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A terceira edição MOZEFO Young Leaders continua esta terça-feira o primeiro painel do dia debateu “Um futuro de oportunidade, igualdade e equidade”. Na sua intervenção, Lúcia Mafuiane, presidente da 3ª Comissão na Assembleia da República, focou a sua abordagem na violência e uniões prematuras como factores que restringem o desenvolvimento principalmente da rapariga. Para a deputada, esses fenómenos revelam que as famílias estão fragilizadas.

“Quando adultos deixam que as crianças unam-se umas com as outras, quando as famílias permitem que uma criança una-se a um adulto é reflexo que algo não está bem. A família perdeu o papel de ser o primeiro centro de educação do individuo”, defendeu a deputada para depois acrescentar que “esta questão merece um esforço sinérgico de todos actores da sociedade para acabar com esses fenómenos na sociedade”.

Uma visão que foi secundada por Lobo Mujaide, secretário-geral da Associação dos Estudantes Finalistas Universitários de Moçambique (AEFUM), que avançou que uma maior comunicação pode desempenhar um papel importante para a estabilização do ambiente familiar.

Por seu turno, Nádia Vaz, do Fundo das Nações Unidas para a População, defendeu que a redução da natalidade e da mortalidade infantil são factores que podem contribuir para garantir equidade e maior inclusão dos jovens na sociedade moçambicana. A oradora acrescentou ainda que uma maior disseminação de leis pode salvar muitos jovens da desgraça.

“Se as famílias não estão conscientes sobre os direitos da criança, dificilmente vão saber que existe uma lei de pune determinado comportamento. Temos que trabalhar nas zonas rurais, saber como comunicar, como transmitir essas informações às pessoas menos escolarizadas. A falta de informação correcta pode ser prejudicial na luta pela transformação e pela mudança”, terminou.

Já Lesira Gerdes, Oficial de programas da ONU Mulher, disse que políticas públicas fortes podem contribuir para incentivar os jovens a “escapar” dos males da sociedade e investir na educação e no empreendedorismo. Lesira avançou ainda que um maior incentivo às organizações juvenis, principalmente as que juntam raparigas, pode contribuir para elas se espevitem e lutem para o alcance dos seus objectivos”.

Oneiza Issufo, empreendedora residente em Nampula, que fez a sua intervenção via Zoom, defendeu que se deve trabalhar nas consciências das pessoas para acabar com os males que enfermam a sociedades. A engenheira de Construção Civil disse ainda que a educação na sua família contribuiu para que ela se tornasse empreendedora.

“Tive um ambiente favorável, onde não havia discriminação entre as meninas o os rapazes. Os nossos pais nunca fizerem questão que criar essa diferenciação. Vim de uma família pobre, mas desde cedo, aprendi que deveria lutar pelos meus sonhos. Lembro-me que o meu pai sempre nos levou a trabalhar com ele, e isso era para nos mostrar que na vida nada vem do nada. Cresci com essa consciência e por isso não foi difícil começar a empreender.

O Director-Geral da African Guarantee and Economic Cooperation Fund, Ngueto yambaye defende investimento na formação dos jovens de modo a fortalecer a sua contribuição na mudança, transformação e desenvolvimento da economia africana.

Antigo Ministro da Economia do Chade ex-director executivo do FMI para África
Director-Geral da African Guarantee and Economic Cooperation Fund – FACAGE (Cotonou, Benim)

Que políticas públicas devem adoptadas com vista a alavancar o crescimento económico inclusivo no continente Africano?
Sobre a primeira questão que é extremamente importante, penso que a promoção do crescimento inclusivo em África é necessário para se desenvolver padrões elevados e abrangentes em termos de políticas públicas, que possam integrar a todos, com foco particular aos jovens e mulheres que são a maioria da população africana, estou a falar a cerca do capital humano. É necessário que se investa mais no capital humano para se aumentar as habilidades dos jovens para que contribuam na transformação da economia africana, portanto investir no capital humano é importante para a promoção do crescimento económico mais inclusivo em África em termos do comércio e produção, isto também significa desenvolver políticas fiscais, promovendo jovens porque o nosso continente, África é composto por mais de 70% de jovens, conforme os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas estão a promover, baseado nos objectivos estabelecidos em 2013, todos governos africanos precisam de ser mais inclusivos apoiando jovens e mulheres.

