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O País – A verdade como notícia

Há dias, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) recebeu uma denúncia de que duas empresas estavam a extrair ilegalmente ouro na aldeia de Ntulo, na localidade de Lupilichi, no posto administrativo de Cóbuè, no distrito de Lago, no Niassa.

Foi imediatamente criada uma equipa de fiscalização liderada pelo inspector-geral daquele ministério, Obede Matine, para averiguar as denúncias. A nossa equipa de reportagem foi convidada a integrar o grupo. Partimos de Lichinga às 06h00 da manhã, tínhamos pela frente 110 km de estrada asfaltada e mais outros cerca de 200 km de estrada natural.

Sete horas depois, chegámos ao local e o cenário encontrado é de actividade mineira intensiva, numa mina a céu aberto. Por isso, há enormes crateras abertas onde a equipa de fiscalização constatou ter sido retirado o minério para extracção do ouro.

A equipa de fiscalização começou por tirar as coordenadas geográficas do local para averiguar se as áreas coincidem com as que eles têm nos processos, e tal permitiu chegar à conclusão de que para aquela área que em exploração não existe nenhuma licença nem para pesquisa e prospecção, muito menos para exploração, o que significa que se está perante um roubo industrial de recursos.

A inspecção diz que as operações de pilhagem de proporções industriais estão a ser levadas a cabo por uma sociedade anónima denominada Focus 7 Exploration, que detém uma licença de prospecção e pesquisa de ouro, diamantes e outros recursos, com o número 9615L, passada em 2018 e com duração de cinco anos, ou seja, até 2023, numa área próxima a que se está a pilhar o ouro. Portanto, não existe qualquer autorização para exploração de qualquer recurso tal como está a acontecer no terreno e a níveis industriais.

Aliás, a equipa encontrou no local pás escavadoras em plena acção e pelo menos seis camiões basculantes prontos para fazer o carregamento do material escavado. E, apesar das operações serem ilegais, há no local protecção por um agente da Polícia da República de Moçambique, armado e com sistema de comunicação.

O inspector Obede Matine procurou falar com o responsável das operações no terreno, mas o mesmo simulou não entender o português, uma vez que é supostamente de nacionalidade chinesa. Mesmo assim o inspector insistiu que o mesmo o acompanhasse até à área de mineração. Aceitou, mas quando já estavam a caminho mudou de ideia e deixou o inspector sozinho, alegando que não estaria disponível para tal.

No local dos factos, encontrámos ainda seis homens segundo os quais foram recrutados em Cabo Delgado para trabalharem naquela mina, mas não tinham contrato, não sabiam o que iam fazer, nem quanto iam receber. Estavam no local há dois dias e não sabiam o que lá iam fazer.

Da mina partimos para uma outra área que dista pouco mais de 10 km. É para onde os camiões levam o material escavado para processamento, uma vez estar próximo do rio. Chegados ao local, encontrámos uma enorme planta de processamento de ouro em instalação. A mesma tem capacidade para processar pouco mais de 700 metros cúbicos de minérios por dia.

Mas há também, no local, duas outras máquinas, cada uma com capacidade de 70 metros cúbicos por dia que estão inoperacionais, mas com sinais de que num passado não distante estiveram em operações de processamento do ouro.

O responsável do local disse chamar-se Alex Lau, também é supostamente chinês. Ele confirmou que as duas máquinas estiveram a processar ouro desde Abril passado mas estavam paralisadas para manutenção.

O interlocutor disse não saber a quantidade de ouro que tinha sido extraído. Questionado sobre o nome da empresa e dos proprietários da mesma, respondeu não os conhecer, apesar de estar a liderar as operações de instalação da enorme planta de processamento. A área onde está implantado o processamento de minérios foi objecto de um pedido da empresa Niassa Oro Mining para pesquisa e prospecção do ouro, carvão mineral e outros recursos, em 2016, mas que até ao momento não teve resposta positiva.

Segundo o inspector-geral do MIREME, Obede Matine, estávamos ali perante a exploração ilegal do ouro porque não existe nenhuma licença ou outro tipo de autorização para o efeito. O Governo não tem qualquer notificação das operações, muito menos de quantidades de ouro retirado daquelas áreas.

Segundo a mesma fonte do Estado, a licença de pesquisa e prospecção abre espaço para fazer testes de produção industrial mas tal deve ser autorizado e ter acompanhamento das autoridades para saber a dimensão e capacidade de processamento, a quantidade do minério escavado, a quantidade do ouro extraído, entre outras informações importantes. Mas tal não aconteceu com as empresas em questão.

Outra grande preocupação manifestada pelo dirigente é que aquelas empresas estão a operar sem qualquer plano de gestão ambiental visando recuperar as áreas degradadas pela actividade. Não há sistemas de tratamento das águas usadas no processamento.

Esta segunda-feira, o inspector Matine convocou a liderança máxima das empresas para uma reunião na Direcção dos Serviços Provinciais de Infra-Estruturas, para explicações e possível tomada de medidas contra os actos de exploração ilegal de recursos minerais.

 

EM LUPILICHI HÁ UM BOM EXEMPLO DE EXPLORAÇÃO DO OURO

Depois de trabalhar nas duas empresas, a brigada do MIREME teve que percorrer quase 50 quilómetros em direcção à fronteira com Tanzânia, numa região chamada Mpapa. É uma região habitada por gente cuja principal actividade é o garimpo do ouro. Aquela comunidade descobriu o ouro em 1992, quando a área foi invadida por garimpeiros tanzanianos que perseguiam o filão do ouro a partir do seu país.

