O País – A verdade como notícia

O Secretário de Estado da Juventude e Emprego (SEJE), Oswaldo Petersburgo, defende maior activismo dos jovens nas acções de desenvolvimento nacional.

Falando nesta noite, numa entrevista que se enquadra na terceira edição da Plataforma Mozefo Young Leaders, Petersburgo, disse que só com maior activismo é que os jovens podem fazer a diferença.

“O Jovem deve ser um actor do desenvolvimento. Não deve ser rodapé da sua própria história, mas deve sim, ser o actor principal” disse Petersburgo.

O SEJE deixou críticas àqueles que, estando acima dos 35 anos, idade que segundo a Carta Africana, é o limite da juventude, tem agido em nome dos jovens, deixando a estes, o conselho de darem o espaço para que sejam os jovens a falar por si.

Durante a entrevista, Petersburgofalou dos projectos que o Governo tem estando a empreender, ou em perspectiva, para responder aos desafios da juventude.

Na questão do emprego, um dos dilemas da juventude, Petersburgo apontou o projecto de Kits de auto-emprego, como um dos pacotes em vista para gerar oportunidades, sobretudo para quem procura o primeiro emprego.

“Vamos expandir o projecto de kit de auto-emprego para o ensino superor. Até agora os benefícios restringiam-se a quem frequentava os nossos cursos de formação profissional, mas vamos expandir para aquels que concluírem o ensino superior, como forma, em parte, de promover o auto-emprego” explicou.

No sector da educação falou do foco a ser dado para travar o abandono escolar da rapariga. Nesta componente, disse estar em vista um programa, denominado “Eu Sou Capaz” através do qual, serão desenvolvidas acções e incentivos para a retenção da rapariga, pelo menos, até a conclusão do ensino obrigatório.

Numa entrevista onde a inclusão de jovens era o principal tema, o economista Amílcar Tivane, abriu o peito e a mente, para dar as suas opiniões, nas mais variadas esferas que impactam a vida e a participação da juventude. Acompanhe a seguir a entrevista, concedida no âmbito da Terceira Edição da plataforma Mozefo Young Leaders, que acontece com a transmissão do canal STV Notícias e as plataformas digitais do Grupo Soico.

 

Que tipo e intervenção pública é que os países como Moçambique devem fazer, para assegurar um crescimento ainda mais inclusivo, particularmente dos jovens.

AT- Primeiro, em jeito de nota conceptual, é preciso compreender o que entendemos por inclusão. Na minha opinião inclusão reflecte-se na habilidade de qualquer indivíduo ter a perspectiva de construir alguma mobilidade social, independentemente das condições iniciais que caracterizaram o seu crescimento, a condição económica da sua família, em fim, a inclusão vai reflectir a possibilidade de apropriar-se do conhecimento, experiências, interacções, que nos permitam, ao longo do ciclo de vida, do ponto de vista de carreira profissional, partirmos de um ponto para o outro, do ponto de vista de crescimento, naturalmente, com estas dotações, do ponto de vista de conhecimento, e não só, podermos almejar atingir ao mais altos patamares da nossa vida. Agora, esse processo de mobilidade social não ocorre num vazio, particularmente no contexto dos jovens, em todo  mundo. Vivemos num mundo em que, a juventude, em particular, tem que procurar municiar-se, principalmente do conhecimento, para poder fazer face a todos os desafios que irá encontrar ao longo da sua carreira, e não só. É aqui que eu gostava de sublinhar que as políticas públicas tem um papel a jogar, em particular, no que concerne ao investimento na educação. A educação é uma componente fundamental. Ao investimento na saúde, as escolhas que de facto têm de ser feitas para decidir o volume de recursos que vai alocar para os diferentes programas, e não só, que competem o volume de recursos limitado. Do meu ponto de vista, todo o investimento que tem em vista aumentar as capacidades, as habilidades dos indivíduos poderem competir no mercado de trabalho, dos indivíduos, casos necessitem, de tomar carreiras no sector privado, poderem ir ao mercado e inserirem-se, e puderem, também, interagir com o resto do mundo (porque não podemos perder de vista que os países não operam num mundo fechado, a economia global, portanto, o nível de interdependência entre os países, não só, aumentou significativamente) daí que é necessário que sete processo de apropriação de conhecimentos, experiências e habilidades, passe por chamarnos à reflexão sobre como é que nós podemos, como país, nos posicionamos em relação ao resto do mundo. Se estamos numa posição, se estamos numa profissão, num nicho de negócio, temos que nos perguntarmos como é que o nosso desempenho está a evoluir em face da concorrência ao nível global. Será que, na área que decidimos abraçar conseguimos falar a linguagem dos melhores especialistas dessa área…

Estamos a falar de competitividade…

AT – A competitividade, de facto é crucial para que possamos dar os passos do ponto de vista de desenvolvimento sócio-económico.

Focou aqui a questão da educação como chave. Como financiar programas que reflictam os desafios da juventude, em economias em desenvolvimento. Estamos a falar da educação, formação, habitação, empreendedorismo e emprego digno. Como é que Governos africanos de economias em desenvolvimento podem encontrar dinheiro e estratégias para financiar estes grandes desafios da juventude.