M: Professor Yambaye, Que tipo de políticas públicas podemos adoptar para garantir o crescimento económico inclusivo em África?
Dr: É exactamente necessário formar pessoas para que se tornem mais competentes, porque o mercado precisa de pessoas com altos níveis de habilidades e os jovens africanos precisam de concorrer com os outros jovens do mundo, por exemplo Ruanda e Moçambique têm um bom desempenho, visitei o vosso país alguns anos atrás e gostei de ver o cometimento do governo do vosso país assim como do Ruanda que tem um bom desempenho.

M: Como é que os países africanos podem investir no capital humano por exemplo, sabendo que não existem recursos suficientes para que as políticas públicas sejam eficazes?
Dr: Acho que não há necessidade de se olhar apenas para recursos financeiros, África tem todos recursos, no meu ponto de vista, a população é o recurso principal que possa contribuir para o alcance de todos recursos, conforme o nosso continente é composto por países ricos, precisamos de abordar questões como boa governação, isto é que é fundamental, precisamos de ter pessoas com habilidades ao alto nível em cada governo, o que podemos fazer tendo recursos humanos sem habilidades? Precisamos de focalizar a nossa governação e políticas em jovens e mulheres.

M: Como é que podemos criar o crescimento económico e o desenvolvimento nesses termos?
Dr: É uma questão bastante interessante porque o crescimento económico é o primeiro passo, mas precisamos de partilhar esse crescimento com toda a população e o segundo passo, baseado nas políticas de boa governação, como podemos partilhar esse crescimento económico com pessoas vulneráveis, jovens ou com as pessoas mais pobres, portanto o primeiro passo é que todos governos promovem o crescimento e o segundo passo é necessário que se partilhe esse crescimento com todo população em termos de políticas, políticas fiscais, em teremos de apoiar as pessoas a terem acesso ao crédito financeiro, apoia-las a criarem empresas, as Start Ups, etc.

M: De acordo com a sua última resposta, gostaria de saber do senhor, o que poderá ser feito para prevenir a crua realidade de jovens africanos que em vez de olharem para a sua zona geográfica preferem emigrar para outros continentes a procura de melhores condições de vida?
Dr: Há várias questões em África no que concerne a prevenção dessa realidade dos jovens africanos. O problema da imigração dos jovens africanos em busca de um certo tipo do  Eldorado fora do continente é a questão crucial que os governos precisam de abordar, para que se erradique esse problema é necessário que se invista mais no capital humano destruindo essa mentalidade negativa de que Eldorado está fora do continente, por exemplo temos que envolver esses jovens na construção, nos principais projectos, para ajudá-los a permanecerem nos seus países. Os jovens também devem entender que existe uma maneira formal de imigrar ou que eles devem ficar nos seus países, finalmente os jovens devem entender que África é uma grande potência, é preciso que sejam confiantes, primeiro nos nossos países e no nosso continente. A principal questão é que nós temos vários conflictos nesse continente e é necessário prevenir a existência de mais conflictos no continente, ajudando as pessoas a ficarem nos seus países.

M: Uma das questões que de uma forma repetitiva é colocada nas redes sociais é que se por exemplo investirmos no capital humano, onde temos jovens com formação superior em África mas que são desempregados ou trabalham num sector no qual não foram formados, como é que podemos corrigir essa situação encarrada por vários países em desenvolvimento em África.
Dr: Na realidade tudo depende da qualidade da governação e na qualidade das políticas estabelecidas por cada país, precisamos de desenhar políticas apropriadas e ter uma boa governação, isso é que é o essencial, portanto, por vias de boa governação todos governos têm que ajudar as pessoas a terem acesso ao crédito, por

M:Sim mas parece que costumamos a importar políticas públicas estrangeiras e as mesmas não são eficazes nos nossos países, qual seria a razão de trás disso?
Dr: Falei no início dessa conversa que precisamos de estabelecer políticas adequadas e temos que ser confiantes na nossa capacidade de sermos inclusivos em termos de políticas nacionais. Depois de desaseis anos da independência, porque o meu país de origem obteve a sua independência há desaseis anos, hoje todos africanos, ou a maioria dos africanos que estudaram fora do continente africano agora já regressou para os seus respectivos países, precisamos de ser confiantes para estabelecermos políticas originais para promovermos o desenvolvimento no nosso continente, assim sendo, não devemos continuar a importar alguns métodos de políticas para implementarmos as nossas reformas de políticas em África, tudo depende da capacidade de cada governo em estabelecer políticas apropriadas para o acesso ao crédito financeiro e na promoção do empreendedorismo por exemplo.

