O País – A verdade como notícia

A redução ocorreu no primeiro trimestre deste ano, devido ao terrorismo em Cabo Delgado, aos ataques armados atribuídos à Junta Militar da Renamo em Manica e Sofala e por conta da pandemia do novo Coronavírus, segundo o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, que falava na abertura do 45º conselho coordenador da instituição que dirige, na cidade de Chimoio, província de Manica.

O regulador do sistema financeiro explicou que implementou uma série de medidas de política monetária para evitar que os efeitos económicos dos factores acima mencionados fossem mais severos.

Entre as medidas a que o governador do Banco Central referiu, consta a redução da taxa de juro para aliviar os custos de financiamento às famílias e empresas.

“Reduzimos a nossa taxa de juro, a conhecida taxa MIMO, de 12,75% para 10,25%. Reduzimos ainda a percentagem dos depósitos que os bancos são obrigados a manter junto do Banco de Moçambique, tanto em moeda nacional como em moeda estrangeira, de 13 para 11,5% e de 36 para 34%”, respectivamente, explicou Rogério Zandamela.

Apesar do contexto adverso que o país atravessa, o Banco de Moçambique avalia positivamente o ano de 2020, prestes a findar. Rogério Zandamela disse que foi assegurada a estabilidade macroeconómica.

A Autoridade Reguladora de Energia reduziu o preço de gasolina de 64.22 para 62,50 meticais o litro, a partir da meia-noite desta quinta-feira. O custo de gasóleo também baixou, de 58,95 para 57,45 meticais o litro.

Um comunicado da Autoridade Reguladora de Energia, enviado ao “O País”, indica que igualmente reduziu o preço do petróleo de iluminação, de 45,24 para 43,24 meticais o litro.

O valor de compra do gás de cozinha mantém-se inalterado em 58,18 meticais o quilograma, enquanto o gás comprimido baixou de 30,35 para 30 meticais o litro.

O ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, assegurou ontem no Parlamento que o Governo tem sob controlo a dívida pública de mais de 12 biliões de dólares. Maleiane garantiu ainda que as “chamadas dívidas ocultas” não estão a ser pagas.

Moçambique tem 12.37 biliões de dólares em dívida pública, estruturada em 9.85 biliões de dólares de dívida externa e 2.5 de dívida interna. Entretanto, o ministro da economia e finanças garante que mesmo com a “exorbitante” soma, o peso da dívida não está descontrolado.

“O Estado não está a entrar para uma situação de endividamento ‘sem controlo’, disse Maleiane, que reiterou que a dívida não inclui garantias passadas a favor da Proindicus, no montante de 622 milhões de dólares e da MAM no montante de 535 milhões de dólares.

“Não estamos a incluir essas dívidas porque como já foi explicado em tempos, a chamada dívida oculta não devia ser paga e nós respeitamos. Por isso mesmo essas dívidas não entram na estatística. A única informação que todos já sabem é que a dívida está em sede da Justiça”, lembrou o ministro, salientando que no total Moçambique tem dívida com 35 credores, incluindo a China.

SAÚDE VAI IMPORTAR MEDICAMENTOS EM JANEIRO
Além de Maleiane, que explicou sobre a dívida pública, Armindo Tiago falou sobre a disponibilidade de medicamentos.

O ministro da saúde garantiu que no país há “stock” suficiente de medicamentos para três meses e que em Janeiro haverá mais importação.

“Neste momento temos “stocks” para três meses e com a reabertura das fronteiras internacionais esperamos normalizar a situação”, garantiu o ministro, que avançou com a previsão da entrada de 24 mil kits para agentes polivalentes elementares nas diversas unidades sanitárias do país.

Tiago referiu ainda que diante da aparente crispação entre as autoridades e a Associação Médica, o Governo tem mantido conversações com a classe para a resposta dos desafios impostos.

“O Governo e a Associação Médica de Moçambique estão a trabalhar de forma conjunta com a finalidade de operacionalizar o Estatuto de Médico na Administração Pública. Devemos salientar” que quando se aprovou o estatuto dos médicos, foram estabelecidos “oito direitos”, dos quais “quatro estão em implementação e os restantes serão implementados” oportunamente, disse Tiago aos deputados.