AT – Bom, primeiro, o financiamento é, certamente, o calcanhar de Aquiles. Agora, é necessário que tenhamos em conta a capacidade de cada país, cada economia tem de mobilizar recursos vai reflectir, em grande medida, o seu desempenho. O financiamento é, em função da capacidade e robustez da economia e para que se consiga, do ponto de vista de políticas públicas garantir as possibilidades de mobilização de recursos passam por tributar as pessoas singulares e colectivas, de forma com padrões de equidade aceitáveis, de justiça fiscal, etc, temos é que estimular que estas entidades colectivas, de facto, funcionem de forma eficiente. Esta é a condição primária. Para que elas funcionem, naturalmente, as políticas devem estar orientadas para a promoção deste crescimento económico inclusivo, podemos assim chamar, e diria que, os agentes, as pessoas, quer individuais, quer colectivas, o seu, padrão, comportamento, atitude, audácia, reflecte a estrutura de incentivos que existem no país. Se esta estrutura de incentivos estiver orientada, por exemplo, para desenvolvimento numa determinada área, por exemplo, agricultura, turismo, Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), na área do conhecimento (porque o conhecimento pode ser feito por agentes provados), através de incentivos, e quando falo de incentivos, que fique claro, não significa, necessariamente, o dinheiro, mas estabilidade, a clareza sobre a trajectória que os países pretendem seguir, como é que estes actores vão integrar essa trajectória, como é que vão interagir com as autoridades pública, ou seja, é preciso que as regras do jogo, em resumo, esteja muito bem claras sobre o objectivo macro que pretendemos alcançar e as várias etapas que esse desenvolvimento irá seguir ao longo do tempo, porque o que nós temos assistido em muitos países, nalguma medida, por conta dos ciclos políticos, e não só, há mudanças notórias nas escolhas do ponto de vista das políticas, naturalmente as mudanças são bem vindas, mas, não tem que ser mudanças que questionem o aparato estrutural da própria política, da própria trajectória, mas mudanças que visam refinar o curso, o ritmo, em relação ao qual nós vamos avançando. Então, as políticas tem, naturalmente, que oferecer esta clareza sobre os incentivos, o que é que vamos fazer em cada momento, qual é o papel de cada agente, e as políticas, de igual modo, devem reflectir os desafios. De igual modo devem ter suficientes clarezas sobre as limitações que o país enfrenta. Vou dar um exemplo mais concreto, para não falar no abstracto: Nós temos assistido em vários países e, em Moçambique mais recentemente, com as descobertas de hidrocarbonetos que se fizeram na Bacia do Rovuma, e não só, as prospecções que estão em curso nos vários blocos, que, para que um país possa aproveitar cabalmente essas oportunidades, é necessário que tenhamos uma equipa de moçambicanos altamente treinados. Uma equipa de moçambicanos que, primeiro, possa negociar esses contratos, possa contribuir para que o país possa negociar condições mutuamente vantajosas esses contratos. Então, eles tem que falar a linguagem das grandes corporações, ou seja, a formação é crítica e apraz-me notar que há um esforço no sentido de mandar alguns moçambicanos para algumas escolas no resto do mundo para treinar e formarem-se nesta área de hidrocarbonetos, engenharias, etc. A outra questão é que esta preparação não pode ser construída com padrões de incerteza. O que é que quero dizer com isto, quero dizer que, se tomarmos um país hipotético, em que, estudos sociológicos apontam que tem disponibilidades de reservas potenciais de recursos naturais, quer seja gás natural, petróleo, etc, que possam colocar o país num patamar notório, do ponto de vista de actores chave nestas cadeias de oferta de recursos naturais, o país tem que se perguntar, realmente, que capacidades tem que construir ao longo do tempo, para que, no momento em que tomar a decisão de iniciar a exploração desses recursos, ou, numa primeira fase, iniciar a negociação dos acordos com as empresas que, de facto dispõe de capital e tecnologia para a exploração desse recurso, possa estar em condições de faze-lo e, de facto, faze-lo com conhecimento e experiência e não assumir risco de fechar contractos sem ter muita clareza sobre as consequências, então, isso significa preparação. Preparação que é construída ao longo de anos, ao longo de décadas. Então, não há muitos milagres, tudo se prepara com tempo.

É feito com base num planeamento…

AT – Exactamente. Portanto, este é um dos exemplos que eu queria dar.

Ou seja, o investimento e a criação de oportunidades no continente africano é uma prioridade indiscutível. A grande questão é: Que experiências, no mundo, em termos de promoção de oportunidades para os jovens, podem ser replicadas no continente africano, em Moçambique, por forma a que os jovens tenham essas oportunidades e minimizar as desigualdades sociais e assimetrias, que é um grande problema no continente, tendo em conta aspectos ligados à colonização, entre outros.

AT – Eu acho que do ponto de vista de experiência vai reflectir circunstâncias específicas de todo o país. Mas se nó lançarmos um olhar panorâmico pelo mundo, se nos colocarmos a questão: Em que geografia os jovens no mundo tem um nível de participação mais activo no desenvolvimento sócio-económico do país, no sucesso de escolhas, das opções do ponto de vista de políticas públicas, e na construção ou apropriação de ferramentas e experiências que possam acelerar este processo de mobilidade social, a resposta a que me é dada a observar é que a educação é crucial, porque o jovem não opera num vazio. É um ser social que, as suas escolhas reflectem uma panóplia das circunstâncias sociais, da envolvente cultural que o rodeia. Então, a Educação com qualidade é o requisito fundamental para que o jovem possa reclamar maior nível de participação nas escolhas das políticas públicas e também, maior nível de participação no sector privado, através de Start-Ups, pequenos empreendimentos, no intuito de construir grandes corporações, por aí, porque o mais importante, na minha opinião é ter a juventude no centro de todo e qualquer debate sobre as escolhas do ponto de vista de políticas públicas. Porque são estes jovens que, de facto, vão assegurar que as economias funcionem, oferecendo as suas capacidades, o seu conhecimento no mercado de trabalho. São estes jovens que asseguram, por tanto, asseguram a estabilidade das famílias, são estes jovens que também asseguram a integração de pessoas de idade avançada, se considerarmos que contextos familiares geracionais. Em suma, a experiência deve reflectir as condições específicas de cada país, mas o mais fundamental é uma educação muito bem estruturada, com clareza sobre, que valores estamos a inculcar nos jovens, o capital de conhecimento técnico-científico que vamos privilegiar para responder que demandas, sob ponto de vista de crescimento sócio-económico do país e para transmitir, que tipo de valores, para que o jovem se possa posicionar no mercado do trabalho e possam construir uma abordagem, que possa desconstruir a filosofia de que o Estado é a solução de todos os problemas. Portanto, a responsabilidade do Estado é criar as condições, de ponto de vista de ambiente, definir e configurar a estrutura de incentivos, e, o sector privado, encarregar-se-á, através de iniciativas de pequena monte, e não só, de criar emprego, desenvolver e fortificar as cadeias de produção e garantir a oferta de bens e serviços, por aí fora. Então, em resumo, se olharmos para o mundo vamos ver que os países que tem experimentado um crescimento mais acelerado, com o alargamento da base, parece serem países que tem estado a estruturar a economia no sentido de responderem a este processo de digitalização massiva, a penetração da economia digital na nossa maneira de ser e estar. Parece serem países que tem estado a conseguir explorar muitas oportunidades, e não só. Vamos ver, por exemplo, há umas experiências ao nível de países da Africa Ocidental, nomeadamente, Nigéria, Gana, e não só, há muitas experiências de jovens, extremamente agressivos na área das IT’s. Vão construindo Start-Ups, vão desenvolvendo Apps, vão, naturalmente, abrindo Pequenas e Médias Empresas, e no centro da estrutura de funcionamento destas, vamos notar que a componente das Tecnologias de Informação e Comunicação joga um papel muito importante. O que é que esta dinâmica parece sugerir. Esta dinâmica sugere que estes jovens estão a ser treinados e estão a apropriar-se de um saber ajustado às dinâmicas da evolução da economia mundial, em que a digitalização, naturalmente, joga um papel importante. Não vamos, de algum modo, descorar o papel das ciências sociais, porque há fenómenos extraordinariamente complexos do ponto de vista de comportamentos, do mercado de trabalho, nas famílias e na sociedade, em que as Ciências Sociais, mais do que nunca, são chamadas a responder porquê desses fenómenos, porquê da prevalência de um nível de desigualdade extraordinariamente elevado, mesmo em países com dotação, do ponto de vista de recursos, suficientemente notável, o porquê das tendências de prevalência da exclusão, em particular, dos jovens, no processo de escolhas sobre as políticas públicas. Então, estas são algumas ideias, mas, a nota, em jeito de conclusão, gostaria de referir que cada país tem que fazer escolhas. O país deve fazer escolhas. Nós vivemos numa sociedade em que as opções, do ponto de vista de conhecimento são mais favoráveis actualmente, do que no passado. Portanto, o conhecimento está cada vez mais democratizado e, este factor, parecendo que não, favorece, em particular, para jovens de países em vias de desenvolvimento. É um ambiente propício para que eles sejam muito mais agressivos para que eles possam apropriar-se dessa imensidão de conhecimentos.

