O País – A verdade como notícia

Economistas alertam que a contínua subida generalizada dos preços dos produtos alimentares e serviços poderá excluir parte da população do consumo de produtos de primeira necessidade e piorar a desigualdade social no país.

Os preços dos produtos e serviços continuam a subir de forma acentuada no país. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) apontam que a inflação acumulada se situou em 5,56% em Maio e a homologa em 9,31%.

Uma realidade que, para a economista Estrela Charles, mostra que a política monetária do Banco de Moçambique não está a ser capaz de controlar as variações dos preços, por não ser acompanhada de outras políticas do Governo para assegurar o poder de compra dos cidadãos.

Charles explica que a falha está na falta de acompanhamento de boas medidas da política fiscal e estratégias do Executivo em relação à protecção social, para garantir uma cesta básica à população.

A prevalecer este cenário, a economista prevê um colapso da economia. Ou seja, um cenário em que parte da população será privada de consumir certos produtos de primeira necessidade.

A economista alerta que a prevalência da redução do poder de compra cria outros problemas no país, com destaque para a exclusão de alguma camada da população no acesso ao transporte e alimentação.

“Isso agudiza ainda mais o problema do grupo daqueles que são mais sufocados pela inflação, os que têm rendimento mais baixo e têm tendência de sofrer cada vez mais com a subida do nível de preços. Temos, do outro lado, a população privilegiada que tem um nível de rendimento maior, que dedica uma parte do rendimento a produtos alimentares. Portanto, com estes níveis, a desigualdade social será maior”, explicou.

Na visão da economista, esta conjuntura pode provocar conflitos e descontentamentos sociais, por isso, no seu entender, o Governo deve tomar medidas assertivas, garantir que a família tenha uma cesta básica e transporte condigno.

Charles entende que a evolução da inflação influenciou negativamente as projecções micro e macro-económicas de um ano que se projectava promissor, a olhar para os investimentos na área de gás, com a implantação da plataforma flutuante de liquefacção na bacia do Rovuma.

“Todos os indicadores para a construção do nosso Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2022 estão desajustados por conta da inflação. Ainda estamos a meio do ano e já registámos uma inflação de 9,31%, que, analisada de forma desagregada, mostra outra realidade”, explicou.

Os dados do Índice de Preço ao Consumidor do INE mostram que as divisões de alimentação, bebidas não-alcoólicas e transportes foram as de maior destaque, que, de forma isolada, subiram em cerca de 14%.

Interpretando os dados, o economista Egas Daniel entende que, na “economia real”, a inflação já atingiu os dois dígitos, porque estes dois indicadores são cruciais na medição da capacidade de compra do cidadão, pelo que julga que devem ser tomadas medidas arrojadas.

“De Janeiro a Maio, a inflação subiu 1% a cada mês, fazendo um cálculo estimado, considerando a manutenção da tendência, até ao fim mês a inflação acumulada será de 12%. Todos esses factores aumentam o risco de a inflação desafiar a meta implícita do Banco de Moçambique de manter a inflação a um dígito”, disse, para de seguida acrescentar que “se nós considerarmos o que tem mais peso no bolso do cidadão, a inflação para essa categoria é de quase 14%, o que quer dizer que, na realidade, o cidadão comum pode estar a enfrentar restrições significativas no que diz respeito à compra de bens básicos, nem vamos falar das famílias que vivem abaixo da linha da pobreza”.

Para o economista, as famílias ainda vão enfrentar situações mais difíceis. Entretanto, Egas Daniel prefere não atribuir culpa ao Banco Central, regulador do sistema financeiro, apesar de as tentativas de controlar a inflação se mostrarem, por vezes, com falhas.

Isto equivale a dizer que, de Maio a esta parte, reduziu de forma crítica a capacidade de compra do cidadão na economia.

O economista invoca choques externos e inflação importada, por conta da tendência internacional de preços que se mostram acima das capacidades das ferramentas internas.

