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O País – A verdade como notícia

Segundo a administradora do Banco de Moçambique, Silvina de Abreu, o World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento da economia mundial na ordem de 5,6% em 2021 e 4,2% em 2022. Contudo, devido à incerteza, a forma como cada país vai recuperar da crise da pandemia da COVID-19 não será uniforme, isto é, há países como os Estados Unidos e a China, que vão registar um crescimento rápido em relação aos outros.

Silvina de Abreu refere que as soluções para ultrapassar a crise sanitária dependem de quatro factores, nomeadamente, a preparação dos países em termos de condições para lidar com a pandemia; a política fiscal voltada para o apoio aos sectores privado e familiar; a capacidade de digitalização; o trabalho remoto e a flexibilidade de fazer negócios, isto é, o doing business.

Com os requisitos satisfeitas, Silvina de Abreu entende que estarão criadas as condições para alavancar a economia nacional, na qual apenas o sector da agricultura é que demonstrou resiliência em 2020, ao registar um crescimento de cerca de 22% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Banco de Moçambique aumentou em Janeiro último a taxa MIMO, usada como referência para o mercado financeiro interbancário que, apesar de ter criado desconforto ao sector privado caracterizado pela deterioração do índice de robustez empresarial, bem como pela depreciação cambial, Silvina de Abreu disse que a decisão tem por objectivo evitar a alta de preços no mercado, proteger as camadas mais desfavorecidas e preservar a moeda nacional.

E nesta luta pela preservação do metical, o sector privado é chamado a intervir com acções mais concretas, sendo uma delas, o aumento da qualidade em termos de prestação de bens e serviços, que permitem uma concorrência dentro e fora do país. E é neste contexto que, por exemplo, o director comercial da Total, Arnaldo Nhavoto, avançou que as empresas devem estar capacitadas para responder aos requisitos de qualidade exigidos pela multinacional, para que possam ser integradas na cadeia de valor de produção do gás, cuja exportação está prevista para 2024.

E no âmbito do conteúdo local, a Total prevê despender cerca de 2,5 biliões de dólares, dos quais mais de 1 bilião de dólares já foram gastos com empresas registadas em Moçambique, e 250 milhões com empresas detidas maioritariamente por moçambicanos, sendo que os restantes com empresas registadas no país, mas com capitais estrangeiros.

Para Moçambique, a directora de estudos e mercados do BCI, Faharana Razak, aponta para alguns condicionalismos do desempenho da economia nacional, nomeadamente, a incerteza sobre o crescimento global, o aumento da pressão sobre a despesa pública devido à COVID-19, a instabilidade política, as calamidades naturais e o aumento de preços de mercadorias.

Em relação à possibilidade de passar os USD 500 milhões, de uma linha de financiamento para uma venda directa de capital aos bancos comerciais, de modo a aumentar o crédito para o sector privado, o Banco de Moçambique defende que em 2020, em termos líquidos, a banca comprou mais dos agentes económicos do que vendeu, o que prova que é possível ter-se a economia a funcionar com as exportações a financiarem as importações.

De Abreu explica que os USD 500 milhões não constituem a primeira linha de actuação, mas sim o último recurso para o qual os bancos comerciais podem recorrer em caso de necessidade. Diz ainda que a primeira linha de actuação é a assegurar que os bancos se mantenham no mercado para comprar divisas dos exportadores e depois vendê-las para os importadores.

No que se refere ao investimento dos recursos provenientes das receitas de gás através do Fundo Soberano, o Banco de Moçambique diz estarem em curso o estudo de alguns cenários. Por enquanto, o projecto do Fundo Soberano está a ser analisado do ponto de vista de um fundo de estabilização e de poupança e que a componente de investimento caberá ao Governo fazer a devida gestão. Entretanto, o banco central acredita que o sector da agricultura, que já provou vai ser um dos que poderá beneficiar de investimento através do Fundo Soberano.

A banca comercial reafirma o compromisso no cumprimento das moratórias impostas pelo Banco de Moçambique, às taxas de juro até Junho de 2021, bem como algumas linhas de financiamento ao sector privado, tendo em vista o surgimento de novos micro-negócios que podem dinamizar a economia, tal com refere Faharana Razak.

Em relação ao impacto dos eventos climáticos extremos e pandemia da COVID-19, Razak disse que a banca está aberta à negociação dos contratos de crédito com o sector privado, para evitar que alguns agentes não migrem para o sector informal, tal como já foram constatados alguns casos, ainda que tal actuação de algumas PME não tenha sido ainda confirmada pela CTA.

O sector privado, através do presidente do conselho directivo da CTA, Agostinho Vuma, recomenda as multinacionais, como por exemplo a TOTAL, a combinarem a qualidade, formação e preparação das empresas nacionais através de um treinamento antecipado e não a posterior. “Moçambique tem que sonhar e sermos nós a implementar os sonhos”, concluiu Vuma.

O sector privado prevê que o ambiente macroeconómico continue a deteriorar-se neste primeiro trimestre do ano. Contudo, o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Agostinho Vuma, sugere a criação de normas para melhorar o ambiente de negócios no país.