M: Nesta semana celebramos o dia internacional da Juventude, como efectivamente financiar programas com vista a abordarem os grandes desafios encarrados pelos jovens nos países ou nas economias em desenvolvimento, programas tais como educação e formação, habitação, emprego decente e empreendedorismo?
Dr: Exactamente, recordo-me de um provérbio chinês que diz ensina-lhe a pescar envés de dar-lhe peixe, precisamos de educar os jovens para que efectivamente financiam programas direccionados a responderem aos grandes desafios dos jovens nos países em desenvolvimento, há uma necessidade de se financiar e de se criar um certo tipo de incubadora para acelerar os programas para alavancarem o empreendedorismo em África porque sabes, os países africanos não têm comércio entre eles, eles realizam comércio fora de África, a União Africana lançou um programa que tem como objectivo o desenvolvimento de negócio entre os países africanos, portanto há necessidades de se utilizar instrumentos inovadores tais como PPP, mercado financeiro, um certo tipo de finanças especiais, micro finanças, para financiar programas com a finalidade de abordar novos desafios encarrados pelas pessoas em África. Acho que é imperioso que haja envolvimento dos próprios jovens desde o início até ao fim para que efectivamente os programas financeiros possam fazer parar a imigração das zonas rurais para as urbanas e investir-se mais na zonas rurais para se manter as pessoas, em particular os jovens nas suas aldeias, por

M: A próxima questão é, como é que podemos implementar esse tipo de ideias, por exemplo os jovens que estão envolvidos em empreendedorismo em África ou em países em desenvolvimento em África têm reclamado pela falta de mercado, o que significa que eles podem ter algumas ideias económicas a serem produzidas mas falta-lhes o mercado para colocarem os produtos, como é que podemos criar os bons mercados para encaixarmos essas ideias no empreendedorismo?
Dr: É uma boa questão mas gostaria de permitir os jovens saberem que os jovens de Moçambique por exemplo, podem ter acesso ao mercado no Chade, Senegal, África do Sul, em Ruanda, etc. África é um grande continente, sei que existe alguma barreira de comunicação devido a língua, em Moçambique vocês falam português, em Chade falam francês, em Ruanda falam inglês, assim sucessivamente, mas temos que trabalharmos juntos, juntar os nossos jovens, porque por exemplo em Moçambique as pessoas têm mais habilidades em certas áreas, necessárias em Chade, onde nesse país as pessoas precisam de jovens empreendedores moçambicanos para que possam ir trabalhar lá. Temos que juntar os nossos jovens para trabalharem em conjunto e criam um certo tipo de empresas multinacionais africanas, por exemplo no meu país, Chade o algodão é muito importante, as pessoas em Chade produzem algodão, se o mercado moçambicano ou de outros países africanos precisarem de algodão podemos fazer esse comércio, porquê é que a Câmara do Comércio de Moçambique não interage com as outras Câmaras de Comércio africanas? Essa é nova ideia, é preciso que sejamos inovadores para criarmos esse relacionamento entre empresas e entre empreendedores.

M:Qual é o problema que dificulta esta ligação, por exemplo entre a Câmara do Comercio de Moçambique e as outras câmaras de países africanos?
Dr: Temos que abrir as nossas fronteiras, acho que vários países africanos já abriram as fronteiras para os outros, cada governo tem que tomar as iniciativas para lidar com outros países, abrir o mercado, a União Africana está a ter um bom desempenho nessa matéria, não sei se está ciente da nova política da UA sobre a abertura das fronteiras para que o mercado africano se torna maior para todos.

M: A experiência que temos em Moçambique da região da SADC faz nos entender que a estratégia da integração económica regional tenha falhado, como abrir as fronteiras com as falhas da estratégia da integração económica verificadas neste momento?
Dr: SADC é apenas umas das cinco ou seis regiões em África, a experiência que tenho da África Austral e Ocidental é bastante interessante, todas as fronteiras na África Ocidental estão abertas, todos os mercados da ECOAS e de outras sub-regiões em África estão abertos, precisamos que as pessoas da SADC venham para a África Oriental ou Austral negociarem com as pessoas, empresas e mercados, posso assegurar-te que na África Ocidental e Austral as fronteiras estão abertas, o mercado está muito aberto, nós damos boas-vindas a todos que vêm da SADC ou de Moçambique para negociarem connosco.