O PCA do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique entende que as pessoas poderão aceder à Internet com flexibilidade se tiverem melhores condições financeiras para o efeito. Américo Muchanga falou da “Sustentabilidade e desafios das indústrias das comunicações” no primeiro dia da MOZTECH.

Os serviços de telefonia móvel/Internet, em Moçambique, comparando com os outros países da região austral, de África em geral ou do mundo, em termos de custos vs. ofertas são muito bons. Entretanto, devido às carências vária ordem, as pessoas de classe humilde podem não se aperceber disso. Quem partilhou este raciocínio, no dia de abertura da sétima edição da MOZTECH, foi o PCA do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), Américo Muchanga. Considerando o cenário moçambicano, o orador do painel “Sustentabilidade e desafios das indústrias das comunicações” defendeu que o país precisa de fazer com que as pessoas usem dados sem pensar no que vão gastar em termos financeiros. A pensar nisso, o Governo criou programa de praças digitais, em que as pessoas podem aceder à Internet gratuitamente, de modo que as limitações financeiras não signifiquem exclusão de oportunidades.

De acordo com Américo Muchanga, as praças digitas têm sido uma excelente experiência, de tal forma que a ambição do INCM aumentou. Quando a implementação do projecto iniciou, aquele instituto não tinha decidido expandir o serviço gratuito para os beneficiários ao país inteiro. Agora, devido a esse sucesso, o INCM pretende cobrir todas as capitais distritais. Inclusive, disse Muchanga, as praças digitais estão a ser muito útil nesta época de COVID-19, pois muitas empresas colocaram serviços na rede que estão a ser aproveitados pelos subscritores. Agora, admitiu, o que também deve acontecer é aumentar-se a capacidade da oferta de Internet ou diversificar-se nas cidades, com o aumento do investimento na manutenção das infra-estruturas.

Numa entrevista moderada pelo jornalista Jeremias Langa, em que se falou um pouco de tudo em termos de serviços de Internet e migração digital, Muchanga admitiu que Maputo sempre vai dominar em termos de grande utilização de Internet/ dados, por ser o ponto de maior receita e local a partir do qual se vai para o exterior nesse sentido. Ainda assim, o PCA do INCM adiantou que há três províncias que estão a crescer: Sofala, Nampula e Zambézia. Muchanga entende que se precisa garantir mais serviços que gerem renda naquelas províncias, de maneira que as pessoas possam se sentir confortáveis ao usar a Internet, a custo razoável.

Segundo disse Américo Muchanga, o papel do Governo ao longo dos anos foi criar um espaço a partir do qual pode haver investimento privado, com regularização. Mesmo assim, há áreas que não são cobertas por iniciativas privadas, daí que o Governo tem de investir. Grande parte de infra-estrutura é com participação privada. Entretanto, é preciso que o Governo apoie o processo de alavancar a infra-estrtuura, que está concentrada nas cidades urbanas. Logo, reconmheceu a necessidade de se buscar recursos para se implementar estratégias de banda larga.

O PCA do INCM disse que a qualidade de serviços de telecomunicações encontra-se abaixo do que está determinado no regulamento. Alguns operadores podem superar em Maputo, mas fora estão abaixo dos níveis. Além disso, Muchanga apontou que em Moçambique se pode usar a tecnologia 5G. Se houver alguém que tenha, em casa, um aparelho 5G, pode contactar o INCM para ajudar a configurar em caso de necessidade.

Ainda esta quarta-feira, Américo Muchanga referiu-se ao que tem contribuido para a fraca qualidade de Internet. Por exemplo, a concentração das pessoas nos locais em determinados contextos: num estádio de futebol ou num espectáculo musical. As distâncias, ligadas aos problemas de acesso e mobilidades aumentam o problema, pois num determinado contexto uma região pode ficar sem luz e sem combustível para abastecer o gerador da antena de telefonia móvel. Para Muchanga, as redes, no país, geralmente falham por outras razões, como falta de luz e sabotagem. Ainda assim, defende que os operadores precisam fazer mais porque, em muitos casos, podem prever certas circunstâncias.

