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O País – A verdade como notícia

O posicionamento foi deixado hoje pelo painel que discutiu o tema “Fome Oculta”, um problema evitável e que se negligenciado pode causar problemas de saúde graves.

 

Descrita como sendo a redução gradual de micronutrientes no organismo resultante do consumo insuficiente de alimentos ou falta de uma alimentação diversificada, a fome oculta, apesar de silenciosa, pode levar a complicações de saúde como explicou a nutricionista, Kátia Mangujo, do Ministério da Saúde.

“É muito difícil identificar que o indivíduo ou paciente tem problemas de micronutrientes, só no estado mais grave é que aparecem sintomatologias como manchas resultantes da pelagra, uma doença resultante da deficiência da Vitamina B3. O indivíduo pode apresentar ainda osteoporose que é uma doença metabólica do esqueleto na qual os ossos perdem a rigidez, tornando-se porosos causada pela deficiência do cálcio, mas isso só em casos em que as reservas do indivíduo ficaram esgotadas”, disse a profissional para depois falar da necessidade de todos fazerem exames regulares de saúde.

“Um exame detalhado pode descobrir essas situações, por isso, recomendamos que os indivíduos possam fazer exames detalhados de saúde duas vezes ao ano para aferir o funcionamento do seu organismo. Ademais, é importante ter uma alimentação saudável, equilibrada e que incorpore bastante frutas e verduras que é onde esses micronutrientes podem ser encontrados”, detalhou a profissional.

Todas as pessoas estão susceptíveis de ter fome oculta “mas há grupos mais vulneráveis, pois a manifestação dessa fome oculta pode resultar em morte. Falamos de mulheres grávidas e crianças com idades compreendidas dos zero aos cinco anos de idade”, terminou.

E por reconhecer a gravidade da situação da desnutrição crónica no país, em 2016 o Governo tornou obrigatória a fortificação de alguns produtos.

“O que temos que ter consciência é que alimentar-se não significa apenas ingerir alimentos, temos que ter conhecimento do valor nutricional desses alimentos que estamos a ingerir. Por isso que a fortificação aparece como uma estratégia para reduzir essas situações de desnutrição. Esse processo de fortificação depende de país para país. Em Moçambique temos doenças associadas a deficiência do iodo, por isso obrigamos a adicção do iodo no sal, a adicção da vitamina A no óleo alimentar e no açúcar. Temos ainda a adicção do ferro, zinco, ácido fólico e vitamina B12 nas farinhas de milho e trigo. As indústrias têm trabalhado connosco como parceiras dessa iniciativa e elas adicionam esses aditivos nesses produtos”, Eduarda Mungoi do Programa de Fortificação de Alimentos no Ministério da Indústria e Comércio.

A oradora falou ainda dos critérios que ditaram a escolha desses produtos para a fortificação obrigatória pelas indústrias.

“Primeiro houve uma fase voluntária que chamamos de experimento, mas depois tornamos a medida obrigatória. Normalmente, em todo o mundo, esta questão de fortificação olha-se para os alimentos considerados básicos. E esses produtos são considerados básicos no nosso país e regra-geral as famílias usam esses produtos para confecionar as suas refeições”, terminou.

Por seu turno, Maria Andrade que trabalhou 20 anos com o melhoramento genético da batata-doce, o que lhe valeu um prémio em 2016 defendeu que aposta da batata de polpa alaranjada tem garrado benefícios nas comunidades.

“Quando iniciamos o nosso trabalho de melhoria da batata-doce, que iniciou em 1999, com introdução de variedades de fora, verificamos que 69 porcento de crianças com idade inferior a cinco anos tinham deficiência da vitamina A, hoje em dia, estamos em 64 porcento. Hoje em dia, a batata de polpa alaranjada ficou uma cultura que é utilizada em todos os trabalhos de nutrição, através das ONGs, o governo. Ficou como uma cultura de rendimento e vários outros países do continente africano foram beneficiados por esse trabalho de Moçambique. Essas variedades vão para vários países de África e da Ásia”, terminou.

