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O País – A verdade como notícia

Sob o lema “Incrementar a produção, promovendo a resiliência costeira e pesqueira” o mundo celebra, hoje, o Dia Mundial da Pesca.

Numa mensagem enviada ao “O País”, o Presidente da República apela para maior vigilância no combate à pesca ilegal e uso de práticas prejudiciais à sustentabilidade da pesca.

Filipe Nyusi reitera o compromisso do Governo de trabalhar com todos os intervenientes na cadeia de valor da pesca, na criação de condições que aumentem a resiliência das comunidades e desenvolvam formas sustentáveis e justas de pesca rumo a uma economia azul cada vez mais forte.

“O lema deste ano remete-nos para a necessidade de uma nova visão sobre a pesca que procure responder as novas ameaças que a pesca marinha e das águas interiores enfrentam para atingirmos a meta de um mundo sem desnutrição e fome. Entre as adversidades, temos o crescimento da população, a redução dos estoques do pescado, a crescente procura de alimentos aquáticos, a degradação do meio ambiente e as mudanças climáticas em particular em zonas costeiras”, diz o Chefe do Estado.

Na sua mensagem, o Presidente Nyusi destaca a importância do Dia Mundial da Pesca na conservação do oceano e da vida marinha.

“Esta efeméride chama-nos a atenção mensagem do Chefe do Estado importância dos produtos da pesca e a necessidade de preservação do habitat do peixe e outros produtos aquáticos por constituírem a fonte de sustento e segurança alimentar para muitos, em particular para as comunidades dos pescadores”, lê-se na mensagem.

Porque “pescar de forma responsável é desenvolver Moçambique” e “as mudanças climáticas e a preservação do ambiente exigem de nós todos a capacidade de adaptação das nossas práticas de pesca”, Filipe Nyusi saudou os pescadores, armadores, processadores de pescado e demais profissionais ao longo da cadeia de valor da pesca pelo seu empenho, dedicação e devoção a esta actividade que muito tem contribuído para o crescimento da nossa economia.

A Directora de Marketing da TV Cabo defendeu, na sua participação na sétima edição da MOZTECH, que a fibra óptica é um factor que concorre para o desenvolvimento económico aonível nacional. A intervenção de Orbay Nalá foi à luz do tema “Fibra óptica como infra-estrutura de suporte às comunicações”.

O que é fibra óptica? A intervenção da Directora de Marketing da TV Cabo, Orbay Nalá, na sétima edição da MOZTECH, começou por dar resposta àquela pergunta, afinal, tudo o que diria na feira de tecnologias assentaria em tal conceito. “Fibra óptica é um filamento em vidro puro, que é utilizado como base para propagação da luz, com dois núcleos: um filamento em vidro e um material isolante”, que reveste o filamento em vidro. É a luz que encaminha toda a informação para a casa do cliente. Então, devido à tendência do mercado e das tecnologias, em 2011, a TV Cabo decide migrar para a fibra óptica, como forma de oferecer melhores serviços e porque, segundo Orbay Nalá, contribui imenso para o desenvolvimento da economia moçambicana, com fiabilidade e eficiência.

Na sua participação na MOZTECH, esta sexta-feira, a Directorade Marketing da TV Cabo afirmou que quer para o operador quer para o usuário, a fibra óptica proporciona inúmeras vantagens. E explicou: “para componente operador, o simples facto de, através de uma fibra, o operador poder oferecer vários serviços, com qualidade, fiabilidade, em tempo real, isto é uma vantagem muito grande para as economias. Mais ainda. Funcionando nessa base, isso possibilita que os operadores funcionem à base de economia de escala, ou seja, os operadores vão oferecer ao mercado, que impacta na economia, uma variedade de serviços de alta qualidade a custos baixos”.

Se, por um lado, as vantagens são visíveis para os operadores, por outro, são igualmente claras para os clientes. Orbay Naláargumenta: “na mesma base, para os clientes, que já têm uma infra-estrutura da fibra óptica, eles recebem tantos serviços e podem requer tanto quanto necessitarem pela mesma via. Logo, estando criadas as condições de fiabilidade, qualidade e fiabilidade e a própria segurança, aliadas às vantagens, o cliente torna-se satisfeito”.  

Na percepção da Directora de Marketing da TV Cabo, a fica óptica ainda tem muito por dar e por ser explorado. Entretanto, existe o grande desafio de vencer a barreira do alto custo do serviço, de maneira que chegue e beneficie mais pessoas. Neste momento, em Moçambique, o serviço ainda não é abrangente e acessível para todas as classes sociais. A massificação, explicou, pode resultar da definição de estratégias convincentes e pragmáticas para o efeito. “o ideal seria que, à semelhança do que acontece com as águas e com a electricidade, no acto de construção de edifícios ou prédios, já houvesse uma legislação, um procedimento ou uma regra que obrigasse que essas construções fossem contemplando espaços para a fibra óptica pudesse ser instalada nesses locais. Seguramente, isso iria ajudar bastante na massificação”.

De acordo com a Directora de Marketing da TV Cabo, a fibra óptica possibilita a oferta de uma internet de banda larga com capacidade e velocidade. Associado a isso, em termos de vantagem, não material inflamável, logo não está sujeito a riscos de incêndios, porque a fibra como tal não precisa de energia para o seu funcionamento. Além disso, dá a possibilidade de oferta de serviços integrados. Logo, numa mesma pode-se ter muitos serviços transmitidos pelo mesmo canal. A fibra possibilitou, por exemplo, a transmissão de conteúdos televisões e serviços de voz à base de internet. Outro exemplo: “a situação em que nós vivemos hoje, com a COVID-19, surgiu uma prática de teletrabalho, algo que se executa em tempo real como se estivéssemos a trabalhar no escritório. Agora, também é verdade, disse, não basta ter fibra óptica para oferecer confiabilidade. É necessário que haja todo um serviço de condutas, disponibilização de cabos subterrâneos que protejam a própria fibra, com integração de plano preventivos e manutenção para se garantir serviços de eficiência. Há desvantagens? Claro. “A grande desvantagem é o alto investimento, e não é por causa da fibra em si, que até é acessível, mas todos os elementos associados, para que construa uma infra-estrutura em fibra, é altíssimo. No meu entender, essa é uma das grandes desvantagens”.

De acordo com Orbay Nalá, a TV Cabo é a única empresa que oferece serviço integrado de internet, televisão e voz em Moçambique. Outra vantagem da empresa é a certificação que possui, o que assenta em toda a cadeia de valor e é transversal. “Isso acrescenta a nossa competitividade e cinco anos consecutivos que somos considerados a melhor internet em Moçambique”. Não obstante, a TV Cabo não encarra os outros operadores como ameaça.

A Directora de Marketing da TV Cabo foi a única oradora do painel intitulado “Fibra óptica como infra-estrutura de suporte àscomunicações”, neste último dia da sétima edição da feira de tecnologias MOZTECH, que este ano aconteceu de forma hibrida: presencial e virtual, sempre com participações de nacionais e estrangeiros.

 

Esse é o posicionamento de artistas e entidades tecnológicas que actuam na área das indústrias criativas no país.

Apesar de reconhecerem benefícios proporcionados pelas tecnologias, estes entendem que persistem desafios, como a deficiente literacia em relação a plataformas digitais e falta de legislação forte que guia a venda de conteúdos culturais nas plataformas digitais.

