O País – A verdade como notícia

O relatório anual sobre a actividade seguradora em 2019 apresentado pelo Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM) mostra que as 21 empresas de seguros operantes em Moçambique produziram 15,950.1 milhões de Meticais, um aumento de 21.2% comparando ao ano anterior, 2018. No referido período em análise, a empresa pública de seguros, EMOSE deteve 22.9% da quota global do mercado, um crescimento de 0.9 pontos percentuais.

O ano de 2019 foi, certamente, um ano em que a produção do sector segurador do país recuperou-se consideravelmente, segundo mostra o ISSM, visto que, no ano transacto, o sector havia registado uma produção de 13,158.9 Milhões de Meticais, ou seja, um crescimento de apenas 1% na sua produção.

Produção por segmento

As empresas de seguros do segmento Não Vida produziram 13,813.6 milhões de Meticais, ou seja, um peso de 86.4% na produção global do ano em análise. Já as empresas do segmento Vida contribuíram em 13.4%, tendo produzido 2,136.5 milhões de Meticais em 2019.

O ramo de seguro de automóvel registou a alteração mais notável, tendo contribuído em 25.8% para a produção global do segmento Não Vida, enquanto que, no ano anterior, 2018, o seu peso foi de 29%, um decréscimo de 3.2 pontos percentuais.

Apesar desse decréscimo, o relatório aponta que este ramo foi o que mais vendeu apólices de seguro dentro do seu segmento. “No período em análise, foram comercializados 798,002 apólices de seguro, com destaque para a modalidade Automóvel com cerca de 56.7% do total das apólices comercializadas”, lê-se no documento.

Outra alteração notável que se pode constatar ocorreu no ramo de acidentes pessoais e doença, cujo peso na produção do segmento subiu 4.4 pontos percentuais, tendo contribuído 30.8% em 2019, contra os 26.4% de 2018.

Posicionamento no mercado

O ranking das seguradoras não sofreu grandes alterações nas 10 primeiras empresas do mercado, sendo que a EMOSE permanece líder, assim como as duas que lhe seguem e juntas formam três empresas que detém maior quota no mercado segurador no país.

 

Celebra-se hoje o Dia Internacional do Algodão. Em Moçambique, esta cultura de rendimento gera receitas para o Estado na ordem de mais de 30 milhões de dólares anuais. O grande desafio é a criação de fábricas de fiação para o aproveitamento completo das potencialidades que podem ser geradas pela cultura.

Produzido maioritariamente na região norte, principalmente nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, o algodão é uma cultura que gera rendimentos para mais de 200 mil produtores rurais. A produção e comercialização dessa cultura não obedece a lógica de outros produtos, sendo que esse que neste caso usa-se o sistema de concessão.

“O Estado assina contratos de fomento e extensão rural, atribuindo áreas para a promoção desta cultura às empresas concessionárias, as quais assistem as famílias que estejam directamente envolvidas na produção e comercialização desta cultura. As províncias da zona Norte contribuem com mais de 70% do total da produção nacional, sendo que pela densidade de empresas que lá existem, o maior número de produtores está nessas províncias”, explicou Frei Sualé, delegado do Instituto de Algodão e Oleaginosas na província de Nampula.

O interlocutor, que superintende as províncias do norte e parte da província da Zambézia, avançou que “em Moçambique, o algodão é praticado por cerca de 250 mil famílias, representando uma fonte segura de rendimento para mais de 1.500.000 habitantes rurais”.

“Mais de um milhão de meticais constitui a receita resultante da produção do algodão, valor através do qual as famílias conseguem” enfrentar a “insegurança alimentar. Têm acesso ao vestuário, a instrumentos agrícolas, à saúde e educação, entre outros bens. Ao longo da sua cadeia de produção e manuseamento, o algodão cria mais de 20.000 postos de trabalho assalariado, incluindo os sazonais”, disse a fonte.

Segundo o delegado do Instituto de Algodão e Oleaginosas em Nampula, mais do que gerar renda para as famílias rurais, o algodão produz receitas para o Estado.

“O algodão é grande contribuinte do Produto Interno Bruto (PIB), capta divisas, gera uma receita de 30 a 50 milhões de dólares anuais, contribuindo positivamente para o equilíbrio da balança de pagamentos”, detalhou o responsável.