O que é que não pode faltar na educação para os jovens, ou seja, como é que se criam ou se estruturam programas de formação e educação e currículo, para que este jovem esteja preparado e em condições de assumir responsabilidades nas diversas áreas de grande especialização.

AT – O que eu gostaria de sugerir é o seguinte: Os alicerces de quaisquer curricula, quer na área de ciências naturais exactas, ciências sociais, são grosso modo, conhecidos. Agora, o que é importante agregar a estes curricula, naturalmente, é a questão dos valores, porque não basta adquirir conhecimento primário. É necessário que as pessoas tenham valores, que reflectem a maneira de ser e estar na sociedade. Mas, muito mais do que isso, eu acho que, havendo clareza sobre a orientação de um determinado curricula, os desafios específicos do ponto de vista de desenvolvimento, de competitividade da economia local versus economia regional; que tipo de curricula nos vai levar a isto, teremos que investir e priorizar a alocação de recursos mais para a componente das ciências naturais exactas, mais na componente das engenharias, da componente básica. São escolhas que temos que fazer. Agora, assumindo que estas escolhas sejam perfeitamente feitas, cada jovem que se sinta que tem vontade, tem habilidades, de formar-se, tem que ter oportunidade. Então, a questão para mim é, como é que criamos oportunidades, para aquele que, de facto, tem vontade de seguir um determinado curso de formação e apropriar-se de determinadas experiências, possa faze-lo sem constrangimentos. Então, aqui falo da questão da modalidade social porque os jovens as condições sociais não são idênticas para todos os jovens, portanto, existe uma diferenciação de ponto de vista de partida que o nosso sistema tem que corrigir. Dotar todos de conhecimentos para que sejam munidos das mesmas condições para que possam ser competitivos. Então, é uma questão, não só de curricula, mas também de financiamento. Agora, no financiamento, o que eu gostaria de sublinhar é o seguinte:  Nós trabalhamos numa lógica em que o Estado é o principal provedor deste serviço. Não discuto esta ideia, tanto mais que os Estados com economias em vias de desenvolvimento chamam a si esta responsabilidade de investimento no domínio social, mas eu creio que é necessário começarmos a ser progressistas, no sentido de abrir mais espaço a iniciativas de caris mais privado, no sector da educação.

Nesta terceira edição do MOZEFO Young Leaders, iniciativa da Fundação SOICO, mais uma vez, os administradores dos distritos defenderam as suas posições sobre a participação dos jovens no processo de desenvolvimento do país. Os convidados ao debate foram Baptista Carneiro, Administrador da Maganja da Costa, e Edson Lino, Administrador de Balama.

Baptista Carneiro e Edson Lindo, administradores da Maganja da Costa (Zambézia) e Balama (Cabo Delgado), respectivamente, defenderam, na tarde desta quarta-feira, que os jovens moçambicanos devem procurar aproveitar as oportunidades que os distritos nacionais oferecem.

Numa sessão da terceira edição do MOZEFO Young Leaders, evento organizado pela Fundação SOICO (FUNDASO), os dois administradores mencionaram as acções que têm implementado para que os jovens, quer os formados, quer os sem formação tenham possibilidades de evoluir e, assim, contribuírem para o desenvolvimento económico e social de Moçambique.

Num debate subordinado ao tema “Jovens excluídos por assimetrias geográficas”, Baptista Carneiro e Edson Lino mencionaram as acções que os seus governos distritais têm materializado de modo que funcionem como focos do tão almejado progresso. Dos dois, o primeiro a intervir num debate moderado pelo jornalista Boaventura Mucipo foi o administrador da Maganja da Costa. De acordo com Carneiro, aquele distrito da Zambézia tem se dedicado em aumentar a formação técnico profissional dos jovens, de modo que, assim, apreendam conhecimentos imprescindíveis para o crescimento individual e colectivo. “A nossa primeira luta é a própria equidade dos jovens. Assim, acreditamos que teremos uma juventude com uma postura mais acertada no futuro. O que tentamos fazer aqui no distrito é que os jovens, através dos seus conhecimentos, possam produzir”. Para o efeito, sublinhou o Administrador da Maganja da Costa, o empreendedorismo é estimulado, o que condiz com a abertura de regadios que fomentam a prática agrícola. “Assim, esperamos que os jovens saiam do gabinete para a prática, apostando no turismo, por exemplo. O saber fazer é importante porque amplia as perspectivas dos jovens”.

E porque o saber é sempre prioritário, o Governo do Distrito da Maganja da Costa interessa-se na formação e capacitação da juventude, fundamental para se vencer assimetrias geográficas. “Nós abrimos vias de acesso, construímos infra-estruturas e escolas técnico-profissionais para ajudar os jovens a terem mais conhecimentos. De igual modo, financiamos associações que têm ideias para produzir em vários campos, como na mineração, no turismo e na agricultura, porque não é possível o país conseguir garantir emprego para todos”.

Baptista Carneiro entende que os jovens devem saber definir o foco e as suas oportunidades. Sobretudo no interior do país, por ser lá onde se encontram as oportunidades para se estender os talentos. “O jovem deve ser o motor activo do desenvolvimento do país”, lembrou. “Queremos convidar os jovens para investirem em si próprios, no sentido de missão, de modo que as gerações vindouras possam se orgulhar do legado deixado”. De contrário, “não vamos desenvolver o país com pessoas que apenas estão à espera de analisar aquilo que está errado, mas que nunca analisam o que está certo”.

Na sua intervenção, Edson Lino, Administrador do distrito de Balama, na província de Cabo Delgado, afirmou que o grande desafio, primeiro, é “mantermos no distrito os jovens que já cá estão, o que temos feito através de interação constante com a nossa juventude, com a criação de políticas de investimentos público”.

O distrito de Balama mapeou 150 negócios nos quais a juventude pode investir com sucesso. Nos próximos meses, o Governo local irá desenhar o plano estratégico de desenvolvimento e promover o que consideram oportunidades para os jovens. “Nós queremos fazer uma nova narrativa, que demonstra que é possível vivermos bem no distrito, com criação de pequenos negócios. Criamos facilidade de acesso, de criação de empresa, de acesso à água, à electricidade e à formação. Em Balama temos um instituto de formação profissional. Se cada jovem pagasse a totalidade do curso, lhes custaria entre 80 a 90 mil meticais. Como o Governo subsidia, os jovens pagam entre 4 e 7 mil meticais, dependendo do curso. A ideia é que os jovens tenham habilidade no bem-fazer. Não queremos mapear os problemas, queremos encontrar as soluções.
Estamos a formar carpinteiros, canalizadores, e etc., que estão a integrar-se no mercado. Também temos jovens formados pela universidade que estamos a atrair para o distrito. Por exemplo, temos oportunidade para os jovens exercerem a comercialização, com facilidades. O que deve acontecer é os jovens terem a coragem de sair de grandes centros urbanos e virem ao distrito, onde existem muitas oportunidades em diferentes áreas”.

