Deputados da Bancada Parlamentar do PODEMOS foram impedidos de aceder e fiscalizar o Armazém Central de Medicamentos do Zimpeto na Cidade de Maputo por alegada ausência dos responsáveis em gozo de licença disciplinar. Os deputados dizem haver um esquema de desvio de medicamentos no armazém.
Outra vez, a bancada parlamentar do PODEMOS visou instituições ligadas ao sector da saúde. O grupo parlamentar visitou de surpresa o Armazém Central de Medicamentos no Zimpeto para fiscalização parlamentar, mas as suas intenções foram frustradas. “Simplesmente, a direção do armazém não aceita que nós entremos como deputados para fiscalizar.” Disse Ivandro Massingue, porta-voz da Bancada, explicando as razões: “todos os funcionários responsáveis do armazém estão de férias.”
“O Estado tem que parar, o país tem que parar, o governo não funciona, as instituições não funcionam porque todos os directores estão de férias?” Questionou o deputado
Os deputados dizem que a visita tinha por objectivo desmantelar um alegado esquema de desvio de medicamento denunciado por pessoas devidamente posicionadas na instituição.
“A denúncia que nós recebemos dá indicações de que tem muitos lotes, muitas caixas de medicamentos que já foram declaradas fora do prazo e que, legalmente, serão retiradas para abastecer o mercado paralelo e nós queríamos ver isso em flagra”
Assim, uma vez frustrada a intenção, o porta-voz diz que o grupo parlamentar vai preterir o convite da direção para fiscalizar o centro, assim que os responsáveis regressarem de férias.
Na província de Inhambane, onde o trabalho por conta própria é, para muitos, a única forma de sobrevivência, apenas cerca de cinco mil trabalhadores independentes estão inscritos no sistema de segurança social. O número é considerado alarmante quando comparado com a dimensão real das actividades económicas desenvolvidas no terreno, revelando que a esmagadora maioria dos cidadãos que vive de pequenos negócios, serviços e iniciativas pessoais continua fora de qualquer forma de protecção social.
Numa terra conhecida como “a província da boa gente” e marcada por forte espírito de iniciativa, milhares de cidadãos acordam todos os dias para ganhar a vida como vendedores informais, artesãos, pescadores, agricultores familiares, mototaxistas, pequenos comerciantes e prestadores de serviços diversos. Porém, por trás dessa dinâmica económica quotidiana, esconde-se uma realidade frágil: a exclusão social de quem trabalha hoje sem nenhuma garantia para o amanhã.
Em caso de doença, acidente, invalidez ou velhice, estes trabalhadores enfrentam o risco absoluto do abandono institucional, sem direito a pensão, subsídio ou assistência continuada. Uma situação que, segundo a Delegada do Instituto Nacional de Segurança Social em Inhambane, Rabia Abacar, precisa de ser revertida com urgência.
A dirigente reconhece que o desafio é grande e admite que os números atuais estão muito distantes do universo real da força produtiva da província. Segundo explica, os dados estatísticos mostram claramente que há muito mais pessoas economicamente activas do que aquelas que aparecem formalmente registadas no sistema.
“Temos muita gente a produzir riqueza e a gerar economia, mas que ainda não está coberta pela segurança social. O nosso desafio é encontrar estas pessoas e trazê-las para dentro do sistema”, afirmou. Abacar acrescenta que uma campanha massiva está em curso para identificar todos os trabalhadores por conta própria e convencê-los da importância da inscrição.
A delegada alerta para as consequências sociais desse afastamento do sistema formal. Segundo ela, muitos trabalhadores activos acabam por cair na pobreza extrema quando atingem a velhice ou são vítimas de acidentes, simplesmente porque nunca contribuíram e, por isso, não têm direito a um benefício regular. “Não é aceitável que alguém trabalhe toda a vida e, quando não tem mais forças, fique reduzido a depender da caridade”, frisou.
Os dados foram divulgados durante a inauguração de um novo Posto de Atendimento do INSS no distrito de Jangamo, um marco importante num território onde durante anos o acesso aos serviços de segurança social exigia deslocações longas e dispendiosas.
