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O País – A verdade como notícia

Apesar do choque que se verificou no primeiro semestre do corrente ano, e que resultou num abrandamento significativo do nível de actividade empresarial, o ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita projecta, para o segundo semestre deste ano, uma tendência de recuperação gradual, podendo as perdas de facturação baixarem de 65% para 32%.

A informação foi avançada durante o webinar sobre “Exportações vs COVID-19”, promovido pelo Ministério da Indústria e Comércio, em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Comunidade dos Países da África Austral (SADC).

Carlos Mesquita fez saber ainda que o volume do comércio de bens com o exterior apresentou, em 2019, no país, um comportamento estacionário, em relação ao ano anterior, tendo sido transacionados bens no valor total de 12.096.7 milhões de dólares norte-americanos, contra 11.956.5, em 2018, o que corresponde a uma variação positiva de 1.2 por cento.

Terminou este sábado a terceira edição do MOZEFO Young Leaders. Foram cerca de 30 temas e 86 oradores entre nacionais e estrangeiros, que durante seis dias debateram os desafios da juventude moçambicana rumo a liderança e transformação.

Não faltou emoção e muito conhecimento durante várias horas de debate no estúdio e via plataformas digitais na terceira edição do MOZEFO Young Leaders, uma iniciativa orientada para a Juventude e promovida pela Fundação SOICO.

Foram 86 oradores, 55 homens, 31 mulheres, entre nacionais e estrangeiros, com destaque para antigos e actuais governantes e vários organismos das Nações Unidas, que durante os seis dias do evento, debateram 29 temas ligados a juventude, em igual número de horas, ou seja, 29 horas de debate.

Os conteúdos foram disseminados nas várias plataformas do Grupo SOICO, nomeadamente, STV Notícias, STV PLAY, Jornal O País Online e aplicativo MOZEFO. Foi uma programação especial, orientada para as prioridades, desafios, oportunidades e experiências de jovens moçambicanos, numa semana alusiva a celebração do Dia Internacional da Juventude.

Os intervenientes foram maioritariamente moçambicanos, mas contou-se com alguns estrangeiros. Brasil, Bélgica, Suíça e Portugal, estiveram em peso.

O encerramento não podia ter sido melhor. Houve música, dança e muita animação

A representante da UNFPA, Fundo das Nações Unidas para a População, foi uma das convidadas à terceira edição do MOZEFO Young Leaders da FUNDASO. Na sua abordagem ao tema “Juventude liderando a transformação”, hoje, Andrea Wojnar apontou o que está mal e o que é preciso fazer com urgência, de modo que o presente e o futuro da juventude moçambicana sejam promissores para o país e para o mundo

 

90% dos jovens em todo mundo vivem, de acordo com Andrea Wojnar, da UNFPA, Fundo das Nações Unidas para a População, em países em vias de desenvolvimento, sem acesso à educação, à saúde ou sem condições que os deixam em situações vulneráveis. Por isso, considerou esta tarde a representante da UNFPA, que algo está errado.

Partindo da situação global do mundo inteiro, Andrea Wojnar disse que a situação do jovem é delicada, sendo mais delicada em Moçambique. Por isso, referindo-se ao país, numa das sessões do MOZEFO Young Leaders, Wojnar defendeu que investir na juventude é uma questão de bem-estar para toda a população, actual e do futuro.

A representante da UNFPA afirmou que é necessário criar espaços significativos para juventude, e não uma vez por ano, no Dia Internacional da Juventude. Com tais espaços, Andrea Wojnar espera que se fortaleça o engajamento dos jovens, que devem ser chamados à tomada de decisão. Aliado a isso, realçou a importância de se pensar em programas centrados na juventude, que tenha ou não educação. “Os jovens devem ser considerados líderes da transformação porque têm energia, são experientes em tecnologias e são conectados e expostos a grandes informações e conhecimentos mais do que todas as gerações. Os jovens têm redes locais, regionais e internacional mais do que todas as gerações precedentes, e com consciência social mais desenvolvida do que outras gerações. Eles sabem muito bem dos seus direitos e das suas vulnerabilidades”.