Na altura, a comunidade reportou a existência do ouro à então Direcção Provincial dos Recursos Minerais e Energia, que passou a assisti-los. Foi dai que surgiram, em toda a região de Lupilichi, quatro associações de mineradores artesanais. E em Mpapa funciona a Associação 1º de Maio, com 11 membros.

Eles exploram uma extensa mina subterrânea com 20 poços que vão até 70 metros de profundidade e em alguns casos com galerias de até 20 metros de cumprimento que podem comportar três a cinco mineiros de uma só vez. No subsolo eles extraem a pedra que na superfície é partida por trabalhadores locais, depois é triturada em máquinas. O pó que daí sai é lavado para identificar o ouro.

Na referida mina trabalham mais de 650 pessoas com idades entre 18 a 40 anos. Ninguém consegue dizer com exactidão a quantidade de ouro que é extraída no local. A associação fala de 15 a 17 gramas por mês, mas as autoridades governamentais falam de 30 quilogramas extraídos em Lupiliche só no primeiro semestre deste ano. O ouro é vendido a uma empresa chamada Bright Gold, subcontratada pela Empresa Moçambicana de Exploração Mineira, mas também é vendido num esquema ilegal para compradores tanzanianos. É que a Bright compra cada grama a 2 mil meticais e os tanzanianos chegam a pagar muito mais.

Na verdade, é difícil ter a quantidade real do ouro produzido porque há pelo meio tentativas de fuga ao fisco. Mas o lado positivo é que as associações têm total controlo da mineração do ouro, apesar de estarem a usar sistemas de extração rudimentares e pouco eficientes.

Por outro lado, as mesmas associações não observam as regras de higiene e segurança no trabalho e um franco sistema de gestão ambiental. O trabalho feito pelos contratados é próximo à escravatura porque não tem nenhum equipamento de protecção e a remuneração é feita de forma pouco clara. São muito poucos que têm salário mensal e a maioria recebe pelo trabalho feito. Ou seja, pela quantidade de sacos de pedra que extraem no subsolo, ou pela quantidade de pedra que partiu e, por fim, pela quantidade de ouro que se terá conseguido extrair. Se tiver tirado 10 sacos de pedra no subsolo e nessa pedra não ter sido encontrado nem um grama de ouro, não há qualquer remuneração.

No entanto, no meio de montanhas e do nada tende a surgir uma cidade. Naquela comunidade praticamente não há casa de construção precária e a própria associação funciona como um governo local, que fornece água canalizada gratuitamente à comunidade, tem um grupo gerador que fornece energia eléctrica a todas casas, sendo que cada família dependendo dos electrodomésticos que usa paga entre 100 a 200 meticais por semana.

As quatro associações existentes em Lupiliche juntaram-se para construir cinco escolas e fazem regularmente a manutenção da estrada que parte de Cóbuè até à sede da localidade.
Depois de visitar e interagir com os mineiros, o inspector-geral do MIREME ficou convencido de que é urgente que o seu ministério reforce a assistência àquela associação para que ela possa melhorar os métodos que usa para a extracção do ouro.

E tal passa por a mesma ser elevada para a categoria de cooperativa e ou mesmo uma empresa para que possa ter autorização para usar maquinaria sofisticada, explosivos entre outros meios que podem ajudar a aumentar a produção do ouro, a sua recuperação do material extraído e a sua purificação.

Actualmente, o ouro explorado pela associação tem um nível de pureza de 92 a 93%, quando processado usando técnicas mais avançadas pode se alcançar uma pureza de 97 a 98%, o que eleva o preço de comercialização.

De Lupilichi partimos para Mavago para visitar uma outra associação que explora o rubi na zona tampão da Reserva do Niassa. Não conseguimos chegar ao local devido às péssimas condições da estrada e segurança tendo ido apenas o inspector e alguns técnicos. Os mesmos dizem ter encontrado uma exploração artesanal feita por uma associação de antigos combatentes. No passado, eles tinham-se juntado a uma empresa também constituída por antigos combatentes, que por seu lado subcontratou a empresa chinesa Sogecoa para explorar o rubi, mas passados seis meses houve desentendimentos e o negócio foi desfeito.

A brigada dirigiu-se ainda ao distrito de Cuamba. Visitou as instalações da empresa Sociedade Vision 2000 que tem título mineiro para exploração da Granada, uma pedra preciosa. No entanto a mesma não está a operar desde 2013 porque a actividade já não era lucrativa. A empresa fez um estudo que apontou a ocorrência da Granada na rocha primária em grandes quantidades, mas tal requer uma tecnologia que a mesma não tem capacidade para adquirir e está neste momento a negociar parcerias com investidores chineses para o efeito.

Uma vez que as actividades estão paralisadas a área foi invadida por garimpeiros ilegais que extraem a Granada e vendem para agentes de comercialização de pedras preciosas, alguns dos quais ilegais. Conversámos com alguns garimpeiros que disseram que vendem cada grama a 15 meticais, quando a empresa Vision ainda operava diz que vendia cada grama a 90 dólares.

