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Professores, médicos, juízes e demais funcionários públicos, que reclamavam do enquadramento na Tabela Salarial Única, terão os seus subsídios repostos. A informação é do vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública, que garantiu que 98% dos funcionários já estão definitivamente enquadrados.

Com este anúncio, dado esta segunda-feira, pode ser o fim de um problema que começou em Junho, com a aprovação dos quantitativos da Tabela Salarial Única (TSU), em que os professores, médicos, juízes e demais funcionários públicos se diziam injustiçados com a redução dos subsídios.

Inocêncio Impissa explicou que a comissão multissectorial de enquadramento, no âmbito da implementação da TSU, está a trabalhar desde a sua criação, tendo realizado três sessões.

“Sobre os subsídios, o que foi estabelecido, não só para os médicos, mas também para os professores, juízes e outros grupos profissionais que não foram muito expressivos na media é que os quantitativos determinados nos decretos já conhecidos se mantêm. No entanto, para outras classes que reivindicam esta abordagem, foi aplicado o quantitativo nominal, ou seja, aquilo que recebiam quando se aplicava o percentual na altura da implementação da tabela antiga. Este é o arranjo conseguido com aqueles grupos”, explicou o vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública.

Segundo o governante, este entendimento foi bem recebido pelas classes, que reconheceram a situação económica que o país atravessa.

Quanto ao processo de correcções, Impissa avançou que “perto de 400 mil funcionários, de que hoje a Administração Pública se compõe, 98% estão em situação de, terem os seus salários, alguns com a situação de ter de regularizar, por terem sofrido algum desconto, que lhes colocasse um pouco abaixo da sua remuneração normal, caso se implementasse a TSU de forma regular e diríamos que estamos satisfeitos com nível de implementação deste instrumento”.

Contudo, nem tudo está resolvido. “Há outras situações que vão levar tempo, porque precisamos de reflectir melhor. É que, quando se reflecte sobre carreiras, por exemplo, não se reflecte apenas para um grupo, sim ao sistema inteiro de carreiras e isso vai levar o seu tempo. Nós tínhamos cerca de cinco mil carreiras, sendo que todas elas têm de ser atendidas de forma sistémica, pausada e com intervenção dos sectores, algo que poderá cumprir etapas impostas pela lei”, disse.

Com a entrada em vigor da TSU, aos médicos tinham-lhes sido retirado o subsídio de exclusividade, bem como a redução dos subsídios de risco, de 30% para 15%.

Os docentes universitários queixavam-se da redução dos subsídios de exclusividade e de investigação científica, de 15% cada para 5%.

Uma outra reclamação que chegou aos ouvidos do Governo foi o fosso salarial existente entre os funcionários e quem exerce cargos de chefia. Impissa garantiu que houve mexidas na fórmula dos salários dos chefes.

“Em relação ao fosso, não sei se é redução ou acréscimo, mas creio que o que foi feito é adoptar-se uma fórmula para que permita um cálculo racional do salário, que faz o diferencial entre a carreira e a chefia.”

Refira-se que os médicos e professores já tinham ameaçado paralisar as actividades, nos próximos dias, caso o Governo não atenda às suas preocupações.

O ministro da Indústria e Comércio alerta que a fraca interacção entre os detentores de conhecimento nas áreas de produção está a enfraquecer o sector da indústria. Silvano Moreno falava durante a abertura da quadragésima sexta sessão anual sobre propriedade intelectual, na Cidade de Maputo.

A área industrial está em constante evolução, e Moçambique não é uma ilha. O investimento no conhecimento científico tem-se mostrado como um dos sectores-chave para o desenvolvimento da economia.

Entretanto, as investigações e pesquisas produzem conhecimento que, de acordo com o ministro da Indústria e Comércio, ainda não é suficientemente canalizado para o desenvolvimento da economia.

“Um diagnóstico sério e sincero permitir-nos-á contactar que, no geral, estamos muito aquém do desejável, como é fácil notar que a fraca de incorporação do conhecimento científico no quadro da produção industrial está na origem do fraco desempenho das economias”, lamentou Silvino Moreno, ministro da Indústria e Comércio.

Mas este não é o único problema que afecta os países em desenvolvimento, o sector industrial é cada vez mais competitivo e os países devem apostar na protecção das marcas produzidas a nível nacional.

“Toda a actividade económica é feita por pessoas, as suas inspirações que podem não ser científicas, queremos usá-los, comercialmente, mas devem ser respeitados os vários autores, por isso queremos criar mecanismos para que o que nós produzimos em África quando for para Europa fique claro que é da Africa”, reiterou Moreno.

É neste contexto que o representante da Organização Mundial da Propriedade Intelectual destaca que, apesar dos desafios, Moçambique regista progressos.

