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O País – A verdade como notícia

Os pensamentos foram defendidos, esta quarta-feira, pelo painel que debateu o tema sobre “Políticas para o Desenvolvimento da Juventude”, onde foi ainda vincada a necessidade de se apoiar as iniciativas empreendedoras que estão a surguir no contexto do combate à Covid-19.

Ilídio Caifaz da Internacional Youth Fundation defendeu haver uma inversão da lógica da questão de empregabilidade, em Moçambique, e no mundo no geral, principalmente com o boom da internet. Se antes as pessoas lutavam para se formar para serem empregues pelo Estado, hoje em dia, a lógica mudou completamente. Caifaz aconselhou, por isso, aos jovens a apostarem em cursos profissionalizantes. “A formação do ensino geral é menos dispendiosa para o Estado, em comparação aos cursos técnicos. O Estado está a fazer o seu esforço com a criação de cursos de curta duração para garantir ferramentas para o jovem possa entrar para o mercado de emprego. Defendo que além do ensino geral, o jovem deve procurar fazer pequenos cursos profissionalizantes para que possa, facilmente, ter o emprego, especificou o orador para depois aconselhar que o Governo crie uma política clara que verse sobre o primeiro emprego. “Temos que ter um programa específico para suprir a questão do primeiro emprego. O Governo do presidente Lula, no Brasil, teve muito sucesso porque criou programas claros e específicos. Entendo que, ao existir, esse programa, não irá abranger a todos jovens, mas os de 20-24 anos.

No mesmo pensamento alinhou Manuel Formiga, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), que disse que a sua instituição advoga políticas da juventude que conjuguem o conhecimento científico ao saber fazer. Reiterou que como país “temos que nos reinventar para arranjar soluções para empegar os jovens. A lógica antiga de ter certificado e esperar pelo Estado está a mudar. De uns temos para cá, o Estado não faz contratações porque não tem capacidade”, justificou para depois apontar soluções. “Temos muita terra arável, que procuremos desenvolver programas nessa área, que envolvam soluções de financiamento para que o jovem tenha o seu primeiro emprego”, defendeu.

Por seu turno, Juvenal Dengo, Diector-Geral do Instituto Nacional de Emprego, disse que o crescimento populacional contribui para que o país não consiga absorver a quantidade de jovens que procuram por um emprego formal, por isso, que a formação profissional tem sido a aposta para que o jovem consiga saber fazer e daí ter o caminho para empreender ou ter acesso às empresas. “No final dos nossos cursos distribuímos kits de emprego, promovemos estágios profissionais, sendo que alguns formados conseguem o seu primeiro emprego”.

Já Egídio Simbine, Coordenador da MozTrabalha, um plataforma associada a Organização Internacional do Trabalho (OIT) defendeu que tem que se apostar no digital como uma forma de geração de emprego e na criação de iniciativas que surgem nestes tempos da Covid-19. “No Vietname, por exemplo, as empresas que mais cresceram nos últimos temos são as que estão ligadas à produção de máscaras. O Governo fez aposta nelas e deu a devida ajuda porque viu que aquele produto poderia trazer rendimentos até através da exportação. Com o crescimento da indústria, provocou a necessidade do aumentou também a mão-de-obra. Em Moçambique estão a surgir exemplos semelhantes de pequenos empreenderes ligados à soluções para o combate à Covid-19. Tem que se pensar em como se pode incentivar essas iniciativas que podem gerar trabalho para os jovens”, exemplificou para depois avançar que não basta ter emprego, há que entrar a fundo na questão. “Hoje em dia alguns sectores estão com algumas fragilidades, são os casos das senhoras que vendem nos mercados. A questão é será que elas tem acesso à segurança social? Como garantir com que essas pessoas que têm trabalho possam formalizar a sua trabalho”, terminou.

Os oradores do MOZEFO Young Leaders consideram que as políticas de habitação para jovens em Moçambique, devem ser revistas por forma a torná-las mais inclusivas. O acesso à terra e ao financiamento são apontados como os principais obstáculos.

Celebrou hoje, o “Dia Internacional da Juventude” e os oradores do MOZEFO Young Leaders debateram as políticas para o desenvolvimento desta camada social, tendo o acesso à habitação como o ponto de partida.

Num debate a seis (dividido em duas partes), os intervenientes consideraram que as políticas de habitação para jovens em Moçambique, devem ser revistas por forma a torná-las mais inclusivas. Apontaram o acesso à terra e ao financiamento como os principais obstáculos.

Intervindo via plataforma digital, Wild do Rosário, chefe do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat) considerou que as políticas de acesso à habitação em Moçambique pecam por ser menos expansivas, embora haja um esforço por parte do Governo.

“As políticas de habitação para jovens estão viradas para os centros urbanos”, apontou Wild do Rosário, acrescentando que o perfil de habitação em Moçambique sugere um envolvimento da mulher no desenho das políticas.

“Em geral, os custos de construção em Moçambique são 30 a 40% acima quando comparado com outros países da região. Um dos principais motivos associados a isto está ligado ao material de construção, por exemplo, que é elevado porque é tudo importado”, realçou o chefe do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos.

Já o enviado especial para juventude da União Africana Dário Camal, referiu que o acesso ao financiamento bancário para habitação é o grande obstáculo para os jovens.

Para Dário Camal, o Governo deve criar mais incentivos e envolver os bancos nesse desiderato, bem como tornar mais acessível a terra e expandir os centros urbanos para travar a superlotação das cidades.

Com vários projectos habitacionais em curso, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Fundo para o Fomento da Habitação, Armindo Munguambe, destacou o esforço do Executivo em garantir habitação para os jovens, independentemente do seu status social, com destaque para o programa “Renascer”.

“Para além de promover o emprego no momento de construção, os projectos de habitação também promovem empregos depois da construção, através da criação de pequenos negócios para jovens…portanto, é preciso olhar para habitação nessa dimensão socioecónomica. Neste momento contamos com cerca de 18 mil beneficiários dos nossos projectos de habitação”, anotou Armindo Munguambe.

Em todo esse processo a Educação e o sector privado são chamados a desempenharem um papel mais proactivo.

Em representação do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, Paulo Patrício Banguine, disse que “o Governo está a investir muito no sector da educação”.
“Nós queremos ter nossa escola livre da corrupção, um ambiente que proporcione a educação. Pretendemos para daqui a cinco anos, tenhamos a escola como pretensa da comunidade. O nosso Governo tem estado a investir muito na construção de salas de aulas, construindo salas de aulas estão a criar condições para que as crianças tenham acesso à educação”, explicou Banguine.

Por seu turno, Dulce Domingos Mungol, coordenadora para educação na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), referiu que um dos grandes desafios é o baixo aproveitamento escolar.

