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O País – A verdade como notícia

Carlos Eduardo Abijaodi participou, nesta sétima edição da MOZTECH, através da Internet. A partir do Brasil, onde se encontra, o orador partilhou experiências, tendências e conhecimentos relevantes para os países em desenvolvimento, como é o caso de Moçambique. Numa sessão que durou cerca de 45 minutos, o Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil frisou várias vezes que o nosso país possui potencialidades acrescidas na área da industrialização. Para tirar proveito disso, no entanto, os moçambicanos, numa combinação de esforços entre o Governo e o sector privado, devem preocupar-se em investir no que considera integração internacional. Segundo afirmou, é na integração internacional, no contacto entre países que Moçambique pode garantir a obtenção de tecnologias novas bem como o conhecimento diferenciado, fundamental para o desenvolvimento sustentável no capítulo da industrialização.

“O que a gente pode sugerir para Moçambique, por exemplo, é uma aproximação maior, não só connosco [Brasil], mas também com os outros países”, sublinhou Carlos Eduardo Abijaodi, para depois acrescentar: “eu tenho experiência de vivência aí com os países africanos. Já estive muito próximo de todos vocês e vejo que existe um potencial muito grande a ser explorado nessa relação Brasil e Moçambique, porque nós temos dificuldades muito parecidas”.

No entendimento do Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil, a inovação, na área da industrialização, deve ter base da manufactura, o que deve ser acompanhado pela redução da burocracia. Além disso, Carlos Eduardo Abijaodi entende que países como Moçambique devem investir nas Pequenas e Médias Empresas (PME). “Precisamos de inserir nas nossas Pequenas e Médias Empresas, porque são elas que precisam muito do apoio das instituições, para que possam enxergar mais longe, ver um horizonte mais produtivo e exemplos de outros países”.

Numa sessão subordinada ao tema “Conhecimento e investigação ao serviço da industrialização”, moderada pelo jornalista Francisco Mandlate, o Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil realçou ainda a importância da capacidade de adaptação dos profissionais contemporâneos, que, consoante os desafios actuais, devem se reinventar para que possam garantir o seu posto de trabalho. Tal cenário, realçou, não depende apenas do indivíduo. O envolvimento do Estado é igualmente indispensável. “Devemos ter em mente que os empregos vão sempre existir, de alguma forma. Entretanto, só vão alcançar os melhores empregos aqueles que souberem se adaptar às exigências que esse novo emprego traz. Nós temos de ter consciência disso e fazer com que essa mão-de-obra esteja preparada para ser absorvida pelo mercado”.

O apoio governamental, reforçou Carlos Eduardo Abijaodi, é importante para que a indústria consiga gerar emprego, accionar a economia e fazer com que se aproveite as capacidades nacionais. Aliado a isso, é fundamental ser competitivo, oferecendo produtos bons e mais baratos. Outra coisa que sugeriu: “é muito importante que as empresas locais tenham a noção de que os seus problemas são muito parecidos aos das empresas de outros países, apesar das distâncias. Nós trabalhamos na inserção do Brasil através de acordos comerciais, de cooperação técnica e aproximações bilaterais entre países para assinarem parcerias que possam virar acordo em áreas estratégicas que possam trazer benefícios no agro-negócio e na agro-indústria”.

Ainda na sua intervenção no painel desta quinta-feira, Carlos Eduardo Abijaodi explicou que não existem segredos em termos de caminhos para o sucesso da industrialização. Aliás, afirmou, o sucesso da industrialização depende de estudar os problemas que afligem as realidades sociais concretas, quer na área administrativa, quer na área tributária. Esses problemas prementes de Moçambique, reforçou, devem ser atacados com o Governo. “Muitas das acções terminam quando o produto sai da fábrica. Aí entram as acções do Governo e questões de logística, portuária e dos transportes. Tem que ser um trabalho a quatro mãos, dentro do que o mundo moderno está demandando. Nesse sentido, recomenda a aplicação de técnicas de digitalização e o investimento em processos tecnológicos modernos, sempre com interacções internacionais dinâmicas.

O Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil aconselha os moçambicanos a enfrentarem a quarta revolução industrial actual sem medo. “Às vezes, a gente é demasiado pessimista mais do que devia ser. Imaginando que as coisas não vão dar certo, vendo problemas. Mas se a gente se afastar dessas exigências que o mundo está impondo, nós estaremos fora do mercado, com indústrias obsoletas (…). Temos de apreender as tecnologias novas, com mais conhecimento técnico e conhecer os processos”. Só assim, para Carlos Eduardo Abijaodi, é possível ter uma indústria, capaz de pagar melhores salários e honrar os compromissos fiscais.

A sétima edição da maior feira de tecnologia de Moçambique termina esta sexta-feira.

Não há sombra de dúvidas que em países onde a tecnologia 5G está a ser implementada tem ocorrido grandes transformações, desde a telemedicina, por exemplo e pelo facto de que muito e mais objectos estão conectados à internet e podem ser remotamente manipulados. Em Moçambique, qual seria o impacto desta tecnologia?

Quando falamos de 5G, gostaria, mais uma vez, de recordar sobre os três números mencionados quando fui entrevistado na última edição do Moztech, que são 1, 10 e 100, onde 1 significa 1 milissegundos, com velocidade da internet muito baixa, 10 significa 10 gigabits, é rápido na transmissão e 100 significa 100 biliões, é o número massivo de dispositivos conectados; com a tecnologia avançada, acredito que o impacto de 5G será grande em Moçambique, tomando telemedicina que mencionaste como exemplo, a tecnologia 5G permite aos médicos fazerem o diagnóstico e o tratamento para mais pacientes num dado espaço de tempo e principalmente nas zonas rurais. Com esta conectividade, os médicos poderão realizar trabalhos nos pacientes dessas zonas rurais, onde o transporte e a existência de serviços médicos são limitados. A pesca é também um dos sectores importantes porque Moçambique tem vários recursos marinhos, portanto a tecnologia 5G poderá ser adoptada para transformar a pesca usando um conceito que chamamos de reconhecimento visual do peixe. Neste conceito, colocamos uma câmara de alta definição na água para captar imagens de peixe, identificar parasitas nos peixes e depois disso podemos fazer o seguimento dos peixes e desta forma podemos prevenir que algo ruim aconteça, mesmo antes de acontecer; com o uso deste tipo de tecnologia aumentamos a produtividade e baixamos o custo da produção pesqueira. Em Moçambique há muita riqueza em termos de recursos minerais e com tecnologia de baixa velocidade, os trabalhadores poderão fazer o controlo remote das máquinas, mesmo sob condições muito cruciais, portanto não precisas de tomar o risco no local, deste modo poderá estar mais seguro e a eficácia será maior. Como uma verdadeira tecnologia revolucionária, a indústria, educação, revendedores, transporte e entretenimento irão eventualmente beneficiar-se da tecnologia 5G, em Moçambique, acredito que bastando que os líderes da indústria pensem amplamente e abracem a tecnologia 5G o mais breve possível, acredito que todo país irá se beneficiar disso.

Que tipos de estratégias devem ser adoptadas com vista a garantir que, por exemplo, nas zonas rurais, a maioria da população possa se beneficiar da tecnologia 5G?

Acho que esta é uma questão bastante realística porque quando falamos sobre 5G, é baseado no 4G e a próxima fase será a rede 5G autónoma, serão separados em duas fases, a primeira fase consiste em aumentar a cobertura da rede básica, estamos a falar de 2G, 3G e 4G que é a principal tecnologia em Moçambique e por expandir a cobertura de 4G, o 5G poderá ser acrescentado por cima da rede 4G, baseado nisso, a tecnologia poderá ser directamente desenvolvida para 5G e a próxima fase consistirá em termos uma tecnologia autónoma que está sendo negociada por várias entidades de países diferentes sob a liderança do CGPP. Portanto, na minha perspectiva, em Moçambique, para se prover serviços e com a finalidade de fazer com que as pessoas residentes nas zonas rurais usufruem o benefício da conectividade, a coisa mais importante é aumentar a cobertura universal, o mais breve possível e acredito de que o governo e os operadores têm estado a implementar essas acções, já há bastante tempo, contudo, neste momento acho que eles deviam ser um pouco mais agressivos com vista a melhorarmos a cobertura universal, para que as pessoas que estão desconectadas possam estar conectadas o mais breve possível. E a próxima fase não consiste em apenas ter a conectividade, mas precisas de ter uma melhor experiência do uso de uma rede rápida, a banda larga nacional, que irá permitir conectar com as pessoas, com as máquinas e com as outras empresas, com uma boa velocidade e estabilidade, repito, todos podem fazer o que poderem, baseado na conectividade, o meu ponto de vista neste momento e a minha sugestão é de sermos mais agressivos na cobertura universal.