Os garimpeiros pedem ao Governo para autorizar a empresa Vision para passar a comprar deles as pedras que extraem ilegalmente porque houve uma altura que ela fazia isso e comprava a um preço melhor que praticado actualmente por agentes de comercialização das pedras preciosas.

O inspector Matine deixou no entanto um alerta para a empresa Vision 2000 para que ela consiga retomar às suas actividades ainda este ano porque corre o risco de perder a sua licença, uma vez que segundo a legislação o operador só pode parar a sua actividade por um período máximo de cinco anos.

O Parque Nacional de Zinave, na província de Inhambane, está em processo de repovoamento. Para o efeito, a Peace Park Fundation está a desembolsar 26 milhões de dólares, valor que inclui a construção de infra-estruturas e educação das comunidades sobre a conservação da fauna e flora.

Em 2015, foi assinado um acordo de co-gestão entre a Peace Park Fundation e a Administração Nacional das Áreas de Conservação. Desse acordo foram realocados, em 2016, 317 animais de diversas espécies. Um ano depois, em 2017, mais 783 animais chegaram ao Parque Nacional de Zinave. Em 2018, a área do santuário do parque passou de seis mil hectares para 18 mil hectarees.

Das espécies em repovoamento, constam o elefante, cudo, inhala, imbabala, hipopótamo, impala, chango, chipene, cabrito cinzento, cabrito das pedras, changane, crocodilo e hiena malhada. Esta última espécie foi recentemente introduzida naquele parque, sendo que está agora na fase de adaptação ao clima da região.

Em 2019, foram reintroduzidas impalas no Zinave, ao mesmo tempo que começou o melhoramento de infra-estruturas do acampamento. As mesmas foram inauguradas na última sexta-feira pelo vice-presidente da Peace Parks Fundation, Joaquim Chissano.

De acordo com Joaquim Chissano, as atenções da instituição que dirige estão viradas para o desenvolvimento sustentável e, por isso, o objectivo principal é potenciar o Parque Nacional de Zinave.

“Queremos desenvolver o parque, potenciar o turismo e gerar mais empregos para as comunidades que vivem nas zonas” à volta. “O nosso foco são as comunidades”, disse Joaquim Chissano.

Segundo o administrador do Parque Nacional de Zinave, António Abacar, a introdução de hienas faz parte de um programa de colocação de animais carnívoros naquela área de conservação. Tal é o caso do leopardo, leão e búfalo, que serão introduzidos no próximo ano.

Mas a caça furtiva ameaça a pretensão de transformar Zinave num grande atrativo turístico em Inhambane. De 2017 até o momento, foram apreendidos 31.044 cabos de aço usados para neutralizar animais, 1060 arcos para caça, 287 armas de fogo de fabrico caseiro e capturados 179 caçadores furtivos.

Com o repovoamento completo, previsto para 2021, pretende-se atrair para Zinave investimento privado para potenciar o turismo de interior.

Segundo a Ministra da Terra e Ambiente, Ivete Maibasse, está previsto, para este ano, o desenvolvimento de um plano estratégico de turismo, que prevê a concessão de três áreas para instalar estâncias turísticas no Zinave.

Existem no Parque Nacional de Zinave 50 fiscais e têm ao seu dispor viaturas e uma avioneta para trabalhos de protecção dos animais daquela área de conservação.

Parque Nacional do Zinave faz parte da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, onde há uma grande diversidade de animais de grande porte. De uma famosa concessão de caça, passou, há anos, para uma área de conservação.

Ao longo do rio Save, a noroeste da província de Inhambane, o Parque Nacional do Zinave, estabelecido em 1973, faz a transição entre as terras tropicais húmidas e as terras secas, sendo um importante local de passagem para os mamíferos nómadas que atravessam a região do Limpopo.

Historicamente, o local era conhecido como sendo área de abundância de animais de grande porte, como elefantes, girafas, zebras, boi cavalo e antílopes africanos. Nos anos 50, a caça ao elefante e aos grandes antílopes era prática corrente e nos anos 60 capturavam-se espécies que eram posteriormente vendidas para os jardins zoológicos internacionais. Um dos grandes exemplos desses animais capturados é a “Miss Mozambique”, que saiu do Zinave para um dos jardins zoológicos na Espanha.

Em 1973, Zinave estabeleceu-se como Parque Nacional através do Diploma Legal número 47/73, de 16 de Junho, com 370 mil hectares, para a conservação da fauna e flora, particularmente para a protecção de quatro espécies de animais, nomeadamente a avestruz, girafa, zebra e topi.

Nos anos 80, devido à guerra que assolou o país, estas espécies foram completamente extintas da região. Em 1998, bem depois da assinatura do Acordo Geral de Paz, é que foi estabelecido o acampamento do parque.

Entre 1999 e 2000, as grandes cheias do Rio Save danificaram as infra-estruturas do parque e, por conta disso, o acampamento foi transferido para outro local mais elevado, onde se encontra actualmente.

Hoje, o Parque Nacional de Zinave tem mais de dois mil animais, numa área de mais de 18 mil hectares.

Mesmo em tempo de pandemia da COVID-19, o Governo moçambicano transferiu 2.226.4 milhões de meticais para assistência social às famílias nos primeiros seis meses deste ano, menos 8,5% que no igual período de 2019.

