O País – A verdade como notícia

O volume de negócios no país caiu em 9,8 por cento em Janeiro deste ano, comparativamente ao mês de Dezembro de 2021. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a variação negativa resulta do decrescimento verificado nos principais sectores da economia nacional.

Depois de os resultados dos inquéritos de Janeiro de 2021 às empresas, relativamente ao mês de Dezembro de 2020, terem indicado uma variação negativa de 4,6 por cento, o decrescimento mais que duplicou, comparativamente ao mesmo período de 2022.

Os resultados das actividades económicas de Janeiro deste ano, face ao mês de Dezembro de 2021, revelam redução dos índices de volume de negócios, de remunerações e de emprego em 9,8%, 6,9% e 6,5%, respectivamente.

Segundo o INE, a variação negativa do volume de negócios resulta do declínio verificado nos sectores de transportes e armazenagem, de produção industrial, de alojamento, restauração e similares, bem como outros serviços não financeiros, com 20,6%, 19,1%, 11,3% e 5,9%, respectivamente.

Já os sectores de comércio e electricidade e energia contribuíram, de forma positiva, com 2,1% e 0,6%, respectivamente.

A queda do emprego no mês de Janeiro foi influenciado pelo decrescimento do indicador nos sectores de outros serviços não financeiros, de produção industrial, alojamento, restauração e de similares e comércio, com 21,9%, 3,5%, 3,1% e 1,0%, respectivamente. O sector de transportes registou uma estabilização.

Segundo escreve o INE, “a variação negativa do índice de remunerações no período em referência resultou da queda registada nos sectores dos transportes e armazenagem, de produção industrial, de comércio, e de alojamento, restauração e similares, com 15,8%, 11,8%, 6,3% e 5,1%, respectivamente. O sector de outros serviços não financeiros cresceu em 13,0 %”.

Os índices globais do mês de Janeiro de 2022, quando comparados com os do período homólogo de 2020, revelam queda do volume de negócios e emprego em 14,7% e 4,1%, respectivamente, enquanto as remunerações registaram uma variação positiva de 6,8%.

As gasolineiras querem aumento dos preços do combustível em mais de 10 Meticais. Os operadores entendem que a subida não precisa de ser de uma vez só. Por isso, sugerem que reajustes ocorram mensalmente para reduzir os prejuízos que têm estado a registar.

Ainda não passaram 30 dias depois que os combustíveis ficaram mais caros em Moçambique e parece que mais subidas podem chegar. Isto se a Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas conseguir convencer à Autoridade Reguladora de Energia sobre este aumento.

Ricardo Cumbe, em representação da AMEPETROL, explicou que, desta vez, “de acordo com os cálculos que fizemos, a variação devia ser acima de dois dígitos”, ou seja, acima de dez Meticais.

Entretanto, as gasolineiras sabem que, no bolso dos moçambicanos, não há dinheiro suficiente para suportar uma subida tão brusca e, principalmente, num contexto em que o impacto da última subida ainda está a afectar vários sectores.

Como solução, os operadores sugerem que o Governo, através da Autoridade Reguladora de Energia, faça a aplicação da lei, que prevê que se actualize a tabela mensalmente, tendo-se como base a variação, a nível internacional, dos últimos dois meses.

Todavia, Cumbe alerta que a medida pode ser sufocante já que “não sabemos quanto tempo vai levar esta tendência crescente. Por isso, temos de ter a consciência de que há um desafio relacionado com o preço dos combustíveis”.

Segundo as gasolineiras, essa tendência não está ligada apenas aos preços que estiveram em alta devido ao conflito russo-ucraniano, até porque, neste momento, o Brent, que é o que usamos em Moçambique, está a ser vendido a 100 dólares por barril, com os 130 atingidos nos primeiros dias do ataque russo à Ucrânia.

O facto é que, tal como explicou Cume, “desde Outubro que os preços, ao consumir, se mantiveram estáticos, porém havia condições para variação”.

Não ocorreu a actualização, porque as gasolineiras e o Governo fizeram um acordo com base no qual os operadores manteriam o preço estável a nível doméstico e o Executivo pagaria pela diferença. Uma espécie de subsídio, na verdade. Nada disso aconteceu.