“Os estudos mostram que em vários países africanos, incluindo, Moçambique, as crianças têm dificuldades em aprender, principalmente em adquirir competências de leitura e escrita iniciais”, apontou.

Já no campo empresarial, o director-executivo da Associação de Comércio, Indústria e Serviços (ACIS), Edson Chichongue, indicou que as empresas devem apostar forte na formação de quadros jovens, com vista a dotá-los de competências.

Mmusi Maimane, ex-líder da Aliança Democrática (AD), um dos mais importantes partidos da oposição na África do Sul, encoraja a massificação da participação dos jovens nos processos democráticos, bem como no esboço de políticas públicas que asseguram a materialização dos seus direitos. No MOZEFO Young Leaders, Maimane disse, numa entrevista a acompanhar a seguir na íntegra, que embora a democracia imponha limites, há sempre oportunidades para os jovens

 

Qual é a melhor forma de tomar vantagens baseadas em direitos consagrados para impulsionar a participação da juventude nos processos de tomada de decisão, assim como no estabelecimento das prioridades nas políticas nacionais?

 

Penso que estando a viver no continente africano, com países maioritariamente em desenvolvimento, dá-nos melhores oportunidades de mobilizarmos jovens. Na verdade, a idade média tende a diminuir cada vez mais. A maioria, que é mais que a metade da população africana, é composta por jovens, o que é uma boa distinção, diferente dos estados europeus ou dos outros continentes. Este factor rapidamente faz-nos perceber que a África é um continente jovem. O segundo aspecto é que acho que os nossos resultados da educação têm que melhorar para que possamos ter jovens bem formados e informados, com uma cultura de direitos humanos e a participação na defesa dos seus interesses.

Hoje, quando olho para a nossa região da SADC, vejo que o futuro está nas mãos dos líderes que estão a inovar em termos dos resultados da formação, empreendedorismo e que também trabalham com vista a fazer com que os respectivos governos prestem contas. Assim, penso que, como região os jovens podem criar uma forma para discutir as formas de criar uma “África do futuro”, um “Moçambique do futuro”, porque a prestação de contas estará na dianteira, bem como a nossa plataforma global.

Deste modo, o meu apelo é que os jovens estejam bem informados e em segundo lugar participarem nos processos democráticos. Não se aceita que África sendo um continente jovem, a maioria dos nossos líderes e presidentes tenha idade acima dos sessenta anos, por isso quero encorajar a participação dos jovens nos processos democráticos. O terceiro aspecto é que devemos lutar para a uma reforma da inclusão económica em particular na nossa região porque no final do dia não importa a posição que cada um ocupa, mas sim, que tenha um papel a desempenhar. Os jovens tem um papel fundamental a desempenhar por isso apelo para que sejam firmes nos boletins de voto e mobilizar as pessoas para que possam trazer mudanças na nossa região e finalmente no continente.

 

Quais são os passos que os jovens devem tomar para garantir a sua participação no processo de tomada de decisão?

O processo de tomada de decisão começa com o processo eleitoral. Em cada processo eleitoral, os jovens têm que ser candidatos para que sejam eleitos também. Como é que eles próprios participam na democracia? Uma das maiores preocupações que temos na África do Sul é que embora os cidadãos sejam recenseados para votar, a maioria das pessoas que não participa no recenseamento eleitoral são jovens. Eles não participam na democracia. Apenas 25% dos jovens é que são recenseados e votam. A questão é que a nossa região tem que fazer com que mais jovens sejam participativos nos processos democráticos. Esta é a primeira decisão a ser tomada e a segunda nas suas comunidades, nas ruas ou nos eventos. A estrutura do governo permite a participação e o que eu estou a argumentar é que se os jovens aparecerem com boas ideias para o futuro, podem fazer advocacia e lobby para as mesmas ideias, mas não podem tomar decisões de uma forma abstracta. As decisões devem ser tomadas baseadas na sociedade e na sua participação sobre o futuro. A forma como deve ser e a liderança têm que ver com a articulação sobre o amanhã preferido das pessoas e com a participação de todos e os jovens podem fazer isso. Porém, não quero perder o foco sobre a participação dos jovens no empreendedorismo.

Os jovens que não elaborarem tese do futuro enfrentarão dificuldades. Quando eu estava no parlamento da África do Sul, e que por sinal ainda estou envolvido na construção de uma única África do Sul, enaltecemos o facto de que em todas estruturas da tomada de decisões os jovens deveriam estar presentes. Houve reuniões do executivo que não aconteciam se os jovens não estivessem presentes na sala da tomada de decisões que contribuem para o bem-estar da juventude e também para analisarem os resultados das mesmas. Portanto, os jovens têm de participar na mesa com ideias para o futuro e não como líderes do amanhã, porque são líderes de hoje e devem ter uma imagem de preferência daquilo que poderá ser o amanhã.

De acordo com a realidade política de vários países africanos, acha que essa é a forma correcta de se fazer a democracia?

Absolutamente acho isso. A democracia não é perfeita, tem as suas limitações, mas é o único sistema que temos no momento e acho que nele os jovens têm oportunidade de fazer parte, tendo em conta que à partida constituem a maioria. O segundo aspecto é que os jovens têm habilidades para estarem num mundo de rápidas mudanças. Uma das coisas que têm é a agilidade. Os líderes não se sentam na mesa sem ideias. As ideias devem ser desafiadas e moldadas com agilidade de resposta, portanto, a participação dos jovens deve consistir em assegurar que eles estejam envolvidos nos processos democráticos, mas também no modo em que se determina a visão de um país.

A maioria dos líderes em África não ouve a voz dos jovens, não se preocupa com questões ambientais, sobre emprego e educação e acho que os nossos jovens têm que estar em altura de participar. Estou inspirado em líderes como Bob Wine de Uganda, como um jovem africano que tem contribuído para a juventude. Me inspiro pela diáspora africana que discute como construir o futuro de modo a que na próxima década a África não seja vista como um continente para o qual tenham contribuído. Estou inspirado em jovens africanos inovadores em países como Quénia, que aparecem com soluções técnicas que contribuem para o processo de tomada de decisões e finalmente nos sectores agrícola e turístico. Os jovens é que estão interligados ao nível global, continental e regional para darem contributos aos seus próprios países e Estados membros.

A forma pela qual as políticas públicas são formuladas na maioria dos países africanos, às vezes parece que os líderes políticos usam a juventude para alcançar ganhos políticos. Qual é a sua opinião em torno disto?

Ora, mais uma vez, quando levantei o ponto sobre os acontecimentos e coloquei a posição sobre o futuro preferido, não importa o quanto os líderes podem ser. Eles precisam do eleitorado para defender certas reformas. Por isso, quero exortar aos jovens para que não se deixem manipular pelos líderes mais velhos que simplesmente precisam do seu voto e não das suas ideias.

