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O País – A verdade como notícia

A multinacional do sector agrícola OLAM fez circular na semana passada um comunicado dando a conhecer a sua decisão de encerrar as suas unidades fabris de processamento da amêndoa da castanha de caju alegando falta de qualidade e quantidade da castanha bruta, o seu preço alto junto dos pequenos produtores bem como a conjuntura internacional marcada por preços baixos do produto processado. O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, diz que o Governo não recebeu qualquer comunicação oficial da empresa e que foi colhido de surpresa na imprensa.

No entanto, recorda que esse tem sido o histórico da empresa que há anos atrás ficou com unidades industriais de processamento do algodão mas depois abandonou-as do mesmo jeito que está a fazer com a castanha de caju.

Para o governante, tal como aconteceu com a indústria do algodão, a do caju também não irá colapsar só porque a Olam decidiu sair do mercado. Antes pelo contrário o dirigente aponta que dados da comercialização da castanha em curso indica um crescimento do volume de negócios no sector, tendo até ao momento sido comercializadas 130 mil toneladas de castanha bruta pelos camponeses do sector familiar, o que indica que poderá ter sido superada a fasquia de 150 mil toneladas de castanha de caju produzida na campanha agrícola em curso em todo o país. Por isso, o ministro diz com toda a convicção de que não há neste momento qualquer risco de o sector colapsar, até porque o rendimento das famílias produtoras subiu em relação ao ano passado.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural diz que respeita o Governo respeita a decisão da Olam, até porque a economia em vigor em Moçambique é de mercado, e deixa a garantia de que o Executivo deverá rever a sua relação com a multinacional porque é importante desenvolver relações sustentáveis que olham para o país a médio e longo prazo, até porque considera que o lucro imediato não traz bons resultados para quem tem políticas de desenvolvimento sólidas.

Apesar de tudo, Correia reitera que o Governo quer que a Olam continue no mercado nacional e diz acreditar que a sua vocação continuará a ser import-export, até porque a empresa importa cerca de 30% do óleo de cozinha nacional, que refina localmente, e é subsidiado pelo Governo que diz estar sempre aberto, se a empresa tiver disposição para discutir.

Celso Correia falava após uma visita à fábrica de processamento da castanha de caju da Condor Anacardium, uma das 10 em funcionamento, das 17 instaladas e das mais modernas e que emprega perto de 700 pessoas e produz anualmente 35 mil toneladas de castanha de caju processada. A visita serviu para lançar o fundo de garantias bancárias de cerca de 1,5 milhão de dólares disponibilizado pelo Governo para facilitar que as empresas do sector de caju possam ir buscar financiamento bancário a preço razoável para financiarem as suas operações.

Correia realçou que aquela não era a primeira vez que a Condor se beneficiava do fundo e que o mesmo está aberto para todas as empresas que operam no sector. E o acordo serviu para a Condor respirar de alívio porque diz que já enfrentava problemas de liquidez resultante da crise que o sector enfrenta já há quase três anos resultante da alta de preços da castanha bruta e dos baixos preços praticados no mercado internacional para a castanha processada. Mas a empresa, falando em nome do sector disse ser urgente haver uma revisão do quadro legal do sector para permitir que seja lucrativo fomentar e processar a amêndoa da castanha do caju em Moçambique.

Em relação a este aspecto o titular do pelouro concorda, mas diz que não se pode perder de vista o ponto de partida do sector da castanha de caju, que é a geração de renda para as famílias produtoras que são a base do sector. Elas devem continuar a ver seus rendimentos melhorarem com a comercialização da castanha, mas as indústrias também devem ter lucro e continuarem a expandir seus investimentos. Por isso concorda que esta é uma equação que deve ser resolvida o mais rápido possível para que o sector possa prosseguir sem grandes constrangimentos.

Do lado do ministério que dirige, Correia deixou a garantia de que tudo está a ser feito para se aumentar a produtividade dos cerca de 80 cajueiros plantados em cada hectare no país através na multiplicação e dinamização das campanhas de pulverização que este ano deverá abranger 2 milhões de cajueiros para além da multiplicação e plantio de mudas que devem ascender a quatro milhões em 2021.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural falava na visita que efectua à província de Gaza onde está a fazer a monitoria da campanha agrária 2020/21 e a implementação do programa Sustenta, para além de avaliar o impacto das inundações que fustigam a província.

Agostinho Vuma foi eleito presidente da Confederação Empresarial da SADC (SADC BC, na sigla inglesa) e membro do Comité Executivo daquele órgão máximo das associações empresariais da região.

