O País – A verdade como notícia

O Primeiro-Ministro diz que não há subsídio sustentável, porque, quando aplicado na generalidade, acaba por beneficiar pessoas de que não necessitam. Adriano Maleiane afasta, assim, a hipótese de se subsidiar o preço dos combustíveis e do pão, apesar da crise que já abala milhares de famílias.

A actual escalada de preços das principais commodities no mercado internacional está a baralhar as contas do Governo na gestão da economia nacional e o combustível é o principal motor dessa crise. O decreto n.º45/2012, de 28 de Dezembro, prevê a actualização do preço dos combustíveis sempre que as variações no mercado internacional forem relevantes, e o Executivo de Filipe Nyusi congelou o preço por muito tempo, o que implicou a acumulação de perdas para as gasolineiras.

Tendo em conta os custos do barril do petróleo no mercado internacional, as gasolineiras estimam que a gasolina, por exemplo, devia custar 97,19 Mt/litro, mas está a ser vendida ao público a 77,39 Mt. O gasóleo, dizem os importadores, devia custar 97,26 Mt/litro, mas é vendido a 70,97 Mt.

Face a esta situação, o Governo é que está ou deve pagar a diferença e, neste momento, tem uma factura de mais de 120 milhões de dólares por compensar às gasolineiras.

O Primeiro-Ministro está na província de Nampula para uma visita de trabalho de três dias e foi perante empresários que deixou claro que os subsídios não são sustentáveis. “Temos que saber como é que gerimos a crise, que é esta coisa de subida do preço do combustível. Uns dizem que o Estado deve fazer subsídio, mas vamos ser honestos: não há subsídio sustentável porque para dar tem que sair do imposto e como é que vai buscar o imposto se as empresas também não funcionam. Dar subsídio a gasolineiras não é solução porque naquela bomba compramos todos nós – ricos, pobres, compram ao mesmo preço -, mas não isso que a gente quer. O Estado quer dar o subsídio a aquele que efectivamente precisa. O mesmo também tem a ver com o pão, por causa do trigo. Subsidiar a padaria não é sustentável porque toda a gente vai comprar aquele pão subsidiado, mas não é isso que o Governo quer. O Governo quer subsidiar àquele que não pode”

Subsidiar os preços para os mais vulneráveis implica reforçar a assistência social, outro desafio para o Governo. E porque Adriano Maleiane está na chamada “capital do norte”, dos empresários ouviu mais queixas.

Yonus Gafur actua em várias áreas do comércio e da indústria de processamento da castanha de cajú em Nampula. A sua preocupação tem a ver com a demora no reembolso do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado): começando pela tristeza de pagarmos vários impostos e reavermos do negócio feito que é o ministério do reembolso. Já era altura de sentirmos este conforto e apelo, por favor, para se ver este assunto.

Adriano Maleiane conhece muito bem o assunto porque até há bem pouco tempo era ministro da Economia e Finanças, sendo que garantiu que está na lista de prioridade das prestações que o Governo deve fazer, só que lembrou que é preciso que a Assembleia da República legisle sobre o prazo para a remissão dos pedidos de reembolso do IVA, porque até aqui não há prazos legalmente estipulados para a prescrição do direito a esse pedido, o que faz com que alguns empresários deixem passar anos sem exercerem esse direito, deixando um passivo por muito tempo para o Governo.

A direcção das Linhas Aéreas de Moçambique ainda não tem um plano para a reestruturação da dívida e espera que venha do IGEPE. João Pó Jorge assumiu, hoje, um compromisso de melhorar as contas da empresa até 2023.

Nas suas habituais visitas às empresas públicas e participadas pelo Estado, a Comissão de Plano e Orçamento da Assembleia reuniu-se, ontem, com a direcção da LAM para ouvir dela que estratégias serão aplicadas para tirar a empresa da falência técnica há muito assumida.