Nesta época, devido à oscilação do valor dessa matéria-prima no mercado internacional, o quilograma do algodão de primeira deveria ser comercializado a 19 meticais. Entretanto, o Executivo decidiu subsidiar os produtores com acréscimo de seis meticais, passando a custar 25 meticais o quilograma.

“Trata-se de uma medida que satisfaz o produtor, pois com essa intervenção do Governo, o produtor não sai lesado e pode ter rendimentos para fazer investimento familiar. Com essa intervenção, o Governo pretendia, também, viabilizar a produção do algodão caroço e estimular a rotatividade de culturas, através do incentivo de culturas de ciclo rotativo, para aumentar e salvaguardar a renda das famílias rurais. Consequentemente, espera-se um efeito positivo na produção da próxima campanha, através do aumento do número de produtores e de áreas de produção”, explicou Frei Sualé.

ALGODÃO GERA 50 BILIÕES DE DÓLARES NO MUNDO  

Vista como uma matéria-prima que pode ser utilizada em vários sectores, muitos países têm apostado na produção do algodão, sendo que a China aparece como uma referência global na produção deste produto.

“A importância deste produto à escala global é notável, considerando que 75 países nos cinco continentes produzem esta cultura, envolvendo cerca de 100 milhões de famílias, com uma produção mundial de 25 milhões de toneladas. O algodão produz uma receita anual de 50 biliões de dólares, sendo que a China é o maior produtor e consumidor do total da fibra produzida anualmente, enquanto os Estados Unidos da América são o terceiro maior produtor e o maior exportador”, disse Sualé.

MOÇAMBIQUE PRECISA DE INDÚSTRIAS PARA APROVEITAR O ALGODÃO

Manuel Delgado, gestor de uma das empresas que fomenta o chamado ouro branco, processa e vende fibra de algodão, na província do Niassa e considera que o país tem potencial para ter mais rendimentos com esta cultura.

“Temos que correr para a industrialização do nosso país. Com a quantidade de algodão que se produz temos que ter indústrias de fiação, indústrias têxteis, roupa e fardamento. Só assim iremos multiplicar os benefícios do algodão com a geração de mais empregos, dinamização da economia do país e da vida de todos os envolvidos na cadeia de produção dessa cultura”, entende Manuel Delgado.

O algodão produzido e processado em Moçambique é vendido para países como Vietname, Malásia, Tailândia, China, Singapura, Bangladesh e Japão.

VIDAS TRANSFORMADAS PELO ALGODÃO NO NIASSA

A cultura do algodão está a transformar a vida de produtores no norte do país. Rasul Wiliam é disso exemplo. Produtor de referência no distrito de Mecanhelas, província do Niassa, tem duas esposas e oito filhos.

O agricultor contou que o algodão está a trazer benefícios na sua vida. “Graças a essa actividade consegui comprar uma motorizada, consegui tratar a minha carta de condução em Lichinga, construí uma casa melhorada coberta de chapas de zinco e consigo alimentar a minha família e os meus seis trabalhadores”, disse alegre.

Graças ao seu empenho, há um ano, o cidadão beneficiou de um trator, no âmbito do fomento da cultura, com o qual pretende aumentar a sua produção, pois tem uma meta: “comprar um carro porque tenho muitas dificuldades de transportar a minha produção”.

“Mais ainda, tenho muitas dificuldades quando saio para a província da Zambézia, onde procuro trabalhadores para o período de colheita. Tenho que depender de “chapas” para os transportar e tenho que percorrer toda essa distância de motorizada. Acredito que com um pouco mais de esforço irei conseguir”, afirmou o agricultor, esperançado.

Quem também está a lutar é Xavier Nloco. Produtor do distrito de Cuamba, localidade de Timane. Ele encontra no algodão um produto que impulsiona outros negócios.

“Tenho duas lojas e procuro diversificar as minhas actividades. Todas eu consegui graças ao algodão. Com esta cultura consegui construir três casas melhoradas, construí um muro na minha casa, tenho corrente eléctrica e consigo alimentar os meus filhos”, alegrou-se Xavier.

Mesmo sendo uma referência na comercialização de peças de bicicletas e produtos alimentares, ele não pára de sonhar. “Quero uma viatura. Com ela poderei desenvolver melhor a minha actividade. Esses produtos que tenho na barraca compro em Nampula e no Malawi” mas “tenho enfrentado dificuldades para trazer até aqui à localidade. Com uma viatura, a minha vida seria mais facilitada”, terminou.