Trata-se de uma entidade que integra 16 Estados Membros e seis associações empresariais com a missão de influenciar a formulação de políticas públicas, com o objectivo de facilitar o acesso ao mercado, industrialização, desenvolvimento de cadeias de valor e desenvolvimento sócio-económico regional, continental e mundial.

O comité executivo da agremiação segue o modelo da Troika da SADC.

No seu mandato 2020-2021 conta com Agostinho Vuma como presidente, em representação da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, organismo que compromete-se a apostar na endogeneização da economia regional através do financiamento ao desenvolvimento industrial.

O Banco de Moçambique emitiu ontem uma circular a esclarecer em que incide o dever de conversão em moeda nacional de 30% das receitas de exportação de bens e serviços e de investimento no estrangeiro por parte de entidades residentes.

O banco central frisa que não constituem objecto de incidência, sendo mantidas totalmente em moeda estrangeira na conta do beneficiário, as receitas de pagamento de rendas por entidades não residentes, pela utilização de imoveis pertencentes a residentes situados em território nacional, quando tal pagamento seja feito para contas domiciliadas no sistema bancário nacional.

Não constituem ainda objecto de incidência, as receitas referentes ao pagamento de remunerações a título de salários por conta de serviços prestados por residentes às embaixadas e outras representações diplomáticas e consulares estabelecidas em Moçambique.

A circular entra em vigor hoje, dia 16 de Fevereiro. Os destinatários da Circular n.º 02/EFI/2021, de 12 de Fevereiro, são as instituições de crédito e sociedades financeiras sujeitas à supervisão do Banco de Moçambique.

O Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano registou uma queda de 2,37% nos últimos três meses do ano 2020, se comparado com mesmo período de 2019, apontam dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicados, ontem, na sua página electrónica.

É a segunda maior queda do ano passado, em termos trimestrais. A pior de todas (-3,23%) foi assinalada entre Abril e Junho de 2020. Nos cálculos dos quatro trimestres do ano passado, ou seja, de Janeiro a Dezembro, os números apontam para um recuo da economia de 1,28%.

São recessões que já eram esperadas, tanto pelo Governo como por organizações privadas, nacionais e internacionais, atendendo os efeitos negativos da pandemia da COVID-19. A queda de 22,54% da actividade de Hotelaria e Restauração foi o que mais pesou para a desaceleração.

Com muita gente em casa, o desempenho do sector dos Transportes e Comunicações abrandou em 7.45% e do ramo de Serviços Financeiros resfriou 2,07%. São sectores que também tiveram uma grande contribuição para o encolhimento da economia no quarto trimestre do ano passado.

No Indústria de Extração Mineira, a crise provocada pela pandemia da COVID-19 também arrasou, tendo o ramo como um todo recuado 13.1%. O ramo da Electricidade, Gás e Distribuição de Água regrediram 5,17%, assim como a Construção, com um desempenho negativo de 3,84%.

Saída da multinacional Olam do negócio da castanha de caju em Moçambique e os ataques terroristas na província de Cabo Delgado, uma das produtoras, podem retirar o país da lista dos dez maiores produtores da castanha de caju e o quarto maior processador a nível mundial.

O alerta é do economista Constantino Marrengula. Contactado pelo jornal “O País” para falar do impacto da decisão da firma, o também docente universitário lembrou que a castanha de caju é uma cultura estratégica para a economia por ocupar mais de um milhão de famílias rurais.

Tal população está concentrada nas regiões norte e centro do país, onde há maior incidência da pobreza. Na balança de pagamento, sublinha Marrengula, a castanha de caju é o 11º produto de exportação. “O anúncio constitui um retrocesso para os rendimentos das famílias”, conclui.

É também um recuo para o nível de emprego, finanças públicas, exportações e capacidades industriais, acrescenta o economista para depois explicar que o anúncio da Olam reforça a tendência de longo prazo de perda de capacidade produtiva de uma área vital para a economia.

“Este posicionamento coloca o sector entre as poucas áreas da economia que posicionam Moçambique como importante actor num dos mercados com perspectivas de longo prazo promissoras, com aumentos previstos de consumo em países como a China”, disse Marrengula.

Na lista dos elementos de risco, o economista destaca ainda os eventos climáticos severos como por exemplo, para o ciclone Dineo, Idai e Kenneth que assolaram as principais regiões de produção da castanha de caju, nomeadamente, províncias de Nampula, Zambézia, Inhambane.