A pandemia da COVID-19 trouxe desafios no quotidiano dos moçambicanos que vivem das artes. O recurso às tecnologias foi o refúgio para muitos artistas, que de um dia para o outro, se viram sem espaços, nem público para garantir o seu sustento.

Sheila Faiane, escritora e poetisa, defende que a situação, apesar de ser desafiadora, mostrou que é possível colocar a indústria criativa a funcionar.

“Antes da pandemia tínhamos várias plataformas de divulgação, mas com essa situação tiveram mais visibilidade. Neste contexto em que estamos, como artistas, não temos outras escolhas senão usá-las para expor o nosso trabalho. Isso está obrigar a que possamos correr atrás das oportunidades de exposição, ir atrás do nosso público para que consigamos sobreviver”, reconheceu.

Por seu turno, Vali Sauji, director-geral VS Mobile defendeu que face ao actual cenário, os artistas devem se reinventar, até porque é uma boa altura para ganhar dinheiro.

“Enquanto que antes da pandemia tínhamos uma percentagem de 5 a 10% de músicos que conseguiam fazer espectáculos todos os finais de semana e outra grande parte a fazer de forma esporádica, agora todos estão em pé de igualdade. E note-se que o que os artistas recebem por um espectáculo não é grande coisa. Hoje em dia, os artistas podem ganhar muito dinheiro. Através de uma plataforma digital pode-se colocar as músicas e a cada segundo que um internauta escuta determinada música, o artista escolhido passa a ganhar dinheiro. Isto é, contribui a que no final do mês o artista tenha um valor superior ao que ganharia se fizesse espectáculos ao vivo”, exemplificou.

E para que os artistas consigam ganhar dinheiro através da tecnologia, Alexandre Coelho, director-geral da ANIMA defendeu uma maior literacia.

“Já temos plataformas suficientes no nosso país, temos que apostar na melhoria da nossa internet e também na educação não só dos nossos artistas, mas também dos promotores de eventos e do público que usa essas plataformas. Só assim é que garantiremos que que haja maximização das oportunidades que as tecnologias estão a proporcionar a indústria neste momento de pandemia”.

Do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas veio a garantia do Governo em apoiar e criar legislação específica para garantir com que os artistas consigam ter rendimentos neste contexto de pandemia.

“O governo tem noção que esta componente tecnológica é irreversível. O futuro é mesmo esse, que os fazedores de arte tenham nas tecnologias uma ferramenta de geração de rendimentos. Nós como INICC não vamos fugir das nossas atribuições ou obrigações, temos que fazer um esforço para que a nossa legislação vá ao encontro dos anseios dos nossos artistas. É a partir desse tipo de interações proporcionadas pela Fundaso, através da MozTech, que Governo tira ilações e consegue colmatar possíveis lacunas”, disse Ivan Bonde, director-geral daquela instituição para depois deixar uma mensagem aos artistas.

“Vezes sem conta somos nós, como Governo, a ter iniciativas para legislar. Precisamos que os nossos artistas nos pressionem. Para o efeito deve haver pesquisa é só olhar para como os outros artistas no mundo estão a viver”, terminou Para Paulo Bonde, director-geral da MUSSIKA, uma plataforma digital através da qual os artistas podem vender as suas obras, defendeu que o governo deve ser mais interventivo e criativo nesses momentos.

“Há muita informação que os fazedores de arte procuram, mas não encontram porque as entidades que podem legislar não disponibilizam informações. É possível o Instituto das Indústrias Criativas definir uma aplicação que possa facilitar um conjunto de informações que facilitem a vida dos fazedores da cultura. Informações, como por exemplo, ter o direito de propriedade intelectual, como fazer o registo de uma música etc, isso facultaria que ao invés de se dirigir ao Ministério da Cultura e Turismo, o artista entraria no site da instituição e seguiria os passos, simples quanto isso. Penso que as tecnologias existem é uma questão de lutarmos para aproveitarmos as oportunidades que elas oferecem”, concluiu.

Os intervenientes falavam no painel que discutiu Inovação e oportunidades na Indústria Criativa.

Manuel de Araújo deixou essa constatação num painel da Feira Moztech, onde teve a oportunidade de abortar a importância das tecnologias no funcionamento do município que dirige.

Os municípios nacionais dependem da cobrança de impostos e taxas para garantir o seu funcionamento e para fazer investimentos. É nessa ordem, que a edilidade de Quelimane tem estado a intensificar o uso de tecnologias para maximizar as cobranças e garantir transparência na sua gestão. “Quando entramos todo o trabalho no sector de receitas era feito de forma manual, o que causava uma grande morosidade, mas também diminuía a transparência. Começamos a nossa aposta nessa área de receitas porque entendemos que era uma área fulcral para a sobrevivência de toda a nossa actividade. Sem receitas próprias não podemos falar de descentralização ou poder local. E foi a partir desse sector que fomos digitalizando outras áreas”, referiu o governante para depois acrescentar “na colheita das taxas municipais provenientes dos mercados, cada um dos nossos fiscais têm um dispositivo que ele permite imprimir a senha e no momento da impressão da senha nós aqui no município temos acesso imediato àquela transação, o que favorece a que haja mais transparência e menor possibilidade de desvio desses recursos”.

Segundo explicou Manuel de Araújo outras soluções foram adoptadas pela edilidade de modo a criar facilidades tanto para os profissionais afectos ao município, assim como para aos munícipes. “Por exemplo na área dos transportes, a Empresa Municipal dos Transportes Públicos de Quelimane, está a usar uma plataforma para facilitar a vida dos utentes que é, na verdade, um passe social único. Notámos que esse mecanismo cria maior eficiência aos trabalhos desenvolvidos pela empresa e ademais cria facilidades aos utentes que conseguem ganhos pois a tarifa é reduzida”, detalhou.

Manuel de Araújo reconheceu ainda que persistem desafios na gestão municipal e na aplicação de tecnologias no seu município. “Temos o desafio de descentralizar os serviços para que o munícipe não tenha que percorrer grandes distâncias para ter acesso à informações ou documentos. Por isso que está em marcha uma iniciativa de descentralização de alguns serviços para os nossos cinco postos administrativos”, descreveu tendo depois avançado que “temos apostado em formações. Desde 2017 criamos telecentros nesses cinco postos administrativos. Além de equipamentos, temos nesses centros temos técnicos superiores a fazer a sua gestão. Esses centros não servem apenas para formar o nosso pessoal, mas também para formar as comunidades locais para que tenham uma maior literacia digital”.

O edil de Quelimane disse ainda que quando chegou, aquele município tinha apenas quatro computadores e agora conta com mais de uma centena, facto que está a contribuir para a flexibilização na prestação de serviços.

É necessário que o Governo crie mais políticas, estratégias e regulamentos para que as multinacionais transfiram tecnologias paras as empresas moçambicanas, defenderam alguns intervenientes de um painel de debates da Moztech. Já o Instituto Nacional de Petróleos e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos dizem já estar a buscar soluções para os problemas.

Deixar de depender das multinacionais e passar a ser operador principal nos projectos de gás do país é um dos principais objectivos da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), braço do Estado moçambicano nos negócios de petróleo e gás natural.

