O País – A verdade como notícia

Dos 925 projectos submetidos, até este momento, foram analisados apenas 225, dos quais 100 aprovados e 125 reprovadas. Segundo o Banco Nacional de Investimentos (BNI), a procura foi maior do que o esperado, sendo que a demanda representa uma necessidade de 10 mil milhões de meticais, isto é, 525% acima do montante disponível.

Através de uma conferência de imprensa, o BNI anunciou, ontem, o encerramento da recepção das candidaturas para a linha de financiamento no sentido de ajudar as empresas em dificuldades causadas pela COVID-19. Dos 925 projectos recebidos, 515 (55%) são da zona sul do país, 230 (25%) da zona centro e 180 (20%) da zona norte.

“A estratégia de comunicação usada foi muito produtiva e fazemos um balanço muito positivo em relação ao alcance que a nossa mensagem teve, quer do ponto de vista de alcance territorial, quer de ponto de vista de clarificação e esclarecimentos sobre os critérios de elegibilidade e as condições de acesso. Ou seja, ninguém ficou sem informação”, disse Tomás Matola, presidente da Comissão Executiva do BNI, avançando que foi graças a essa estratégia que o número de candidaturas superou a espectativa.

“Como resultado, o número de projectos recebidos superou todas as expectativas, ou seja, durante os 80 dias recebemos propostas que correspondem a 10 mil milhões de meticais, o que significa que a demanda foi muito maior. Tivemos um excesso de demanda de 8.4 mil milhões de meticais. Estamos a falar de 525% acima do montante disponível”, explicou Tomás Matola.

O sector do comércio lidera os pedidos com 37%, seguido da hotelaria e turismo com 10%, construção e obras públicas (8%), indústria transformadora alimentar (7%), educação (7%), transportes de comunicações (6%), agricultura (4%), pecuária (3%), electricidade (2%) e outros sectores com 13%.

Num outro desenvolvimento, o dirigente diss4e que “muitas empresas foram excluídas por estarem categorizadas como sendo grandes, enquanto o financiamento é destinado a micro, pequenas e médias empresas”.

“Outra questão que condicionou a reprovação de alguns projectos é a situação líquida, pois um dos critérios é que as empresas tivessem a sua situação líquida positiva até 31 de Dezembro de 2019, isto é, excluindo tudo que aconteceu em 2019”, esclareceu o presidente da Comissão Executiva do BNI, para quem “muitas propostas de empresas que estavam em situação de falência técnica” não foram elegíveis.
Outro requisito impunha que as empresas concorrentes não estivessem numa situação irregular no sistema financeiro até 31 de Dezembro de 2019.

Contudo, “recebemos situações de empresas que tinham crédito mal parado, antes da COVID-19. Há empresas que se candidataram e não tinham a situação da segurança social regularizada e por uma questão de justiça foram reprovadas porque esses valores provem dos impostos. Outrossim, como vocês sabem, 600 milhões dessa linha do financiamento vem do INSS”, detalhou Tomás Matola.

Em termos projectos aprovados por sectores destaca-se o comércio com 29%, seguido da hotelaria e turismo com 14%, educação com 13%, indústria transformadora alimentar 11%, agricultura 9%, transportes de comunicações 7%, pecuária 4%, construção e Obras públicas 2%, electricidade 1% e outros sectores com 10%, disse Tomás Matola.

E porque a procura foi maior em relação ao valor disponível, o BNI diz que está a pensar em soluções.

“Estamos a trabalhar com os nossos parceiros para ver se podemos incrementar” o valor disponível para financiamento.

“Possivelmente não iremos conseguir os montantes que são solicitados. Do lado do Governo, temos estado a partilhar estatísticas, particularmente para o Ministério da Economia e Finanças e Indústria e Comércio, que são os donos do projecto, para que tenham noção de que há necessidade de alternativas para aumentar o valor”, concluiu Tomás Matola.

Até ontem, último dia, o BNI esperava atingir mil candidaturas para o acesso ao financiamento. De acordo com o presidente da Comissão Executiva daquela instituição bancária, já foram desembolsados valores referentes a perto de 50% dos projectos aprovados.