À imagem do que Baptista Carneiro disse, Edson Lino realçou que é urgente todos contribuírem para potenciar os distritos e impedir a repetição de algumas coisas que não fazem sentido. Por exemplo, que o tomate saia dos distritos em bruto. “É preciso trazer o conhecimento ao distrito, de modo que o processamento e a embalagem garantam que exportamos o produto como Tomate de Balama. O mesmo devemos fazer com o milho e com outros produtos que devem gerar renda para o distrito, que nos possam ajudar a investir em infra-estruturas. Temos de trazer o conhecimento para transformar as comunidades que estamos a liderar. Trazer uma nova visão de bem comum”, finalizou Edson Lino.

Os pensamentos foram defendidos, esta quarta-feira, pelo painel que debateu o tema sobre “Políticas para o Desenvolvimento da Juventude”, onde foi ainda vincada a necessidade de se apoiar as iniciativas empreendedoras que estão a surguir no contexto do combate à Covid-19.

Ilídio Caifaz da Internacional Youth Fundation defendeu haver uma inversão da lógica da questão de empregabilidade, em Moçambique, e no mundo no geral, principalmente com o boom da internet. Se antes as pessoas lutavam para se formar para serem empregues pelo Estado, hoje em dia, a lógica mudou completamente. Caifaz aconselhou, por isso, aos jovens a apostarem em cursos profissionalizantes. “A formação do ensino geral é menos dispendiosa para o Estado, em comparação aos cursos técnicos. O Estado está a fazer o seu esforço com a criação de cursos de curta duração para garantir ferramentas para o jovem possa entrar para o mercado de emprego. Defendo que além do ensino geral, o jovem deve procurar fazer pequenos cursos profissionalizantes para que possa, facilmente, ter o emprego, especificou o orador para depois aconselhar que o Governo crie uma política clara que verse sobre o primeiro emprego. “Temos que ter um programa específico para suprir a questão do primeiro emprego. O Governo do presidente Lula, no Brasil, teve muito sucesso porque criou programas claros e específicos. Entendo que, ao existir, esse programa, não irá abranger a todos jovens, mas os de 20-24 anos.

No mesmo pensamento alinhou Manuel Formiga, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), que disse que a sua instituição advoga políticas da juventude que conjuguem o conhecimento científico ao saber fazer. Reiterou que como país “temos que nos reinventar para arranjar soluções para empegar os jovens. A lógica antiga de ter certificado e esperar pelo Estado está a mudar. De uns temos para cá, o Estado não faz contratações porque não tem capacidade”, justificou para depois apontar soluções. “Temos muita terra arável, que procuremos desenvolver programas nessa área, que envolvam soluções de financiamento para que o jovem tenha o seu primeiro emprego”, defendeu.

Por seu turno, Juvenal Dengo, Diector-Geral do Instituto Nacional de Emprego, disse que o crescimento populacional contribui para que o país não consiga absorver a quantidade de jovens que procuram por um emprego formal, por isso, que a formação profissional tem sido a aposta para que o jovem consiga saber fazer e daí ter o caminho para empreender ou ter acesso às empresas. “No final dos nossos cursos distribuímos kits de emprego, promovemos estágios profissionais, sendo que alguns formados conseguem o seu primeiro emprego”.

Já Egídio Simbine, Coordenador da MozTrabalha, um plataforma associada a Organização Internacional do Trabalho (OIT) defendeu que tem que se apostar no digital como uma forma de geração de emprego e na criação de iniciativas que surgem nestes tempos da Covid-19. “No Vietname, por exemplo, as empresas que mais cresceram nos últimos temos são as que estão ligadas à produção de máscaras. O Governo fez aposta nelas e deu a devida ajuda porque viu que aquele produto poderia trazer rendimentos até através da exportação. Com o crescimento da indústria, provocou a necessidade do aumentou também a mão-de-obra. Em Moçambique estão a surgir exemplos semelhantes de pequenos empreenderes ligados à soluções para o combate à Covid-19. Tem que se pensar em como se pode incentivar essas iniciativas que podem gerar trabalho para os jovens”, exemplificou para depois avançar que não basta ter emprego, há que entrar a fundo na questão. “Hoje em dia alguns sectores estão com algumas fragilidades, são os casos das senhoras que vendem nos mercados. A questão é será que elas tem acesso à segurança social? Como garantir com que essas pessoas que têm trabalho possam formalizar a sua trabalho”, terminou.

Os oradores do MOZEFO Young Leaders consideram que as políticas de habitação para jovens em Moçambique, devem ser revistas por forma a torná-las mais inclusivas. O acesso à terra e ao financiamento são apontados como os principais obstáculos.

Celebrou hoje, o “Dia Internacional da Juventude” e os oradores do MOZEFO Young Leaders debateram as políticas para o desenvolvimento desta camada social, tendo o acesso à habitação como o ponto de partida.

Num debate a seis (dividido em duas partes), os intervenientes consideraram que as políticas de habitação para jovens em Moçambique, devem ser revistas por forma a torná-las mais inclusivas. Apontaram o acesso à terra e ao financiamento como os principais obstáculos.

Intervindo via plataforma digital, Wild do Rosário, chefe do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat) considerou que as políticas de acesso à habitação em Moçambique pecam por ser menos expansivas, embora haja um esforço por parte do Governo.

“As políticas de habitação para jovens estão viradas para os centros urbanos”, apontou Wild do Rosário, acrescentando que o perfil de habitação em Moçambique sugere um envolvimento da mulher no desenho das políticas.

“Em geral, os custos de construção em Moçambique são 30 a 40% acima quando comparado com outros países da região. Um dos principais motivos associados a isto está ligado ao material de construção, por exemplo, que é elevado porque é tudo importado”, realçou o chefe do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos.

Já o enviado especial para juventude da União Africana Dário Camal, referiu que o acesso ao financiamento bancário para habitação é o grande obstáculo para os jovens.

Para Dário Camal, o Governo deve criar mais incentivos e envolver os bancos nesse desiderato, bem como tornar mais acessível a terra e expandir os centros urbanos para travar a superlotação das cidades.

Com vários projectos habitacionais em curso, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Fundo para o Fomento da Habitação, Armindo Munguambe, destacou o esforço do Executivo em garantir habitação para os jovens, independentemente do seu status social, com destaque para o programa “Renascer”.

“Para além de promover o emprego no momento de construção, os projectos de habitação também promovem empregos depois da construção, através da criação de pequenos negócios para jovens…portanto, é preciso olhar para habitação nessa dimensão socioecónomica. Neste momento contamos com cerca de 18 mil beneficiários dos nossos projectos de habitação”, anotou Armindo Munguambe.