Os administradores de Angónia, Paulo Sebastião, e de Angónia, Edson Lino, estimulam camponeses com formações e melhoramento do processo produtivo de modo que sejam capazes de produzir culturas com padrão internacional em todo o período do ano.

91% da população de Angónia, um dos distritos férteis da província de Tete,  vive da agricultura. A informação foi revelada esta tarde, pelo Administrador de Angónia, Paulo Sebastião. Na verdade, a percentagem apresentada representa, de facto, que a agricultura é a principal actividade de subsistência nas várias zonas rurais do território nacional. Por isso, disse o Administrador de Angónia, o distrito têm dado muita atenção ao sector agrícola. “Temos um centro de treinamento de tecnologias agrárias, onde as pessoas são orientadas, assistidas, porque percebemos que a população está a trabalhar muito, mas que não produz como pretende, com perdas na ordem de 30%”.

De acordo com o administrador Paulo Sebastião, no distrito de Angónia existem 140 mil famílias produtoras, que precisam de estímulo para que possam alcançar o tão almejado nível de produção internacional. Nesse sentido, os camponeses organizaram-se em associações, o que lhes tem permitido produzir quantidades de milho, feijão e soja suficiente para o consumo local e para comercialização nas cidades de Nampula, Beira e Maputo, portanto, chegam às três regiões do país.

De modo a garantir que (em Angónia) seja uma realidade a produção com padrões internacionais, 2041 produtores foram formados nos centros de tecnologia. A grande aposta do distrito é atingir uma produção de qualidade de sementes, minimizar as perdas de produção e resolver o problema de escoamento. Em Angónia produz-se em séries, em todo o período.

Paulo Sebastião entende que Angónia está a crescer, resultado da disseminação de técnicas de produção que os líderes das associações replicam nessas mesmas associações, depois de formados. Actualmente, aquele distrito do norte de Tete está a formar 37 jovens em matérias agrárias, onde eles aprendem a produzir em compostos orgânicos através de velhos compostos. “Pensamos, como Governo, que devíamos potenciar alguns jovens. Os 37 jovens fomos escolhendo ao nível das comunidades, com a excepção de uma que é mais populosa, dois em cada. Quando estes jovens voltarem às suas zonas de origem, levarão o conhecimento como um ganho, pois vão ensinar aos outros o que estão a aprender. Assim, acreditamos que os 140 mil agricultotres que o distrito tem passarão a ter uma assistência directa durante a sua actividade. O curso é de três meses e alguns dias, para todo o tipo de culturas com um campo de demonstração, que os permite aprender rápido e com eficiência”.

Do que o distrito de Angónia produz, 25% vai para o consumo e o resto para comercialização. Nisso, o problema é a existência daqueles que, ao invés de ajudar, boicotam a rentabilidades dos camponeses: “os intermediários é que fazem com o produtor não tenha o ganho traduzido no seu esforço”. Por isso, defendeu Paulo Sebastião, além de apoiar com treinamento, há necessidade de as ONG ajudarem os camponeses no estabelecimento de links”.

Criar condições para que os camponeses consigam atingir um nível de produção internacional também é do interesse do distrito de Balama, na província de Cabo Delgado. É por essa razão que, à imagem de Angónia, Balama está a trabalhar na componenete da semente. “Queremos que os nossos agricultores tenham semente certificada, de modo que no fim do ciclo de produção os níveis produtivos seja sempre crescente. Estamos a introduzir semente híbrida, para que a produtividade seja a alemejada, com os padrões de colheita por hectare vs. toneladas. É esta a nossa visão, como Governo, assistir o agricultor de modo a ter um rendimento maior. Só assim podemos fazer com que o agricultor seja competitivo. Em termos de técnicas de producao, nós temos estado a buscar experiências em outros mercados agrícolas, para demonstrar qual é a melhor cultura para ser produzida em cada época”, explicou Edson Lino, Administrador de Balama.

Para Lino, a solução agrícola está perto do camponês, do produtor “e é essa a visão que nós, como Governo, estamos a fazer: criar um ciclo de assistência ao camponês. Ao invés dele sair da localidade ao centro do distrito, criarmos condições dele ter facilitadores perto de si, para baixar o nível de perdas de produção. Por isso, de acordo com a experiência que estamos a ter, a próxima época será ainda melhor”.