O Banco Nacional de Investimentos considerou que não fazem sentido as reclamações das escolas privadas, segundo as quais os requisitos de acesso ao financiamento são proibitivos.

É que no dia 13, no quadro da reportagem no “O País”, sobre a crise causada pela pandemia para as escolas privadas, Lídia Rita, gestora do Colégio Nhamunda, disse em representação do Fórum das Escolas Privadas de Maputo e Matola que “ninguém (escolas privadas) está a conseguir porque um dos critérios é que o requerente não pode ter um nível de endividamento na banca e, depois, querem garantias colaterais numa situação em que quase todos nós funcionamos em instalações arrendadas”. Ora, para a direcção do Banco Nacional de Investimentos estas palavras “não fazem sentido”, até porque “não há condições proibitivas, sobretudo para as escolas que são as mais elegíveis, por um lado e por outro lado é que do ponto de vista do banco no que diz respeito aos níveis de risco os bancos ficam mais confortáveis porque as escolas são um excelente negócio”, disse Tomás Matola, Presidente do Conselho Executivo do BNI, justificando que “nós sabemos que assim que a situação retomar a normalidade, as escolas vão pagar o dinheiro”.

Dito de outra forma, o BNI está a esclarecer que o acesso a esse dinheiro requere paciência porque os pedidos ainda estão a ser analisados. Os pedidos das escolas privadas representam sete por cento das mais de 900 solicitações de financiamento que a instituição recebeu no quadro do fundo de alívio para micro, pequenas e médias empresas dos impactos da Covid-19. O banco adianta ainda que já aprovou pedidos de financiamento de cinco escolas, nomeadamente três situadas na cidade de Maputo, uma de Nampula. Alerta por outro lado que as universidades acabam por estar em desvantagem, relação as escolas do ensino geral, por serem classificadas como grandes empresas.

Embora o país produza, há décadas, energia através da Hidroeléctrica de Cahora Bassa e de outras fontes alternativas, muitas famílias moçambicanas continuam a viver sem luz nas suas casas.

Por serem as menos abrangidas pela rede nacional de energia, as zonas rurais já recebem alguma atenção do Governo, segundo assegura o Ministro dos Recursos Minerais e Energia.

“São, ao todo, 135 sedes de postos administrativos ainda sem energia eléctrica e estão em curso em todo o país 21 projectos em fase de implementação”, disse Max Tonela, Ministro dos Recursos Minerais e Energia que falava na sexta-feira no distrito da Massinga, província de Inhambane.

Max Tonela visitou infra-estruturas eléctricas e fez promessas à população sem acesso à energia.

“Na província de Inhambane, das sete sedes dos postos administrativos sem energia eléctrica, quatro serão electrificados por via da extensão da rede eléctrica nacional e três serão abastecidas através de fontes alternativas”, garantiu o Ministro dos Recursos Minerais e Energia.

O alargamento da rede eléctrica é feito no âmbito do programa do Governo Energia para Todos.

Os operadores turísticos da Ponta d’Ouro, na província de Maputo, dizem-se animados com o regresso às praias e esperam que com a possível reabertura da fronteira com a África do Sul o seu negócio ganhe fôlego, depois de meses sob flagelo da COVID-19. Entretanto, na primeira semana de retoma às praias, a temperatura era desfavorável e quase que não houve banhistas na Ponta d’Ouro.

O Coronavírus ditou um novo estilo de vida marcado por restrições no mundo para controlar a propagação da doença. O encerramento das fronteiras e praias foi inevitável e só há pouco tempo alguns países iniciaram um alívio gradual às proibições.

O turismo ficou afectado pela COVID-19 e quase à beira do colapso precisa de praias e fronteiras abertas para se reanimar. No dia 15 de Setembro, as praias moçambicanas foram reabertas mas quase ninguém foi à Ponta d’Ouro. Aquele espaço de lazer estava deserto, facto que predominou por quase cinco meses, deixando seca a fonte de dinheiro das estâncias turísticas.