O aumento da cobertura da internet requer investimento, acha que o nosso país possui capacidade para tal?

Porque em África, acho que a maioria dos países têm problemas semelhantes, a pressão financeira, a minha opinião é que por exemplo, Moçambique deve alavancar todos os recursos de diferentes partes, não apenas do sector privado, mas também do sector público. Falando da situação em Moçambique, a minha sugestão é de que em primeiro lugar tem que se tentar obter novos modelos para além dos existentes, porque os já existentes realmente funcionam, tenho que assim dizer, porque anualmente há fundos do governo para os operadores, para ser mais preciso, para as zonas rurais; isso funciona, mas a minha sugestão como resposta à questão colocada é que temos que ser mais agressivos, talvez pode se tentar ou tomar em consideração alguns modelos novos e os fundos de algumas organizações, podendo ser do Banco Mundial e de outras instituições financeiras e de outras organizações com visão de ajudar a conectar as pessoas que estão desconectadas, acho que existem várias oportunidades e sempre dissemos que é mais fácil de se encontrar a solução quando temos apenas um único problema, bastando que todos intervenientes trabalhem em conjunto, acredito que podemos eficazmente resolver os problemas financeiros.

Como é que avalia a qualidade de operadores em Moçambique, em termos da internet, acha que estão a ter um bom ou mau desempenho, estão talvez no meio-termo ou ainda estão a enfrentar dificuldades para prover melhores serviços para as pessoas?

Sendo franco e honesto, acredito que os operadores em Moçambique estão a fazer um grande trabalho, olhando para a geografia e para a distribuição da população, porque as pessoas não apenas residem no centro do país, não residem apenas nas capitais provinciais, talvez a maioria esteja lá, mas continuamos a ver muita gente espalhada em diferentes zonas e o país é extenso e também com uma longa costa. Assim sendo, na minha opinião, quando comparamos o número de pessoas servidas pelas três operadoras em Moçambique, essas pessoas têm oportunidade de ter acesso à internet, contudo, ainda há espaço para que possam fazer melhorias. Estamos sempre a falar da cobertura universal e quando olhamos para as operadoras, elas aplicam tarifas estáveis e acessíveis às pessoas quando comparamos com outros países. Nós próprios realizamos essa pesquisa e fizemos a comparação das tarifas aplicadas nessa região na qual constatamos que Moçambique é um dos mercados mais baratos, não digo que o mercado é barato mas refiro-me às tarifas que são realmente baixas, para que as pessoas possam usufruir da internet, dos benefícios com baixos custos comparando com outros países. Portanto, isso é algo que os operadores estão a tentar fazer, é claro que todas as empresas precisam de ter lucros razoáveis para manterem as operações, na minha opinião as operadoras estão a dar o seu melhor para servir o povo em Moçambique, admiro a elas e é claro que ainda há espaço para se implementar melhorias, razão pela qual sempre digo que todos os intervenientes, não apenas os operadores, mas empresas como Huawei, o governo e reguladores, precisamos todos de tomar a nossa responsabilidade de prover melhores serviços para o povo em Moçambique.

Há uma outra questão que se coloca no debate que tem a ver com a iliteracia tecnológica. Temos uma vasta maioria de pessoas que residem nas zonas rurais que não sabem utilizar o telemóvel, não existem estatísticas oficiais, mas parece que muita gente não explora esse meio, ou explora menos de vinte e cinco porcento da capacidade dos telemóveis, como assegurar que a tecnologia como 5G poderá beneficiar as pessoas e poderá promover a inclusão das pessoas?

A tecnologia, a literacia, a industrialização inclusiva e sustentável podem beneficiar uma a outra. Não devemos separá-las ou insolar, no meu ponto de vista, precisamos de juntar e caminharem em paralelo para alavancarem o nível da economia de Moçambique para um outro nível, portanto, a sua questão, de que como é que podemos garantir isso, de um lado, a chave para o alcance da industrialização sustentável é continuarmos a investir no cultivo porque a geração jovem é sempre muito importante e o cultivo do programa deve ter a colaboração do sector público e privado em três áreas: a primeira é o aumento digital dos profissionais das TIC e o segundo aspecto consiste em encorajar e permitir os jovens estudantes a melhorarem os seus estudos relacionados com as TIC e fazer com que eles sejam mais empregáveis e o terceiro aspecto é a promoção das TIC no cidadão comum, do outro lado a própria tecnologia 5G irá trazer os benefícios à conectividade e cobertura da educação, isto é muito importante. Portanto, com a melhor conectividade, os estudantes terão mais interesse e incentivos de aprender quando tiverem acesso aos vastos recursos de aprendizagem e os professores poderão também ser empoderados com as melhores habilidades e o mais importante é que com a melhor conectividade pode-se expandir a educação inteligente para as zonas rurais, onde as jovens gerações não conseguem participar nas aulas, nas escolas, talvez porque estão tão distante das escolas, talvez não haja bom sistema de transporte público ou são extremamente pobres para conseguirem ter acesso à educação.

Apesar de haver industrialização sustentável, vimos que na realidade de Moçambique, há muita gente que trabalha no sector informal. Como é que essas pessoas poderão beneficiar da tecnologia 5G para melhorarem os seus negócios? Vimos a maioria das pessoas a fazerem negócios todos dias, nos mercados formais e informais, vimos isso em todo país, é possível com que a tecnologia 5G ajude essas pessoas? Como é que poderão garantir o uso dessa tecnologia na sua vida cotidiana e nos seus negócios?

A tecnologia 5G, preciso de mencionar isso de novo, esta é a fundação para a conectividade no futuro, irá permitir com que mais máquinas, mais dispositivos e pessoas estejam conectados à internet.

Mas não há necessidade de se usar dispositivos sofisticados, ou essa é a principal condição para o uso da tecnologia 5G?

Não! Estou a dizer que no futuro tudo deve estar conectado e a razão de sempre dizer que 5G é o local para a conectividade no futuro é devido às três características que mencionei no princípio, a sua rápida velocidade, baixa e a conectividade massiva. Portanto, com essas três características chaves de 5G, irão permitir com que as pessoas, as máquinas estejam conectadas, podendo fazer o que quiserem baseado nisso, respondendo à sua questão de como é que as pessoas trabalhando no sector formal e informar poderão usufruir da tecnologia 5G no seu cotidiano. A minha sugestão é que, em primeiro, devemos estar abertos para todas as tecnologias, 5G é uma tecnologia, mas claro que existem outras tais como o Cloud (Nuvem), a inteligência artificial, internet de coisas, são todas tecnologias, portanto temos que estar abertos para este tipo de tecnologias, incluindo o governo, este deve encorajar com que se abracem essas tecnologias ou estabelecer regras para a aceleração do motor desse tipo de tecnologias em Moçambique, essa é uma das prioridades e depois disso, a forma na qual as pessoas poderão usufruir é baseada na sua percepção da tecnologia. É preciso que haja estudantes com habilidades ou pessoas que entendem a tecnologia para que possam elaborar programas ou aplicações baseadas nos requisitos das pessoas; o último aspecto que gostaria de enfatizar é que a conectividade serve para conectar a ti, com as outras pessoas e máquinas, portanto, o que precisamos de fazer é sermos proactivos nas coisas do futuro, como é que podemos alavancar a tecnologia na vida cotidiana, desta forma, não precisa de pensar tanto, podes pensar em algo da vida cotidiana, o que queremos melhorar no cotidiano.