M: O investimento e a criação de oportunidades para jovens é uma prioridade inquestionável no nosso continente. Quais são as experiências que envolvem a promoção de oportunidades ou a mitigação da desigualdade que possam ser replicadas com sucessos nas diversas regiões do nosso continente?
Dr: Em todos países precisamos de estabelecer boas políticas e uma boa governação, isto é fundamental e muitos países em África estão num bom caminho, a desigualdade é como se fosse o COVID 19, é comparável a uma doença, precisamos de combater essa doença em termos de políticas económicas e públicas, estou feliz com o que acontece com vários países em África em termos de abordagem das questões de desigualdade e pobreza, estou a falar de alguns países como Ruanda que está ter um bom desempenho, visitei o vosso país, Moçambique em 2016 e gostei, o que aprendi é que em Moçambique o tempo é dinheiro, quando fui oficialmente recebido da delegação do FMI, gostei da gestão do tempo, Não apenas devemos focalizar na resolução da desigualdade ou pobreza, também precisamos de ser inclusivos, deste modo, a primeira coisa necessária é que os jovens, melhor dizendo, toda gente deve ser bem instruído para concorrer no mercado, se todos forem bem instruídos podemos facilmente resolver a questão da desigualdade e da pobreza.

M: No seu ponto de vista, como fazer o empreendedorismo em Moçambique, sabemos que o mundo está a ser assolado com a pandemia de COVID 19 e para os jovens parece que as suas portas estão completamente encerradas e não têm ideias suficientes para aumentarem a sua criatividade para estabelecerem outros negócios com vista a encarrarem os desafios económicos no nosso país.
Dr: Sabes, o que é interessante e o que devo dizer aos jovens em Moçambique é que devem ser confiantes, primeiro ficarem na sua terra e depois viajarem para outros países africanos para negociarem com as pessoas lá, precisamos de conectar as nossas escolas, as nossas universidades, os nossos mercados e as nossas câmaras de comércio, para unir em certa forma de relacionamento ou negócio. As pessoas em Moçambique falam português e nos outros países falamos inglês ou francês ou espanhol, mas isto não deve constituir uma barreira, temos que lidar com as nossas fronteiras africanas, temos que nos juntarmos e vermos o que podemos fazer em conjunto, não saia fora do país, residi nos Estados Unidos por mais de quinze anos e decidi regressar para casa em África e agora resido em Benim, onde a cidade capital é Cotonou e trabalho cá. Digo aos jovens em África que este novo Século, o Século XXI é vosso, há uma nova geração de líderes africanos que trabalham em torno de como integrar mais jovens nas nossas políticas em termos de oportunidades, fortalecendo as suas capacidades para que sejam melhor, para saírem da pobreza, da desigualdade, eles poderão ir para qualquer lugar em África, o continente tem cinquenta e quatro países e digo aos meus companheiros jovens africanos ou moçambicanos para visitarem outros países e juntos podemos trabalhar para promover o desenvolvimento.

M: Que saída os jovens em África podem ter para alcançar um resultado rápido num curto, médio e longo prazo?
Dr: A minha mensagem é de termos esperança, devemos ser confiantes ao futuro, digo aos meus amigos que gostaria de viajar novamente para Moçambique e para África Oriental e a minha mensagem chave é de pedir aos jovens para serem confiantes, trabalharem arduamente, não procurar a maneira mais fácil para desenvolver o seu negócio, tem que trabalhar arduamente, devem aprender todos dias, mesmo se tiver que criar um novo negócio, portanto tem que aprender todos dias, ser confiante, tem que ser um certo tipo de jovem gestor e tem que partilhar a sua experiência com os outros.

M: Professor Yambaye, o que quer dizer quando fala de trabalhar arduamente, de acordo com a realidade do nosso país?
Dr: Trabalho ardo para mim significa que tem que realizar o seu sonho, é correcto que os jovens tenham sonhos e devem realizar os seus sonhos, o jovem precisa de fazer esforço, precisa de continuar, tem que criar um certo tipo de network, não desista, não desista meu irmão, não desista meu filho, portanto, tem que ser confiante e continuar, assim sucessivamente.

M: Acha que é possível alcançar a prosperidade sonhando no futuro e baseado no trabalho ardo?
Dr: Absolutamente, sendo um jovem, a pobreza é uma situação transicional das pessoas, ninguém nasce para ser pobre ou rico, disse que trata-se de uma situação transicional e se for bem instruído ou não, com o tempo poderá continuar com os estudos e existem alguns desafios na vida, ao desafiar algumas posições, terá que ter sucesso se tiver coragem de avançar, trata-se do meu caso, o que sou ou faço hoje é porque tive a oportunidade de ter uma boa educação, os meus pais mandaram-me à escola e acompanharam-me, encaminharam-me ao sucesso, depois da minha graduação tive o emprego no mercado de trabalho mas tem que realizar os seus sonhos, tem que ser inovador.