“Resumindo, nós estamos em crise porque as pessoas não eram permitidas ir à praia e nós dependemos disso para ter clientes”, disse Firmino Massinga, um operador turístico na Ponta d’Ouro.

Os operadores turísticos dependem da praia para ter clientes e estes do clima para se fazerem às praias. Na primeira semana da permissão para se frequentar as praias a temperatura não estava favorável.

Contudo, nada que impedisse Amélia Mombassa de sair da Zambéziapara conhecer as maravilhas da Ponta d’Ouro.

“Realmente é a primeira vez que cá venho (Ponta d’Ouro) e estou a gostar bastante da praia, apesar” de haver poucas “pessoas por causa da situação do Coronavírus”, contou Amélia Mombassa.

Amélia e sua família chegaram à Ponta d’Ouro um dia depois da reabertura das praias no âmbito do relaxamento das restrições impostas pela COVID-19 e cumpriram as orientações para a prevenção do novo Coronavírus.

“Não usei máscara por questões de mergulho, mas quando estou diante de muita gente uso-a”, afirmou a interlocutora, acrescentando que nos supermercados locais é obrigatório o uso da máscara.

Confinada desde a eclosão da pandemia, Iria Mucavele precisava de respirar ar puro, sentir o pulsar da natureza, ver as ondas gigantescas formadas por águas cristalinas e a escolha não podia ser outra: a Ponta d’Ouro.

“Já estávamos a precisar. Ficámos muito tempo confinados. É verdade que há ainda restrições porque quando a praia enche e tem vindo polícias diminuir pessoas para não haver aglomerados”, contou a senhora.

Mesmo estando na praia em família é obrigatório usar a máscara porque se trata de um espaço público, daí a necessidade de tomar precauções para evitar o contágio pelo vírus que assola o mundo.
Na Ponta d’Ouro, as estâncias turísticas estão fechadas, os quartos bem arrumados e os restaurantes prontos a servir, mas não há visitantes.

“A verdade é que com a COVID-19 estamos a passar muito mal. Quase que tudo foi abaixo”, lamentou Maria Munguambe, operadora turística naquele ponto do país, exaltando a beleza da praia, mas com um número contável de pessoas. “Não temos aquele turismo que nós conhecemos”.

Ainda que não seja o que os operadores turísticos estão acostumados, as estâncias turísticas da Ponta d’Ouro sobreviveram durante os cerca de cinco meses de confinamento, com base no turismo doméstico.

“Posso dizer que 20% é o turismo nacional. Agora, 20% dos 100 não ajuda o trabalhador e muito menos a empresa, em geral. Essa percentagem só funciona para mantermos o espaço limpo e cortar a relva. Para voltar ao normal, será necessário muito trabalho”, queixou-se Maria Munguambe.

Mas pode não ser necessário tanto trabalho assim. É que com a reabertura das praias e, provavelmente, da fronteira da Ponta d’Ouro, os operadores turísticos esperam mais visitantes e mais dinheiro.

“A expectativa é maior porque antes da abertura das praias tivemos um movimento considerável. No fim-de-semana longo tivemos alguns hóspedes nas nossas casas e foi muito bom de vê-los”, disse Maria Madalena, operadora turística, secundada por Maria Munguambe ao afirmar que “as fronteiras vão reabrir e todos nós voltaremos a trabalhar como deve ser”.

O trabalho das estâncias turísticas deverá ter em conta as medidas de prevenção do novo Coronavírus, sobretudo com a possível reabertura das fronteiras com a vizinha África do Sul, país com mais de 600 mil casos positivos do novo Coronavírus.

“Água, sabão e máscara não podem faltar. É o que estamos tentar fazer. Agora, do distanciamento [físico] é difícil falar. Mas estamos a tentar…”, apontou Maria Madalena.

Para os restaurantes, a regra é a mesma: “temos desinfectantes, os trabalhadores com máscaras e medimos a temperatura. Nós seguimos todas as regras de prevenção do novo Coronavírus”, garantiu Firmino Massinga.

Com a reabertura das fronteiras, a África do Sul impôs a apresentação do teste negativo do novo Coronavírus a todos os visitantes que chegarem àquele país. Espera-se que medidas similares sejam tomadas do lado moçambicano, em caso de abertura, como forma de evitar o aumento do número de casos importados da terra do rand.