De modo que o desenvolvimento económico, social e político seja uma realidade nacional, Andrea Wojnar disse que Moçambique deve investir nos jovens de diferentes áreas, como turismo, agricultura, artes, moda e desporto, porque nem todos os jovens vão trabalhar em negócios. Nisso, harmonizar a formação e experiência é algo que também é relevante. O investimento juvenil faz-se consoante a localização geográfica e idade dos jovens.

Debruçando sobre o tema “Juventude liderando a transformação”, neste penúltimo dia da terceira edição do MOZEFO Young Leaders, a representante da UNFPA disse que Moçambique é um país promissor porque a sua população jovem é de grande riqueza. Ainda assim, há aspectos a resolver. Por exemplo, a falta de literacia estatística, que é importante para que a juventude possa tomar boas decisões. Paralelamente, o país deve fazer o necessário para engajar a juventude, de modo a estar bem educada e bem envolvida na vida económica. Caso contrário, advinha-se uma catástrofe.

Para Andrea Wojnar, os adultos pensam que os jovens são incapazes de governar, liderar e tomar decisões. Isso deve mudar porque os jovens estão melhor posicionados para decidir as suas prioridades. A atitude dos adultos, a incapacidade deles imaginarem os jovens como agentes da mudança, prejudica a juventude moçambicana. “Algumas vezes, nós, os adultos, tentamos solucionar os problemas de forma unidimensional, mas precisamos de abordagem multissectorial porque as questões de desenvolvimento nunca envolvem apenas um sector”.

Se, por um lado, os jovens encontram-se numa situação desconfortável, no processo de desenvolvimento nacional, por outro, o cenário é ainda preocupante para as raparigas em Moçambique. O caso agrava-se devido às altas taxas de casamentos prematuros, das mais graves em todo mundo. Este problema vem acompanhado com o elevado número de novas infecções por HIV em todos os anos. Depois, “Há uma grande tendência de se favorecer a liderança masculina. Sem mudarmos isso, seria difícil falarmos de liderança transformadora. As raparigas encontram barreiras ainda maiores, porque são frequentemente sujeitas a práticas prejudiciais enormes, como violações dos seus direitos humanos. Em algumas províncias do Norte de Moçambique, a taxa de casamentos prematuros supera os 60%”.

Andrea Wojnar lembrou que um país passa por transição demográfica uma vez na sua história de existência, e Moçambique tem uma oportunidade de fazer bem essa transição nos próximos 30 a 50 anos, o que deverá ser uma vantagem para o mundo inteiro.

Por fim, afirmou: “Eu vejo a juventude moçambicana como meus filhos, por isso gostaria de lançar o desafio de todos procurarem entender a juventude e a ajudar a consolidar o seu desenvolvimento com respeito aos seus direitos”.

No quinto dia do evento organizado pela Fundação SOICO (FUNDASO), Andrea Wojnar interveio numa sessão online, igualmente transmitida pela televisão, moderada pela apresentadora Carmelinda Manhiça Fulede.

Com o tema: “A Juventude como líder da transformação”, os oradores do MOZEFO Young Leaders consideram que os jovens são o ingrediente principal para mudança e que não devem baixar os braços.

Num painel a três, a secretária da Organização da Juventude Moçambicana, Anchia Talapa, abordou o controverso “caso Matalane”, apontando que é preciso que as mulheres se imponham e saiam do papel secundário.

Para a líder máxima da OJM, “a mulher tem condições para ser fazer parte da transformação, mas é preciso que esteja firme, assumir uma posição e denunciar casos de assédio. A mulher é igual ao homem”, disse.

Sobre a liderança dos jovens no campo das grandes decisões, a fundadora da Editora Trinta Zero Nove, Sandra Tamele, falou em capacidade de adaptabilidade e investigação.

“Um individuo faz-se de cultura geral. É preciso que o jovem tenha capacidade de se desenvolver num determinado ambiente”, disse Sandra Tamele, fundadora da Editora Trinta Zero Nove.

Já Mulweli Rebelo, da Global Shapers, defendeu que os jovens devem desenvolver críticas construtivas, para fazerem parte das tomadas de decisão no país

 

Defende Indira Pires, filha do ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires. Para a directora do IPP, uma educação forte, associada a referências locais são condimentos que podem desenvolver no jovem o espírito crítico capaz de criar a transformação de que África precisa.