A rede 5G fará com que as fábricas sejam mais inteligentes e os processos mais rápidos e melhores, para além disso espera-se que a tecnologia 5G irá permitir uma grande conectividade de máquinas num curto espaço de tempo, reduzindo os custos operacionais e aumentando a produtividade. poderá ser adoptada enquanto se mantém o processo limpo e amigável ao meio ambiente?

5G aparece no momento em que a eficiência da energia é uma questão de vida ou morte porque a eficiência da energia é bastante importante neste momento, a tecnologia 5G poderá desempenhar um papel muito significativo em ajudar todas indústrias a alcançarem as suas metas de sustentabilidade, permitindo-lhes que sigam a partir dos seus processos e comportamento, de acordo com a pesquisa realizada pela Huawei e as Análises, Mason, constatamos que 5G poderá ter um impacto ambiental significativo em sectores como energia, saúde e na manufactura. Todos esses têm elevadas emissões de gases com efeito de estufa, isto requer a combinação de outras tecnologias tais como Cloud, Inteligência Artificial, internet das coisas, mais outra mudança como a adopção de energias renováveis. Em termos da poupança de energia, como uma empresa razoável, a Huawei tem estado a trabalhar e a investir tanto nas soluções de poupança de energia. Neste momento fizemos a arquitectura da nossa solução que denominamos de solução Lean-Sai, que o consumo da energia e o custo de energia em 5G é de uma décima de trinta em 4G, porque ao falarmos sobre a velocidade falamos de 1 gigabit, 2 gigabit, portanto o nosso consumo de energia por bit e o custo por bit é baixo em 4G. Porquê é que podemos alcançar isso porque estamos a desenhar novos algoritmos e estamos a usar algum material novo, bem como uma novo formato. Portanto, com todo esse tipo de acções levados a cabo, bem como os outros parceiros nas outras indústrias estão a tentar fazer o seu melhor para reduzirem o consumo de energia e melhorarem a eficiência da energia, tal como as viaturas electrónicas que usam bateria de lítio que permite a viatura a percorrer mais de quinhentos quilómetros sem ser carregada.

Como é que a Huawei olha para o mercado e como é que se posiciona estrategicamente? Em outras palavras gostaria de saber qual é a estratégia da Huawei para o nosso mercado?

Conforme possa saber, a Huawei tem operações em mais de 160 países, na verdade a empresa é conduzida por iniciativas, neste momento que chamamos de “ataque para todos”. Em Moçambique, em primeiro lugar iremos cumprir com as leis, regras e regulamentos locais; em segundo, iremos trabalhar sob a orientação do governo, da estratégia de desenvolvimento das TIC; e por fim quero ser honesto dizendo que a nossa estratégia é bastante simples e clara, queremos ser impulsionadores através das TIC, para alcançar as vidas das pessoas e na comunicação, essa é a nossa estratégia, é claro que há muita coisa que temos que fazer para alcançarmos essa estratégia, seremos impulsionadores para todas indústrias, principalmente para os operadores, para o governo e para os reguladores bem como para qualquer utilizador, gostaríamos de ser impulsionadores para impulsioná-los a melhor utilizarem as TIC para alcançarem uma melhor vida e melhor comunicação.

As tecnologias são muito importantes em camadas sociais. Huawei tem sido activo na promoção das tecnologias, oferecendo vários dispositivos nas escolas. Como fazer para replicar e massificar essas iniciativas e o seu impacto social, principalmente, em termos de educação?

 Na verdade, realizamos vários programas ou actividades recentemente, com o governo e com outros parceiros, por exemplo, a competição das TIC 2020 e também apoiamos a primeira cimeira digital em Moçambique, programas do futuro e conforme sabes também doamos algum equipamento das TIC para laboratórios informáticos na UEM e UP o que lhes ajudou a equiparem os laboratórios informáticos nessas universidades e estamos a trabalhar com mais universidades e instituições para equipar mais salas das TIC Huawei, também assinamos um Memorando de Entendimento com o INEFP para que os seus formandos possam ter estágios na Huawei Moçambique, com todo, com esse tipo de actividades queremos fazer com que a voz soe mais alto e que em todos intervenientes, não importa se são públicos ou privados, precisamos de colocar mais ênfase no cultivo de jovens gerações porque sempre dissemos que as pessoas são o recurso chave para o sucesso do país no futuro. Se me perguntares como é que podemos replicar ou massificar? O que posso dizer é como Huawei faremos o nosso melhor para influenciar o governo, o sector privado, mas é claro que tudo deve ser…o que fazemos talvez não soa suficientemente, gostaríamos de convidar e encorajar a todos intervenientes a se juntarem a esse programa do cultivo dos jovens para que o seu desenvolvimento seja mais rápido e mais profissional para que possam contribuir mais quando crescerem e eles poderão ser os líderes chaves de Moçambique no futuro. Portanto, o que nós fazemos é o que podemos fazer, fazemos com que as nossas vozes soem mais alto, damos boas vindas e esperamos que possamos trabalhar em estreita cooperação com todos intervenientes no futuro.

Estando, a Huawei presente em todo mundo e, em particular em Moçambique, que tecnologias poderão ser mais adequadas para enaltecerem a industrialização de países como Moçambique? Conforme anteriormente mencionou, falou da pesca por exemplo, agricultura e indústria.

Soluções viáveis ou tecnologia viável porque quando falamos sobre o avanço da tecnologia, às vezes não é realmente aplicável em alguns dos países, o que quero dizer é que a estratégia ou o nosso pensamento em Moçambique é de ajudar o governo e os operadores com as soluções mais viáveis, por exemplo, o que constantemente menciono é a cobertura universal, o que fizemos noutros países foi criar uma solução a custo muito baixo, que pode ajudar o governo ou os operadores a expandir a sua cobertura para as zonas rurais com rapidez, porque quando falamos sobre a cobertura universal, o retorno do investimento será maior quando se usar a solução padrão, o que damos é a solução local, este é apenas um exemplo, portanto, a nossa sugestão ou o que estamos agora a fazer é explorarmos e entendermos o requisito real do país, das pessoas para que possamos oferecer uma solução viável.

O que pode ser feito em termos de condições de ambiente de negócio para facilitar o crescimento de empresas como a Huawei em Moçambique? Sabemos que temos várias empresas do ramo tecnológico no país. O que pode ser feito para facilitar o seu crescimento?

Acho que isso é algo que mencionei há pouco tempo. Precisamos de ter todos intervenientes a trabalharem em conjunto porque quando falamos de ambiente de negócios, não está apenas relacionado à empresa por si, ou o regulador, ou o governo, são todos intervenientes que devem contribuir ou devem trabalharem em conjunto.

Mas conforme anteriormente mencionou, um dos pontos de debate tem a ver com o quadro legal, às vezes questiona-se, como poderemos ter um quadro legal que facilita o crescimento económico, o melhor ambiente de negócios em Moçambique? Esta é uma questão chave que tem sido colocada.

Talvez as pessoas acham que existe um certo tipo de conflito entre essas três partes ou entre várias partes, mas não existe. Por exemplo, uma das minhas sugestões é de que o governo deveria facilitar uma cooperação estreita entre outros intervenientes para que ao se estabelecer certas regras para as entidades trabalharem em conjunto, de uma forma melhor irão trabalhar em conjunto e para o regulador, porque estou a falar do ambiente de negócio das TIC. O regulador poderá remover as barreiras para o avanço da tecnologia, fazendo o espectro ou fazendo a partilha das infra-estruturas das TIC, com preços baixos, os operadores poderão trabalhar numa estreita cooperação porque vão partilhar as infra-estruturas das tecnologias de comunicação, as torres e claramente o espectro, se fazer com que seja mais acessível, talvez poderão fazer com que a tarifa seja também mais acessível.