M: Então não existem passos em que os jovens africanos devem seguir?
Dr: Não, porque há várias histórias de sucesso em África, há várias pessoas de negócios que tiveram sucessos, tal como o nigeriano Dangute por exemplo, não sei se o conhece, nunca estive com ele, mas este é um caso em que os jovens africanos têm que olhar para a sua história de sucesso de negócio por exemplo, há histórias de vários outros africanos que tiveram sucesso em outras partes do mundo, então, não fica no teu país, saia para outros países africanos, há várias oportunidades e tens que partilhar as tuas experiências, do teu próprio país e de outros países africanos.

M: Obrigado Doutor Yambaye
Dr: Porque é necessário com que os meus companheiros jovens africanos sintam orgulho deles próprios e de serem africanos. Muito Obrigado

M: Muito obrigado Doutor Yambaye por se ter juntado a nós no MOZEFO Young Leaders, agradecemos pela sua participação e espero voltar a vê-lo nas próximas oportunidades.
Dr: Muito obrigado pelo apoio, estão a trabalhar em questões interessantes para os países africanos e espero voltar a conversar consigo na próxima oportunidade, talvez em Maputo.

Os Estados Unidos da América (EUA) doaram hoje 50 ventiladores ao Ministério da Saúde (MISAU), com vista a responder a eventuais casos graves de COVID-19.

O ministro da Saúde, Armindo Tiago, afirmou que os equipamentos vão aumentar a capacidade de resposta à pandemia, sobretudo, para os doentes com um quadro clínico crítico.

Mas, por outro lado, segundo Tiago, os mesmos equipamentos poderão melhorar a assistência sanitária e cuidados de saúde para outras doenças, como é o caso de politraumatismo e acidentes de viação.

No evento, o embaixador dos EUA, Deniss Walter, disse esperar que o material ajude a garantir a resposta contínua do Governo na estratégia de combate ao Coronavírus.

O embaixador disse que ventiladores são fundamentalmente para Moçambique responder positivamente no combate à COVID-19 e “salvar muitas vidas nas unidades sanitárias do país”.

“Os ventiladores darão maior flexibilidade no tratamento de pacientes severamente afectados pela COVID-19, pelo facto de serem compactos, implantáveis e suportam aplicativos invasivos e não invasivos, com uma bateria de até 10 horas de carga, podendo ser usados para cuidar crianças e adultos”, assegurou Deniss Walter.

O Actor e activista ambiental brasileiro, Mateus Solane, defendeu hoje a introdução de matérias ambientais nos currículos escolares, como forma de elevar a consciência da protecção ao meio, por parte dos cidadãos.

Falando num dos painéis da plataforma Mozefo Young Leader, Solano considera fundamental que os jovens tenham uma consciência ambiental, mas diz haver a necessidade de se fazer muito mais, para que a causa da protecção do meio ambiente seja uma das prioridades.

“A consciência (ambiental), apenas, não tem dado tantos resultados quanto seriam necessários…por isso acho que é fundamental que a educação ambiental esteja em todas as matérias” disse o actor.

Intervindo, directo do Brasil, através das plataformas digitais, num painel que tinha como tema “Juventude Amiga da Natureza”, Solano trocou ideias e perspectivas com dois jovens moçambicanos activistas ambientais, sobre o amor pela natureza.

Uma Política clara da Juventude e vontade de quem governa são apontados como sendo cruciais para garantir uma maior participação da juventude nos processos de tomada de decisão. Esses pensamentos foram deixados, hoje, no painel que juntou maioritariamente jovens ligados aos partidos políticos.     

 

Cidadania e participação política dos jovens foi o tema do Mozefo Young Leaders que juntou representantes das Ligas da Juventude dos três partidos políticos com representação na Assembleia da República, nomeadamente a Frelimo, Renamo e MDM, mas foi na voz de Lorena Mazive, do Instituto para Democracia Multipartidária que veio a crítica. Na visão da jovem activista, em Moçambique, assiste-se uma fraca integração dos jovens nos lugares de liderança porque a elite política é constituída por adultos que não se revêm nos problemas da juventude. É por isso, importante que haja vontade política para que este cenário seja mudado.

Chamado a intervir, Isamel Nhacucué, da Liga da Juventude do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) defendeu que o que está a falhar é a falta de uma política clara que garanta a participação activa dos jovens no seu todo, sem nenhum tipo de discriminação. Para Nhacucué é importante que haja um documento que possa guiar os decisores em relação às questões da juventude “porque o que temos notado é que a Política da Juventude é alterada a cada ciclo de governação”.