 

A partir de Cabo Verde, através do zoom, Indira Pires, directora do Instituto Pedro Pires (instituição que leva o nome do ex-presidente de Cabo Verde, uma referência de democracia, liberdade e tolerância em África), abordou o tema “Juventude Liderando a Transformação”. Para a filha do ex-presidente cabo-verdiano, deveria ser a juventude a assumir os destinos da transformação em África, mas sente que os jovens não assumem as causas dos seus países.

“As nossas populações são extremamente jovens, sendo que quem deveria liderar a agenda de transformação é a camada mais jovem. Não existe liderança espontânea, é preciso formar a nossa juventude para que possa ganhar consciência do seu poder, da sua responsabilidade e do seu papel na sociedade. E assim estar em condições de liderar e influenciar o futuro. É de natureza da juventude indignar-se e nós, geração pós independência, somos identificados como geração sem causa, mas acredito que não faltem causas nos nossos países. Vamos indignar-nos com a falta de educação de qualidade, vamos lutar para ter uma educação que responde as necessidades e que ajude a desenvolver o pensamento crítico”, reiterou.

Indira Pires disse ainda que para transformar, os jovens precisam conhecer profundamente a sua realidade, o seu país e ter referências que possam estimular a sua criatividade. “No nosso instituto procuramos formar agentes de transformação, além de formações de liderança através do diálogo estratégico, numa conferência anual. Nesse espaço promovemos debates abertos e sobre questões actuais do nosso país de África no geral. Queremos mudar a narrativa do nosso continente e estreitar as relações com os nossos países. Acreditamos que é importante conhecer a nossa história e realidade. Por isso investimos num arquivo presidencial, onde principalmente os jovens, podem aprender e conhecer parte da nossa história recente, mas também conhecer os nossos heróis, as nossas referências de boa liderança. Acreditamos que é importante ter uma figura como conferência. No IPP trabalhamos no legado do combatente e ex-estadista Pedro Pires. Liderar é influenciar é transmitir à geração actual valores e os princípios que nortearam a vida dele (Pedro Pires), mas que continuam ser actuais para a nossa sociedade”.

Noutro desenvolvimento, a representante do instituto defendeu que a educação é a arma que os governos devem dar a juventude para que se torne agente de transformação das suas comunidades e ou países.

“A escola é um espaço natural para promover a cidadania. É lá onde se desenvolve a consciência cívica, o espirito crítico, de respeito pela diferença, ao trabalho em equipa. Por isso, defendo uma mudança dos nossos currículos de educação para que a escola não seja apenas um espaço de conhecimento tradicional, mas de transformação do ser humano”, terminou.

Em dois painéis que tinham como ponto de análise o ecossistema para o desenvolvimento do empreendedorismo no país, jovens empreendedores partilharam os seus pontos de vista sobre o panorama nacional.

No geral, consideram haver ainda desafios, contudo, destacaram que a força de vontade, ousadia e persistência pode ultrapassar os constrangimentos actuais.

Com base nas suas experiências individuais, jovens empreendedores com casos de sucesso empresarial, nomeadamente, Guizleh Ramos, Belmiro Quive, Dircey Abdala, António Sendi, Eulália Muendane, Marcos Araújo e Bruno Pinto, destacaram a importância da crença, criatividade e perseverança, como passos fundamentais para o progresso na área de empreendedorismo.

Por outro lado, os painelistas destacaram a importância da educação, para a formação e capacitação dos jovens para o empreendedorismo.

Segundo as fontes, o empreendedorismo deve estar inserido nos currículos escolares, por forma a inculcar na juventude, a perspectiva empreendedora.

O Secretário de Estado da Juventude e Emprego (SEJE), Oswaldo Petersburgo, defende maior activismo dos jovens nas acções de desenvolvimento nacional.

Falando nesta noite, numa entrevista que se enquadra na terceira edição da Plataforma Mozefo Young Leaders, Petersburgo, disse que só com maior activismo é que os jovens podem fazer a diferença.

“O Jovem deve ser um actor do desenvolvimento. Não deve ser rodapé da sua própria história, mas deve sim, ser o actor principal” disse Petersburgo.

O SEJE deixou críticas àqueles que, estando acima dos 35 anos, idade que segundo a Carta Africana, é o limite da juventude, tem agido em nome dos jovens, deixando a estes, o conselho de darem o espaço para que sejam os jovens a falar por si.