“Não diria que o Banco de Moçambique está a falhar nas metas ou nos instrumentos, mas diria que os nossos instrumentos têm uma limitação para influenciar as ofertas externas”, afirmou Daniel.

O índice evidencia que, nas três principais urbes do país, a cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 11,31%, seguida da cidade da Beira com cerca de 8,68% e, por último, a Cidade de Maputo com 8,52%.

O subsector do caju cresceu 14% no país, em comparação com o ano anterior, e as famílias produtoras encaixaram 89 milhões de dólares. No geral, a contribuição do subsector de amêndoas no PIB da agricultura foi de cerca de 23%.

A produção da castanha de caju em Moçambique deu um salto significativo no ano passado, de acordo com o balanço da campanha 2021-2022, apresentado ao Conselho de Ministro na última terça-feira.

Das metas previstas para a campanha 2021-2022 em todo o país, a província de Nampula destaca-se por ter produzido mais de 82.253 toneladas das 74.500 previstas.

Apesar do terrorismo, Cabo Delgado está em segundo lugar, com 24.849 toneladas produzidas, numa estimativa total de 26 mil.

Zambézia, Inhambane e Gaza também superaram as metas previstas. Ao todo, foram comercializadas 146.690 toneladas, e as exportações renderam 111,6 milhões de dólares, apesar do agravamento dos custos de transporte marítimo e a escassez de navios e contentores nos recintos portuários, por conta da pandemia da COVID-19.

No que diz respeito aos benefícios para os produtores familiares, estes encaixaram 89 milhões de dólares. O preço médio ao produtor passou de 19 Meticais para 39 Meticais por quilo.

A cadeia de valor das amêndoas envolve 1,4 milhões de famílias moçambicanas, 47 empresas e emprega 14.960 trabalhadores, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Amêndoas e Oleaginosas.

O volume de negócios actual é de cerca de 220 milhões de dólares por ano, e prevê-se, até 2030, cerca de 500 milhões de dólares anualmente.

Segundo o Instituto Nacional de Amêndoas e Oleaginosas, existem, no país, 10 fábricas de processamento de castanha de caju.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia está a afectar as actividades no Porto da Beira, pois o volume de carga manuseada de Março até princípios deste mês diminuiu cinco por cento, comparativamente ao igual período nos últimos dois anos.

Ano passado, o Porto da Beira registou volumes recordes ao manusear 278 mil contentores, contra 255 mil manejados em 2020. Ao nível do terminal de carga geral, foram manuseadas, em 2021, 3,3 milhões de toneladas, contra 3,1 milhões de toneladas registadas em 2020.

Devido à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o decréscimo registado nos últimos tempos é de menos cinco por cento do volume de carga manuseada, em relação ao mesmo período do ano passado.

O administrador da Cornelder de Moçambique, operadora do terminal do Porto da Beira, disse haver um novo lote de equipamento moderno de manuseamento de cargas e de um sistema informático denominado C-Gate, cujo investimento está avaliado em cerca de 10 milhões de dólares norte-americanos, o que vai proporcionar uma nova dinâmica no manuseamento de carga naquele importante porto que serve aos países do Interland e outros.

Em relação ao sistema informático C-Gate, o responsável afirmou que usa a inteligência artificial e permite automatizar o controlo de acesso dos camiões ao porto em tempo real.

O novo equipamento entrou em funcionamento esta sexta-feira, numa cerimónia dirigida pelo Ministro dos Transportes e Comunicações.

Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que o Banco de Moçambique (BM) deve minimizar os conflitos entre a estabilidade financeira e dos preços para a resistência do sistema económico. A informação foi avançada, esta sexta-feira, na abertura da 13ª edição das jornadas científicas do banco central.

A estabilidade financeira e dos preços é o centro de debate da décima terceira edição das jornadas científicas do banco central. O objectivo é incentivar a discussão e aprofundamento do conhecimento sobre os riscos macrofinanceiros.