Então está a falar sobre uma forte intervenção do governo/Estado?

Acho que isso é algo que o regulador deve pensar nele, mas conforme mencionei, a tarifa praticada em Moçambique é realmente competitiva. O último factor é para os operadores, ou para as próprias empresas, em primeiro, devem cumprir com as leis e todos regulamentos e as regras, mas elas também podem contribuir com o que têm, adoptando a tecnologia mais avançada que poderá reduzir o seu consumo de energia, por exemplo, reduzir os custos de operação para que possam melhorar talvez as suas finanças e depois elas poderão contribuir mais para a sociedade, quando a empresa obter melhores resultados do ano, terá melhor plano para o ano seguinte, talvez vai empregar mais pessoas, vai alocar mais pessoas em outras zonas para que possam criam mais emprego, acho que isso é algo em que todas partes precisam de trabalhar em conjunto e em estreita colaboração e todas diferentes partes precisam de tomar as suas responsabilidades, visto que o mundo está a mudar rapidamente e a tecnologia está a avançar rapidamente, todos intervenientes devem ser abertos e pensarem de uma forma diferente, mudarem se for necessário, esta é a minha sugestão.

Será que a Huawei tem experiência com as Start Ups nacionais, se é que tem, queira dizer algo em torno disso?

 No que concerne às Start Ups não tenho realmente muita conversa ou conexão com elas. A minha sugestão é que as Start Ups devem ter um foque no que fazem e terem paciência porque leva-se tempo para se alcançar o sucesso e a coisa mais importante é que todas Start Ups devem ter activos fundamentais, refiro-me às pessoas, se quiserem alcançar o sucesso, têm de ter pessoas adequadas, com habilidades apropriadas, estarem abertos à tecnologia, alavancarem a tecnologia, serem pacientes, desta forma acredito que elas poderão alcançar algumas metas que estabeleceram no início.

Reduziu em 40 por cento o transporte de carvão no terceiro trimestre deste ano no Corredor Logístico de Nacala. Como consequência, a empresa Nacala Logistics registou um prejuízo de 16 milhões de dólares norte-americanos durante o período em referência.

Para a Nacala Logistics, empresa que gere o porto de Nacala e faz a manutenção da linha férrea usada para o transporte de carvão de Tete e outras mercadorias para o Malawi, o período em análise foi amargo em termos gerais.

De Julho a Setembro, a quantidade de carvão mineral transportada foi de 1.341 mil toneladas, uma queda na ordem dos 40 por cento face ao mesmo período do ano passado (2019). Tal, deveu-se aos efeitos negativos da pandemia da COVID-19 que ditaram o corte da procura.

“No que se refere ao embarque de carvão, a produção atingiu 1.410 mil toneladas, tendo-se verificado uma baixa comparativamente a igual período de 2019 de menos 37%”, lê-se num comunicado de imprensa da empresa enviado hoje à nossa redacção.

Em relação à carga geral, a Nacala Logistics transportou 86 mil toneladas no período em análise, um decréscimo de 46% em relação ao mesmo período do ano passado, altura em que foram transportadas 159 mil toneladas.

De acordo com o comunicado, no global, o baixo desempenho da firma está associado ainda a uma fraca procura no transporte de clinker, chá, combustível de Moatize, tabaco, ervilha e carga diversa nacional, por causa da COVID-19.

O prejuízo da empresa resulta também de uma depreciação em 50 milhões de dólares sofrida pela empresa. Mesmo assim, a administração da firma olha para o futuro com esperança.

“Este ano continua a ser desafiador, devido aos impactos causados pela covid-19 em toda a cadeia de operação, ferrovia e porto. Entretanto, a demanda para a carga geral está já a ser retomada”, considera o administrador financeiro da Nacala Logistics, Fábio Iwanaga.

A Nacala Logistics resulta da fusão da identidade de cada uma das empresas do Corredor Nacala, nomeadamente, Corredor do Desenvolvimento do Norte (CDN), Corredor Logístico Integrado de Nacala (CLN), Central EAST African Railways (CEAR) e Vale Logistics Limited (VLL).

Os accionistas das empresas representadas pela Nacala Logistics são dois: Vale e Mitsui. Sendo que a Vale possui 50% de acções e a Mitsui os outros 50%.

Rotimi Morohunfola, CEO do United Bank for Africa (UBA), considera a regulação como sendo um dos principais desafios para os serviços financeiros em Moçambique, pois “estamos todos cientes da entrada da Fintech no espaço financeiro digital. Nalguns contextos, até parece uma deturpação, mas a realidade mostra que esta deturpação é boa e positiva porque, essencialmente, ela traz a pergunta que todos se colocam que é: o que vem a seguir?”

As tecnologias financeiras tornam-se cada vez mais relevantes no nosso país e pelo mundo fora, permitindo que as pessoas tenham acesso aos serviços financeiros. A primeira questão que lhe coloco é como garantir a inclusão das pessoas nos serviços financeiros, quando países há que ainda enfrentam dificuldades como o acesso à internet?

Permita-me agradecer esta oportunidade de participar na 7ª edição da MOZTECH, um fórum que como todos nós sabemos, é um evento de maior envergadura que congrega entusiastas da área das tecnologias que tratam de desenhar o roteiro do desenvolvimento das tecnologias no nosso país. A questão que levanta sobre a inclusão financeira é bastante pertinente e obviamente que a tecnologia tem um importantíssimo papel a desempenhar na inclusão financeira. Mas, primeiro permita-me dizer que no campo da tecnologia digital, na verdade, mesmo as Nações Unidas na sua Agenda 2030 sobre os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) mencionam as tecnologias como factor crítico para o alcance das metas em todos os continentes e em todos os países em desenvolvimento, como é o caso de Moçambique.

No contexto moçambicano e em relação à inclusão financeira, o Banco Central desempenha um papel fundamental para assegurar que as instituições financeiras, falo de bancos como o UBA, possam percorrer caminhos até ao mais recôndito local onde as pessoas não têm serviços bancários disponíveis. Em termos da transformação do virtual para o tradicional, todos estamos cientes do limite que a presença física pode fazer na prestação dos serviços financeiros, o tal brick, por isso estamos a transferir os serviços financeiros do brick para o clique e aqui já estamos a falar da tecnologia digital.

Na verdade, conduzir um processo de tecnologia digital num mundo em desenvolvimento igual ao que nos encontramos, há necessidade de disponibilização de muitas infra-estruturas para suportarem a extensão da fibra óptica, da banda larga e todos os elementos que tornem a tecnologia acessível às pessoas. Um dos elementos críticos dessa inclusão, na perspectiva digital, é eliminar as assimetrias entre as zonas rurais e urbanas. Por exemplo, alguém baseado aqui em Maputo facilmente tem acesso à internet através de um telemóvel ou um outro dispositivo, mas o mesmo já não acontece em outros locais em Moçambique, daí a necessidade de se expandir toda a rede de infra-estruturas de suporte da extensão digital que é crucial para a inclusão financeira.

Na sua opinião, como assegurar o acesso à internet aos cidadãos? Temos disparidades entre as nas zonas rurais e urbanas. Em todas as 11 cidades a maioria está conectada, mas já nas zonas rurais e nas comunidades locais, a maioria das pessoas não têm sequer um smartphone que lhes permita o tal click e consequentemente, o acesso aos serviços financeiros ou outros serviços disponíveis. Assim, como conectar as pessoas se tivermos em conta estas assimetrias?

Essa é uma questão válida que levanta. Claro que nos centros urbanos há maior acesso às tecnologias mais sofisticadas, mas acho que devíamos recuar um pouco e olhar para a teledensidade em Moçambique. Neste momento, estima-se que a teledensidade seja de 50 a 55%, o que indica que a expansão e penetração da tecnologia digital que é essencial para o acesso a um telemóvel. Neste contexto, com os 50 ou 55% de teledensidade, temos que chegar a um ponto em que mesmo sem um smartphone Android, seja possível ter acesso aos serviços através de um telemóvel normal. Por exemplo, neste momento, os serviços USSD estão disponíveis e são usados por pessoas sem telemóveis sofisticados.