Agostinho Vuma partilhou a informação hoje no Economic Briefing, evento organizado pela CTA, que debateu o desempenho empresarial de 2020 e as perspectivas para 2021, anos fortemente marcados pela COVID-19, sendo o sector empresarial uma das principais faces da crise.

Embora os dados partilhados pela CTA indiquem que o índice de robustez empresarial tenha subido ligeiramente, de 39 para 40%, no IV trimestre de 2020, com o alívio das medidas restritivas referentes à COVID-19, os patrões revelam que, no geral, o ano passado foi marcado por perdas.

“O exercício de monitoria constante dos impactos da COVID-19 sobre o sector empresarial nacional nos permite aferir que, de forma geral, em todo o ano de 2020, o sector empresarial registou perda de receitas estimadas em 1.1 mil milhão de dólares norte-americanos, dos quais, cerca de 38,3% deveram-se à redução do tempo de funcionamento das nossas empresas”, fez saber o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

O chefe da principal agremiação patronal do país referiu ainda que as empresas perderam cerca de 885 horas de funcionamento efectivo durante o período de restrições devido à COVID-19, caracterizadas pelas limitações do tempo de funcionamento das empresas, a rotatividade dos trabalhadores e a quarentena para os trabalhadores infectados pela doença, facto que resultou na perda de 422 milhões de dólares norte-americanos em termos de facturação.

“Os outros 61,7% do volume de perdas de receitas deveram-se a perda significativa da procura agregada, a queda do nível geral de preços, entre outros factores. Adicionalmente, importa destacar que devido à pandemia da COVID-19, foram perdidos cerca de 40 mil postos de trabalho e cerca de 1075 empresas encerraram as suas actividades”, revelou Agostinho Vuma.

Face ao cenário de perdas e tendo em conta as novas restrições em curso, para os primeiros três meses de 2021, o sector privado nacional representado pela Confederação das Associações Económica anunciou a revisão em baixas das perspectivas de desempenho empresarial nacional.

“O ano 2021 inicia com o surgimento de uma nova vaga de propagação da pandemia da COVID-19 que levou o Governo a decretar novas medidas restritivas. Estas medidas aliadas à contínua depreciação cambial, aumento das taxas de juro, o efeito das calamidades naturais e à insegurança em algumas partes do país, fazem com que as perspectivas de evolução do desempenho empresarial no I trimestre de 2021 sejam revistas em baixa”, disse Agostinho Vuma.

O presidente da CTA diz ainda que os empresários que operam em Moçambique esperam por um aumento do custo do capital no primeiro trimestre do ano 2021, como efeito da subida da taxa de juro de política monetária (MIMO) em 300 pontos base em Janeiro de 2021, definida e anunciada pelo Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique, o banco central.

“Diante do cenário que assistimos no IV trimestre de 2020, conjugado com as primeiras impressões que colhemos no início de 2021, perspectivamos que o ambiente macroeconómico continue a deteriorar-se neste primeiro trimestre. No que diz respeito ao ambiente de negócios, esperamos que sejam introduzidos alguns instrumentos normativos relevantes para o sector empresarial, como a lei de minas, regulamento para provedores e utilizadores de internet, leis cambial e do Sistema de administração financeira do Estado”, prevê Vuma.

Na ocasião, o director executivo da Confederação das Associações Económicas, Eduardo Sengo, explicou que por causa das restrições, as empresas estiveram paralisadas cerca de 37 dias. Por isso, Sengo diz ser necessário reforçar as medidas de mitigação os impactos da COVID-19.

“É preciso repensar no pacote das medidas que já tinham sido discutidas em 2020. Os pagamentos especiais por conta do IRPC é comumente defendida pelo sector privado. Em todo lado onde fomos e em todos os inquéritos que recebemos, não houve uma empresa que não manifestasse preocupação ou propusesse que isso acontecesse e com uma alteração daquilo que foi feito no ano passado. No ano passado, a proposta foi de que devia-se abranger empresas com uma facturação ou uma receita anual de 2,5 milhões e a proposta é que para que haja maior abrangência, alinhado com aquilo que são as PME em Moçambique, então, que este volume fosse retificado para 70 milhões de meticais”, disse o director executivo da CTA.

Eduardo Sengo referiu ainda que o pagamento efectivo das dívidas do Estado às empresas é necessário porque seria uma injecção directa de capital para as pequenas e medias empresas, em jeito de contratação de serviços que as empresas poderiam ter, exemplificou.

“Outro aspecto importante que devemos destacar é a questão da linha de financiamento em moeda estrangeira que precisa de ser reestruturada sob o ponto de vista do seu custo e, em particular, o seu modelo. Nossa opinião é que essa linha fosse através do mercado cambial interbancário e não o mercado monetário interbancário”, sugeriu o director executivo da CTA.

Outra preocupação do sector privado é o endividamento do Estado na economia nacional que subiu bastante desde Junho de 2020, facto que reduz a possibilidade de as empresas se financiarem. Sengo fala ainda da necessidade de ampliar os fundos de apoio às empresas.