Durante a entrevista, Petersburgofalou dos projectos que o Governo tem estando a empreender, ou em perspectiva, para responder aos desafios da juventude.

Na questão do emprego, um dos dilemas da juventude, Petersburgo apontou o projecto de Kits de auto-emprego, como um dos pacotes em vista para gerar oportunidades, sobretudo para quem procura o primeiro emprego.

“Vamos expandir o projecto de kit de auto-emprego para o ensino superor. Até agora os benefícios restringiam-se a quem frequentava os nossos cursos de formação profissional, mas vamos expandir para aquels que concluírem o ensino superior, como forma, em parte, de promover o auto-emprego” explicou.

No sector da educação falou do foco a ser dado para travar o abandono escolar da rapariga. Nesta componente, disse estar em vista um programa, denominado “Eu Sou Capaz” através do qual, serão desenvolvidas acções e incentivos para a retenção da rapariga, pelo menos, até a conclusão do ensino obrigatório.

Numa entrevista onde a inclusão de jovens era o principal tema, o economista Amílcar Tivane, abriu o peito e a mente, para dar as suas opiniões, nas mais variadas esferas que impactam a vida e a participação da juventude. Acompanhe a seguir a entrevista, concedida no âmbito da Terceira Edição da plataforma Mozefo Young Leaders, que acontece com a transmissão do canal STV Notícias e as plataformas digitais do Grupo Soico.

 

Que tipo e intervenção pública é que os países como Moçambique devem fazer, para assegurar um crescimento ainda mais inclusivo, particularmente dos jovens.

AT- Primeiro, em jeito de nota conceptual, é preciso compreender o que entendemos por inclusão. Na minha opinião inclusão reflecte-se na habilidade de qualquer indivíduo ter a perspectiva de construir alguma mobilidade social, independentemente das condições iniciais que caracterizaram o seu crescimento, a condição económica da sua família, em fim, a inclusão vai reflectir a possibilidade de apropriar-se do conhecimento, experiências, interacções, que nos permitam, ao longo do ciclo de vida, do ponto de vista de carreira profissional, partirmos de um ponto para o outro, do ponto de vista de crescimento, naturalmente, com estas dotações, do ponto de vista de conhecimento, e não só, podermos almejar atingir ao mais altos patamares da nossa vida. Agora, esse processo de mobilidade social não ocorre num vazio, particularmente no contexto dos jovens, em todo  mundo. Vivemos num mundo em que, a juventude, em particular, tem que procurar municiar-se, principalmente do conhecimento, para poder fazer face a todos os desafios que irá encontrar ao longo da sua carreira, e não só. É aqui que eu gostava de sublinhar que as políticas públicas tem um papel a jogar, em particular, no que concerne ao investimento na educação. A educação é uma componente fundamental. Ao investimento na saúde, as escolhas que de facto têm de ser feitas para decidir o volume de recursos que vai alocar para os diferentes programas, e não só, que competem o volume de recursos limitado. Do meu ponto de vista, todo o investimento que tem em vista aumentar as capacidades, as habilidades dos indivíduos poderem competir no mercado de trabalho, dos indivíduos, casos necessitem, de tomar carreiras no sector privado, poderem ir ao mercado e inserirem-se, e puderem, também, interagir com o resto do mundo (porque não podemos perder de vista que os países não operam num mundo fechado, a economia global, portanto, o nível de interdependência entre os países, não só, aumentou significativamente) daí que é necessário que sete processo de apropriação de conhecimentos, experiências e habilidades, passe por chamarnos à reflexão sobre como é que nós podemos, como país, nos posicionamos em relação ao resto do mundo. Se estamos numa posição, se estamos numa profissão, num nicho de negócio, temos que nos perguntarmos como é que o nosso desempenho está a evoluir em face da concorrência ao nível global. Será que, na área que decidimos abraçar conseguimos falar a linguagem dos melhores especialistas dessa área…

Estamos a falar de competitividade…

AT – A competitividade, de facto é crucial para que possamos dar os passos do ponto de vista de desenvolvimento sócio-económico.

Focou aqui a questão da educação como chave. Como financiar programas que reflictam os desafios da juventude, em economias em desenvolvimento. Estamos a falar da educação, formação, habitação, empreendedorismo e emprego digno. Como é que Governos africanos de economias em desenvolvimento podem encontrar dinheiro e estratégias para financiar estes grandes desafios da juventude.