A empresa Aeroportos de Moçambique assumiu, hoje, ter registado, até ao momento, prejuízos em cerca de 24 milhões de dólares, devido aos impactos da pandemia do Coronavírus. A empresa garante estar a trabalhar para receber certificação internacional em saúde, de modo a receber mais voos

COVID-19 e os seus impactos continuam a marcar os diversos sectores e a arrasar as contas em diversas empresas. A empresa Aeroportos de Moçambique (ADM) diz ter registado até Setembro passado cerca de 24 milhões de dólares em prejuízos, devido à pandemia.

Conquanto, apesar de, por um lado, somarem-se prejuízos, por outro cresce a perspectiva da retoma dos voos em larga escala. E para isso, é necessário que os aeroportos estejam preparados e haja condições sanitárias mais adequadas contra o Coronavírus.

“Temos procurado implementar todas medidas que foram anunciadas pela autoridade reguladora da aviação civil, para garantir que tenhamos a certificação como um aeroporto seguro, em termos de contaminação da COVID-19. O processo já começou e esperamos que dentro de um, ou mês e meio, tenhamos essa certificação”, revelou o PCA da ADM.

Nesta fase, para a retoma gradual de voos internacionais, já foram seleccionados alguns países que têm reciprocidade com Moçambique. A título de exemplo estão a Etiópia, África do Sul, Portugal, Qatar e Turquia. “Foram alguns desses países que foram seleccionados para essa fase, e que há um número de frequências que está permitida sendo que, ao longo do processo, vão aumentando o que poderá fazer com que as companhias aéreas possam fazer mais voos por semana, para além dos actuais dois voos”, avançou Chaves.

Um relatório da responsabilidade de organizações britânicas alertou que as alterações climáticas vão custar 4.6 biliões de euros por ano até 2070.

Os danos causados pelas alterações climáticas, segundo escreve o “Observador”, levarão a uma redução de 10% da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2050 e de 25% até 2100.

Num cenário em que os países cumpram as metas do Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, que pretende limitar o aumento global da temperatura a dois graus celsius (e preferencialmente 1,5 graus) acima da média da época pré-industrial, as alterações climáticas terão ainda assim um custo anual que atingirá 1,5 bilião de euros em 2070.

Entretanto, sem medidas para conter o aquecimento global, o relatório mostra que os custos das alterações climáticas serão três vezes superiores, passando de 1,5 para 4,6 biliões de euros por ano, e que no próximo século podem mesmo ser 17 vezes superiores.

Conter as alterações climáticas também tem um custo, mas mesmo assim, será menos elevado, calculando os autores do relatório que atinja um pico de 5,9 biliões de euros por ano até 2050.

O índice de confiança no emprego interrompeu, no mês de Agosto, a trajectória descendente, que se verificava desde o mês de Março, ao registar um incremento substancial, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Com as medidas restritivas adoptadas pelo Governo, com vista a travar a propagação da pandemia da COVID-19, muitos moçambicanos caíram no desemprego, com destaque para o sector de turismo. Contudo, os sinais de recuperação já estão à vista.

“Essa situação deveu-se à avaliação positiva do indicador em análise nos sectores da produção industrial, transportes, de alojamento e restauração e ainda construção. Contrariamente, os sectores de comércio e de outros serviços não financeiros registaram uma diminuição das perspectivas da procura, se comparadas com o mês anterior”, justifica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

No geral, o clima económico das empresas recuperou de forma ténue, interrompendo assim a série negativa que vinha registando desde o mês de Fevereiro. Essa ligeira recuperação contou com contributo positivo das perspectivas de emprego e da procura que aumentaram substancialmente no mesmo mês de referência.

Sectorialmente, e de acordo com o INE, a ligeira subida da confiança dos homens de negócio na economia, deveu-se à conjuntura favorável nos sectores de produção industrial, dos transportes, de construção e dos outros serviços não financeiros e que em conjunto suplantaram a situação pouco abonatória dos empresários dos restantes sectores inquiridos no período em análise.