Nunca em África devemos dar voto aos ditadores, nunca devemos votar pessoas que não têm ideias sobre o futuro dos jovens e nunca deve haver governo em África que não tenha uma componente forte de jovens porque caso não se alcance isso, chegaremos a uma situação em que os votos dos jovens renunciam o seu poder e os líderes farão das suas. Mais uma vez exorto aos jovens que este é o momento de tomarem os seus lugares. É tempo de terem uma voz e uma visão forte, mas para alcançar isso é necessário que tenham melhores ideias e terem certeza que estão conscientes sobre o futuro e essas ideias têm que ser em torno da educação, empreendedorismo, ambiente, sistema económico e como construir um sistema inclusivo.

Essas ideias devem ter responder à questão como podemos estar na sociedade global onde os africanos devem dar soluções? Para mim, o chamamento diante de nós é de que na verdade os jovens têm a oportunidade de liderar, mas têm que liderar com boas ideias e bons ideais.

Usando a cidadania activa e participativa da juventude, quais são os possíveis passos que devem ser tomados com vista a transformar a nossa sociedade numa esfera que promove e defende os valores e princípios democráticos favoráveis ao desenvolvimento inclusivo e sustentável?

Em primeiro lugar, os jovens devem ser pessoas que dizem quando esboçam políticas económicas. Olhando para o historial de Moçambique e de vários países irá constatar que houve mudanças de governos e da narrativa de liberdade dos opressores e ditadores. Agora, a questão é como alcançarmos a liberdade económica e nisso acho que os jovens precisam de organizar e liderarem essa conversa porque é uma das formas mais práticas para começar. A segunda forma, acho que os jovens devem ser defensores de direitos humanos e da forma como trabalhar nesse espaço. Uma das questões-chave é como é que os nossos jovens advogados podem defender as constituições dos seus países e finalmente serem capaz de salvaguardar a cultura dos direitos humanos?

Quero que os jovens sejam capazes de estar firmes e dizer não permitimos que haja pessoas que subvertam os resultados políticos, que subvertam os resultados eleitorais. Precisamos de jovens que vão dizer que nós não iremos aceitar isso, iremos defender a democracia e direitos humanos de uma forma possível para que ninguém faça o mau uso dos mesmos e também para que os jovens possam ser educados a serem constitucionalistas, mais ainda, que os jovens tenham de estar a par disso. Acho que uma das coisas que precisamos em África é a jovem liderança africana, jovens co-autores que possam trabalhar em conjunto e apoiarem um ao outro e trazer novas ideias.

O nosso continente deve ser vibrante em termos de energia, em como lidar com questões ambientais, como lidar com agricultura, mas isso exige uma rede de troca de experiências, pelo que não devemos pensar isoladamente como um país, não devemos pensar como Moçambique, Malawi, temos que pensar como África Austral porque dessa forma podemos criar adequadas ferramentas de investimento, ajuda financeira apropriada para sermos capazes de levar a cabo as nossas ideias. Penso que que para além de salvaguardarmos a democracia que fazemos através do boletim de voto, temos que lidar com estruturas económicas, educacionais e os jovens são um elemento-chave para tal. Temos que ser capazes de construirmos uma nova liderança composta por jovens com capacidade de traçar a visão para os seus países, assim como network em todo continente e construirmos uma única África Austral, onde os líderes crescem, os líderes possam advogar, reagir e os jovens possam fazer com que os seus governos prestem contas.

O que poderá ser feito para estimular e realçar a liderança da juventude como indutora da mudança social?

Realmente! Por isso que constantemente digo que precisamos de criar essas parcerias, redes e dar protecção, porque quando um jovem fala de outros países poderá estar em sarilhos. Quando fui à Zâmbia encontrei jovens activistas detidos e encarcerados por se terem pronunciado. A sua liberdade depende de quem fala a seu favor noutros países. Temos que ser capazes de ter recursos financeiros adequados para proteger jovens no Zimbabwe e em todos outros países. Temos que estar a altura de criar espaço e uma cultura de jovens capazes de se defenderem democraticamente. Fico preocupado quando ouço que um jovem quer participar na democracia mas não se sente segura porque o seu país não lhe pode proteger. Isso é insustentável. Nós jovens precisamos de um espaço em que possamos transmitir essas mensagens. Mais do que isso, a nível de África, da SADC, precisamos de uma liderança de co-autores responsáveis e que garantam a formação de jovens para transmitirem essas mensagens.

 

Há uma percepção geral de que vários jovens são excluídos devido assimetrias geográficas. No seu ponto de vista, que tipo de políticas devem ser desenvolvidas para promover inclusão e igualdade de oportunidades na educação, saúde, habitação, emprego decente e no empreendedorismo?

Mais uma vez, quando falo de um grupo de liderança de co-autores ao nível da SADC pretendo aumentar apoio aos outros jovens em países em desenvolvimento. Porquê é que um empreendedor africano tem que procurar dinheiro noutros continentes enquanto a África deveria ter fundos nacionais que permitem investimento e realizar todas essas ideias que os jovens têm?Porquê é que quando os jovens estiverem envolvidos na política não possam defender políticas que para além do interesse do Estado, lhes permitem ser capazes de ter oportunidade de habitação, educação, etc?Precisamos de imigrar para uma aprendizagem mista na África Austral para que a educação não seja apenas no próprio país dos jovens. Por exemplo, se um moçambicano não obter educação suficiente em Moçambique, a internet permite-lhe estudar em qualquer parte do mundo. Porquê não criarmos universidades que cobrem toda região para que possam oferecer conteúdo online, onde os jovens se qualifiquem e adquirem habilidades adequadas que lhes permitem contribuir para o desenvolvimento sustentável de África?

Quer dizer de que é muito importante investir no capital humano, é isso?

Absolutamente, essa é uma das formas para desenvolver o capital humano. Mas o que defendo é que não apenas o capital humano, como também o capital financeiro porque os jovens podem ter ideias brilhantes mas têm falta de recursos financeiros, incluindo o capital social e centros de apoio onde se pode dizer aos jovens que se quiserem seguir a carreira vão teu mentores que os ajudarão a tornarem-se melhores líderes possíveis. Não podemos criar uma geração de líderes africanos que sem tutoria repita os erros do passado.

O outro ponto tem que ver com finanças. Os jovens não têm dinheiro para desenvolver os seus projectos. Onde poderão obter financiamento para o desenvolverem os seus projectos?

Uma das conversas que temos tido com os companheiros líderes africanos é que precisamos de um fundo regional para o desenvolvimento que responde aos projectos de jovens. Se olhar para a União Africana (UA), o sistema de comércio de África, uma parte desses tem a ver com a sustentabilidade da juventude e a minha questão para a UA e para a SADC é a seguinte: onde está o capital financeiro para a concretização disso?