AT – Bom, primeiro, o financiamento é, certamente, o calcanhar de Aquiles. Agora, é necessário que tenhamos em conta a capacidade de cada país, cada economia tem de mobilizar recursos vai reflectir, em grande medida, o seu desempenho. O financiamento é, em função da capacidade e robustez da economia e para que se consiga, do ponto de vista de políticas públicas garantir as possibilidades de mobilização de recursos passam por tributar as pessoas singulares e colectivas, de forma com padrões de equidade aceitáveis, de justiça fiscal, etc, temos é que estimular que estas entidades colectivas, de facto, funcionem de forma eficiente. Esta é a condição primária. Para que elas funcionem, naturalmente, as políticas devem estar orientadas para a promoção deste crescimento económico inclusivo, podemos assim chamar, e diria que, os agentes, as pessoas, quer individuais, quer colectivas, o seu, padrão, comportamento, atitude, audácia, reflecte a estrutura de incentivos que existem no país. Se esta estrutura de incentivos estiver orientada, por exemplo, para desenvolvimento numa determinada área, por exemplo, agricultura, turismo, Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), na área do conhecimento (porque o conhecimento pode ser feito por agentes provados), através de incentivos, e quando falo de incentivos, que fique claro, não significa, necessariamente, o dinheiro, mas estabilidade, a clareza sobre a trajectória que os países pretendem seguir, como é que estes actores vão integrar essa trajectória, como é que vão interagir com as autoridades pública, ou seja, é preciso que as regras do jogo, em resumo, esteja muito bem claras sobre o objectivo macro que pretendemos alcançar e as várias etapas que esse desenvolvimento irá seguir ao longo do tempo, porque o que nós temos assistido em muitos países, nalguma medida, por conta dos ciclos políticos, e não só, há mudanças notórias nas escolhas do ponto de vista das políticas, naturalmente as mudanças são bem vindas, mas, não tem que ser mudanças que questionem o aparato estrutural da própria política, da própria trajectória, mas mudanças que visam refinar o curso, o ritmo, em relação ao qual nós vamos avançando. Então, as políticas tem, naturalmente, que oferecer esta clareza sobre os incentivos, o que é que vamos fazer em cada momento, qual é o papel de cada agente, e as políticas, de igual modo, devem reflectir os desafios. De igual modo devem ter suficientes clarezas sobre as limitações que o país enfrenta. Vou dar um exemplo mais concreto, para não falar no abstracto: Nós temos assistido em vários países e, em Moçambique mais recentemente, com as descobertas de hidrocarbonetos que se fizeram na Bacia do Rovuma, e não só, as prospecções que estão em curso nos vários blocos, que, para que um país possa aproveitar cabalmente essas oportunidades, é necessário que tenhamos uma equipa de moçambicanos altamente treinados. Uma equipa de moçambicanos que, primeiro, possa negociar esses contratos, possa contribuir para que o país possa negociar condições mutuamente vantajosas esses contratos. Então, eles tem que falar a linguagem das grandes corporações, ou seja, a formação é crítica e apraz-me notar que há um esforço no sentido de mandar alguns moçambicanos para algumas escolas no resto do mundo para treinar e formarem-se nesta área de hidrocarbonetos, engenharias, etc. A outra questão é que esta preparação não pode ser construída com padrões de incerteza. O que é que quero dizer com isto, quero dizer que, se tomarmos um país hipotético, em que, estudos sociológicos apontam que tem disponibilidades de reservas potenciais de recursos naturais, quer seja gás natural, petróleo, etc, que possam colocar o país num patamar notório, do ponto de vista de actores chave nestas cadeias de oferta de recursos naturais, o país tem que se perguntar, realmente, que capacidades tem que construir ao longo do tempo, para que, no momento em que tomar a decisão de iniciar a exploração desses recursos, ou, numa primeira fase, iniciar a negociação dos acordos com as empresas que, de facto dispõe de capital e tecnologia para a exploração desse recurso, possa estar em condições de faze-lo e, de facto, faze-lo com conhecimento e experiência e não assumir risco de fechar contractos sem ter muita clareza sobre as consequências, então, isso significa preparação. Preparação que é construída ao longo de anos, ao longo de décadas. Então, não há muitos milagres, tudo se prepara com tempo.