OBSTÁCULOS DAS EMPRESAS

O INE estima, que em média, 57% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo no mês de Agosto, o que representou uma diminuição de 6% de empresas com limitação de actividade face ao mês anterior.

Esta performance foi influenciada pela diminuição de empresas com dificuldades em todos sectores inquiridos, com maior destaque para os sectores de transportes, de alojamento e restauração, bem como de construção que registaram uma diminuição considerável da frequência relativa de empresas com algum obstáculo no seu desempenho no período de referência.

Ainda em Agosto, o indicador de confiança do sector de alojamento, restauração e similares registou uma ligeira diminuição, após sinais de recuperação no mês de Julho, tendo o respectivo nível se situado abaixo do observado no mesmo mês de 2019.

Esse comportamento negativo deveu-se à avaliação muito desfavorável do volume de negócios, apesar da procura corrente, bem como as perspectivas da procura terem melhorado no mês de referência.

Em linha com o indicador síntese sectorial, a perspectiva de capacidade hoteleira foi também de ligeira diminuição se comparado com o mês anterior. Paradoxalmente, a perspectiva de preços foi de ligeiro aumento.

Estima-se, que cerca de 75% das empresas deste sector enfrentaram alguma limitação da actividade, no mês em análise, o que representou uma diminuição de 8% de empresas com constrangimentos face ao mês anterior.

Os principais constrangimentos referidos pelos agentes económicos do sector foram, a concorrência (14%) e os outros factores não especificados (34%), em ordem de importância.

O recém-publicado documento mostra como a tecnologia pode ajudar a tornar as economias mais resilientes no contexto da pandemia em que se vive no mundo, principalmente nos sectores de transportes públicos, saúde e trabalho.

“É uma necessidade urgente de utilizar tecnologias 5G para acelerar uma distribuição mais ampla da resiliência económica, bem como criar um acesso significativamente maior aos cuidados de saúde e meios seguros e eficientes para que as populações urbanas se possam deslocar”, diz a publicação da plataforma internacional de pensamento económico.

Tecnologia 5G ou, simplesmente, de quinta geração é descrita como a que oferece internet 500 vezes mais rápida que a sua antecessora, 4G e que possibilita maior conectividade entre dispositivos.

Para o Fórum Económico Internacional já existe, de facto, uma tecnologia que ajudou a absorver boa parte do impacto negativo da COVID-19 na economia pois, mesmo com as medidas restritivas, o mundo não parou por completo. Alguns sectores de produção continuaram activos.

Mas, porque ainda se pode fazer mais, a pandemia veio acelerar a necessidade de tecnologia mais actualizada para fazer face às diferentes condições que hoje são impostas ao mundo.

“Quando confrontados com a falta de escolha a não ser prestar serviços digitalmente, mesmo as indústrias que tradicionalmente têm um atraso na adopção digital estão a ter de se transformar rapidamente”, diz o documento.

REINVENTADO O SECTOR DE TRANSPORTES PÚBLICOS

A COVID-19 trouxe o imperativo do distanciamento social, tendo forçado a redução na circulação de pessoas, devido ao facto de estas passarem mais tempo em casa.

Contudo, um certo grupo de pessoas que trabalha na área da saúde e alimentação precisa continuar a circular.

Segundo o relatório, “neste cenário, os operadores de transportes públicos enfrentam o importante desafio de redesenhar os seus serviços com maior flexibilidade para responder às mudanças (…) previstas para os próximos meses e anos”.

A publicação mostra que, com a tecnologia 5G, tornar-se-á possível monitorar o distanciamento social através de uma aplicação de celular. Além disso, pode-se igualmente detectar filas e controlar o cumprimento do carregamento recomendado de passageiros.

Moçambique também deu avanços no uso da tecnologia nos transportes, com o recém-anunciado projecto de implementação de bilhetes electrónicos. Contudo, em entrevista ao “O País”, Ivan Gerson, utente de transportes públicos mostra reservas em relação à aplicabilidade desta tecnologia no país.

Ivan pensa que, no país, “existem problemas maiores por resolver antes de pensar no avanço tecnológico”.

Já Albano Idetaiua, também utente de transportes públicos, quando confrontado com a possibilidade de um futuro no qual os transportes são controlados à distancia por um dispositivo electrónico.

Em caso de ocorrência de um acidente de viação, “é mais controlável do que um carro controlado por uma pessoa”, afirmou Albano.