“O arroz aromático da Zambézia, o camarão e outros produtos de Moçambique são os que devem ajudar na protecção da Educação dos africanos e na propriedade intelectual e podem, sem bem tratados, empacotados, e vendidos em novos mercados internacionais”, explicou Daren Tang, director-geral da Organização Internacional sobre Propriedade Intelectual.

A Organização Regional Africana da Propriedade Intelectual (ARIPO) reitera que o continente deve investir mais no conhecimento para aumentar as trocas comerciais internacionais.

“Infelizmente, como africanos não temos estado a investir muito no conhecimento, nem estamos engajados com as Universidades na elaboração de pesquisas, para garantir que as investigações das organizações são adequadas a estes recursos para que possam produzir soluções”, lamentou Bemanya Twebaze, director-geral da ARIPO.

As intervenções foram feitas durante a quadragésima sexta sessão ordinária do Conselho de Administração da Organização Regional Africana da Propriedade Intelectual, que decorre de 21 a 25 do mês em curso.

Os preços dos produtos não param de subir. De Outubro do ano passado para o mesmo mês deste ano, o nível geral de preços aumentou 11,83%. A comida, as bebidas não alcoólicas e o transporte tiveram maior aumento de preços.

O custo de vida continua a ser cada vez mais elevado. Os dados do Instituto Nacional de Estatística trazem, mais uma vez, as projecções do aumento de produtos que o Banco de Moçambique previra para este ano.

Apesar da ligeira descida dos preços, comparativamente ao mês de Agosto, cuja inflação chegou a 12%, o país atingiu, em Outubro, um aumento de preços na ordem de 11,83% em relação ao mesmo mês de 2021.

Desta vez, a cidade da Beira e a província de Inhambane registaram uma queda de preços, um cenário que não se verifica nas restantes cidades que registaram uma subida nos custos.

Em termos cumulativos, de Janeiro a Setembro do ano em curso, Moçambique registou um aumento de preços na ordem de 8,8%.

A subida de preços é ditada pelos actuais custos dos combustíveis e transportes semi-colectivos de passageiros.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vai dar mais de 60 milhões de dólares para a reconstrução de Cabo Delgado. O apoio faz parte de um pacote de cinco anos, destinado a várias iniciativas, com destaque para a recuperação da cidade da Beira.

O facto foi avançado hoje, pela directora-adjunta do Escritório Regional do PNUD para África, Noura Hamladji, que manteve um encontro de cortesia com o Primeiro-Ministro.

A dirigente disse que o apoio a Moçambique tem sido uma das prioridades da organização, principalmente no que concerne à reconstrução e promoção de acções amigas do ambiente.

“Agora, aprovamos um apoio para o país, de cinco anos, que está assente em vários pilares, ou seja, temos apoio à governação, descentralização, eleições – já tínhamos feito no passado, apoio à CNE e STAE – e à justiça. Um outro pilar muito importante, a nível global, mas também nacional, é o ambiente, e nós queremos fazer programas mais ambiciosos para Moçambique”, disse Noura Hamladji, directora-adjunta do Escritório Regional do PNUD para África.

Noura Hamladji avançou ainda que a sua organização pretende, igualmente, apoiar na resiliência das infra-estruturas, com foco na cidade da Beira, afectada pelos ciclones Idai e Keneth, bem como a reconstrução de seis distritos de Cabo Delgado afectados pelo terrorismo.

“Nós queremos fazer mais nesses distritos. Conforme eu falei com o Primeiro-Ministro, temos um plano de acelerar o apoio a Cabo Delgado, com programas alinhados aos do Governo.”

Sobre o orçamento já disponível, Hamladji fala de mais de 100 milhões de Meticais, porém a organização continua a mobilizar mais fundos junto dos seus parceiros estratégicos.

“É um pacote com vários projectos e cada um com seu orçamento. Para eleições, temos 9,6 milhões de dólares. Para Cabo Delgado, o valor é um pouco maior, pois se trata de reabilitação e reconstrução, sendo um orçamento de 66 milhões de dólares, mas já com o compromisso de doadores de mais 50 milhões de dólares. No ambiente, estamos a trabalhar com o Fundo Global para o Clima e com o Governo na gestão de 50 milhões de dólares.”

 

TROCAS COMERCIAIS ENTRE PAÍSES AFRICANOS

Ainda hoje, Adriano Maleiane concedeu uma audiência ao secretário-geral da Zona de Comércio Livre Continental Africana. No encontro, entre vários pontos, foram discutidos os termos de integração de Moçambique ao grupo.

“A visita ao Primeiro-Ministro foi para dar esclarecimento ao Governo moçambicano sobre o nível de implementação do acordo da Zona de Comércio Livre Continental Africana, os desafios e, claro, as oportunidades que Moçambique pode ter com a adesão à zona, bem como para impulsionar o sector privado, pois sabemos que quem faz as transacções são os privados e não o Governo”, referiu Wamkele Mene, secretário-geral da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

Segundo Mene, a questão da mobilidade dentro da zona continua um desafio, pelo que se apela à maior adesão ao protocolo sobre a livre circulação de pessoas, até agora ratificado por apenas quatro dos 44 países-membros.