Dados de plataforma de emprego registam acréscimo de 76% nas candidaturas, de Abril a Agosto de 2020, comparativamente a igual período do ano anterior. Especialistas concordam que o mercado de emprego nunca mais será o mesmo, devido à COVID-19.

O imperativo do distanciamento social fez com que muitos negócios interrompessem as suas actividades, deixando inúmeras pessoas sem trabalho.

Uma destas pessoas é Ermelinda Matavel, jovem moçambicana que trabalhava num restaurante da cidade de Maputo.

Desde o dia em que foi divulgado o primeiro caso do novo Coronavírus em Moçambique, “ela [a chefe da nossa entrevistada] preferiu que nós fechássemos o restaurante para todos nós estarmos em segurança”, contou Ermelinda.

Apesar de achar a situação compreensível, Ermelinda ressentiu-se da falta de emprego. “Eu não pude pagar a minha renda de casa, por um bom tempo, por uns meses”.

Porque as necessidades precisam ser supridas, Ermelinda não consentiu ficar parada e apostou no auto-emprego. Ela aprendeu a fazer biscoitos fritos, conhecidos como “txobobos”, para vender. E é deste negócio que ela sobrevive.

O IMPACTO

Desde Abril, mês em que foi decretado o Estado de Emergência, a Agosto passado, foram registadas na plataforma “emprego.co.mz” 13.240 candidaturas, o que representa um acréscimo de 76% comparando ao igual período do ano anterior.

Na plataforma de trabalho informal “Biscate” houve registo de 955 trabalhos entre Janeiro a Agosto deste ano, uma redução de 12%, comparando com igual período do ano anterior.

Os dados acima referidos foram concedidos pela UX, empresa de tecnologia que criou as referidas plataformas de emprego formal e informal.

“As pessoas que procuram as vagas passam mais tempo no site a ver um maior número de vagas (..). Neste período, o que reparamos é que as pessoas olham para quatro, cinco, seis vagas”, explicou Tiago Coelho, director executivo da UX.

Mas, nem tudo foi mal neste período, segundo Mauro Mahumane, representante da Precision Recruitment International, ou, simplesmente, P.R.I, empresa multinacional de consultoria em recursos humanos e recrutamento. Alguns sectores ofereceram mais emprego em tempos de pandemia.

Mauro apontou o sector de mineração, alimentação e transporte como os que mais procuraram os serviços da P.R.I para recrutar trabalhadores.

Enquanto dados da UX mostram que o sector que mais divulgou vagas na plataforma “emprego.co.mz” foi o de Saúde, com 63 das 910 vagas publicadas entre Janeiro e Agosto deste ano. A seguir está o sector de Finanças, com 62, e por fim, o sector de Supervisão e Coordenação, com 61 vagas.

CONSEQUÊNCIAS PERMANENTES

Apesar de Mauro acreditar que não existirá um período “pós-COVID”, ele explica que a pandemia deixará cicatrizes no mercado de emprego e quem quiser sobreviver precisará adaptar-se ao “novo normal”.

“Como estamos parados, temos que fazer formações, participar em webinars, actualizar os nossos CV’s (currículos vitae) ”, disse Mauro.
Tiago Coelho antevê um advento do trabalho remoto, pois a pandemia mostrou haver posições que são mais produtivas com os colaboradores fazendo os seus trabalhos a partir de casa, o que mudará as dinâmicas do emprego como conhecemos.

Algumas funções que demandam presença física, como os serviços de limpeza de escritórios ou administração dos mesmos podem ser grandemente impactados com isso.

E porque readaptação é a palavra de ordem, Ermelinda está hoje a aprender corte e costura para suprir as suas necessidades. E é este o conselho que ela deixa a todos que se encontram na mesma situação que ela.

 

Inaugurado em Outubro do ano passado, o porto de pesca da Beira, em Sofala, vai receber, a partir deste mês, navios de grande tonelagem com carga fresca proveniente de outros países. Há condições para conservar o pescado por um ano.