A COVID-19 colocou à prova a estrutura socioeconómica de Moçambique. O primeiro semestre de 2020 foi avassalador para muitas famílias e empresas. Muitos foram atirados ao desemprego e o Governo tinha que abrir os cordões à bolsa para prestar assistência social aos mais necessitados.

Porém, a execução orçamental referente aos primeiros seis do ano, revela que o Executivo de Filipe Nyusi transferiu menos dinheiro para assistência social às famílias no período (que se diga de crise), comparativamente ao primeiro semestre de 2019.

Concretamente, entre Janeiro e Junho de 2020, foram transferidos 2.226.4 milhões de meticais, contra 2.358.5 milhões de meticais (menos 8.5%), indica o relatório do Ministério da Economia e Finanças, consultado pelo “O País Económicas”.

A lei orçamental deste ano, fixou uma verba de 4.546.5 milhões de meticais, acima de 4.394.5 milhões de meticais, para assistência social às famílias moçambicanas.

DESPESA TOTAL

Nos primeiros seis meses, as despesas totais atingiram o montante de 141.873,2 milhões de meticais, correspondente a 41,1% do orçamento anual, tendo a rubrica de funcionamento atingido 102.780,3 milhões de meticais e as despesas de investimento 16.341,5 milhões de meticais.

Tanto a nível central, provincial e autárquico, houve mesmos investimento no primeiro semestre de 2020, comparativamente ao período homólogo.

A nível central, o Executivo injectou cerca de 9.1 biliões de meticais, contra 10.4 biliões de meticais investidos entre Janeiro e Junho de 2019. Nas províncias aplicou 300.9 milhões de meticais (menos 87.2%), enquanto nas autarquias foi investido 500.5 milhões de meticais.

As operações financeiras situaram-se nos 22.751,1 milhões de meticais, correspondentes a 45%, 23% e 49,4% respectivamente.

As contas mostram que as despesas de funcionamento absorveram o equivalente a 72,4% das despesas totais, as de investimento 11,5%, sendo 7% na componente interna e 4,5% na externa.

Os salários voltaram a destacar-se na rubrica das despesas com o pessoal, tendo alcançado uma realização equivalente a 50,8% e as horas-extras 36,9%.

Em relação a igual período do exercício económico anterior as despesas com o pessoal registaram um crescimento de 7,3% em termos reais, sendo que os salários e remunerações registaram um crescimento de 7,3%, enquanto os demais encargos decresceram em 18,3%, em resultado das contenções nas rubricas de ajudas de custo dentro e fora do país motivados pelas restrições de deslocações no âmbito da pandemia da COVID-19.

“O crescimento registado na rubrica de despesas com o pessoal, explica-se pela introdução de diversos actos administrativos (novas fixações, actualizações, promoções, progressões e mudanças de carreira) ocorridos no segundo semestre de 2019, cujo impacto se reflecte nas folhas de salário do corrente ano e de outros actos administrativos que não tinham sido previstos no respectivo exercício”, explica o Ministério da Economia e Finanças.

A execução do Orçamento do Estado no período de Janeiro a Junho de 2020, resultou o equilíbrio orçamental do qual foram cobradas receitas do Estado no valor de 110.206,4 milhões de Meticais, equivalentes a 46,8% da previsão anual, tendo sido realizadas despesas totais que atingiram o montante de 141.873,2 milhões de meticais, correspondente a 41,1% do orçamento anual.

Para a cobertura do défice, o Estado teve que recorrer ao financiamento interno no valor de 29.454,2 milhões de meticais, sendo 14.274,4 milhões de meticais de outras receitas de capital e 15.179,8 milhões de meticais de empréstimos internos correspondentes a 53,2% da previsão, e ainda ao financiamento externo no montante de 34.831,8 milhões de meticais equivalentes a 52,0%, da dotação orçamental.

Numa leitura a derrapagem da moeda nacional, o Metical, os economistas traçam um cenário pior pós-reabertura de fronteiras, com o relaxamento de medidas restritivas impostas pela pandemia da COVID-19.

Para o economista Ibraimo Mussagy, a forte depreciação do Metical não é uma novidade, pois já tinha atingido o seu pico em 2016, e já nesta fase, tornou-se notório que esta situação não era “originária das forças naturais do mercado mas sim do movimento especulativo” reforçado pelo conjunto de incertezas vividas dentro da nação – os conflitos armados no centro e norte do país.

Já o economista e director-executivo da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a moeda nacional já sofre “pressão aguda” por conta do actual cenário de pandemia e vai agravar ainda mais com a maior procura da moeda estrangeira para viagens e importações após a reabertura das fronteiras.

Em entrevista concedida ao “O País Económico”, o economista Elcídio Bachita, explica como este fenómeno pode estar relacionado com a fraca produção, o que gera menor volume de exportações, comparada as importações, principalmente na agricultura.

“Aquilo que o agricultor sul-africano produz em um mês, o agricultor moçambicano produz em um ano”, disse Elcídio Bachita.

 

COMO CONTORNAR A SITUAÇÃO ACTUAL?

Segundo Bachita, a solução contra a depreciação do Metical é a diversificação de produção, ou seja, não deixar a economia ficar dependente de alguns sectores de produção. Há uma necessidade de buscar produzir mais e importar menos, pois, “enquanto continuarmos a importar sempre vamos presenciar depreciação cíclica do metical”.

