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Chama-se Abril de 2020, mês de emergência imposta pela COVID-19 e mais caro em relação a Abril de 2019, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Em termos globais, os preços aumentaram na ordem de 3,32% no mês passado face a igual período de 2019.

Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas são os que determinaram a subida generalizada de preços, após a queda registada em Março último na ordem de 3.09% face a mesmo período de 2019, segundo dados recolhidos nas cidades de Maputo, Beira e Nampula.

Quer dizer que, se em Abril de 2019, um cidadão podia comprar um conjunto de bens e serviços, por exemplo, a 6.000 meticais, em Abril de 2020, o cidadão necessitava de cerca de 6.200 meticais, ou seja, mais 200 meticais, para comprar os mesmos bens e serviços.

“No que concerne à inflação homóloga, a cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com 5,13%, seguida da cidade da Beira com 3,93% e por último a cidade de Maputo com 2,23%”, apontam cálculos do Instituto Nacional de Estatística.

Já de Março para Abril, o custo de vida no país aumentou em cerca de 0,52%. Subida de preços de veículos automóveis ligeiros de segunda mão em cerca de 5,4%, da cebola (15,0%), do óleo alimentar (5,8%), de ovos (12,1%) e do açúcar castanho (7,0%) estiveram em destaque.

“No entanto, alguns produtos com destaque para o tomate (8,2%), a couve (9,9%), o feijão manteiga (5,1%), o camarão fresco (10,0%) e as laranjas (35,5%), contrariaram a tendência de subida”, mostram dados calculados através do Índice de Preços no Consumidor pelo INE.

O Instituto Nacional de Estatística faz saber ainda que a cidade de Nampula foi a mais cara em Abril último, com a subida de preços mensal a rondar em 0,77%, seguindo-se as cidades de Maputo, capital do país e da Beira com inflação de 0,55% e 0,13%, respectivamente.

De Janeiro a Abril deste ano, o país registou uma subida de preços na ordem de 1,75%, onde o destaque vai para o aumento de preços do óleo alimentar, de veículos automóveis ligeiros em segunda mão, do carapau, de capulanas, do amendoim, peixe fresco e do açúcar castanho.

O algodão será vendido ao preço mais baixo na presente campanha. A tabela deverá situar-se entre 18 e 19 meticais por quilograma, valor abaixo do mínimo de 23 meticais alcançados em 2019.

Esta segunda-feira, o Governo e os diferentes intervenientes da cadeia do algodão não chegaram ao consenso quanto ao preço mínimo da comercialização deste produto no mercado para presente campanha.

A proposta é de 18 ou 19 meticais por quilogramas em 2020, contra 23 meticais em 2019. Os compradores são a favor da nova tabela, enquanto os produtores entendem que a cifra poderia ser mais alta ou manter-se os valores alcançados no ano passado.

“Neste momento o principal risco é o mercado continuar a cair (preço do algodão no mercado internacional). Em tempos de crise devemos nos manter solidários, por isso vamos comprar o algodão ao preço de 19 e não 18 meticais por quilograma, por exemplo”, defendeu Francisco Ferreira dos Santos, em representação das empresas compradoras desta cultura de rendimento.

Aliás, segundo os compradores, os reajustes em alta do preço de referência do algodão no mercado dependem da adopção do mecanismo de subsídios aos produtores. “Se Governo injectar entre três e quatro milhões de dólares, pode-se aumentar os níveis de produção em 20% e consequentemente a renda”, argumentou Ferreira dos Santos.

Porém, os argumentos dos compradores não convencem a associação dos produtores do algodão em Moçambique. “A nossa proposta é o Governo manter o preço de 23 meticais, para evitar a fuga dos produtores para outras culturas de rendimento, cujos preços são mais atrativos no mercado”, disse Benilson Qhesson.

Diante da falta do consenso para a fixação do preço de referência para venda do algodão, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, disse que qualquer decisão deve ter em conta a sobrevivência das famílias.