Por seu turno, Ivan Mazanga da Liga da Juventude da Renamo descreveu que o seu partido sempre preocupou-se com a causa da juventude tendo-se socorrido a exemplos internos. “Na legislatura passada, tivemos uma Chefe de bancada jovem a liderar mais de 80 deputados. Eu também sou exemplo disso ”

Já Hendro Nhavene da Frelimo falou da importância do sistema de cotas como um exemplo para a participação política dos jovens no seu partido.

Os intervenientes reiteraram ainda a necessidade dos jovens filiados aos partidos políticos serem a voz dos jovens sem voz.

Do Mozefo Young Leaders, Carlos Mussanhane, administrador de Mabote, Inhambane, aproveitou para dar o “puxão de orelha” aos jovens. Para este dirigente, não basta ser jovem para exigir direitos

 

Carlos Mussanhane foi um dos painelistas convidados ao tema: “Jovens excluídos por assimetrias geográficas”, que teve no jornalista Boaventura Mucipo o moderador.

“Não basta o benefício etário para exigir direitos. O jovem tem de combinar o benefício etário à capacidade e competência”.

Mussanhane defende que é preciso consciecializar as pessoas que não são beneficiárias de apoios, mas são todas participantes activos no processo de criação da renda.

“O maior investimento que temos neste momento e a construção de um pensamento comum. Nós queremos coisas que produzam renda. Estamos neste momento a dar cesta básica a certas pessoas, o que não nos agrada”, avança, acrescentando que “precisamos produzir internamente para reduzir as importações e desenvolver Mabote”.

Por sua vez, a administradora de Namaacha, Suzete Dança, defende que não há desenvolvimento possível sem o saber fazer.

“Para que haja inserção, há pressupostos que têm de ser levados em conta, como formação técnico-profissional, o que temos estado a privilegiar para que o jovem adquira, onde esteja, o saber fazer”.

Diz mais, que a descentralização do poder é uma das formas de redução de assimetrias.

“Ao estruturar-se o Governo a nível central com serviços direccionados, como Secretaria do Estado da Juventude de Emprego, já se tem um objectivo por alcançar. A estrutura criada vai descer até ao distrito, possibilitando a redução de assimetrias”.

Termina assegurando que a população moçambicana é maioritariamente jovem, por isso não tem como fazer planos sem olhar para esta faixa etária.

Durante 50 minutos, oradores convidados à terceira edição do MOZEFO Young Leaders debateram sobre o tema “Voluntariado e activismo juvenil”. A contar para o segundo painel deste primeiro dia da iniciativa da Fundação SOICO, a sessão contou com a presença em estúdio de Osvaldo Mauaie, do Conselho Nacional do Voluntariado, e Benilde Mourana, activista social. Além dos dois intervenientes, igualmente, fez parte da discussão Carla Frey, activista social com experiência adquirida em Moçambique e na América Latina.

 

Durante as suas intervenções, em geral, os três oradores do segundo painel desta edição do MOZEFO Young Leaders mostraram-se de acordo em relação a várias questões. Por exemplo, no que se refere à necessidade de valorização do voluntário. O primeiro a intervir no painel foi Osvaldo Mauaie, quem entende que, para se exercer tal função, é fundamental haver no interessado uma combinação de paixão e amor pelo próximo. Só assim, para Mauaie, é possível o voluntario ter impacto na sociedade.

De acordo com o representante do Conselho Nacional do Voluntariado, no país existe um desafio de se compreender a importância da função de voluntário. “Muitos pensam que ser voluntário é ser desempregado, para preencher espaços. Nós podemos ser voluntários a título individual, no nosso bairro, com acções simples, mas também a nível das organizações”.

Moçambique possui cerca de 150 organizações registadas no Conselho Nacional do Voluntariado. O problema não está no interesse ou envolvimento dos jovens. Para Mauaie, o que deve acontecer é a materialização urgente do que a Lei do voluntariado prevê. Por exemplo, que toda entidade deve garantir que voluntários não usem valores do próprio bolso para exercer a actividade. “Muitas vezes, apela-se aos voluntários a participarem com os seus recursos. Temos de ver como desenvolver apoio para os voluntários. Como país, podemos fazer muito mais nesta área, de modo que se invistam nas boas acções que muitos jovens possuem sem recursos de implementar”.