Esse contexto originou que o Governo acumulasse dívidas de cerca de 120 milhões de dólares com a AMEPETROL. Com isso, há um risco de os moçambicanos serem as grandes vítimas das dívidas.

O que pode suceder é que, mesmo que o preço do barril no mercado internacional continue a baixar, como está a acontecer, o Governo pode não baixar os preços, como forma de compensar a dívida que tem com as petrolíferas.

Mas essa é uma decisão que a AMEPETROL diz que caberia ao próprio Governo tomar. “Aí é que vem, na verdade, o papel do Governo, na decisão, no sentido de o que pretende manter no país nos próximos dias, se a redução pode ocorrer ou manter o preço para fazer a compensação do período de desde Outubro”.

Ademais, “O País” sabe que das 29 gasolineiras filiadas à AMEPETROL, apenas abaixo de 20 é que estão a importar combustíveis para vender em Moçambique, outras só importam para trânsito, o que dá menos receitas ao Estado.

E a Autoridade Reguladora de Energia prometeu falar ao jornal “O País” esta quarta-feira, para dizer qual deverá ser o futuro dos preços dos combustíveis em Moçambique. Em todo o caso, o Presidente do Conselho de Administração da ARENE, Paulo da Graça, já tinha reconhecido, em Março, que a subida tinha sido abaixo do que era de se esperar.

AS ISENÇÕES NA IMPORTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS

Um dia antes do anúncio dos novos preços, em Março, o Governo decidiu pela redução das taxas de manuseamento portuário em 5% para o gasóleo e para a gasolina; a redução de custos de infra-estrutura logística do combustível destinado aos postos de abastecimento em 60%; a redução dos custos para o fundo de estabilização em 50%; a redução do valor das margens de instalações centrais de armazenagem em 30%; a redução das margens do distribuidor em 15%; e a redução das margens do retalhista em 15%.

Trata-se de custos que têm impacto directo nos preços de combustíveis praticados no país. São taxas que reduzem a pressão às empresas importadoras de combustíveis.

 

COMBUSTÍVEL BARATO PRESSIONA CÂMBIO

Na última conferência de imprensa, dada pelo Banco de Moçambique, o governador, Rogério Zandamela, explicou que a prática de preços baixos em Moçambique tem estado a pressionar o nível das reservas internacionais e isso pode fazer com que a nossa moeda perca o seu valor.

Sucede que, enquanto em Moçambique os preços são geridos para não estarem excessivamente acima do que é a real capacidade dos moçambicanos, os outros países da região aplicam preços do mercado.

Com isso, os transportadores dessas regiões vêm a Moçambique comprar combustível e isso faz com que o país gaste as suas reservas e divisas a favor de outros, o que pode criar escassez de dólares no país e, assim, o Metical perder o seu valor.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disponibilizou, hoje, 11,48 milhões de dólares para a Capacitação Institucional da União Africana em Adis Abeba, Etiópia. O protocolo de acordo para o projecto foi assinado por Monique Nsanzabaganwa, vice-presidente da Comissão da União Africana, e Yacine Fal, vice-presidente interino do BAD para o Desenvolvimento Regional, Integração e Entrega de Empresas.

Espera-se que o projecto reforce os esforços da União Africana para implementar a Agenda 2063. Adoptada em 2015, a Agenda 2063 é a visão da União Africana para uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus próprios cidadãos e representando uma força dinâmica na arena global.

O custo do projecto, no montante que acima referimos, está a ser apoiado com uma subvenção da janela de financiamento concessional do banco e foi aprovado pelo Conselho de Administração em Fevereiro de 2022. A assinatura do protocolo assinala o início da fase de implementação do projecto.

A vice-presidente Nsanzabaganwa aludiu ao processo de consulta que levou à assinatura do acordo. “Como sabem, esta cerimónia e a assinatura do protocolo de acordo representam o culminar de uma série de interacções e consultas que ocorreram entre a Comissão da União Africana, o Banco Africano de Desenvolvimento e várias partes interessadas desde o ano passado”, disse.

O projecto irá actualizar e automatizar vários sistemas da União Africana, incluindo os de gestão de informação, de aprovisionamento e gestão financeira, de recursos humanos e de gestão de resultados. Também abordará as lacunas no sistema de alerta precoce continental da União, um instrumento crítico na prevenção e gestão de conflitos e fragilidade no continente.