Segundo o director do porto, António Remédio, neste momento estão a ser descarregadas 700 toneladas de carapau, proveniente da Namíbia, transportado por um navio de 107 metros de largura.

“Esta é a primeira vez que estamos a receber navios deste calibre, contendo produtos frescos, facto que justifica o investimento feito pelo Governo na reconstrução do porto de pesca da Beira”, disse António Remédio.

O dirigente também informou que o porto está equipado com câmaras frigoríficas que atingem menos 25 graus de temperatura para a conservação do pescado durante um ano, e menos 60 graus para conservar atum.

A infra-estrutura possui, igualmente, uma sala de processamento de produtos que acabam de sair do mar, com a capacidade de 50 toneladas por dia, bem como máquinas de congelamento rápido com capacidade de gelar 500 quilos por hora.

Neste contexto, António Remédio explicou como estão a ser criadas condições para evitar perdas de produto.

O pacote de investimento no cais número um, onde está localizado o porto de pesca da Beira, incluiu a aquisição de gruas e empalhadeiras para facilitar o serviço de descargas.

Quando o porto de pesca da Beira esteve encerrado, toda a carga fresca importada era manuseada no porto comercial da Beira, facto que acarretava elevados custos para os proprietários dos produtos.

Os armadores nacionais elogiaram a iniciativa, que para eles está a contribuir para colher benefícios económicos.

“Estamos a colher muitas vantagens com este porto (…). Temos câmaras frigoríficas excelentes, modernas e isso traz-nos vantagens económicas pois a qualidade de produto é outra”, afirmou Martins Mário, um dos armadores e utente do porto de Pesca da Beira.
Martins também destacou “as agradáveis condições de higiene” no porto.

O porto de pesca da Beira foi construído na era colonial e degradou-se ao longo do tempo até entrar em desuso, há cerca de 20 anos. Foi completamente destruído após a passagem do ciclone “Eline” pela região centro do país, no ano de 2000.

Atento à importância da infra-estrutura, o Executivo levou a cabo obras de reconstrução, ampliação e modernização.

Com as obras, o cais foi estendido 188 para 377 metros, permitindo a atracagem de 16 embarcações industriais de pesca em simultâneo, contra as anteriores oito, assim como o manuseamento de carga fresca nacional e estrangeira.

Foram investidos cerca de 120 milhões de dólares, provenientes do empréstimo do governo chinês. A inauguração foi orientada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, em finais do ano passado.

As dificuldades de transitabilidade nas estradas não classificadas na Zambézia serão ultrapassadas, a partir deste ano. O Banco Mundial desembolsou 3.5 mil milhões de meticais para a reparação dessas vias de acesso nos distritos da Maganja da Costa, Mocubela, Pebane, Chinde, Luabo e Morrumbala.

Com o financiamento, de acordo com o director provincial das Obras Públicas e Habitação na Zambézia, Fernando Maíngue, serão intervencionados 664 quilómetros de estradas.

Com o valor disponibilizado pelo Banco Mundial serão abrangidas também vias que estão sob alçada da Administração Nacional de Estradas (ANE) e as que estão na rede viária sob gestão dos distritos acima mencionados, disse Fernando Maíngue.

Paralelamente àquele investimento, o Programa de Mercados Rurais (PROMER) vai investir 50 milhões de meticais para intervenções pontuais em algumas estradas dos distritos de Alto-Molócuè e Gurúè, onde as obras vão iniciar ainda este ano.

O governador da Zambézia, Pio Matos, fez saber que, através dos recursos localmente disponíveis, alguns trabalhos já decorrem para minimizar o sofrimento dos produtores.

VIAS DEGRADAS COMPROMETEM ESCOAMENTO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

Um total de 1.600 quilómetros de estradas, das quais não classificadas, está a comprometer o escoamento de produtos agrícolas para o mercado na província da Zambézia.

Dados fornecidos pela Direcção Provincial da Indústria e Comércio na Zambézia indicam que a província planificou, este ano, comercializar pouco mais de três milhões de toneladas de produtos agrícolas diversos.