Para chegar lá, a ENH diz estar a capacitar seus quadros para que percebam as tecnológicas que lhes permitam assumirem as rédeas. De acordo com Pascoal Mucumbi, administrador da firma estatal, os passos para a liderança já iniciaram.

“A nossa equipa de geólogos hoje tem acesso a ferramentas dos parceiros ou as nossas ferramentas para aceder aquilo que é a informação que vem dos operadores em relação aos furos de produção. Temos acesso à tecnologia de produção do recurso”, disse o administrador da ENH.

Pascoal Mocumbi explicou ainda que a empresa tem enviado seus técnicos em regime de destacamento para trabalharem directamente com os operadores, de modo a obterem conhecimentos tecnológicos sobre as suas operações.

“Eu sou um dos casos de um funcionário da ENH que durante algum tempo esteve a trabalhar fora do país, em Singapura, nos escritórios da total para negociar os contratos de compra e venda de longo prazo de LNG, então, isso já acontece, obviamente, isso não acontece de noite para o dia, é um processo e as tecnologias de informação vão nos ajudar a acelerar”, disse.

Em Moçambique há alguns anos, a Vale diz ter programas de desenvolvimento que permite aos seus fornecedores, PMEs moçambicanas em particular, a terem acesso às tecnologias requeridas para prestar serviços à mineradora que explora carvão em Moatize, Tete.

“Temos uma certa timidez das empresas locais em garantir a certificação que a painelista aqui falou, então, é importante que as empresas certifiquem-se cada vez mais e procurem conhecer e ter acesso àquilo que existe de tecnologia porque estas estão aqui para resolver alguns problemas e melgorar processos”, disse Elisabeth Veloso, representante da Vale.

Contudo, Veloso diz ainda que a Vale tem cada vez mais empresas nacionais no ambiente da mineradora. “Também temos cláusulas para garantir que empresas estrangeiras que veem prestar serviços nas nossas operações desenvolvam recursos locais. Então, nós temos empresas internacionais com muitos recursos locais em posições de lideraça”, fez saber.

Por sua vez, Chivambo Mamadhusen, CEO do Grupo Videre, sugere que o Governo reforce as políticas e estratégias para que as multinacionais transfiram mais conhecimento e tecnologias para as empresas moçambicanas.

“Eu acho que o que há hoje não é suficiente. Tem que se criar uma plataforma de desenvolvimento tecnológico onde essas empresas possam fazer essa transferência de tecnologia. Por exemplo, uma das estratégias básicas é nós nos focalizarmos em investimentos agregadores, indústrias que tomam como vantagem a compra de conteúdos locais, onde as PME possam ser fornecedoras, as que tenham um investimento significativo em tecnologias”, avançou Chivambo Mamadhusen.

Já Sazia Sousa, directora geral da Technoplus, uma PME moçambicana, diz haver necessidade de criação de regulamentos que facilitem a implementação de tecnologias no país. No seu entender tem havido muitas barreiras evitáveis.

“Existe um conjunto de regulamentos que devem ser trabalhados para que poder aceitar essas novas tecnologias. Nós por exemplo hoje falamos das assinaturas digitais, mas no país não é possível fazer assinaturas digitais. E se nós temos um sistema completamente digitar e ainda temos que sair para assinar um documento e ir entregar o papel físico original na instituição, ainda estamos muito aquém daquilo que é a digitalização”, explicou Sazia Sousa.

Respondendo a algumas preocumação apresentadas no debate, Augusto Macuvele, administrador de pesquisas do Instituto Nacional de Petróleos (INP), regulador da área dos hidrocarbonetos, disse que a instituição pública já está a trabalhar com as multinacionais para reforçarem a sua cooperação com as empresas moçambicanas.

“O concurso público deve ser desagregado em parcelas pequenas de modo a que as empresas nacionais possam ter capacidade técnica e financeira para poder participar. Esse é um processo que está em curso, estamos em discussões para ver se isso seria possível e se vai participar o acesso das empresas a esse pacotes que estão a ser anunciados”, referiu o administrador de pesquisas do INP, Augusto Mucavele.

Tratam-se de preocupações e respostas apresentadas na sexta-feira na Moztech, no debate sobre Ligações Empresariais como Meio de Transferência de Tecnologia.

Recorrendo a um aparelho celular, os munícipes de Pemba têm a solução dos seus problemas em suas mãos. Esta é uma tecnologia que está a ser implementada na cidade de Pemba, conforme revelou o presidente do município, Florete Motarua, num painel da Moztech, subordinado ao tema: Tecnologia na Prestação de Serviços Públicos.

“Por exemplo, numa ruptura de um tubo de água, estamos conectados com o FIPAG e depois identifica-se a rua, onde o problema surgiu. Posto isto, o município comunica de imediato esta instituição (FIPAG) e resolve o problema”, apontou Florete Motarua, presidente do conselho municipal de Pemba.

Outro caso citado pelo edil de Pemba tem a ver com a recolha de resíduos sólidos na autarquia. Numa situação em que há muito lixo acumulado, “por falha dos nossos motoristas, há denúncia através da linha verde em que um munícipe denuncia que numa determinada zona há lixo que não foi recolhido e nós, através de piquetes, intervimos”.

Sem fugir do lema da sétima edição da maior feira de tecnologia do país, a Moztech, que é “Tecnologia ao Serviço da Industrialização”, Florete Motarua revelou, ainda, que com recurso à tecnologia, o município de Pemba pretende atrair mais investimentos para aquela cidade através de um aplicativo que permite aos agentes económicos terem licenças de actividades em menos tempo e sem se deslocar para a edilidade.

“As licenças das actividades económicas, que nós levávamos muito tempo, agora temos um sistema online, que estamos a tentar finalizar (ainda não está operacional) em que, quando um determinado empresário quer adquirir uma licença, insere seus dados, entra para verificar se está tudo certo e, dentro de duas ou três horas, poderá ter sua licença de actividade económica, documento que demorava um mês ou um mês e meio”, revelou o presidente do município de Pemba.

A cidade de Pemba tem a tecnologia como maior aliada na resolução de problemas crónicos dos municípios tais como deficientes sistemas de drenagem e saneamento, conflitos de terras assim como na cobrança de taxas municipais.

Bastante empolgada com o que vê em termos de transformação digital em Moçambique e com o potencial existente, a directora do Banco Mundial em Moçambique, Idah Pswarayi Riddihough, alerta que é preciso dar um acompanhamento às crianças para singrarem, com o tempo, no mundo tecnológico, não só como criadoras, mas também como utilizadoras. Em entrevista concedida à Moztech, a responsável explica o seu posicionamento.

 Como é que vê a importância da economia de transformação digital e como é que essa transformação ocorre em Moçambique, em particular, de acordo com a sua experiência pelo mundo?