O PCA do INCM disse que os operadores são obrigados, por lei, a dar qualidade de serviço aos seus clientes. Por isso, no caso de os subscritores não estarem satisfeitos com o serviço ou sentir-se prejudicados, devem contactar o INCM, que vai obrigar o regulador a cumprir o contrato.

Para Américo Muchanga, em Moçambique, entre os três operadores não existe um que se possa dizer que é dominante e que pode ditar os preços do mercado. O que existem são operadores mais fortes do que os outros.

Uma das formas encontradas pelo INCM para proteger os clientes é impedir que o operador queira recuperar rapidamente os seus investimentos, porque isso pode encarecer o serviço.

Por fim, Américo Muchanga disse que o INCM prevê que o processo de migração digital se complete em um ano, de modo que os emissores analógicos possam ser efectivamente desligados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O professor e pesquisador brasileiro Carlos Henriques de Brito Cruz diz que só é possível levar o conhecimento produzido nas instituições de ensino para as indústrias quando existirem actividades de pesquisa em ciência e tecnologia nas empresas, organizações governamentais e nas universidades.

Moçambique teve, em tempos, na Universidade Eduardo Mondlane, uma referência institucional de credibilidade que “pulava o cerco nacional” e estendia-se pelo mundo a fora, “ombreando” com grandes instituições de ensino tanto em África como no resto do mundo.

Por razões diversas, nos últimos anos, a Universidade Eduardo Mondlane e grande parte das instituições de ensino do país tem perdido parte das “credenciais”, o que é acompanhado por uma redução considerável de produções científicas, principalmente ligadas à tecnologia.

Mesmo assim, o que é produzido pelas academias não tem estado a disposição da indústria, que muito precisa desses conhecimentos para melhorar os processos produtivos e adicionar valor aos seus produtos e serviços.

Com passos mais avançados, o Brasil, através do professor Carlos Henriques de Brito Cruz, partilhou, durante mais um debate na 7ª edição da MOZTECH, parte da sua experiência sobre como é que o conhecimento pode ser colocado à disponibilidade da indústria.

“Essa conexão é possível quando existe actividade de pesquisa em ciência e tecnologia nas empresas, nas organizações governamentais e nas universidades”, defendeu o professor e pesquisador que interveio directamente da “terra do samba”.

Carlos Cruz alertou que muitas empresas têm demasiados contabilistas e advogados e não engenheiros ou pesquisadores, o que pode trazer “enormes dificuldades em obter conhecimento de universitários ou de qualquer outro lugar”.

Segundo o interveniente, contabilistas e advogados “não são pessoas com treinamento e especialização para trabalhar com criação do conhecimento como um pesquisador é”.

Com número reduzido de pesquisadores nas empresas há que incentivar a mudança de paradigma. Para tal, governos têm papel chave, explicou o professor brasileiro.

“Uma das principais maneiras é o governo criar um ambiente económico no país, que favoreça e que estimule a competição entre as empresas” a outra é “garantir um sistema de propriedade intelectual, no qual aqueles que têm uma boa ideia possam ser recompensados” por isso. O terceiro elemento, de acordo com Carlos Cruz, é “manter uma certa estabilidade das regras económicas do país”.

O país precisa de, igualmente, impulsionar o crescimento de startups, que são na verdade um ponto de partida de pesquisa e produção tecnológica no mundo.

“Essas empresas, startups, bem-sucedidas nascem em torno de excelentes universidades, que buscam seguir os melhores referências mundiais”, disse o professor e pesquisador.

Carlos Cruz defendeu também que cada Estado deve ter o seu plano de actuação e garantir que o mesmo gere benefícios para a sociedade.

“Mulher, tecnologia e indústria”. Este foi um dos temas debatidos, neste dia inaugural da sétima edição da MozTech. Assim, estiveram no painel preparado para o efeito três mulheres entendidas em matérias tecnológicas, nomeadamente, Nilza Abdula, Vice-Presidente da MWE; Gércia Sequeira, Presidente da AMPETIC; e Jocelyne Machevo, Directora de Relações Exteriores/ ENI Rovuma.