Sucede que, na verdade, a LAM não parece ter isso no seu controlo, sobretudo no que à dívida diz respeito. Na visita que a mesma Comissão efectuou ao Instituto de Gestão das Participações do Estado, foi noticiado que a LAM tem uma dívida avaliada em sete mil milhões de Meticais. E é sobre isso que a LAM não sabe o que fazer.

“Parte dessas dívidas temos estado a pagar, mas o grande volume dessa dívida não estamos a conseguir sanear, porque ainda não temos um plano de reestruturação, mas estamos a trabalhar com o IGEPE para reestruturar a dívida para fazer o pagamento em prazo mais longo e depois suportar essa dívida com os nossos próprios recursos”, explicou o director-geral da LAM, depois do encontro com os deputados.

Pó Jorge foi empossado em 2018, na altura, com a clara missão de salvar a LAM em três anos. Não fez e a culpa é atribuída à COVID-19. Aliás, em 2020, com o primeiro pico da COVID-19, no segundo trimestre, houve uma queda nas receitas de 72%.

“Quando começou a reestruturação, em 2018, nós queríamos em cerca de três anos atingir o break even, devido à COVID-19, isso não foi possível e pensamos que, em 2023, dependendo da velocidade com que a economia se vai recuperar, podemos atingir esse break even e isso exige muita disciplina financeira e muita regra na operação da empresa”, comprometeu-se.

E por falar em planos, a empresa tem em perspectiva aumentar a sua frota até 2030. Neste momento, a empresa opera com sete aeronaves. São dois Boeing 737-700 e três Embraer ERJ145. Há mais dois Bombardier Dash 8-Q400 e mais dois da mesma marca que deverão chegar na segunda metade do ano, quando as aeronaves deverão ser nove, distribuídas entre a própria LAM e as subsidiárias.

Mas, lançando um olhar para mais adiante, a direcção tem um plano mais ambicioso. Até 2030, a LAM deverá contar com 21 aeronaves. Até lá, deverá ser descontinuado o uso de Embraer e vai optar-se por Boeing (12) e Bombardier Dash (9). Com isso feito, a perspectiva é, também, entrar nas rotas há muito não exploradas pela LAM, como Lisboa e Dubai.

Para além da gestão do tesouro, os deputados fizeram grandes críticas à qualidade dos serviços que a companhia de bandeira tem estado a prestar aos seus passageiros.

A África Subsaariana protagoniza em Rimini, na Itália, de amanhã até sexta-feira, a 39ª edição do Macfrut, exposição global dedicada às frutas e legumes.

O sector das frutas e legumes do continente africano estará no centro de muitos eventos durante os “Dias de África” e Moçambique vai marcar presença através de sete empresas do ramo, à frente do Quénia e Senegal, com seis, respectivamente.

O Macfrut constitui uma oportunidade única para empresários africanos encontrarem a excelência italiana na cadeia de fornecimento, estabelecerem uma rede com clientes e investidores internacionais, apresentarem os seus produtos numa importante montra, expandirem as suas oportunidades de exportação e acederem a tecnologias melhoradas.

Sob a coordenação da sede em Roma, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) em Nairobi, Dakar e Maputo trará ao salão internacional de frutas e vegetais os mais emblemáticos sabores africanos, desde as mangas, às líchias e aos cajus do Quénia, Moçambique e Senegal.

Das sete empresas moçambicanas presentes no evento, quatro foram seleccionadas em colaboração com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNIDO), duas em colaboração com o Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural (Fundo Público) FAR-FP e uma em parceria com a NOVAMONT S.p.A.

Trata-se de empresas que se dedicam à transformação e comercialização de sementes e frutos como o abacate, a líchia e a manga.

Um pesquisador do Instituto de Investigação Agrícola de Moçambique (IIAM) e um professor do Instituto Politécnico de Manica (SPM) estarão também presentes.