Temos que ser capazes de construir esse capital financeiro, por isso a rede de líderes africanos é vital porque pode se criar um capital financeiro em que se coloca dinheiro para jovens e que não dependam somente dos seus governos, porque não há como possam alcançar os seus objectivos sem recursos financeiros. Portanto, exorto aos bancos africanos, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para que parte da sua carteira de financiamento seja direccionada aos jovens empreendedores de modo a que estes possam desenvolver as suas iniciativas.

Mmusi Maimane têm inspirado os jovens nos países africanos. Agora vamos falar especificamente da sua experiência como líder de um partido político. Como conseguiu alcançar essa posição?

Olha, nada posso dizer aos jovens. Muitos jovens africanos sabem que o trabalho árduo é a chave e também a convicção. Sendo jovem, se não tiver visão e a sua própria convicção fica destruído, não importa qual é a posição que ocupa e porquê está nessa posição.

Quando iniciei com o activismo político como uma criança em Sowetho, num espaço estreito, Nelson Mandela, sabia claramente que a luta seria como construir uma África do Sul para todos, mas também construir um futuro não racial ou não tribal que não possa descriminar pessoas com base na raça, tribo, cultura, religião em todo país. Então, comecei uma longa jornada de juntar pessoas com visão que diz “África deve prosperar” e foi uma caminhada em que começamos com o governo local, depois provincial e nacional como líder da oposição, sem medo. às vezes tive que olhar para o Presidente da República e lhe dizer que isto está errado e nós iremos solicitar o senhor para prestar contas.

E construir uma rede de pessoas que seguem a liderança é feito através do trabalho árduo, da convicção e do sentido de prestação de contas que permitem tentar várias vezes. Em algumas vezes falhei por isso sou o primeiro a admitir isso, mas não significa que a falha é má, dá-te uma oportunidade de trabalhar arduamente e a continuar a dizer qual é o tipo de rede de pessoas com quem quer avançar. Quero encorajar as pessoas, que com as ideias tais como MOZEFO e outras plataformas, temos que criar a liderança de jovens na qual possamos nos ajudar e ensinar um ao outro uma lição em que possamos dizer que isto foi difícil. Faz-se dessa maneira e finalmente seremos capazes de dizer qual é a nossa visão para África.

O que significa ter Mmusi Maimane, por exemplo, como líder de um dos partidos políticos importantes da África do Sul em termos de inspiração para as novas gerações?

Em termos simples, não significa que eu possa fazer bem, pois muitos jovens africanos também podem. O importante é continuarmos a trabalharmos arduamente. Para mim foi possível liderar dessa forma e liderar a Parceria de Desenvolvimento da África Austral, dos líderes da oposição na região. Foi e ainda é um grande privilégio e muitas vezes não é a idade que importa, mas sim os ideais e as convicções. Se ser bom é idoso, não faça com que os jovens acreditam que devem esperar até que se tornem idosos. Se for bom é idoso terá que continuar a trabalhar arduamente.

Na África do Sul por exemplo parece que há persistência de assimetrias geográficas, por exemplo para os jovens de Cape Town, há uma certa diferenciação em termos de envolvimento nos processos políticos. O que acha que a África do Sul deve fazer para criar um equilíbrio com vista a resolver essas assimetrias geográficas?

Sobre o que penso sobre a África do Sul, quero pedir desculpas em nome do povo sul-africano, pelas várias formas de xenofobia ou como queiram chamar afro-fobia. Peço desculpas pela forma como o sul-africano é. Acho que é importante que os jovens compreendam que todos somos do mesmo continente. O segundo aspecto que acredito que devemos de facto fazer é partilharmos as universidades porque lá há troca de ideias e isso faz com que paremos de pensar nas nossas pequenas comunidades. Quando penso sobre UCT, que é a Universidade de Cape Town, tenho de responder a questão: quantos estudantes africanos estão lá, porque aí pode se ampliar a visão, claro, viajar e controlar será a realidade da nossa vida. Há uma base do texto que precisamos de gerir.

Mas sempre será importante que nas nossas universidades haja educação que é partilhada. A informação circula de uma forma colectiva para que a longo prazo possamos dizer que fomos capazes de quebrar qualquer divisão. As ideias estarão acima da cultura e podemos mobilizar as pessoas em conjunto. Precisamos de chegar lá, mas acredito que ainda há um longo caminho a percorrer. Como África do Sul, temos um papel importante a desempenhar, sendo um país com recursos. Mas acho que podemos fazer uma parceria se desejarmos aprender das contrapartes africanas, por isso, professores, líderes e várias pessoas em instituições académicas podem trabalhar em conjunto e por fim penso que o comércio, o comércio regional nos países da SADC é importante. Os empreendedores e as start-up, o primeiro lugar onde devem procurar realizar seus negócios não deve ser nos Estados Unidos da América, China ou em qualquer outro sítio, mas sim em empresas africanas porque podemos falar da moeda única, comércio comum, interesse comum tendo como base o conhecimento que temos em torno do nosso clima e, como africanos, temos que ter confiança em nós próprios e na nossa região.

Acha que essa é a plataforma correcta que deve ser criada para que haja esse relacionamento entre os jovens, por exemplo, jovens de Moçambique e da África do Sul e vice-versa?

Tem que haver mais plataformas desta natureza sim e essa é uma delas. Porém, precisamos de estrutural melhor. Na verdade tenho uma ideia de organizarmos uma conferência de jovens ao nível da SADC, onde os jovens líderes possam participar. Porquê assim? É que as únicas pessoas que falam com os jovens líderes são os Presidentes, tal como o Presidente Obama. Eu sou fã do presidente Obama, mas claramente precisamos de líderes africanos que falam com os africanos e podemos juntá-los. Diria que precisamos de uma plataforma ampla, uma plataforma da SADC onde possamos nos juntar e dizer o que significa para nós moldar a África 2030, África 2040 e construirmos uma liderança de jovens proactivos capazes de dizer que nos nossos respectivos países podemos colaborar em conjunto para que esses valores sejam traduzidos.  Isso deve ser feito e devo apelar às universidades da região para se unirem e criarem trabalho conjunto e plataformas para que essas ideias sejam partilhadas e os africanos possam dar o seu contributo.

Nesta semana celebramos o dia internacional da Juventude. Qual é a mensagem que gostaria de endereçar aos jovens?

África é um continente jovem e os líderes da juventude são revolucionários no verdadeiro sentido da palavra. Temos que ter um momento no continente que requer que providenciemos melhores líderes. Temos que nos libertarmos dos libertadores e construirmos economia do futuro. Nesse desafio, os jovens devem liderar o debate e penso que estando prontos, não temos que esperar por ninguém, nós é que temos estado à espera. Exorto aos jovens para arregaçarem as mangas e continuarem a luta pela liberdade, mas essa liberdade deve ser económica e educacional para que possamos construir uma África próspera. Neste mês da juventude, este não é o momento para a geração estar perdida, temos que nos reunirmos à visão de uma África próspera e acho que é possível. Apelo aos jovens a se envolverem nessas questões para que as nossas irmãs que são vulneráveis em várias comunidades saibam que há uma liberdade para que elas participem na liderança e colectivamente podermos assegurar que os nossos países prosperem juntos. é essa a caminhada que devemos seguir.