De acordo com o relatório sobre competitividade da indústria de caju elaborado pela Incaju em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento de Junho de 2020, citado por Marrengula, das 26 empresas existentes, apenas 11 encontravam-se em operação, cerca de 40%.

“Dados da Associação dos Industriais de Caju indicam que pelo menos uma empresa fechou em 2020 como consequência da quebra da logística de exportações devido à pandemia da COVID-19, o encarecimento do preço da castanha de caju bruta e queda do preço da amêndoa”, disse.

Entre 2017-2020, a taxa de crescimento da produção da castanha variou entre 0.7% e 2.3%, revela o economista e docente universitário. No seu entender, é difícil prever o que vai ser do sector no futuro.
“Tomando como referência o anúncio da Olam e a actual realidade do sector, pode-se admitir que o país não vai tirar vantagem deste cenário. Pelo contrário, corre o risco de perder a sua posição no ranking dos maiores produtores e processadores da castanha de caju”, defendeu.

Marrengula fez saber ainda que nos últimos três anos, os preços da castanha bruta e da processada caíram em conjunto, mas com tendência a aproximarem-se, reduzindo a margem para os processadores.

No entender do economista, com o cenário que acabou de descrever, “ganham os intermediários com possibilidade de comercializar a castanha bruta em mercados que pagam mais como a Índia e a Tanzânia. Passa a compensar exportar a pouca castanha disponível em bruto”.

“A Índia, principal concorrente de Moçambique, agravou as suas medidas protecionistas e de apoio à sua indústria, o que veio a favorecer as exportações da castanha bruta de Moçambique”, evidencia o economista e docente universitário.

No entanto, o economista considera que, “sem ser o fazedor do preço, Moçambique poderá manter a relevância estratégica do sector, intervindo do lado dos custos, para minimiza-los, ao mesmo tempo que reformula sua estratégia de marketing e procura de mercados alternativos, conforme sugeriu o próprio INCAJU na ocasião do lançamento do relatório da competividade”.

Uma delegação da União Europeia (UE) e a Embaixada da Alemanha anunciaram ontem um pacote de financiamento para apoiar pequenas e médias empresas do sector energético em Moçambique afectadas pela pandemia da COVID-19 de modo a mitigarem os efeitos negativos.
O apoio será feito através do Fundo de Acesso Sustentável às Energias Renováveis – FASER, para o qual, a UE canalizou 5 milhões de euros e o Governo Alemão 0,5 milhão de euros. O financiamento – CovidPlus – visa aliviar o impacto da pandemia nas pequenas e médias empresas.

Os beneficiários são empresas energéticas e a população que ainda não tem acesso à energia, indica um comunicado de imprensa enviado à nossa redacção.

“O incentivo CovidPlus vai desempenhar um papel vital na garantia da solidez financeira das empresas privadas que operam no segmento energético durante a pandemia de Covid-19 e, ao mesmo tempo, facilitar que essas empresas ofereçam preços e condições de pagamento especiais aos seus clientes, aliviando temporariamente, as suas despesas domésticas”, refere a nota.

Segundo o documento, espera-se que mais de 20 000 famílias que vivem em zonas rurais tenham acesso aos serviços energéticos através do mecanismo. Também, foi hoje lançado um convite à apresentação de propostas para seleccionar empresas privadas para a prestação de tais serviços.

Falando acerca da iniciativa, o embaixador da UE em Moçambique, Antonio Sánchez-Benedito Gaspar, afirmou que “esta contribuição para o FASER é uma forma inteligente de reforçar a capacidade do sector privado para prestar serviços, como de apoiar a população mais carenciada para os obter de uma forma acessível e sustentável”.

Já o embaixador alemão em Moçambique, Lothar Freischlader, afirmou que “o EnDev-GIZ e o FDC trabalharam intensamente em 2020 em mecanismos de “resposta rápida” para assegurar a continuidade das actividades e o acesso à energia. Dois mecanismos de apoio foram introduzidos através do FASER: CovidPay em Maio e um mecanismo adicional, CovidPlus, lançado em Setembro de 2020, com 2,5 milhões de euros do Ministério Federal de Cooperação Económica e Desenvolvimento (BMZ)”.

Lothar Freischlader saudou a contribuição da União Europeia ao FASER para se juntar à iniciativa e por lançarem em conjunto o segundo convite à apresentação de propostas.