Nas suas observações, o vice-presidente interino do Banco, Fal, afirmou que “hoje é um marco histórico. Alcançá-lo não teria sido possível sem a confiança mútua e colaboração que as nossas respectivas instituições têm demonstrado historicamente e ao longo de todo o processo”.

Entre as principais prioridades que as duas instituições partilham, estão a promoção da integração regional e o reforço da capacidade das empresas africanas.

“Não só os investimentos bancários estão a colmatar as lacunas regionais em infra-estruturas, como também estão a reforçar as capacidades institucionais da União Africana, das comunidades económicas regionais, do Secretariado do Acordo de Comércio Livre Continental Africano, e de outros mecanismos regionais”, referiu Fal.

Fal chefiou uma delegação do BAD para a cerimónia de assinatura. A comitiva incluía o director-geral adjunto para a região da África Oriental, Abdul Kamara, o director interino do Gabinete de Coordenação da Integração Regional, Jean-Guy Afrika, entre outros.

O custo de vida aumentou 6,67%, em Março passado, quando comparado ao período homólogo de 2021. Dados do Instituto Nacional de Estatística apontam que a cidade de Nampula liderou, com 7,96%, a tendência de subida de preços.

Os preços dos principais produtos têm vindo a disparar como consequência da guerra na Ucrânia, mas as análises do Instituto Nacional de Estatística mostram, no seu Índice de Preços ao Consumidor, que não só aumentaram os preços dos combustíveis como também dos diversos bens e serviços. De Fevereiro a Março deste ano, a inflação foi de 0,70%, quando comparado com o mesmo mês de 2021.

“Em relação à variação mensal por produto, é de destacar o aumento dos preços da gasolina (5,8%), do óleo alimentar (8,0%), da cebola (8,7%), do gasóleo (7,2%), do peixe seco (2,8%), do gás butano em botija (11,1%) e do sabão em barra (4,2%). Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,72pp positivos”, avança o Índice de Preços no consumidor do INE.

O documento realça que alguns produtos com destaque para o tomate, o coco, as motorizadas, a alface, o amendoim, o carvão vegetal e o pepino contrariaram a tendência de aumento, ao contribuírem com cerca de 0,19 pontos percentuais negativos.

Analisando a inflação homóloga, o Índice do Preço ao Consumidor revela que, na subida do custo de vida em 6,67 %, as divisões de transportes, de restaurantes, hotéis, cafés e similares e de alimentação e bebidas não alcoólicas foram as que registaram maior variação de preços com cerca de 10,04%, 8,45% e 7,80%, respectivamente.

Ainda na mesma variação, consta do relatório do Instituto Nacional de Estatística que a cidade de Nampula liderou a tendência de subida de 7,96%, seguida pela Cidade de Maputo com cerca de 6,63% e, por último, a cidade da Beira com 5%.

Durante o primeiro trimestre do ano em curso, o país registou um aumento de preços na ordem de 3,34%. As repartições de alimentação e bebidas não alcoólicas e de transportes foram as de maior destaque, ao contribuírem, no total da variação acumulada, com cerca de 1,80 e 0,90 pontos percentuais positivos, respectivamente.

“Importa destacar o aumento dos preços do tomate, da gasolina, dos transportes semi-colectivos urbanos e suburbanos de passageiros, do óleo alimentar, de veículos automóveis ligeiros em segunda mão, da cebola e do peixe fresco. Estes comparticiparam com cerca de 2,09pp positivos na total variação acumulada.”

Ainda sobre a variação acumulada, a cidade da Beira teve a maior subida do nível geral de preços, com cerca de 5,44%, seguida pela cidade de Nampula, com 3,02%, e de Maputo com 2,78%.

Banco Mundial disponibilizou 12 milhões de dólares para a criação de um seguro de desastres naturais em Moçambique. A informação foi avançada ontem pela Empresa Moçambicana de Seguros, que diz que, com o valor, estaria em condições de cobrir até quatro milhões de dólares por ano, em caso de danos no país.