“A existência da estabilidade financeira sob a forma de crises financeiras para resolver problemas de solvência de liquidez, por exemplo, no sistema bancário ou no sistema de empresários não- bancários tem implicações negativas sobre a capacidade dos bancos centrais e da política monetárias assegurarem a estabilidade de preços e macroeconómico”, esclareceu o vice-chefe da Divisão de Políticas Monetária e Macroprudencial do Fundo Monetário Internacional, Luís Brandão.

As jornadas Científicas do Banco de Moçambique retomam após dois anos de paralisação devido a COVID-19.

“Este tema enquadra-se no novo paradigma em que as políticas monetária e macroprudencial fazem parte das políticas de gestão macroeconómica dos bancos centrais, e uma vez que o nosso sistema financeiro não está imune aos riscos macrofinanceiros, o Banco de Moçambique inclui nas suas ferramentas de gestão macroeconómica, a política macroprudencial” explicou o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.

Para a décima terceira edição das jornadas científicas do Banco de Moçambique, cujo tema é “Interacção entre as Políticas Monetária e Macroprudencial em Moçambique” foram selecionados dois trabalhos de pesquisa, de um universo de 16.

Arranca já na próxima semana, 15 de Junho, a vigência da Tabela Salarial Única, aprovada com vista a harmonizar a disparidade dos salários na função pública. Assim, a partir do mês de Julho, o peso dos salários “nos cofres do Estado” será maior, na ordem de 13 a 19 por cento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o Governo.

O instrumento do Governo prevê a harmonização de critérios para a definição de salários na função pública, colocando no centro da fórmula as habilitações literárias, antiguidade, carreira e idade. Entretanto, os efeitos começam a fazer-se sentir no bolso dos colaboradores da função pública em Julho.

A implementação desta nova tabela salarial obedece aos 21 níveis determinados pela lei que define as regras e critérios para fixação da remuneração de funcionários e agentes do Estado e demais servidores públicos, sendo o mais alto, o salário do Chefe de Estado, que também passa a ser usado como base para o cálculo da remuneração e subsídios aos titulares de órgãos públicos.

O processo de adequação vai impactar no bolo do Orçamento do Estado destinado ao pagamento de remunerações. Entretanto, o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, interpelado pela imprensa, não revelou o valor global, mas abordou um impacto entre 13 e 19% do Produto Interno Bruto (PIB).

Porém, aquando da submissão da proposta e aprovação da lei pelo Parlamento, o antigo titular da pasta, Adriano Maleiane, precisou que a implementação da tabela custaria cerca de 19 mil milhões de Meticais, um encargo para o qual o Governo assume estar preparado.

“O Plano Económico e Social e Orçamento do Estado aprovado para este ano contempla recursos para este fim e, portanto, o Estado estará em condições de cumprir o que está previsto no plano de 2022. A nossa perspectiva é trabalhar no sentido de haver uma estabilização do peso do incremento, de modo a permitir que o Estado tenha mais folga fiscal para promover investimentos”, explicou Max Tonela, falando à imprensa.

A implementação do instrumento, que vem reduzir as cerca de 103 tabelas que vigoram no sistema de remuneração no Aparelho do Estado, levanta dúvidas sobre as perspectivas do Governo em relação ao orçamento para o pagamento dos salários.

Na data da aprovação, o antigo ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, disse que a harmonização vai reduzir o peso dos cerca de 13% do PIB para 8%, nos próximos três anos. Posição que contrasta com o aumento esperado, anunciado pelo actual ministro do sector que é de até 19% do PIB.

Aliás, o Relatório de Execução Financeira de 2021 evidencia que as Despesas de Funcionamento (das quais fazem parte os salários) absorveram o equivalente a 75,3% das despesas totais do Governo. Entretanto, as projecções do Ministério da Economia e Finanças apontam para uma redução da despesa de funcionamento do Estado em 2022.