Graça Machel, Presidente do Conselho de Administração da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), que gere o fundo FASER, disse que “é com grande alegria que damos as boas-vindas à UE a esta iniciativa conjunta da EnDev – GIZ e da FDC, que desde 2019 tem assegurado o acesso à energia a mais de 100.000 moçambicanos, mas também, e mais importante, tem respondido às necessidades urgentes das mulheres e das famílias vulneráveis que enfrentam desafios sem precedentes, resultantes do Idai em 2019 e da pandemia global da Covid-19”.

Por sua vez, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Ernesto Max Tonela lembrou que “o Governo de Moçambique está empenhado em providenciar o acesso universal à energia a toda a sua população até 2030. Neste contexto, as contribuições da União Europeia e do Governo alemão desempenham um papel importante na conjugação de esforços em prol deste grande objectivo nacional”, disse.

Segundo Max Tonela, em 2019, “a criação do Fundo de Acesso Sustentável às Energias Renováveis em Moçambique (FASER) foi uma iniciativa importante de apoio ao sector privado nos esforços de prestação de serviços de fornecimento de energia às populações rurais que residem em locais distantes da Rede Eléctrica Nacional. Os mecanismos introduzidos pela EnDev e GIZ são importantes para assegurar a continuidade comercial do sector do acesso a energia, no quadro dos desafios sanitários e económicos resultantes da pandemia que actualmente enfrentamos”.

FASER é implementado conjuntamente pela Agência de Cooperação Alemã (GIZ) através do seu programa Energising Development (EnDev) e pela FDC. Os fundos da UE fazem parte do PROMOVE, uma abordagem abrangente da UE ao desenvolvimento rural em Moçambique.

 

 

Chama-se “Projecto Melhoria” e foi concebido para melhorar as condições das casas construídas de pão-a-pique, que geralmente têm as paredes com revestimento de argila e cobertura de capim. O Fundo para o Fomento de Habitação (FFH) estará à frente da implementação e a mão-de-obra será corporizada pelos artesãos locais. A nível nacional espera-se melhorar duas mil durante o quinquénio em causa e metade será na província de Cabo Delgado que sofre pressão por causa das movimentações internas devido à violência terrorista.

“O projecto inicial era de 1000 kits para todo o país, mas olhando a situação que se vive aqui nesta parcela do país em que há uma pressão enorme no que diz respeito às condições de habitabilidade; os nossos irmão estão deslocar-se para cá, achamos melhor dar o nosso contributo e concentrar os 1000 kits para a província, como forma de minorar o sofrimento das nossas populações”, explicou ontem João Osvaldo Machatine, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, falando em Pemba durante o lançamento do “Melhoria”.

Avaliado em cerca de 190 milhões de meticais, o projecto “Melhoria”, deverá abranger cerca de 2 mil casas nas zonas rurais do centro e norte do país durante o presente quinquénio de governação. A intervenção vai consistir na substituição do capim por chapas de zinco; melhoramento de janelas e portas, assim como a preparação do soalho com cimento.

Na cidade de Nampula, o governante procedeu à entrega de 22 casas construídas no âmbito do projecto “Habita”, virado para jovens casados, recém-formados e funcionários públicos. Matilde Luabo é mãe de 4 filhos, vive numa casa de arrendamento há sete anos e pela primeira vez passa a ter casa própria do tipo 2. Deverá pagar 13 mil meticais por mês durante 15 anos.

“Sai em conta porque onde moro pago sete mil por mês e é uma casa do tipo 1 e a casa não é minha. Esta, depois de um tempo, será minha”.

São 22 casas que fazem parte do segundo lote do total de 100 casas que deverão ser construídas na cidade de Nampula. As primeiras foram entregues no ano passado e faltam mais 36. O ministro das Obras Públicas diz que o projecto é simples para tornar o custo baixo.

“Gostaríamos de ter os arruamentos devidamente executados; gostaríamos de ter os quintais devidamente vedados, mas se nós fizéssemos tudo isso não estaríamos hoje a entregar 22 casas. Se calhar estaríamos hoje a entregar cinco ou seis casas…também se fizéssemos esses outros investimentos estariam a encarecer ainda mais as nossas casas”, justificou Machatine.

Em muitos projectos executados pelo governo tem havido críticas relacionadas com a qualidade das obras. Para João Osvaldo Machatine, a questão não pode ser generalizada, tendo explicado que há casos em que os empreiteiros executam devidamente o que consta dos cadernos de encargos, mas vezes há em que a execução é mal feita e garantiu que nesses casos tem havido responsabilização dos empreiteiros, assim como dos respectivos fiscais.