“Actualmente, estamos empenhados com cerca de 69 milhões de euros no sector, incluindo iniciativas em curso (também em colaboração com actores internacionais, como a UNIDO) e as que serão lançadas em breve, com uma abordagem sinérgica para uma melhor gestão das principais cadeias de abastecimento agrícola local (em particular, frutas e legumes). A participação de entidades públicas e privadas de Moçambique em Macfrut é uma importante oportunidade de crescimento, não só para as pessoas directamente envolvidas, mas sempre numa abordagem sinérgica para todos os actores que trabalham com a Cooperação Italiana para o Desenvolvimento no sector, particularmente na província de Manica”, disse Paolo Enrico Sertoli, chefe do Gabinete da AICS em Maputo.

Por ocasião do Dia Internacional do Trabalhador, a Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique redigiu uma mensagem na qual incentiva as empresas, que têm capacidade, a pagarem mais do que o salário mínimo aprovado.

“Sendo as taxas de reajuste salarial as possíveis e máximas a que os empregadores poderiam comprometer-se, e tendo em conta que há alguns que declaram capacidade de pagar, a CTA incentiva estas empresas a não ficarem pela taxa de reajuste salarial aprovada e que possam reajustar de acordo com as suas capacidades”, lê-se na mensagem da CTA, enviada à nossa Redacção.

As taxas de reajuste salarial recentemente aprovadas variam de 3,09% para o Subsector de Segurança Privada, que foi a mais baixa, e 7%, no Sector 1, da Agricultura, que foi a mais alta. Em média, a taxa de reajuste salarial foi de 5,4%.

De acordo com o representante do sector privado, estes reajustes mostram o contexto difícil pelo qual passam as empresas, “e constitui um grande esforço para, por um lado, corrigir os efeitos de corrosão do poder de compra dos trabalhadores, e, por outro lado, manter os postos de trabalho”.

A CTA refere, ainda, que o reajuste salarial poderá afectar toda a estrutura salarial das empresas, dada a necessidade de ajustar os salários das posições cimeiras.

Governo vê o aumento dos preços do gás como uma oportunidade para projectos acelerados, disse o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, numa entrevista realizada semana finda em Washington, nos Estados Unidos da América.

Moçambique planeia estabelecer um fundo soberano de riqueza no final deste ano, uma vez que se prepara para iniciar as exportações de gás natural que, segundo o Governo, poderá gerar 96 mil milhões de dólares de receitas para a terceira nação mais pobre do mundo.

Segundo o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, para garantir o sucesso do plano, há necessidade de o país assegurar que a governação do fundo seja suficientemente robusta.

As autoridades estão em vias de finalizar o projecto de legislação que irá reger a gestão do fundo, acrescentou o ministro numa entrevista realizada, na semana finda, em Washington.

Segundo escreve o jornal Further África, o Governo espera que o fundo esteja operacional antes que as primeiras exportações de gás natural liquefeito de Moçambique comecem a fluir até Outubro a partir de um projecto offshore que a Eni SpA está a desenvolver.

O Banco Africano de Desenvolvimento publicou, em Outubro de 2020, uma proposta de modelo para o fundo, o qual, segundo a instituição, iria acumular poupanças e contribuir para a estabilidade fiscal quando os preços das mercadorias flutuam. Ao abrigo deste plano, metade das receitas do Estado deveria ir para o fundo e o resto para o orçamento do Governo durante as duas primeiras décadas de produção de gás natural liquefeito.

Desde então, os dois maiores projectos de exportação desenvolvidos pela TotalEnergies SE e pela ExxonMobil Corporation estagnaram devido a uma insurgência estatal islâmica, enquanto os preços do combustível subiram desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.

A TotalEnergies deverá retomar o seu projecto de 20 mil milhões de dólares para produzir 13,1 milhões de toneladas de GNL anualmente até ao final do ano, uma vez que a situação de segurança melhorou na província de Cabo Delgado, onde está sediada, disse Tonela. A ExxonMobil deverá estar pronta para tomar uma decisão final de investimento no seu projecto ainda maior assim que a TotalEnergies levante a força maior do seu trabalho, disse.