Que o país está cada dia mais propenso a desastres naturais não é novidade. Basta que nos recordemos dos estragos que, em 2019, o país teve em Sofala e Cabo Delgado, devido aos ciclones Idai e Kenneth, respectivamente.

Nas duas situações, várias infra-estruturas públicas foram destruídas e o Estado não esteve em condições de lidar de forma atempada. Para reconstrução pós-idai, por exemplo, o Governo precisava de um valor de cerca de dois mil milhões de dólares. Fonte para isso? Doadores e o Orçamento do Estado, um orçamento já pressionado.

Ontem, falando aos deputados da Comissão de Plano e Orçamento, o Presidente do Conselho de Administração da Emose, Joaquim Langa, disse que a solução está na criação dum seguro de Desastres Naturais, a ser pago pelo Estado.

O projecto, na verdade, não é novo e já está a ser desenhado pela própria Emose e pelo INGD, em coordenação com o Ministério da Economia e Finanças. Joaquim Langa adiantou, primeiro, que “não é um seguro barato. Tivemos o apoio, por exemplo, do Banco Mundial, que disponibilizou 12 milhões de dólares para apoiar o seguro e, neste momento, decorrem processos documentais para que Moçambique possa beneficiar-se deste seguro”.

Com o valor dos 12 milhões de dólares, a Emose diz que estaria em condições de cobrir até quatro milhões de dólares norte-americanos em casos de danos no país. “Nós vamos cobrir sempre de acordo com o que estiver disponível.”
Outra proposta que a seguradora avança é a criação de um seguro agrícola. Nada novo, na verdade. Este é também o anseio dos empresários moçambicanos do sector agrícola, que sabem que, com o seguro, o nível de risco baixa e, com isso, o financiamento fica mais barato.

E esta proposta tem muito a ver com a vulnerabilidade do país aos desastres naturais. Por exemplo, com os recentes ciclones, vários campos com culturas foram perdidos e os empresários ficaram de mãos atadas, até porque grande parte das seguradoras disseram que não cobririam danos causados pelas intempéries.

Joaquim Langa, PCA da EMOSE, entende que é preciso que se criem instrumentos que obriguem as seguradoras a fazer este tipo de pacote. E só assim é que se atinge o verdadeiro objectivo de tornar a agricultura a base do desenvolvimento do país.
“Normalmente, são seguros subsidiados e o que temos estado a fazer é tentar um seguro agrícola sustentável e que possa também abarcar os pequenos agricultores. Como disse, não é um seguro rentável, mas é determinante para Moçambique”.

E os deputados entendem ser instrumentos importantes para o país, daí que se mostram abertos a colaborarem no que lhes compete, que é legislar. “Há necessidade de elevarmos a fasquia, porque a lei já prevê o seguro de infra-estruturas, mas, neste momento, abaixo de 5% do património do Estado está assegurado. Temos de fazer isto para que as intempéries não nos apanhem em contramão”, explicou António Niquice.

Sobre a saúde da empresa, a Emose informou aos deputados que, no último exercício económico, canalizou 300 dos 600 milhões de Meticais de lucros aos accionistas, dos quais o Estado detém 70%. De 2017 a esta parte, o volume de negócios tem estado a crescer, anualmente, 16%, sendo que, no ano passado, transacionou negócios em torno de 500 mil milhões de Meticais.

 

Tudo indica que o ano 2022 vai continuar a ser de aumentos do preço do petróleo no mercado internacional. Segundo o Banco de Moçambique, entre Janeiro e Março do presente ano, o preço do brent subiu em 49% e o de trigo em 45%, tendência que se espera manter até ao fim do ano.

Trata-se de uma situação que pode agravar ainda mais os preços dos combustíveis no país, tidos, actualmente, como elevadíssimos, se comparados com os que vinham sendo praticados até antes de Novembro do ano passado. Só no próximo ano é que se espera que a situação possa melhorar.

É que com o aumento da pressão sobre os preços de bens administrados, em linha com o aumento do preço de brent, gás e trigo no mercado internacional, impulsionado pelo conflito entre Rússia-Ucrânia, pode repercutir-se no agravamento dos custos de produção e consequente aumento de preços a nível doméstico, segundo o regulador do sistema financeiro.