“Criação de um fundo de apoio empresarial… A estimativa que fizemos em 2020, no estudo lançado pela CTA, é que a necessidade das empresas estavam estimadas em 31 mil milhões de meticais para se fazer face aos efeitos da COVID-19 e, a linha que foi criada pelo BNI é de 1,6 mil milhão de meticais. O somatório dos pedidos, em um mês, atingiu 11 ou 12 mil milhões de meticais e o BNI interrompeu a recepção dos pedidos, ou seja, facilmente iria se chegar a esse número de 31 mil milhões de pedidos das empresas”, afiançou Eduardo Sengo.

O novo investimento no negócio de gás natural foi anunciado esta segunda-feira pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, em representação do Governo e pela petrolífera sul-africana Sasol.

Com o valor, pretende-se desenvolver reservatórios adicionais de gás natural que se encontram ao redor dos campos de Inhassoro e Temane, no distrito de Inhassoro, província de Inhambane, no âmbito do Contrato de Partilha de Petróleo que teve o Plano de Desenvolvimento revisto pelo Governo em Setembro de 2020.

A Decisão Final de Investimento foi tomada na última sexta-feira, refere uma nota de imprensa enviada ao “O País” pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

Segundo o documento, o investimento vai permitir, por um lado, a produção de 23 milhões de giga joules de gás natural por ano, que serão usados para a produção de 30 mil toneladas de gás de cozinha por ano, naquela que será a primeira unidade do género no país. Por outro lado, irá permitir a geração de 450 megawatts (MW) de electricidade na Central Térmica de Ciclo Combinado de Temane, que serão injectados na rede nacional para a eletrificação do país.

Com a produção das 30 mil toneladas por ano de gás de cozinha (GPL), Moçambique deixa de importar cerca de 75% do produto, assegura o Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

“O projecto contempla ainda a produção de 4 mil barris de petróleo leve por dia para exportação”, revela a nota de imprensa.

O processo de construção das infra-estruturas de produção de gás natural deverá iniciar em Julho do presente ano e vai empregar directamente mais de 3 mil moçambicanos e gerar outros milhares de empregos indirectos nos próximos três anos, indica o comunicado de imprensa.

Com o investimento, Moçambique dá um passo importante para a transformação interna do gás natural e na industrialização.

Informação partilhada recentemente pela Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas refere que, actualmente, apenas 3% da população moçambicana tem acesso a energias domésticas limpas para cozinhar, enquanto na África Austral 17% da população tem acesso e no continente africano como um todo, 29% da população tem acesso a essas energias limpas para confeccionar os alimentos.

Parceiros de cooperação desembolsaram ao Governo cerca de 661,5 milhões de dólares até o dia 31 de Dezembro de 2020 para responder as necessidades impostas pela pandemia da COVID-19. Do valor, cerca de 622 milhões de dólares foram em dinheiro e pouco mais de 39,5 milhões em produtos.

Quando eclodiu a pandemia da COVID-19, no ano passado, o Governo solicitou aos seus parceiros de cooperação um apoio de 700 milhões de dólares norte-americanos. Do valor solicitado, foi desembolsado o equivalente a quase 95 por cento.

Dessa quantia desbloqueada até Dezembro de 2020, segundo um relatório do Executivo publicado hoje, já foram canalisados ao Ministério da Saúde 111,4 milhões de dólares para a prevenção e tratamento da COVID-19, sendo que, 71,9 milhões em dinheiro e 39,5 milhões em produtos diversos.

“Dos USD 71.926.933,63 disponibilizados em numerário, USD 28.976.964,63 foram canalizados para contas do Ministério da Saúde (MISAU) e o remanescente, USD 42.950.000 (59,7%), ficou sob gestão dos parceiros para pagamentos directos de acordo com a lista de necessidades apresentada pelo MISAU”, indica o relatório sobre os compromissos assumidos pelo Governo diante dos parceiros relativos à COVID-19.

Outra parte desembolsada pelos parceiros é para cobrir o défice causado pela perda de receita resultante da queda do Produto Interno Bruto (PIB). O valor alocado é de aproximadamente 511 milhões de dólares norte-americanos e já foram utilizados cerca de 300 milhões, distribuídos da seguinte forma:

Perca de receitas absorveu cerca de 183 milhões de dólares; infra-estruturas escolares gastaram cerca de 47 milhões e abastecimento de água necessitou de pouco mais de 4 milhões de dólares; para apoiar as empresas afectadas pela pandemia da COVID-19, o Banco Nacional de Investimentos (BNI) recebeu cerca de 15 milhões de dólares.

Por sua vez, o sector da Saúde recebeu por via do Orçamento cerca de 12,7 milhões de dólares; a Acção Social – 8,3 milhões; o Fundo de Energia ficou com 15 milhões e o sector da Agricultura recebeu 10 milhões de dólares norte-americanos, refere o relatório publicado hoje.