 

Sólidos, robustos e rentáveis é como estiveram três bancos comerciais da praça, no ano passado, embora grande parte das empresas privadas tenha anunciado grandes perdas devido à pandemia. Todos – o BCI, o Standard Bank e o Absa Bank Moçambique – fintaram a crise e tiveram lucros, diga-se, fabulosos.

Começamos pelo último banco a anunciar os seus resultados financeiros, o Standard Bank. Fê-lo hoje, em conferência de imprensa. Segundo o banco, 2021 foi mais um ano de resultados muito positivos.

“Tivemos um resultado líquido de perto de cinco mil milhões de Meticais, resultado apenas 9% abaixo de 2020 e que teve impacto nalguns itens não recorrentes, esperando-se que, no futuro, não terão impacto na nossa economia”, anunciou o administrador delegado da instituição bancária, Bernardo Aparício.

Segundo o gestor, o resultado líquido permitiu ao banco atingir um retorno dos capitais próprios aos accionistas de cerca de 16,6%, que considera bastante robusto.

“Nós consideramos que este resultado é bastante positivo face aos impactos que tivemos em 2021, em termos da pandemia e seus impactos na actividade económica, no nosso caso, quer do lado das receitas, quer na linha de custos”, considerou Bernardo Aparício.

Entretanto, o banco reconhece que, durante o ano 2021, muitos dos seus clientes, com destaque para empresas, tiveram uma redução significativa da sua actividade, porque muitas economias se fecharam devido ao confinamento, tendo muitas matérias-primas e outros produtos ficado escassos e mais caros.

“Os bancos tiveram um papel fundamental para assegurar que estas empresas conseguissem passar por esse período difícil e conseguissem continuar a sua actividade”, explica Aparício, que assumiu a pasta de administrador-delegado após o seu antecessor ter sido suspenso pelo banco central por irregularidades.

No ano passado, o banco diz ter tido uma iniciativa muito importante com as pequenas e médias empresas, como forma de acelerar os seus negócios.

“Entregamos prémios no valor de 18 milhões de Meticais para ajudar as pequenas e médias empresas a revitalizarem os seus negócios e esta foi uma oferta feita sem qualquer contrapartida”, assegurou o administrador-delegado do Standard Bank.

Para a redução dos lucros do banco de 2020 a 2021, contribuíram, também, as despesas com a pandemia, quer os investimentos na tecnologia, para criar condições de trabalho no novo normal imposto pela pandemia, quer o apoio aos colaboradores para minimizar os custos que tiveram com a pandemia.

Já o responsável da área financeira do Standard Bank, Samuel Covane, explica que o banco, à semelhança de outros, comerciais, apreciou as medidas tomadas pelo regulador no ano passado como forma de ajudá-los a encarar a crise instalada pela pandemia da COVID-19.

“Vimos o banco central a ajustar aquilo que é a nossa principal referência, a MIMO, em 300 pontos base para os 13,5%, com os quais nós fechamos o ano 2021. Da mesma forma, o banco central ajustou as reservas obrigatórias em moeda estrangeira de 34,5% para 11,5%. Essa medida, de alguma forma, trouxe um alívio em termos de disponibilidade de liquidez no sector bancário. Os bancos tiveram maior liquidez para investir em activos remunerados”, explicou o director de reporte financeiro do Standard Bank.

No concernente ao câmbio, o banco lembra que “iniciamos o ano 2021 com a taxa de câmbio em relação ao dólar de 74,9 Meticais. Logo no primeiro trimestre, tivemos uma descida drástica da taxa de câmbio para níveis de 50 a 55 Meticais. Mas, depois, estabilizou a partir de Junho e, até hoje, manteve-se controlado nos 63 a 64 Meticais. Mas, se olharmos para a tendência, a variação anual, de facto, tivemos uma redução da taxa de câmbio em relação ao dólar de 15%”, explicou Samuel Covane.