No entanto, por causa de problemas que as vias de acesso apresentam o processo de escoamento de produtos agrícolas para os mercados está a ser feito de forma condicionada.

Falando a jornalistas, depois de visitar um campo de seis hectares de hortícolas, no distrito da Maganja da Costa, a directora provincial do sector, Vera Godinho, explicou que já foram vendidos pelo menos um milhão e meio de produtos diversos.

“Neste momento está a decorrer a campanha de comercialização de feijão bóer” na Zambézia, disse a dirigente, garantindo que até ao fim deste mês a província já terá uma ideia global do que será comercializado.

“Nós propusemos comercializar, no presente ano, cerca de três milhões de toneladas de produtos agrícolas diversos. Pelas nossas contas, já estamos acima de 40% da meta global”, esclareceu a interlocutora, admitindo que a degradação das vias de acesso é séria na Zambézia e compromete o escoamento de produtos agrícolas para mercados da província.

Artigo do Fórum Económico Internacional em parceria com as seguradoras Marsh & McLennan, Zurich Insurance Group e da multinacional coreana SK Group, diz que líderes mundiais demonstraram especial preocupação em relação ao clima, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas. Os autores do documento declaram que apesar da pandemia ter tornado o clima, uma preocupação menor, este problema ainda deve ser tratado como prioridade pois ainda representa um risco para a economia global.

No referido artigo, os autores explicam que apesar do novo coronavírus ter roubado cena às preocupações com mudanças climáticas, ambas situações colocam em risco a economia.

Para Scott McDonald, vice-presidente da Marsh & McLennan “a recuperação da COVID-19 deve estimular uma maior resiliência e estabelecer um caminho claro para um futuro de baixo carbono”.

MacDonald acrescenta que a pandemia deixou as empresas mais vulneráveis a catástrofes climáticas como “incêndios florestais, tempestades e inundações”.

Saadia Zahidi, directora-geral do Fórum Económico Internacional também concorda que a pandemia está a devastar vidas e meios de subsistência, gerando uma crise económica com efeitos a longo prazo.

Contudo, apesar desses efeitos negativos, Zahidi acredita que temos “uma oportunidade única de usar esta crise para fazer as coisas de forma diferente e reconstruir melhores economias que sejam mais sustentáveis, resistentes e inclusivas”.

Lee Hyung Hee presidente do Grupo SK, vai mais longe, afirmando que resolver o problema das mudanças climáticas será primordial para lidarmos com o “novo normal”.

O artigo aponta que em janeiro deste ano, o Relatório de Riscos Globais (Global Risk Report em inglês) apontou certos efeitos adversos das mudanças climáticas como os cinco principais riscos à economia global. E eles são:

  1. Eventos climáticos extremos com grandes danos em bens, infra-estruturas e perda de vidas humanas;
  2. Fracasso da atenuação das alterações climáticas e adaptação por parte do Governo e das empresas;
  3. Danos e desastres ambientais de origem humana, incluindo crimes ambientais, tais como derrames de petróleo e contaminação radioactiva;
  4. Grande perda de biodiversidade e colapso do ecossistema (terrestre ou marinho) com consequências irreversíveis para o ambiente, resultando no esgotamento grave dos recursos para a humanidade, bem como para a indústria;
  5. Grandes catástrofes naturais como terramotos, tsunamis, erupções vulcânicas e tempestades geomagnéticas;

Para Peter Giger, director de risco na Zurich Insurance Group, o grande esforço que está a ser feito para revitalizar a economia global não pode roubar a atenção destes riscos que o descaso ao clima nos faz correr.

“Não devemos perder uma oportunidade única de enfrentar estas duas crises [COVID-19 e clima] em conjunto, tornando verdes as medidas de apoio da COVID-19, e reconstruindo melhor”, conclui Giger.

São muitos os “patrões” das trocas comerciais entre Moçambique e o mundo fora, entretanto, o Instituto Nacional de Estatística (INE) destaca os que mais se evidenciaram no seu relatório intitulado Síntese de Conjuntura Económica referente ao segundo trimestre deste ano.