Ao falar de competitividade, Edson Lino disse que o que se pretende é que Balama consiga fornecer a cebola com a mesma qualidade que aquela que vem da África do Sul, com todos os critérios de qualidade de produção asseguradas, desde a preparação do solo ao processamento. “Agora, o grande desafio é fornecer a cebola de qualidade o ano todo, daí que necessitamos melhorar os níveis de conservação”, afirmou Edson Lino, acrescentando: “o que temos de fazer é transformar a nossa maneira de fazer as coisas e a nossa maneira de processar, para que sejamos competitivos em relação aos produtos que vêm de fora”.

Outra questão que mereceu destaque do Administrador de Balama tem que ver com a satisfação do camponês, relacionada com os pagamentos, que, em muitos momentos, demoram a ser cedidos. Por exemplo, muitos camponeses estão a abandonar a cultura do algodão por preferirem gergelim. Nesta, a grande particularidade é que o pagamento é imediato. “Precisamos que o agicultor tenha os seus vencimentos sem demora, de modo que possa cuidar melhor da sua família”.

Os administradores de Balama, em Cabo Delgado, e de Angónia, em Tete, defenderam as suas posições no debate sobre “Desenvolvimento local do agronegócio”, na segunda edição da MOZGROW, este ano a acontecer no formato digital, com transmissão na Stv notícias, até sexta-feira.

Num painel a quatro e com o tema, “Transformar para competir”, a promoção do consumo nacional de carne foi a chave do debate da segunda edição da MOZGROW, que arrancou esta segunda-feira.

Os oradores defendem mais incentivos financeiros e fiscais para aumentar a produção e tornar a indústria de carnes mais competitiva. O gado e o frango produzidos em Moçambique são de alta qualidade.

Para o secretário-executivo da Associação da Indústria Avícola, Zeiss Lacerda, Moçambique reúne condições para ser auto-suficiente na produção do frango, apesar do Governo ter acordado uma quota anual de importação de três mil toneladas.

“Nós temos um compromisso que assumimos junto do Presidente da República em 2016, que até 2019 não faríamos importações. No ano passado, importamos na mesma, mas foi no final de Dezembro. Neste ano, as negociações que temos vindo a fazer com o Ministério da Indústria e Comércio ainda não houve nenhuma quota passada, e pelos vistos não haverá. O caminho é este…é parar com as importações e exportar”, apontou Zeiss Lacerda.

Entretanto, o secretário-executivo da Associação da Indústria Avícola indicou que o factor preço/qualidade é ainda um grande desafio para a indústria avícola no país.

“O nosso frango tem muita qualidade. O nosso frango é caro devido à escala e o custo das matérias-primas (milho e soja). Há os chamados ‘comerciantes de paraquedas’ que criam uma falsa escassez e disparam com os preços”.

Da avicultura à pecuária. Victor Filipe é criador de gado e apontou a informalidade e fraco financiamento como os principais problemas desta indústria.

“Moçambique é praticamente o único país onde a carne de vaca é mais barata que o frango. Ainda não há uma cultura de comer carne, isso porque a carne não tem também a qualidade que já consegue o frango moçambicano. Nós temos que ter incentivos para produção”, referiu Victor Filipe.

Participando via plataforma digital, Hélder Mabote, formador no Instituto Agrário de Marere, em Manica, defendeu a necessidade de diversificar as culturas agrícolas.

Já Mandela Cossa, da Empresa de Comercialização Agrícola (ECA) apontou três desafios para o desenvolvimento agronegócio em Moçambique, que compreendem a competitividade, questões socioeconómicas e ambientais.

Com vista a tornar a indústria de carnes mais competitiva em Moçambique, os oradores consideram ser necessário envolver toda cadeia produtiva.

Na abertura da segunda edição da MOZGROW, o Presidente do Conselho de administração (PCA) da Fundação SOICO (FUNDASO), Daniel David, disse que este projecto não se reduz apenas à agricultura e alimentação. É um programa abrangente, que vai da indústria ao consumidor final e induz desenvolvimento.