Em todo esse processo a Educação e o sector privado são chamados a desempenharem um papel mais proactivo.

Em representação do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, Paulo Patrício Banguine, disse que “o Governo está a investir muito no sector da educação”.
“Nós queremos ter nossa escola livre da corrupção, um ambiente que proporcione a educação. Pretendemos para daqui a cinco anos, tenhamos a escola como pretensa da comunidade. O nosso Governo tem estado a investir muito na construção de salas de aulas, construindo salas de aulas estão a criar condições para que as crianças tenham acesso à educação”, explicou Banguine.

Por seu turno, Dulce Domingos Mungol, coordenadora para educação na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), referiu que um dos grandes desafios é o baixo aproveitamento escolar.

“Os estudos mostram que em vários países africanos, incluindo, Moçambique, as crianças têm dificuldades em aprender, principalmente em adquirir competências de leitura e escrita iniciais”, apontou.

Já no campo empresarial, o director-executivo da Associação de Comércio, Indústria e Serviços (ACIS), Edson Chichongue, indicou que as empresas devem apostar forte na formação de quadros jovens, com vista a dotá-los de competências.

Mmusi Maimane, ex-líder da Aliança Democrática (AD), um dos mais importantes partidos da oposição na África do Sul, encoraja a massificação da participação dos jovens nos processos democráticos, bem como no esboço de políticas públicas que asseguram a materialização dos seus direitos. No MOZEFO Young Leaders, Maimane disse, numa entrevista a acompanhar a seguir na íntegra, que embora a democracia imponha limites, há sempre oportunidades para os jovens

 

Qual é a melhor forma de tomar vantagens baseadas em direitos consagrados para impulsionar a participação da juventude nos processos de tomada de decisão, assim como no estabelecimento das prioridades nas políticas nacionais?

 

Penso que estando a viver no continente africano, com países maioritariamente em desenvolvimento, dá-nos melhores oportunidades de mobilizarmos jovens. Na verdade, a idade média tende a diminuir cada vez mais. A maioria, que é mais que a metade da população africana, é composta por jovens, o que é uma boa distinção, diferente dos estados europeus ou dos outros continentes. Este factor rapidamente faz-nos perceber que a África é um continente jovem. O segundo aspecto é que acho que os nossos resultados da educação têm que melhorar para que possamos ter jovens bem formados e informados, com uma cultura de direitos humanos e a participação na defesa dos seus interesses.

Hoje, quando olho para a nossa região da SADC, vejo que o futuro está nas mãos dos líderes que estão a inovar em termos dos resultados da formação, empreendedorismo e que também trabalham com vista a fazer com que os respectivos governos prestem contas. Assim, penso que, como região os jovens podem criar uma forma para discutir as formas de criar uma “África do futuro”, um “Moçambique do futuro”, porque a prestação de contas estará na dianteira, bem como a nossa plataforma global.

Deste modo, o meu apelo é que os jovens estejam bem informados e em segundo lugar participarem nos processos democráticos. Não se aceita que África sendo um continente jovem, a maioria dos nossos líderes e presidentes tenha idade acima dos sessenta anos, por isso quero encorajar a participação dos jovens nos processos democráticos. O terceiro aspecto é que devemos lutar para a uma reforma da inclusão económica em particular na nossa região porque no final do dia não importa a posição que cada um ocupa, mas sim, que tenha um papel a desempenhar. Os jovens tem um papel fundamental a desempenhar por isso apelo para que sejam firmes nos boletins de voto e mobilizar as pessoas para que possam trazer mudanças na nossa região e finalmente no continente.

 

Quais são os passos que os jovens devem tomar para garantir a sua participação no processo de tomada de decisão?

O processo de tomada de decisão começa com o processo eleitoral. Em cada processo eleitoral, os jovens têm que ser candidatos para que sejam eleitos também. Como é que eles próprios participam na democracia? Uma das maiores preocupações que temos na África do Sul é que embora os cidadãos sejam recenseados para votar, a maioria das pessoas que não participa no recenseamento eleitoral são jovens. Eles não participam na democracia. Apenas 25% dos jovens é que são recenseados e votam. A questão é que a nossa região tem que fazer com que mais jovens sejam participativos nos processos democráticos. Esta é a primeira decisão a ser tomada e a segunda nas suas comunidades, nas ruas ou nos eventos. A estrutura do governo permite a participação e o que eu estou a argumentar é que se os jovens aparecerem com boas ideias para o futuro, podem fazer advocacia e lobby para as mesmas ideias, mas não podem tomar decisões de uma forma abstracta. As decisões devem ser tomadas baseadas na sociedade e na sua participação sobre o futuro. A forma como deve ser e a liderança têm que ver com a articulação sobre o amanhã preferido das pessoas e com a participação de todos e os jovens podem fazer isso. Porém, não quero perder o foco sobre a participação dos jovens no empreendedorismo.

Os jovens que não elaborarem tese do futuro enfrentarão dificuldades. Quando eu estava no parlamento da África do Sul, e que por sinal ainda estou envolvido na construção de uma única África do Sul, enaltecemos o facto de que em todas estruturas da tomada de decisões os jovens deveriam estar presentes. Houve reuniões do executivo que não aconteciam se os jovens não estivessem presentes na sala da tomada de decisões que contribuem para o bem-estar da juventude e também para analisarem os resultados das mesmas. Portanto, os jovens têm de participar na mesa com ideias para o futuro e não como líderes do amanhã, porque são líderes de hoje e devem ter uma imagem de preferência daquilo que poderá ser o amanhã.

De acordo com a realidade política de vários países africanos, acha que essa é a forma correcta de se fazer a democracia?

Absolutamente acho isso. A democracia não é perfeita, tem as suas limitações, mas é o único sistema que temos no momento e acho que nele os jovens têm oportunidade de fazer parte, tendo em conta que à partida constituem a maioria. O segundo aspecto é que os jovens têm habilidades para estarem num mundo de rápidas mudanças. Uma das coisas que têm é a agilidade. Os líderes não se sentam na mesa sem ideias. As ideias devem ser desafiadas e moldadas com agilidade de resposta, portanto, a participação dos jovens deve consistir em assegurar que eles estejam envolvidos nos processos democráticos, mas também no modo em que se determina a visão de um país.

A maioria dos líderes em África não ouve a voz dos jovens, não se preocupa com questões ambientais, sobre emprego e educação e acho que os nossos jovens têm que estar em altura de participar. Estou inspirado em líderes como Bob Wine de Uganda, como um jovem africano que tem contribuído para a juventude. Me inspiro pela diáspora africana que discute como construir o futuro de modo a que na próxima década a África não seja vista como um continente para o qual tenham contribuído. Estou inspirado em jovens africanos inovadores em países como Quénia, que aparecem com soluções técnicas que contribuem para o processo de tomada de decisões e finalmente nos sectores agrícola e turístico. Os jovens é que estão interligados ao nível global, continental e regional para darem contributos aos seus próprios países e Estados membros.