Para transferir às famílias, os parceiros de cooperação disponibilizaram cerca de 39 milhões de dólares norte-americanos, valor usado tanto para pagar os beneficiários dos programas de protecção social antigos, como para o iniciar o pagamento dos novos beneficiários identificados no âmbito da pandemia da COVID-19.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos países da OCDE caiu 4,9% em 2020, o maior declínio desde o início das séries estatísticas em 1962, informou ontem a organização com base em estimativas provisórias. Esta contracção contrasta com o aumento de 1,6% registado nas economias destes países em 2019, escreve O Jornal Económico.

Entre as sete principais economias da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), que tem 37 países membros, os Estados Unidos perderam 3,5% do PIB em 2020, o Reino Unido, 9,9%, Itália, 8,9%, e França, 8,2%. Nos países da UE, a redução do PIB em 2020 foi de 6,3%.

As contracções da actividade económica surgiram num ano em que os países impuseram restrições severas ao comércio e à mobilidade para combater a pandemia da COVID-19.

No quarto trimestre de 2020, quando o vírus se começou a propagar mais fortemente, a economia da OCDE abrandou, registando um ligeiro aumento de 0,7% em relação ao trimestre anterior.

No terceiro trimestre de 2020, as economias tinham alcançado um crescimento elevado devido à flexibilização das restrições na luta contra a covid-19, escreve O Jornal Económico.

A OCDE constatou que os países europeus foram os mais duramente atingidos no último trimestre de 2020, com declínios da actividade económica.

Na UE, o PIB caiu 0,4% no quarto trimestre, depois de um aumento de 11,5% no trimestre anterior, quando as medidas restritivas tinham sido flexibilizadas na luta contra a pandemia.

O PIB da Alemanha cresceu 0,1%, enquanto o da França e Itália diminuíram 1,3% e 2%, respectivamente, no último trimestre de 2020. Estas são as únicas três economias europeias às quais o relatório da OCDE faz uma menção especial, segundo escreve O Jornal Económico.

No entanto, outras zonas tiveram um melhor desempenho económico: o Japão cresceu 3% no último trimestre de 2020, o Canadá, 1,9%, e os Estados Unidos e o Reino Unido, 1%, em ambos os casos.

 

Os órgãos de administração da justiça na província de Inhambane, nomeadamente, a Procuradoria da República e o Tribunal Judicial Provincial garantem que irão incrementar as suas acções, no quadro das actividades previstas para o presente ano, visando ajudar o Instituto Nacional da Segurança Social (INSS) na recuperação do dinheiro resultante dos descontos salariais dos trabalhadores para o seu futuro social e que não é canalizado para o sistema, por parte de alguns empregadores.

O compromisso foi feito esta semana, em encontros separados, mantidos entre a delegada provincial do INSS, Rabia Abacar, o procurador-chefe provincial e o juiz-presidente do Tribunal Judicial provincial de Inhambane, Nazimo Mussa e João Malauene, respectivamente, que serviu para avaliar a articulação existente entre o INSS e os órgãos da administração da justiça, no concernente ao cumprimento da legislação sobre a segurança social naquela região do sul do país.

“Na ocasião, aqueles gestores da administração da justiça reconheceram a preocupação apresentada pela delegada provincial do INSS de Inhambane, que no entanto enalteceu a colaboração que tem recebido das instituições da justiça ao nível da província, face à morosidade e a longa espera pelo desfecho de casos submetidos à Procuradoria, para posterior julgamento no Tribunal, envolvendo contribuintes que não honram com o seu compromisso, nos termos estabelecidos pela lei, em matéria de segurança social”, indica uma nota de imprensa do INSS.

Rabia Abacar disse que a morosidade na acusação e julgamento tem prejudicado os trabalhadores e os seus dependentes, por não poderem aceder aos direitos que lhes são concedidos pela Lei da Protecção Social, bem como pelo Regulamento de Segurança Social Obrigatória.

Por sua vez, o procurador-chefe provincial garantiu que no cumprimento de uma das atribuições da PGR, que é o de controlo da legalidade, solidariza-se com a preocupação apresentada e esforços serão envidados com vista a inverter o cenário. O Procurador-chefe apelou, na ocasião, às entidades públicas e privadas no sentido de se conformarem com a lei, sendo que a Procuradoria não hesitará em restituir a autoridade do estado perante situações de violação dos instrumentos normativos vigentes no país.

Já João Malauene, juiz-Presidente do Tribunal Judicial Provincial, que igualmente reconheceu a morosidade no julgamento, disse que tal facto deriva dos processos a que estão sujeitos os actos, mas garantiu que há espaço para a redução no tempo entre o agendamento e o julgamento dos casos.

Moçambique produz, anualmente, cerca de 250 mil toneladas de arroz para uma necessidade de quase 900 mil toneladas do produto. Para cobrir o défice existente, mais de 650 mil toneladas são importadas. No entanto, o país é detentor de condições agro-ecológicas para produzir o cereal em grandes quantidades para responde toda a procura existente e gerar excedentes para exportação.