“MOZGROW é um programa amplo. Não é agricultura, não é alimentação. É mais abrangente que isso. Vai até a indústria, aos transportes, ao consumidor final e tudo aquilo que são infra-estruturas indutoras ao desenvolvimento”, afirmou Daniel David, partilhando painel com a representante e directora-geral do Programa Mundial de Alimentação (PMA) em Moçambique, Antonella D’Aprille.

O PCA da FUNDASO destacou o papel da comunicação na cadeia de valor da produção no país e considerou-a vital por ser através dela que se transmite o conhecimento entre os diferentes intervenientes dessa mesma cadeia.  Daniel David referia-se, especificamente, a uma série de reportagens sobre o MOZGROW que foram veiculadas na STV durante meses antes da concretização da presente edição desta plataforma que decorre até sexta-feira.

Num outro desenvolvimento, Daniel David disse que a actuação da instituição que dirige acompanha os momentos que o país vive, daí que, apesar da pandemia do novo Coronavírus, a MOZGROW não podia falhar este ano. “Nós temos que estar sempre à altura das mudanças que a sociedade nos coloca”.

Por sua vez, a directora-geral do PMA em Moçambique, Antonella D’Aprille, reconheceu que o número de pessoas que dormem sem comer cresce sempre.

A dirigente alertou que a situação pode agravar-se por causa da pandemia da COVID-19 e das mudanças climáticas, “mas o mundo pode produzir alimentos para todas as crianças, mulheres e homens”.

Segundo Antonella D’Aprille, o problema da fome no mundo não tem a ver com a produção, mas sim com o acesso aos alimentos. “Infelizmente, perdemos, em Moçambique, 30% da colheita devido a técnicas ultrapassadas” e falta de meios apropriados para conservar os alimentos.

Se houver um trabalho em conjunto para reduzir a perda de alimentos após a colheita, assegurar a protecção social e fortalecer o sistema de cadeia de valores de alimentos, o problema da fome pode ser minimizado, de acordo com a directora-geral do PMA em Moçambique.

A presidente da instituição de solidariedade em Portugal, ENTRAJUDA, Isabel Jonet, iniciou a sua intervenção, no painel de abertura da MOZGROW, enaltecendo o facto de o PMA ter sido distinguido com o Prémio Nobel da Paz, semana finda. A distinção “é uma chamada de atenção para a importância que a alimentação tem, mais do que levar a comida à mesa de quem dela carece”.

Os bancos alimentares contra a fome, que em breve alargar-se-ão para Moçambique, no âmbito da parceria com a FUNDASO, lutam contra o “desperdício de alimentos” em diferentes fases da cadeia de produção. “Seja na agricultura, seja na distribuição, seja na indústria para os levar através de acordos” celebrados “com parceiros que no terreno conhecem situações de maior carência à mesa de quem precisa”.

“Os bancos alimentares trabalham sempre em parceria com as organizações sociais que conhecem cada caso e sabem como intervir sem criar desequilíbrios em todo o ecossistema à volta, mas que entregam os alimentos doados por empresas, importadores, exportadores” e outras entidades, segundo explicou Isabel Jonet.

Sobre esta matéria, o PCA da FUNDASO interveio esclarecendo o que levou à parceria com a ENTRAJUDA: “há um conhecimento e um saber fazer” e a instituição de solidariedade em Portugal tem e que pode ser útil para a realidade moçambicana.

“Ganhamos uma vantagem enorme em trabalhar com o Banco Alimentar de Portugal” e vai ajudar da estruturação do projecto que se pretende estabelecer em Moçambique, bem como na “metodologia de comunicação e dinamização da gestão das parcerias” envolvidas, destacou Daniel David, para quem neste projecto a FUNDASO “não vai trabalhar sozinha” e privilegia parcerias.

Para evitar a “grande dispersão da produção agrícola” deve haver “mecanismos que permitam a sua concentração, conservação em condições adequadas”, defendeu hoje o ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, na abertura da segunda edição da plataforma MOZGROW.

O governante abordou o tema “agro-indústria e promoção de produtos e marcas nacionais”. O mesmo enquadra-se na agenda do Governo de promover o consumo de produtos nacionais com vista a estimular a produção, nutrição e valorização do produto nacional, segundo explicou o ministro.