A demografia tem sido um factor de vantagem para Moçambique; refiro-me a um elevado número de população jovem em Moçambique e esta é a faixa etária altamente exposta ao ambiente global. Temos jovens no twitter, no facebook, no Instagram e por causa desta fasquia de população jovem, surge a necessidade de domesticarmos o leque das nossas ofertas para Moçambique. Falo de alcançar esta faixa etária da população não muito alfabetizada que nem fala português ou uma outra língua internacional, para a qual temos que saber como é que nós asseguramos que para Moçambique, consigamos domesticar ou fidelizar os conteúdos digitais às pessoas que os irão usar. Desta forma, teremos maior adopção e utilização massiva dos serviços financeiros digitais. A domesticação é muito importante e, claro que o custo desse serviço também é importante; ou seja, se quisermos que um serviço seja massivamente aceite e adoptado, então deve ser a um preço acessível para que as pessoas vejam vantagens na sua utilização.

Falando do custo do acesso, como é que o desenvolvimento de soluções tecnológicas para os serviços financeiros pode ser encorajado e tornado atractivo para os mercados africanos e quiçá mundiais?

Para ser franco, para que qualquer projecto desta natureza tenha sentido, alcance e um sucesso em larga escala, não se deve perder de vista a necessidade das Parcerias Público-Privadas (PPP). Assim, o Governo e sector privado têm a função de criar um ambiente favorável, infra-estruturas e energia de modo que em caso de necessidade de alocação de um serviço num local recôndito, se houver necessidade de colocação da fibra óptica, haja infra-estruturas suficientes para o efeito. Com esse tipo de parcerias, há-de notar que muito investimento será direccionado para esse sector e todos sabemos que quanto maior for o investimento num determinado sector, o custo da prestação do respectivo serviço irá, a longo prazo, tornar-se moderado. Penso que é essencial encorajar as pessoas a fazerem investimento nessa área e o Governo deve desempenhar o seu papel de criação de um ambiente favorável para o investimento.

A nossa terceira questão é a seguinte: Questões de regulação ainda deixam muitas preocupações apesar dos desenvolvimentos recentemente registados. Os provedores de serviços financeiros digitais ainda se debatem com a necessidade de introdução de um quadro regulador. Como ultrapassar este problema?

Esse aspecto constitui um grande desafio para os serviços financeiros no geral. Estamos todos cientes da entrada da Fintech no espaço financeiro digital. Nalguns contextos, até parece uma deturpação, mas a realidade mostra que esta deturpação é boa e positiva, porque essencialmente, ela traz a pergunta que todos se colocam que é: o que vem a seguir? Agora, o regulamento que menciona é uma área em que precisamos de encontrar um equilíbrio. Claro que para as instituições financeiras, bancos, existem muitos regulamentos que regem a prestação de serviços através de plataformas digitais e porquê assim? A realidade é que ao entrar para o campo da intermediação financeira nas FinTechs, é preciso conhecer as contrapartes com que está a lidar. Hoje ouvimos falar de leis contra o branqueamento de capitais e outros mecanismos que nos permitem rastrear os fluxos financeiros do mês anterior. Digo sim aos regulamentos que sustentam a extensão das infra-estruturas,  canais e iniciativas   digitais que logicamente devem ser acarinhados, mas também sou da opinião de que os regulamentos também devem assegurar não apenas alguns aspectos. Quando se trata de conhecer os nossos parceiros envolvidos nesse processo financeiro, é importante evitar os riscos e grandes sarilhos na tentativa de introduzir soluções financeiras digitais.

 Agora vamos falar do UBA e gostaria que me dissesse o posicionamento estratégico deste banco em Moçambique em relação às tecnologias financeiras.

Muito obrigado Martinho! Claro que gostaria de dizer que o UBA, United Bank for Africa, está essencialmente comprometido com o crescimento dos países africanos e, nesse sentido, em todos os 20 locais em que o banco está presente, existe um consistente enfoque em assegurar que o mesmo tenha uma importância sistémica. Na verdade, nós agregamos valor à vida de cada indivíduo e às economias, apoiando o crescimento dos vários sectores críticos que impulsionam as economias. Como um banco, para além dos serviços financeiros, temos no nosso grupo uma loja de empreendedorismo, um programa de empreendedorismo através do qual, jovens africanos que tenham visão de fazer uma ou outra actividade de forma única e à sua maneira têm apoio em termos de capital.

A Fundação disponibiliza fundos para que jovens empreendedores possam realizar o seu sonho e temos notado que há cada vez mais pessoas nessa categoria que conseguem entrar nas actividades de produção ou de prestação de serviços e achamos que estamos a construir a próxima geração de empreendedores africanos. Este plafond não só oferece capital, mas tem programas de mentoria, capacitação e tudo mais, para garantir que a futura geração de empreendedores africanos esteja bem posicionada para levar o continente para voos mais altos.

Quanto ao UBA em si, as tecnologias digitais estão lá. O banco investiu de forma fenomenal e significativa nos canais digitais, na verdade e, modéstia a parte, acredito que no continente africano, o UBA é uma das instituições líderes que investiram massivamente na tecnologia por ter-se apercebido que não é só pelo futuro, mas também tem que o presente. Nesse contexto, conseguimos unificar as nossas operações em todos os 20 países em que operamos. Hoje, um cliente do UBA tem o mesmo nível de serviços nos 20 países africanos em que estamos presentes e 3 fora do continente. Estamos presentes nos Estados Unidos, Reino Unido e França. E qual é a vantagem desta uniformização? É a facilidade nas transacções entre as contrapartes. Como deve imaginar, estas transacções são suportadas por ferramentas digitais que facilitam a gestão da caixa tanto para clientes corporativos como para os individuais. Temos uma variedade de canais que proporcionam essa experiência única de flexibilidade, rapidez, conforto, simplicidade e segurança.

O que eu noto é que sempre que estiver a conversar com alguém sobre canais digitais, o seu medo atural consiste em saber se está a falar com um computador, um dispositivo e que está seguro. Contudo, o UBA conseguiu garantir que a segurança estivesse subjacente em cada canal digital desenhado e desenvolvido. Como instituição, o que fazemos e muito bem é continuarmos a deturparmo-nos a nós mesmos, o que quer dizer que mesmo depois da operacionalização de um determinado canal, nos perguntamos sobre a sua relevância no ano seguinte e aí temos uma equipe que “destrói” este canal e avalia como é que o mesmo pode ser melhorado no futuro, isto porque somos bastante inovadores e obviamente atractivos ao mercado.

Então hoje é possível ter o UBA no bolso e não precisar de ir para o balcão?

 Exactamente! O UBA está no meu bolso e pode estar no seu bolso também. Na verdade, conseguimos elevar os produtos digitais até a um nível de redução dos pontos de contacto. Há menos contacto físico; há-de perceber que mesmo com a Covid-19, os canais remotos, de repente se tornaram muito importantes. Hoje tem o UBA no seu bolso e tem o mundo na ponta dos seus dedos. …é só um clique e aí tem os serviços financeiros disponíveis.

Posso mencionar uma das coisas que conseguimos fazer. Estamos a lançar POS com lista de contactos. Aqui, o cliente não precisa tocar no POS para inserir o PIN devido à situação em que nos encontramos hoje. Também temos canais e plataformas de cobrança remota que permitem transacionar valores com terceiros. É só aceder à internet e efectuar o pagamento de impostos, de serviços básicos, ou seja, pagamento de tudo que se pode imaginar, porque nos apercebemos da necessidade de reduzir a distância, mas além disso e a longo prazo, temos a questão da conveniência. A conveniência é o que auguramos oferecer a todos os clientes do UBA.

 Pode indicar as oportunidades e desafios no contexto dos grandes promotores do mundo digital?