Acha que é possível ter um outro Nelson Mandela, por exemplo, para unir países africanos?

Absolutamente, acho que este é o momento e uma das coisas que o presidente Nelson Mandela transmitiu-nos é a oportunidade para nos reconciliarmos. Agora estamos na fase seguinte em que quando pensamos economicamente nos nossos próprios países temos que ampliar a nossa visão. Quando pensamos na energia e na sua provisão temos que alargar o nosso horizonte e, portanto, agora no projecto de reconciliação, a nossa visão de África é económica e digo a tantas outras pessoas que devemos nos juntar e traçar essa visão porque poderemos construir uma sociedade muito mais integrada para libertar as nossas iniciativas. Os “Nelson Mandelas” que virão nas próximas gerações estão entre nós. Isto o que estou a dizer é que vamos agora começar a nos focalizar no trabalho, razão pela qual o que está acontecer no Zimbabwe não pode ser ignorado pelos jovens em Moçambique. O que está a acontecer em Malawi ou outro país deve preocupar a todos. Temos que nos engajar nessas questões e procurar soluções colectivamente. É isso que líderes como Nelson Mandela reconheceram, que se quisermos chegar longe temos que caminharmos juntos e nós neste momento precisamos de trabalhar em conjunto para produzirmos futuros líderes e não devem ser apenas na política, como também no comércio. Isto significa que pensando nesta questão, mesmo com recursos mineiras que temos, enquanto não produzirmos jovens inovadores que possam dizer que estamos a usar os nossos recursos minerais para trazermos revolução em todo mundo nada teremos feito.

Devemos olhar não apenas para a política, também para comércio, educação e em todos sectores, incluindo o sector da saúde para que os jovens possam desenvolver os mesmos. É orgulhoso saber que foi um africano que inventou certo tipo de combustível que os americanos usam, mas essa história não é celebrada no nosso continente. Devemos celebrar que foi um africano que produziu o transplante, essa inovação no sector de saúde era necessária. Tem que ser um africano que deve procurar saber como podemos lidar com os efeitos de mudanças climáticas porque em África encarramos isso diariamente. As cheias, inundações são uma realidade nas comunidades e temos que lidar com isso. Mesmo no sector agrícola, os nossos agricultores devem melhorar e os jovens devem liderar essa conversa. Temos a oportunidade, não devemos ser vítimas de líderes corruptos e ditadores, nós podemos liderar melhor!

Participando via plataforma digital, os administradores dos distritos de Vilanculos, em Inhambane, e Gondola, em Manica, partilharam os caminhos para uma maior inclusão da juventude, num dos painéis da terceira edição do Mozefo Young Leaders.

Para o administrador de Vilanculos, Galiza Matos Júnior, há uma necessidade de catapultar as iniciativas dos jovens e não “importar conhecimento” rumo ao desenvolvimento.

“A minha ideia é muito clara. Nós devemos continuar a fazer uma aposta muito forte a nível da formação técnico-profissional. A nível a agricultura nós temos que definitivamente identificar os grandes pontos”, apontou.

Já a administradora de Gondola, Etelvina Ambasse, apontou os caminhos para atrair a juventude para zonas rurais.

“Sendo que o Estado está preocupado em trazer o desenvolvimento para o distrito, já identificou alguns projectos-chave e locais. Para o caso concreto do distrito de Gondola é o desenvolvimento da agricultura e piscicultura”, referiu Etelvina Ambasse.

Aliado aos esforços governamentais, a administradora de Gondola desafiou a juventude a estar alinhada com os planos do Executivo.

Os dois administradores defenderam ainda que a transformação passa por uma juventude mais proactiva e comprometida com o desenvolvimento do país.

Os oradores defendem que é preciso investir na formação e potenciar as capacidades dos jovens. Para o especialista em adolescentes do UNICEF, Francelino Murela, os jovens devem sair da zona de conforto e encontrar formas de se destacarem mesmo num contexto de desigualdade.

Com o tema “Mitigação de desigualdades”, quatro oradores do Mozefo Young Leaders, dos quais uma activista brasileira, defenderam a chave para a integração dos jovens nos processos de desenvolvimento.

Pelo terceiro mês consecutivo, o país registou uma redução nos preços de bens e serviços. A deflação em Julho foi de 0.20 por cento, contra 0.55 por cento em junho e 0.6 por cento, negativos em Maio.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi calculado com base nos dados recolhidos nas cidades de Nampula, Beira e Maputo, onde certificou que o país registou uma deflação de 0,20 por cento. A inflação acumulada (Janeiro a Julho) situou-se em 0,38 por cento e a homologa (comparativamente ao igual período do ano passado) em 2,80 por cento.

Analisando o custo de vida por cidade, o Instituto Nacional de Estatística (INE) constatou que a cidade da Beira foi a mais barata com 0,42 por cento, seguida de Nampula e Maputo com 0,30 por cento e 0,06 respectivamente.

Segundo o Director Nacional Adjunto de Contas Nacionais e Indicadores Globais, Ernesto da Silva, a divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas foi a de maior impacto, ao contribuir no total da variação mensal com cerca de 0,22 pontos percentuais (pp) negativos.

“Analisando a variação mensal por produto, importa destacar a queda do preço do tomate (5,3%), da cebola (9,0%), do açúcar castanho (5,9%), da alface 12,3%), do óleo alimentar (2,5%), da couve (7,8%0 e do repolho (10,4%). Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,35 pp negativos”, mencionou Ernesto da Silva.

Em contrapartida, os preços de alguns produtos com destaque para o pão de trigo (4,1%), os cigarros (3,0%), o feijão manteiga (1,9%), a mandioca seca (28,5%) o milho em grão (10,6%), o limão (24,6%) e as calças para homens (0,8%) contrariaram a tendência de queda, ao contribuírem com cerca de 0,21 pp positivos.

Em referência a variação acumulada, de Janeiro a Julho do ano em curso, da Silva referiu que as cidades de Nampula e de Maputo foram caracterizadas por aumento de preços, tendo registado uma inflação de cerca de 0,79 e 0,68 respectivamente.

A cidade da Beira apesentou uma tendência contrária ao registar uma deflação de aproximadamente 1,03%.

“No que concerne à inflação homóloga, a Cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 3,85%, seguida da Cidade da Beira com 3,52% e por último a Cidade de Maputo com 2,02%”, concluiu.