Até à abertura da nova infra-estrutura, muitos cidadãos eram obrigados a percorrer mais de 30 quilómetros para resolver assuntos tão simples como a inscrição no sistema, consulta de contribuições ou regularização de dados. A nova unidade passa a absorver uma procura crescente numa região onde a informalidade continua a dominar a economia local.
A Secretária de Estado na província de Inhambane, Bendita Lopes, explicou que o distrito de Jangamo conta actualmente com 357 entidades empregadoras registadas, 4.224 trabalhadores por conta de outrém e apenas 146 trabalhadores independentes inscritos. O número evidencia de forma clara a dimensão do problema.
Segundo a governante, o distrito tem ainda 266 pensionistas em diferentes categorias, sendo 105 por velhice, 11 por invalidez e 150 por sobrevivência. Estes números, na sua análise, demonstram que há um sistema em funcionamento, mas ainda longe de cobrir o verdadeiro universo de beneficiários potenciais.
Para além da expansão física dos postos, o Governo aposta na modernização tecnológica como forma de aproximar os serviços dos cidadãos. De acordo com Bendita Lopes, a informatização dos processos e a digitalização dos serviços são estratégias fundamentais para reduzir burocracias e tornar mais rápido e simples o acesso à segurança social.
“Estamos a aproximar os serviços dos cidadãos, reduzindo distâncias físicas e administrativas. O objectivo é que ninguém fique de fora por falta de acesso ou de informação”, explicou.
Apesar dos avanços, a província de Inhambane ainda tem três distritos sem postos físicos do INSS, o que obriga muitos utentes a percorrer mais de 100 quilómetros para tratar de processos básicos. Uma realidade que penaliza sobretudo os mais pobres, sem meios para suportar deslocações longas.
Enquanto a cobertura territorial avança lentamente, o maior obstáculo continua a ser cultural e informacional. Muitos trabalhadores informais desconhecem os benefícios da inscrição no sistema ou vivem com a falsa ideia de que a segurança social é exclusiva para funcionários públicos e grandes empresas.
A ausência de uma cultura forte de contribuição e poupança de longo prazo agrava o problema. Muitos trabalhadores priorizam a sobrevivência imediata e encaram os descontos como perda de rendimento, sem perceberem que estão, na verdade, a investir no próprio futuro.
A situação torna-se ainda mais crítica numa província frequentemente afectada por fenómenos naturais extremos, como cheias, ciclones e secas. Sem protecção social, qualquer crise transforma-se numa sentença de miséria para milhares de famílias.
O esforço das autoridades passa agora por intensificar campanhas de sensibilização porta a porta, desmistificando o funcionamento do sistema e mostrando que a segurança social não é um luxo, mas um direito.
Inhambane, terra de trabalho duro e criatividade popular, abriga uma economia informal vibrante. Mas, sem protecção social, essa energia produtiva corre o risco de envelhecer no abandono.
O desafio colocado hoje às autoridades não é apenas técnico ou administrativo, mas profundamente social e humano: transformar trabalhadores invisíveis em cidadãos protegidos.
Trinta e sete por cento das crianças que vivem no país, com idades compreendidas entre zero e cinco anos de idade, estão em risco de vida devido à desnutrição, crónica e aguda, de acordo com o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, SETSAN, que considera o cenário muito preocupante.
A desnutrição em Moçambique continua a ser uma realidade preocupante em menores de idade até cinco anos, principalmente na região Centro do país.
De acordo com o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, que esteve reunido na Beira em reunião anual de reflexão sobre a nutrição e segurança alimentar, regista-se no país um aumento dos níveis de desnutrição crónica, que levanta preocupações em relação aos esforços.
O sector defende a mudança urgente das comunidades sobre os hábitos alimentares, pois a situação é grave.
Sem revelar os dados actualizados em relação a casos registados nos últimos cinco anos, o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional lembrou que uma criança que sofre de desnutrição, não consegue atingir o seu potencial de crescimento físico, mental e cognitivo, e é por esta razão que o Governo quer ver os níveis de desnutrição crónica mais baixo no próximo quinquénio.
De acordo com a secretária-executiva do SETSAN, Judite Mussacula, para além do alto custo para o país, a elevada incidência da desnutrição compromete o alcance de muitos dos compromissos de desenvolvimento socioeconómico do país.