Só para se ter uma ideia, em apenas três semanas, após a invasão à Ucrânia pela Rússia, o mundo registou um aumento significativo dos preços de gás (4%), do brent (14%) e do trigo (17%).

“Um dos canais de transmissão do conflito Rússia-Ucrânia na economia doméstica é o preço internacional do petróleo, que aumentou em 29,3%, após a eclosão do conflito, para USD 127,98 em apenas sete dias, situando-se acima do pico registado em 2014”, entende o banco central.

E essa guerra acontece num contexto em que a Rússia fornece 40% do gás consumido na União Europeia, e este país e a Ucrânia são responsáveis por cerca de 29% da exportação mundial do trigo, além de serem dos maiores exportadores de fertilizantes e de óleo de girassol no mundo.

Segundo o Banco de Moçambique, o conflito na Ucrânia veio “exacerbar a problemática que o mundo vem enfrentando na cadeia logística internacional, condicionando ainda mais a disponibilidade de bens e serviços a nível global, encarecendo os custos com a importação de alimentos e bens energéticos (brent e gás) a nível externo”.

Tendo em conta a mais recente revisão em alta dos preços dos combustíveis no país, concretamente em Março, nomeadamente, gasolina (12,09%), gasóleo (15,01%), petróleo (4,61%) e gás (13,33%), o banco central espera um impacto directo no nível geral de preços de cerca de 0,87 pontos percentuais entre Março e Abril de 2022, elevando, assim, o custo de vida.

“Considerando o peso dos combustíveis (7,0%) e dos alimentos (34,0%), com destaque para o trigo, com 4,16%, no índice geral de preços no consumidor, os significativos aumentos dos preços destas mercadorias, ao nível global, poderão resultar num aumento dos preços domésticos”, aponta o Banco de Moçambique.

Entretanto, o impacto poderá ser maior devido aos efeitos indirectos que advêm do uso dos combustíveis como matéria-prima em todos os sectores de actividade, com destaque para os transportes, com um peso de 3,82% no cabaz do Índice de Preços do Consumidor, refere o regulador do sistema financeiro.

Entretanto, o banco central alerta que o ligeiro abrandamento da procura externa, a menor volatilidade da taxa de câmbio do Metical, as medidas do Governo com vista a mitigar o impacto da subida de preços de combustíveis, combinadas com o aumento da taxa de juro de Política Monetária pelo Comité de Política Monetária, poderão amortecer a pressão inflacionária, contribuindo para que, a médio prazo, a inflação se posicione na banda de um dígito.

Estas informações constam do relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, que destaca os aumentos dos preços do trigo e seus derivados; semente e óleo de girassol; e adubos e fertilizantes, dos quais o país é importador líquido.

Importa lembrar que, com o agravamento do preço dos combustíveis, Moçambique passou a vender a gasolina a 77,39 Meticais o litro. Mesma quantidade é vendida a cerca de 23 Meticais em Angola, 26 Meticais na Nigéria, 40 Meticais na Etiópia, cerca de 77 Meticais no Botswana, 90 Meticais no Malawi e cerca de 94,5 Meticais na África do Sul.

Citada pelo Notícias ao Minuto, a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, alertou, esta semana, que as recentes sanções aplicadas à Rússia, no âmbito da guerra na Ucrânia, podem fazer disparar o preço do petróleo em todo o mundo, o que penalizaria os EUA e os seus aliados.

Entre as novas sanções, estão medidas contra as importações de petróleo e gás russo em algum momento, como forma de pressionar Moscovo a interromper a invasão da Ucrânia.

Segundo o Notícias ao Minuto, a cotação do barril de petróleo Brent para entrega em Junho terminou hoje no mercado de futuros de Londres em baixa de 5,17%, para os 101,09 dólares.

 

PREÇOS DA GASOLINA NA REGIÃO (VALORES EM METICAIS)

Nigéria – 26.172

Angola – 22.97

Swazilândia – 71.059

Botswana – 77.190

Moçambique – 77.39

Tanzânia – 78.494

Malawi – 90.586

África do Sul – 94.513

O economista Muktar Carimo afirmou que o grande problema para a subida da taxa de juro de referência é a fórmula de cálculo da prime rate. Já o bancário Miguel Jóia defendeu que a medida impede que o sector produtivo seja mais competitivo face a outros mercados.