Citando os resultados do estudo sobre o Custo da Fome em África (COHA, 2017), Carlos Mesquita disse que “a prevalência de 43% de desnutrição crónica em Moçambique em crianças menores de 5 anos equivale a uma perda de cerca de 11% do seu PIB anual”.

Esta taxa percentagem, corresponde a “1,6 mil milhões de dólares, ou seja, cerca de 112 mil milhões de meticais por ano. Estima-se ainda que cerca de dois milhões” das crianças acima referidas “sejam afectadas por atraso de crescimento e fraco desenvolvimento cognitivo”, prosseguiu o ministro.

Porque o Governo reconhece a malnutrição como um grave problema de saúde pública, aprovou o Plano de Acção Multissectorial para a Redução da Desnutrição Crónica, que inclui, dentre várias estratégias, a fortificação de alimentos de consumo massivo como uma das estratégias para a redução das deficiências de micronutrientes, tais como as vitaminas B12, A e D e o Ácido Fólico para as crianças e mulheres, salientou Carlos Mesquita, apontando que “a grande dispersão da produção agrícola e o seu carácter sazonal no geral requerem a criação de mecanismos que permitam a sua concentração, conservação em condições adequadas”.

Carlos Mesquita falou ainda da necessidade de instalação de parques logísticos e mercados abastecedores, como polos de desenvolvimento do comércio de hortícolas e frutas nos grandes centros urbanos, nomeadamente cidades da Matola, Beira e Nampula.

“A comercialização agrícola desempenha um papel chave para o escoamento dos produtos agrícolas das zonas de produção para as zonas de consumo, e vice-versa”.

Na presente campanha de comercialização agrícola, está prevista a comercialização de 14.864.367.39 toneladas de produtos diversos, o equivalente a um incremento de 8.7%, comparativamente ao que foi comercializado na campanha de 2019, que foi de 13.578.155 toneladas. “Está igualmente a decorrer a monitoria da exportação das 200.000 toneladas de feijão bóer, cujo processo já vai em cerca de 50%”

Até ao primeiro semestre deste ano, segundo o ministro, foram comercializadas cerca de 6,5 milhões de toneladas de produtos diversos, o que representa um nível de realização de 45% em relação do planificado.

Para “garantir a disponibilidade de bens a preços acessíveis e serviços de qualidade”, o Executivo “está a implementar medidas adequadas e a promover maior interação entre as instituições públicas e privadas”.

Para fazer face aos desafios do mercado, as empresas têm que apostar na qualidade, protecção dos seus produtos (propriedade intelectual), na embalagem, marketing e na certificação como factores que contribuirão para melhorar a competitividade e internacionalização dos nossos produtos e serviços, disse Mesquita.

O distrito de Ribáuè, na província de Nampula, espera produzir 90 mil toneladas de hortícolas na presente época agrícola. Naquele ponto do país encontramos um agricultor que há 35 anos produz hortícolas e é um caso de sucesso.

São oito hectares de tomate que começa a amadurecer na machamba de Virgílio Mahulana, numa das zonas bastante ricas e propícias para a produção de hortícolas no distrito de Ribáuè, província de Nampula.

Há 35 anos que Mahulana vive de agricultura. Se tudo der certo, só nos oito hectares plantados o rendimento poderá chegar a um milhão e oitocentos mil meticais. A sua história é de evolução e sucesso.

“Consegui fazer 70 toneladas de tomate, mas consegui cerca de um milhão e setecentos mil meticais, dai que consegui comprar o meu carro” de caixa aberta. “Continuei a trabalhar e no segundo ano consegui comprar uma minibus”, anotou o agricultor ao falar do historial do seu início de carreira como agricultor.

Num outro campo, localizado noutro ponto do distrito de Ribáuè, o foco do nosso personagem é a produção de repolho. Neste momento tem uma variedade melhorada de um ciclo de crescimento de 4 meses, que se destaca pelo tamanho.

