Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.
O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.
Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.
O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.
Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.
No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.
Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.
O director provincial da Juventude, Emprego e Desporto de Inhambane, Leonardo Bassanhane Macucule, partilhou, nesta segunda-feira, com os deputados membros do Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) os principais desafios que afectam a juventude da província, com destaque para o desemprego, o acesso à terra infra-estruturada e o consumo de drogas e de álcool.
Falando durante um encontro de trabalho com deputados do GJP, que se encontram em jornadas parlamentares naquela província, Macucule afirmou que o acesso à terra constitui uma preocupação particular nos distritos costeiros, onde os terrenos possuem elevado valor económico devido ao turismo e à extensa ocupação por coqueirais, dificultando a sua disponibilização para habitação.
“O consumo de drogas é um fenómeno preocupante, por gerar diversos problemas sociais e comprometer o desenvolvimento da juventude”, disse Macucule, sublinhando que está prevista para Julho próximo a realização do Observatório Provincial da Juventude, espaço que servirá para discutir os principais assuntos que afectam os jovens.
Por sua vez, Augusto Júlio Amaral, chefe do Departamento de Juventude e Emprego, explicou que as formações ministradas aos activistas, apesar dos custos elevados, têm contribuído para a geração de rendimento, promoção do empreendedorismo juvenil e sensibilização sobre cidadania sexual e reprodutiva.
A província conta, actualmente, com 20 Serviços Amigos dos Adolescentes e Jovens (SAAJ), complementados por cantinhos de aconselhamento nas escolas secundárias, que trabalham em questões relacionadas com HIV/SIDA, uniões prematuras e violência baseada no género.
Segundo Amaral, Inhambane não regista elevados índices de uniões prematuras, sendo que os poucos casos reportados são devidamente acompanhados pelas autoridades.
No âmbito da formação profissional, foram recebidas 4662 candidaturas, das quais 4615 jovens que serão formados em dez áreas, designadamente, construção civil, carpintaria, refrigeração, electricidade automóvel e outras. Foram, igualmente, financiados 28 jovens através do programa Agora Emprega e, em 2025, outros 39 jovens beneficiaram do Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis (FAIJ).
Por seu turno, o presidente do Conselho Provincial da Juventude (CPJ), Claudino Majone, informou que existem actualmente 137 associações juvenis na província, das quais 88 possuem âmbito provincial.
“Contudo, muitas aguardam processos de revitalização, uma vez que alguns dos seus dirigentes já ultrapassaram a faixa etária considerada jovem”, explicou Majone, revelando que já se promoveu quatro diálogos inclusivos, cujas recomendações serão submetidas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).
Neste sentido, o presidente do CPJ anunciou a realização, no próximo dia 19 de Junho, de uma marcha de repúdio a estas práticas e a promoção de actividades lúdicas e recreativas destinadas a ocupar os jovens e afastá-los destes comportamentos considerados de risco, para além da se estar em preparação a Caravana da Unidade Nacional, prevista para Agosto próximo.
Ainda na cidade de Inhambane, os jovens parlamentares reuniram-se com as associações juvenis e jovens no geral onde foram instados a fazer advocacia junto de quem de direito, para a desburocratização da legalização das associações juvenis que tem contribuído para que agremiações desta faixa etária possam operar com segurança legal na província.
O Presidente da República, Daniel Chapo, procedeu esta segunda-feira a uma remodelação nas Secretarias de Estado das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Inhambane, através da exoneração e nomeação de novos titulares para aqueles órgãos de representação do Governo Central.
Segundo um comunicado da Presidência da República, os actos foram praticados ao abrigo da alínea e) do número 2 do artigo 159 da Constituição da República de Moçambique, que confere ao Chefe do Estado competência para nomear e exonerar Secretários de Estado.
No âmbito das alterações anunciadas, Fernando Bemane de Sousa foi exonerado do cargo de Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado, enquanto Plácido Nerino Pereira cessou funções como Secretário de Estado na Província de Nampula. Por sua vez, Bendita Donaciano Lopes deixou o cargo de Secretária de Estado na Província de Inhambane.
Em simultâneo, o Presidente da República determinou a redistribuição de dois dos dirigentes exonerados para novas funções. Plácido Nerino Pereira foi nomeado Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado, enquanto Fernando Bemane de Sousa passa a desempenhar o cargo de Secretário de Estado na Província de Nampula.