Por outro lado, o Governo poderá acrescer na sua despesa de salários, mais 2,8 mil milhões de Meticais, com a admissão de 16.465 funcionários e agentes de Estado, de acordo com os dados do Plano e Orçamento do Estado 2022, edição número 11, publicação do Ministério da Economia e Finanças.

 

SALÁRIOS DO PR, PAR, PGR E MINISTROS VÃO SUBIR

À luz da nova tabela, o presidente da Assembleia da República vai auferir mensalmente um vencimento correspondente a 80% do salário do Presidente da República, acrescido de subsídio de representação equivalente a 30% do respectivo vencimento.

Os mesmos valores são aplicados aos presidentes dos Tribunais Supremo, Administrativo e do Conselho Constitucional, bem como ao Procurador-Geral da República.

O Primeiro-Ministro passa a auferir um ordenado mensal correspondente a 77% do salário do Presidente da República, acrescido de subsídio de representação equivalente a 30% do respectivo vencimento e os deputados da Assembleia da República recebem, por mês, o correspondente a 75% do ordenado do Chefe de Estado.

Os ministros e o director-geral do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) auferem, mensalmente, um vencimento correspondente a 75% do salário do Presidente da República, acrescido de subsídio de representação equivalente a 30% do respectivo vencimento.

Para os restantes níveis, será tomado em consideração o enquadramento em função dos quatro critérios supracitados, mas, segundo o Governo, é salvaguardado o princípio da irredutibilidade salarial.

O ajuste acontece num contexto de elevado custo de vida, impulsionado pela subida generalizada dos produtos de consumo alimentar, serviços essenciais e combustíveis, fenómeno desafiador ao trabalhador do Estado que aufere salário mínimo, que, para o sector das pescas, por exemplo, é de 4.591 Meticais.

Recorde-se que o instrumento elaborado pelo Ministério da Economia e Finanças foi aprovado por consenso pelas três bancadas em finais de 2021 e promulgado pelo Presidente da República em Janeiro de 2022.

Moçambique ainda tem níveis insuficientes na transparência orçamental, com uma pontuação de 45 de um total de 100. A informação consta do relatório da pesquisa internacional sobre o Orçamento Aberto.

A não disponibilização dos documentos orçamentais em tempo útil e a forma como são
apresentados os conteúdos fazem com que a pontuação de Moçambique esteja abaixo do nível considerado adequado para transparência orçamental, afirma a Internacional Budget Partnership.

Apesar de o país permanecer a um nível abaixo do recomendado na transparência orçamental, se comparado ao ano de 2019, Moçambique registou um incremento de três pontos em 2021 e a pesquisa revela as causas.

“Moçambique aumentou a disponibilidade de informação orçamentária ao publicar a Declaração Pré-Orçamental por via electrónica em tempo hábil”. Entretanto, a pesquisa indica que o país precisa de trabalhar no envolvimento das comunidades vulneráveis.

“O Ministério da Economia e Finanças de Moçambique estabeleceu consultas públicas durante a formulação do orçamento, mas, para fortalecer ainda mais a participação pública no processo orçamental, também deve ampliar os mecanismos durante a formulação do orçamento para qualquer organização da sociedade civil, promover de forma activa a participação de comunidades vulneráveis e sub-representadas, directamente ou através de organizações da sociedade civil que as representam”, revela a Internacional Budget Partnership.

O relatório vai mais longe ao afirmar que “o Governo, a Assembleia da República e o Tribunal Administrativo não criam espaço para que o cidadão possa participar em todo processo orçamental”.

Na fiscalização dos processos orçamentais, Moçambique teve uma pontuação de 44/100, menos seis pontos quando comparado com o ano 2019, o que mostra que o país regrediu na fiscalização da execução orçamental por parte do Tribunal Administrativo e da Assembleia da República.

A nível internacional, o país ocupa a 62ª posição, seguida do Zimbabwe, que possui 56 pontos e África do Sul com 86.

Consta, ainda, do documento que o Estado não produz, há três anos, a actualização sobre a execução do orçamento no meio do ano, com a revisão dos pressupostos macro-económicos e uma previsão actualizada dos resultados orçamentais.