 

A terceira edição MOZEFO Young Leaders continua esta terça-feira o primeiro painel do dia debateu “Um futuro de oportunidade, igualdade e equidade”. Na sua intervenção, Lúcia Mafuiane, presidente da 3ª Comissão na Assembleia da República, focou a sua abordagem na violência e uniões prematuras como factores que restringem o desenvolvimento principalmente da rapariga. Para a deputada, esses fenómenos revelam que as famílias estão fragilizadas.

“Quando adultos deixam que as crianças unam-se umas com as outras, quando as famílias permitem que uma criança una-se a um adulto é reflexo que algo não está bem. A família perdeu o papel de ser o primeiro centro de educação do individuo”, defendeu a deputada para depois acrescentar que “esta questão merece um esforço sinérgico de todos actores da sociedade para acabar com esses fenómenos na sociedade”.

Uma visão que foi secundada por Lobo Mujaide, secretário-geral da Associação dos Estudantes Finalistas Universitários de Moçambique (AEFUM), que avançou que uma maior comunicação pode desempenhar um papel importante para a estabilização do ambiente familiar.

Por seu turno, Nádia Vaz, do Fundo das Nações Unidas para a População, defendeu que a redução da natalidade e da mortalidade infantil são factores que podem contribuir para garantir equidade e maior inclusão dos jovens na sociedade moçambicana. A oradora acrescentou ainda que uma maior disseminação de leis pode salvar muitos jovens da desgraça.

“Se as famílias não estão conscientes sobre os direitos da criança, dificilmente vão saber que existe uma lei de pune determinado comportamento. Temos que trabalhar nas zonas rurais, saber como comunicar, como transmitir essas informações às pessoas menos escolarizadas. A falta de informação correcta pode ser prejudicial na luta pela transformação e pela mudança”, terminou.

Já Lesira Gerdes, Oficial de programas da ONU Mulher, disse que políticas públicas fortes podem contribuir para incentivar os jovens a “escapar” dos males da sociedade e investir na educação e no empreendedorismo. Lesira avançou ainda que um maior incentivo às organizações juvenis, principalmente as que juntam raparigas, pode contribuir para elas se espevitem e lutem para o alcance dos seus objectivos”.

Oneiza Issufo, empreendedora residente em Nampula, que fez a sua intervenção via Zoom, defendeu que se deve trabalhar nas consciências das pessoas para acabar com os males que enfermam a sociedades. A engenheira de Construção Civil disse ainda que a educação na sua família contribuiu para que ela se tornasse empreendedora.

“Tive um ambiente favorável, onde não havia discriminação entre as meninas o os rapazes. Os nossos pais nunca fizerem questão que criar essa diferenciação. Vim de uma família pobre, mas desde cedo, aprendi que deveria lutar pelos meus sonhos. Lembro-me que o meu pai sempre nos levou a trabalhar com ele, e isso era para nos mostrar que na vida nada vem do nada. Cresci com essa consciência e por isso não foi difícil começar a empreender.

O Director-Geral da African Guarantee and Economic Cooperation Fund, Ngueto yambaye defende investimento na formação dos jovens de modo a fortalecer a sua contribuição na mudança, transformação e desenvolvimento da economia africana.

Antigo Ministro da Economia do Chade ex-director executivo do FMI para África
Director-Geral da African Guarantee and Economic Cooperation Fund – FACAGE (Cotonou, Benim)

Que políticas públicas devem adoptadas com vista a alavancar o crescimento económico inclusivo no continente Africano?
Sobre a primeira questão que é extremamente importante, penso que a promoção do crescimento inclusivo em África é necessário para se desenvolver padrões elevados e abrangentes em termos de políticas públicas, que possam integrar a todos, com foco particular aos jovens e mulheres que são a maioria da população africana, estou a falar a cerca do capital humano. É necessário que se investa mais no capital humano para se aumentar as habilidades dos jovens para que contribuam na transformação da economia africana, portanto investir no capital humano é importante para a promoção do crescimento económico mais inclusivo em África em termos do comércio e produção, isto também significa desenvolver políticas fiscais, promovendo jovens porque o nosso continente, África é composto por mais de 70% de jovens, conforme os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas estão a promover, baseado nos objectivos estabelecidos em 2013, todos governos africanos precisam de ser mais inclusivos apoiando jovens e mulheres.

M: Professor Yambaye, Que tipo de políticas públicas podemos adoptar para garantir o crescimento económico inclusivo em África?
Dr: É exactamente necessário formar pessoas para que se tornem mais competentes, porque o mercado precisa de pessoas com altos níveis de habilidades e os jovens africanos precisam de concorrer com os outros jovens do mundo, por exemplo Ruanda e Moçambique têm um bom desempenho, visitei o vosso país alguns anos atrás e gostei de ver o cometimento do governo do vosso país assim como do Ruanda que tem um bom desempenho.

M: Como é que os países africanos podem investir no capital humano por exemplo, sabendo que não existem recursos suficientes para que as políticas públicas sejam eficazes?
Dr: Acho que não há necessidade de se olhar apenas para recursos financeiros, África tem todos recursos, no meu ponto de vista, a população é o recurso principal que possa contribuir para o alcance de todos recursos, conforme o nosso continente é composto por países ricos, precisamos de abordar questões como boa governação, isto é que é fundamental, precisamos de ter pessoas com habilidades ao alto nível em cada governo, o que podemos fazer tendo recursos humanos sem habilidades? Precisamos de focalizar a nossa governação e políticas em jovens e mulheres.

M: Como é que podemos criar o crescimento económico e o desenvolvimento nesses termos?
Dr: É uma questão bastante interessante porque o crescimento económico é o primeiro passo, mas precisamos de partilhar esse crescimento com toda a população e o segundo passo, baseado nas políticas de boa governação, como podemos partilhar esse crescimento económico com pessoas vulneráveis, jovens ou com as pessoas mais pobres, portanto o primeiro passo é que todos governos promovem o crescimento e o segundo passo é necessário que se partilhe esse crescimento com todo população em termos de políticas, políticas fiscais, em teremos de apoiar as pessoas a terem acesso ao crédito financeiro, apoia-las a criarem empresas, as Start Ups, etc.

M: De acordo com a sua última resposta, gostaria de saber do senhor, o que poderá ser feito para prevenir a crua realidade de jovens africanos que em vez de olharem para a sua zona geográfica preferem emigrar para outros continentes a procura de melhores condições de vida?
Dr: Há várias questões em África no que concerne a prevenção dessa realidade dos jovens africanos. O problema da imigração dos jovens africanos em busca de um certo tipo do  Eldorado fora do continente é a questão crucial que os governos precisam de abordar, para que se erradique esse problema é necessário que se invista mais no capital humano destruindo essa mentalidade negativa de que Eldorado está fora do continente, por exemplo temos que envolver esses jovens na construção, nos principais projectos, para ajudá-los a permanecerem nos seus países. Os jovens também devem entender que existe uma maneira formal de imigrar ou que eles devem ficar nos seus países, finalmente os jovens devem entender que África é uma grande potência, é preciso que sejam confiantes, primeiro nos nossos países e no nosso continente. A principal questão é que nós temos vários conflictos nesse continente e é necessário prevenir a existência de mais conflictos no continente, ajudando as pessoas a ficarem nos seus países.

