O País – A verdade como notícia

Total Eren é a empresa que deverá construir a Central Solar do distrito de Dondo, na província de Sofala. A companhia foi seleccionada dentre cerca de 130 concorrentes nacionais e estrangeiras.

Ano passado, o Governo lançou o concurso para encontrar um investidor interessado no projecto de construção de central de produção de energia eléctrica, no distrito de Dondo, província de Sofala, inserido no Programa Energia Para Todos.

Na primeira fase, cerca de 130 entidades, entre nacionais e estrangeiras, haviam adquirido os cadernos de encargo, no âmbito do programa de leilões lançado pelo Governo.

No processo de pré-qualificação, foram pré-denominados cinco potenciais investidores, entre os quais a Total Eren e a Globeleq Africa Holding Limited se destacaram pelas capacidades técnicas e financeiras de que detêm.

Dos dois participantes na fase final do concurso, o júri multissectorial, citado pela ARENE, consagrou a Total Eren como vencedora do leilão, por alegadamente apresentar soluções de menor custo de aquisição.

“A Total Eren SA é que apresentou as melhores propostas técnica e financeira, consagrando-se, portanto, de acordo com a avaliação do júri, no concorrente vencedor para implementação do projecto de construção da Central Solar do Dondo”, lê-se no documento da ARENE.

Para além da Central do Dondo, o Programa de Leilões em Energias Renováveis para Todos prevê a construção de mais três centrais, sendo duas com base em fonte solar, uma em Chiúta, na província de Tete, outra em Lichinga, província de Niassa, e uma central eólica em Jangamo, na província de Inhambane.

O país pretende gerar cerca de 120MW de energia com recurso a fontes renováveis, valor este que deve contribuir para consolidar a posição de Moçambique como líder na produção de energia limpa na África Austral.

A Associação de Produtores e Importadores de Bebidas Alcoólicas (APIBA) e a Câmara de Comércio de Moçambique (CCM) assumiram, esta semana, o compromisso de cooperar no fortalecimento e dinamização das actividades das duas associações empresariais com vista à melhoria do ambiente de negócios e da competitividade das empresas nacionais.

Para o efeito, os presidentes da APIBA, Hugo Gomes, e o da CCM, Álvaro Massinga, assinaram um memorando de entendimento para partilha de informação sobre o mercado, formação e capacitação em matéria de interesse comum.

Para Hugo Gomes, a assinatura do memorando “faz parte dos objectivos estratégicos da APIBA, nomeadamente de contribuir para a melhoria do ambiente de negócios em Moçambique através da colaboração com outras instituições”.

Por seu turno, Álvaro Massinga entende que a parceria com a APIBA visa aprimorar as suas acções de advocacia para o desenvolvimento do sector das bebidas alcoólicas, promover a industrialização, as exportações e as marcas dos produtos moçambicanos.

Há 15 anos que o Estado moçambicano viola a lei orgânica do Banco de Moçambique, por não assumir suas responsabilidades sobre perdas cambiais do Metical em relação a outras moedas.

A constatação é da BDO, entidade que auditou as demonstrações financeiras do banco central referentes a 2020.

Segundo a lei orgânica do Banco de Moçambique, quando o Metical perde valor em relação a outras moedas, o banco central perde, consequentemente, dinheiro no fim de cada exercício económico. Diante da situação, o Estado deve intervir, emitindo títulos e assumindo tais perdas como sua dívida.

No caso contrário, ou seja, quando o Metical valoriza durante o ano económico do Banco de Moçambique, há ganhos em dinheiro que devem ser canalizados a uma conta cativa do Estado. Segundo a lei que temos vindo a citar, tais valores devem ser usados, apenas, para liquidar a dívida assumida pelo Estado.

Contudo, a BDO apurou que tanto o Estado como o Banco de Moçambique não assumiram suas responsabilidades de 2005 a 2020.