Penso que no mundo actual não existe algo mais importante do que a transformação digital que está a acontecer ao nosso redor. Penso que seria justo afirmar que a transformação digital está a transformar a economia global e basicamente, a pensar nisso, ela está a mudar a forma como aprendemos, a forma como trabalhamos, socializamos, a forma como interagimos com os nossos serviços, tanto no sector privado ou público. Permite-me tomar como exemplo alguns números que gostaria de partilhar consigo. Em 2016, a transformação da economia digital tinha o valor de cerca de 11.5 triliões de dólares, que constitui cerca de 15.5 por cento da economia global. Espera-se que este número aumente para 25 por cento em menos de uma década, portanto, podes imaginar a transformação que está a acontecer. Agora tomemos um exemplo de onde a transformação digital tem sido, tão poderosa, é na componente de dinheiro móvel. Acho que olhando para a África Subsaariana e vendo a transformação que está a acontecer, mesmo no caso do comércio electrónico; hoje 21 por cento das contas na África Subsaariana focalizam nas finanças e na inclusão digital e pensando sobre isso tudo, apenas nos últimos cinco anos tem havido um aumento de mais 10 vezes em toda região, no que concerne ao fornecimento de novos intermediários tais como incubadores e aceleradores. A conversa está a mudar, África era o receptor de toda a tecnologia que vinha para cá, agora desenvolvemos e fornecemos a nova tecnologia, o que é bastante agradável quando pensamos na economia digital. Em África, 21 porcento da conectividade… como está a conectividade em Moçambique? Moçambique está entre esses países que evidenciam esforços para o avanço em termos de transformação digital e da conectividade em particular, conforme disse, no que concerne aos serviços móveis, pensando sobre os últimos cinco anos, apenas os últimos cinco anos na África Subsaariana, mais de 400 incubadores apareceram e tornaram-se activos nessa região. Em Moçambique, hoje quando olhamos para a tecnologia digital, há uma estimativa de que pelo menos 370 milhões de dólares, o que é aproximadamente, 2,7 porcento do PIB do país, vem desse sector; 40 por cento das empresas registadas em Moçambique têm as suas próprias páginas web; a transformação digital e a forma de penetração caminham em paralelo e no final do dia… e vou concluir a tua primeira questão neste ponto em particular, há muito que está acontecer, há muitos serviços que estão a aparecer, África está a começar a liderar, mas na realidade se pensar em apenas 40 por cento da conectividade existente hoje, significa que ainda temos um caminho longo a percorrer, portanto é um campo interessante para fazermos parte dele e contribuirmos para o mesmo e também nos beneficiarmos dele neste momento.

Apesar de haver esses resultados positivos mencionados, acha que essa transformação digital tem um impacto no estilo de vida das pessoas?

Sim, definitivamente tem. Sabes, sobre esse ponto, falemos sobre COVID-19, acho que este é o tema do momento, o que a COVID-19 fez? A COVID-19 reduziu algo natural em nós os humanos, a interacção cotidiana, entrar no gabinete de alguém, conversar, colocar directamente uma questão ao invés de mandar por e-mail, na realidade os humanos baseiam-se na comunicação, o que aconteceu? A comunicação avançou para as plataformas electrónicas, hoje, o Zoom que é um sistema que se tornou num substantivo, porquê? Porque é tanto usado ao ponto de se ter tornado parte da nossa conversa diária, mas na verdade o que também faz? Permite que as crianças continuem a ter acesso à escola, permite as pessoas a trabalharem, mesmo estando em casa, manterem-se seguras. No contexto da criação da vacina e conforme todos vimos, está a ter um avanço rápido, e porque está a ter esse avanço rápido? Porque hoje em dia os cientistas não precisam de estar na mesma sala, eles podem se conectar um com o outro, partilhar experiências, partilhar a forma de fazer coisas e ter um impacto na vida cotidiana, penso que olhando para o impacto a partir do nível de família até ao nível individual, o que quero dizer é que o tipo de impacto varia, dependendo da localização da pessoa, mas será que tem impacto definitivamente que tem?

Entendemos que construir um ecossistema digitalmente favorável na edução, ciência, engenharia, na matemática, bem como a massificação e adopção da tecnologia, principalmente, entre jovens é bastante importante para os países africanos. Qual é o papel que o Banco Mundial desempenha neste processo?

Sabes, a questão deste tema, aprendizagem, que é crucial para a ciência e inovação, às vezes gostamos de falar pouco disso, como algo a acrescentar, mas a realidade da coisa é que temos que ter a qualidade e acesso ao ensino em África logo no princípio e depois precisamos de focalizar nas disciplinas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática), o que o Banco Mundial têm estado a fazer é tentar ver como é que podemos criar o paralelismo de se obter a educação básica para as crianças e ao mesmo tempo focalizando nas disciplinas STEM, também sabemos que as disciplinas STEM, não são uma área em que as mulheres e raparigas se sintam realmente confortáveis de seguir. A questão é, como é que podemos ter motivação e incentivos da inovação científica para que não seja algo para apenas um lado do género, mas para ambos lados do género. Procuramos ver como é que o currículo está e como é que podemos melhorá-lo para as disciplinas de ciência e tecnologia, como é que também poderemos melhorar o conhecimento dos professores, não apenas das ciências, mas como criar um impacto dessa ciência e o desejo da aprendizagem das disciplinas de ciências por parte dos estudantes. Agora sabemos que há evidências de que quanto mais professoras tivermos, pode se alcançar muitos estudantes e se diminuir a taxa de desistências que vimos em crianças a partir dos doze anos para cima. Em acréscimo a isso, quero dizer isso porque é importante, sabes, a questão em volta da ciência não é acerca da aquisição do conhecimento, mas é fazer com que o mesmo seja activo, tem que ver com ciência versus competição, fazer a troca de informação e o Banco Mundial está a tentar obter a maioria dessas diferentes componentes, aprendizagem básica, aprendizagem STEM, a motivação, os incentivos, bem como o ângulo de ensino, tudo isso é o que importa, as disciplinas STEM, mas também o sucesso individual no campo das ciências.

Muito bem, a educação, ciência, tecnologia, engenharia parecem ser bastante onerosos para vários países africanos, a questão é: muitos países africanos não se dispõem de verbas suficientes para apoiarem programas de educação e ciência, qual é a sua percepção sobre isto?

 Penso que no final do dia, todas disciplinas são críticas, conforme disse e repito, é bom focalizar na ciência e tecnologia, mas também é importante focalizar em todo sistema de educação, quando diz oneroso, penso que talvez estejas a focalizar em provavelmente coisas como robótica ou laboratórios de alta tecnologia; sabes, a COVID-19 fez algo que acho que basicamente vai mudar todo o sistema de edução por muito tempo. Eu própria tenho uma filha que está na universidade a seguir ciências, hoje a maioria daquilo que ela faz é feito online, portanto, aquele custo de ter que fazer as coisas fisicamente agora está a mudar para plataformas receptivas e acessíveis. Acho que o que precisamos fazer em África é focalizarmos em como podemos aceder esses serviços, acho que há algo que devemos discutir quando falamos sobre o acesso à educação, principalmente, para as crianças que se encontram em situações de necessidades, é garantirmos que possam ter acesso à energia, garantirmos que possam ter acesso à internet porque sem isso será bastante difícil em qualquer sítio, então, quais são as opções? Podemos usar a rádio onde não tivermos serviços de internet adequados. No final do dia, acho que a ideia de que isto é bastante oneroso para África é realmente uma área para explorarmos alternativas que irão permitir África aceder esses serviços sem ter que pagar uma factura elevada e a última coisa que gostaria de dizer é que o Banco Mundial não funciona isoladamente nesta área, temos vários parceiros de desenvolvimento que trabalham connosco, não fazemos apenas a terceirização das finanças, mas fazemos a terceirização das ideias, exemplos e oportunidades para os estudantes se conectarem com outros estudantes em outros locais e deste modo reduzindo o custo inicial que referiu.