A zona Centro do país é a que regista maior número de casos, com destaque para Sofala, Zambézia e Nampula, que têm acima de 35% dos casos desnutrição crónica e aguda.
Os maiores problemas relacionados com a desnutrição crónica e aguda são registados nos distritos onde decorrem várias actividades junto às comunidades, que assim são obrigadas a mudar de hábitos alimentares.
Pretende-se, com a reunião anual de reflexão sobre a nutrição e segurança alimentar, que decorre na cidade da Beira, evento que contou com o apoio da União Europeia e UNICEF, encontrar os melhores mecanismos para a participação de vários sectores na identificação de necessidades em saúde, nutrição, água e saneamento incluídas no quadro de recuperação de desastres em Sofala.
Pelo menos treze pessoas, incluindo várias crianças, morreram, devido às fortes inundações na província de Sumatra do Norte, no oeste da Indonésia, onde também ocorreram deslizamentos de terra, declararam esta quarta-feira as autoridades locais, indicando que mais podem ter sido arrastadas pelas enxurradas.
As inundações foram causadas pelas fortes chuvas que começaram no fim-de-semana e continuaram a cair no país nos dias posteriores.
A situação levou ao transbordamento de vários rios e, de acordo com a Agência de Gestão de Desastres da região (BPBD), a retirada da população continua em várias regiões como medida preventiva.
As áreas mais afectadas são Tapanuli Central e Tapanuli do Sul, em Sumatra Norte, na ilha de mesmo nome, que concentram a maioria das mortes.
Além disso, cerca de 40 pessoas ficaram feridas, segundo fontes médicas que falaram à agência de notícias Antara.
A União Europeia (UE) admitiu ontem que todos “querem que a guerra acabe” na Ucrânia, mas avisou que “a maneira como acaba também tem de interessar”, rejeitando qualquer proposta que isente Moscovo de “obrigações a longo prazo”.
“Todos queremos que esta guerra acabe, mas a maneira como acaba também tem de interessar”, disse, citada pelo Notícias ao Minuto, a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, em conferência de imprensa, em Bruxelas, no final de uma reunião ministerial extraordinária por videoconferência.
Kaja Kallas insistiu que para a União Europeia, “têm de haver obrigações do lado da Rússia para haver paz” e que essas obrigações “têm de ser a longo prazo”, para evitar que o Kremlin decida voltar a invadir a Ucrânia ou qualquer outro país.
No plano de paz apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, “não há qualquer concepção por parte da Rússia”, advogou a alta representante da UE para a diplomacia, considerando que, pelo contrário, Moscovo “pede mais do que aquilo que já tirou”.
“A longo prazo tem de haver obrigações, por exemplo, a Rússia tem de honrar as obrigações que já existiam, nomeadamente não atacar mais ninguém, podemos começar por aí”, comentou Kaja Kallas, ex-primeira-ministra da Estónia.
Questionada sobre as declarações do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte, que considerou que a guerra podia acabar até ao final do ano, Kaja Kallas rejeitou essa ideia, respondendo que até hoje “não há quaisquer indicações disso por parte da Rússia”.
“Há zero indicações de que a Rússia queira parar esta guerra”, sustentou.
Kaja Kallas também aludiu à possibilidade de mais invasões russas, uma vez que o Kremlin reforçou o investimento na área da defesa e a alta representante da UE para a Política de Segurança considerou que nenhum país faz um investimento destes sem pensar no que pode fazer com o que investiu nesse domínio.
A população colocou barricadas na estrada e paralisou os trabalhos nas areias pesadas de Chibuto. Em causa está o alegado incumprimento de pagamento de compensações por perda de terras. Há um detido. O secretário de Estado de Gaza já reagiu ao assunto.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) voltou a disparar gás lacrimogéneo na zona de Mudumeia, no distrito de Chibuto, para dispersar populares, que bloquearam desde a madrugada desta terça-feira o acesso à mineradora Dingsheng Minerais.
“Bloqueamos lá, na empresa, para não sair, levar as pessoas que trabalham. Veio a polícia, quando chegaram aqui, nos agrediram, disseram que vocês têm que saírem daqui. Não saímos, ficamos, e eles começaram a Balear”, disse um dos grevistas.