Entre os países que compram produtos de Moçambique o destaque vai para a Índia. Sozinha comprou 31,1 por cento dos bens e serviços que as empresas que operam na “pérola do índico” venderam entre os meses de Abril e Junho, ou seja, no segundo trimestre deste ano.

Quem não fica atrás é a China, tendo no período em análise adquirido 28,2 por cento dos produtos nacionais. Seguem na lista dos compradores, os Emiratos Árabes Unidos, que comprou nove por cento dos produtos e a África do Sul que ficou com 8,5 por cento.

Entre os principais produtos comprados em Moçambique, ou seja, que o país exportou estão: o gás de petróleo, a energia, os minérios de titânio, os combustíveis sólidos e briquetes (um bloco compacto de materiais energéticos, geralmente feito a partir de resíduos de madeira).

E QUEM VENDEU MAIS PARA NÓS?

Os que mais compraram de Moçambique também encontram-se na lista dos países que mais venderam para o país. Segundo o INE, na lista dos fornecedores de Moçambique, destaque vai para África do Sul (26,4%), Índia (12,4 %), China (8,8%) e os Emiratos Árabes Unidos (8,5%).

Tais países venderam para Moçambique no segundo trimestre deste ano (Abril a Junho) óleos de petróleo, energia, agentes orgânicos, medicamentos, arroz, centrifugadores (aparelho que faz a separação de componentes diversas) e cimento, refere o relatório do INE.

Em termos globais, no segundo trimestre de 2020, o volume das exportações de Moçambique rondou em cerca de 735,1 milhões de dólares americanos, segundo os dados do INE publicados na página electrónica da instituição pública.

“Dos principais produtos exportados, o destaque vai para as barras e perfis de alumínio (29,0%), carvão mineral (hulha) (19,0%), energia eléctrica (13,7%), gás natural (8,9%) e areias pesadas (6,3%) ”, indica a Síntese de Conjuntura Económica do INE.

Segundo o mesmo documento, no período em análise, o volume das importações (compras de Moçambique) totalizou cerca de 1,4 mil milhões de dólares americanos, tendo-se destacado as de maquinaria (16,5%), as de cereais (9,4 %) e as de gasóleo (7,4%).

“No IIº trimestre de 2020, o défice da balança comercial de bens fixou-se em cerca de 660,8 milhões de dólares americanos. As exportações e importações reduziram cerca de 33,2% e 23,1%, respectivamente, quando comparadas às do Trimestre homólogo de 2019”, apontam dados provisórios sobre o comércio externo que constam do relatório do INE.

Em termos comparativos, durante o segundo trimestre de 2020, a importação de equipamentos observou um incremento fixado em 99,5% quando comparado com o período homólogo de 2019 e uma redução de cerca de 33,4%, quando comparada com o trimestre anterior, refere a publicação do INE.

De Abril a Junho do presente ano, volume de cimento nacional vendido teve uma redução de 6,1%, face a igual período de 2019 e um aumento de cerca de 20,1%em relação ao trimestre anterior. “O nível de importação do cimento aumentou quando comparado com o trimestre homólogo de 2019 em cerca de 99,5% e teve uma redução de cerca de 33,4% quando comparado com o período anterior”.

Por seu turno, a quantidade de carvão vendida aumentou cerca de 191,3% e 33,4% comparativamente aos trimestres homólogo de 2019 e anterior, respectivamente.

Já o volume de alumínio vendido reduziu tanto em relação ao trimestre homólogo de 2019 como em relação ao anterior, fixando-se em cerca de 0,7% e 2,2%, consecutivamente.

Receitas do Estado aumentaram em apenas 500 mil meticais
Abril a Junho de 2020 foi um segundo trimestre de fraca cobrança de receitas pelo Estado, se comparado com o mesmo período de 2019. Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que as receitas totais do Estado aumentaram em apenas cerca de 0,5 milhões de meticais.

Trata-se uma situação registada numa altura o metical registou uma depreciação nominal do Metical face ao dólar americano e ao euro, indicando 5,2 pontos percentuais (pp) e 4,4 pp, respectivamente e uma apreciação da moeda nacional em 0,6 pp em relação ao rand.

+ LIDAS

Siga nos