“Constatamos que o Estado moçambicano não assumiu as suas responsabilidades desde 2005 no montante acumulado aproximado de 9.234.760 milhares de Meticais, nem o Banco reconheceu os proveitos acumulados associados a esta dívida do Estado no montante aproximado de 12.970.120 milhares de Meticais”, refere o auditor no relatório de demonstrações financeiras do banco central.

Segundo as demonstrações financeiras, o banco central registou um prejuízo de cerca de 1,5 mil milhões de Meticais no ano 2020, depois de ter tido resultado negativo de cerca de 4,8 mil milhões em 2019.

O lucro do Absa Bank Moçambique aumentou cerca de 115,1% e atingiu 633 milhões de Meticais no ano passado, revelou hoje a instituição bancária. Nem os efeitos da COVID-19 e da suspensão do projecto de gás natural liderado pela Total impediram que os resultados do banco crescessem.

“Conseguimos implementar um conjunto de medidas de gestão da nossa eficiência que levaram à redução dos custos operacionais do banco em cerca de 4,6%. Eu lembro-me de que o nosso negócio tem visto seus custos crescerem mais ou menos na linha com a inflação”, referiu o administrador delegado do banco, Rui Barros.

Rui Barros explica que uma redução dos custos operacionais nos níveis conseguidos representam uma poupança real próxima dos 10% na estrutura de custos esperados.

Por sua vez, o crédito em incumprimento no banco agravou-se para 4,2%, devido ao impacto da COVID-19 e a suspensão das actividades da petroquímica Total.

“Contudo, gostaríamos de notar que a esmagadora maioria do crédito do banco teve um comportamento perfeitamente saudável”, sublinhou Rui Barros.

Ainda no ano passado, as receitas do banco deram um salto de 20,1% e atingiram 5.7 mil milhões de Meticais.

Na Banca de Retalho e de Pequenas e Médias Empresas (PME), os créditos concedidos pelo banco aumentaram em 7,8% e os depósitos subiram 5,4%. Já na Banca Corporativa e Comercial, os créditos e os depósitos aumentaram 18,2% e 65,0%, respectivamente.

Em relação ao recente agravamento das taxas de juro, o Absa Bank Moçambique acolhe a medida, sem descartar a possibilidade de as taxas virem a baixar nos próximos tempos.

O sector privado diz que o aumento da taxa de juro beneficia as gasolineiras e prejudica o sector produtivo. O Banco de Moçambique reiterou ontem que a medida tomada visa prevenir problemas que a economia viria a enfrentar com a subida generalizada de preços.

A subida da taxa de juro de 13.25 para 15.25 por cento pelo Banco de Moçambique, há quase uma semana, nunca agradou ao empresariado que, esta terça-feira, usou de uma reunião virtual, que contou com a representação do banco regulador, para fundamentar aquilo que chamam de injustiça.

“É uma grande preocupação que para o benefício de alguns operadores de combustíveis se prejudique todo sector económico, tendo em conta factor externo, o custo da comoda, que pode, de alguma forma, voltar a baixar”, afirmou Miguel Jóia, membro do pelouro de Política e Serviços Financeiros da CTA.

A CTA vai mais longe, ao afirmar que não vê relação alguma entre as taxas de juros e a inflação. O empresariado prevê, ainda, consequências significativas para as pequenas e médias empresas com implementação da medida.

“Mesmo estas empresas que dão apoio aos grandes projectos vão, também, sentir dificuldades em executar seus projectos e suas encomendas. Sinceramente não vejo nenhuma co-relação entre as taxas de juros e a inflação”, acrescentou Miguel Jóia.

Silvina de Abreu, administradora do Banco de Moçambique, não fez mais, além de reiterar aquilo que o governador Rogério Zandamela já tinha explicado. A medida é preventiva.

“Num cenário em que a inflacção atinge dois dígitos, ficaria com a sua capacidade de poder de compra mais limitado, o que seria um problema muito mais complicado de resolver. Esta medida visa evitar que corramos esses riscos”, explicou Silvina de Abreu, administradora do Banco de Moçambique.

