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O líder do principal partido da oposição na Tanzânia, Tundu Lissu, foi condenado, esta sexta-feira, a quatro anos de prisão, por incitação à violência, depois de ter sido absolvido da acusação de traição, que poderia resultar na aplicação da pena de morte. A decisão está a gerar fortes críticas da comunidade internacional, que considera o processo judicial politicamente motivado.

 

Tundu Lissu, de 58 anos, líder do partido Chadema, foi detido antes das eleições presidenciais de Outubro de 2025, tendo permanecido 19 meses na prisão. O tribunal considerou-o inocente da acusação de traição, mas condenou-o por incitação, apesar de este crime não constar formalmente do processo. Durante a leitura da sentença, o juiz afirmou que as declarações do político tinham como objectivo perturbar o processo eleitoral e instigar actos de violência.

 

Em reacção, Lissu classificou o julgamento como uma perseguição política e acusou os magistrados de actuarem sob ordens do Governo da Presidente Samia Suluhu Hassan.

A condenação surge num contexto de crescente tensão política na Tanzânia, onde o Governo tem sido acusado de reprimir opositores e críticos. Antes das eleições de Outubro de 2025, foram registadas detenções e raptos de membros da oposição, seguidos de manifestações de grande dimensão.

 

Samia Suluhu Hassan venceu as eleições com 98 por cento dos votos. Segundo a oposição e organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas terão sido mortas pelas forças de segurança durante a repressão dos protestos. O Governo, por sua vez, reconhece oficialmente 518 mortos.

 

A decisão judicial provocou reacções de condenação no estrangeiro. Parlamentares britânicos e a União Europeia consideram o processo politicamente motivado e exigem a libertação imediata de Tundu Lissu. O embaixador dos Estados Unidos da América na Tanzânia, William Trachman, também manifestou preocupação com as implicações do julgamento para o Estado de Direito no país.

 

Na Tanzânia, as medidas de segurança foram reforçadas na capital comercial, Dar es Salaam, e nas imediações do tribunal, antes da leitura da sentença.

Este é o terceiro julgamento por traição de grande repercussão na história da Tanzânia continental. Os dois anteriores ocorreram nas décadas de 1970 e 1980, envolvendo acusações de conspiração para derrubar e assassinar o primeiro Presidente do país, Julius Nyerere.

 

Em 2017, Tundu Lissu sobreviveu a uma tentativa de assassinato, durante a qual foi atingido por 16 tiros. O político, que acredita que o ataque teve motivações políticas, foi submetido a cerca de 20 intervenções cirúrgicas na sequência dos ferimentos.

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O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF) considera inaceitáveis os incidentes ocorridos na final do CAN 2025, entre Senegal e Marrocos, e reforça o compromisso da CAF com a integridade e reputação do futebol africano. Reagindo à decisão que atribui o título africano a Marrocos, Patrice Motsepe garante que o organismo que dirige vai respeitar a posição do Tribunal Arbitral do Desporto, caso o Senegal interponha um recurso.

Após a CAF anunciar a decisão de atribuir o título africano a Marrocos, várias reacções chovem a cântaros de todos os cantos do mundo. Não estando numa ilha, o presidente do organismo que gere o futebol africano reagiu ao assunto através de uma conferência de imprensa. 

“Eu já exprimi o meu desapontamento com os incidentes que aconteceram no jogo da final. E o importante é que o que aconteceu no jogo da final é que afectou o bom trabalho que a CAF fez, há muitos anos, para garantir a integridade, o respeito, a ética, a governação e a credibilidade dos resultados dos nossos jogos de futebol” disse Motsepe. 

Patrice Motsepe alerta ainda que é preciso que haja independência e respeito pelos órgãos de decisão da CAF. 

O Senegal já manifestou interesse de recorrer da decisão ao Tribunal Arbitral do Desporto. Em relação ao assunto, Motsepe assegura que a CAF vai respeitar tudo o que for decidido ao mais alto nível e garantiu que nenhum país será tratado de forma diferente.

“Um factor crítico é que nenhum país na África será tratado de forma mais preferencial, mais vantajosa ou mais favorável do que qualquer outro país no continente africano. Nós tomamos o que aconteceu no jogo da final da Copa do Marrocos, durante o CAN Marrocos 2025, muito sério”, garantiu. 