O sistema de irrigação é por gravidade, pois a água desce das montanhas e apenas é direccionada aos canteiros. “Quando o Presidente da República veio para o lançamento do Sustenta ele disse que tinha que levar o meu filho para o instituto para ser o meu técnico na machamba e levei o meu filho para o Instituto Agrário do distrito de Ribáuè, assim ele conseguiu lavrar a minha machamba com o tractor que fui atribuído pelo Sustenta numa área de sete hectares”.

O caso de Virgílio Mahulana é apenas um dos exemplos das potencialidades agrícolas que Ribáuè apresenta. “Estamos a alimentar o mercado grossista de Nampula que é o famoso Waresta. Nós temos a previsão de produzir 90 mil toneladas na campanha em curso, só de horticultura. O nosso grande desafio é continuar a produzir variedades em que numa área relativamente pequena possam ter um rendimento mais alto”, disse Emánuel Impissa, administrador do distrito de Ribáuè.

A assistência técnica por parte de extensionistas da Agricultura, assim como o investimento em tractores e alfaias agrícolas vai impulsionar ainda mais a produção agrícola no país.

A segunda edição da plataforma MOZGROW arranca esta segunda-feira, sob o lema “Produzir, Valorizar, Nutrir e Preservar”. O evento terá duração de cinco dias e vai contar com oradores nacionais e estrangeiros, a maior parte dos quais são produtores oriundos de todas províncias do país.

Vários oradores nacionais e internacionais vão partilhar as suas experiências sobre o grande tema do evento (“Produzir, Valorizar, Nutrir e Preservar”), com especial destaque para antigos governantes brasileiros e que tiveram um papel importante para transformar Brasil num dos maiores produtores mundiais de alimentos, bem como de outros países africanos com experiência úteis para os desafios que o país enfrenta.

“Vamos ter uma semana cheia de uma programação que vai girar à volta do agro-negócio”, explicou Francisco Mandlate, jornalista do Grupo SOICO e editor de conteúdos da MOZGROW.

A segunda edição da MOZGROW decorrerá em moldes diferentes da primeira, devido às restrições impostas pela pandemia o novo Coronavírus, facto que não permite juntar um público vasto, à semelhança do que aconteceu na edição anterior, pelo que a aposta será o uso de plataformas digitais.

Com os temas arrolados pretende-se encontrar soluções que possam ajudar a impulsionar o agro-negócio, bem como potencializar e integrar as mais de 3,5 milhões de famílias que produzem para a sua subsistência em todo o país nas cadeias de valor de produtos agrícolas estratégicos, segundo explicou Francisco Mandlate.

O editor de conteúdos da MOZGROW explicou ainda que outro eixo dos debates tem em vista encontrar soluções para valorizar a produção nacional, como potencializar marcas nacionais de produtos agrícolas, como embalar e rotular os produtos de modo a serem bem aceites e valorizados nas cadeias de comercialização assim como nos mercados internacionais.

“Por outro lado, queremos, também, analisar como tirar vantagem nutritiva desta produção para combater a desnutrição crónica que afecta mais de 44% das crianças moçambicanas. Como é que as famílias podem consumir aquilo que elas produzem para resolver o problema de desnutrição que este país tem”, disse Francisco Mandlate.

Porque a agricultura e a sustentabilidade andam lado a lado, serão igualmente analisadas nesta edição da MOZGROW. Serão discutidas as possíveis formas de produzir em quantidade e qualidade que garantam a auto-suficiência alimentar sem prejudicar o meio-ambiente, o que também é uma exigência dos mercados internacionais.

As sessões da MOZGROW podem ser acompanhadas através da STV Notícias, STV Play, O País e redes sociais (Facebook e Instagram).

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura considera que é determinante dar atenção especial aos pequenos agricultores para combater rapidamente a insegurança alimentar.

As estatísticas demostram que mais de 80 por cento da população moçambicana vive da agricultura e deste número maior parte pratica a agricultura familiar. Impulsionar a agricultura familiar no país é, na visão do representante da FAO em Moçambique, Hernani Coelho da Silva, um dos caminhos para reduzir os índices de insegurança alimentar. Para isso dar “uma especial atenção aos pequenos agricultores vai ser determinante para podermos atingir esse objectivo comum que nós temos”, introduz Da Silva, para quem é preciso mais: “um apoio às pequenas empresas no sentido de poderem contribuir para dinamizar essa capacidade produtiva do país deverá ser importante”.