“Mas do que se discutir o preço, estamos a discutir a vida de um milhão de moçambicanos. É discutir como um milhão de moçambicanos vão colocar a comida na mesa, pagar suas necessidades básicas, suprir seus desafios e projectar os seus sonhos”, apontou o governante.

Alcançado o consenso, Celso Correia, referiu que a proposta final do preço de referência para a comercialização do algodão vai ser apreciada pelo Conselho de Ministros esta terça-feira.

NEGÓCIO EM QUEDA
Considerado o quarto maior produto das exportações agrícolas em Moçambique, o algodão atravessa uma fase de menor fulgor. A renda dos produtores e das famílias dependentes desta cultura de rendimento tende a baixar.

O Instituto do Algodão de Moçambique prevê uma produção de 41 mil toneladas até finais de 2020, abaixo do registo de 45 mil toneladas de 2019. Consta que o número de produtores reduziu em 12%, para mais de 180 mil. As receitas de exportação da fibra do chamado “Ouro branco” deverão situar-se próximo dos 30 milhões de dólares norte-americanos.

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) disse que o decreto 23/2020, do Conselho de Ministros que aprova as facilidades fiscais e aduaneiras para o alívio dos impactos da COVID-19 à tesouraria das empresas é “impraticável” para o grosso número das firmas. 

Na sua análise (Jornal da Noite da Stv 08.05.2020) sobre os impactos das facilidades fiscais e aduaneiras do Governo para combate a COVID-19, Agostinho Vuma, lamentou o facto de o decreto 23/2020, do Conselho de Ministros, excluir o grosso número das empresas nacionais, pois, nas actuais cláusulas o alívio só beneficiar firmas com volume de negócio de até 2.5 milhões de meticais. Ou seja, limita-se a minoria de empresas.

“Em média podemos estimar em 15 mil empresas com alto volume de negócio (muito acima de 2.5 milhões de meticais) que não beneficiam destas facilidades fiscais do Governo”, disse o presidente da CTA.

Embora o decreto em questão suspenda o pagamento de alguns impostos da actividade económica para até primeiro trimestre de 2020, Agostinho Vuma entende que “estas medidas não podem constituir um alívio se não estiverem na classificação do regime do IRPC (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas) por causa do tecto de 2.5 milhões de meticais do volume de negócios”.

“As empresas vão falir porque estamos numa situação de pandemia que não se prevê o seu término. Estas medidas não constituem o grande clamor do sector privado”, apontou o homem forte da classe empresarial moçambicana.

Em relação as medidas de política monetária adoptadas pelo Banco Central, com destaque para a redução da taxa de juro de referência, taxa MIMO, e uma linha de financiamento de 500 milhões de dólares para os bancos comerciais, o presidente da CTA defendeu que é necessário que se aplique “taxas de juros aceitáveis” num contexto de pandemia COVID-19 que possam “resgatar o sector empresarial”.

“Este dinheiro não está a se fazer sentir porque os bancos comerciais não estar tomar medidas”, concluiu Vuma.

DÍVIDAS DO ESTADO ÀS EMPRESAS

Ainda num contexto da desaceleração da actividade da económica no país, precipitada pelo novo coronavírus, Agostinho Vuma disse que a CTA propôs ao Executivo a continuidade dos pagamentos em atraso da dívida do Estado ao sector privado, como forma de alavancar a tesouraria das empresas.

“Há uma ansiedade enorme do sector empresarial…da relação com o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, asseguramos que há condições de continuar com os pagamos atrasados e está reflectido no Orçamento do Estado”, explicou o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

No que toca a relação laboral (patronato e trabalhador), Agostinho Vuma revelou que decorrem negociações com o Governo, com vista a assegurar que o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) possa injectar algum valor na banca comercial e promover contratações de crédito a nível de 5% como taxa de juro.

 

O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Agostinho Vuma, estará hoje, no Jornal da Noite da STV, para analisar o impacto das facilidades aduaneiras e fiscais introduzidas pelo Governo, no âmbito do alívio dos impactos da COVID-19 na economia nacional.

As medidas estão descritas no decreto 23/2020, aprovado pelo Conselho de Ministros no passado dia 14 de Abril passado.

