela libertação nacional, do que ele passou, do que ele queria ser, o que está acontecendo hoje em dia. Eu acho que não haveria melhor testemunho do que escrever um livro e entendermos qual era a perspectiva do sonho em uma fase em que o país precisa desenvolver-se e cada um fazer a sua parte para que a economia de Moçambique suba”, disse Eduardo Zuber.
Por seu turno, Joanica Sitoe assume que o livro vai trazer estímulo para a juventude sonhar com um país melhor. “Eu acho que, como jovem, o livro vai trazer muita coisa importante. Eu acho que a mensagem que vem no livro irá estimular o jovem a sonhar mais primeiro e a aprender mais sobre o seu país, sobre o seu povo. Eu acho que é o que o livro mais traz para os jovens”, assume Joanica Sitoe.
Após o lançamento desta obra, na Cidade de Maputo, esta terça-feira, Francisco Cabo promete mais livros, reafirmando o compromisso de manter viva a história e o espírito de união entre os moçambicanos.
Cerca de duzentas embarcações paralisaram actividades por conta da turbidez da água em Cahora Bassa. A situação teve um impacto significativo na actividade pesqueira naquele distrito, comprometendo as exportações e colocando em risco os empregos de cerca de três mil e quinhentos trabalhadores.
Trata-se de um pescado bastante consumido nos países vizinhos, como é o caso da Zâmbia e Malawi, facto que torna a pesca da espécie bastante lucrativa, entretanto, actualmente a região da albufeira de Cahora Bassa enfrenta os impactos ambientais que resultam na escassez de chuvas, que levou à redução dos níveis de água precipitando deste modo a turbidez, dificultando a prática da pesca do capenta.
“Os impactos são negativos e são muito notórios. A situação actual da pesca de Capenta de Cahora Bassa praticamente é inexistente”, disse Odete Cabinda, Presidente do pelouro de recursos pesqueiros em Tete.
Segundo a nossa fonte, a situação teve um impacto significativo na actividade pesqueira naquele distrito, comprometendo as exportações e colocando em risco os empregos de cerca de três mil e quinhentos trabalhadores.
“Há empresas que conseguem fazer três a quatro exportações mensais em camiões de 30 toneladas. Hoje, normalmente, o que é que a gente faz? A gente acaba não mandando cinco embarcações, manda duas ou uma ou três, só para experimentar, para ver o que é que é porque não consegues apanhar mais que 20 quilos”, continuou Odete Cabinda.
As autoridades em Tete admitem que a actual situação está a pôr em causa o cumprimento das metas de receitas previstas para este ano, uma vez que o fenómeno El Niño afectou não apenas as empresas de pesca de capenta, mas também as populações de cerca de sete distritos da província.
“Há uma actividade que era de impacto e tínhamos muita receita a partir desta actividade, que é a pesca, a actividade pesqueira, no âmbito industrial, semi-industrial e mesmo artesanal”, disse Cristina Xavier Mafumo, Secretária de Estado de Tete, que acrescentou que “neste momento, de cerca de 200 e tal embarcações recenseadas para uma pesca industrial de Capenta, todas elas não estão a realizar nenhuma actividade”.
A escassez de pescado não se restringe à capeta, afectando também a tilápia, popularmente conhecida como peixe Pende. Algumas vendedoras afirmam que, devido à falta do produto, foram obrigadas a aumentar os preços.
“Antes vendíamos de 250 a 300 meticais e agora a partir de 400 a 450 meticais. Lá o peixe está muito raro e você aqui também está muito raro”, disse Sheila Escrivão.
O fenómeno El Niño incidiu sobre Moçambique com maior intensidade entre final de 2023 e meados de 2024, provocando seca severa em várias regiões do centro e sul do país, incluindo a província de Tete.
Há cada vez mais meninas a terem a primeira menstruação antes dos 8 anos, o que aumenta o risco de gravidez na infância e na adolescência. A qualidade da alimentação e o ambiente em que a criança cresce é determinante para esta situação.
Não traz estatísticas, mas a sua experiência profissional permite-lhe falar à vontade. “As crianças com uma massa corporal ideal, as crianças bem nutridas, as crianças de raça negra alcançam a menarca muito mais cedo. As crianças mais obesas, em princípio, têm dificuldade em alcançar a menarca muito mais cedo, em princípio a menarca pode chegar aos 14 anos. Menarca é o surgimento da primeira menstruação. O surgimento da primeira menstruação indica que há uma sequência lógica da comunicação entre o cérebro e o ovário da menor e determina que ela vai ovular. Portanto, o surgimento da menstruação é sinal de que ela está a ovular. Ou seja, está a produzir óvulos e se ela produz óvulos é lógico que se tiver uma cópula terá a possibilidade de engravidar”, explica Dinis Viegas, médico gineco-obstetra.
É o que terá acontecido com a menina que engravidou aos 10 anos e deu à luz no domingo na cidade de Nampula. O caso dela não é isolado. Resulta dessa cada vez maior frequência de casos de primeira menstruação na infância.
“Nós vemos aqui, com o tipo de alimentação, a melhoria das condições de vida, vemos cada vez mais menarca precoce. Ou seja, surge a primeira menstruação antes dos 8 anos. É [uma tendência] global, com as condições ambientais como disse, questões relacionadas com a alimentação, genéticas, mas de uma forma muito particular nós vemos cada vez mais menarcas precoces em África e concretamente em Nampula é mais frequente ainda”, alerta Dinis Viegas.
Dinis Viegas é médico há 22 anos e nos últimos cinco actua como especialista em ginecologia e obstetrícia. Perante o caso da pequena mãe de 10 anos, aconselha aos país e encarregados de educação para que em caso de verificação da primeira menstruação se converse abertamente com a menina para que saiba se proteger e se abster das relações sexuais porque o risco de engravidar passa a ser iminente.
É mãe aos 10 anos quando ainda faltam 8 para terminar o processo biológico normal de crescimento. O caso inspira muitos cuidados e os psicólogos falam da necessidade de uma assistência psicológica prolongada.
“A própria psiquê dela também ainda está em crescimento e ela ainda não percebe o que é isto de ter um parto. Então, pode-se dar situações dela rejeitar o próprio bebé porque ainda não percebe o que é isto de ter e amamentar um bebé. Ela precisa de muito acompanhamento psicológico. Se não tiver, pode ter sequelas. Mesmo no futuro, quando for a crescer, as relações dela não vão ser seguras porque não vai confiar porque já tem trauma dos homens”, alerta Abia Alfredo, psicóloga clínica.
O homem que a abusou sexualmente até engravidar foi detido graças à intervenção da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, FDC, no distrito de Mecuburi, onde ela vivia.
“O tio da vítima, na comunidade que dista 104 km da vila-sede de Mecuburi, comunidade de Malute, ligou para o paralegal a denunciar este caso. Prontamente, o paralegal, juntamente com a Procuradoria ao nível do distrito e também o chefe da localidade dirigiram-se à localidade de Malute para neutralizar o infractor e neste momento encontra-se detido aqui na cidade de Nampula e a FDC tem uma advogada que está a dar acompanhamento deste caso”, assegura Clara Ferrão, oficial de Programas na FDC.
Porque a menor e a família estão numa situação de carência material que aumenta a vulnerabilidade, a FDC diz que está a preparar-se para dar um apoio em função do que se mostrar mais adequado para a produção de renda.

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