Para a Província de Inhambane, o Chefe do Estado nomeou Arsénia Felicidade Félix Massingue para o cargo de Secretária de Estado, substituindo Bendita Donaciano Lopes.
De acordo com a Presidência da República, as mudanças enquadram-se na estratégia de reforço da governação provincial e visam aumentar a eficiência da administração pública, assegurando uma melhor coordenação entre o Governo Central e os órgãos locais do Estado.
“Os actos inserem-se na dinâmica de gestão e fortalecimento da governação provincial, em representação do Governo Central, com vista a assegurar maior eficiência na execução das políticas governamentais e na prestação de serviços aos cidadãos”, refere o comunicado.
Os Secretários de Estado desempenham um papel fundamental na implementação das políticas públicas ao nível provincial, funcionando como representantes do Governo Central nas províncias e assegurando a articulação entre as instituições nacionais e as estruturas locais de governação.
As mudanças assumem particular relevância em províncias como Cabo Delgado, que continua a enfrentar desafios relacionados com a reconstrução de infraestruturas, o regresso das populações deslocadas e a consolidação da estabilidade em distritos anteriormente afectados pela insurgência armada.
Em Nampula, a maior província do País em termos populacionais, os desafios passam pelo fortalecimento dos serviços públicos, desenvolvimento económico e gestão de uma vasta rede administrativa. Já Inhambane continua a apostar na valorização dos sectores do turismo, agricultura e pescas como motores do crescimento económico regional.
A cerimónia de tomada de posse dos novos dirigentes está marcada para esta terça-feira, 16 de Junho, no Gabinete de Trabalho do Presidente da República, em Maputo.
Na mesma ocasião, tomará igualmente posse João António Xirinda, recentemente nomeado para o cargo de Chefe do Protocolo do Estado, função responsável pela coordenação dos actos protocolares e cerimoniais da Presidência da República e do Estado moçambicano.
As alterações representam uma das primeiras reconfigurações da liderança provincial desde a tomada de posse do Presidente Daniel Chapo, sendo interpretadas como parte do processo de ajustamento da máquina governativa às prioridades definidas para o atual ciclo de governação.
A segunda-feira ficou marcada por um momento histórico para o futebol africano no Campeonato do Mundo de 2026. A Costa do Marfim derrotou o Equador por 1-0 no Estádio de Filadélfia e conquistou a sua primeira vitória frente a uma selecção sul-americana em fases finais de Mundiais, reforçando as ambições de seguir em frente na competição.
O triunfo dos “Elefantes” surgiu de forma dramática. Quando tudo apontava para uma divisão de pontos, o jovem avançado Amad Diallo apareceu aos 44 minutos da segunda parte para marcar o único golo do encontro, desencadeando a festa da equipa africana e dos seus adeptos.
A vitória representa um marco simbólico para a Costa do Marfim, que historicamente encontrou dificuldades diante das selecções da América do Sul em competições internacionais. Desta vez, porém, a organização defensiva e a eficácia nos momentos decisivos fizeram a diferença.
Horas mais tarde, no Estádio de Monterrey, a Suécia protagonizou uma das exibições mais convincentes da jornada ao golear a Tunísia por expressivos 5-1. O avançado Alexander Isak voltou a assumir o papel de protagonista, liderando uma equipa sueca que demonstrou grande capacidade ofensiva e assumiu a liderança isolada do Grupo F.
Com os resultados da madrugada, o Mundial entra agora numa nova fase, marcada pela estreia de algumas das selecções mais aguardadas da competição.
A terça-feira promete emoções fortes, com a entrada em cena da França, uma das principais candidatas ao título. Os franceses enfrentam o Senegal no Estádio de Nova York-Nova Jérsia, num duelo carregado de simbolismo que reedita o histórico encontro de abertura do Mundial de 2002, quando os africanos surpreenderam o mundo ao vencer os então campeões mundiais por 1-0.
Também pelo Grupo I, a Noruega inicia a sua caminhada diante do Iraque. Todas as atenções estarão voltadas para o goleador Erling Haaland, principal referência ofensiva dos escandinavos e uma das estrelas mais mediáticas desta edição do torneio.