 

Na partilha de experiências realizada esta quinta-feira, as três oradoras frisaram que Moçambique deve promover integração das mulheres na área tecnológica. Tal finalidade, realçaram, depende do envolvimento de várias forças sociais: o Estado, o sector privado, os professores, a sociedade em geral e os homens em particular, que não devem ver nas mulheres concorrentes, mas aliadas que partilham os mesmos objectivos na questão desenvolvimento do país, no caso, com recurso ao universo tecnológico.

Para Nilza Abdula, Vice-Presidente da MWE, é importante que haja estudos em que mulheres da sociedade civil possam dar o seu contributo, de modo que fique claro o que as mulheres sentem e pensam, pois só fazer diagnósticos de quais são os problemas não pode garantir o alcance das metas almejadas. Esta perspectiva depende da capacidade de mudar o paradigma, o que pode permitir aos intervenientes da sociedade aprender a ouvir as mulheres desde tenra idade, antes delas ingressarem para a universidade. Aliado a isso, acrescentou, as meninas precisam saber que podem escolher áreas diferenciadas. Evidentemente, essa tarefa de esclarecer as meninas não é exclusiva às mulheres.

Ao pensar-se na integração feminina em questões tecnológicas (muitas vezes conotadas como assunto dos homens), é preciso que se compreenda, segundo a Vice-Presidente da MWE, que a mulher nem sempre consegue estar disponível o mesmo tempo que os homens, por causa da maternidade, por exemplo. “Isso não deve ser barreira. Devemos encontrar soluções para essas questões”.

Nilza Abdula afirmou, no debate, que em Moçambique existem bastantes instrumentos que apoiam a inclusão da mulher. “Temos de reconhecer”. Entretanto, é necessário mexer um pouco mais com o sistema de educação para se aprimorar questões que tornem sustentável a integração da rapariga na indústria tecnológica. Segundo, “precisamos garantir que sabemos expor a nossa preocupação, sem medo de dizermos o que se passa. Sei que muitos estudos dizem que as mulheres se sentem discriminadas, mas muito está sendo feito para que as mulheres sejam integradas. Acredito que vamos crescer muito porque precisamos de mais mulheres para fazerem acreditar as outras que este mundo tecnológico é um lugar que se pode estar quando se quer. A MWE pretender ser um modelo que permita que as mulheres sejam modelos para outras, abrindo as mentes delas para o que as tecnologias estão a permitir”.

Igualmente interventiva, no debate esteve Gércia Sequeira. Para a Presidente da AMPETIC, existem mulheres no sector das tecnologias, entretanto, muitas delas são ofuscadas pelos homens, o que, de certo modo, impede que raparigas sonhem em ocupar certas funções dominadas pelos homens. “Fica a ideia de que as mulheres devem provar que são muito melhor que os homens, para que possam ter oportunidades nesta área. Mas as coisas começam a mudar. Tenho uma empresa na área de software há 10 anos e, para mim, por ser mulher, isso foi uma vantagem. Alguns dizem que é uma discriminação positiva. Estamos a caminhar. Qualquer dia chegamos lá”.

Gércia Sequeira entende que Moçambique tem problemas de acessibilidade às tecnologias, num contexto em que o mundo começa a nivelar-se. A este nível, a Presidente da AMPETIC adverte: “as tecnologias vão tornar visíveis o que temos de melhor e de pior. A questão principal é o que o país está a fazer para garantir que tenhamos mais de melhor, para que depois a tecnologia seja um meio para chegarmos ao fim que pretendemos”. Para o efeito, o comprometimento das instituições é fundamental. “Até porque as ideias existem e estão bem escritas”.

Às meninas que desejam ser referência no sector tecnológico, Sequeira disse que é preciso aprenderem a questionar sempre, pois as oportunidades, muitas vezes, estão ao seu redor. E sublinhou: “a tecnologia deve acelerar os processos. Se as mulheres devem aprender a usar as tecnologias nas suas actividades diárias, pois flexibilizam os processos. Falo de tecnologias como conhecimentos”.