É a terceira vez em menos de um mês que residentes protestam devido ao não pagamento de compensações por perda de terras há nove anos.
“O que queremos é que nós paguem o nosso valor”, frisou outro residente de Mudumeia. Acrescentando que “Nós não vamos dizer que eles levaram, vamos dizer que roubaram. Queremos o nosso dinheiro e emprego”.
O porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Gaza, Júlio Nhamussua, explicou que a população agiu com violência, impedindo a entrada de trabalhadores, bem como na paralisação das operações de produção na área mineira. Júlio Nhamussua fala da detenção de um suposto líder do grupo.
“Por criar barricadas nas estradas, isso que já vem a comprometer aquilo que é o direito dos outros . Foi detido um indivíduo que foi tido como cabecilha, um dos agitadores, que agitava as massas para poderem tomar atitudes agressivas. E quando isso acontece, nós como polícia tomamos aquelas que são as medidas de polícia que é detê-lo para poder persuadir os outros a não enveredar por aquele caminho”.
O grupo, entretanto, alerta que só vai aliviar as vias com uma solução definitiva do problema.
E, face às greves cada vez mais recorrentes, o secretário de Estado de Gaza reuniu nesta quarta-feira com o governo do distrito de Chibuto e gestores da empresa de capitais chineses e há decisões.
“Devessem dar 15 milhões de dólares para serem utilizados em um período de 10 anos. A Dinsheng se responsabilizou em preparar os termos de referência do que pode fazer. E eu pessoalmente hei de pôr a mão para controlar a aplicação deste dinheiro para evitar que haja alguém que venha fazer aproveitamento desse dinheiro. Mas a verdade é que houve algum deslize nos procedimentos para arrastar este problema até este momento.
Mais do que compensar as comunidades, Jaime Neto exige que a empresa Chinesa tire do papel todas promessas feita às comunidades a partir dos primeiros meses de 2026.
“Construir escola, hospital, começar por ações de curto e médio prazo, para deixar a empresa trabalhar e cumprir com os objectivos da instalação da sua empresa”, afirmou.
Os acordos para materialização destes projectos de desenvolvimento local em Chibuto serão assinados em Dezembro próximo.
O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, recebeu, nesta quarta-feira, em audiência, no seu gabinete de trabalho, Jorge Monteiro, embaixador de Portugal em Moçambique.
Na ocasião, Jorge Monteiro disse que está na província de Nampula pela primeira vez, quatro meses após ter tomado posse como embaixador de Portugal em Moçambique, em missão de serviço no âmbito de boas relações que Moçambique tem com Portugal, onde irá fazer visitas de apresentação institucional às autoridades provinciais, Universidades e projectos estratégicos financiados pela Cooperação Portuguesa.
Jorge Monteiro fez saber igualmente que irá participar no lançamento do projecto +EMPREGO II, que visa aumentar as oportunidades para os jovens moçambicanos em Nampula e Cabo Delgado, de obterem um emprego digno em sectores económicos seleccionados que apoiem a transformação verde e socioeconómica.
Por seu turno, Eduardo Abdula, governador de Nampula, desejou as boas-vindas ao embaixador de Portugal em Moçambique e toda a comitiva à província, através de uma marca indelével “Wamphula Noophiya” (Chegamos a Nampula) destacando que, neste momento, Nampula está atravessar uma situação bastante grave, com os ataques de terrorismo em Memba, onde há muitas famílias deslocadas em um número de 85 mil, que, na sua maioria, são crianças, cujo número chega a 44 mil crianças.
Eduardo Abdula disse que, com base nisso, foi lançada uma campanha de solidariedade denominada “14 milhões de braços por Memba” e que até ao momento foram angariadas mais de 100 mil toneladas de produtos de primeira necessidade.
“E, dentro em breve, iremos mobilizar a população a regressar às suas zonas de origem, uma mobilização moderada que será por livre vontade, tendo em conta que a segurança está garantida e, para tal, precisaremos de angariação de mais meios, como o transporte para levar essas famílias”, disse o governador.