A decisão de atribuir o título africano a Marrocos surge dois meses após o jogo da final, que legitimou o Senegal como campeão do CAN 2025. 

O projecto “I Love Maputo” será oficialmente lançado nesta sexta-feira, dia 20 de Março, num momento que assinala uma nova etapa na forma como a cidade se posiciona.

A proposta assenta num princípio que tem vindo a ganhar relevância nas dinâmicas urbanas globais, a percepção influencia a realidade económica.

Maputo reúne hoje vários os elementos que caracterizam centros urbanos emergentes, uma posição estratégica, um ecossistema financeiro em crescimento, uma cena cultural activa e uma população jovem e empreendedora.

A cerimónia terá lugar numa das estâncias hoteleiras da cidade de Maputo e reunirá representantes do sector público, sector privado, parceiros institucionais e comunidade diplomática, reflectindo o seu carácter transversal.

O lançamento assinala o início de um processo estruturado de valorização e projecção da cidade, alinhando diferentes sectores na construção da sua presença a nível nacional e internacional.

A iniciativa resulta de uma parceria entre o Conselho Municipal de Maputo e a MediaCraft Mozambique, com o objectivo de reforçar a visibilidade, a coerência e a atractividade da cidade.

“I Love Maputo” estabelece uma abordagem contínua, assente em conteúdos, experiências e plataformas que contribuem para consolidar a posição de capital do país como um centro urbano relevante na região.

O Ministério da Educação e Cultura condena a venda ilegal de livros escolares de distribuição gratuita, prática que tem sido registada em alguns pontos da cidade de Maputo. A instituição alerta que os envolvidos poderão ser alvo de sanções disciplinares e criminais.

Segundo o porta-voz da instituição, Silvestre Dava, o fenómeno constitui uma irregularidade grave, tendo em conta que os manuais são fornecidos gratuitamente no âmbito do ensino primário.

“Chegou-nos ao conhecimento a circulação de livros de distribuição gratuita à venda, o que configura uma irregularidade grave. O ensino básico em Moçambique é gratuito e isso inclui a distribuição de livros da primeira à sexta classe”, afirmou.

O responsável explicou que todos os manuais distribuídos gratuitamente possuem um selo identificativo que proíbe a sua comercialização, o que facilita a identificação de práticas ilegais.

“Todos os livros que ostentam a etiqueta ‘venda proibida e distribuição gratuita’ não devem ser vendidos. Este é um sinal claro que permite a qualquer cidadão denunciar situações de venda indevida”, referiu.

Perante a situação, o Ministério diz estar a reforçar a fiscalização, com equipas no terreno, sobretudo nas zonas da baixa da cidade e de Xipamanine, com vista a identificar os envolvidos e as possíveis falhas no sistema de distribuição.

“Estamos a trabalhar para identificar os presumíveis infractores, mas também as possíveis fissuras que permitiram a retirada destes manuais para o mercado”, explicou.

O porta-voz esclareceu ainda que existem versões dos mesmos livros destinadas à venda, produzidas em articulação com editoras, e que não possuem o selo de gratuitidade, sendo comercializadas legalmente em livrarias e papelarias.

Além disso, o Ministério apela à colaboração da população na denúncia de casos suspeitos e garante estar a trabalhar em coordenação com a Inspecção Nacional das Actividades Económicas e as autoridades policiais.

“Qualquer indivíduo encontrado a vender estes materiais poderá responder criminalmente. E, caso se confirme o envolvimento de funcionários do sector, estes poderão ser alvo de processos disciplinares, sem prejuízo da responsabilização criminal”, concluiu.

Um episódio trágico abalou o bairro 2, no distrito de Chongoene, em Gaza, onde uma mãe e suas duas filhas foram encontradas mortas em circunstâncias ainda desconhecidas. Familiares e vizinhos suspeitam de violação seguida de envenenamento.

É mais um caso de suposto assassinado por envenenamento que acontece na província de Gaza, concretamente no distrito de Chongoene.

De acordo com testemunhas, uma jovem de 38 anos e suas filhas, de 7 e 16 anos, foram encontradas sem vida no interior da residência da família. Isabel Langa, vizinha, descreveu o cenário:

“Quando nós entrámos para arranjar os corpos, estavam desorganizados. A mãe e a criança pequena estavam a sair espuma pela boca e pelo nariz. Por isso acreditamos que isto aqui foi veneno”, contou.