A forma pela qual as políticas públicas são formuladas na maioria dos países africanos, às vezes parece que os líderes políticos usam a juventude para alcançar ganhos políticos. Qual é a sua opinião em torno disto?

Ora, mais uma vez, quando levantei o ponto sobre os acontecimentos e coloquei a posição sobre o futuro preferido, não importa o quanto os líderes podem ser. Eles precisam do eleitorado para defender certas reformas. Por isso, quero exortar aos jovens para que não se deixem manipular pelos líderes mais velhos que simplesmente precisam do seu voto e não das suas ideias.

Nunca em África devemos dar voto aos ditadores, nunca devemos votar pessoas que não têm ideias sobre o futuro dos jovens e nunca deve haver governo em África que não tenha uma componente forte de jovens porque caso não se alcance isso, chegaremos a uma situação em que os votos dos jovens renunciam o seu poder e os líderes farão das suas. Mais uma vez exorto aos jovens que este é o momento de tomarem os seus lugares. É tempo de terem uma voz e uma visão forte, mas para alcançar isso é necessário que tenham melhores ideias e terem certeza que estão conscientes sobre o futuro e essas ideias têm que ser em torno da educação, empreendedorismo, ambiente, sistema económico e como construir um sistema inclusivo.

Essas ideias devem ter responder à questão como podemos estar na sociedade global onde os africanos devem dar soluções? Para mim, o chamamento diante de nós é de que na verdade os jovens têm a oportunidade de liderar, mas têm que liderar com boas ideias e bons ideais.

Usando a cidadania activa e participativa da juventude, quais são os possíveis passos que devem ser tomados com vista a transformar a nossa sociedade numa esfera que promove e defende os valores e princípios democráticos favoráveis ao desenvolvimento inclusivo e sustentável?

Em primeiro lugar, os jovens devem ser pessoas que dizem quando esboçam políticas económicas. Olhando para o historial de Moçambique e de vários países irá constatar que houve mudanças de governos e da narrativa de liberdade dos opressores e ditadores. Agora, a questão é como alcançarmos a liberdade económica e nisso acho que os jovens precisam de organizar e liderarem essa conversa porque é uma das formas mais práticas para começar. A segunda forma, acho que os jovens devem ser defensores de direitos humanos e da forma como trabalhar nesse espaço. Uma das questões-chave é como é que os nossos jovens advogados podem defender as constituições dos seus países e finalmente serem capaz de salvaguardar a cultura dos direitos humanos?

Quero que os jovens sejam capazes de estar firmes e dizer não permitimos que haja pessoas que subvertam os resultados políticos, que subvertam os resultados eleitorais. Precisamos de jovens que vão dizer que nós não iremos aceitar isso, iremos defender a democracia e direitos humanos de uma forma possível para que ninguém faça o mau uso dos mesmos e também para que os jovens possam ser educados a serem constitucionalistas, mais ainda, que os jovens tenham de estar a par disso. Acho que uma das coisas que precisamos em África é a jovem liderança africana, jovens co-autores que possam trabalhar em conjunto e apoiarem um ao outro e trazer novas ideias.

O nosso continente deve ser vibrante em termos de energia, em como lidar com questões ambientais, como lidar com agricultura, mas isso exige uma rede de troca de experiências, pelo que não devemos pensar isoladamente como um país, não devemos pensar como Moçambique, Malawi, temos que pensar como África Austral porque dessa forma podemos criar adequadas ferramentas de investimento, ajuda financeira apropriada para sermos capazes de levar a cabo as nossas ideias. Penso que que para além de salvaguardarmos a democracia que fazemos através do boletim de voto, temos que lidar com estruturas económicas, educacionais e os jovens são um elemento-chave para tal. Temos que ser capazes de construirmos uma nova liderança composta por jovens com capacidade de traçar a visão para os seus países, assim como network em todo continente e construirmos uma única África Austral, onde os líderes crescem, os líderes possam advogar, reagir e os jovens possam fazer com que os seus governos prestem contas.

O que poderá ser feito para estimular e realçar a liderança da juventude como indutora da mudança social?

Realmente! Por isso que constantemente digo que precisamos de criar essas parcerias, redes e dar protecção, porque quando um jovem fala de outros países poderá estar em sarilhos. Quando fui à Zâmbia encontrei jovens activistas detidos e encarcerados por se terem pronunciado. A sua liberdade depende de quem fala a seu favor noutros países. Temos que ser capazes de ter recursos financeiros adequados para proteger jovens no Zimbabwe e em todos outros países. Temos que estar a altura de criar espaço e uma cultura de jovens capazes de se defenderem democraticamente. Fico preocupado quando ouço que um jovem quer participar na democracia mas não se sente segura porque o seu país não lhe pode proteger. Isso é insustentável. Nós jovens precisamos de um espaço em que possamos transmitir essas mensagens. Mais do que isso, a nível de África, da SADC, precisamos de uma liderança de co-autores responsáveis e que garantam a formação de jovens para transmitirem essas mensagens.

 

Há uma percepção geral de que vários jovens são excluídos devido assimetrias geográficas. No seu ponto de vista, que tipo de políticas devem ser desenvolvidas para promover inclusão e igualdade de oportunidades na educação, saúde, habitação, emprego decente e no empreendedorismo?

Mais uma vez, quando falo de um grupo de liderança de co-autores ao nível da SADC pretendo aumentar apoio aos outros jovens em países em desenvolvimento. Porquê é que um empreendedor africano tem que procurar dinheiro noutros continentes enquanto a África deveria ter fundos nacionais que permitem investimento e realizar todas essas ideias que os jovens têm?Porquê é que quando os jovens estiverem envolvidos na política não possam defender políticas que para além do interesse do Estado, lhes permitem ser capazes de ter oportunidade de habitação, educação, etc?Precisamos de imigrar para uma aprendizagem mista na África Austral para que a educação não seja apenas no próprio país dos jovens. Por exemplo, se um moçambicano não obter educação suficiente em Moçambique, a internet permite-lhe estudar em qualquer parte do mundo. Porquê não criarmos universidades que cobrem toda região para que possam oferecer conteúdo online, onde os jovens se qualifiquem e adquirem habilidades adequadas que lhes permitem contribuir para o desenvolvimento sustentável de África?

Quer dizer de que é muito importante investir no capital humano, é isso?

Absolutamente, essa é uma das formas para desenvolver o capital humano. Mas o que defendo é que não apenas o capital humano, como também o capital financeiro porque os jovens podem ter ideias brilhantes mas têm falta de recursos financeiros, incluindo o capital social e centros de apoio onde se pode dizer aos jovens que se quiserem seguir a carreira vão teu mentores que os ajudarão a tornarem-se melhores líderes possíveis. Não podemos criar uma geração de líderes africanos que sem tutoria repita os erros do passado.

O outro ponto tem que ver com finanças. Os jovens não têm dinheiro para desenvolver os seus projectos. Onde poderão obter financiamento para o desenvolverem os seus projectos?