No entanto, para Mussagy, apesar de haver factores que não são passíveis de controlo no momento, “há medidas que podem ser tomadas para relançar a economia, tais como a facilitação de acesso a linhas de crédito para as empresas, e incrementação das mesmas, pois atendem a menos de 20% das necessidades do sector empresarial”.

 

O papel do Governo, sector empresarial e juventude como agentes económicos para a recuperação do metical

Questionado sobre a responsabilidade de cada um destes agentes económicos na recuperação do Metical, que é o reflexo da situação económica do país, Bachita disse que o Governo não pode ser considerado o único responsável, pois este tem o papel de facilitador, incentivador e regulador.

“Cabe ao sector empresarial que é a força motriz para o desenvolvimento e crescimento económico do país ser criativo, não estar dependente de concursos públicos e aproveitar as oportunidades que o Governo dá, principalmente no sector agrícola, onde há uma fraca aderência dos empresários moçambicanos”, sublinhou.
Mas, Eduardo Sengo advoga a necessidade de se criar um “ambiente favorável” para as empresas e evitar fazer desta busca por soluções “um jogo de ping pong” onde culpados são apontados. Apontando para o facto de ser mais barato para o produtor escoar matéria-prima bruta, que um produto acabado ou semiacabado, que tem mais valor no mercado.

Bachita apontou o projecto Sustenta, levado a cabo pelo Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER), como um exemplo de oportunidade gerada pelo Governo, que deve ser aproveitada pelos empresários.

Contudo, de acordo com a descrição do MITADER, o público-alvo do projecto são pequenos camponeses, o que torna o sector empresarial menos suscetível a beneficiar-se do mesmo.

Sobre as possíveis soluções, Mussagy residente na cidade da Beira recém-afectada pelo ciclone Idai, faz uma leitura diferente do assunto, apelando à uma intervenção assertiva do Governo.

“Sofala ainda não recuperou do ciclone Idai e provavelmente alguns não conseguirão recuperar. O tecido empresarial esta em desequilíbrio, grande parte  tentava retomar este ano. Grande parte das empresas não beneficiou na altura das facilitações criadas pelo governo. Contudo, hoje, com estes adventos todos, sem apoios efectivos e sem a mão interventiva do Governo, ficará impossível se reerguerem sozinhas”, concluiu.

No seguimento da série de entrevistas que temos vindo a realizar com diversas figuras que marcaram o processo de industrialização do país nas primeiras décadas da Independência nacional, António Almeida Matos, tudo funcionava bem, mas “a indústria doméstica nunca foi baseada na matéria-prima nacional”.

 

Qual foi o seu envolvimento no Ministério da Indústria e Comércio como director do comércio externo?

Na sequência dos Acordos de Lusaka (1974), no período do Governo de Transição, regressei a Moçambique em Outubro 1974. Fui destacado para o Ministério da Indústria e Comércio. No tempo colonial, Moçambique era território português…não foi exactamente uma direcção de comércio externo porque as transacções principais de Moçambique com exterior era Portugal e África do Sul. Portugal era comércio interno…não havia uma direcção específica para lidar com o comércio externo. Portanto, dentro daquilo que era o serviço de comércio foi criada a Direcção de Comércio e Interno e Externo, com uma tarefa de organizar, recrutar pessoal e montar todo o sistema…dois ou três anos depois passou a Direcção de Comércio Externo. O grande desafio foi no período em que os quadros da administração pública portuguesa retiraram-se e não haviam pessoal qualificado para seguir com o trabalho.

 

Cabia a responsabilidade de conceber, executar e coordenar projectos industriais em Moçambique?

Não. A Direcção de Comércio Externo só lidava com transacções comerciais. Importações e exportações…a grande preocupação na altura era contratar jovens que começassem a funcionar dentro da direcção e houve uma mobilização da geração de 8 de Março. Eu lembro que tínhamos um gabinete de estudos na Direcção de Comércio com muitos jovens que estavam a acabar os cursos de economia. Portanto, a nossa tarefa era controlar as importações e exportações, verificar se os preços que estavam a ser praticados correspondiam ao preço do mercado internacional e nas importações verificar se os compradores compravam ao preço justo do mercado porque havia toda problemática de fuga de capitais…

 

O seu envolvimento com a indústria em que momento é que começa?

O meu envolvimento com a indústria começa nos anos 80. Em Junho de 1980 fui para Companhia Industrial da Matola onde fiquei dez anos como director-geral. Tivemos aquele período da saída dos cidadãos portugueses e as empresas ficaram numa situação de não terem quadros de gestão e houve o famoso Decreto 16/75 que permitia a intervenção do Estado. Eu não fui no âmbito de uma comissão administrativa, foi uma nomeação directa para director-geral porque a Companhia Industrial da Matola, nessa altura, estava sem Direcção e com grandes dificuldades de funcionamento.

 

Qual foi o desafio? Lembro-me que a Companhia Industrial da Matola era uma enorme companhia.