É feito com base num planeamento…

AT – Exactamente. Portanto, este é um dos exemplos que eu queria dar.

Ou seja, o investimento e a criação de oportunidades no continente africano é uma prioridade indiscutível. A grande questão é: Que experiências, no mundo, em termos de promoção de oportunidades para os jovens, podem ser replicadas no continente africano, em Moçambique, por forma a que os jovens tenham essas oportunidades e minimizar as desigualdades sociais e assimetrias, que é um grande problema no continente, tendo em conta aspectos ligados à colonização, entre outros.

AT – Eu acho que do ponto de vista de experiência vai reflectir circunstâncias específicas de todo o país. Mas se nó lançarmos um olhar panorâmico pelo mundo, se nos colocarmos a questão: Em que geografia os jovens no mundo tem um nível de participação mais activo no desenvolvimento sócio-económico do país, no sucesso de escolhas, das opções do ponto de vista de políticas públicas, e na construção ou apropriação de ferramentas e experiências que possam acelerar este processo de mobilidade social, a resposta a que me é dada a observar é que a educação é crucial, porque o jovem não opera num vazio. É um ser social que, as suas escolhas reflectem uma panóplia das circunstâncias sociais, da envolvente cultural que o rodeia. Então, a Educação com qualidade é o requisito fundamental para que o jovem possa reclamar maior nível de participação nas escolhas das políticas públicas e também, maior nível de participação no sector privado, através de Start-Ups, pequenos empreendimentos, no intuito de construir grandes corporações, por aí, porque o mais importante, na minha opinião é ter a juventude no centro de todo e qualquer debate sobre as escolhas do ponto de vista de políticas públicas. Porque são estes jovens que, de facto, vão assegurar que as economias funcionem, oferecendo as suas capacidades, o seu conhecimento no mercado de trabalho. São estes jovens que asseguram, por tanto, asseguram a estabilidade das famílias, são estes jovens que também asseguram a integração de pessoas de idade avançada, se considerarmos que contextos familiares geracionais. Em suma, a experiência deve reflectir as condições específicas de cada país, mas o mais fundamental é uma educação muito bem estruturada, com clareza sobre, que valores estamos a inculcar nos jovens, o capital de conhecimento técnico-científico que vamos privilegiar para responder que demandas, sob ponto de vista de crescimento sócio-económico do país e para transmitir, que tipo de valores, para que o jovem se possa posicionar no mercado do trabalho e possam construir uma abordagem, que possa desconstruir a filosofia de que o Estado é a solução de todos os problemas. Portanto, a responsabilidade do Estado é criar as condições, de ponto de vista de ambiente, definir e configurar a estrutura de incentivos, e, o sector privado, encarregar-se-á, através de iniciativas de pequena monte, e não só, de criar emprego, desenvolver e fortificar as cadeias de produção e garantir a oferta de bens e serviços, por aí fora. Então, em resumo, se olharmos para o mundo vamos ver que os países que tem experimentado um crescimento mais acelerado, com o alargamento da base, parece serem países que tem estado a estruturar a economia no sentido de responderem a este processo de digitalização massiva, a penetração da economia digital na nossa maneira de ser e estar. Parece serem países que tem estado a conseguir explorar muitas oportunidades, e não só. Vamos ver, por exemplo, há umas experiências ao nível de países da Africa Ocidental, nomeadamente, Nigéria, Gana, e não só, há muitas experiências de jovens, extremamente agressivos na área das IT’s. Vão construindo Start-Ups, vão desenvolvendo Apps, vão, naturalmente, abrindo Pequenas e Médias Empresas, e no centro da estrutura de funcionamento destas, vamos notar que a componente das Tecnologias de Informação e Comunicação joga um papel muito importante. O que é que esta dinâmica parece sugerir. Esta dinâmica sugere que estes jovens estão a ser treinados e estão a apropriar-se de um saber ajustado às dinâmicas da evolução da economia mundial, em que a digitalização, naturalmente, joga um papel importante. Não vamos, de algum modo, descorar o papel das ciências sociais, porque há fenómenos extraordinariamente complexos do ponto de vista de comportamentos, do mercado de trabalho, nas famílias e na sociedade, em que as Ciências Sociais, mais do que nunca, são chamadas a responder porquê desses fenómenos, porquê da prevalência de um nível de desigualdade extraordinariamente elevado, mesmo em países com dotação, do ponto de vista de recursos, suficientemente notável, o porquê das tendências de prevalência da exclusão, em particular, dos jovens, no processo de escolhas sobre as políticas públicas. Então, estas são algumas ideias, mas, a nota, em jeito de conclusão, gostaria de referir que cada país tem que fazer escolhas. O país deve fazer escolhas. Nós vivemos numa sociedade em que as opções, do ponto de vista de conhecimento são mais favoráveis actualmente, do que no passado. Portanto, o conhecimento está cada vez mais democratizado e, este factor, parecendo que não, favorece, em particular, para jovens de países em vias de desenvolvimento. É um ambiente propício para que eles sejam muito mais agressivos para que eles possam apropriar-se dessa imensidão de conhecimentos.