Outro factor que ajudou os bancos comerciais foi o alívio das reservas obrigatórias de 34,5% para 11,5%, no ano passado, tendo permitido ao Standard Bank investir o dinheiro daí resultante para financiar a sua carteira de crédito.

“Da mesma forma, à medida que os bilhetes de tesouro que nós tínhamos na nossa carteira dos investimentos financeiros iam maturando, essa liquidez adicional era investido em activos de maior taxa de remuneração, nesse caso, os nossos créditos e as nossas aplicações e isso serviu para atenuar o decréscimo ligeiro de dois por cento da nossa carteira de depósitos”, esclareceu o gestor financeiro.

STANDARD BANK CONTINUA SUSPENSO NO MERCADO CAMBIAL INTERBANCÁRIO

O desempenho financeiro do Standard Bank em 2021 também foi influenciado pela sua suspensão no mercado cambial interbancário pelo Banco de Moçambique e a respectiva multa aplicada, mas, segundo a administração do banco, o peso dessa medida não foi grave.

Segundo o administrador-delegado, com a decisão do regulador do sistema financeiro nacional em suspender o banco comercial por um ano, seguiu-se uma lista de acções a serem realizadas pelo Standard Bank, para sanear as deficiências encontradas.

“Na sequência do saneamento de algumas dessas deficiências, incluindo a nomeação de um novo administrador-delegado e outras posições relevantes do banco, o banco foi autorizado a continuar os seus serviços de clientes em moeda estrangeira, porque os nossos clientes não têm que sofrer o que sofreram durante um mês e meio que tiveram algumas restrições para operar connosco”, explicou Aparício.

Entretanto, nem tudo foi resolvido pelo banco comercial após a descoberta de irregularidades pelo Banco de Moçambique. Continua a suspensão do banco no mercado cambial interbancário.

“Já lá vão nove meses. O que foi levantado foi a suspensão de nós fazermos operações com os clientes e não nos foi levantada a suspensão no interbancário. Na altura, anunciaram 12 meses e esperamos que seja isso”, disse o administrador-delegado do Standard Bank.

Actualmente, o Standard Bank diz que tem estado a trabalhar muito próximo do banco central no sentido de sanear todos os problemas que foram identificados, uma actividade que leva o seu tempo, porque há coisas que têm de ser alteradas na sua actuação.

“Estamos à espera de um momento em que o banco central esteja confortável em relação às alterações que fizemos para podermos voltar também ao mercado interbancário”, esclareceu o administrador-delegado.

Questionado sobre o facto de o Standard Bank não ter recorrido da decisão de suspensão tomada pelo Banco de Moçambique, o gestor explicou que essa alternativa foi tomada como a melhor.

“Há pontos identificados pelo banco central, e o banco (Standard Bank) decidiu que a única maneira é trabalhar sobre eles para os melhorar. Para melhorar os nossos processos, para melhorar os nossos controlos e é isso que temos vindo a fazer nos últimos 12 meses e continuamos a fazer”, disse Aparício.

BCI ALCANÇA LUCRO DE 5.203 MILHÕES DE METICAIS EM 2021

Numa nota de imprensa enviada à nossa Redacção, no dia 18 de Abril, o BCI refere que, embora o ano 2021 tenha continuado a ser marcado pelos impactos negativos da COVID-19, com destaque para o choque da cadeia de fornecimento mundial e o consequente aumento do preço das mercadorias, cujas repercussões foram sentidas a nível nacional com a inflação a atingir 6,74%, e pela interrupção dos projectos de Oil & Gas em Cabo Delgado, fruto dos conflitos militares, o banco comercial conseguiu atingir um resultado líquido de 5.203 milhões de Meticais.