Uma das áreas prioritárias da economia digital é apoiar a inclusão financeira, principalmente, nas operações de pagamento digital. Na sua opinião, como é que isso poderá ser materializado em Moçambique e qual é a contribuição feita pelo Banco Mundial no que a isto diz respeito?

Acho que é também fundamental que se compreenda porquê a inclusão financeira é importante. Quero dizer, há pouco tempo falavas do custo da educação, basicamente, o que é difícil para as pessoas com renda baixa é a capacidade de ter acesso às finanças, pagar as despesas escolares e assegurar que possam conseguir a melhor educação possível para os seus filhos, em termos de tecnologia, e conforme indiquei antes, tendo uma taxa de penetração em Moçambique, que por sinal está entre as mais elevadas de África Subsaariana, em apenas 40 por cento e alguma coisa, o que significa que 40 por cento da população que está conectada tem o acesso aos serviços financeiros, o que acontece com os que não têm acesso? É nisso que precisamos focalizar, para tornar esse exemplo mais claro, permita-me focalizar naquilo que o Banco Mundial tem estado a apoiar no trabalho com o governo. A primeira coisa é que temos estado a focalizar em três pilares em termos de inclusão financeira: o primeiro é o acesso e uso de serviços financeiros; o segundo consiste em fortalecer as infra-estruturas financeiras; e o terceiro tem a ver com a projecção do consumidor e a literacia financeira. A ideia desses três pilares é de responder alguns constrangimentos comuns que vimos na área de inclusão financeira. Deixe-me mencionar dois ou três: o primeiro é que conforme sabemos, para se abrir uma conta bancária a pessoa tem que ter um BI e muita gente não têm BI, não está registada, não existe um banco de dados em que eles possam dar ao banco para a sua identificação, essa é uma questão tanto para o consumidor assim como para o banco. A ideia é de que focalizemos nisso, corrijamos essa situação; o segundo factor mais importante consiste em criar uma plataforma tecnológica que irá ajudar na transferência monetária das pessoas, mesmo se não poder ir ao banco mas se eu conseguir ter acesso a este serviço através do meu telefone, podendo ser pago onde estiver e hoje em dia, ao pensar que a maioria dos pagamentos do governo para as pessoas é feita através do banco, o que significa que tenho que sair da minha aldeia, pagar transporte para que eu possa ter acesso às finanças, isso é algo que gostaríamos de fazer com que seja irrelevante, não precisas sair de casa para que sejas pago ou para

mas precisas de estar registado, precisas de ter um BI e tens que ser reconhecível; e a última parte é sermos capazes de criar um sistema que não é apenas orientado à oferta mas sim à demanda, dando opções às pessoas para estarem em altura de decidir, quero ir ao banco para obter o meu dinheiro, quero ser pago através do Mpesa, quero ser pago no meu telefone ou quero usar qualquer outro sistema e incorporar. Tudo isso, passa por ensinar as pessoas a usarem todos esses serviços, é dessa forma que se cria um serviço resiliente que vai para além disso, porque se uma parte do sistema falha, os outros sistemas continuarão a funcionar, a inclusão tem a ver com isso.

As instituições como o Banco Mundial trabalham com o governo de Moçambique em várias áreas, pode detalhadamente explicar as intervenções do Banco Mundial na expansão do uso das tecnologias digitais para melhorar a explicação e o processo da elaboração das políticas públicas do país?

Penso que isso é algo que está bem próximo dos nossos corações no Banco Mundial. Uma melhor planificação significa melhor implementação e melhores resultados e no final do dia significa melhores realizações, portanto, sempre que temos oportunidade de apoiar o governo ou de apoiar outros clientes que trabalham connosco para assegurarmos que temos essa linha de base, ficamos sempre com vontade de fazer isso e no caso de Moçambique apoiamos a Plataforma Nacional GIS Multissectorial Integrada, que é uma plataforma que contém informação geográfica com capacidade de demonstrar os dados, dependendo do que for a demanda. Porque perguntou sobre algumas especificidades, deixe-me focalizar em como esse banco de dados tem sido usado, acho que tu e muito dos telespectadores estão cientes do Plano Quinquenal, elaborado pelo governo que irá focalizar nos anos 2020-2024, este plano nacional foi baseado nos dados existentes neste sistema integrado GIS, no final do dia, também trabalhamos com sectores específicos para fazerem o uso deste tipo de informação, deixe-me dar alguns exemplos: a ANE, conforme sabem, deve focalizar na planificação das estradas de toda dimensão no país, não há uma boa forma de se fazer isso, se não for através do sistema nacional integrado. Isso pode ser visto ao nível nacional, provincial, até ao nível do bairro e o que te permite fazer? Permite priorizar quais são as estradas frequentemente usadas, quais estradas com probabilidade de serem danificadas com frequência e deste modo alocar o dinheiro, mas também vimos o Ministério da Educação a fazer o uso do sistema para mapear onde as incidências da COVID-19 poderiam, provavelmente, afectar mais as escolas e o sistema de educação, portanto, fazer a planificação da reabertura das escolas com o uso de informação real e dados reais para ser capaz de responder a isto.

O último aspecto que gostaria de aflorar é o uso da informação pelo Ministério da Saúde para identificar os pontos de foque de transmissão da COVID-19, não apenas na cidade de Maputo, mas em todo país e depois dizer, se precisarmos de ter certa intervenção e apoio é daqui onde devemos começar; e sabes o que na verdade penso? Na verdade penso que este banco de dados será importante em particular para a vacinação que se aproxima, conforme vemos, muitos países estão a preparar-se para a vacinação, onde fazer a vacinação? Obviamente, vai querer fazer naquelas zonas em que as pessoas são mais vulneráveis, para reduzir a contaminação contínua, protegendo uma grande parte da comunidade, portanto esse banco de dados é mais do que uma plataforma, mas realmente um mecanismo de planificação, política e reforma que te permitem assegurar que está a prover os melhores serviços para os seus cidadãos no momento correcto, mas também trazendo a bordo outros intervenientes, tais como o sector privado, organizações não-governamentais, parceiros tradicionais, todos a se juntarem para obter o melhor resultado possível.

Dado ao facto de que Moçambique ainda enfrentar vários desafios em diferentes áreas e em algumas dessas áreas, o Banco Mundial ajuda ou coopera com o nosso país. Quando falamos sobre a indústria, inovação e infra-estruturas, quais são os principais pontos fortes, fraquezas, ameaças e oportunidades que Moçambique tem?