O último censo geral da população e habitação realizado em 2017 revela que das mais de 6 milhões de casas, cerca de três milhões são palhotas, o que mostra a precariedade em que vive parte significativa da população nacional.

Texto: Ricardo Machava e Hizidine Achá

A cervejeira Heineken está em processo de cortar cerca de 10 por cento da sua mão-de-obra, o equivalente a 8.000 trabalhadores, a nível mundial devido a quebras nas vendas provocadas pela pandemia da COVID-19. A informação consta de um relatório publicado pela multinacional.

As fábricas da empresa localizadas em várias partes do mundo, incluindo Moçambique, poderão ser afectadas pela medida, aponta o documento publicado quarta-feira. O anúncio surge após a cervejeira ter reportado prejuízos de 204 milhões de euros (cerca de 18.4 biliões de meticais) em 2020.

De acordo com a CNN, a receita da empresa caiu 16,7% para 23,8 biliões de euros (cerca de 2.149 biliões de meticais) em 2020, com o encerramento de restaurantes e bares nos principais mercados, bem como outras restrições a reuniões sociais e vendas de bebidas alcoólicas.

“O impacto da pandemia em nossos negócios foi ampliado pelos efeitos no sector comercial [bares e restaurantes] e pela exposição geográfica”, disse o CEO da Heineken, Dolf van den Brink, que assumiu o comando em Junho do ano passado, em um comunicado citado pela CNN.

Entretanto, em 2019, a multinacional holandesa reportou um lucro de 2.2 biliões de euros (cerca de 198.7 biliões de meticais) a nível mundial. A firma está presente em 70 países.

Em 2020, as vendas da firma caíram 11,9%, acima da queda de 10,9% esperada por analistas citados pela InfoMoney. Só na sede da empresa, está previsto que sejam lançados ao desemprego cerca de 20% da mão-de-obra no primeiro trimestre deste ano.

De acordo com a CNN, a Heineken estima que no fim de Janeiro, menos de 30% dos bares e restaurantes operavam na Europa, que é seu maior mercado. Muitos países da região voltaram a impor os bloqueios em Dezembro e tornaram as restrições mais rígidas desta pandemia.

Em 2020, a Heineken vendeu mais bebidas não alcoólicas, impulsionada pela Heineken 0.0 e Maltina na Nigéria. Segundo a CNN, a empresa considera que o segmento tem “muito potencial de crescimento” e que pretende disponibilizar cerveja sem álcool em todo o mundo.

HEINEKEN EM MOÇAMBIQUE

Contactamos a empresa em Maputo e prometeu pronunciar-se acerca do assunto em breve. Presente no país há cerca de quatro anos, a fábrica da empresa holandesa iniciou a produção da cerveja Heineken em Bobole, distrito de Marracuene, na província de Maputo, no ano passado. O investimento realizado até essa fase era de 20 milhões de dólares norte-americanos.

No lançamento da nova linha de produção, em 2020, o ministro da Indústria e Comércio disse que o país iria reter cerca de 50 milhões de dólares por ano que eram usados para a importação da cerveja. Antes da unidade, a Heineken vendida no país vinha da Namíbia.

O novo investimento juntava-se ao já realizado pela Heineken no país logo no início da sua actividade de 100 milhões de dólares. A matéria-prima usada na produção da Heineken não é nacional, diferentemente da Txilar que usa 4 mil toneladas de milho por ano produzido no país.

Só para produzir a Heineken em Bobole, a empresa contratou mais 40 pessoas. No ano passado, a empresa informou que iria produzir 350 mil hectolitros por ano, equivalentes a 35 milhões de litros, e as respectivas garrafas, sendo que a fábrica irá encher cerca de 16 mil garrafas por hora.

Os preços de bens e serviços tiveram a maior subida dos últimos dois anos em Janeiro último, mostram dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). A subida, comparativamente a igual mês do ano passado, foi de 4,09%, o que representa um agravamento do custo de vida da população na mesma proporção.

Dificuldades para adquirir bens e serviços essenciais aumentaram drasticamente em Janeiro último. Foi um mês de penúria para as famílias. Os preços de produtos alimentares, tabacos, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, foram os mais caros, com aumentos a variarem entre 8,47% e 9,14% no mês passado.

“Em relação à variação homóloga, a cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 4,97%, seguida da cidade da Beira com cerca de 4,70% e por último a cidade de Maputo com 3,42%”, mostram as informações recolhidas pelo INE nessas capitais provinciais.