No âmbito do programa Sustenta, implementado pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, o arroz foi eleito como uma cultura prioritária, por isso ser urgente aumentar a sua produção no país. É nesse sentido que o Sustenta apostou em melhorar as condições de produção deste cereal no Regadio do Baixo Limpopo, com mais de 70 mil hectares produtivas, e de Chókwè, com mais de 35 mil hectares, através da organização dos camponeses do sector familiar em blocos dirigidos e orientados por um integrador, que é um agricultor de média dimensão, o apoio das unidades industriais que processam o arroz para que possam comprar e processar a produção dos camponeses.

O Sustenta disponibilizou ainda semente certificada e outros insumos, bem como tractores e as respectivas alfaias para ampliar as áreas de produção. Foi feita igualmente intervenção ao nível das infra-estruturas alisando cerca de dois mil hectares de terra no Regadio do Baixo Limpopo que estavam ociosas devido à falta de recursos por parte da empresa pública que gere o empreendimento para efectuar a preparação da terra. Foi, igualmente, feita intervenção nas valas e canais de irrigação. Esta operação permitiu que cerca de 1500 novos camponeses tivessem terra para cultivar o arroz.

O Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, foi visitar os dois regadios, na última quarta-feira, com o objectivo de fazer a monitoria e ver se o que foi planificado e investido no início da campanha está ou não a produzir resultados esperados. No Regadio do Baixo Limpopo, Celso Correia teve que abandonar o seu 4×4 que por conta da chuva não tinha como entrar pelos campos cheios de lama, e de tractor foi ver o resultado do alisamento dos dois mil hectares. No local, o estado do desenvolvimento do arroz mostra que o investimento realizado poderá trazer bons resultados, apesar de os campos estarem parcialmente inundados.

A expectativa é de se alcançar 42 mil toneladas de arroz só no Regadio do Baixo Limpopo e 30 mil em Chókwè. Graças à transferência de tecnologia da empresa chinesa Wanbao Africa Agriculture Development, que faz o fomento daquela cultura há já alguns anos na baixa de Xai-Xai, espera-se que os novos camponeses que se filiaram ao projecto, graças ao programa Sustenta, possam ter uma produtividade mínima de sete toneladas por cada hectare, mas a mesma pode chegar a 10 ou 12 toneladas por hectare dependendo do maneio feito pelo camponês na sua machamba.

Celso Correia visitou também o regadio de Chókwè tendo escalado primeiro a Associação Josina Machel com cerca de 98 membros, cuja esmagadora maioria são mulheres que detém um mínimo de um hectare cada, totalizando 100 hectares pertencente ao grupo. Eles produzem, maioritariamente, o arroz em escala média, o milho, feijão e hortícolas. Aquela associação recebeu do programa Sustenta semente certificada das culturas que produz e agro-químicos para adubar e controlo de pragas e doenças. Foi-lhe igualmente garantida a assistência técnica de um extensionista.

Graças a esse apoio, a associação acredita que a sua produção de arroz vai dobrar este ano de 300 toneladas para 600, apesar de ter 20 hectares dos seus campos inundados pela água da chuva e do rio que transbordou. Ao Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural pediram um tractor e as respectivas alfaias, um sistema que permita a bombagem da água em caso de inundações e que intervenha para a negociação do melhor preço para a venda do arroz em bruto para as empresas processadoras.
Celso Correia prometeu que o seu pelouro vai atender às solicitações dos camponeses e aproveitou para anunciar-lhes uma boa nova: a semente que usaram tem seguro, pelo que eles deverão junto do extensionista tratar a documentação para serem reembolsados pela seguradora as perdas que tiveram com as inundações.

O governante deixou esta novidade também para uma segunda Associação de camponeses que visitou que igualmente de parte dos seus campos de arroz inundados, mas que podem ver seus esforço ressarcido com a possibilidade de reclamar o seguro da sua semente. A referida Associação explora 243 hectares e é composta por 200 membros. No ano passado colheram 729 toneladas de arroz e este ano esperam ver a sua produção crescer para 1458 toneladas na presente campanha agrícola graças ao apoio que tiveram do programa Sustenta em semente certificada e outros insumos, bem como de um tractor e suas respectivas alfaias.

No entanto, a associação não dispõe de um extensionista agrário permanente pelo que esta foi a primeira reclamação apresentada a Celso Correia. Eles querem ver as máquinas de bombagem da água do regadio a funcionar, como uma medida de mitigação dos efeitos das inundações e pediram que se melhore o preço de venda do arroz.
O titular do pelouro da agricultura prometeu dentro de dias alocar extensionista um vez que o seu Ministério está em processo de contratação de mais de dois mil para todo o país, o que vai duplicar o número destes técnicos que apoiam os agricultores. Por outro lado, prometeu resolver a questão da bombagem da água. Em relação ao preço do arroz, questionou-os qual seria o melhor preço, ao que os camponeses responderam que 25 meticais por quilograma seria ideal, ao contrário dos 14 meticais praticado pelas fábricas de processamento. O ministro CONSIDEROU alta a proposta dos camponeses, mas prometeu mediar as negociações para se chegar a um preço que ajude os camponeses a melhorar a sua renda, mas também para que seja rentável para as indústrias continuarem a processar arroz.