Estima-se que uma pontuação de 61 ou mais indica que um país publica, provavelmente, material suficiente para sustentar um debate público bem informado sobre o orçamento.

Os mega-projectos no país registaram um prejuízo global de mais 56,6 mil milhões de Meticais em 2021, o que representa uma redução em 55,5% relativamente ao período de 2020, segundo indica um relatório, recente, do Ministério da Economia e Finanças.

De acordo com a Conta Geral do Estado de 2021, relatório produzido pelo Ministério da Economia e Finanças, os mega-projectos tiveram um prejuízo global de 56 623,24 milhões de Meticais (USD 887,09 milhões), em relação a 2020, e o Executivo aponta as causas.

“Os resultados negativos apurados foram influenciados pelos projectos das empresas MidWest África, Minas de Revúboè e Ncondezi, no valor de 87 181,42 milhões de Meticais (1365,84 milhões de dólares), com destaque para MidWest África, que apresenta um prejuízo de 87 081,77 milhões de Meticais (1364,28 milhões de dólares americanos)”, explica o Ministério da Economia e Finanças.
Contudo, o documento assegura que os mega-projectos canalizaram nove mil milhões de Meticais aos cofres do Estado, equivalentes a 3,4% da receita total de 2021, o que corresponde a um aumento de 53,0% em relação à contribuição fiscal do ano 2020.

“Deste montante, 1687,81 milhões de Meticais resultam do pagamento do IRPS; 4721,15 milhões de Meticais do IRPC; 562,54 milhões de Meticais do IVA; 2122,4 milhões de Meticais de outros impostos”, detalhou o Ministério da Economia e Finanças.

O relatório revela ainda que os mega-projectos também reduziram o seu volume de negócios, com as Pequenas e Médias Empresas (PME) na ordem de 75,6%, ao registarem 7,8 mil milhões de Meticais em negócios, contra um volume de negócios de 32,2 mil milhões de Meticais, no ano 2020.

Entre os factores que ditaram esta redução está a paralisação dos projectos da TotalEnergies, em Cabo Delgado, devido aos ataques terroristas na vila-sede do distrito de Palma, bem como a saída da Vale Moçambique do negócio de carvão, em Moatize.

A Conta Geral do Estado 2021 refere, também, que, ano passado, os mega-projectos contrataram apenas 355 PME para o fornecimento de bens e prestação de serviços, contra 446 registados em 2020, representando, assim, uma redução de cerca de 20,4%.

Na criação de postos de trabalho em 2021, os empreendimentos de grande dimensão ou mega-projectos e as concessões empresariais empregaram 8565 trabalhadores em 2021, contra 6444 em 2020, equivalente a um aumento de 32,9%, relativamente ao ano anterior, dos quais 7837 são nacionais e 728 estrangeiros. Destaca-se a Vale Moçambique, que empregou 4625, correspondente a 49,8% do total dos trabalhadores e, ainda, as areias pesadas de Moma e Mozal com 1543 e 1114, respectivamente.

O volume de negócios realizado em 2021 é inferior ao de 2019, que estava fixado em 23,4 mil milhões de Meticais. Todavia, só em 2018, registou-se o maior volume de negócios dos últimos cinco anos (de 2017 a 2021), tendo-se fixado em 33,1 mil milhões de Meticais.
Refira-se que as PME têm, frequentemente, reivindicado a falta de oportunidades de negócios junto dos mega-projectos, devido à ausência de uma Lei de Conteúdo Local, assim como a falta de incentivos fiscais e elevadas das taxas de juro.

Os empreendimentos de parcerias público-privadas (PPP), em exploração no país, compreendem um total de 15 projectos, entre os quais está a área ferro-portuária, que se destaca com 33%, a de energia e a das estradas.