O que é que não pode faltar na educação para os jovens, ou seja, como é que se criam ou se estruturam programas de formação e educação e currículo, para que este jovem esteja preparado e em condições de assumir responsabilidades nas diversas áreas de grande especialização.

AT – O que eu gostaria de sugerir é o seguinte: Os alicerces de quaisquer curricula, quer na área de ciências naturais exactas, ciências sociais, são grosso modo, conhecidos. Agora, o que é importante agregar a estes curricula, naturalmente, é a questão dos valores, porque não basta adquirir conhecimento primário. É necessário que as pessoas tenham valores, que reflectem a maneira de ser e estar na sociedade. Mas, muito mais do que isso, eu acho que, havendo clareza sobre a orientação de um determinado curricula, os desafios específicos do ponto de vista de desenvolvimento, de competitividade da economia local versus economia regional; que tipo de curricula nos vai levar a isto, teremos que investir e priorizar a alocação de recursos mais para a componente das ciências naturais exactas, mais na componente das engenharias, da componente básica. São escolhas que temos que fazer. Agora, assumindo que estas escolhas sejam perfeitamente feitas, cada jovem que se sinta que tem vontade, tem habilidades, de formar-se, tem que ter oportunidade. Então, a questão para mim é, como é que criamos oportunidades, para aquele que, de facto, tem vontade de seguir um determinado curso de formação e apropriar-se de determinadas experiências, possa faze-lo sem constrangimentos. Então, aqui falo da questão da modalidade social porque os jovens as condições sociais não são idênticas para todos os jovens, portanto, existe uma diferenciação de ponto de vista de partida que o nosso sistema tem que corrigir. Dotar todos de conhecimentos para que sejam munidos das mesmas condições para que possam ser competitivos. Então, é uma questão, não só de curricula, mas também de financiamento. Agora, no financiamento, o que eu gostaria de sublinhar é o seguinte:  Nós trabalhamos numa lógica em que o Estado é o principal provedor deste serviço. Não discuto esta ideia, tanto mais que os Estados com economias em vias de desenvolvimento chamam a si esta responsabilidade de investimento no domínio social, mas eu creio que é necessário começarmos a ser progressistas, no sentido de abrir mais espaço a iniciativas de caris mais privado, no sector da educação.

Nesta terceira edição do MOZEFO Young Leaders, iniciativa da Fundação SOICO, mais uma vez, os administradores dos distritos defenderam as suas posições sobre a participação dos jovens no processo de desenvolvimento do país. Os convidados ao debate foram Baptista Carneiro, Administrador da Maganja da Costa, e Edson Lino, Administrador de Balama.

Baptista Carneiro e Edson Lindo, administradores da Maganja da Costa (Zambézia) e Balama (Cabo Delgado), respectivamente, defenderam, na tarde desta quarta-feira, que os jovens moçambicanos devem procurar aproveitar as oportunidades que os distritos nacionais oferecem.

Numa sessão da terceira edição do MOZEFO Young Leaders, evento organizado pela Fundação SOICO (FUNDASO), os dois administradores mencionaram as acções que têm implementado para que os jovens, quer os formados, quer os sem formação tenham possibilidades de evoluir e, assim, contribuírem para o desenvolvimento económico e social de Moçambique.