Se se conseguir fazer o que a lei do voluntário prevê, adianta Mauaie, o país vai conseguir atrair mais voluntários. “Temos várias pessoas que querem se envolver e contribuir, mas a falta do básico, por exemplo, para transporte, é um entrave. Por isso, estamos a discutir com a Secretaria da Juventude e Emprego para transformar a tarefa do voluntariado em experiência profissional, pois temos muita gente competente nesta área que não é levada a sério. Aliado a isso, há um conjunto de questões de logísticas que algumas entidades ainda não percebem no que toca à comunicação, transporte, alimentação e mobilização dos jovens activistas. É preciso investir mais nos voluntariados”.

Ora, segundo defendeu Benilde Mourana, o país ainda não percebe o que é activismo social. “Para mim, o activismo é o meu trabalho. Vai além de um emprego que exerço, esperando por remuneração”. Para a activista, “Voluntariado” é um tema esquecido no país, e essa tarefa implica olhar para o próximo com empatia, altruísmo e solidariedade.

Na sua intervenção, Benilde Mourana criticou as acções egocêntricas partilhadas nas redes sociais por aqueles que se consideram voluntários ou activistas sociais. A seguir, explicou: “nós trabalhamos pelas mudanças construtivas para o país. Enquanto activista, posso ser voluntária. O activista precisa de voluntários, até porque nós não temos capacidade financeira, daí que vamos atrás de quem pode fazer um trabalho gratuitamente”.

Benilde Mourana disse que o país consegue mais voluntários estrangeiros do que moçambicanos. Geralmente, são estudantes de final de curso que vêm com alguma recomendação. “Temos de ter mais atractivos para os voluntariados. Por exemplo, os que vêm de fora têm ajuda dos seus países. Tudo o que eles vêm fazer cá, é aproveitado lá fora e tem relevância. Se calhar, nós não sabemos como valorizar o voluntariado. Por exemplo, o dia do Idai, 14 de Março, podemos o transformar em dia do voluntariado, para ensinar as crianças e a sociedade o seu valor. Nesse dia, podíamos ir à rua, sem necessidade de importarmos datas desse tipo. Nunca teremos datas como Idai no que diz respeito ao amor ao próximo, com uma onda de solidariedade notável. Se não capitalizarmos isso, vamos continuar a receber pessoas voluntárias que vêm buscar experiência que contribuem para o desenvolvimento dos seus países”.

A activista reiterou a necessidade de as escolas terem um dia de voluntariado, para mostrar as crianças a importância da actividade. O mesmo nos bairros. Depois, rematou: “As acções do voluntariado devem contar para o CV, e devemos pensar no voluntariado além do factor religioso e político. Temos de olhar para acção e não para as cores do partido ou para fé”.

A terceira e última interveniente do painel foi Carla Frey, activista social com experiência em Moçambique e na América Latina. À imagem do que afirmou Benilde Mourana, Carla Frey realçou que no país se trabalha mais com voluntários estrangeirosque vêm com segurança e com condições de trabalho na causa social, como na área da saúde ou da agricultura. “Os que vêm estão protegidos pelo governo que lhes traz”, afirmou.

Embora reconheça que muitos vêm de boa-fé, a activista social chamou atenção para uma minoria que entra no país com outras intenções. Por isso, alertou para o perigo aí existente.

Convergindo com os seus colegas de painel, Carla Frey sublinhou que a partir do estímulo da sociedade, o voluntario, que investe tempo e capacidade intelectual, terá um impacto em Moçambique. “Penso que não se fala muito em voluntariado, em Moçambique, pois há ainda um receio por parte dos interessados. Voluntariado é um compromisso e, assim sendo, precisamos de dar mais atenção a este termo. Outra coisa, existe voluntários moçambicanos que actuam no estrangeiro, mas, quando regressam, não são considerados com experiência profissional nessa área”. Diante de tal constrangimento, os três oradores defenderam a necessidade de investir mais no voluntariado, com acções que lhes possa atrair. Assim, acreditam, as suas obras terão o já referido impacto na vida social nacional

Jovens moçambicanos são chamados a activar o “empreendedorismo político” e ter maior participação nas tomadas de decisões sobre a governação do país. Os oradores do segundo painel do Mozefo Young Leaders apontaram que os jovens não estão a exercer na plenitude os seus direitos.

 

Com tema: “Da conquista dos direitos ao exercício da cidadania”, o primeiro painel do Mozefo Young Leaders que arrancou esta segunda-feira, falou dos desafios da juventude moçambicana num contexto de integração socioeconómica a nível global.