O sector industrial em Moçambique regista queda de facturação na ordem de quatro biliões de meticais por mês, devido às medidas restritivas impostas pela pandemia da COVID-19. 

As contas estão cada vez mais apertadas para as indústrias moçambicanas em tempo da pandemia COVID-19. A produção desacelerou para mais de 70% e os níveis de facturação mensal caíram quatro biliões de meticais desde o início de Estado de Emergência no país. 

Com a produção a “meio gás”, com destaque para produção de bebidas não alcoólicas, açúcar, óleo e sabão (que registam perdas mensais de facturação estimadas entre 40% e 65%), estima-se que mais de mil contratos de trabalho estejam suspensos desde Março último.

“No caso das indústrias de óleos e sabões, em particular, que já se ressentiam da queda da facturação mensal em cerca de 52% devido ao término do período de isenção do IVA nas transmissões destes produtos em Dezembro de 2019, a pandemia da COVID-19 vem agravar a situação aumentando a cifra de perdas em mais 12%, fazendo com que a perda mensal de receitas nestas indústrias ascenda a um total de cerca de 229 milhões de meticais por mês”, indicou Onório Boene, director-geral do Parque Industrial de Beluluane, durante a divulgação do mais recente levantamento dos impactos do novo coronavírus, realizado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

Diante destes cenários, a CTA reitera a necessidade de adopção de “medidas urgentes” e objectivas para apoiar as empresas do sector industrial que é extremamente importante para o país, tanto a nível de renda e emprego, assim como sob ponto de vista dos efeitos em cadeia que poderão resultar de uma disrupção significativa no nível de actividade.

“Aqui, destacamos o impacto que a redução do nível de actividade do sector industrial exerce sobre vários sectores, alguns dos quais empregam grande quantidade de mão-de- obra, como é o caso da agricultura”, refere a CTA.

Ilustrando, que para o caso de indústria cervejeira, que envolve ao longo da sua cadeia de valor, cerca de 16 mil pequenos agricultores, essencialmente, na produção e comercialização de mandioca e milho, a redução do nível de actividade desta indústria (30%), põe em risco a renda de cerca de 80 mil famílias que já se ressentem de um elevado custo de vida.

Cenário idêntico verifica-se na indústria do algodão, que emprega só na fase inicial da cadeia de valor cerca de 150 mil pequenos agricultores. Com a queda do preço desta cultura de rendimento no mercado internacional em cerca de 30%, estima-se que o preço de venda ao produtor poderá baixar dos actuais 23.3 meticais por quilograma para 17 meticais/Kg, resultando numa perda de rendimento dos agricultores estimada em 283,5 milhões de meticais.

Para mitigar os impactos negativos causados pela pandemia da COVID-19 nestas indústrias, a CTA propõe o alívio das obrigações das empresas com terceiros e redução dos custos operacionais, com destaque para o custo fixo da factura de energia.

“Em média, uma indústria nacional com um ciclo de produção contínuo tem um custo mensal de energia de cerca de cinco milhões de meticais, que representa 12% da sua estrutura de custos, pelo que, a redução da factura em 50% poderá apoiar a tesouraria das empresas deste sector em cerca de 2.5 milhões de meticais, que ao ser aplicado por um período de seis meses poderá resultar num alívio de 15 milhões de meticais por empresa”, o sector privado.

Outro dos pontos levantados pela CTA tem que a ver com o encargo de combustíveis, cujo preço regista queda no mercado internacional. 

“A redução do preço dos combustíveis seria de extrema importância para manter o funcionamento da economia visto que esta é matéria-prima de quase todos sectores da economia”, sublinha.

O preço do petróleo bruto (Crude) no mercado internacional tem registado queda vertiginosa desde o início do ano, tendo caído em cerca de 68.5% desde Janeiro até a esta parte, passando de USD 66.25/barril para USD 20.84/barril. 

POLÉMICA NAS FACILIDADES FISCAIS

O decreto 23/2020 de 27 de Abril, do Conselho de Ministros que aprova as facilidades fiscais e aduaneiras às empresas como forma de mitigação dos efeitos da COVID-19, está a ser alvo de críticas pela CTA.