UMA SOLUÇÃO PARA O MERCADO DE TRABALHO

Mais uma vez o imperativo do distanciamento social torna-se o vilão da história. Muitos sectores tiveram que se adaptar ao “novo normal” e aprender a trabalhar remotamente.

Mas, outro problema se levanta. “Enquanto os empregados existentes colaboram virtualmente de forma eficaz, há também a questão de como embarcar e formar novos empregados que precisam de assimilar rapidamente a sua situação de trabalho”, lê-se na publicação.

Para solucionar este problema, o Fórum aponta o uso das realidades virtual e artificial, como forma de treinar pessoas sem que estas estejam, de facto, expostas ao cenário real.

O documento conclui que a tecnologia de quinta geração pode causar uma revolução no sector industrial criando um ambiente economicamente favorável, tanto para as empresas, como para os cidadãos, permitindo maior produtividade.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, dirigiu, sábado, a entrega de meios de trabalho e de produção ao primeiro grupo de extensionistas e produtores da província de Sofala, no sábado, na cidade da Beira, no âmbito da materialização do Programa Sustenta.

Trata-se de um conjunto de bens avaliados em 587 milhões de meticais, nomeadamente 48 charruas, 47 tractores, 43 atrelados de reboque, 29 grades, 28 equipamentos de pulverização, 17 enxadas, 15 semeadoras, 13 motobombas, cinco moageiras, quatro carrinhas de quatro toneladas, duas motorizadas, dois sistemas de rega, uma debulhadora, uma carrinha de cinco toneladas, uma de duas toneladas e um armazém de 20 por 50 metros.

Conforme revelou o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, esta é apenas uma parte simbólica dos meios de trabalho alocados à província, sendo que, no global, Sofala vai receber instrumentos de trabalho avaliados em mais de mil milhões de meticais ao logo deste quinquénio.

Durante a cerimónia de entrega destes meios, Celso Correia disse que este evento marca o início da concretização do Sustenta a nível da província de Sofala, evento que, conforme revelou, ocorre há três semanas do lançamento da campanha agrícola 20-21 a nível nacional e, por conta deste calendário, pode-se sinalizar que as expectativas para a próxima campanha, não só para a província de Sofala mas, para todo o país, são grandes.

“Estando aqui os representantes dos principais agentes neste processo produtivo, faço referencia aos extensionistas, produtores e todos os envolvidos na cadeia de valor é momento para fazermos um apelo, em primeiro lugar a todos aqueles que acabaram de se beneficiar de meios de trabalho, os extensionistas receberam motorizadas que são essenciais para o desempenho das suas actividades em termos de mobilidade. Em primeiro lugar tomar conta destes activos que são do Estado. É um investimento público que vem das contribuições dos nossos concidadãos. Por isso, é vossa responsabilidade olhar para estes meios de trabalho e gerir da melhor forma possível”, disse o governante.

Celso Correia apelou aos extensionistas para que façam o uso seguro para que estes meios não deem um resultado inverso ao que a sociedade espera. “Por isso, é muito importante conduzirmos e usarmos com todas as cautelas e dentro das regras”.

Aos produtores, o ministro fez saber que o Governo ainda não está em condições de alcançar a todos, todavia, assegurou que nos próximos cinco anos, de forma gradual, serão atingidas as metas deste ambicioso programa para o qual aquele pequeno grupo é pioneiro em termos de assistência.

“Por isso tem responsabilidade acrescida. O vosso sucesso é o sucesso do programa, é a garantia de que mais produtores ao nível do programa irão receber este benefício”, frisou.

Adiante, asseverou que o papel do Governo neste programa será o de fiscalizar e de dar o necessário suporte e sublinhou que o mais importante será criar condições para que o país tenha uma campanha agrícola 2020/2021 diferenciada.

Por sua vez, o governador da província de Sofala, Lourenço Bulha disse que com a assinatura de contratos de financiamento e de entrega de meios aos agricultores e extensionistas estão reunidas as condições para o aumento da produção nas suas diferentes dimensões.

“Estamos diante do início de um grande contributo para a transformação da visão tradicional da organização da produção e comercialização agrícola para incentivar aos camponeses através da transferência de tecnologias, financiamento, transformação de mercado, planeamento e ordenamento produtivo, infra-estruturas, salvaguardas ambientais e sociais e o subsídio ao produtor”.