A jornada será encerrada já na madrugada de quarta-feira com a estreia da Argentina frente à Argélia, em Kansas City. A selecção sul-americana procura começar da melhor forma a defesa das suas ambições mundiais, num grupo que promete elevada competitividade.
Com selecções tradicionais a entrarem finalmente em acção, a expectativa é de mais uma jornada intensa num Mundial que já começou a produzir surpresas, recordes e histórias memoráveis.
RESULTADOS DESTA SEGUNDA-FEIRA
Grupo E
Costa do Marfim 1-0 Equador
Grupo F
Suécia 5-1 Tunísia
Grupo H
Espanha vs Cabo Verde
Grupo G
Bélgica vs Egipto
JOGOS DESTA TERÇA-FEIRA (horário de Moçambique)
Grupo G
Irão x Nova Zelândia – 03h00
Grupo I
França x Senegal – 21h00
Iraque x Noruega – 00h00
Grupo J
Argentina x Argélia – 03h00 (madrugada de quarta-feira)
A selecção nacional de futebol de sub-17 iniciou oficialmente, em Maputo, os trabalhos de preparação para a Cascais Luso Cup 2026, competição internacional que decorrerá em Portugal entre os dias 14 e 22 de Julho.
Depois da histórica qualificação para o Campeonato do Mundo da categoria, alcançada recentemente em Marrocos, os Mambinhas voltam, agora, as atenções para um novo desafio: defender o título conquistado na última edição do torneio e continuar a construir uma equipa competitiva para o Mundial do Qatar.
Sob orientação do seleccionador Luís Guerreiro, os primeiros treinos serviram para avaliar novos talentos e alargar o leque de opções disponíveis para a principal montra do futebol juvenil mundial.
Entre as principais novidades da convocatória destacam-se seis atletas chamados pela primeira vez ao grupo. A aposta recai sobretudo em jovens que actuam no estrangeiro, casos de Pedro Rolo, da Académica de Coimbra, em Portugal, e Denzel Machatine, do Levante UD, de Espanha.
No plano interno, a Associação Black Bulls confirma o seu estatuto de principal fornecedora da selecção nacional, contribuindo com 14 jogadores para a lista de pré-convocados. O contingente é complementado por atletas provenientes de clubes como o Costa do Sol e o Ferroviário de Nampula.
Para Luís Guerreiro, a participação na Cascais Luso Cup assume uma importância estratégica na preparação da equipa para os compromissos futuros.
“O nosso foco na Cascais Luso Cup é duplo. Vamos a Portugal com a responsabilidade acrescida de defender o troféu que erguemos com orgulho em 2025. Contudo, mais do que os resultados imediatos, este torneio é o laboratório ideal. A qualificação ao Mundial foi um feito soberbo, mas o nosso tecto competitivo tem de subir. Estamos a abrir espaço para observar novos talentos e garantir que o grupo que irá ao Qatar represente o topo absoluto do futebol moçambicano”, afirmou o seleccionador nacional.
O capitão da equipa, Diego Pelembe, destacou o ambiente positivo que se vive no seio do grupo e garantiu que a ambição permanece intacta após a conquista da vaga para o Mundial.
“A recepção que tivemos do povo moçambicano após garantirmos o Mundial deu-nos ainda mais fome de vencer. O ambiente no grupo é fantástico, de pura união. Quem está a chegar agora sabe que aqui corre-se e trabalha-se no limite. Queremos manter a nossa identidade de passe curto e velocidade, e vamos a Cascais para mostrar que Moçambique é, por mérito, uma selecção de dimensão mundial”, declarou.
Os Mambinhas chegam a Portugal com credenciais reforçadas pelo desempenho irrepreensível alcançado na edição de 2025 da Cascais Luso Cup. A equipa conquistou o troféu de forma invicta, vencendo os quatro encontros disputados e alcançando um aproveitamento de 100 por cento.
Durante a campanha vitoriosa, Moçambique marcou 15 golos, registando uma média de 3,75 tentos por partida. No percurso rumo ao título, a selecção derrotou Macau por 6-2, Timor-Leste por 3-1, Angola por 3-0 e Guiné-Bissau por 3-2.
Com o arranque dos trabalhos em Maputo, a equipa técnica prevê cerca de duas semanas de intensa preparação física e táctica antes da viagem para Portugal, programada para o início de Julho.