O espaço digital é bastante amplo e como pode imaginar, ainda está a ser explorado. Passou por várias etapas desde a inteligência robótica, inteligência artificial, pelo que as oportunidades mesmo em relação à criação de empregos são muitas. Hoje é possível encontrar pessoas que fazem tudo de forma digital. É só imaginar espaços como o e-Commerce (comércio electrónico) por exemplo, que são digitais. Jovens empreendedores que sem possuir uma loja ou estabelecimento físico e sem despender nada em termos de infra-estruturas estão no negócio e a dar-se muitíssimo bem. Essa é uma das componentes por nós financiadas. Quero garantir que as oportunidades que a tecnologia e o mundo digital colocam sobre a mesa melhoram muito mais a vida de muitos cidadãos.

No contexto Moçambicano, os jovens têm muitas oportunidades de realizar muitas actividades por si sós, com o autoemprego. Mas, mais do que tudo o resto, a tecnologia traz muita conveniência para as mãos de quem está conectado nestes canais. Gostaria de me referir, por exemplo, que o UBA foi o pioneiro do WhatsApp banking ou facebook banking em África e este feito foi celebrado pelo próprio Facebook. é algo que nos orgulha porque nos apercebemos que se conseguirmos integrar os serviços financeiros no estilo de vida diária das pessoas, apostaríamos num caminho certo por seguir. Não façamos da banca, uma actividade fora da rotina do cidadão. A banca deve ser feita de forma fácil, livre e alegre, diferente da forma antiga em que o cliente fica na fila, num banco, à espera de ser atendido. O cliente tem de ter o banco na ponta dos seus dedos e é só clicar e aí tem os serviços disponíveis.

Apesar de ter havido grande investimento do UBA, qual é o principal constrangimento ou ameaça em termos de serviços financeiros digitais?

Bem, diria da seguinte maneira. Obviamente, muitas vezes quando analisamos os serviços financeiros, temos a tendência de pensar que a vinda das Fintechs se torna uma ameaça. Mas sou da opinião que as Fintechs vêm complementar os serviços financeiros já existentes para a vasta maioria das pessoas. Na verdade, refiro-me à inclusão financeira também. A vinda de telemóveis, da tecnologia que permite aos operadores de telefonia móvel providenciarem serviços bancários através de telefones celulares, mostra que, realmente, a colaboração é algo crucial. Na verdade, hoje em dia, para além de abrirem sucursais, novos escritórios, as instituições financeiras dão importância ao investimento na tecnologia digital porque é isso que o mercado precisa, que as Fintechs alavancam e que se tornou o seu foco.

Portanto, as ameaças ocorrem todos dias, em diferentes espectos, mas o ponto fundamental é que devemos tomar vantagens em todos desafios, identificar oportunidades, capitalizá-los e sermos bons nisso. Para nós como instituição, não tememos ameaças que possam vir de qualquer das estruturas porque como banco, nos preparamos, vimo-nos não apenas como uma instituição financeira bancária mas como provedor de serviços. Se o serviço requerer que tenhamos que nos informar como provedor de serviços digitais (ou seja, sairmos do bloco para o digital), faremos isso e alavancaremos a nossa plataforma de provimento de serviços.

Há uma percepção geral de que a utilização de serviços financeiros digitais onera duas vezes ao cidadão, primeiro porque têm que pagar pelo uso da internet e, segundo, pagar as taxas bancárias. Neste contexto, como é que explica as vantagens dos serviços digitais?

Para ser justo, diria que o provimento de serviços digitais tem custos ao utilizador, enquanto fizer o uso significativo dos mesmos. A percepção de que se paga duas vezes não é fundamentada, mas é compreensível porque às vezes há cobranças, mas não se imagina que se o banco estiver localizado no Zimpeto, tem que conduzir para lá a fim de obter serviços bancários. O dinheiro que iria gastar, o combustível, o atraso que possa ter porque ao chegar no banco poderá haver uma fila enorme, todos estes custos quantificados, percebe-se que tendo acesso a um dispositivo na ponta dos dedos faz uma grande diferença. Deixe-me também dizer que sim, há custos no início, talvez considerados um pouco elevados. Pode notar que não mencionei isso antes, que enquanto esses canais se estendem um pouco mais e com a existência de mais infraestruturas, o custo do negócio vai baixar, o que irá reduzir significativamente e no final do dia, as ofertas digitais poderão ser gratuitas. Por exemplo, há bancos hoje em dia, em que alguns serviços são oferecidos gratuitamente, sem custo nenhum, porque o que nós queremos não é o valor que nos pagam pela utilização desse serviço bancário, mas sim o amplo relacionamento, o serviço que provemos e que nos agrada, o que nos garante que o cliente continuará a ter negócio com o banco. Portanto acho que os custos não são uma questão relevante e de facto, a tecnologia digital traz a eficácia do custo.

 Agora falemos sobre o impacto da pandemia da Covid-19. Gostaria de saber quais são as soluções tecnológicas disponíveis no banco, quais os serviços aos clientes do UBA e será que já elaboraram serviços específicos com vista a ajudá-los a enfrentarem o impacto da Covid-19?

Gostaria de mencionar que são necessárias algumas palavras para se falar da Covid-19. Também gostaria de mencionar que uma das coisas feitas em resposta à pandemia pelo UBA, quando os casos da Covid-19 se tornaram uma questão global, foi que como uma instituição e também sendo parte da nossa responsabilidade social corporativa, apoiamos rapidamente a economia e ao governo de Moçambique, disponibilizando algum fundo para qualquer tipo de intervenção que pretendesse realizar, em relação às acções de combate e prevenção da Covid-19. Estamos felizes por termos sido capazes de fazer isso. Também disponibilizamos serviços que respondessem ao impacto da Covid-19 tentando garantir que haja um produto real disponível para os clientes e consumidores de modo a que estes não precisassem de ir ao banco. Por exemplo, iria questionar porquê é que temos que ir ao banco para efectuar certos pagamentos?

Hoje, conforme mencionei antes, reunimos soluções que permitem que as entidades corporativas façam cobranças sem necessariamente terem que se deslocar a um local para efectuar o pagamento. Eles apenas têm o acesso a um programa bancário no dispositivo e fazem o pagamento. Também temos plataformas de internet banking que permitem pagamento de vários beneficiários, apenas com um clique na tecla. Portanto, se quiser fazer pagamento de cinco mil pessoas de uma só vez, ao invés de tentar mandar documentos para os bancos ou instituições financeiras e dizer que se faça pagamento para essa contraparte; temos ficheiros com capacidade na internet banking que asseguram que vários beneficiários possam ser pagos. Mencionei que estamos a implementar POS que não precisam de contacto físico com o utilizador. Temos um programa de inteligência artificial, que é o whatsApp banking e é bastante interessante, Martinho. Na comunicação, é como se estivesse a falar com um amigo, mas está a usar serviços bancários. Pode fazer transferência de valores monetários, verificar o saldo da tua conta, extractos bancários e é isso que o banco se tornou hoje e para nós como instituição, porque apercebemo-nos que haverá muito mais necessidade de consciencialização no que concerne aos pontos físicos, disponibilizamos programas para que as pessoas possam facilmente aceder virtualmente sem ter que fisicamente ir ao banco.

Temos também factores limitantes e hoje implementamos programas que asseguram de que tendo fluxo de capital. Não é preciso ir ao banco, mas continua a ter acesso aos serviços. Esta é uma forma de assegurar que as pessoas efectuem transacções bancárias, tenham acesso aos serviços e ofertas e mesmo assim, sentirem-se confortáveis por estarem seguros, no confinamento nas suas casas ou escritórios.

 No contexto do impacto da Covid-19, essas soluções tecnológicas que o UBA adoptou para facilitar o acesso aos serviços tais como e-banking, transformaram o UBA num banco do futuro?

 Em primeiro lugar somos um banco existente, portanto há setenta e um anos. Existimos hoje e acima de tudo estamos orgulhosos do que construímos, o que estabelecemos para o futuro. Nesse contexto, sim somos um banco do futuro, um banco a ser olhado porque conforme mencionei anteriormente procuramos saber o que é que as próximas gerações estarão à procura e, desta forma, temos uma equipa que sempre e de uma forma contínua, está a pensar, pensar e pensar o que poderá ser implementado e que faz a diferença. Portanto, correctamente dito, somos um banco, não apenas de hoje, mas o banco que irá caminhar convosco para o futuro.