Num debate subordinado ao tema “Jovens excluídos por assimetrias geográficas”, Baptista Carneiro e Edson Lino mencionaram as acções que os seus governos distritais têm materializado de modo que funcionem como focos do tão almejado progresso. Dos dois, o primeiro a intervir num debate moderado pelo jornalista Boaventura Mucipo foi o administrador da Maganja da Costa. De acordo com Carneiro, aquele distrito da Zambézia tem se dedicado em aumentar a formação técnico profissional dos jovens, de modo que, assim, apreendam conhecimentos imprescindíveis para o crescimento individual e colectivo. “A nossa primeira luta é a própria equidade dos jovens. Assim, acreditamos que teremos uma juventude com uma postura mais acertada no futuro. O que tentamos fazer aqui no distrito é que os jovens, através dos seus conhecimentos, possam produzir”. Para o efeito, sublinhou o Administrador da Maganja da Costa, o empreendedorismo é estimulado, o que condiz com a abertura de regadios que fomentam a prática agrícola. “Assim, esperamos que os jovens saiam do gabinete para a prática, apostando no turismo, por exemplo. O saber fazer é importante porque amplia as perspectivas dos jovens”.

E porque o saber é sempre prioritário, o Governo do Distrito da Maganja da Costa interessa-se na formação e capacitação da juventude, fundamental para se vencer assimetrias geográficas. “Nós abrimos vias de acesso, construímos infra-estruturas e escolas técnico-profissionais para ajudar os jovens a terem mais conhecimentos. De igual modo, financiamos associações que têm ideias para produzir em vários campos, como na mineração, no turismo e na agricultura, porque não é possível o país conseguir garantir emprego para todos”.

Baptista Carneiro entende que os jovens devem saber definir o foco e as suas oportunidades. Sobretudo no interior do país, por ser lá onde se encontram as oportunidades para se estender os talentos. “O jovem deve ser o motor activo do desenvolvimento do país”, lembrou. “Queremos convidar os jovens para investirem em si próprios, no sentido de missão, de modo que as gerações vindouras possam se orgulhar do legado deixado”. De contrário, “não vamos desenvolver o país com pessoas que apenas estão à espera de analisar aquilo que está errado, mas que nunca analisam o que está certo”.

Na sua intervenção, Edson Lino, Administrador do distrito de Balama, na província de Cabo Delgado, afirmou que o grande desafio, primeiro, é “mantermos no distrito os jovens que já cá estão, o que temos feito através de interação constante com a nossa juventude, com a criação de políticas de investimentos público”.

O distrito de Balama mapeou 150 negócios nos quais a juventude pode investir com sucesso. Nos próximos meses, o Governo local irá desenhar o plano estratégico de desenvolvimento e promover o que consideram oportunidades para os jovens. “Nós queremos fazer uma nova narrativa, que demonstra que é possível vivermos bem no distrito, com criação de pequenos negócios. Criamos facilidade de acesso, de criação de empresa, de acesso à água, à electricidade e à formação. Em Balama temos um instituto de formação profissional. Se cada jovem pagasse a totalidade do curso, lhes custaria entre 80 a 90 mil meticais. Como o Governo subsidia, os jovens pagam entre 4 e 7 mil meticais, dependendo do curso. A ideia é que os jovens tenham habilidade no bem-fazer. Não queremos mapear os problemas, queremos encontrar as soluções.
Estamos a formar carpinteiros, canalizadores, e etc., que estão a integrar-se no mercado. Também temos jovens formados pela universidade que estamos a atrair para o distrito. Por exemplo, temos oportunidade para os jovens exercerem a comercialização, com facilidades. O que deve acontecer é os jovens terem a coragem de sair de grandes centros urbanos e virem ao distrito, onde existem muitas oportunidades em diferentes áreas”.

À imagem do que Baptista Carneiro disse, Edson Lino realçou que é urgente todos contribuírem para potenciar os distritos e impedir a repetição de algumas coisas que não fazem sentido. Por exemplo, que o tomate saia dos distritos em bruto. “É preciso trazer o conhecimento ao distrito, de modo que o processamento e a embalagem garantam que exportamos o produto como Tomate de Balama. O mesmo devemos fazer com o milho e com outros produtos que devem gerar renda para o distrito, que nos possam ajudar a investir em infra-estruturas. Temos de trazer o conhecimento para transformar as comunidades que estamos a liderar. Trazer uma nova visão de bem comum”, finalizou Edson Lino.

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