Por fim, Jocelyne Machevo também enalteceu a importância de as mulheres desenvolverem habilidades que lhes permitam fazer uso das tecnologias. Por isso, disse a Directora de Relações Exteriores/ ENI Rovuma, o país deve trabalhar e criar mecanismo que garantam habilidades para as mulheres tirarem vantagens em termos de desenvolvimento tecnológico, o que exige acções que devem ser levadas a cabo pelo Governo e pelo país em geral, ligadas a infra-estruturas, políticas e meios tecnológicos. “É importante que o país se prepare em termos de boas práticas para que as tecnologias nos favoreçam. Temos de mostrar às mulheres que existe esta área. Muitas nem sabem que existe. Devemos divulgar às raparigas os cursos que existem, porque não podem escolher o que não sabem”.

A Directora de Relações Exteriores/ ENI Rovuma entende que os moçambicanos têm de promover a integração das mulheres na área das ciências e das energias. Para o efeito, elas devem perceber mais sobre o sector ainda novas, o que implica a sustentabilidade de um sistema de suporte forte. Além disso, “as empresas devem investir em políticas práticas sobre a inclusão de mulheres ao nível de decisão, com processos claros para que possamos chegar aos níveis ideais de liderança. E as empresas devem permitir a monitoria para que as mulheres possam evoluir”.

 

Moçambique já provou ter profundo domínio em alguns aspectos da ciência, até de forma inclusiva, tanto é que as Nações Unidas reconhecem o facto.

“Tivemos a primeira mulher catedrática este ano, temos uma bióloga que está a fazer a investigação para plantas terapêuticas para travar a COVID-19 e no Reino Unido temos uma mulher que lidera uma equipa de investigação em inteligência artificial”, lembra Myrta Kaulard, representante da ONU em Moçambique, que apela ao Governo para mais promoção de parcerias que permitam o envolvimento das mulheres na ciência e tecnologia.

Entretanto, a ciência e tecnologia não avança por si só sem infraestruturas eficientes. Daí que o Instituto Nacional das Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), destaca a necessidade de mais implantação.

“Nós precisamos das infra-estruturas, quer de telecomunicações, quer de tecnologias”, refere Dulce Chilundo, directora-geral do INTIC.

A Vodacom M-pesa, instituição que tem apostado na expansão de infraestruturas tecnológicas, aponta outro elemento que não deve ser esquecido no debate sobre as infra-estruturas: a necessidade de tecnologias eficientes.

O responsável cita os desafios que a empresa tem enfrentado e a forma como respondido aos mesmos.

“A medida que saímos do meio urbano e tentamos cobrir o resto do país, os desafios aumentam. É difícil alcançar os serviços de provisão de electricidade, por exemplo, ou com a qualidade necessária. Temos que usar a nossa criatividade recorrendo às energias renováveis para alimentar as nossas antenas nessas áreas onde a extensão geográfica é imensa”, aponta Gulamo Nabi, director-geral da Vodacom M-pesa.

O Governo reconhece a necessidade da potenciação das infra-estruturas tecnológicas no país e diz estarem em curso trabalhos visando o efeito, uma garantia da Direcção Nacional da Indústria.

Na discussão sobre a indústria, inovação, e infraestrutura, o conselho municipal de Maputo entra no debate e assegura ser um exemplo de quem tem apostado nisso.

“Estamos a caminhar numa era em que poderemos dizer que todos os processos serão desmaterializados, garante Silva Magaia, vereador para Ambiente e Urbanização no conselho municipal da cidade de Maputo.

O engenheiro promete ainda que os munícipes terão uma instalação que está a ser construída chamada ‘balcão do munícipe’, no qual vários serviços poderão ser disponibilizados, sendo que “nesses serviços os atendidos não vão precisar da presença física de quem atende.

Pronunciamentos feitos na 7ª edição da feira de tecnologias MOZTECH.

Intervenientes da Moztech 2020 defenderam esta quarta-feira que o investimento na mudança de mentalidade da juventude, a formação de pessoas e a capacitação das Pequenas e Média Empresas (PME) são fundamentais para a rápida transformação industrial através de ferramentas tecnológicas. Para tal, é necessário que exista uma forte liderança.