Nós estávamos em plena guerra da desestabilização em Moçambique. Portanto, era a maior empresa, tínhamos mil trabalhadores, enorme responsabilidade de dar comida todos dias…era preciso ter milho, trigo e massa para o mercado. O grande problema era a aquisição das matérias-primas. Portanto, foi uma fase em que estivemos muito dependentes dos donativos. Toda gente percebeu que a guerra que estava acontecer em Moçambique era de desestabilização, não era uma guerra nacional e que era preciso apoiar Moçambique porque era um Governo legítimo…houve um apoio substancial da comunidade internacional. Para além do trigo que nós recebíamos, mas a ajuda internacional não era suficiente. Então a gestão de tudo isso e conseguir ter as moageiras a funcionar era o desafio de todos dias. Outro aspecto era pessoal, quando sai a gestão portuguesa da empresa deve dizer que os primeiros dias fiquei admirado com a capacidade do pessoal que estava na fábrica.

 

De seguida nomeado director-geral da Unidade de Direcção da Indústria e Tabacos (UDRAT) até 1990. Como é que foi essa experiência?

Isso foi uma criação nova. Com essa questão das Comissões Administrativas e abandono das empresas, havia empresas de vários sectores de actividades afins que utilizavam o mesmo tipo de matéria-prima ou tinham o mesmo tipo de fornecer internacional. Então as unidades de direcção se agrupavam a essas empresas por afinidade. Estavam todas empresas do ramo alimentar, principalmente as grandes empresas, a SOCIMOL, PROTAL, LOMAR e mais tarde foram agregadas empresas do sector tabaqueiro. Objectivo, havia uma grande escassez de divisas. Em vez de comprar trigo para a Companhia Industrial da Matola…comprava também para a SOCIMOL (gerando economia de escala) e para fazer a distribuição dos donativos que vinham em função da capacidade industrial de cada empresa. Não dar em excesso a matéria-prima a uma dada empresa para depois não ter capacidade de processar. O objectivo foi racionalizar os meios que tínhamos e ao mesmo tempo formular um plano anual de produção para conseguirmos ter a alocação de divisas para funcionar em função daquele plano que fora estabelecido.

 

Como era a capacidade produtiva dessas empresas todas?

Era uma boa capacidade produtiva. A indústria nacional na altura funcionava relativamente bem. Aqui há um problema, a nossa indústria nacional nunca foi baseada na matéria-prima nacional. Não houve uma grande industrialização no sector agro-industrial. Por exemplo, não era feito sumo com a fruta nacional, era importada. Não havia uma grande interligação entre o sector industrial e agricultura.

 

Quando olha para a fotografia da indústria nos primeiros anos em que vocês foram os protagonistas, que ilações tira e como é que descreve?

O nosso sector industrial era grandemente dependente da matéria-prima importada e isse é sempre um obstáculo, mas tinha a grande vantagem da flexibilidade para responder as situações do mercado. Havia três ou quatro empresas na área das tintas…empresas de óleo. O grande sector que havia com grande preponderância, e que não era dependente da matéria-prima internacional era o metalo-mecânico. Capacidade de recuperação de maquinas, de navios…essa capacidade desapareceu em grande parte. Era importantíssima porque permitia uma grande economia de divisas.

 

Então, no lugar de se importar encontrava-se aqui no mercado?

Exacto, e respondia a ansiedade no momento.

 

No caso da companhia industrial da Matola, para manter toda aquela estrutura técnica também tiveram o suporte das empresas locais?

Trabalha-mos muito com a indústria local, como técnicos locais, embora o nosso tipo de equipamento fosse muito sofisticado não exigia um grande consumo de peças sobressalentes. Não havia muito esse problema, mas havia uma grande exigência na área da manutenção.

 

Consta também que foi promotor e gestor do projecto STEMA, silos de cereais no porto da Matola. Pode partilhar essa experiência?

Foi um projecto muito interesse, felizmente correu bem e já duplicou a capacidade em relação ao projecto inicial. Foi um donativo da Alemanha, a KfW, para uma solicitação que tinha sido feita pelo Ministério do Comercio Interno. Eu dirigi esse processo, o grande problema que tínhamos na altura era a capacidade de armazenagem dos silos industriais das empresas. O silo de uma fábrica não é um silo de stocks, é um silo de consumo. Como nós não tínhamos silos de stock, então tínhamos que recorrer aos silos das empresas e isso criava algum conflito com produção. Este projecto foi muito importante e tinham uma componente, que na altura não teve utilização imediata, que era ser um silo de trânsito para os países vizinhos. Nós na altura negociamos com o Botswana. O transporte fazia-se por vagões e perdia-se muito cereal.

 

Pode partilhar a experiência como negociador do primeiro crédito para economia moçambicana concedido pelo Banco Mundial? 

Estávamos num período de mudança de política económica de Moçambique. A Uniao Europeia tinha o que chamavam de “Convenção de Lomé” que agrupava as antigas colonias dos países europeus na África, Ásia e América Latina. Moçambique não era membro dessa instituição. Fui mandado numa missão de investigação com dois colegas. Fomos a Bruxelas e ficamos uma semana a estudar a “Convenção de Lomé” para analisar as vantagens. Portanto, nós fizemos o relatório e houve uma decisão política do Governo de aderir e logo começamos as negociações as condições. Foi uma boa decisão para Moçambique e permitiu o acesso a muitos financiamentos, créditos e condições especiais de acessibilidade aos mercados. Com o Banco Mundial também foi semelhante. As grandes negociações foram feitas em Maputo e em Washington foi para limar arrestas finais.