Recorde-se que os deputados da Assembleia da República foram os mais recentes doadores para apoio à população de Memba, com cerca de 60 toneladas de produtos de primeira necessidade, entregues pela respectiva presidente, Margarida Talapa, acompanhada pelos chefes das bancadas parlamentares que compõem a Casa do Povo, nomeadamente Frelimo, Renamo, Podemos e MDM.
A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria de Fátima Simão Manso, reafirmou o compromisso do Governo de Moçambique de continuar a cooperar com as Nações Unidas para alcançar uma resposta colectiva aos desafios no combate ao tráfico de seres humanos.
Ao proferir o seu breve discurso na reunião de alto nível da assembleia geral das Nações Unidas sobre a Avaliação Global do Plano de Acção contra o Tráfico de Pessoas, na tarde de terça-feira, dia 25 de Novembro corrente, em Nova York, a secretária de Estado considerou que a Declaração Política adoptada neste evento exige dos Estados-membros “coragem política, investimento sustentado e uma mudança da resposta à crise para a prevenção” do tráfico humano.
Na ocasião, saudou a organização mundial pela adopção da Declaração Política de 2025 sobre a Implementação do Plano de Acção Global das Nações Unidas para o Combate ao Tráfico de Pessoas, tendo considerado “um compromisso oportuno, visto que a dimensão e a complexidade deste crime continuam a ultrapassar a nossa resposta colectiva”.
Enalteceu o documento adoptado, que reconhece que o tráfico de pessoas é indissociável de factores mais amplos, como a pobreza, a desigualdade de género, o desemprego e as crises humanitárias, cujo combate exige, não apenas respostas da justiça criminal, mas também desenvolvimento socioeconómico e o respeito pelos direitos humanos.
Destacou três prioridades que devem traduzir a Declaração Política, nomeadamente a necessidade de investir na protecção social, educação, igualdade de género e trabalho decente, particularmente nos países mais afectados pela fragilidade; robustecer a perícia digital, sistemas de dados mais eficientes e investigações transfronteiriças para desmantelar fluxos financeiros, recrutamento online e as ligações com outros crimes; incrementar as parcerias entre os governos, o sector privado, as empresas de tecnologia, as instituições financeiras, a sociedade civil e as redes de sobreviventes, visto que estes têm papéis indispensáveis na limpeza das cadeias de abastecimento.
A secretária de Estado Maria Manso explicou, na reunião, que a estratégia nacional de Moçambique combina reformas legais, coordenação institucional, formação para a polícia e magistrados, cooperação transfronteiriça e sensibilização da comunidade.
A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior participa na reunião da Assembleia Geral da ONU no quadro da visita de cinco dias que efectua à Nova York, na qual está acompanhada pelas directoras-adjuntas para Organizações Internacionais e Conferências para África e Médio Oriente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ilda Trigo Raivoso e Georgina Lázaro Mugawa, respectivamente.
O Partido ANAMOLA quer participar na fase de harmonização das propostas no Diálogo Nacional Inclusivo, e sugere uma revisão na lei do diálogo para permitir a integração do Venâncio Mondlane, na qualidade de segundo mais votado nas presidenciais de 2024. O Partido sugere ainda a mudança de sistema de governação no país para um modelo semi-presidencialista.
A Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autônomo, ANAMOLA diz não fazer sentido que o seu presidente, Venâncio Mondlane, não esteja a participar do Diálogo Nacional Inclusivo. O partido julga que a terceira fase do processo, a da harmonização das propostas, é crucial e o ANAMOLA deve estar no processo para defender suas ideias.
“Nós vamos continuar a batalhar. Ainda é possível. Em um dia pode se fazer a alteração da Lei do Diálogo Nacional Inclusivo para se estender a outros participantes, como é o caso do engenheiro Venâncio Mondlane, que foi candidato presidencial e segundo mais votado. É legítimo, por isso nós queremos participar da discussão”, explicou Dinis Tivane.
O porta-voz questiona: “quem estará lá para defender nossas ideias? imagina que os moçambicanos se revejam mais nas nossas propostas do que noutros partidos que nem sequer apresentam ideias?”
Dinis Tivane, falava em conferência de imprensa, esta quarta-feira em Maputo, convocada para divulgar várias propostas de leis de reformas no Estado, uma das quais, a de revisão constitucional que sugere a criação de um sistema semipresidencialista, reforço da independência judicial, despartidarização do Estado e novos princípios de verdade eleitoral.