Outra residente, Terana Vasco, explicou que a família tinha-se mudado recentemente para a casa.

“O que vimos lá dentro estava desorganizado, tipo a panela de feijão que haviam feito no sábado estava despejada, o fogão no chão. A mãe estava na cama e a menina de sete anos estava no chão, já morta com a mãe. Queremos justiça, não podemos deixar assim”, disse.

O marido da vítima suspeita de uma acção criminosa que envolveu invasão, violação e envenenamento.

“A minha família foi assassinada. Eu desconfio que alguém as violou e, de seguida, lançou um spray. São pessoas movidas por maldade”, declarou.

O secretário do bairro 2, Américo Zunguene, afirmou que o caso deixou a comunidade em choque e medo, apelando a respostas urgentes das autoridades, no caso concreto o Serviço Nacional de Investigação Criminal, SERNIC.

“O Sernic e a saúde passaram daqui. O assunto está sendo investigado pela polícia. É a primeira vez que isto acontece. Estamos muito preocupados, sem saber o que aconteceu”, disse.

Uma das vítimas chegou a ser socorrida e levada ao hospital provincial de Xai-Xai, mas veio a falecer duas horas após a entrada. O hospital promete pronunciar-se sobre o caso esta quinta-feira.

Este episódio deixa a comunidade de Chongoene em alerta e reforça a necessidade de uma investigação rápida e rigorosa para esclarecer as causas da tragédia.

Bayport Financial Services Moçambique (Mcb) S.A., o principal microbanco do país e com a quinta maior carteira de crédito, conquistou o prestigiado prémio Global Banking & Markets (GBM) Africa 2026 Local Currency Bond of the Year – Financial Institutions.

O anúncio foi feito numa cerimónia de gala realizada na cidade do Cabo, na África do Sul, no dia 16 do corrente mês, que reuniu figuras de destaque dos mercados de capitais de África e de outras regiões.

O Global Banking & Markets Africa 2026 Local Currency Bond of the Year – Financial Institutions é um prémio internacional do sector financeiro atribuído pela organização Global Banking & Markets, que distingue as melhores operações de financiamento, bancos e instituições que se destacam nos mercados de capitais em África.

Falando aos jornalistas na Cidade do Cabo, onde participava na conferência da GBM Bonds, Loans and ESG 2026, o administrador-delegado da Bayport Moçambique, Bene Machatine, disse que o prémio representa um marco importante na trajectória da empresa, sobretudo por operar num mercado onde o mercado de capitais ainda não está desenvolvido.

“Trata-se de um reconhecimento de âmbito continental, que nos destaca positivamente, tendo em conta que existem mercados de capitais em África mais desenvolvidos do que o de Moçambique. Portanto, este prémio valoriza, não só a Bayport, mas também o país, cujo nome foi projectado na cerimónia”, disse.

Este é o segundo prémio que a Bayport Moçambique recebe ao longo dos dez anos de emissões obrigacionistas e reflecte, segundo Bene Machatine, “o nosso contributo para o mercado de capitais em Moçambique, materializado na realização de mais de 20 séries de emissões, com um valor total superior a 7 mil milhões de meticais”.

Por isso, segundo disse, “gostaríamos de reconhecer o apoio do Standard Bank, do Absa e da CGA nesta emissão, bem como dos investidores que continuam a apoiar e a confiar no Bayport como destino para os seus investimentos”.

Ranganai Mubaiwa, administrador financeiro do microbanco, acrescentou dizendo: “Quando as pessoas ouvem falar do Bayport, ocorre-lhes um dos pioneiros na concessão de crédito a funcionários públicos, numa altura em que nenhum grande banco tencionava fazê-lo, por considerar que estes apresentavam demasiado risco no início. Muitos dos nossos clientes reflectem sobre a casa que conseguiram construir, o negócio que iniciaram, os filhos que entraram no ensino superior e os tratamentos médicos vitais realizados dentro e fora do país, tudo graças à confiança que a Bayport depositou neles”.