Entre o Regadio do Baixo Limpopo e Chókwè existem três fábricas de processamento de arroz, sendo que uma encontra-se fechada há três anos, mas Celso Correia garantiu estarem em curso negociações para que ela volte a abrir portas dentro de meses porque haverá muito arroz por processar.

Um estudo da USAID, Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, procura explicar a viabilidade da utilização do título de terra como garantia para obter empréstimos bancários, sobretudo para os agricultores.

Embora no país a terra seja, por lei, propriedade do Estado, o estudo realizado no âmbito do processo em curso de Revisão da Política Nacional de Terras procura avaliar a possibilidade de se implementar um programa de empréstimos bancários, tendo como garantia, o DUAT.

Uma das principais conclusões do estudo é que não existe, no actual quadro legal moçambicano, algum dispositivo que impeça a viabilização de um programa de empréstimo vinculado ao Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT).

No entender dos autores do documento, a não viabilização do uso do DUAT em Moçambique para os empestemos tem a ver, essencialmente, com percepções de que a Constituição da República define a terra como propriedade do Estado, não podendo ser vendida ou alienada.

“Esta visão limitativa peca por não fazer uma leitura combinada dos vários artigos da Constituição da República de Moçambique (CRM) que versam sobre a terra. Este estudo propõe que é preciso ler também o número 3 do mesmo artigo 109”, defendem os autores.

Tal artigo da Constituição citado pelo estudo define a terra como meio universal de criação da riqueza e do bem-estar social, pelo que o uso e aproveitamento da terra é direito de todo o povo moçambicano. O Estado determina as condições de uso e aproveitamento da terra.

“O Governo pode, através do poder regulamentar, determinar os mecanismos da transmissão, desde que não comprometa a titularidade exclusiva da terra pelo Estado e nem ponha em causa o direito que assiste as pessoas singulares e colectivas de utilizar a terra”, entendem os autores.

O estudo da USAID conclui ainda que, em várias ocasiões, o Governo, em representação do Estado moçambicano, já manifestou “de forma inequívoca” que o recurso terra deve ser valorizado, à semelhança da própria legislação vigente em Moçambique, prevê em alguns artigos.

Primeiro, dizem os autores, o preâmbulo da Lei de Terras de 1997, refere que pretende-se incentivar o uso e o aproveitamento da terra, de modo a que esse recurso, o mais importante de que o país dispõe, seja valorizado e contribua para o desenvolvimento da economia nacional.

De seguida, os autores citam o discurso do Presidente da República, de Julho de 2020, no qual afirma: “temos que procurar conferir maior consistência e significado prático ao Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, no âmbito da economia de mercado, debatendo a sua transmissibilidade para o benefício de todos, para fortalecer as finanças das famílias e do Estado”.

Segundo o estudo, qualquer uma das duas preposições apela à criatividade para valorizar a terra em Moçambique. “Esta proposta de “colateralização” do DUAT surge neste âmbito da valorização da terra, e uso da terra como instrumento de desenvolvimento económico”, frisam.

Ainda na conclusão, os autores dizem estar cientes de que a valorização da terra e o consequente surgimento de um mercado de títulos de terra alimenta receios de que surjam camponeses “sem terra” em Moçambique. Por isso, sugerem uma saída para o provável problema.

“Para mitigar estes receios da sociedade civil, de o camponês perder a sua fonte de subsistência que é a terra, no âmbito desta proposta, a “colateralização” do DUAT vai ser possível para o agricultor emergente ou comercial. Com base na estratificação dos pequenos agricultores vai ser possível a exclusão do agricultor de subsistência”, sugere o estudo da USAID.

Os autores do estudo são Hipólito Hamela, João Macaringue e Ian Rose. Dizem que de acordo com a proposta de “colateralização” do DUAT, através do Sustenta, haverá espaço para o pequeno produtor familiar integrar, caso queira, na qualidade de Produtor Agrícola Familiar (PA).

“Ele poderá se beneficiar de financiamento através do Produtor Agrícola Semi-comercial/Comercial Emergente (PACE) e gradualmente se tornar num pequeno agricultor emergente que produz excedentes para o mercado, contrata trabalhadores, usa insumos melhorados adquiridos através do PACE e tem acesso à mecanização pela via do PACE”, aclaram.

Vão ainda mais longe, os autores, afirmando que o pequeno produtor, em função da sua performance e trajectória económica, poderá, querendo, paulatinamente, se tornar elegível à “colateralização” do seu DUAT acedendo directamente a financiamentos no mercado financeiro.
O QUE NÃO DEVE FALHAR

O estudo aponta caminhos fundamentais para que seja viável a utilização do título de terra como garantia para obter empréstimos bancários. Um deles é o compromisso das instituições envolvidas na transacção financeira e um entendimento das necessidades do mutuário.

Os autores consideram ainda que os empréstimos têm que ser impulsionados pela procura e o banco deve ser capaz de auxiliar o “farmeiro”, ajudando-lhe a decidir o volume do empréstimo, o destino do investimento e os prazos de reembolso – que devem ser o mais longo possível.