A expectativa é de que o torneio sirva não apenas para defender o título conquistado no ano passado, mas também para consolidar uma geração que já entrou para a história do futebol moçambicano e que sonha agora em deixar a sua marca no Campeonato do Mundo do Qatar.
Mambinhas sub-20 também arrancam preparação para a COSAFA
Ainda esta segunda-feira, a selecção nacional de futebol de sub-20 iniciou os preparativos para a Taça COSAFA 2026, competição que terá lugar nas Ilhas Maurícias entre os dias 4 e 13 de Setembro.
À frente do novo projecto está Luís Guerreiro, técnico escolhido pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF) para liderar uma geração que pretende devolver Moçambique ao topo do futebol juvenil da África Austral.
A nomeação do treinador surge na sequência dos resultados históricos alcançados ao serviço dos sub-17, escalão no qual construiu um percurso marcante e colocou o futebol moçambicano em evidência no panorama continental e internacional.
O principal objectivo da selecção passa por assegurar uma das duas vagas reservadas à região da África Austral para o Campeonato Africano das Nações (CAN) Sub-20 de 2027, prova que será disputada no Gana. Para tal, os Mambinhas terão de atingir a final da Taça COSAFA, considerada uma das competições juvenis mais competitivas do continente.
A aposta da direcção da FMF, liderada por Feizal Sidat, é vista como uma estratégia de continuidade, permitindo que a metodologia e a filosofia de trabalho implementadas por Luís Guerreiro nas categorias inferiores tenham seguimento no escalão imediatamente acima.
O currículo recente do técnico sustenta a confiança depositada pela federação. Sob a sua orientação, os sub-17 conquistaram a Cascais Luso Cup em 2025, alcançaram o terceiro lugar na Taça COSAFA do mesmo ano e protagonizaram um feito sem precedentes ao garantirem a primeira qualificação de uma selecção moçambicana de futebol de 11 para um Campeonato do Mundo da FIFA, após a campanha realizada no CAN sub-17 de 2026, que valeu o apuramento para o Mundial do Qatar.
Embora os detalhes da preparação ainda estejam a ser ultimados, a identidade competitiva da equipa deverá manter as características que marcaram os anteriores trabalhos de Luís Guerreiro. O treinador tem defendido uma abordagem baseada na organização defensiva, disciplina táctica e capacidade de explorar rapidamente os espaços deixados pelos adversários.
Além da solidez defensiva, o modelo de jogo privilegia a circulação rápida da bola, os passes curtos e a velocidade dos extremos, características que têm sido uma imagem de marca das equipas orientadas por Guerreiro.
Moçambique procura agora recuperar o título da Taça COSAFA Sub-20, conquistado pela última vez em 2020, na África do Sul. A competição nas Ilhas Maurícias representa, por isso, uma oportunidade para reafirmar o crescimento do futebol juvenil nacional e dar mais um passo rumo à presença entre as principais selecções africanas da categoria.
A África do Sul repatriou 2.745 cidadãos estrangeiros numa semana. As repatriações ocorreram após o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ter prometido uma acção mais dura contra a imigração ilegal.
O crescente sentimento de insegurança, agravado por saques a estabelecimentos comerciais e ataques contra estrangeiros que provocaram mortos e feridos, levou cidadãos de Moçambique, Nigéria, Malawi, Gana e Zimbabwe a aceitarem a repatriação voluntária organizada pelos respectivos governos.
Segundo o Governo sul-africano, citado pela Africanews, até à noite de domingo tinham sido efectuadas, no total, 2.745 repatriações desde o pronunciamento do Presidente Cyril Ramaphosa.
O Ministro do Interior da África do Sul afirmou que a maioria dos repatriados se encontrava no país em situação ilegal.
Entretanto, cerca de 7.000 cidadãos malawianos encontram-se abrigados num campo aberto na cidade portuária de Durban, no leste do país.
A África do Sul tem atraído trabalhadores imigrantes provenientes de várias partes do continente, tanto por vias legais como ilegais. Contudo, com uma taxa de desemprego superior a 30 por cento, o país tem enfrentado surtos recorrentes de agitação anti-imigrante, incluindo novos episódios de violência registados nas últimas semanas.
Cerca de mil raparigas em situação de vulnerabilidade vão beneficiar de um projecto de promoção da higiene e saúde menstrual, implementado pela Associação Missão Moçambique (MIMO), em parceria com a organização Be Girl.