Os intervenientes falavam durante informe da CTA sobre medidas do comité de política monetária e perpectivas para 2022. Na mesma ocasião, o empresariado moçambicano sugeriu a criação de uma comissão em que participem o Ministério da Economia e Finanças, o Banco de Moçambique, a Associação Moçambicana de Bancos e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

A informação foi avançada, hoje, no final da visita que Emmerson Mnangagwa fez à Central Termoeléctrica de Ciclo Combinado a Gás de Maputo.

O Zimbabwe é um país com défice no fornecimento de energia eléctrica e Emmerson Mnangagwa está em Moçambique para buscar soluções para reverter este cenário. É nesse âmbito que o estadista visitou, esta terça-feira, a Central Termoeléctrica de Ciclo Combinado a Gás de Maputo. Acompanhado pelo PCA da empresa Electricidade de Moçambique, o presidente Zimbabwiano recebeu explicações de como funciona o empreendimento. No final da visita, Moçambique mostrou vontade de incrementar o volume de energia exportada àquele país.

“O Zimbabwe está, de facto, com uma crise energética e nós como vizinhos e parceiros temos a obrigação de ajudar, por isso temos vindo a dialogar com o país irmão para vermos outras formas de poder ajudar. Naturalmente, a energia da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) é limitada, ela fornece a África do Sul, a Electricidade de Moçambique (EDM) e uma parte ao Zimbabwe, mas mesmo assim, não é suficiente. É nesse sentido que estamos a explorar outras fontes de energia e o gás é uma alternativa”, detalhou Marcelino Alberto, Presidente do Conselho de Administração da Electricidade de Moçambique.

Alberto destacou que a cooperação entre os dois países no sector de energia dura há longos anos e que o Zimbabwe é um parceiro a não descartar. “Somos parceiros há longa data. Em 1997 fizemos a interligação Moçambique-Zimbabwe, através da qual nós estamos a exportar para eles um total de 50 megawatts de energia e, inclusive, o contrato foi renovado há duas semanas e temos expectativa que este projecto da Central Termoeléctrica pode emprestar parte da sua capacidade àquele país vizinho”.

Mas o vizinho Zimbabwe está em dívida com Moçambique, não obstante ter pago boa parte dela no ano passado. “No ano passado, o Zimbabwe fez um esforço titânico para pagar reduzir a dívida com Moçambique, que estava no nível de 45 milhões de dólares, mas boa parte desse valor, isto é, 35 milhões foram pagos no ano passado, sendo que neste momento a divida existente é de 10 milhões”, garantiu o dirigente.

Lembre-se que este empreendimento foi inaugurado, por Filipe Nyusi, em 2018 e custou 180 milhões de dólares norte-americanos, sendo que 13 milhões foram disponibilizados pelo Orçamento do Estado e 167 milhões é uma dívida contraída ao governo do Japão que deverá ser para paga em 40 anos.

Os agentes económicos ouvidos pelo Banco de Moçambique num inquérito esperam que, no fim deste ano, o nível geral de preços aumente em cerca de 6,61% e não 6,19 por cento, como previam em Fevereiro.

Segundo o banco central, só a mais recente subida dos preços dos combustíveis, em Março último, nomeadamente, a gasolina em 12,09%, gasóleo (15,01%), petróleo (4,61%) e gás (13,33%), poderá ter um impacto directo na inflação geral de cerca de 0,87 pontos percentuais entre Março e Abril.

“Considerando o peso dos combustíveis (7,0%) e dos alimentos (34,0%), com destaque para o trigo, com 4,16%, no índice geral de preços no consumidor, os significativos aumentos dos preços destas mercadorias ao nível global poderão resultar num aumento dos preços domésticos”, refere o inquérito.

Entretanto, o impacto poderá ser maior devido aos efeitos indirectos que advêm do uso dos combustíveis como matéria-prima em todos os sectores de actividade, com destaque para os transportes, com um peso de 3,82% no cabaz do Índice de Preços do Consumidor, refere o regulador do sistema financeiro.

Esta informação consta do relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, que destaca os aumentos dos preços do trigo e seus derivados; semente e óleo de girassol; e adubos e fertilizantes, dos quais o país é importador líquido.