Segundo o documento, as Parcerias Público Privadas (PPP) apresentaram um resultado líquido positivo de 18 448,21 milhões de Meticais, sendo importante destacar a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, com uma contribuição de pouco mais de 10 mil milhões de Meticais, correspondente a 54,9%.

“Os projectos de Portos de Maputo e Beira, Estradas do Zambeze, EN4, Rede Viária de Moçambique, Gestão de Terminais, Central Eléctrica de Ressano Garcia Gigawatt, Central Térmica de Ressano Garcia, Central Solar de Mocuba, Mozambique Community Network, SA, Corredor Logístico Integrados de Nacala e Security Mozambique, Lda registaram resultados positivos no período”, lê-se no documento do Governo.

Depois de Nampula e Niassa, ontem foi a vez de Cabo Delgado reunir-se para debater o modelo de transformação económica baseado no cooperativismo, uma iniciativa da Autoridade Tributária de Moçambique (AT), em parceria com a Associação Moçambicana para o Cooperativismo Moderno.

Diversos actores da cadeia de produção, nomeadamente, produtores, comerciantes, financiadores e Governo local estiveram ontem reunidos na cidade de Pemba, para reflectir sobre a melhor forma de assegurar a maximização da produção em Cabo Delgado, bem como a arrecadação de receitas para o Estado.

Falando na cerimónia de abertura, o governador de Cabo Delgado começou por saudar a Autoridade Tributária de Moçambique pelos avanços tecnológicos do sistema tributário moçambicano, bem como pela definição de estratégias para sustentabilidade das actividades do Estado.

“Através do cooperativismo, estará assegurado o alargamento da base tributária e arrecadação de mais receitas”, disse Valige Tauabo, para quem as cooperativas viabilizam novas formas de negócio e asseguram a justiça social nos sectores da economia rural e, por isso, “geram riqueza rural e impacto nas comunidades locais, através da utilização de estruturas participativas, dinamizando o meio onde actuam”.

Por seu turno, a presidente da Autoridade Tributária de Moçambique começou por lembrar que a instituição que dirige, “na qualidade de responsável pela arrecadação de receitas para os cofres de Estado, tem como uma das suas atribuições propor plataformas para integração económica, e o cooperativismo moderno é uma delas”.

Amélia Muendane saudou os participantes do encontro e disse que aquela era uma oportunidade para “reduzir o estigma que ainda existe entre a AT e os contribuintes, muitas vezes os funcionários são vistos como fiscais e auditores do negócio dos contribuintes. Nós somos mais do que isso, o sistema tributário visa assegurar a redistribuição da produção e, desta forma, revigorar a economia”.

Amélia Muendane disse que a melhor forma de maximizar a produção de Cabo Delgado passa pela organização do sector produtivo em cooperativas. “Cabo Delgado tem potencialidade para produzir e 86,6% da sua população dedica-se à agricultura. É preciso transformar este potencial em riqueza e precisamos de uma organização produtiva, por isso o conceito de cooperativismo”, referiu.

Segundo a presidente da AT, esta abordagem de cooperativismo moderno “é um modelo de organização económica que permite ter mais poder para negociar a vida económica como pequena, média ou grande organização económica. Este modelo tem validade para o sector informal, pequenas, médias e até grandes empresas, entre outras que adquirem uma única plataforma para se colocarem no mercado”.

O cooperativismo moderno, segundo a fonte, “visa também assegurar que os produtores se ocupem exclusivamente da produção, e a gestão da cooperativa tem a responsabilidade de fazer marketing e pesquisa do mercado para colocar o produto”. Cabe ao gestor da cooperativa “assegurar o acesso ao crédito e aos mercados e negociar o preço, o que vai permitir redobrar a capacidade de investimento e crescimento económico”, referiu.

Amélia Muendane lamentou o facto de alguns intermediários comerciais estarem a tirar dividendos da falta de organização do sector produtivo, tomando como exemplo a produção e comercialização de Gergelim em Cabo Delgado.