A iniciativa, denominada “Empoderamento das Raparigas em Situação de Vulnerabilidade por meio da Promoção e Acesso à Higiene e Saúde Menstrual”, foi formalizada através da assinatura de um memorando de entendimento entre as associações Fidelidade Ímpar e Mimo, que marca o arranque das actividades.
O projecto prevê a distribuição de kits de higiene menstrual reutilizáveis e a realização de acções de esclarecimento e sensibilização em escolas, com o objectivo de promover o acesso a condições dignas de higiene menstrual e reforçar o conhecimento das jovens sobre saúde reprodutiva.
Segundo a MIMO, a iniciativa procura responder aos desafios enfrentados por muitos adolescentes que, devido à falta de produtos de higiene menstrual e de informação adequada, enfrentam dificuldades para participar plenamente na vida escolar.
Além da distribuição de pensos higiénicos reutilizáveis e sustentáveis, o projecto inclui sessões educativas dirigidas às comunidades escolares, visando combater tabus e promover uma maior consciencialização sobre a saúde menstrual.
A representante da MIMO, Lili Gervásio, considera que a iniciativa poderá contribuir para melhorar as condições de permanência das raparigas na escola e reforçar a sua auto-estima.
“Quando garantimos acesso à saúde menstrual e informação adequada, estamos também a contribuir para a permanência escolar, para a auto-estima e para o fortalecimento das oportunidades futuras destas jovens”, afirmou.
A implementação contará com o apoio técnico da Be Girl, organização responsável pelo fornecimento dos pensos higiénicos reutilizáveis que serão distribuídos às beneficiárias. De acordo com Cristina Brito, Gestora Sénior de Vendas e Parcerias da instituição, a aposta em soluções reutilizáveis permite responder simultaneamente a desafios económicos, sociais e ambientais.
Os promotores acreditam que a iniciativa poderá gerar resultados concretos na vida das beneficiárias, contribuindo para a redução do absentismo escolar associado à menstruação e para a criação de melhores condições de saúde e bem-estar para centenas de raparigas.
O projecto insere-se nos esforços de promoção da saúde menstrual e da igualdade de oportunidades para as jovens, procurando garantir que a falta de recursos não constitua um obstáculo ao acesso à educação.
“Pretendemos que esta iniciativa tenha continuidade e possa ser realizada regularmente, sempre com foco no impacto que gera nas comunidades. Acreditamos que as empresas têm também a responsabilidade de contribuir para o bem-estar social e, por isso, queremos apoiar projectos que, mesmo com recursos limitados, conseguem transformar vidas e criar oportunidades para quem mais precisa”, sublinhou Víctor Bandeira, Presidente da Comissão Executiva da Fidelidade Moçambique.
O Presidente da República, Daniel Chapo, apela à protecção integral da criança como responsabilidade colectiva da sociedade moçambicana. Chapo falava durante o encerramento das celebrações da Quinzena da Criança, com uma confraternização realizada no Palácio da Ponta Vermelha.
Durante o encontro, o Chefe do Estado e a Primeira-Dama, Gueta Chapo, abriram as portas da residência oficial presidencial para acolher crianças provenientes de vários pontos, promovendo um momento de convívio marcado por actividades culturais e pedagógicas.
Na sua intervenção, o governante agradeceu aos pais, encarregados de educação, educadores e demais cidadãos que se dedicam ao cuidado e formação das crianças moçambicanas.
O estadista reconheceu igualmente o trabalho desenvolvido por instituições de assistência social, orfanatos e organizações dedicadas à protecção da infância, destacando o esforço de todos os profissionais e voluntários que contribuem para o bem-estar das crianças em todo o território nacional.
Referindo-se ao significado da data, o Presidente da República recordou que a actividade decorreu no âmbito do encerramento da Quinzena da Criança, iniciada a 1 de Junho, Dia Internacional da Criança, e que culmina a 16 de Junho, Dia da Criança Africana.
“A mensagem que queremos deixar aos pais, encarregados de educação e às crianças que aqui representam todas as crianças do país, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico, é que proteger a criança é responsabilidade de todos: dos pais, dos encarregados de educação e de todos aqueles que cuidam da criança”, declarou.