Ao abrigo deste decreto, só é elegível ao “alívio fiscal” a empresa que tiver apresentado, no ano de 2019, volume de negócios anual não superior a 2.5 milhões de meticais. Esta agremiação empresarial pede mais abrangência, ou seja, a medida deve, igualmente, beneficiar as firmas com alto volume negócio. A grande expectativa do sector privado está no Imposto sobre Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC). 

“Tendo uma empresa, um volume de negócios não superior a 2,5 milhões, e assumindo a racionalidade, esta empresa não irá para o regime de IRPC (onde pagaria até 32%), no lugar de ficar no regime do ISPC (onde paga 3%). Ou seja, quem está no regime do IRPC tem, necessariamente, volume de negócios superior a 2.5 milhões de meticais. Então, não se percebe porque se faz menção que esta facilidade fiscal refere-se ao regime do IRPC”, aponta.

A CTA reitera que, para tornar abrangente e aplicável às empresas do regime do IRPC esta facilidade fiscal, é necessário aumentar o volume de negócios exigidos às empresas.

A sociedade civil moçambicana está preocupada com a gestão dos 309 milhões de dólares emprestados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para Moçambique fazer face à Covid-19.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) emprestou USD 309 milhões ao Governo moçambicano, com vista a mitigar os impactos da pandemia da COVID-19 no país. A sociedade civil quer fiscalizar a gestão da verba.

Para o Fundo de Monitoria do Orçamento (FMO), na voz da Paula Monjane, lembra que “Mocambique é actualmente um dos países mais endividados do mundo e o quarto mais endividado de África. A dívida pública de Moçambique situa-se na ordem dos 125% dos PIB”.

E mais, realça que a revelação das “dívidas ocultas” e todos os seus contornos tem estado a impulsionar uma demanda crescente dos cidadãos e da sociedade civil para que o Estado seja mais transparente e preste contas na contração das dívidas e na gestão das finanças públicas no geral.

A sociedade civil moçambicana diz estar “cada vez mais atenta”. O FMO entende que o Parlamento devia participar na aprovação do empréstimo, defende uma fiscalização para garantir que a ajuda chegue ao mais necessitados, bem como a participação da sociedade civil.

Ainda sobre o envolvimento da sociedade civil e outros actores-chave, o coordenador do FMO, Adriano Nuvunga, disse que: “Pareceu que nos faltou consultas com os outros parceiros de cooperação e pareceu-nos que era possível, sem prejudicar a rapidez que se impunha na decisão, que houvesse um pouco mais de consultas. E o segundo ponto, e o mais importante, é que pensávamos que dada a situação conjuntural de corrupção endémica em Moçambique e de má governação e falta de transparência se impunha que a transparência, prestação de contas e participação activa da sociedade civil fossem parte do acordo, não para ser a posterior, mas que fosse parte integrante de todas de decisões sobre as prioridades na alocação de fundos, como também no acompanhamento contínuo e diário da implementação desse fundo”.

Neste contexto, o FMO endereçou uma missiva ao FMI e, em jeito de resposta, o organismo internacional convidou-o para um encontro informal nesta terça-feira (05.05) em Maputo.

O coordenador do FMO conta que no encontro o FMI, como sempre na sua resposta formal, disse que exige junto do Governo que a transparência e a boa governação sejam observados e que o Governo se comprometia a realizar auditorias quando a Covid-19 tiver baixado de intensidade e que publicasse os resultados das auditorias independentes.

E a sociedade civil recorda que as suas exigências vão de encontro com os compromissos de reforma assumidos pelo próprio Governo no Relatório sobre Transparência, Corrupção e Governação, de julho de 2019. Por isso o FMO defende que a aprovação do empréstimo emergencial no contexto da COVID-19 não deve ser usado como desculpa para abandonar as reformas assumidas pelo Governo.