A semana foi dominada pelo aumento da taxa de juro de referência no mercado interbancário (taxa MIMO), levado a cabo pelo Banco de Moçambique, em dois pontos-base. Os números passaram de 13.25 para 15.25%.

Refira-se que o país iniciou o ano 2020 com a taxa MIMO centrada nos 12.75% e terminou com 10.25%. Já em Janeiro de 2021, o número agravou para os 13.25%, que se manteve o ano inteiro.

Para o economista Muktar Carimo, existe, neste momento, pouco espaço de manobra, para reduzir o actual nível da taxa de juro de referência no mercado interbancário, tida como elevada por vários intervenientes, com destaque para os empresários que actuam no mercado nacional.

“Há factores que não dependem de nós e do Banco de Moçambique. Há factos exógenos que dificilmente se conseguem mexer. Ninguém poderia dizer à COVID-19 para parar de infectar, não podemos controlar a guerra. Para podermos ter uma taxa de juros beneficiada, temos que ter alguma certeza e estabilidade a nível do país”, afirmou Carimo.

O governador do banco central, Rogério Zandamela, explicou que, com a medida, se pretende manter o controlo da inflação para permitir um processo gradual de transição para taxas de juro de um dígito, menos de 10%, num contexto de retoma do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de execução de projectos de gás natural.

E sobre este posicionamento, Carimo não discordou e acrescentou que a falta do apoio ao Orçamento do Estado, nos últimos seis meses, contribuiu significativamente para a subida da taxa visada.

“São sinais que ajudariam o país e o próprio Banco de Moçambique para olharem as coisas de forma diferente. Significa que está a valer a pena investir em Moçambique. A extracção de gás, que vai acontecer, pode ser um factor preponderante para que as taxas possam baixar daqui a algum tempo. Percebo que o banco central está a tentar precaver-se, porque, se olharmos para outros cantos do mundo, os aumentos não foram assim tão elevados, mas acredito que isso terá um impacto positivo na economia do nosso país. Muitos aumentaram na ordem dos 0.25%”, salientou o economista.

Carimo refere que o grande problema para a subida da taxa de juro é a fórmula de cálculo da prime rate.

“Hoje, se o prime estivesse em 10% e eu tivesse um financiamento numa instituição de crédito já contratada com a prime de 18%, teria uma redução automática de 8%”, explicou.

Por seu turno, o bancário Miguel Jóia disse que os dois pontos-bases acrescentados na taxa MIMO cria uma estabilidade maior na economia nacional, mas impede que o sector produtivo possa ser mais competitivo face a outros mercados, tendo em conta que o país está ainda em vias de desenvolvimento.

“O Governo tem os seus problemas, desde a crise das dívidas ocultas, os causados pela COVID-19 até à instabilidade interna provocado pelo terrorismo. Este feito causa uma retração no sector privado e a inflação pode, efectivamente, ter o resultado que o Banco de Moçambique espera alcançar”, defendeu Jóia.

O bancário acrescentou que Moçambique deveria ter ficado mais na expectativa de saber o que iria acontecer ao longo do tempo.

“Nós estamos num sector do combustível, no qual grandes exportadores se propuseram para repor a produção dos combustíveis a nível mundial. Tivemos sinais, também, que o mercado quer ultrapassar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Acho que houve uma pressa por parte do banco central”, frisou o bancário.

Os intervenientes falavam, esta quinta-feira, no programa “O País Económico” da STV e STV Notícias.

Os dados do inquérito PMI do Standard Bank, referentes ao mês de Março último, indicam uma ligeira melhoria das condições de operação no sector privado moçambicano, uma vez que as empresas registaram um abrandamento do crescimento da procura e apenas um ligeiro aumento na actividade.

Segundo a mesma fonte, simultaneamente, os custos dos meios de produção aumentaram pela primeira vez em três meses devido a aumentos nos preços dos combustíveis e matérias-primas. O forte crescimento das contratações levou também a um aumento dos salários dos funcionários, o que se fez sentir junto dos clientes das empresas através do aumento dos preços de venda.