Uma das conversas que temos tido com os companheiros líderes africanos é que precisamos de um fundo regional para o desenvolvimento que responde aos projectos de jovens. Se olhar para a União Africana (UA), o sistema de comércio de África, uma parte desses tem a ver com a sustentabilidade da juventude e a minha questão para a UA e para a SADC é a seguinte: onde está o capital financeiro para a concretização disso?

Temos que ser capazes de construir esse capital financeiro, por isso a rede de líderes africanos é vital porque pode se criar um capital financeiro em que se coloca dinheiro para jovens e que não dependam somente dos seus governos, porque não há como possam alcançar os seus objectivos sem recursos financeiros. Portanto, exorto aos bancos africanos, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para que parte da sua carteira de financiamento seja direccionada aos jovens empreendedores de modo a que estes possam desenvolver as suas iniciativas.

Mmusi Maimane têm inspirado os jovens nos países africanos. Agora vamos falar especificamente da sua experiência como líder de um partido político. Como conseguiu alcançar essa posição?

Olha, nada posso dizer aos jovens. Muitos jovens africanos sabem que o trabalho árduo é a chave e também a convicção. Sendo jovem, se não tiver visão e a sua própria convicção fica destruído, não importa qual é a posição que ocupa e porquê está nessa posição.

Quando iniciei com o activismo político como uma criança em Sowetho, num espaço estreito, Nelson Mandela, sabia claramente que a luta seria como construir uma África do Sul para todos, mas também construir um futuro não racial ou não tribal que não possa descriminar pessoas com base na raça, tribo, cultura, religião em todo país. Então, comecei uma longa jornada de juntar pessoas com visão que diz “África deve prosperar” e foi uma caminhada em que começamos com o governo local, depois provincial e nacional como líder da oposição, sem medo. às vezes tive que olhar para o Presidente da República e lhe dizer que isto está errado e nós iremos solicitar o senhor para prestar contas.

E construir uma rede de pessoas que seguem a liderança é feito através do trabalho árduo, da convicção e do sentido de prestação de contas que permitem tentar várias vezes. Em algumas vezes falhei por isso sou o primeiro a admitir isso, mas não significa que a falha é má, dá-te uma oportunidade de trabalhar arduamente e a continuar a dizer qual é o tipo de rede de pessoas com quem quer avançar. Quero encorajar as pessoas, que com as ideias tais como MOZEFO e outras plataformas, temos que criar a liderança de jovens na qual possamos nos ajudar e ensinar um ao outro uma lição em que possamos dizer que isto foi difícil. Faz-se dessa maneira e finalmente seremos capazes de dizer qual é a nossa visão para África.

O que significa ter Mmusi Maimane, por exemplo, como líder de um dos partidos políticos importantes da África do Sul em termos de inspiração para as novas gerações?

Em termos simples, não significa que eu possa fazer bem, pois muitos jovens africanos também podem. O importante é continuarmos a trabalharmos arduamente. Para mim foi possível liderar dessa forma e liderar a Parceria de Desenvolvimento da África Austral, dos líderes da oposição na região. Foi e ainda é um grande privilégio e muitas vezes não é a idade que importa, mas sim os ideais e as convicções. Se ser bom é idoso, não faça com que os jovens acreditam que devem esperar até que se tornem idosos. Se for bom é idoso terá que continuar a trabalhar arduamente.

Na África do Sul por exemplo parece que há persistência de assimetrias geográficas, por exemplo para os jovens de Cape Town, há uma certa diferenciação em termos de envolvimento nos processos políticos. O que acha que a África do Sul deve fazer para criar um equilíbrio com vista a resolver essas assimetrias geográficas?

Sobre o que penso sobre a África do Sul, quero pedir desculpas em nome do povo sul-africano, pelas várias formas de xenofobia ou como queiram chamar afro-fobia. Peço desculpas pela forma como o sul-africano é. Acho que é importante que os jovens compreendam que todos somos do mesmo continente. O segundo aspecto que acredito que devemos de facto fazer é partilharmos as universidades porque lá há troca de ideias e isso faz com que paremos de pensar nas nossas pequenas comunidades. Quando penso sobre UCT, que é a Universidade de Cape Town, tenho de responder a questão: quantos estudantes africanos estão lá, porque aí pode se ampliar a visão, claro, viajar e controlar será a realidade da nossa vida. Há uma base do texto que precisamos de gerir.

Mas sempre será importante que nas nossas universidades haja educação que é partilhada. A informação circula de uma forma colectiva para que a longo prazo possamos dizer que fomos capazes de quebrar qualquer divisão. As ideias estarão acima da cultura e podemos mobilizar as pessoas em conjunto. Precisamos de chegar lá, mas acredito que ainda há um longo caminho a percorrer. Como África do Sul, temos um papel importante a desempenhar, sendo um país com recursos. Mas acho que podemos fazer uma parceria se desejarmos aprender das contrapartes africanas, por isso, professores, líderes e várias pessoas em instituições académicas podem trabalhar em conjunto e por fim penso que o comércio, o comércio regional nos países da SADC é importante. Os empreendedores e as start-up, o primeiro lugar onde devem procurar realizar seus negócios não deve ser nos Estados Unidos da América, China ou em qualquer outro sítio, mas sim em empresas africanas porque podemos falar da moeda única, comércio comum, interesse comum tendo como base o conhecimento que temos em torno do nosso clima e, como africanos, temos que ter confiança em nós próprios e na nossa região.

Acha que essa é a plataforma correcta que deve ser criada para que haja esse relacionamento entre os jovens, por exemplo, jovens de Moçambique e da África do Sul e vice-versa?

Tem que haver mais plataformas desta natureza sim e essa é uma delas. Porém, precisamos de estrutural melhor. Na verdade tenho uma ideia de organizarmos uma conferência de jovens ao nível da SADC, onde os jovens líderes possam participar. Porquê assim? É que as únicas pessoas que falam com os jovens líderes são os Presidentes, tal como o Presidente Obama. Eu sou fã do presidente Obama, mas claramente precisamos de líderes africanos que falam com os africanos e podemos juntá-los. Diria que precisamos de uma plataforma ampla, uma plataforma da SADC onde possamos nos juntar e dizer o que significa para nós moldar a África 2030, África 2040 e construirmos uma liderança de jovens proactivos capazes de dizer que nos nossos respectivos países podemos colaborar em conjunto para que esses valores sejam traduzidos.  Isso deve ser feito e devo apelar às universidades da região para se unirem e criarem trabalho conjunto e plataformas para que essas ideias sejam partilhadas e os africanos possam dar o seu contributo.

Nesta semana celebramos o dia internacional da Juventude. Qual é a mensagem que gostaria de endereçar aos jovens?