O foco principal é modernizar o Estado e reduzir a interferência política em órgãos soberanos, segundo disse o porta-voz do partido. “Na Roménia, Cabo Verde, Portugal e outros, estão a governar desta maneira, e são potência econômica e política. nós também podemos copiar”, disse.
Tivane foi mais longe ao dizer que o excesso de poder na figura do Presidente da República acaba criando ineficiências.
Entre as seis propostas, está também a revisão da lei da CNE, do Recenseamento, da Lei Eleitoral e da Lei de Impeachment.
Na proposta de Revisão da Lei da CNE, propõe-se a substituição da actual CNE por uma Comissão Eleitoral Independente (CEI), composta por membros apartidários escolhidos por mérito. O objetivo é garantir transparência, reduzir interferências políticas e eliminar estruturas intermediárias como Comissões Provinciais e Distritais.
Já a proposta de Revisão do Recenseamento Eleitoral sugere que, no acto de inscrição, os eleitores possam fornecer voluntariamente contactos telefónicos ou e-mail para receber os resultados da sua mesa via plataforma digital. Também reforça regras de fiscalização e observação do recenseamento, promovendo maior transparência.
Por outro lado, a proposta sobre Funcionamento das Autarquias propõe que as vereações sejam distribuídas proporcionalmente aos resultados da assembleia local, garantindo governação partilhada entre partidos com assento. Introduz também regras mais claras sobre nomeações e substituições de vereadores.
No quadro das soluções para melhorar a integridade das eleições autárquicas, incluindo medidas para evitar fraudes, garantir igualdade entre concorrentes e introduzir gradualmente a votação eletrónica nas capitais provinciais, foi criada a proposta de lei de revisão da lei eleitoral autárquica.
O sector privado moçambicano ganha uma nova folga financeira com a implementação do projecto “Mais Oportunidades”, uma iniciativa que promete injectar cerca de 20 milhões de dólares directamente nas pequenas, médias e grandes empresas de quatro províncias do país, incluindo Inhambane.
O programa, agenciado pelo Ministério das Finanças, financiado pelo Banco Mundial e operacionalizado por várias agências nacionais e internacionais, surge como uma das apostas mais ambiciosas do Governo para dinamizar três sectores estratégicos da economia: turismo, agro-negócio e construção civil.
Em Inhambane, o projecto chegou com expectativas elevadas. Empresários, técnicos e representantes institucionais participaram num encontro de apresentação que serviu, ao mesmo tempo, para esclarecer dúvidas, prestar contas sobre o andamento do processo e abordar, sem rodeios, os entraves que continuam a travar o acesso das empresas ao financiamento.
À frente da componente técnica do programa está Mário Ubisse, especialista em desenvolvimento do sector privado e membro da equipa de assistência técnica do projecto “Mais Oportunidades”, também operacionalizado por entidades como a agência Vale do Zambeze. Segundo explicou, o programa abrange quatro províncias — Sofala, Manica, Gaza e Inhambane — e desenvolve-se em várias frentes, desde capacitação empresarial até financiamento directo por via de subvenções.
“O projecto actua em três áreas-chave: turismo, agro-negócio e construção civil. Além das subvenções, estamos a investir fortemente em capacitação, porque entendemos que não basta dar dinheiro; é preciso fortalecer as empresas para que saibam gerir e ampliar esses recursos”, afirmou Ubisse, sublinhando que a formação já arrancou em Gaza está em fase de implementação em Inhambane, com a província de Sofala prevista para entrar no calendário nas próximas semanas.
No que toca ao financiamento, os números impressionam. Só para as quatro províncias abrangidas pela primeira fase, estão reservados cerca de 20 milhões de dólares em subvenções, enquanto as acções de capacitação contam com mais um milhão de dólares. No conjunto, o projecto “Mais Oportunidades” movimenta um pacote global de cerca de 200 milhões de dólares, abrangendo outras componentes como infra-estruturas da “última milha” e inclusão financeira.