 Esta é a principal meta?

 A meta do banco é ser um banco de uma importância sistêmica e relevante, enfatizo isto. Queremos ser relevantes em diferentes jurisdições nas quais operamos. Queremos ser um banco em que um cidadão comum na rua seja capaz de nos identificar e dizer que esta é uma instituição africana para africanos, para objectivos africanos e funciona num espaço que se assegura que apesar de ser africano, está mais focalizado nos melhores padrões globais. Somos orgulhosos de sermos africanos e acreditamos que África poderá engradecer-se com as instituições, digo instituições fortes que colaboram para levarem África ao próximo nível e como UBA, acreditamos que esse é o nosso património, por isso acreditamos que essa é a direcção que devemos tomar, este é o foco e estamos plenamente comprometidos em assegurar que África desenvolva como continente.

A abordagem que tem sido recorrente no debate sobre a eficácia dos sistemas financeiros é o electronic banking, conforme mencionou antes. Como é que olha para a evolução do e-banking em Moçambique? Será que responde às necessidades reais dos cidadãos? Que experiência o UBA poderá partilhar com o povo?

 Sendo justo, e-banking está a tomar lugar em Moçambique. Mencionei anteriormente que a inteligência artificial estava num certo nível, mas diariamente tenho visto muito mais interesse em programas digitais, principalmente o e-banking. Diria que se trata de uma jornada, principalmente onde há uma grande maioria da população nas zonas rurais, mas cada vez mais e especialmente com programas que garantam que mesmo sem ter um telemóvel sofisticado, continue a ter acesso aos serviços bancários. O e-banking, em primeiro lugar, no contexto de instituições financeiras, também no contexto dos operadores da telefonia móvel que também prestam serviços digitais   como o Mpesa, E-Mola, M-Cash, foi capazes de assegurar a sua expansão gradual e lentamente dos serviços bancários no contexto digital em Moçambique.

A minha última questão, que não se trata exactamente de uma questão, mas sim de alguns conselhos a dar aos jovens, como é que estes podem usar os serviços financeiros para desenvolverem as suas iniciativas empreendedoras? Como é que os jovens poderão, por exemplo, usar os serviços disponíveis no UBA? Como é que os jovens podem usar o UBA para terem acesso ao mercado? Como é que os jovens poderão desenvolver os seus negócios?

Acho que é uma questão bastante aludida e francamente, uma das coisas que me agradam como pessoa, sobre Moçambique, é o facto de possuir uma população muito jovem e quando essa geração for bem orientada e apoiada na realização das suas aspirações, o futuro do país encontrar-se-á num estágio onde se pode assegurar que as coisas estarão bem. Portanto, uma das coisas que merecem muita atenção da parte do UBA é essa geração que chamamos de juventude, em primeiro lugar, e em termos de ofertas humanas, temos diferentes produtos que são direccionados à juventude, na forma correcta de educação, educação da infância, diferentes habilidades que assegurem que eles sejam capazes de elaborar planos para a educação, planos de serviços para as suas diferentes aspirações na vida e, acima de tudo, o programa de empreendedorismo que o grupo oferece encoraja todos os jovens em Moçambique a embarcarem nele. Temos a página web disponível e também partilhamos os nossos programas no Instagram, no Twitter. é importante que todos que têm aspirações como jovens, estejam no empreendedorismo, comecem a apreender certas coisas que lhes irão ajudar a desenvolver habilidades e terem sucesso no que tencionam fazer.

Os nossos programas existem para apoiar aos jovens e uma das coisas que fazemos como banco é que estes programas não sejam vistos apenas como programas de serviços bancários mas sim, como programas que asseguram que o estilo da vida seja integrado ao dia a dia das populações. Como banco, queremos assegurar que todos possam realizar as suas aspirações e alcançar níveis mais altos como é o caso dos jovens em Moçambique. Queremos providenciar não apenas a literacia financeira, que essencialmente orienta aos jovens sobre o que devem seguir, mas também disponibilizarmos o apoio financeiro que é o acesso ao crédito, para que possamos dizer que se é isso que os jovens precisam, então nós colocamos à sua disposição. O nosso apoio também integra a mentoria, o alinhando e ligação entre os iniciantes e as pessoas que já alcançaram o sucesso, de modo garantir o seu crescimento no contexto da experiência profissional e não apenas no campo de conhecimento teórico.

Portanto temos um leque de oportunidades para expor os jovens ao mercado e assegurar que enquanto eles crescem, vejam que há uma luz no fundo do túnel, no contexto moçambicano. Também gostaria de mencionar que nós como instituição apoiamos várias iniciativas tais como algumas competições em termos de modalidades desportivas, como a FA, que levam as pessoas a prestarem atenção à educação. Temos também iniciativas em torno da promoção da leitura. Em África, temos um desafio. Nós não gostamos de ler, então o nosso banco faz essa consciencialização porque apercebemo-nos que as pessoas quanto mais expostas à leitura, mais habilidades terão, mais empoderadas se tornarão, mais conhecimento terão e se serão mais confiantes em se envolver no mercado, engajarem-se a nível global e nas oportunidades do futuro. Essas são as iniciativas em que, como instituição, trabalhamos para criar impacto social.

O impacto é o que queremos trazer. Na abordagem aos jovens moçambicanos e como instituição, tendo feito isso diremos a nós próprios que tivemos sucesso, não apenas como instituição financeira mas como instituição que acrescentou valor às vidas e às economias dos países africanos.

O Conselho Autárquico da Beira, em Sofala, eliminou, quase por completo, os problemas de dupla ocupação de espaço com a digitalização do cadastro de terras. Aquela autarquia introduziu igualmente um sistema electrónico de cobrança de receitas para reduzir casos de corrupção e o tempo de espera nas filas por parte dos cidadãos.

No painel subordinado ao tema “Tecnologia e Prestação de Serviços Públicos”, o presidente do Conselho Autárquico da Beira falou, durante cerca de 40 minutos, sobre o processo da digitalização de serviços municipais naquela autarquia.

Segundo Daviz Simango, um dos maiores ganhos da Beira, desde a introdução das novas tecnologias, em 2004, é, sem dúvida, a redução dos problemas de dupla ocupação de espaço com a digitalização do cadastro de terras.

“Iniciámos o processo de cadastro desde 2017 e a razão é simples: queríamos promover a transparência, segurança ao cidadão, o respeito dos seus direitos, reduzir os impactos negativos resultantes da dupla atribuição e, também, temos o mapeamento da ocupação do espaço urbano e isso está aliado ao planeamento, ou seja, agora sabemos, através da forma digital, para quê é que cada espaço serve para o município e as suas obrigações ficais”, explicou Daviz Simango, presidente do Conselho Autárquico da Beira.

Ainda na esteira da tecnologia na melhoria da prestação de serviços públicos, Daviz Simango referiu que a autarquia da Beira introduziu um sistema electrónico de taxas e que permite, igualmente, ter o controlo das cobranças a partir de qualquer ponto através da rede de internet.

“A nível das finanças, porque nós estávamos conscientes que era preciso melhorar o leque da capacidade de receitas municipais e dar resposta à demanda urbana, fomos criar pacotes próprios que tem a marca própria do município, que hoje permite que desde a captação de receitas, contabilidade até à conta de gerência, tudo é digitalizado”, revelou Daviz Simango, presidente do conselho municipal da Beira, acrescentando que a edilidade tem uma base de dados para qualquer contribuinte, caso queira a sua identificação “podemos fornecer”.

Além da melhoria no cadastro terras e cobrança de taxas, com recurso à tecnologia, o município da Beira tem todos os edifícios da cidade registados na base de dados e facilmente localizáveis. “Uma das grandes vocações do município é servir o cidadão e para que isso aconteça, a edilidade tem que ter capacidade de resposta de receitas, suas fontes e descobrir alternativas. Então, essa informação toda permite aproximar o cidadão ao município para que possamos avançar nas necessidades do utente”, indicou Daviz Simango.