No debate sobre os Caminhos da Industrialização em Moçambique: Inovação, Modernização e Digitalização, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Fundação Soico (FUNDASO) defendeu que é necessário investir na atitude das pessoas e na mudança da mentalidade para impulsionar a industrialização e tornar os produtos nacionais competitivos.

O pensamento é partilhado num contexto em que vários países procuram encontrar as melhores ferramentas para alavancar suas indústrias de modo que sejam mais competitivas. Com as restrições impostas pela pandemia da COVID-19, esta necessidade de maior industrialização da economia, tendo como aposta a tecnologia aumentou.

Nos países africanos, como por exemplo Moçambique, há que acelerar ainda mais o passo, atendendo os desafios persistentes. Segundo o Presidente do Conselho de Administração da Fundação Soico é necessário “queimar” etapas através da transformação tecnológica.

“Se nós não investirmos nas atitudes das pessoas e na mudança da mentalidade sobre o contexto que nós vivemos agora, que é global, não daremos nenhum salto. É fundamental o papel das lideranças porque elas dão a indução (as lideranças políticas, as lideranças governamentais e as lideranças académicas). Nós não podemos estar numa universidade em que o professor continua a ter exemplos de formas de estar dos tempos da Ford, quando produziu os carros. Que perceba que está aqui para catalisar, potencializar e impulsionar a mente do estudante para ter uma mente muito mais aberta. Porque, agora, qualquer pessoa pode aprender tudo o que quiser via internet, como foi dito, o importante é como catalisamos e potencializamos as mentes humanas”, disse Daniel David.

O PCA da FUNDASO referiu, de seguida, que só haverá dividendo demográfico que tanto se fala no país se se tirar maior proveito da juventude. “Se não tirarmos valor dessa juventude, apenas será uma narrativa política de que Moçambique tem uma base da pirâmide próspera ou que pode prosperar. Só pode prosperar se transformarmos as mentes. Penso que nesta altura em que Moçambique se encontra é fundamental que todas as pessoas que lideram os processos transformacionais percebam que temos que induzir a juventude para que ela possa ser criativa e induzi-la naquilo que são os conhecimentos básicos”, explicou David.

Para que as ideias sejam colocadas em prática, o contributo dos jovens empreendedores é chamado e o Presidente do Conselho de Administração da Fundação Soico deixa ficar algumas conselhos sobre onde esse grupo pode começar e do que é ser empreendedor.

“Defendo que um empreendedor deve ter a capacidade de ver uma árvore dentro de uma semente. Se ele tiver essa capacidade e regar, adubar e fazer com que ela cresça, brote e produza frutos, esse que tem essa visão é um grande empreendedor. Em termos concretos, olho para aquilo que o país é hoje: o nosso país é quase rural; tem alguns centros urbanos; tem dificuldades em termos de densidade populacional; nas zonas rurais as pessoas estão muito espaçadas e nas zonas urbanas estão mais concentradas. Os empreendedores devem olhar para a situação real e ver onde é que estão as oportunidades e o que é que está a falhar e a partir daí, o que é que pode agregar para transformar essa realidade”, disse Daniel David.

O PCA da FUNDASO explica ainda o que leva a Fundação a promover debates sobre o papel da tecnologia no processo da industrialização, tendo começado por explicar que a organização tem como a sua base os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), fundamentalmente, com um pilar importante, que é o seguinte: ‘só pode haver transformação quando tivermos a capacidade e a tecnologia a agregar essa transformação’.

“Sem a transformação, com o impacto na sociedade, não podemos desenvolver. E neste momento, com o lançamento desta 7ª edição da Moztech queremos apoiar, impactar e tentar dar o nosso contributo no país, naquilo que é um pilar fundamental do desenvolvimento, a industrialização. O nosso papel é esse, tentarmos apoiar e agregarmos valor àquilo que são as políticas de desenvolvimento do país”, esclarece o PCA da Fundação Soico.