Mas também, acrescenta o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, é necessário “apoio para as médias e grandes empresas no sentido de poderem introduzir os investimentos que são necessários para a transformação do sistema no seu todo. Isso também vai ser determinante para alcançar as nossas metas”.

E esse é um objectivo que a organização internacional pretende defender na segunda edição da Mozgrow, que é realizada na Semana Mundial da Alimentação, cuja efeméride é assinalada a 16 de Outubro. “Para atingir esses objectivos precisamos de todos. Precisamos do Governo, dos parceiros de desenvolvimento, das instituições de investigação, do sector privado e dos meios de comunicação social”, afirma Hernani da Silva, acrescentando que “esse programa que vocês estão a criar (MOZGROW), vai definitivamente contribuir para alertar, informar e dinamizar a participação de todos rumo a esse objectivo comum. Acho que vocês já estão a fazer o vosso papel e nós agradecemos bastante esse trabalho conjunto”, terminou.

O representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura vai abordar o tema “Agricultura familiar e os desafios da insegurança alimentar em Moçambique”. A FAO é uma das agências das Nações Unidas, a que lidera esforços para a erradicação da fome e combate à pobreza. Composta por 194 Estados-membros e presente em mais de 130 países, a organização funciona como um fórum neutro, onde todas as nações que a compõe possuem peso igualitário no que tange às estratégias e decisões.

 

A Casa do Agricultor vai mostrar, na plataforma MOZGROW, as técnicas para fazer uma horta caseira. Parceira do evento, a loja de venda de insumos e material agrícola vê, no evento, um espaço no qual poderá debater com os vários intervenientes ideais sobre como melhorar o desempenho do sector da agricultura no país.

No mercado há sensivelmente quatro anos, a Casa do Agricultor abastece o mercado nacional em insumos agrícolas e vários materiais para trabalhar a terra de qualidade e a preços mais competitivos.

Com 10 lojas espalhadas pelo país, 200 revendedores que fazem parte da rede de distribuição, a Casa do Agricultor não só vende insumos, mas promove, igualmente, o empreendedorismo local e formação dos produtores.

“Nós temos a escola do agricultor, que é um projecto de formação e capacitação de agricultores em matéria do agronegócio. No ano passado, realizamos algumas formações em salas e outros programas pela televisão”, disse Maria Teresa Boane, directora de marketing e venda da Casa do Agricultor, acrescentando que para 2020 estão a usar rádios comunitárias porque maior parte dos produtores, segundo a loja, tem mais acesso a estes meios e não à televisão.

Contudo, “paralelamente a isso, temos consultores dispersos em todas as lojas que dão, continuamente, assessoria e consultorias quer nas nossas lojas quer nos campos”.

No ano passado, a Casa do Agricultor participou da primeira edição da MOZGROW e dela saiu com uma certeza: os moçambicanos é que fazem e podem melhorar a actividade agrícola, um dos pilares da economia do  país.

“Este ano também iremos participar. Com as restrições devido à COVID-19, faremos a feira digital e o nosso consultor estará no campo, fazendo uma demonstração de uma horta caseira, ensinando a população como se faz isso (a horta caseira)”, revelou a directora de marketing e vendas da Casa do Agricultor.

Além da demonstração das técnicas de como fazer uma horta caseira, a Casa do Agricultor vê na segunda edição da MOZGROW uma oportunidade de debater, com os vários intervenientes, ideias que visem melhorar a produção e produtividade agrícola.

“A nossa expectativa é que continuemos a discutir, a partilhar ideias e experiências, mas também que comecemos a implementar porque a mudança tem parte da implementação das ideias e iniciativas que irão ser discutidas no evento. Nós, os agentes económicos do sector primário de Moçambique, temos que mostrar que somos capazes de alimentar o povo moçambicano hoje e no futuro”, apontou Maria Teresa Boane da Casa do Agricultor.

A segunda edição da MOZGROW decorre entre os dias 12 e 16 de Outubro sob o lema “Produzir, Valorizar, Nutrir e Preservar”.

 

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