 

 

A Cidade de Maputo regista escassez de cimento de produção nacional e consequentemente agravamento de preços em alguns estaleiros e revendedores. O facto deriva parcialmente da redução de produção nas fábricas por conta do Estado de Emergência vigente no país.

 

Pela Avenida Karl Marx, há ali uma ferragem, uma das mais conhecidas da capital do país, pela manhã desta terça-feira, um camião cavalo "freghtliner" carregado de cimento acabava de chegar, fazia manobra para estacionar naquela ferragem onde ia fazer o descarregamento. O cimento está a escassear no mercado e por conta disso na mesma ferragem de acordo com a gerência o cliente só tem direito de comprar até 20 sacos. O facto está a criar constrangimentos para quem está a construir. Um dos clientes, Jeremias Moiane, que tinha já comprado o cimento, depois de muita procura, conta o que se vive no mercado. "Há falta de cimento é o que sei. Estou de vir de Marracuene, Passei por quatro ferragens, passei por choupal não tinha, passei de Construa também não tinha, por Magoanine não tinha e de um nigeriano não tinha, e não e esse cimento que eu queriam, queria 42.5 não tinha ".

O preço é outra preocupação nesta altura de escassez desta matéria-prima, como conta Jó Macamo, "a gente chega aqui apanha que o preço já e outro. O 32.5 está actualemnte a 410 o saco de 50kg, antes estava a 400 meticais.

O Diretor-geral da empresa Cimentos de Moçambique, uma das fábricas que produz e fornece cimento ao mercado nacional, numa entrevista telefónica disse ao "O País" que devido ao Estado de Emergência vigente no país a fábrica reduziu o efectivo do sector de produção e consequentemente a produção baixou na ordem de 20%. "Tivemos que redimensionar cerca de 140 pessoas entre administrativos e produção e as áreas de produção foram sim afectadas, nós tivemos que reduzir um turno de trabalho por exemplo aqui na Matola, a fábrica trabalha 24 horas. Essa questão de preço eu posso garantir para você que dentro da cimentos de Moçambique o preço que eu trabalhava na porta da minha fábrica continua exactamente igual ao que ele era, não fiz nenhuma majoração do preço o que pode acontecer é que o lojista na porta ele sim pode ter feito aumento do preço por algum a razão específica dele, o preço na compra não controlo, controlo o preço que vendo ao revendedor. Normalmente em condições normais a gente estaria ai na Matola, estaria a expedir coisa como 4 mil toneladas de cimento por dia e hoje a gente esta com três mil, três mil duzentos por dia. Disse a nossa fonte que não permitiu a entrevista presencial devido ao protocolo estabelecido na empresa por conta da prevenção contra o novo coronavírus.

Todas marcas de produção nacional escasseiam no mercado. Actualmente o país conta com seis produtores de cimento.

 

A confiança das empresas moçambicanas nos indicadores económicos registou uma queda nos primeiros três meses deste ano, facto associado à pandemia do novo coronavírus.

O Indicador do Clima Económico (ICE), expressão que determina a confiança dos empresários do sector real, caiu no primeiro trimestre de 2020, devido à pandemia da COVID-19 que assola o mundo desde Dezembro de 2019.

No país, em particular, a incerteza agudizou-se a partir do mês de Março, quando foi diagnosticado o primeiro caso positivo da doença, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A confiança desfavorável dos empresários foi extensiva às expectativas em relação ao emprego e à procura, pois estas registaram quebras no mesmo período de análise.

O INE, refere ainda que a tendência negativa do ICE entre Janeiro e Março de 2020, deveu-se à degradação da confiança em todos sectores de actividade inquiridos, destacando-se em termos de amplitude os ramos de alojamento e restauração, bem como transportes que viram seus níveis de confiança reduzirem 22 e 9.2 pontos percentuais, respectivamente, face ao mês de Fevereiro.

A confiança no emprego registou uma queda no primeiro trimestre face ao quarto trimestre de 2019, facto que acontece pelo terceiro trimestre consecutivo.

“A perspectiva de queda de emprego no primeiro trimestre deveu-se em média à uma depreciação nos sectores de alojamento e restauração, de comércio, de transportes, de construção e produção industrial”, escreve o boletim do INE.