África é um continente jovem e os líderes da juventude são revolucionários no verdadeiro sentido da palavra. Temos que ter um momento no continente que requer que providenciemos melhores líderes. Temos que nos libertarmos dos libertadores e construirmos economia do futuro. Nesse desafio, os jovens devem liderar o debate e penso que estando prontos, não temos que esperar por ninguém, nós é que temos estado à espera. Exorto aos jovens para arregaçarem as mangas e continuarem a luta pela liberdade, mas essa liberdade deve ser económica e educacional para que possamos construir uma África próspera. Neste mês da juventude, este não é o momento para a geração estar perdida, temos que nos reunirmos à visão de uma África próspera e acho que é possível. Apelo aos jovens a se envolverem nessas questões para que as nossas irmãs que são vulneráveis em várias comunidades saibam que há uma liberdade para que elas participem na liderança e colectivamente podermos assegurar que os nossos países prosperem juntos. é essa a caminhada que devemos seguir.

Acha que é possível ter um outro Nelson Mandela, por exemplo, para unir países africanos?

Absolutamente, acho que este é o momento e uma das coisas que o presidente Nelson Mandela transmitiu-nos é a oportunidade para nos reconciliarmos. Agora estamos na fase seguinte em que quando pensamos economicamente nos nossos próprios países temos que ampliar a nossa visão. Quando pensamos na energia e na sua provisão temos que alargar o nosso horizonte e, portanto, agora no projecto de reconciliação, a nossa visão de África é económica e digo a tantas outras pessoas que devemos nos juntar e traçar essa visão porque poderemos construir uma sociedade muito mais integrada para libertar as nossas iniciativas. Os “Nelson Mandelas” que virão nas próximas gerações estão entre nós. Isto o que estou a dizer é que vamos agora começar a nos focalizar no trabalho, razão pela qual o que está acontecer no Zimbabwe não pode ser ignorado pelos jovens em Moçambique. O que está a acontecer em Malawi ou outro país deve preocupar a todos. Temos que nos engajar nessas questões e procurar soluções colectivamente. É isso que líderes como Nelson Mandela reconheceram, que se quisermos chegar longe temos que caminharmos juntos e nós neste momento precisamos de trabalhar em conjunto para produzirmos futuros líderes e não devem ser apenas na política, como também no comércio. Isto significa que pensando nesta questão, mesmo com recursos mineiras que temos, enquanto não produzirmos jovens inovadores que possam dizer que estamos a usar os nossos recursos minerais para trazermos revolução em todo mundo nada teremos feito.

Devemos olhar não apenas para a política, também para comércio, educação e em todos sectores, incluindo o sector da saúde para que os jovens possam desenvolver os mesmos. É orgulhoso saber que foi um africano que inventou certo tipo de combustível que os americanos usam, mas essa história não é celebrada no nosso continente. Devemos celebrar que foi um africano que produziu o transplante, essa inovação no sector de saúde era necessária. Tem que ser um africano que deve procurar saber como podemos lidar com os efeitos de mudanças climáticas porque em África encarramos isso diariamente. As cheias, inundações são uma realidade nas comunidades e temos que lidar com isso. Mesmo no sector agrícola, os nossos agricultores devem melhorar e os jovens devem liderar essa conversa. Temos a oportunidade, não devemos ser vítimas de líderes corruptos e ditadores, nós podemos liderar melhor!

Participando via plataforma digital, os administradores dos distritos de Vilanculos, em Inhambane, e Gondola, em Manica, partilharam os caminhos para uma maior inclusão da juventude, num dos painéis da terceira edição do Mozefo Young Leaders.

Para o administrador de Vilanculos, Galiza Matos Júnior, há uma necessidade de catapultar as iniciativas dos jovens e não “importar conhecimento” rumo ao desenvolvimento.

“A minha ideia é muito clara. Nós devemos continuar a fazer uma aposta muito forte a nível da formação técnico-profissional. A nível a agricultura nós temos que definitivamente identificar os grandes pontos”, apontou.

Já a administradora de Gondola, Etelvina Ambasse, apontou os caminhos para atrair a juventude para zonas rurais.

“Sendo que o Estado está preocupado em trazer o desenvolvimento para o distrito, já identificou alguns projectos-chave e locais. Para o caso concreto do distrito de Gondola é o desenvolvimento da agricultura e piscicultura”, referiu Etelvina Ambasse.

Aliado aos esforços governamentais, a administradora de Gondola desafiou a juventude a estar alinhada com os planos do Executivo.

Os dois administradores defenderam ainda que a transformação passa por uma juventude mais proactiva e comprometida com o desenvolvimento do país.

Os oradores defendem que é preciso investir na formação e potenciar as capacidades dos jovens. Para o especialista em adolescentes do UNICEF, Francelino Murela, os jovens devem sair da zona de conforto e encontrar formas de se destacarem mesmo num contexto de desigualdade.

Com o tema “Mitigação de desigualdades”, quatro oradores do Mozefo Young Leaders, dos quais uma activista brasileira, defenderam a chave para a integração dos jovens nos processos de desenvolvimento.

Pelo terceiro mês consecutivo, o país registou uma redução nos preços de bens e serviços. A deflação em Julho foi de 0.20 por cento, contra 0.55 por cento em junho e 0.6 por cento, negativos em Maio.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi calculado com base nos dados recolhidos nas cidades de Nampula, Beira e Maputo, onde certificou que o país registou uma deflação de 0,20 por cento. A inflação acumulada (Janeiro a Julho) situou-se em 0,38 por cento e a homologa (comparativamente ao igual período do ano passado) em 2,80 por cento.

Analisando o custo de vida por cidade, o Instituto Nacional de Estatística (INE) constatou que a cidade da Beira foi a mais barata com 0,42 por cento, seguida de Nampula e Maputo com 0,30 por cento e 0,06 respectivamente.

Segundo o Director Nacional Adjunto de Contas Nacionais e Indicadores Globais, Ernesto da Silva, a divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas foi a de maior impacto, ao contribuir no total da variação mensal com cerca de 0,22 pontos percentuais (pp) negativos.

“Analisando a variação mensal por produto, importa destacar a queda do preço do tomate (5,3%), da cebola (9,0%), do açúcar castanho (5,9%), da alface 12,3%), do óleo alimentar (2,5%), da couve (7,8%0 e do repolho (10,4%). Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,35 pp negativos”, mencionou Ernesto da Silva.

Em contrapartida, os preços de alguns produtos com destaque para o pão de trigo (4,1%), os cigarros (3,0%), o feijão manteiga (1,9%), a mandioca seca (28,5%) o milho em grão (10,6%), o limão (24,6%) e as calças para homens (0,8%) contrariaram a tendência de queda, ao contribuírem com cerca de 0,21 pp positivos.

Em referência a variação acumulada, de Janeiro a Julho do ano em curso, da Silva referiu que as cidades de Nampula e de Maputo foram caracterizadas por aumento de preços, tendo registado uma inflação de cerca de 0,79 e 0,68 respectivamente.

A cidade da Beira apesentou uma tendência contrária ao registar uma deflação de aproximadamente 1,03%.

“No que concerne à inflação homóloga, a Cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 3,85%, seguida da Cidade da Beira com 3,52% e por último a Cidade de Maputo com 2,02%”, concluiu.

 

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