O activista Osman Cossing defendeu que os jovens devem ser mais proactivos e activarem o “empreendedorismo político” e ter maior participação na vida política, para que não sejam excluídos dos processos de desenvolvimento do país.

A fraca participação nos órgãos de decisões dos destinos do país é bem patente na distribuição dos 250 assentos da Assembleia da República (AR) e várias Assembleias Provinciais.

“Nos últimos três mandatos, por exemplo, os jovens passaram de 46 para 40 e hoje temos apenas 17 jovens na nossa Assembleia da República. Quer dizer, num universo de 250 deputados apenas temos 17 jovens e esta mesma análise pode-se fazer para níveis mais locais como Assembleias Provinciais onde num universo de pelo menos 630 temos apenas 60 ou 62 jovens. Isso é um grande desafio”, apontou Osman Cossing.

Por sua vez, a procuradora Nélia Correia defendeu que Moçambique deve aproveitar o facto de ser um país jovem para aprimorar o exercício da cidadania e colocar os jovens na linha da frente no que toca ao desenvolvimento do país.

E mais, Correia deixou ficar algumas críticas às políticas públicas, em particular, as de emprego.

“Eu vejo que o jovem é sempre tratado na terceira pessoa, como se fosse alguém que socialmente já está enquadrado. Eu quero abrir um negócio, estamos sempre aí a ouvir falar de empreendedorismo jovem…no entanto, qualquer jovem que saia de qualquer bairro e vai bater a porta do banco primeiro obstáculo em que ele se depara é o facto de ser jovem, não oferece credibilidade, não têm garantias, se calhar a formação que ele tem não é muito boa e depois dizem que existe a IPEME…existe sim senhora, mas quantos jovens conhecem a IPEME? Nós não temos planos bonificados para os jovens, não temos plano bonificado para facilitar o acesso à habitação, não temos planos bonificados para permitir que esses jovens se tornem empresários e acesso ao autoemprego”, indicou Nélia Correia, acrescentando, que esta camada social deve ser vista como o presente e não o futuro do país.

Na mesma linha de pensamento, a jurista e oficial do Alto-comissariado das Nações para os direitos humanos em Moçambique Unidas, Ivete Mafundza, indicou que é preciso promover os direitos humanos, observando, contudo, os tratados ou convenções internacionais.

“É olhar para todos tratados internacionais que Moçambique é parte. Dos nove tratados mais ou menos sete Moçambique ratificou. Isso exige que o país defenda esses direitos e nós apoiamos ao Estado moçambicano para que possa proteger esses mesmos direitos”, explicou Ivete Mafundza.

Da política aos direitos humanos, a oficial de programas para cultura na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO), Ofélia da Silva, apontou a falta de conhecimento dos jovens como lacuna para o exercício da cidadania em Moçambique.

“Há um problema de diálogo, advocacia, conhecer os próprios programas, obrigações do Ministério da Cultura para os jovens”, referiu a oficial de programas para cultura na UNESCO.

Os oradores do segundo painel da terceira edição do Mozefo Young Leaders apontaram que os jovens não estão a exercer na plenitude os seus direitos.

O Secretario do Estado da Juventude e Emprego, Oswaldo Petersburgo, reiterou hoje que o Governo vai continuar a trabalhar no sentido de trazer soluções para solucionar os desafios da juventude moçambicana.

Petersburgo, que falava na sessão de abertura da Terceira edição do Mozefo Young Leaders, destacou o papel que os jovens moçambicanos tem estado a desemopenhar na prossecução dos seus objectivos e do país, através dos vários fóruns e mecanismos associativos e profissionais e assegurou que o Governo vai continuar a fazer a sua parte para criar um ambiente favorável e oportunidades para a juventude.

O Secretário de Estado destacou a aprovação de políticas públicas dirre direccionadas para a juventude que foram aprovadas pelo parlamento, como alguns exemplos.

Sobre o Mozefo Young Leaders, Petersburgo considerou ser evento que vai criar espaço para os jovens se evidenciarem ao mundo, expressando as suas ideias sobre oportunidades de emprego.

“O Mozefo Young leaders e um espaço em que podemos colher e trocar experiêncais e acontcece num momento histórico para o país com a celebração dos 45 anos da independência nacional. Igualmente acontece num momento em que estamos deparar-nos com a pandemia da Covid-19, sendo que o sector privado está a adaptar-se ao novo normal” disse Petersburgo, deixando a seguir um alerta aos jovens.

“Queremos chamara atenção para a attitude dos jovens na prevençãoo da doença. Esta doença é letal, por isso devem leva-la a sério” alertou.

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