A expectativa criada em Inhambane é grande. Ao nível da província, 42 pequenas e médias empresas já foram pré-seleccionadas e encontram-se, neste momento, a desenvolver os seus planos de negócio ou subprojectos. Estas empresas fazem parte de um universo mais vasto: ao todo, 393 empresas submeteram candidaturas nas quatro províncias, das quais 138 passaram para a fase de elaboração de projectos, sendo Inhambane responsável por quase um terço dessa lista.
A leitura sectorial confirma as tendências económicas locais. Inhambane destaca-se sobretudo no turismo, enquanto Gaza apresenta maior peso no agro-negócio. A construção civil, por seu turno, marca presença transversal nas quatro províncias, impulsionada pelo crescimento urbano e pelos investimentos em infra-estruturas.
Mas a corrida ao financiamento não tem sido um percurso sem obstáculos. Um dos pontos mais sensíveis — e frequentemente ignorados por muitas empresas — é o cumprimento das obrigações fiscais. Para Mário Ubisse, este é, actualmente, o maior nó de estrangulamento no acesso às subvenções.
“Estamos a falar de fundos públicos, administrados pelo Ministério das Finanças. Uma empresa que não cumpre as obrigações legais terá, naturalmente, dificuldades para aceder a este financiamento. Muitos empresários não conseguem apresentar evidências do cumprimento fiscal, e isso compromete seriamente as suas candidaturas”, explicou, num tom directo.
É aqui que o discurso técnico encontra eco no desabafo empresarial. Abdul Razak, presidente do Conselho Empresarial de Inhambane, não escondeu as frustrações do sector privado quanto ao ritmo e à previsibilidade dos processos.
“Temos muitos fundos lançados, mas o problema é a demora e a falta de comunicação. Não se pode deixar um empresário dois ou três meses sem saber se foi ou não aprovado. Isso é angustiante para quem está a planear o futuro da empresa com base nesses fundos”, lamentou.
Além da morosidade, Razak aponta problemas mais profundos na articulação entre o fisco e o sistema financeiro. Um dos exemplos mais citados no encontro foi a incompatibilidade entre os modelos fiscais exigidos às pequenas empresas e os requisitos bancários.
“Muitas microempresas são registadas no modelo 10 nas Finanças, mas quando chegam aos bancos pedem o modelo 20, que é próprio de médias e grandes empresas. Isto cria uma barreira desnecessária. Não é uma questão de capacidade de pagamento de impostos, mas de classificação administrativa”, explicou.
Na sua visão, é urgente que o Estado harmonize estas exigências, permitindo que pequenas empresas possam beneficiar de modelos fiscais flexíveis sem que isso as impeça de aceder ao crédito e aos fundos públicos.
“O problema não é a contabilidade organizada. Uma empresa pequena pode ter contabilidade organizada à sua escala. O verdadeiro bloqueio é o modelo fiscal que não conversa com a realidade do empresariado local”, acrescentou.
O debate decorreu num ambiente marcado por expectativas elevadas, mas também por uma clara exigência de mais transparência, mais agilidade e mais diálogo. Para muitos empresários, o “Mais Oportunidades” representa mais do que um fundo: é uma porta para sair da sobrevivência económica e entrar numa lógica de crescimento.
A província de Inhambane, com forte vocação turística e um sector agrário em expansão, tem no projecto uma oportunidade rara para consolidar empresas locais e atrair novos investimentos. Ao apostar simultaneamente em financiamento e capacitação, o programa tenta quebrar o ciclo vicioso que limita o crescimento empresarial: falta de formação, má gestão, incumprimento fiscal e exclusão financeira.
O desafio agora é garantir que o dinheiro não fique preso em teias burocráticas e que o discurso de apoio ao empresariado se traduza em resultados palpáveis. Não basta anunciar milhões, é preciso que cheguem ao destino.
Para os empresários de Inhambane, o recado é claro: quem quiser aceder aos fundos precisa de organizar a casa, regularizar a situação fiscal e apresentar projectos consistentes. Para o Governo e parceiros, a exigência é outra: tornar o processo mais transparente, previsível e funcional.
Se essas duas partes se encontrarem a meio caminho, o “Mais Oportunidades” poderá deixar de ser apenas mais um programa e transformar-se, de facto, num catalisador de negócios, empregos e desenvolvimento real.
E é exactamente isso que o empresariado espera: menos promessas e mais resultados.

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