M: Uma das questões que de uma forma repetitiva é colocada nas redes sociais é que se por exemplo investirmos no capital humano, onde temos jovens com formação superior em África mas que são desempregados ou trabalham num sector no qual não foram formados, como é que podemos corrigir essa situação encarrada por vários países em desenvolvimento em África.
Dr: Na realidade tudo depende da qualidade da governação e na qualidade das políticas estabelecidas por cada país, precisamos de desenhar políticas apropriadas e ter uma boa governação, isso é que é o essencial, portanto, por vias de boa governação todos governos têm que ajudar as pessoas a terem acesso ao crédito, por

M:Sim mas parece que costumamos a importar políticas públicas estrangeiras e as mesmas não são eficazes nos nossos países, qual seria a razão de trás disso?
Dr: Falei no início dessa conversa que precisamos de estabelecer políticas adequadas e temos que ser confiantes na nossa capacidade de sermos inclusivos em termos de políticas nacionais. Depois de desaseis anos da independência, porque o meu país de origem obteve a sua independência há desaseis anos, hoje todos africanos, ou a maioria dos africanos que estudaram fora do continente africano agora já regressou para os seus respectivos países, precisamos de ser confiantes para estabelecermos políticas originais para promovermos o desenvolvimento no nosso continente, assim sendo, não devemos continuar a importar alguns métodos de políticas para implementarmos as nossas reformas de políticas em África, tudo depende da capacidade de cada governo em estabelecer políticas apropriadas para o acesso ao crédito financeiro e na promoção do empreendedorismo por exemplo.

M: Nesta semana celebramos o dia internacional da Juventude, como efectivamente financiar programas com vista a abordarem os grandes desafios encarrados pelos jovens nos países ou nas economias em desenvolvimento, programas tais como educação e formação, habitação, emprego decente e empreendedorismo?
Dr: Exactamente, recordo-me de um provérbio chinês que diz ensina-lhe a pescar envés de dar-lhe peixe, precisamos de educar os jovens para que efectivamente financiam programas direccionados a responderem aos grandes desafios dos jovens nos países em desenvolvimento, há uma necessidade de se financiar e de se criar um certo tipo de incubadora para acelerar os programas para alavancarem o empreendedorismo em África porque sabes, os países africanos não têm comércio entre eles, eles realizam comércio fora de África, a União Africana lançou um programa que tem como objectivo o desenvolvimento de negócio entre os países africanos, portanto há necessidades de se utilizar instrumentos inovadores tais como PPP, mercado financeiro, um certo tipo de finanças especiais, micro finanças, para financiar programas com a finalidade de abordar novos desafios encarrados pelas pessoas em África. Acho que é imperioso que haja envolvimento dos próprios jovens desde o início até ao fim para que efectivamente os programas financeiros possam fazer parar a imigração das zonas rurais para as urbanas e investir-se mais na zonas rurais para se manter as pessoas, em particular os jovens nas suas aldeias, por

M: A próxima questão é, como é que podemos implementar esse tipo de ideias, por exemplo os jovens que estão envolvidos em empreendedorismo em África ou em países em desenvolvimento em África têm reclamado pela falta de mercado, o que significa que eles podem ter algumas ideias económicas a serem produzidas mas falta-lhes o mercado para colocarem os produtos, como é que podemos criar os bons mercados para encaixarmos essas ideias no empreendedorismo?
Dr: É uma boa questão mas gostaria de permitir os jovens saberem que os jovens de Moçambique por exemplo, podem ter acesso ao mercado no Chade, Senegal, África do Sul, em Ruanda, etc. África é um grande continente, sei que existe alguma barreira de comunicação devido a língua, em Moçambique vocês falam português, em Chade falam francês, em Ruanda falam inglês, assim sucessivamente, mas temos que trabalharmos juntos, juntar os nossos jovens, porque por exemplo em Moçambique as pessoas têm mais habilidades em certas áreas, necessárias em Chade, onde nesse país as pessoas precisam de jovens empreendedores moçambicanos para que possam ir trabalhar lá. Temos que juntar os nossos jovens para trabalharem em conjunto e criam um certo tipo de empresas multinacionais africanas, por exemplo no meu país, Chade o algodão é muito importante, as pessoas em Chade produzem algodão, se o mercado moçambicano ou de outros países africanos precisarem de algodão podemos fazer esse comércio, porquê é que a Câmara do Comércio de Moçambique não interage com as outras Câmaras de Comércio africanas? Essa é nova ideia, é preciso que sejamos inovadores para criarmos esse relacionamento entre empresas e entre empreendedores.

M:Qual é o problema que dificulta esta ligação, por exemplo entre a Câmara do Comercio de Moçambique e as outras câmaras de países africanos?
Dr: Temos que abrir as nossas fronteiras, acho que vários países africanos já abriram as fronteiras para os outros, cada governo tem que tomar as iniciativas para lidar com outros países, abrir o mercado, a União Africana está a ter um bom desempenho nessa matéria, não sei se está ciente da nova política da UA sobre a abertura das fronteiras para que o mercado africano se torna maior para todos.

M: A experiência que temos em Moçambique da região da SADC faz nos entender que a estratégia da integração económica regional tenha falhado, como abrir as fronteiras com as falhas da estratégia da integração económica verificadas neste momento?
Dr: SADC é apenas umas das cinco ou seis regiões em África, a experiência que tenho da África Austral e Ocidental é bastante interessante, todas as fronteiras na África Ocidental estão abertas, todos os mercados da ECOAS e de outras sub-regiões em África estão abertos, precisamos que as pessoas da SADC venham para a África Oriental ou Austral negociarem com as pessoas, empresas e mercados, posso assegurar-te que na África Ocidental e Austral as fronteiras estão abertas, o mercado está muito aberto, nós damos boas-vindas a todos que vêm da SADC ou de Moçambique para negociarem connosco.