“Num cenário ainda desafiador, a resiliência do balanço do banco permitiu obter um desempenho positivo no ano de 2021, com uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 23,88%, alicerçado numa consolidação das fontes de receita, e um controlo efectivo dos custos, conjugado com uma postura conservadora em termos de qualidade dos activos e solidez do balanço”, aponta o banco em comunicado.

No entender da instituição bancária, a desaceleração económica resultante da pandemia continuou a restringir o desempenho do crédito à economia, sendo que a carteira de crédito a clientes bruta do banco (excluindo crédito concedido com recursos consignados) cresceu 1,66%, reflectindo, assim, o efeito líquido do crescimento da carteira expressa em moeda nacional em 3,97%, e a redução da carteira em moeda estrangeira devido ao efeito cambial.

“A carteira de depósitos de clientes em moeda nacional manteve-se estável, com a carteira de depósitos de clientes em moeda estrangeira a cair devido ao efeito cambial, resultando numa queda da carteira de depósitos de clientes de 3,49%”, aponta o banco na nota de imprensa.

O resultado alcançado pelo banco corresponde a um crescimento de 94,76% relativamente ao reportado em Dezembro de 2020. “Esta evolução resultou, em grande medida, do desempenho favorável do produto bancário (+23,74%), propiciado pelo crescimento significativo da margem financeira (+23,48%) em virtude da acentuada subida das taxas de referência e do aumento do volume da carteira de crédito e de activos financeiros em moeda nacional”, lê-se no comunicado de imprensa do BCI.

ABSA BANK MAIS DO QUE DUPLICOU LUCRO DE 2021

O lucro do Absa Bank Moçambique aumentou cerca de 115,1% e atingiu 633 milhões de Meticais no ano passado, revelou a instituição bancária. Nem os efeitos da COVID-19 e da suspensão do projecto de gás natural liderado pela Total impediram que os resultados do banco crescessem.

“Conseguimos implementar um conjunto de medidas de gestão da nossa eficiência que levaram à redução dos custos operacionais do banco em cerca de 4,6%. Eu lembro-me de que o nosso negócio tem visto os seus custos crescerem mais ou menos na linha com a inflação”, referiu recentemente o administrador delegado do banco, Rui Barros.

Rui Barros explica que uma redução dos custos operacionais nos níveis conseguidos representam uma poupança real próxima dos 10% na estrutura de custos esperados.

Por sua vez, o crédito em incumprimento no Absa agravou-se para 4,2%, devido ao impacto da COVID-19 e à suspensão das actividades da petroquímica Total.

“Contudo, gostaríamos de notar que a esmagadora maioria do crédito do banco teve um comportamento perfeitamente saudável”, sublinhou Rui Barros.

Ainda no ano passado, as receitas do Absa deram um salto de 20,1% e atingiram 5.7 mil milhões de Meticais.

Na Banca de Retalho e de Pequenas e Médias Empresas (PME), os créditos concedidos pelo banco aumentaram em 7,8% e os depósitos subiram 5,4%. Já na Banca Corporativa e Comercial, os créditos e os depósitos aumentaram 18,2% e 65,0%, respectivamente.

O Standard Bank alcançou um lucro de cinco mil milhões de Meticais em 2021, cerca de nove por cento abaixo do alcançado no ano de 2020.

Com o resultado líquido, o banco diz continuar sólido, mesmo com a sua suspensão no mercado cambial interbancário, o recuo da Total no projecto de gás da Bacia do Rovuma e os efeitos da COVID-19 na economia nacional.

“Este resultado líquido permitiu-nos atingir o retorno aos accionistas dos capitais próprios de cerca de 16.6 por cento. Consideramos que este resultado, de modo geral, é bastante positivo face aos impactos que tivemos em 2021, em termos da pandemia e do impacto que a mesma teve na economia, quer na linha de receitas, quer a de custos”, disse o administrador delegado do Standard Bank, Bernardo Aparício.