Para Mubaiwa, a Bayport é isso e muito mais. “Damos oportunidade a indivíduos comuns de investir e obter rendimentos através dos seus fundos de pensões. Temos vindo a emitir obrigações desde 2016, criando, sempre, um mercado para fundos de pensões, seguradoras, indivíduos, bancos, entre outros, para obterem bons retornos e ampliarem os seus activos”, disse.

Ranganai Mubaiwa também teve a oportunidade de partilhar a sua visão sobre como desbloquear os mercados de moeda local em África, através do fortalecimento da profundidade, da liquidez e da confiança, na conferência realizada no segundo dia do evento, no International Convention Centre na Cidade de Cabo.

Destacou que, como emitente, a organização considerava o custo de financiamento, a disponibilidade de liquidez, o prazo da operação e a disponibilidade de moeda estrangeira como factores-chave na avaliação da emissão de obrigações e obtenção de empréstimos em moeda estrangeira ou moeda local. Acrescentou que esperava que o financiamento em moeda local continuasse a crescer no continente.

A transacção vencedora corresponde a uma emissão obrigacionista de 600 milhões de meticais, em duas tranches (taxa fixa e variável), realizada em Outubro de 2025, organizada pelo Absa e pelo Standard Bank, com assessoria jurídica da Couto, Graça & Associados – CGA.

A Bayport opera em todo o País, oferecendo empréstimos acessíveis a funcionários públicos por períodos de até sete anos. A organização iniciou actividades em 2012. É uma das sete operações no continente, sob controlo maioritário da Bayport Management Limited, uma empresa cotada nas Maurícias.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pediu, nesta quarta-feira, apoio de parceiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

Maputo acolheu, durante três dias, uma reunião organizada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, envolvendo uma missão da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), que incluiu representantes da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Tratou-se de uma reunião que serviu para reforçar o intercâmbio com Moçambique no sector de turismo e no final da mesma a CTA pediu o apoio da CPLP na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

“Vai haver um trabalho coordenado pela CTA e outras entidades moçambicanas de forma a poder entender como pode preparar também, não só na cooperação de negócios, mas também na preparação daquilo que pode ser a mão-de-obra especializada, formada, que pode ser uma oportunidade para muitos jovens moçambicanos também trabalharem num mercado mais desenvolvido no sector do turismo”, disse Salimo Abdula, representante daquela confederação para o sector do turismo.

Abdula acrescentou que existe um sector muito importante que Moçambique prioriza como um dos seus pilares no aumento social e económico, “que é o sector do turismo”.

“É um sector que vem a agregar aquilo que nós ambicionamos, que é a geração de emprego, e é nesta esfera que a CTA e a CE-CPLP, através dos outros parceiros, a AHRESP e a ASAE, tencionam explorar, aprendermos, e também cooperar para que o sector de turismo em várias vertentes possa trazer a grande alavancagem de que precisamos no desenvolvimento social e económico”, acrescentou.

Por outro lado, Salimo Abdula destacou que a missão tem uma particularidade: “Moçambique foi o primeiro país [a] que eles vêm para este tipo de interacção. Certamente vão também trabalhar com outros países-membros da CPLP neste objectivo de interacção no sector específico, o sector do turismo”, reconhecendo ainda que Moçambique, também nesta área, ainda “precisa de muita coisa” para se afirmar.

Berta Montalvão, vice-presidente do CE-CPLP, explicou que esta missão visa “acompanhar o intercâmbio e o diálogo com a CTA”, para “desenvolver e capacitar” trabalhadores na área do turismo, incluindo restauração e hotelaria, neste caso em Moçambique.

“Nós sabemos que aquilo que nos une é a língua portuguesa. Acaba por ser a ponte da nossa comunidade, no entanto é preciso, também, desenvolver e capacitar as nossas empresas no sector, no sentido de também promover e desenvolver a economia dos nossos países”, destacou Berta Montalvão.

A vice-presidente do CE-CPLP prevê, nos próximos dias, contactos com várias associações e entidades do sector do turismo e da restauração moçambicanas.

Mas sobre a reunião, Berta Montalvão disse que se falou de três eixos principais, nomeadamente o desenvolvimento das infra-estruturas, o desenvolvimento e melhoria da qualidade dos serviços prestados e do capital humano.