“Este produto é colocado a preço baixo no mercado internacional, porque os intermediários fazem negociação individualmente com os produtores, mas, se estes estivessem organizados em cooperativas, os resultados seriam diferentes, porque o gestor da cooperativa tem a ideia daquilo que o mercado oferece por este ou aquele produto” referiu.

Segundo Amélia Muendane, o modelo de transformação económica proposto pela AT visa assegurar que os produtores nacionais tenham poder para negociar o preço, aliás, “o nosso negócio só tem”, lembrou, “validade quando traz lucro”.

Amélia Muendane lamentou o facto de a madeira produzida em Moçambique ser exportada em toros em esquemas fraudulentos e a solução, segundo disse, está no “cooperativismo que deve assegurar a cadeia de produção e transformação da madeira. Devemos assegurar, através das cooperativas, que a madeira seja transformada em Moçambique”.

Segundo a fonte, a preocupação com o lucro, de muitos intermediários comerciais, mina o interesse comum dos moçambicanos, “o contrabando da madeira prejudica a nossa economia e bem-estar. Se o Estado não tem dinheiro para construir estradas, o produtor não terá como colocar produto a preço de concorrência. O que contribuímos para o Estado tem retorno para nós”.

No quadro do Programa Nacional de Desenvolvimento Cooperativo, a AT está, neste momento, a mapear o problema do sector de produção em todo o país e, em 2023, iniciar-se-á a implementação efectiva desta plataforma em coordenação com vários intervenientes no sector de produção, transformação e comercialização da produção nacional.

A Transitex abriu, recentemente, um escritório na Índia, com o objectivo de impulsionar trocas comerciais entre Moçambique e o país asiático. A empresa refere que o carvão e o feijão são alguns dos principais interesses da Índia em Moçambique.

Trata-se de um operador logístico e transitário, especializado no transporte internacional de carga porta-a-porta. Com uma nova instalação na Índia, a Transitex pretende fortificar as trocas de bens e produtos entre Moçambique e o país da Ásia.

“O objectivo da Transitex, nesta iniciativa, é contribuir para o crescimento da parceria económica entre os dois países”, refere a empresa em comunicado de imprensa.

O operador logístico revela, ainda, que o carvão e o feijão são alguns dos principais interesses da Índia em Moçambique, que exportou cerca de 1,5 milhões de toneladas para aquele país asiático só no ano passado.

Implantado em Moçambique há 13 anos, a Transitex consolidou a sua expansão no mercado nacional, fruto da forte aposta e investimento feitos entre 2019 e 2020. Hoje, a empresa conta com uma equipa de 100 colaboradores, distribuídos por Maputo, Beira, Nacala, Nampula e Pemba, apoiada por uma estrutura que inclui seis armazéns de Norte a Sul do país e uma frota rodoviária.

“A decisão de abrir uma filial em Nova Deli, capital indiana, partiu da necessidade de garantir aos clientes da Transitex a prestação de serviços de referência, através de uma equipa própria na origem e no destino da carga”, refere a direcção da empresa.

Com efeito, Nova Deli é agora a mais recente localização da empresa e é também o seu segundo escritório no continente asiático, após a sua implantação na China, em 2015.

“A Índia é um gigante em ascensão e relações comerciais com todos os países em que a Transitex está presente.  Esse facto, aliado à nossa vontade de servir os nossos clientes, leva-nos a ser ousados e a investir sem hesitação neste mercado. A abertura da Transitex Índia foi um exercício de gestão planificada e projectada em função da nossa visão para a operação”.

As projecções do operador logístico ilustram que, após a entrada na Índia, o volume de negócios da empresa podem registar um crescimento de 20% a nível global.

Todavia, a empresa realça que o mercado indiano tem estreitas relações comerciais com países nos quais a empresa já está presente, com destaque para os mercados africanos, nomeadamente, Tanzânia (em 2020, do valor total das exportações do país, 15,1% teve como destino a Índia), Moçambique, Malawi e África do Sul.

+ LIDAS

Siga nos