 

Fora das dinâmicas dos megaprojectos, pouco há que indique sinais de mudança e transformação no sector industrial: mantém-se a excessiva concentração e deficiente diversificação do tecido industrial. O único produto novo que surgiu entre esses 10 produtos em 45 anos da independência é o alumínio. O que justifica a letargia do nosso sector industrial?

A indústria é um sector muito complicado. Por um lado exige técnicos especializados e mão-de-obra qualificada e é uma enorme carência em Moçambique. Infelizmente nós encerramos as escolas industriais e técnicas. Reabrimos há uns anos, mas continua não haver técnicos qualificados. Te que haver políticas muito delineadas e não pode haver sobressaltos nas decisões. Quem investe em indústria está e investir em infra-estruturas. Dizem que as pessoas inteligentes investem em diamantes porque se houver uma crise o diamante é pequenino e mete-se no bolso e vai embora, mas a fábrica ninguém leva (risos)…portanto, tem que haver uma grande confiança e estabilidade..

 

O volume de negócio das comunicações (telecomunicações e correios) em Moçambique registou um crescimento de cerca de 13%, nos primeiros seis meses deste ano, quando comparado com igual período do ano passado.

Segundo o balanço preliminar do sector, divulgado esta quinta-feira, pelo Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC), este indicador resulta do aumento da procura dos serviços de telecomunicações, viabilizado pela melhoria da qualidade e expansão da rede.

“Contribuiu igualmente para estes resultados, o aumento do trabalho remoto que caracteriza o período de emergência imposto pela pandemia da COVID-19”, explica o MTC.

Moçambique conta com uma rede de telefonia móvel (2G e 3G) que une todos os distritos, prosseguindo para os postos administrativos (90%) e localidades (60%). Todas as capitais províncias estão cobertas com os serviços de 4ª Geração (4G), sendo a aposta a expansão dos serviços de 4ª geração de telecomunicações para cobrir todas as sedes distritais e 50% dos postos administrativos, até 2024.

O Programa Quinquenal do Governo (PQG)- 2020/2024 prevê ainda a implementação dos serviços de 5G de telecomunicações nas capitais provinciais.

No ramo postal, o crescimento registado foi impulsionado pelo aumento da procura destes serviços, estando perspectivado, para o presente quinquénio, implementar o endereçamento postal nas cidades de Maputo, Beira, Quelimane, Nampula e Nacala.

Refira-se, que para além da expansão da rede de telecomunicações e consolidação dos serviços postais, o sector está a implementar vários projectos com destaque para a migração de radiodifusão analógica para a digital, provisão dos serviços de televisão via satélite para 500 aldeias moçambicanas, acessibilidade de internet (praças digitais), entre outras iniciativas.

Os riscos e as incertezas na economia nacional aumentaram devido à propagação comunitária da COVID-19 e a intensificação dos ataques de terroristas em Cabo Delgado, alerta o Banco de Moçambique. O Banco Central prevê ainda o aumento dos preços de bens e serviços nos próximos tempos.

Cada vez mais complicada é como está a ficar a situação económica do país. O peso da COVID-19 e dos ataques em cabo Delgado está a ficar cada vez maior, por isso, o Banco de Moçambique avisa que dias piores poderão estar a chegar.

“Os riscos e as incertezas agravaram-se, com realce para a propagação comunitária da COVID-19 a nível doméstico e a intensificação da instabilidade militar na zona norte do país. O prolongamento desta situação pode afectar o perfil dos indicadores económico-financeiros e determinar a adopção, pelo Comité de Política Monetária, de medidas correctivas”.

Contundo, o regulador do sistema financeiro chama atenção para o aumento da despesa pública por culpa do novo Coronavírus e dos ataques no norte.

“A previsão de uma contracção económica em 2020, associada à propagação da COVID-19 no país e o agravamento dos conflitos militares em Cabo Delgado, aumenta a preocupação de uma maior pressão sobre as despesas públicas, com destaque para a saúde, bem assim defesa e segurança. Desde a última reunião do Comité de Política Monetária, a dívida pública externa, excluindo contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, incrementou de 160.135 milhões para 162.424 milhões de meticais”.

Em comunicado publicado nesta quinta-feira, o Banco Central alerta ainda que devido à acentuada derrapagem do metical face às principais moedas de troca, como o dólar e o euro, o custo de vida no país poderá aumentar em breve.

“Em Julho, a inflação anual de Moçambique situou-se em 2,8%, após 2,69% no mês anterior. Para o curto e médio prazo, projecta-se um aumento de preços, a reflectir, essencialmente, o efeito da depreciação do Metical e da recuperação dos preços dos combustíveis no mercado internacional, não obstante a fraca procura interna. Ainda assim, prevê-se que a inflação se situe na banda de um dígito em linha com as expectativas dos agentes económicos inqueridos em Agosto de 2020”.

Perante as incertezas crescentes, reunido nesta quinta-feira, o Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de referência em 10,25%, os coeficientes de reservas obrigatórias para passivos em moeda nacional e estrangeira em 11,50 e 34,50% respectivamente, uma decisão fundamentada pelo agravamento das perspectivas de aumento generalizado dos preços a médio prazo e os riscos e incertezas associados à queda da economia nacional este ano e uma fraca retoma no próximo ano.

O “O Pais” encontrou o senhor António André, um comerciante no Bairro 19 de Outubro em Vilankulo, entretanto, opera sem corrente eléctrica. Ele exerce a actividade há mais de um ano e vende um pouco de tudo desde bebidas até produtos alimentares.