“Eu diria que essas são as três áreas de foco e obviamente que temos de encontrar um caminho de colaboração entre todas as entidades para podermos levar a bom porto aquilo que são as prioridades do sector do turismo”, defendeu a dirigente portuguesa.

O objectivo, acrescentou, é definir, nos próximos dias, de que forma será possível “colaborar” com Moçambique nesta área.

“Moçambique tem recursos naturais, é uma prioridade do nosso Governo explorar a área de turismo, é também uma prioridade para a CTA. Nós precisamos de duas coisas importantes: formar e investimento, para alavancarmos os recursos que nós temos, todas as esferas, desde o turismo de praia, sinergético, montanhas, nós temos muitas coisas, precisamos de evoluir a qualidade do serviço. Porque, como se diz, no turismo, quando se é bem servido, as pessoas voltam. Mas se a coisa corre mal, as pessoas falam mal de nós e não regressam. Portanto, é preciso termos cuidado”, apelou, por seu turno, Abdula.

As obras da segunda fase de construção, reabilitação e ampliação de valas de drenagem na cidade da Beira, província de Sofala, estão na fase conclusiva e deverão terminar em Junho próximo.

O projecto prevê, entre outros componentes, a construção de uma segunda bacia de retenção e vai beneficiar directamente sete bairros afectados por inundações cíclicas.

Com a implementação da referida infra-estrutura, cenários recorrentes de cheias poderão deixar de fazer parte do quotidiano de várias zonas da cidade. A empreitada, já na sua segunda fase, contempla a melhoria significativa do sistema de escoamento de águas pluviais.

De acordo com o fiscal da obra, Carlos Simões, o impacto do projecto será expressivo, sobretudo na capacidade de retenção e drenagem.

“Quando todo o sistema estiver a funcionar, tanto a primeira fase, com as comportas das Palmeiras, que são cinco, como esta segunda fase, com dez comportas da bacia do Estoril, teremos um aumento significativo do escoamento das águas pluviais. A capacidade de armazenagem quadruplicou, atingindo agora cerca de quatro milhões de metros cúbicos”, explicou.

Segundo a fonte, as obras estão executadas em cerca de 92% e já permitiram a intervenção em aproximadamente 12 quilómetros de valas de drenagem. O projecto culminará com a construção da segunda bacia de retenção na zona de Muave.

Carlos Simões assegurou ainda que a infraestrutura poderá reduzir drasticamente o risco de inundações. “Toda a zona abrangida pelo projecto garante, quase na totalidade, a não ocorrência de cheias. Há retenção suficiente para evitar que as águas invadam casas e propriedades”, afirmou.

Inicialmente previstas para Dezembro do ano passado, as obras sofreram um adiamento para Junho deste ano, devido a atrasos no processo de reassentamento e compensação de mais de 200 famílias residentes nas áreas abrangidas.

Durante uma visita às obras, o Secretário de Estado da província de Sofala, Manuel Rodrigues, apelou à busca de soluções dignas para as famílias reassentadas.

“Vamos arranjar soluções para a cidade da Beira e para os munícipes. A solução passa por garantir uma casa condigna, num local onde as pessoas sintam que valeu a pena ceder o espaço para este projecto estratégico”, destacou.

O governante defendeu ainda a necessidade de se assegurar a construção de infra-estruturas básicas sólidas nas zonas de reassentamento, de forma a evitar conflitos sociais e garantir melhores condições de vida às populações afectadas.

A previsão e resposta aos desastres naturais poderão melhorar no país com a inauguração, hoje, do centro de  previsão e alerta de cheias e secas. A Infra-estrutura inaugurada pelo ministro das Obras Públicas poderá também aumentar o tempo de aviso prévio sobre eventos extremos.

O país debate-se, todos os anos, com eventos climáticos extremos e um dos desafios tem sido a retirada antecipada das populações das zonas de risco, agravando assim os impactos.  

“O nosso país tem sido ciclicamente afetado por cheias, secas e ciclones e os impactos são severos e conhecidos, como é o caso de perdas de vidas, destruição de infraestruturas, interrupção de serviços básicos, danos na agricultura e impacto na própria economia. É um país vulnerável a eventos extremos, por isso a prevenção não é apenas uma mera necessidade, mas sim é uma obrigação que devemos cumprir”, explicou Fernando Rafael, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos. 