Lourenço Bulha mostrou-se satisfeito com a adesão dos beneficiários desta segunda intervenção do “Sustenta” e dos que ainda virão depois da formação dos agentes de extensão agrária, que consiste na entrega de financiamento, alocação de insumos e meios de trabalho de modo a viabilizar a prossecução das metas preconizadas no âmbito da implementação deste projecto.

Mais adiante, apelou beneficiários dos fundos e apoios do programa, bem como às equipas de gestão do programa para pautarem pelos mais nobres valores que norteiam a ética na gestão desses apoios para permitir que se possa beneficiar a outros concidadãos.

A secretária de Estado de Sofala, Stella Novo Pinto Zeca, agradeceu pelo facto de se estar em mais uma etapa de materialização do “Sustenta”.

 

Na sua proposta do orçamento rectificativo, submetido ao Parlamento, o Governo propõe um acréscimo de 28.7 mil milhões de meticais para reforçar o Orçamento do Estado de 2020. Assim sendo, a despesa total do Executivo vai disparar para mais de 374 mil milhões de meticais.

O Governo moçambicano justifica que “a proposta do orçamento rectificativo foi elaborada tendo em conta o contexto internacional de desaceleração económica, redução dos preços dos principais produtos primários e abrandamento da actividade económica, devido à eclosão da pandemia da COVID 19”.

Da nova despesa, 231 mil milhões de meticais destina-se à rubrica de funcionamento, cerca de 90.5 mil milhões para investimento e 52.4 mil milhões para operações financeiras. O défice orçamental fixar-se-á nos 159.9 mil milhões de meticais.

De acordo ainda com a proposta do orçamento rectificativo, a que “O País” teve acesso, os recursos internos terão maior peso. São 214.1 mil milhões de meticais em arrecadação de receitas do Estado, com destaque para a receita tributária (195.6 mil milhões de meticais), alienação do património do Estado (9.9 mil milhões de meticais) e 53 mil milhões de meticais em empréstimos.

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) deu um pontapé de saída ao programa de leilões de energias renováveis. Desta vez, o alvo é implantar em Dondo, província de Sofala, uma central solar de 30 Megawatts.

O Governo demonstra seu afirmado compromisso com a promoção de energias renováveis, lançando o primeiro leilão, um dia após o anúncio público Programa de Leilões de Energia Renováveis (PROLER).

Estima-se que na fase de construção da central solar, 400 pessoas, na maioria moçambicanos, tenham emprego e que a mesma deverá entrar em operação nos finais de 2022.

“Este concurso tem duas etapas, à primeira, as empresas serão convidadas a apresentar propostas técnicas iniciais e na segunda etapa serão convidadas a apresentar propostas técnicas, vamos considerar, finais”, disse Paulo da Graça, Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Autoridade Reguladora de Energia, entidade que irá tutelar este desiderato.

O cronograma do projecto de Dondo prevê que a recepção de manifestações de interesse seja feita até Dezembro de 2020 e os pré-seleccionados sejam anunciados em Janeiro de 2021.

A segunda fase do concurso está prevista para arrancar em Fevereiro do próximo ano, as propostas entregues até Abril e o vencedor escolhido até Junho daquele mesmo ano.

Entretanto, esta não será a única iniciativa dentro destes moldes. Segundo explicou Paulo, no próximo ano, o Governo irá igualmente lançar leilões para a construção de mais duas centrais solares, localizadas na cidade de Lichinga, província de Niassa e Manje na província de Tete e em 2022 será lançado o leilão para construção de uma central eólica em Inhambane.

Sobre os critérios de avaliação, um comunicado de imprensa enviado à nossa redacção, esclarece que “os investidores serão seleccionados tendo em conta o cumprimento de requisitos técnicos especificados e, sobretudo, a capacidade de apresentarem tarifas mais atractivas, com benefícios para os consumidores”.

Os custos relacionados à estruturação dos projectos, o que engloba a preparação dos estudos de viabilidade e o financiamento de ligação à rede, foram reduzidos pela contribuição financeira de 37 milhões de euros (3.1 mil milhões de meticais), feita pela União Europeia, assim como, um pacote de garantias oferecido pela Agência Francesa de Desenvolvimento.

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