Segundo o PMI, com a ameaça das pressões inflacionárias a prejudicar a produção futura, junto à incerteza global causada pela guerra na Ucrânia, a confiança das empresas atingiu o seu valor mais baixo desde Março de 2021.

“O principal indicador do PMI caiu de 51,2 em Fevereiro para 50,6 em Março, mantendo-se acima do valor neutro de 50,0 pelo segundo mês consecutivo. A diminuição registada no índice surgiu devido a expansões mais fracas na produção, novas encomendas e stocks de aquisições”, refere o documento.

A produção das empresas moçambicanas cresceu pelo segundo mês consecutivo em Março, o que assinala uma recuperação adicional do confinamento da COVID-19 no início do ano. No entanto, o aumento da actividade foi apenas ligeiro.

De acordo com os inquiridos, o impulso de produção foi largamente baseado no volume de novas carteiras de encomendas, que também aumentou em menor escala do que em Fevereiro. Os desempenhos dos sectores foram claramente divididos, com o crescimento de novos negócios no comércio a grosso e a retalho e nos serviços em contraste com as quedas na agricultura, na indústria de produção e na construção.

Os dados de Março também apontam para um novo aumento da pressão dos custos para as empresas moçambicanas. Os preços dos meios de produção em geral aumentaram pela primeira vez em três meses, o que os membros do painel atribuíram ao aumento dos preços do combustível e da matéria-prima, causado pela guerra na Ucrânia.

Em resposta, as empresas aumentaram os encargos com a produção pelo segundo mês consecutivo. Os prazos de entrega dos fornecedores continuaram a melhorar no mês de Março, enquanto as empresas destacavam a maior flexibilidade entre fornecedores. Por sua vez, as empresas aumentaram a aquisição de meios de produção pela primeira vez desde Novembro passado, ajudando a expandir os níveis de stock.

Após uma ligeira queda em Fevereiro causada pela variante Ómicron, as empresas moçambicanas conseguiram apostar na mão-de-obra no final do primeiro trimestre. A subida no emprego atingiu o valor mais alto dos últimos oito meses, contribuindo para um novo aumento ligeiro dos custos salariais.

Por último, as perspetivas para a actividade empresarial diminuíram em Março, como resultado da preocupação com as pressões inflacionárias globais e da guerra na Ucrânia. O sentimento geral esteve no valor mais baixo durante exactamente um ano, mas permaneceu fortemente positivo, com cerca de 57% das empresas a esperarem um crescimento da produção.

Total Eren é a empresa que deverá construir a Central Solar do distrito de Dondo, na província de Sofala. A companhia foi seleccionada dentre cerca de 130 concorrentes nacionais e estrangeiras.

Ano passado, o Governo lançou o concurso para encontrar um investidor interessado no projecto de construção de central de produção de energia eléctrica, no distrito de Dondo, província de Sofala, inserido no Programa Energia Para Todos.

Na primeira fase, cerca de 130 entidades, entre nacionais e estrangeiras, haviam adquirido os cadernos de encargo, no âmbito do programa de leilões lançado pelo Governo.

No processo de pré-qualificação, foram pré-denominados cinco potenciais investidores, entre os quais a Total Eren e a Globeleq Africa Holding Limited se destacaram pelas capacidades técnicas e financeiras de que detêm.

Dos dois participantes na fase final do concurso, o júri multissectorial, citado pela ARENE, consagrou a Total Eren como vencedora do leilão, por alegadamente apresentar soluções de menor custo de aquisição.

“A Total Eren SA é que apresentou as melhores propostas técnica e financeira, consagrando-se, portanto, de acordo com a avaliação do júri, no concorrente vencedor para implementação do projecto de construção da Central Solar do Dondo”, lê-se no documento da ARENE.

Para além da Central do Dondo, o Programa de Leilões em Energias Renováveis para Todos prevê a construção de mais três centrais, sendo duas com base em fonte solar, uma em Chiúta, na província de Tete, outra em Lichinga, província de Niassa, e uma central eólica em Jangamo, na província de Inhambane.

O país pretende gerar cerca de 120MW de energia com recurso a fontes renováveis, valor este que deve contribuir para consolidar a posição de Moçambique como líder na produção de energia limpa na África Austral.

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