Em média, 44% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo no primeiro trimestre de 2020, o que representou um aumento de 12% de firmas com limitação de actividade face ao trimestre anterior, facto que está em linha com o ICE que diminuiu.

Essa situação foi influenciada, pelo aumento de empresas afectadas por algum obstáculo no período de referência em todos os sectores, com maior destaque para os sectores de serviços de transportes (com 58% de empresas afectadas), de alojamento e restauração ( 52%), da construção (45%) e da produção industrial (41%). 

Entre Janeiro e Março, o indicador de confiança do sector de alojamento, restauração e similares abrandou depois de sinais de recuperação no trimestre anterior, tendo o respectivo saldo se situado abaixo da média da respectiva série temporal.  

A avaliação desfavorável da confiança no sector em análise deveu-se à queda do indicador em todas as componentes do indicador síntese do sector, com maior destaque para a diminuição substancial da procura futura no período em análise. Refira-se que este sector registou quedas da procura actual e do volume de negócios significativas.  

Em linha com o indicador síntese do sector, a perspectiva da capacidade hoteleira – a oferta diminuiu profundamente no mesmo período, facto acompanhado pela quebra da perspectiva de preços futuros.

Mais de metade (52%) das empresas deste sector enfrentaram alguma limitação da actividade, no trimestre em análise, o que representou um incremento de 24% de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior.

Os principais factores referidos pelos agentes económicos do sector foram, a baixa procura (47%), a concorrência (18%) e a falta de acesso ao crédito (12%), em ordem de importância.

 

 

 

O ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, prometeu levar ao Conselho de Ministros, uma proposta que visa aliviar as restrições na constituição de empresas, durante o período de Estado de Emergência.

 

O ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, visitou hoje o Balcão de Atendimento Único (BAÚ) da cidade de Maputo, para se inteirar do processo de rotatividade dos funcionários.

Lembra-se, que os serviços se encontram paralisados em cumprimento das medidas adoptadas no âmbito do Estado de Emergência, declarado no dia 30 de Março e prorrogado a 30 de Abril.

A introdução da rotatividade, conforme explicou Carlos Mesquita, vai permitir a prestação de serviços mínimos aos cidadãos, que se vêem, neste momento, impossibilitados de constituir empresas enquanto vigorar o Estado de Emergência no país.

“Temos de pensar na pertinência da paralisação dos serviços do Balcão de Atendimento Único ou relaxar algumas medidas porque há cidadãos que pretendem constituir empresas, até para o fabrico de produtos essenciais para o combate à Covid-19”, disse o o governante.

Na ocasião, Carlos Mesquita prometeu levar esta proposta ao Conselho de Ministros para apreciação pois “a vida não parou e temos que olhar para aspectos que têm a ver com o desenvolvimento da nossa economia, mas respeitando as principais medidas de combate a esta pandemia”.

Entretanto, Mesquita desafiou o BAÚ a introduzir reformas que concorram para a redução de tempo na tramitação dos processos para permitir que as licenças e os alvarás sejam emitidos em tempo útil, acções que podem ditar o melhoramento do ambiente de negócios em Moçambique.

Para tal, “deve haver um compromisso por parte dos funcionários e maior coordenação e sincronia entre os vários sectores que intervêm neste processo (Ministério da Indústria e Comércio, Ministério da Economia e Finanças, Ministério do Trabalho e Segurança Social e Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos) para que o serviço prestado ao cidadão seja célere e fiável.

“Pretendemos chegar a uma fase em que o cidadão não precise de se deslocar ao BAÚ para dar início a um processo de licenciamento. Através da interoperabilidade, isso será feito de forma remota, através de um telemóvel ou computador. E não estamos longe disso. Precisamos de fazer algumas reformas no sistema actual”, acrescentou.

Importa realçar que, para além do BAÚ, Carlos Mesquita visitou, igualmente, a Direcção da Indústria e Comércio da Cidade de Maputo, onde se inteirou do seu funcionamento e desafios.

 

 

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