Mas vender produtos frescos numa zona com grande potencial turístico não é tarefa fácil para o senhor André, uma vez que por falta de energia ele é obrigado a comprar gelo para manter os seus produtos frescos.

Ele conta que já solicitou a empresa Eletricidade de Moçambique que se fizesse a ligação no seu estabelecimento, pedido que entretanto não foi satisfeito.

É que os distritos de Mabote, Vilankulo, Inhassoro e Govuro em Inhambane, bem como Machanga em Sofala, estão ligados a central eléctrica de Temane em Inhassoro que gera corrente eléctrica a partir do gás natural.

A referida central passou para a gestão da EDM em 2007, na altura com uma capacidade instalada de apenas um megawatt, com apenas 500 ligações e a empresa teve de instalar novos equipamentos que reforçaram a capacidade da central para 12 megawatts, o que permitiu ligar 16 mil clientes.

Com o tempo, o equipamento foi apresentando sinais de desgaste a constantes indisponibilidades de energia, sendo que opera agora, com a metade da sua capacidade.

Sendo aquela uma região com um grande potencial turístico e na indústria extrativa, a EDM foi buscar junto dos seus parceiros dinheiro para reforçar a disponibilidade de energia nos 5 distritos.

São ao todo 35 milhões de dólares americano, dinheiro do governo da Suécia, investidos na construção de 240 quilômetros de linha de alta tensão desde Chibabava em Sofala até Temane em Inhassoro.

A construção de 3 subestações, uma de 16 megawatts em Casa Nova em Chibabava, outra em Temane de 40 megawatts e a última de 20 megawatts em Vilankulo

Finalmente, o pacote inclui a construção de 174 quilômetros de linha de expansão de media tensão, 88 quilómetros de baixa tensão e a instalação de 79 Postos de Transformação nos bairros periféricos.

Espera-se no final que a nova linha permita a ligação imediata de 7 mil novos clientes, nos 4 distritos de Inhambane e Machanga em Sofala.

As obras foram adjudicadas a 3 empresas, sendo uma indiana que tem a missão de construir os 240 quilômetros de linha, uma chinesa que deve construir as 3 subestações, uma em Chibabava, outra em Inhassoro e a última em Vilankulo. A construção das linhas de expansão da rede estão sob responsabilidade de uma empresa portuguesa e segundo apuramos no local, a execução das obras está acima de 50%.

Aliás, no terreno as obras acontecem todos os dias e foram mobilizados 650 trabalhadores moçambicanos que se juntaram a outros 80 que vem de fora do país.

Em Temane, local em que acontece a construção de uma das subestações, o “O Pais” encontrou Arlindo, um serralheiro que trabalha na construção de linhas de energia há 10 anos. Ele conta que começou como estagiário e hoje ele lidera o processo em várias obras. Arlindo conta que já participou na construção de subestações de linhas de alta e media tensão nas províncias de Sofala, Manica e Tete e agora está desde Março deste ano em Temane, na província de Inhambane.

Com o trabalho que faz Arlindo diz que muita coisa mudou na sua vida, uma vez que já construiu a casa própria, consegue pagar a escola dos filhos e colocar comida na mesa.

As obras tem 23 meses de duração e os empreiteiros esperam que até Setembro do próximo ano, tudo esteja pronto para fazer-se a entrega.

A economia moçambicana fechou o segundo trimestre no “vermelho”, ao registar uma variação negativa de 3.25 por cento. O sector de hotelaria e restauração foi o mais afectado, indica o Instituto Nacional de Estatística.

Após um registo positivo do desempenho da economia moçambicana no primeiro trimestre de 2020, que cresceu 1.68%, nos três meses seguintes bateu no fundo, devido aos efeitos da pandemia da COVID-19.

Concretamente, e segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) fechou o segundo trimestre “no vermelho”, ao registar uma variação negativa de 3.25 por cento.

Esta contração da actividade económica é atribuída, em primeiro lugar, ao sector terciário que decresceu em 4.06%, com maior destaque para o ramo de hotelaria e restauração com uma variação de menos 35.84%, seguido pelo comércio e serviços de reparação com menos 5.69% e transportes e comunicação com cerca de 4.68% negativo.

Ocupa a segunda posição o sector primário com uma variação de menos 2.65%, induzido pelo ramo da indústria extractiva com menos de 25.55%, seguido pelo sector da pesca com menos 1.83%.

Já o sector secundário registou 2.42%, influenciado pelo ramo da indústria manufactureira com menos 5.32% e construção com menos 0.89%.
Entretanto, o ramo da agricultura foi o único a crescer no segundo trimestre de 2020, ao registar uma variação positiva de 3.53%.

Em termos de peso no PIB, o Instituto Nacional de Estatística indica que os ramos da agricultura, pecuária, caça, silvicultura, exploração florestal, actividades relacionadas tiveram uma maior participação na economia com peso conjunto de mais de 26%, seguido pelos transportes, armazenagem e actividades auxiliares, informação e comunicações com uma contribuição conjunta de 9.6%.

Ocupa o terceiro lugar o ramo de comércio e serviços de reparação com 9.3%, seguido do ramo da indústria manufactureira, com um peso de 7.7%. já o sector da indústria de extracção mineira teve um peso de 5.1%.

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