Por sua vez, o presidente da Associação Industrial de Moçambique (AIMO) aponta a “diplomacia industrial” como a chave para a modernização. No entender de Rogério Samo Gudo, produzir com preços competitivos é a bandeira dos industriais, por isso, para haver transformação é preciso que haja um casamento permanente entre a indústria e a tecnologia.

“Uma das primeiras actividades que nós desenvolvemos como a nova direcção da AIMO foi trazer os membros e discutir uma visão como associação e através dessa visão traçamos um plano estratégico que tem como um dos pilares principais a modernização da indústria. É óbvio que para modernizar a indústria nós precisamos de também desenvolver uma diplomacia industrial, o que significa que precisamos de socializar aquilo que são os desafios, mas também as oportunidades, através de debates como esses e através de parceiros”, disse Rogério Samo Gudo.

Um desses parceiros, segundo o presidente da AIMO, é a FUNDASO que para a Associação “é essencial por ter uma visão do país e uma visão de desenvolvimento social e económico” que vai ao encontro das directrizes do organismo industrial. “Achamos que seria um parceiro ideal para um conjunto de projectos que nós temos nesse nosso mandato”, considerou Rogério Samo Gudo. Para que o caminho esteja iluminado, o líder da associação industrial sugere ainda uma maior cooperação entre os players envolvidos na inovação industrial.

“É preciso desenvolver um ecossistema industrial para que tudo gravite dentro dele. Todas as instituições precisam colaborar. A palavra-chave é colaboração. Sem colaboração não há indústria. Quando falamos do sector primário é preciso que haja noção do papel que outros sectores, secundário e terciário que estão na nossa economia têm. Não podemos ser dissonantes; não se trata de um sector ou de um ministério, mas de um país e de uma economia. Se a nossa visão é agregar valor nas nossas matérias-primas, naquilo que se chama industrialização, tem de ser uma visão de todos , da Nação”, defende o presidente da AIMO.

Os dois intervenientes foram painelistas no debate sobre Caminhos da Industrialização em Moçambique: Inovação, Modernização e Digitalização na 7ª edição da Moztech sobe o lema Tecnologia ao Serviço da Industrialização, que arrancou ontem, desta vez num formato diferente, através de transmissão na televisão e de plataformas digitais.

Por sua vez, das terras lusas, o professor Adriano Freire, presidente da Strat&Egos Institute de Portugal, juntou-se ao painel de debate sobre Caminhos da Industrialização em Moçambique: Inovação, Modernização e Digitalização para sugerir que Moçambique capitalize o facto de ter população maioritariamente jovem para dinamizar a sua indústria.

“A questão que está por de trás desta transformação digital, transformação através da tecnologia, no sector empresarial moçambicano, obviamente, passa pela formação. Temos aqui um conjunto muito grande de pessoas com a capacidade de adaptação, com a facilidade de entrar no negócio digital, quer pelo uso normal dos telemóveis, quer pela facilidade de compreender essas novas tecnologias, que podem e devem ser potenciadas para facilitar a evolução das novas tecnologias porque as novas tecnologias e os novos equipamentos são cada vez mais digitais”, apela Adriano Freire, presidente da Strat&Egos Institute de Portugal.

Dando como exemplo a indústria portuguesa do calçado, Freire aponta os passos que Moçambique pode dar no processo de industrialização. Em Portugal, quem tomou a liderança foi a Associação Industrial do Calçado que percebeu que havia muita pecuária (produção de gado), havia muita produção de couro e curtumes, que não eram devidamente aproveitados.

“A maior parte das matérias-primas eram exportadas e depois, outros países, França e Itália faziam os tais calçados com as matérias-primas portuguesas e tinham o valor acrescentado associados a esses produtos”, explicou Freire, num exemplo que se adequa à realidade moçambique, já que muitos produtos são exportados antes de serem transformados.

Um dos exemplos de liderança apresentados pelo professor tem a ver com a busca, com apoio da Associação Industrial do Calçado de Portugal, de desenhos que estavam acessíveis na internet, para o negócio dos têxteis, que não estava a ser bem-sucedido e aliaram-nos às novas tecnologias para procurar produzir, naquele país, calçados ou sapatos dentro das tendências internacionais e o resultado foi satisfatório para os portugueses.