O preço da comida foi o que registou um dos maiores agravamentos, ao subir no geral, quase 10,0%. Já o tabaco ficou cerca de 11% mais caro em Janeiro último. Mesma tendência seguiram as bebidas alcoólicas, com os preços a subirem em cerca de 4,8% no mês passado, se comparado com Janeiro de 2020.

Isso quer dizer que, se um cidadão necessitava de 5.000 meticais para comprar uma certa quantidade de produtos alimentares em Janeiro de 2020, no mês passado (Janeiro de 2021), teve que aumentar 500 meticais nesse valor, ou seja, precisou de 5.500 meticais para adquirir a mesma quantidade de comida.

O exemplo acima é apenas para comida. Se adicionarmos preços de outros produtos essenciais, como de bebidas não alcoólicas, da reabilitação de casas, de compra de mobiliários para casa, de produtos farmacêuticos, a factura fica mais cara ainda e consequentemente a vida torna-se mais difícil.

Indo ao detalhe, para melhor percepção, o preço da roupa e dos sapatos também subiram 3,6% e 3,5%, respectivamente. O que também não poupou o bolso dos cidadãos são os preços dos veículos, entre eles, carros e motorizadas, que viram os seus preços crescerem, no geral, e cerca de 10% em Janeiro último.
Em termos comparativos, dados do INE dos últimos 25 meses mostram que a única subida de preços maior que a registada em Janeiro de 2021, em termos homólogos, foi registada em Janeiro de 2019, quando o custo de vida agravou-se em cerca de 3,7% e a menor foi registada em Setembro do mesmo ano (2,01%).

Em termos mensais, os preços subiram 1,18% de Dezembro de 2020 a Janeiro de 2021. “Destaca-se o aumento dos preços do tomate (12,4%), do coco (18,7%), do peixe seco (5,5%), do óleo alimentar (6,1%), de capulanas (3,3%), do arroz em grão (3,8%) e da couve (11,0%) ”, faz saber o INE no documento.

De Dezembro de 2020 a Janeiro de 2021, cidade da Beira teve a subida de preços mais elevada (2,09%), seguida da Cidade de Nampula (1,13%) e por fim, a Cidade de Maputo (0,87%).

Os dados foram recolhidos nas cidades de Maputo, Beira e Nampula em Janeiro findo pelo INE e a subida generalizada de preços foi calculada com base no Índice de Preços no Consumidor (IPC) Moçambique.

Importa lembrar que o Banco de Moçambique alertou, no mês de Janeiro último que, a médio prazo, o custo de vida poderia agravar-se e justificou o seu posicionamento com a derrapagem do metical, subida exponencial de casos da COVID-19, terrorismo em Cabo Delgado e calamidades naturais.

Foram esses factores que elevam os preços no geral que obrigaram o banco central a subir a taxa de juro de referência de 10.25% para 13.25% em Janeiro.

“Prevê-se uma aceleração da inflação geral no médio prazo, a traduzir os efeitos da repassagem da depreciação do metical para os preços domésticos, do fim da vigência de parte das medidas de contenção de preços decretadas pelo Governo, no âmbito da COVID-19 e dos choques climáticos”, referiu no mês passado o banco central no seu comunicado de imprensa saído do Comité de Política Monetária.

Já em Dezembro do ano passado, os preços de bens e serviços aumentaram 3.52%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Nampula também destacou-se como a cidade mais cara do ano.

No seu relatório financeiro sobre Janeiro último, o Standard Bank mostra que os dados do mês apontaram para um aumento dos preços dos meios de produção, pelo segundo mês consecutivo. Tal aumento veio dar continuidade à subida registada em Dezembro, a primeira em nove meses.

“Não obstante, a inflação diminuiu ligeiramente em relação à verificada no final de 2020. Os dados subjacentes indicaram um aumento dos preços de aquisição mais ligeiro do que o registado no mês anterior e os custos com pessoal diminuíram pela primeira vez desde Setembro passado”, refere o banco.

No fim do ano passado, o Banco de Moçambique previa para 2021 um incremento dos preços domésticos, a reflectir, essencialmente, o efeito do término da vigência de parte das medidas de contenção de preços decretadas pelo Governo, no âmbito da COVID-19 e a tendência para o aumento dos preços dos alimentos no mercado internacional, para além da recuperação gradual da procura por bens e serviços. Ainda assim, a as previsões de aceleração da inflação para o curto e médio prazo situavam-se em menos de 10%.

 

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