Bem, acho que pensando nessas coisas, isto é, um desafio para vários países, não apenas em África, mas para além dos países de que estamos a falar, comecemos por falar de oportunidade porque é sempre bom colocar as boas coisas em perspectiva. Mencionei algumas, se houver capacidade de se planificar a tempo e depois priorizar a sua orçamentação, as finanças, a sua terceirização, tendo em conta o impacto da COVID-19 porque conforme podemos ver, a COVID-19 não tem fronteiras, portanto, não tem a ver com o bairro, província, país ou vizinho. Quanto maior for a plataforma, melhor será para que fim se possa usar. Qual é o desafio? Existem alguns desafios, estávamos há pouco tempo a falar da inclusão financeira, mas a inclusão financeira também precisa de estar na base de um sistema educacional adequado, em particular, não apenas para aqueles que vão inovar e nos dar nova tecnologia mas para aqueles que vão usar a tecnologia, enquanto a transformação digital vai ocorrendo e a uma velocidade muito rápida, fazendo com que as pessoas se sintam confortáveis com a tecnologia não é algo que vai acontecer de noite para o dia. Portanto, este é um dos desafios que precisamos de olhar e ao mesmo tempo este desafio pode ser transformado em oportunidade, porquê? Porque as crianças de hoje… apenas precisas de olhar para uma criança de cinco, seis anos de idade e ver o quão ágil é no uso do seu telefone, como faz o uso de aplicativos que tu olhas como adulto e não tens ideia de como usar, o que isso significa? Temos uma geração de crianças que já estão a pensar no contexto da tecnologia e elas podem singrar na tecnologia; o ponto que estou a tentar trazer é que certamente não existe um modelo único, dependendo do sector, da área ou do contexto em que pensas, tens que estar ciente de que as pessoas usam tecnologia de forma diferente, as pessoas desejam e têm interesse no uso da tecnologia de forma diferente, portanto é uma questão de onde está a linha, é extra equilíbrio, não há como tentar colocar numa única caixa, porque conforme podes ver não é viável e não há motivos para nós forçarmos isso, mas temos que trabalhar com isso e nos beneficiarmos tanto quanto possível.

Conforme anteriormente mencionou, boa planificação, a planificação de boas políticas públicas converte-se em bons resultados. Um dos desafios enfrentados por Moçambique e por outros países Africanos é a boa governação, a minha questão é: como alcançar boa governação, tendo em conta a realidade de vários países africanos que ainda enfrentam dificuldades de vária ordem e a maioria desses desafios não estão plenamente ultrapassados. Como ter uma boa governação no que concerne a boa implementação de políticas públicas, a elaboração das políticas, qualidade da elaboração das políticas?

 Olha, acho que quando falamos sobre boa governação, governação é uma grande palavra, pode ser usada de diferentes formas, mas tendo em conta que estamos a falar da tecnologia e da transformação digital, porquê não falarmos da governação neste contexto, porque isso é o mais importante e falemos também do ponto que colocaste antes que é a inclusão. Se souberes quanto tens numa conta bancária, então claramente poderás saber se existe um problema, reconhecendo que o avanço rápido da tecnologia também tem as suas fragilidades e essas fragilidades observamos em todo mundo, não existem somente em Moçambique, o facto de que se hoje tiveres um cartão de crédito, já que mais uma vez estamos a falar da inclusão financeira, é melhor que o tenha com um código PIN, porque o código é algo exclusivo teu, o cartão de crédito não é exclusivo, é oferecido pelo banco e podes usá-lo, a dificuldade da boa governação, acho que sempre oiço essa dicotomia, não existem muitas questões relacionadas com a governação do que com a transformação digital, qual é a questão? Imagina que não tenhas qualquer tipo de tecnologia e não te subscreves às mudanças que estão acontecer, não tenho a certeza se terás ao teu dispor os serviços que gostarias de ver no contexto da inclusão financeira, acho que o que a tecnologia está a fazer, e podemos ver isso e na verdade este é um dos contextos, lembra-se dos três pilares que mencionei, tem também a ver com a criação de uma plataforma transparente onde as pessoas poderão ver o que está disponível, quanto dinheiro está na suas contas e quando ocorre uma despesa  que não seja do seu conhecimento, poderão voltar à plataforma e verificar, é um conjunto de diferentes factores e não acho que seja correcto equiparar questões de governação com a transformação digital, mas acho que podemos fazer de uma forma contrária e dizermos como é que podemos melhor usar a transformação digital que está a acontecer hoje em dia, para melhorarmos o acesso das pessoas, melhorarmos o seu conhecimento em como ela poderá melhorar as suas vidas e como é que também poderá melhorar a vida do governo; o que quero dizer com isso, sabendo onde é que o seu povo se encontra, se souber quais são as pessoas que precisam de serviços, então poderás melhor organizar os serviços, isto é que é boa governação, esta é uma boa prestação de serviços para a população e para os cidadãos e esses poderão usar a mesma plataforma para demonstrarem onde é que os serviços não são adequados, onde gostariam de ter mais serviços, portanto, torna-se um processo interactivo de duas direcções, que tem muito mais benefícios do que focalizar numa única direcção em relação a essa questão.

A actual reforma do sector público introduziu algumas inovações em termos do acesso aos serviços públicos. Como é que avalia essas inovações, essas reformas, em termos do acesso?

Acho que esta é realmente uma boa questão, deixe-me dar um exemplo, falar um pouco do meu próprio país, eu sou Zimbabwiana, onde obter uma carta de condução era um processo muito longo, requeria que passasse não sei por quantos gabinetes porque tudo estava baseado no papel, hoje se quiseres renovar a sua carta de condução, literalmente te apresentas num único gabinete, lá escrevem o teu nome, eles são capazes de verificar e saberem quem tu és, devido o conjunto de dados biométricos que mostram quem tu és, isto é algo que o governo já começou a fazer, e tem sido um exercício poderoso, existir um registo e saber quem são as pessoas, em particular para o contexto de Cabo Delgado, onde se tenta prover serviços e apoiar pessoas que enfrentam dificuldades em termos do acesso às finanças; falas sobre reformas, quais são as reformas críticas que nos levaram a este ponto? Se houvesse possibilidade para as pessoas irem abrir contas bancárias enquanto se processa os seus Bilhetes de Identidade, desta forma as pessoas não teriam que sofrer à espera por muito tempo para terem acesso à transferência de valores monetários ou ao acesso às finanças, esta é uma reforma significativa, não se trata de uma mera reforma mas sim de uma reforma com o propósito de prestar serviços específicos para um sector da comunidade, da população com maiores necessidades, este é o tipo de reforma a que me refiro.

De uma forma geral, acha que Moçambique está a dar passos correctos para avançar para essa industrialização, em termos de investimento em infra-estruturas? Qual é a visão do Banco Mundial em termos de como é que o governo está a trabalhar com vista a prover melhores serviços para a população, apesar de todos esses tipos de desafios que ainda existem no nosso país em particular, mas olhando para o continente Africano, mesmo para Zimbabué por exemplo, que é nosso vizinho, que tem boa experiência em termos de prover acesso aos serviços públicos; sabemos que a economia passa por certos constrangimentos, mas são questões económicas que não iremos profundamente falar delas, mas gostaria de ouvir o seu ponto de vista sobre esses desafios que continuamos a enfrentar, não apenas em Moçambique mas em todo continente africano.