M: O investimento e a criação de oportunidades para jovens é uma prioridade inquestionável no nosso continente. Quais são as experiências que envolvem a promoção de oportunidades ou a mitigação da desigualdade que possam ser replicadas com sucessos nas diversas regiões do nosso continente?
Dr: Em todos países precisamos de estabelecer boas políticas e uma boa governação, isto é fundamental e muitos países em África estão num bom caminho, a desigualdade é como se fosse o COVID 19, é comparável a uma doença, precisamos de combater essa doença em termos de políticas económicas e públicas, estou feliz com o que acontece com vários países em África em termos de abordagem das questões de desigualdade e pobreza, estou a falar de alguns países como Ruanda que está ter um bom desempenho, visitei o vosso país, Moçambique em 2016 e gostei, o que aprendi é que em Moçambique o tempo é dinheiro, quando fui oficialmente recebido da delegação do FMI, gostei da gestão do tempo, Não apenas devemos focalizar na resolução da desigualdade ou pobreza, também precisamos de ser inclusivos, deste modo, a primeira coisa necessária é que os jovens, melhor dizendo, toda gente deve ser bem instruído para concorrer no mercado, se todos forem bem instruídos podemos facilmente resolver a questão da desigualdade e da pobreza.

M: No seu ponto de vista, como fazer o empreendedorismo em Moçambique, sabemos que o mundo está a ser assolado com a pandemia de COVID 19 e para os jovens parece que as suas portas estão completamente encerradas e não têm ideias suficientes para aumentarem a sua criatividade para estabelecerem outros negócios com vista a encarrarem os desafios económicos no nosso país.
Dr: Sabes, o que é interessante e o que devo dizer aos jovens em Moçambique é que devem ser confiantes, primeiro ficarem na sua terra e depois viajarem para outros países africanos para negociarem com as pessoas lá, precisamos de conectar as nossas escolas, as nossas universidades, os nossos mercados e as nossas câmaras de comércio, para unir em certa forma de relacionamento ou negócio. As pessoas em Moçambique falam português e nos outros países falamos inglês ou francês ou espanhol, mas isto não deve constituir uma barreira, temos que lidar com as nossas fronteiras africanas, temos que nos juntarmos e vermos o que podemos fazer em conjunto, não saia fora do país, residi nos Estados Unidos por mais de quinze anos e decidi regressar para casa em África e agora resido em Benim, onde a cidade capital é Cotonou e trabalho cá. Digo aos jovens em África que este novo Século, o Século XXI é vosso, há uma nova geração de líderes africanos que trabalham em torno de como integrar mais jovens nas nossas políticas em termos de oportunidades, fortalecendo as suas capacidades para que sejam melhor, para saírem da pobreza, da desigualdade, eles poderão ir para qualquer lugar em África, o continente tem cinquenta e quatro países e digo aos meus companheiros jovens africanos ou moçambicanos para visitarem outros países e juntos podemos trabalhar para promover o desenvolvimento.

M: Que saída os jovens em África podem ter para alcançar um resultado rápido num curto, médio e longo prazo?
Dr: A minha mensagem é de termos esperança, devemos ser confiantes ao futuro, digo aos meus amigos que gostaria de viajar novamente para Moçambique e para África Oriental e a minha mensagem chave é de pedir aos jovens para serem confiantes, trabalharem arduamente, não procurar a maneira mais fácil para desenvolver o seu negócio, tem que trabalhar arduamente, devem aprender todos dias, mesmo se tiver que criar um novo negócio, portanto tem que aprender todos dias, ser confiante, tem que ser um certo tipo de jovem gestor e tem que partilhar a sua experiência com os outros.

M: Professor Yambaye, o que quer dizer quando fala de trabalhar arduamente, de acordo com a realidade do nosso país?
Dr: Trabalho ardo para mim significa que tem que realizar o seu sonho, é correcto que os jovens tenham sonhos e devem realizar os seus sonhos, o jovem precisa de fazer esforço, precisa de continuar, tem que criar um certo tipo de network, não desista, não desista meu irmão, não desista meu filho, portanto, tem que ser confiante e continuar, assim sucessivamente.

M: Acha que é possível alcançar a prosperidade sonhando no futuro e baseado no trabalho ardo?
Dr: Absolutamente, sendo um jovem, a pobreza é uma situação transicional das pessoas, ninguém nasce para ser pobre ou rico, disse que trata-se de uma situação transicional e se for bem instruído ou não, com o tempo poderá continuar com os estudos e existem alguns desafios na vida, ao desafiar algumas posições, terá que ter sucesso se tiver coragem de avançar, trata-se do meu caso, o que sou ou faço hoje é porque tive a oportunidade de ter uma boa educação, os meus pais mandaram-me à escola e acompanharam-me, encaminharam-me ao sucesso, depois da minha graduação tive o emprego no mercado de trabalho mas tem que realizar os seus sonhos, tem que ser inovador.

M: Então não existem passos em que os jovens africanos devem seguir?
Dr: Não, porque há várias histórias de sucesso em África, há várias pessoas de negócios que tiveram sucessos, tal como o nigeriano Dangute por exemplo, não sei se o conhece, nunca estive com ele, mas este é um caso em que os jovens africanos têm que olhar para a sua história de sucesso de negócio por exemplo, há histórias de vários outros africanos que tiveram sucesso em outras partes do mundo, então, não fica no teu país, saia para outros países africanos, há várias oportunidades e tens que partilhar as tuas experiências, do teu próprio país e de outros países africanos.

M: Obrigado Doutor Yambaye
Dr: Porque é necessário com que os meus companheiros jovens africanos sintam orgulho deles próprios e de serem africanos. Muito Obrigado

M: Muito obrigado Doutor Yambaye por se ter juntado a nós no MOZEFO Young Leaders, agradecemos pela sua participação e espero voltar a vê-lo nas próximas oportunidades.
Dr: Muito obrigado pelo apoio, estão a trabalhar em questões interessantes para os países africanos e espero voltar a conversar consigo na próxima oportunidade, talvez em Maputo.

Os Estados Unidos da América (EUA) doaram hoje 50 ventiladores ao Ministério da Saúde (MISAU), com vista a responder a eventuais casos graves de COVID-19.

O ministro da Saúde, Armindo Tiago, afirmou que os equipamentos vão aumentar a capacidade de resposta à pandemia, sobretudo, para os doentes com um quadro clínico crítico.

Mas, por outro lado, segundo Tiago, os mesmos equipamentos poderão melhorar a assistência sanitária e cuidados de saúde para outras doenças, como é o caso de politraumatismo e acidentes de viação.

No evento, o embaixador dos EUA, Deniss Walter, disse esperar que o material ajude a garantir a resposta contínua do Governo na estratégia de combate ao Coronavírus.

O embaixador disse que ventiladores são fundamentalmente para Moçambique responder positivamente no combate à COVID-19 e “salvar muitas vidas nas unidades sanitárias do país”.

“Os ventiladores darão maior flexibilidade no tratamento de pacientes severamente afectados pela COVID-19, pelo facto de serem compactos, implantáveis e suportam aplicativos invasivos e não invasivos, com uma bateria de até 10 horas de carga, podendo ser usados para cuidar crianças e adultos”, assegurou Deniss Walter.

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