“A acompanhar um programa de empréstimos deve ser desenvolvido um programa de literacia financeira que inclui capacidade de calcular custos de produção, diferenciar receita e lucro, conhecimento dos seus direitos e obrigações, gestão do seu crédito e conhecimento de outros produtos financeiras, tais como o seguro de vida ligado ao crédito, seguro de sementes certificadas, seguro de colheitas, dentre outros”, detalha o estudo de Janeiro deste ano.

Outro factor importante, segundo o documento, é garantir que o processo de emissão do DUAT seja rápido. Os autores apelam que o tempo para registar um DUAT não deve se tornar um obstáculo ou factor de morosidade dos processos de desembolso dos empréstimos bancários.

“O empresário, o banco e a seguradora precisam de ter a segurança de que a transacção vai decorrer nos termos contratados com o mínimo de intervenção do Governo”, recomendam.

Por fim, além da abertura de uma conta bancária, a obtenção do seguro de vida associado ao empréstimo e apresentação de um DUAT não registado, as aprovações devem conter um programa de monitoria da performance do negócio por parte da instituição financeira.

“É preciso acompanhar o negócio do agricultor para perceber se ele está passando por alguma dificuldade e para que ele possa receber o suporte adequado de forma atempada. Por esta razão, o programa piloto de empréstimos precisa de uma entidade de coordenação interinstitucional, que vai garantir que as três partes (mutuários, instituições financeiras e SPA/SPGC) comunicam adequadamente e cada um faz a sua parte”, sugerem os autores.

Como experiência a levar em conta, o estudo aponta o caso da Etiópia, onde segundo os autores, a utilização dos títulos de uso e aproveitamento da terra como garantia provou constituir um instrumento seguro para impulsionar o acesso ao crédito pelos pequenos agricultores.

Segundo o documento, os pequenos agricultores etíopes não eram bancáveis até 2015. Já em 2016, no âmbito do programa de transformação económica denominado LIFT – Land Investment For Transformation, financiado pela UK Aid, introduziu a componente de acesso ao financiamento usando os títulos de uso e aproveitamento da terra denominados SLLC (Second Level Land Cerificates) como instrumento para eliminar a principal barreira ao financiamento – a falta de activos tangíveis para servir de garantia por parte dos pequenos agricultores.

“Este programa, de acordo com uma avaliação feita um ano após sua implementação, permitiu triplicar o limite máximo do crédito por cada agricultor e duplicar o volume total de crédito cedido aos pequenos agricultores em menos de um ano”, aponta o estudo.

De acordo com o Inquérito Agrícola Integrado da época 2014/2015, citados no estudo sobre a “Colateralização” dos Títulos de Terra em Moçambique, só 0,6% dos agricultores, incluindo os comerciais, emergentes e de subsistência é que têm acesso ao crédito em Moçambique.

“Isto quer dizer que na ausência de capital próprio, somente 0,6% dos agricultores é que tem acesso ao capital alheio para realizar os investimentos de que necessita incluindo a aquisição de insumos melhorados. Consequentemente, menos de 5% tem acesso a sementes melhoradas e fertilizantes e um pouco mais de 7% é que tem acesso a infra-estruturas de irrigação, pelo que não dependem da água da chuva para irrigar os seus campos”, referencia o estudo.

No entanto, segundo o Inquérito Agrícola Integrado da época 2013/2014, o país tem cerca de quatro milhões de explorações agrícolas, das quais 98,7% pequenas (com uma área média de 3,3 hectares), 0,6% de agricultores representam somente 24 mil agricultores ou explorações agrícolas com acesso ao crédito em todo o nosso país, refere o estudo.

Durante o estudo foram realizados encontros e auscultações com diferentes partes interessadas na matéria de terras e sobre a “colateralização” do DUAT, entre elas, as instituições financeiras (bancos e seguros), os empresários e agricultores, e o regulador, representado pela DNAT – Direcção Nacional de Terras e SPA – Serviços Provinciais de Ambiente e Terras.

“É também fundamental a reacção das ONG´s que em algum momento advogam pela não valorização da terra pelo receio de que tal vá contribuir para o surgimento dos “sem terra” em Moçambique”, avança o documento.

O estudo fala ainda de receios da sociedade civil, o interesse do sector empresarial e financeiro de as reforma se materializarem apesar das dúvidas quanto ao alcance da vontade política de “colateralizar” o DUAT e pela elevada burocracia associada à emissão e transmissão dos DUAT´s.

O ano 2020 foi afectado largamente pela pandemia da COVID-19, por isso, o Governo corrigiu quase tudo que tinha previsto. De Janeiro a Dezembro, o Estado cobrou 236.321,5 milhões de Meticais de receitas fiscais, mas teve que gastar mais do que isso, ou seja, 340.223,1 milhões.

Na verdade, o Executivo previa cobrar, no início do ano, 235.590,3 milhões de Meticais, mas por causa da pandemia, corrigiu os números, tendo reduzido o seu compromisso e assumido cobrar somente 214.141.75 milhões de Meticais. Essa nova meta foi superada em cerca de 110%.