Esta é uma boa questão, mas permita-me colocar-te uma questão, deixe-me partilhar algumas cifras e depois vai-me dizer o que acha, está bem? Lembre-se que falei que para a África Subsaariana, a taxa de penetração da telefonia móvel, como exemplo, é de 21 por cento, para o caso de Moçambique está entre 42 a 43 por cento e é considerado entre os melhores em termos de penetração na África Subsaariana e os segundos dados a colocar é que um dos inquéritos realizados pelas Nações Unidas em 2018, constatou que Moçambique era um dos melhores países em termos da capacidade da população de ter acesso às compras online e de facto constataram… se é que me recordo correctamente que 15 por cento da população de 15 anos de idade para cima consegue fazer as suas compras a partir das suas mesas ou nas suas casas, porquê isso é importante? No mundo actual da COVID-19, o objectivo é reduzir o número de pessoas que entram em contacto uma com outra, imagina expandir essa capacidade de fazer com que as pessoas consigam fazer compras numa plataforma, iria aumentar o comércio, aumentar a ideia das pessoas poderem fazer compras sem medo, iria reduzir o número de infecções de coronavírus, poderás continuar a mencionar mais vantagens desta cadeia. Agora, será que Moçambique é perfeito? Será que alcançou o melhor? Nenhum país já alcançou; se pensares no facto de que em 2016, 11.5 triliões foi o que se conseguiu com a transformação digital, em menos de dez anos será 25 por cento, a partir dos 15 por cento, o que isso nos diz? Isto diz-nos que este sector está a avançar a uma velocidade muito rápida, portanto, de nenhuma forma alguém estará na dianteira disso, de facto não queremos estar na dianteira, queremos ser capazes de ter opções, usarmos essas opções para o melhor do nosso conhecimento, para nós, Banco Mundial, procuramos ver o que aprendemos dos outros países que possamos trazer aqui, mas também o que estamos a aprender de Moçambique que possamos levar para outros lugares, portanto, a notícia não é sempre má, sei que às vezes as más notícias fazem manchetes, mas na realidade sempre penso que para a África Subsaariana, lembra-se que te falei de 400 incubadoras… lembro dum passado recente quando África era receptor de qualquer incubadora que existisse, nós não fazíamos incubação, o que de facto fazíamos era exportar os nossos talentos para outros locais para fazerem inovação e fazer essas incubações, hoje somos capazes de reter, conseguimos incentivá-los, é nisto que todos precisamos de nos focalizar, colocarmos dinheiro e capacidade de envidarmos esforços e termos mais para que o continente possa se beneficiar e o mundo também possa se beneficiar disso. Não queremos fazer apenas para o país ou para nosso continente, queremos fazer para o mundo porque fazemos parte da economia mundial no que concerne à transformação digital.

Então significa que apesar das dificuldades existentes, a expectativa do Banco Mundial é de que por exemplo, Moçambique e a África em geral irão obter bons resultados num futuro breve, é essa conclusão que podemos ter?

Acho que os resultados já estão aqui, acho que vemo-los, é a partir de coisas básicas como, por exemplo, hoje em vários elevadores não precisas de tocar o botão do elevador, quando é que isso apareceu? Não se trata de uma tecnologia antiga, esta é uma nova tecnologia, hoje os cartões de crédito, não precisas de tocar, não precisas de dar a pessoa tocar e inserir … isto pode ser feito, hoje poderás estar numa zona remota em qualquer país e continuares a receber o seu pagamento e efectuares pagamentos das tuas contas, a tecnologia não irá esperar por ti, está aqui, já está acontecendo, conforme dizia precisamos de mais tecnologia e gostaríamos de apoiar mais a tecnologia, como banco somos apenas um actor dentre vários, não nos esqueçamos do sector privado, que é o que na realidade está a incentivar, a fazer a incubação, está a realizar várias pesquisas, eles são parceiros críticos, se é que não são os parceiros mais importantes, é por isso que o Banco Mundial vai ao encontro do sector privado cada vez mais e pergunta, que tipo de habilidades precisam se quiserem continuar a trabalhar nesta área, que tipo de disciplinas os estudantes devem aprender, quando e com que antecedência devem começar a aprender essas disciplinas? O que é que precisamos de incluir no nosso currículo? O que precisamos de ensinar aos professores que leccionam essas disciplinas? É uma cadeia, tem a ver com o estar preparado, tem a ver com a percepção da tecnologia e depois participar, eu estou realmente bastante empolgada no que vejo sobre a transformação digital em Moçambique e em vários países em África, acho que aqui existe o verdadeiro futuro, existe a real potência para a região ser vencedora em vários aspectos de transformação digital.

Com a globalização, a segurança no espaço cibernético tornou-se uma das abordagens que urge levar a serio. É que não há certeza de quem pode ter acesso aos dados quando se faz o acesso, com recurso à informática, em qualquer que seja o serviço. Daí que a responsabilidade de segurança deve ser partilhada entre as empresas e os utilizadores.

“O utilizador deve estar consciente dos dados que partilha, como partilha e onde partilha. Assim como as empresas têm suas responsabilidades. Elas têm perceber todo ecossistema por onde passam os dados do cliente, a partir do momento em que elas recebem os mesmos”, defende Alsone Guambe, da Associação Moçambicana de Bancos (AMB).

Guambe aponta ainda que “as empresas devem fazer uma espécie de análise de risco” em todo processo de tratamento de dados, de modo a perceber as suas fragilidades. “Só percebendo isso, é que se consegue aplicar uma segurança adequada”, entende.

Embora a segurança de dados seja de responsabilidade partilhada, quem detém as informações são os mais responsabilizados no processo de conservação.

“As empresas devem garantir que quem está a salvaguardar os dados, o faz de forma segura. Quer seja com encriptação, ou com todas as metodologias de acesso seguro, para garantir que, igualmente, tal informação esteja acessível, em caso de requisitada para qualquer efeito”, diz Miguel Ferreira, Consultor de segurança na ASSCO PST, em Portugal.

DESAFIOS PARA GARANTIR “INFORMAÇÃO SEGURA”

Para Bavani Chetty, gestora ma firma sul-africana, diz que a conservação de dados em uma empresa pode ocorrer se três aspectos forem salvaguardados.

“O primeiro é a governação. Como instituição, deve se saber o que é importante, quais são as suas obrigações em termos de conformidade, que políticas de dados estão em vigor na e que padrões de dados se pretende implementar”, propõe a especialista.

“O segundo pilar que eu encorajo à qualquer instituição a implementar como parte do seu quadro de segurança é o alinhamento com os padrões ISSO”, aponta Chetty, que sublinha ainda ser importante dar “carinho” a essas políticas, não apenas elaborando-as sem aplicação adequada.

“E, por fim, talvez o que toda a gente procura é saber como implementar os serviços de segurança. Antes de mais nada, é muito importante entender o tipo de informação que existe na instituição”, afirma Chetty.

A especialista diz, por exemplo, que a classificação diária da informação é fundamental e deve se saber melhor sobre os dados disponíveis na instituição, bem como a sua importância.

Sobre a necessidade de mais cuidados no que toca aos dados, a especialista em informática narra um episódio que julga perfeito para a ilustração de como podem acontecer os ataques cibernéticos.

“Recentemente, um cliente nosso foi vítima de um ataque no espaço cibernético. O que aconteceu foi, que antes da pandemia, ele estava de viagem e sentado no lounge de um aeroporto e conectou-se a um WI-FI gratuito. O que aconteceu é que o atacante usou uma espécie de ferramenta que o permitiu a aceder às credenciais dos utilizadores da instituição deste cliente e conectou-se ao software, exportou os dados e desconectou-se”, narrou, apelando à importância da protecção contra possível roubo das credenciais.

A gestora sénior de informática cita a monitoria de dados como outra área em que se deve investir. Bavani Chetty diz que é preciso que se rastreie qualquer movimento suspeito dentro do ambiente de trabalho.