Os dados da balança de pagamentos, citados pelo banco, mostram ainda que, em 2021, Moçambique importou da Rússia e Ucrânia, países envolvidos numa guerra que está a afectar todo o mundo, cerca de 15,4% de trigo e derivados, 18,3% de adubos e fertilizantes e 10.6% de semente e óleo de girassol.

O pavilhão de Moçambique acolheu mais de 500 mil visitantes na Expo Dubai 2020. Segundo os responsáveis, o país conseguiu estabelecer contactos com potenciais investidores nas áreas de energia, turismo, agricultura e infra-estruturas.

A Expo Dubai 2020 encerrou as portas, seis meses depois da sua abertura oficial. Moçambique esteve entre os 192 países participantes do evento, que contou com a presença de mais de 23 milhões de pessoas. O país exibiu suas potencialidades em diversas áreas, tendo conseguido atingir 572.813 visitantes.

“Dos cerca de 500 mil participantes que visitaram o nosso pavilhão, nós tivemos uma boa percentagem de pessoas que se interessaram pelo ambiente de negócio de Moçambique e pelas ofertas que o país tem em termos de investimentos”, afirmou Miguel Costa Mkaima, comissário-geral de Moçambique na Expo Dubai 2020.

Durante o evento, Moçambique dedicou-se, em grande medida, aos negócios, o que, para o director do pavilhão moçambicano, representa um ganho para o país.

“Falamos, na Expo Dubai 2020, sobre a variedade de produtos que temos para a área de exportação. Falamos também do melhor destino turístico, que é Moçambique e suas variedades de negócios”, salientou Sozinho Boane, director do pavilhão de Moçambique

Os visitantes da Expo Dubai 2020 revelam ter tido uma experiência marcante e mostraram-se fascinados com o conteúdo exposto no pavilhão de Moçambique.

É um lugar bonito, gostei de estar aqui. É um lugar fantástico, o que me atraiu é o instrumento musical Timbila. Gostava de tocá-lo um dia. A Expo é um lugar fantástico que mostra todo o mundo num único espaço sem despender muito do dinheiro”, disse Ameen Hassan, visitante.

“O pavilhão é muito bonito, as cores são atraentes. Os assistentes são amigáveis e falaram-nos o quão seguro é viajar para Moçambique, ver os animais, nadar com golfinhos. Isso é muito excitante”, frisou Cheryl Venettozzi.

A organização da Expo 2020 Dubai referiu que a próxima exposição mundial será em Osaka, no Japão, em 2025.

Com 20 anos de experiência na banca, na Europa e em África, Bernardo Aparício assumiu, a partir da última sexta-feira, o cargo de administrador-delegado do Standard Bank Moçambique. Aparício foi apresentado publicamente pelo Presidente do Conselho de Administração do banco, Tomaz Salomão.

Segundo Tomaz Salomão, o novo administrador-delegado, Bernardo Aparício, junta-se a uma instituição histórica, resiliente, forte e preparada para os desafios da economia nacional e internacional.

“O nosso administrador-delegado vai tomar as rédeas da nossa instituição, entidade e personalidade que temos o prazer de vos apresentar, na certeza e convicção de que o banco em boas mãos”, disse Tomaz Salomão, após ter explicado o processo de selecção do novo administrador-delegado do Standard Bank, e apresentado o perfil de Bernardo Aparício.

Em Moçambique, o novo administrador-delegado do Standard Bank exerceu funções de liderança nos grupos Absa e Barclays, a nível local e regional, baseado em Portugal e Reino Unido. Já no Standard Bank, Aparício espera consolidar a liderança do banco.

“O papel do banco é servir aos clientes, dar-lhes uma experiência diferenciada no sector dos serviços financeiros, e esse será um dos principais focos meus, da minha equipa e de todo o staff do Standard Bank, como tem vindo a ser”, afirmou Aparício, após ter sido publicamente apresentado como novo administrador-delegado do banco.

Com a sua nomeação, Aparício substitui do cargo William le Roux, que cessou funções a 31 de Março.

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