Para conseguir realizar a despesa que era maior do que a sua receita, o Estado teve que recorrer a financiamento interno no valor de 71.609,8 milhões de Meticais e ainda foi buscar dinheiro fora do país, isto é, em forma de empréstimos e doações de 71.407,2 milhões de Meticais.

Dentro do país, as receitas resultaram fundamentalmente da cobrança de impostos, com destaque para o Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC), o Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRPS) e o Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA).

No que toca ao IRPC, a cobrança foi de 58.207,1 milhões de Meticais, correspondente a 119,6% da previsão anual e a um decréscimo de 45,4%, justificado pelos efeitos prolongados da COVID-19, com maior incidência nos sectores de turismo e indústria extractiva.

De IRPS foram cobrados no ano passado 40.994,3 milhões de Meticais, equivalentes a 114,4% da meta anual e a um crescimento nominal de 9,8% em relação a 2019, justificado pelo constante controlo das retenções na fonte e das entregas às Direcções de Área Fiscal, feitas pelas empresas.

No grupo de Impostos sobre Bens e Serviços, constituído pelo IVA, Imposto sobre o Consumo Específico de Produção Nacional, Imposto sobre o Consumo Específico de Produtos Importados e Imposto sobre o Comércio Externo, foram arrecadados 87.665,9 milhões de Meticais.

Tal arrecadação equivale a 108,7% da meta para 2020 e um decréscimo de 0,4% face a 2019, justificado basicamente pela redução do fluxo aduaneiro aliado às restrições nas exportações a nível mundial, dada à pandemia, revela o Relatório de Execução Orçamental de 2020.

No caso específico dos Impostos sobre o Comércio Externo, como os Direitos Aduaneiros e a Sobretaxa, a cobrança foi de 15.084,5 milhões de Meticais, equivalente a 112,8% da previsão anual. Estes impostos registaram um decréscimo nominal de 1,9% relativamente a igual período do ano transacto, justificado pela redução da importação de mercadorias.

Do total das Receitas de Concessões, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa contribuiu com o equivalente a 42,6%, seguido do Corredor Logístico Integrado de Nacala, Vodacom, Companhia do Desenvolvimento do Norte, Movitel e Maputo Port Development Company com contribuições equivalente a 23,3%, 16,2%, 6,8%, 3,7% e 3.0%, respectivamente.
Relativamente a igual período de 2019, as Receitas de Concessões registaram um decréscimo de 16,9%, influenciado essencialmente pelo decrescimento da Movitel, Maputo Port Development Company, Vodacom e Companhia do Desenvolvimento de Norte, refere o Relatório.

Já a contribuição dos megaprojectos atingiu 20.224,5 milhões de Meticais, correspondente a 8,6% da receita total cobrada e a um decréscimo de 72,4.% em relação a 2019.

“O decrescimento global de 72,4% reportado no parágrafo anterior é referente aos sectores de Exploração de Petróleo e o de Recursos Minerais registaram decréscimos de 87,0% e 5,6%, em termos nominais, quando comparado com igual período do ano anterior, justificado pela contabilização de mais-valias no ano de 2019 e pela redução na contribuição das empresas do sector de carvão causada pela eclosão da COVID-19”, explica o Relatório de Execução Orçamental.

Uma das novidades do Relatório sobre Execução Orçamental de 2020 é o facto de o Governo não ter emitido garantia ou aval, contrariando os anos anteriores. Para este ano, o Executivo tinha autorização legal para emitir garantias e avales no montante de 33.500 milhões de Meticais.

É de lei que 2,75% das receitas geradas pela extracção mineira e petrolífera deve ser direccionado para programas que se destinem ao desenvolvimento das comunidades das áreas onde se localizam os respectivos empreendimentos.

De acordo com o Relatório de Execução do Orçamento do Estado, para o ano 2020 foi adoptada uma nova metodologia de transferência de fundos às comunidades, que consiste na disponibilização de recursos com base nas receitas cobradas no ano de 2018.

Depois de ter o plano nas mãos sobre as despesas a realizar, o Governo define prioridades. No ano passado, o orçamento para as áreas prioritárias foi de 340.223,1 milhões de Meticais, correspondente a 90,9% do Orçamento Anual.

Prioridades I e II, nomeadamente, “Desenvolver o Capital Humano e Justiça Social” e “Impulsionar o Crescimento Económico, a Produtividade e a Geração de Emprego” e ainda do Pilar III – “Reforçar a Cooperação Internacional” tiveram a realizações de 97,7%, 94,0% e 91,6% respectivamente, do Orçamento Anual, tendo a Prioridade III “Fortalecer a Gestão Sustentável dos Recursos Naturais e Ambiente” e os Pilares I e II “Reforçar a Democracia, a Reconciliação e Preservar a Unidade e Coesão Nacional ” e “Promover a boa Governação e Descentralização” com realizações de 86,6%, 81,3% e 71,0%, respectivamente.

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