“Existe também a gestão do direito à informação. Será que todo o pessoal deve ter acesso a todas às informações? Tenham cuidado em relação a quem concedem o acesso”, apela Chetty, para quem a encriptação é importante.

“É preciso encriptar os dados em risco e em trânsito para evitar a sua intercepção. No mercado, existem muitas soluções informáticas que permitem a encriptação e, hoje em dia, estas já estão a um preço mais acessível do que antes”, afirma.

“No processo de classificação da informação, é preciso ver se o seu usuário usa um computador portátil, um telemóvel ou outro dispositivo que contém informação importante ou classificada da empresa. Se for o caso, então essa informação deve ser encriptada”, considera.

Para a especialista sénior em informática, a segurança cibernética no continente africano é um aspecto que urge aprimorar, uma vez que o uso de sistemas informáticos ainda é precário.

“Penso que um dos desafios das empresas africanas, no geral, é a falta de segurança informática. Na África Austral, muitas vezes há vagas abertas em que se pretende recrutar especialistas em segurança cibernética e não se encontra ninguém com perfil para tal. Quando se consegue encontrar alguém – traz consigo a questão do salário e depois para recrutá-lo há todo um processo de capacitação interna, familiarização e alinhamento com a instituição e quando menos espera, ele é arrancado por uma outra empresa que lhe paga um pouco mais e…lá se foi!”, expõe.

Bavani Chetty falava sobre “Segurança Cibernética”, na 7ª edição da Moztech, num painel que juntou Alsone Guambe, da Associação Moçambicana de Bancos e Miguel Ferreira, Consultor de segurança na ASSCO PST, em Portugal.

Os “players” do sector financeiro tem cada vez mais certeza de que o quadro legal ajusta-se ao que as tecnologias desenvolvidas para prestar serviços financeiros, Fintechs, precisam para desenvolver, até aí, tudo bem.

Mas de nada vale ter boas leis se as mesmas não são aplicadas, aliás, é neste aspecto, o do cumprimento das leis, que reside, agora, a grande preocupação dos empresários ligados as Fintechs.

“Para nós o condicionante não está nas leis quer de regulação, quer nas leis comerciais, acho que o grande problema está na aplicação dessas leis, na maneira como essas leis são aplicadas no dia-a-dia e na morosidade que os processos têm” explicou João Gaspar, presidente da Associação das Fintechs.

Um dos efeitos decorrentes da deficiente aplicação da lei no sector das Fintechs é que a mesma impacta de forma negativa na atracção de investimentos, alertou João Gaspar. “Os investigadores internacionais nestas áreas das Fintechs, têm uma meta que é muito importante, primeiro investem em soluções em que realmente têm muito potencial de crescimento, querem o retorno de 10 ou 20 vezes o valor que investiram depois de 5 ou 7 anos e, quando tem os seus dividendos anuais, tem que ter acesso a eles imediatamente, não se pode esperar um ano para receber dólares uma vez que a empresa está a operar em meticais”.

João Gaspar defende igualmente que o país não precisa “inventar a roda, as Fintechs moçambicanas não têm de desenvolver processos de ‘blockchain’, processos de ‘crowdlanding’, processos de crédito ‘scoring’ porque já existe, temos de fazer parcerias, só que isso custa dinheiro, e esse dinheiro tem de vir de financiadores (…) para podermos comprar tecnologia para que, de facto, possamos dar o salto em termos tecnológicos no país” alertou o presidente.

De Portugal José Maria Rego secundou a ideia. “A ideia de que o empreendedor Moçambicano vai desenvolver a tecnologia sozinho é muito difícil, porque não há escala e vai demorar muito tempo, portanto, é preciso trazer empresas de fora” disse.

O fundador da Raize, uma Fintech portuguesa, exemplificou com as empresas de fora que querem operar em Moçambique. Estas têm de ter parcerias nacionais, uma oportunidade para “conseguir criar uma plataforma que ajuda as empresas locais a arranjar parceiros externos, que pagam tecnologia, pagam ‘know how’ e que venham apoiar e ajudar a crescer a escalar mais depressa, com menos custos e com mais qualidade” elucidou.

Um outro problema muito antigo no país são as dificuldades de

acesso ao crédito, que continuam, tal como a deficiente aplicação das leis, a “travar” o crescimento das Fintechs na chamada pérola do índico.

João Gaspar concorda mas defende que o país tem de resolver primeiro, o problema do acesso a contas bancárias. “Neste momento só cerca de 30 por cento das pessoas é que têm uma conta bancária ou de um meio electrónico. Mesmo assim entre 70 a 80% das transacções são para ‘cash in cash out’, o que quer dizer pôr dinheiro electrónico e transferi-lo para alguém que vai logo levantá-lo, não fazem serviços de pagamento sobre essas contas” lamentou.

Os bancos reconhecem as dificuldades, dizem-se estão abertos e que até há um trabalho sendo feito. “Existem varias dificuldades quer do ponto de vista de documentação das pessoas que ainda é um grande desafio, quer no que diz respeito a questões de comunicação” defende Ayaz Muhammad representante da Associação de Bancos (AMB).

O representante garante que a “banca tem feito muito nos últimos anos, procurando encontrar algumas soluções, mas quando falamos de crédito concretamente através das Fintechs, ainda é de facto um grande desafio”.

O representante da Associação Moçambicana de Bancos explicou que os bancos já disponibilizaram algumas alternativas. “Neste momento nós temos uma ‘prime’ na casa dos 15% mas já foram bem mais altas as nossas taxas, considero que o crédito para indivíduos com pouca informação, sem grandes garantias, ainda é um desafio” revelou.

A AMB recorda igualmente que já existem aprovação do banco central para concessão de créditos por via de Fintechs, concretamente via instituições de moeda electrónica, assim como já existem bancos numa fase muito avançada neste aspecto.

O Banco de Moçambique foi ainda mais profundo na questão da criação de dados acessíveis aos “players” do sistema financeiro. “No caso de Moçambique nós temos a central de registos de crédito, que permite que os bancos antes de concederem crédito possam verificar a situação de incumprimento por parte de quem solicitou o crédito” começou por colocar António Wade, representante do Banco de Moçambique.

Wade também recordou a algumas iniciativas do regulador. “Há alguns anos avançamos também com a aprovação de normativos criam a central de registos de crédito privado” recordou justificando que foi “porque entendeu-se que não é suficiente o registo de crédito que está situado no Banco de Moçambique porque tem haver apenas com o sistema bancário, mas os clientes que acedem ao banco têm créditos com inscrições que não são supervisionadas com o banco de Moçambique”.

A implementação do quadro normativo descrito por Wade está dependente da aprovação do regulamento deste regime de crédito privado “que quanto sei está já depositado no conselho de ministros”.

Enquanto se espera, as Fintechs vão tentando “fintar” estes desafios. Como conta Fei Manheche. “Logo a sair da Sandbox nós tínhamos de estabelecer ligações directas com agentes bancários, incluindo os de moeda electrónica e a primeira resposta que recebi é se nós descobrimos que vocês estão a operar como agregadores de pagamento nós vamos desligar a ficha, vamos vos cortar, porque não queremos agregadores de pagamento na nossa plataforma” contou Fei o fundador da Pagalo.

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