No que toca à sua suspensão do mercado cambial interbancário, a instituição financeira esclarece que continua a trabalhar no sentido de convencer o banco central a regressar.

“Já lá vão nove meses. O que foi levantado foi a suspensão de nós fazermos operações com os clientes e não nos foi levantada a suspensão no interbancário, essa continua a decorrer, na altura anunciaram 12 meses e esperamos que seja isso”, avançou Aparício.

O administrador-delegado explicou ainda que a instituição financeira tem estado a trabalhar com o Banco de Moçambique para resolver todos os problemas que foram identificados.

O Standard Bank apresentou, esta quinta-feira, os seus resultados financeiros do ano 2021.

O índice de robustez empresarial a nível nacional registou uma queda de dois pontos percentuais no primeiro trimestre deste ano, em relação ao igual período do ano passado.

O impacto das mudanças climáticas e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia estão entre os factores que contribuíram para a referida descida.

Estes dados foram revelados nesta quarta-feira, na cidade da Beira, pela CTA,  durante a 8ª edição do Economic Briefing, um evento através do qual os empresários interagem entre si sobre tendências do desempenho empresarial.

De acordo com Agostinho Vuma, presidente da CTA, o índice de robustez económica caiu de 29 para 27 por cento.

“Esta contração reflecte, na essência, o efeito combinado do impacto das calamidades naturais que assolaram o país no primeiro trimestre, o aumento da inflação que reduziu a taxa de juro real, assim como o aumento de custos de matérias-primas, com destaque para o petróleo, o trigo, o óleo alimentar bruto, em grande parte, explicado pelas distorções causadas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia”, explicou Vuma.

Todavia, estes factores, continuou Vuma, foram contrabalançados pelo impacto positivo do aprofundamento do alívio de restrições de combate à COVID-19 ocorrido durante o primeiro trimestre, “o qual teve expoente máximo com a declaração do fim do Estado de Calamidade Pública.

Apesar desta redução do índice de robustez empresarial, destacamos as províncias de Sofala e Zambézia que registaram melhorias significativas”.

A capital do país perde cerca de 47 mil postos de emprego ao importar batata, cebola e tomate. A informação foi avançada, hoje, pela Câmara do Comércio de Moçambique durante o 1º Fórum de Agricultura na Cidade de Maputo.

A Cidade de Maputo produziu, na campanha agrária 2020/2021, 173,483 toneladas de diversas culturas, contra 164 mil toneladas de 2019/2020, o que representa um crescimento de cinco por cento. Entretanto, a Câmara do Comércio de Moçambique diz que o país ainda depende de importações e há perdas consideráveis a nível da Cidade de Maputo.

“Nós precisaríamos de 20 mil pessoas para produzirmos essas 51 mil toneladas de batatas que estamos a importar. No tomate, são 12 mil postos e, na cebola, 15 mil postos. No total, a capital do país perde cerca de 47 mil postos de emprego ao importar batata, cebola e tomate”, informou Hipólito Hamela, assessor financeiro da Câmara do Comércio de Moçambique.

Por seu turno, a Secretaria de Estado na Cidade de Maputo, ciente dos problemas causados pela dependência de importações, defendeu a implementação de novas estratégias na produção e comercialização agrícola na capital.   

“Aposta na transformação e modernização no modo de organização da produção e comercialização, envolvendo o sector privado e assegurando uma maior integração do sector familiar no mercado nacional e internacional, seleccionando culturas estratégicas (cereais e hortícolas) para o consumo interno e exportação, por forma a acelerar a renda das famílias, criação de mais emprego e auto-suficiência alimentar e nutricional”, defendeu Vicente Joaquim, secretário de Estado na Cidade de Maputo.

Os posicionamentos foram defendidos, esta quarta-feira, durante o primeiro Fórum de Agricultura na Cidade de Maputo, sob o lema “Desafios para Reduzir as Importações”.

 

+ LIDAS

Siga nos