“O Centro Tecnológico do Calçado passou a fazer cada vez mais formação em novas tecnologias. Por exemplo, era lançada uma nova máquina no estrangeiro e como os portugueses não tinham o equipamento necessário, importava-se o equipamento e imediatamente os centros tecnológicos do calçado faziam formação para alguns jovens com a capacidade de aprendizagem, para eles aprenderem a lidar com aquelas máquinas e essas máquinas passaram a ser partilhadas por empresas em Portugal. Ou seja, criou-se uma liderança que puxou pelas empresas, fomentou a cooperação e em alguns anos, os sapatos portugueses começaram a ter mais aceitação internacional; os preços do calçado português começaram a subir e hoje em dia, no nível médio de preços o calçado português é o segundo maior do mundo”, falou da experiência, o presidente da Strat&Egos Institute de Portugal.

 

A petroquímica Sasol, a explorar o gás natural há mais de 14 anos em Inhambane, diz que já contratou mais de 1.500 empresas moçambicanas para a prestação de diversos serviços, pelos quais desembolsou, nos últimos dois, 174 milhões de dólares norte-americanos.

Mas é de olhos postos em novos horizontes que a Sasol decidiu adoptar uma nova abordagem de promoção de conteúdo local sustentado por cinco pilares, nomeadamente: Aquisições Locais, que visa aumentar os gastos com os bens e serviços fornecidos pelas empresas nacionais através da implementação de um procedimento preferencial de aquisições.

No pilar sobre Programa de Desenvolvimento de Empresas e Fornecedores (ESD), pretende-se capacitar as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) locais em várias áreas chave, que incluem a gestão de saúde e segurança no trabalho, cumprimento das normas jurídicas e contabilidade para prepará-las no sentido de terem acesso a oportunidades de negócio na Sasol e noutras empresas.

Sobre Fundo para PMEs (oficialmente chamado Linha de Crédito para apoio a Micro, Pequenas e Médias Empresas Moçambicanas) o objectivo é prover às PMEs locais produtos financeiros acessíveis. O Fundo já está criado e será gerido pelo  BCI.

No que ao Emprego Local diz respeito, pretende-se desenvolver a capacidade dos moçambicanos através de um ensino básico focado na Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, programa de formação vocacional e programa de
desenvolvimento profissional, enquanto no pilar sobre Pesquisa, Desenvolvimento e Transferência de Tecnologias o fim é desenvolver e implementar iniciativas escaláveis ou ajustadas ao propósito em parceria com o Governo.

Segundo o director-geral da Sasol, Ovideo Rodolfo, a multinacional acredita que pode melhorar continuamente a vida das comunidades através da parceria com o Governo para ajudar as  empresas locais.

Rodolfo falava na abertura do seminário de oportunidades locais. Disse que a a companhia que dirige está pronta para contribuir no crescimento da economia do país e para ajudar a responder às necessidades das comunidades “O Plano de Conteúdo Local”.

Para o Governo Provincial, acabou-se o tempo das lamentações e, agora, os empresários devem colocar a mão na massa. Daniel Chapo, governador de Inhambane, disse na ocasião que a Sasol posiciona o Conteúdo Local como parte integrante da sua estratégia corporativa e reconhece a importância do desenvolvimento profissional, da mão-de-obra e de fornecedores locais nas regiões onde opera, visando contribuir para a transformação da economia local.

Daniel Chapo convidou, por isso, a todos os empresários para estarem atentos às oportunidades que estão a ser lançadas e aproveitar no máximo, integrando-se nos processos de modo a fazer parte do negócio.

O governante disse esperar ver, com a nova abordagem, melhores práticas internacionais e outras acções alinhadas aos objectivos sócioeconómicos e de desenvolvimento traçados pelo Governo, bem como reforçar a importância do Conteúdo Local como um impulsionador-chave para os futuros investimentos e operações da Sasol em Moçambique.

A apresentação da nova abordagem da multinacional Sasol foi feita durante um seminário sobre oportunidades locais e juntou à mesma mesa empresários governo provincial.

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