Com vista a melhorar a previsão de desastres naturais, o governante inaugurou, esta quarta-feira, uma nova sala com equipamento moderno, na cidade de Maputo. 

“É aqui onde dados e modelos se transformam em alertas claros, e alertas claros se transformam em medidas de prevenção e evacuação e proteção de infraestruturas críticas. A sala representa um sistema integrado, com estações hidrometeorológicas de transmissão automática, modelos de previsão hidrológica e, onde necessário, componentes complementares como vídeo e monitoria. Esta integração consolida o centro de comando regional como centro, região, sul, centro e norte.

Para o alcance dos obectivos previstos no centro, Rafael deixou recomendações, “primeiro é a questão da disciplina operacional. Que deve ser permanente. A sala tem de funcionar com rigor, 24 horas, 7 dias por semana. Segundo, assegurar a integração efetiva e a coordenação, principalmente entre a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, o INAM, o INGD, as Administrações Regionais de Águas, os governos locais. Portanto, temos de assegurar essa integração, esta coordenação com todas as áreas, com todos os atores relevantes, quando estamos numa situação de época chuvosa. Terceiro, apelar para o reforço que a comunicação social tem apresentado. É através da comunicação social que nós temos divulgado todo o trabalho, todo o esforço que o governo vai exercendo para mitigar os efeitos dos danos. E, por fim, assegurar o investimento em sustentabilidade”.

O ministro esclareceu que “este projeto não se limita a esta Sala de Comando que hoje inauguramos. Está igualmente em curso a instalação de mais duas salas, uma em Nampula e outra em Mocuba,e a aquisição de 14 estações pluviométricas, 10 estações hidrométricas, 3 radares e 9 sirenes num investimento de cerca de 7,5 milhões de dólares”. 

A instalação do centro foi financiada pela Coreia do Sul. 

Quanto a época chuvosa e ciclónica ainda em curso, Fernando Rafael fez saber que  encontram-se ainda, em alerta,as bacias do Incomati Limpopo, no sul, no centro, a bacia do Búzi e Punga, e no norte, as bacias do Megarumo, Montepuez e Messalo, com impacto, sobretudo, em zonas ribeirinhas, áreas agrícolas e na transitabilidade rodoviária. 

“E face à evolução da precipitação e às projeções de subida de caudais, importa referir aqui que o INGD já ativou ações antecipadas e cheias para a bacia do Rio Salvo, com o reforço de medidas de prontidão, incluindo massificação de avisos às comunidades, preparação de centros de acomodação, mobilização de equipas e orientação para evacuação preventiva, com especial atenção aos grupos mais vulneráveis. Por isso, reiteramos o apelo para que as populações evitem travessias de rios e zonas inundadas”.

O Presidente da República do Congo-Brazzaville, Denis Sassou NGuesso, foi reeleito para um quinto mandato consecutivo, de acordo com resultados provisórios anunciados nesta terça-feira pelas autoridades.

Sassou NGuesso obteve 94,82% dos votos, segundo anunciou na televisão estatal o Ministro do Interior do Congo-Brazzavile.

Os outros seis candidatos que desafiaram o líder de 82 anos, um dos  mais antigos da África, tendo governado por um total de 42 anos, ficaram para trás.

 A votação, que decorreu neste domingo, foi marcada por cortes da Internet em todo o país, como é habitual durante as eleições presidenciais neste país africano.. 

O ministro do interior anunciou uma participação de 84,65% e 2,6 milhões de votos contabilizados. Mas muitos locais de votação na capital, Brazzaville, registaram filas curtas ou inexistentes, pois os habitantes disseram não acreditar que a eleição resultaria numa mudança de liderança de Sassou NGuesso, que governa há muitos anos.

Sassou NGuesso, candidato pelo Partido Congolês do Trabalho, chegou ao poder pela primeira vez em 1979 e governou até 1992, quando organizou as primeiras eleições multipartidárias do país. Retornou ao poder como líder de uma milícia após uma guerra civil de quatro meses em 1997.

Outros dois grandes partidos boicotaram as eleições devido a alegações de práticas eleitorais injustas.

Um referendo constitucional em 2015 eliminou os limites de idade e de mandatos presidenciais, permitindo que ele se candidatasse novamente.

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