Além de ajudar na colecta de receitas este mecanismo ajuda, segundo Simango, na organização urbana uma vez que permite saber qualquer aspecto que exista, não só em termos de edifícios, mas também, “em termos de registo de veículos e outros registos que interessem às competências do município”.

De acordo com Daviz Simango, a tecnologia está, igualmente, a ser útil para resolver problemas seculares dos municípios, nomeadamente, sistemas de drenagem e saneamento.

“Criámos os comités de gestão de risco e eles têm um sistema de alarme que é automático e implementado através do sistema de tecnologia. Desta forma, conseguem se comunicar mutuamente dos riscos que estão a correr” afirmou o presidente do conselho municipal da Beira.

E mais: “temos também o sistema de drenagem em que os nossos engenheiros, através do celular, tem noção clara do nível das marés, dos tempos críticos que podem acontecer e eles conseguem gerir e controlar as várias comportas distribuídas ao longo das várias secções das valas”.

E porque o lema da sétima edição da Moztech é Tecnologia ao Serviço da Industrialização, o presidente do Conselho Municipal da Beira falou, também, de como a tecnologia está a criar um ambiente favorável para investidores naquela cidade.

“A informação permite-nos chegar onde nós queremos. O que queremos é que, de facto, qualquer investidor ou curiosos que queira fazer marketing em relação à Beira possa ter informação detalhada a partir dos órgãos apropriados. Nós como município, tendo em conta, o sector privado, económico e os alicerces que permitem que isso esteja incluso na edilidade é fundamental a partilha de informações entre os vários utentes que representam um paradigma de Beira de desenvolvimento”, considerou o edil do município da Beira.

Para que tal se efective, Daviz Simango garantiu que até fevereiro do próximo anos, Beira terá um site no qual estão disponíveis todas as informações sobre investimentos na cidade capital de Sofala.

O município da Beira conta, ainda, com o apoio das universidades sediadas naquela urbe para adquirir mais conhecimentos sobre como usar as tecnologias e melhorar a prestação de serviços públicos aos cidadãos.

Moçambique precisa de aprimorar a digitalização de modo a acompanhar o ritmo da tecnologia. Especialistas sugerem o aprofundamento da janela única, por exemplo.

Tal chamado ao aprimoramento da digitalização surge num mundo em que os passos das tecnologias tornam-se cada vez mais “agressivos” e urge acompanhar as dinâmicas, bem como adequar-se nelas.

Nesse sentido, no que toca à integração de mercados, por exemplo, a digitalização é uma das maiores recomendações.

“Ela oferece maior segurança e maior nível de serviço. Portanto, as empresas podem começar a ter um funcionamento mais adequado, assim como os meios de pagamento podem fluir de forma mais rápida”, entende Ivo Vinha, director-geral de Informática e Inovação Digital do Millenium BIM.

O campo para a digitalização em Moçambique ainda é fértil, o que se precisa é potenciar a sua aplicação.

“Hoje tenho um cartão que é de Moçambique, mas que é transacionado na África do Sul. Isso, per si, trás uma vantagem na integração de mercados”, afiança Joel Pitta da Business Development Leader, na VISA.

Em meio a essas propostas de tecnologia que permitem a integração de mercados, a janela única aparece como uma das sugestões que deve ser apostada pelas instituições.

“A janela única em si já tem, por exemplo, as soluções de pagamento, bem como temos a questão da integração e interoperabilidade com países vizinhos, pois embora esta última parte esteja ainda em desenvolvimento, mas temos ainda os utilizadores com a possibilidade de trabalho remoto, coisas que com a situação actual da COVID-19 vieram solidificar ou comprovar a robustez e confiabilidade do sistema que é a janela única”.

A redução ocorreu no primeiro trimestre deste ano, devido ao terrorismo em Cabo Delgado, aos ataques armados atribuídos à Junta Militar da Renamo em Manica e Sofala e por conta da pandemia do novo Coronavírus, segundo o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, que falava na abertura do 45º conselho coordenador da instituição que dirige, na cidade de Chimoio, província de Manica.

O regulador do sistema financeiro explicou que implementou uma série de medidas de política monetária para evitar que os efeitos económicos dos factores acima mencionados fossem mais severos.

Entre as medidas a que o governador do Banco Central referiu, consta a redução da taxa de juro para aliviar os custos de financiamento às famílias e empresas.

“Reduzimos a nossa taxa de juro, a conhecida taxa MIMO, de 12,75% para 10,25%. Reduzimos ainda a percentagem dos depósitos que os bancos são obrigados a manter junto do Banco de Moçambique, tanto em moeda nacional como em moeda estrangeira, de 13 para 11,5% e de 36 para 34%”, respectivamente, explicou Rogério Zandamela.

Apesar do contexto adverso que o país atravessa, o Banco de Moçambique avalia positivamente o ano de 2020, prestes a findar. Rogério Zandamela disse que foi assegurada a estabilidade macroeconómica.

A Autoridade Reguladora de Energia reduziu o preço de gasolina de 64.22 para 62,50 meticais o litro, a partir da meia-noite desta quinta-feira. O custo de gasóleo também baixou, de 58,95 para 57,45 meticais o litro.

Um comunicado da Autoridade Reguladora de Energia, enviado ao “O País”, indica que igualmente reduziu o preço do petróleo de iluminação, de 45,24 para 43,24 meticais o litro.

O valor de compra do gás de cozinha mantém-se inalterado em 58,18 meticais o quilograma, enquanto o gás comprimido baixou de 30,35 para 30 meticais o litro.

O ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, assegurou ontem no Parlamento que o Governo tem sob controlo a dívida pública de mais de 12 biliões de dólares. Maleiane garantiu ainda que as “chamadas dívidas ocultas” não estão a ser pagas.

Moçambique tem 12.37 biliões de dólares em dívida pública, estruturada em 9.85 biliões de dólares de dívida externa e 2.5 de dívida interna. Entretanto, o ministro da economia e finanças garante que mesmo com a “exorbitante” soma, o peso da dívida não está descontrolado.

“O Estado não está a entrar para uma situação de endividamento ‘sem controlo’, disse Maleiane, que reiterou que a dívida não inclui garantias passadas a favor da Proindicus, no montante de 622 milhões de dólares e da MAM no montante de 535 milhões de dólares.

“Não estamos a incluir essas dívidas porque como já foi explicado em tempos, a chamada dívida oculta não devia ser paga e nós respeitamos. Por isso mesmo essas dívidas não entram na estatística. A única informação que todos já sabem é que a dívida está em sede da Justiça”, lembrou o ministro, salientando que no total Moçambique tem dívida com 35 credores, incluindo a China.

SAÚDE VAI IMPORTAR MEDICAMENTOS EM JANEIRO
Além de Maleiane, que explicou sobre a dívida pública, Armindo Tiago falou sobre a disponibilidade de medicamentos.

O ministro da saúde garantiu que no país há “stock” suficiente de medicamentos para três meses e que em Janeiro haverá mais importação.

“Neste momento temos “stocks” para três meses e com a reabertura das fronteiras internacionais esperamos normalizar a situação”, garantiu o ministro, que avançou com a previsão da entrada de 24 mil kits para agentes polivalentes elementares nas diversas unidades sanitárias do país.

Tiago referiu ainda que diante da aparente crispação entre as autoridades e a Associação Médica, o Governo tem mantido conversações com a classe para a resposta dos desafios impostos.

“O Governo e a Associação Médica de Moçambique estão a trabalhar de forma conjunta com a finalidade de operacionalizar o Estatuto de Médico na Administração Pública. Devemos salientar” que quando se aprovou o estatuto dos médicos, foram estabelecidos “oito direitos”, dos quais “quatro estão em implementação e os restantes serão implementados” oportunamente, disse Tiago aos deputados.

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