O Chefe do Estado evocou ainda o legado do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel, ao sublinhar a importância estratégica da infância para o desenvolvimento nacional. “Porque, como dizia o nosso saudoso Presidente, Samora Moisés Machel, a criança é uma flor que nunca murcha”, afirmou.
O governante moçambicano explicou que a iniciativa de acolher as crianças na Ponta Vermelha resultou da decisão da Primeira Dama de proporcionar um momento especial de celebração e convívio.
“Por isso, a Mamã Gueta, a nossa mãe, resolveu abrir a Ponta Vermelha, a Casa dos Moçambicanos, para passarmos este dia com as crianças, no âmbito das celebrações da Quinzena da Criança”, disse.
A encerrar, o Presidente da República dirigiu uma saudação às crianças moçambicanas dentro e fora do país e prestou homenagem aos educadores, profissionais da comunicação social, artistas, músicos e promotores de iniciativas infantis.
Meses depois das inundações, o Instituto Politécnico de Chókwè (ISPG) continua a contabilizar perdas que vão muito além dos campos alagados.
Uma motobomba com capacidade para bombear 900 metros cúbicos de água por hora permanece inutilizada após ter ficado submersa, comprometendo a capacidade produtiva da instituição, assim como a formação prática dos estudantes
Os prejuízos provocados pelas inundações estão a limitar a actividade produtiva na instituição. Os números revelam a dimensão da situação. A instituição projectava explorar 60 hectares nesta campanha agrícola, mas a realidade actual não ultrapassa os 18 hectares.
É uma queda superior a 70 por cento, num estabelecimento criado precisamente para ensinar produção agrícola através da prática. Sem a motobomba a diesel, utilizada para garantir a rega durante interrupções de energia, os intervalos de irrigação tornaram-se mais longos e, por isso, a produtividade caiu.
Na aquacultura, o desastre segue a mesma lógica de perdas, pois as enxurradas destruíram 12 tanques de engorda de peixe. O impacto dos danos não se limita à produção agrícola. A redução das áreas em exploração afecta igualmente a componente prática dos cursos ministrados pela instituição, sobretudo nas áreas de Engenharia Agrícola e Hidráulica, onde os campos funcionam como extensão das salas de aula.
Sem uma avaliação financeira concluída, a instituição ainda não sabe quanto será necessário para reparar os danos. Enquanto isso, os efeitos das enxurradas continuam presentes nos campos, nos sistemas de produção e nas actividades de formação.
O Marrocos empatou com o Brasil a uma bola em jogo da primeira jornada do grupo C do Mundial de futebol que decorre nos Estados Unidos, México e Canadá. Qatar e Suíça também empataram a um golo e Austrália e Escócia vencerem os seus jogos.
Marrocos tornou-se na segunda equipa africana a estrear-se no Mundial 2026, depois da África do Sul, no jogo inaugural da competição. E o adversário dos magrebinos não podia ser outra, a justificar a quarta posição alcançada em 2022: o Brasil.
A selecção africana até teve o melhor arranque na partida, ao marcar primeiro, através de Ismael Saibari, aos 21 minutos, num magistral chapéu a Álisson, já fora dos postes.
Marrocos até podia ter feito o 2-0 ainda antes da meia hora do jogo, quando Hakimi galgou terreno e à entrada da área rematou ao lado.
O Brasil, penta-campeão mundial, não desfaleceu e acordou do sono, com Vinícius Júnior a carregar a escrete para o empate, num remate cruzado, aos 32 minutos, após jogada individual.
Paquetá também testou os reflexos de Bounou, mas o guardião marroquino esteve mais atento.
O Brasil queria a todo custo sair com a vitória, mas Bounou mostrou-se seguro nos postes e nem mesmo Raphinha conseguiu acertar nas redes.
A Escócia torna-se assim o líder do grupo C, após vencer o Haiti no outro jogo, graças ao golo apontado por John McGinn, aos 28 minutos.
Pelo grupo B, Qatar e Suíça empataram a um golo na noite deste sábado. Breel Emboló abriu o marcador para os europeus, de grande penalidade, aos 17 minutos, mas os asiáticos empataram ao apagar das luzes, graças ao golo de Miro, de cabeça, aos 90+4 minutos.
A Austrália, que venceu a Turquia por 2-0 na madrugada deste domingo, lidera o grupo com três pontos.