“Em Janeiro de 2020, o mercado foi aberto para trocas comerciais, sob as regras da Zona de Comércio Livre Continental Africana. Até agora, iniciámos e fazemos as trocas comerciais em sete países, de acordo com os termos da zona. Quase 96 ou 97 produtos já foram comercializados, com certificação internacional. Temos um livro de consulta, no qual se pode buscar os produtos quando se pretende exportar. Então, as trocas estão a acontecer”, disse.

O acordo de Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) vai criar a maior zona de comércio livre do mundo, medida pelo número de países participantes. A previsão é que estabeleça a ligação entre 1300 milhões de pessoas em 55 países com um valor combinado do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4 biliões de dólares.

A má conduta dos funcionários públicos retrai os investidores no país e deve haver capacitação para contornar o problema, considera o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Leonardo Simão. Simão falava num workshop sobre o desenvolvimento da diplomacia económica no país, no qual Amélia Muendane defendeu que os diplomatas devem conhecer as prioridades do Governo e melhorar a sua credibilidade.

A Universidade Joaquim Chissano, na Cidade de Maputo, foi o local escolhido para reflectir, esta quinta-feira, sobre a “Diplomacia Económica e o seu Desenvolvimento”. A sessão juntou estudantes, professores e várias personalidades.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Leonardo Simão, disse que o sucesso da política de uma diplomacia económica passa por ter profissionais bem formados. “A falta desta formação e educação específicas faz com que muitos quadros mantenham condutas de indiferença”.

Essas atitudes, segundo explicou, podem levar à desistência da realização de programas que seriam benéficos para o país, “porque muitos investidores não aceitam sujeitar-se a maus-tratos por funcionários mal-educados e arrogantes”, disse.

Leonado Simão chamou as instituições públicas a adoptarem um roteiro específico, para assuntos relativos aos investimentos.

A presidente da Autoridade Tributaria de Moçambique, Amélia Muendane, apontou caminhos para o desenvolvimento da diplomacia no país. No seu entender, a chave para este desiderato passa por três pontos, nomeadamente: “Primeiro, o instrumento de negociação de diplomata que é o projecto nacional, segundo, o objectivo da diplomacia que é trazido pelas prioridades de desenvolvimento e, terceiro, são os resultados”.

Por seu turno, o antigo ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, falou da idoneidade que os funcionários públicos devem ter, pois entende que a imagem do país é que está em jogo. E não faltaram exemplos, “quem já teve a ousadia de emprestar dinheiro a um bêbado?”

Os intervenientes destacaram, ainda, a necessidade de o diplomata sempre ter em conta a segurança nacional no processo de atrair investidores.

Pelo menos 50 por cento dos cerca de 400 mil funcionários públicos vão receber retroactivos no âmbito da Tabela Salarial Única ainda este mês. A garantia é do Governo, que explica que serão abrangidos funcionários cujo processo de enquadramento está concluído.

O Governo esteve reunido na terça-feira e quarta-feira na trigésima nona (39ª) sessão ordinário do Conselho de Ministros, onde discutiu vários assuntos, mas o da Lei da Tabela Salarial Única (TSU) foi o que mais destaque mereceu.

No fim do dia de quarta-feira, na conferência de imprensa, a vice-ministra da Economia e Finanças foi quem revelou que o pagamento dos retroactivos da Tabela Salarial Única começa no corrente mês de Novembro.

“Para todos os profissionais que já têm o enquadramento feito e a confirmação do enquadramento em definitivo até ao mês de Novembro, todos os retroactivos serão pagos e para os demais que ainda estiver a decorrer a conclusão do processo de enquadramento definitivo, estes serão pagos no mês de Dezembro”, garantiu a vice-ministra da Economia e Finanças, Carla Louveira.

O pagamento dos retroactivos está, porém, refém do enquadramento definitivo na TSU e o Executivo prevê que, até ao fim deste ano, pelo 50% dos 400 mil funcionários e agentes do Estado terão a sua situação regularizada.

“Referir que os 50% é dos funcionários e agentes do Estado… Portanto, pressupõe que a confirmação do funcionário deve ocorrer nos termos e critérios aprovados em sede de enquadramento. A Lei da TSU prevê determinados critérios, em sede da revisão da Lei 5 que foi aprovada e a Lei 14 que prevê três critérios que são o tempo de serviço na Administração Pública, na carreira e a própria carreira”, explicou Carla Louveira.

Enquadrado o funcionário, continuou a explicar a vice-ministra da Economia e Finanças, “nos termos do decreto aprovado, a unidade que responde pelos recursos humanos tem até sete dias para notificar o enquadramento de funcionários, após este período, há 15 dias para reclamar e, findo os 15 dias, a unidade de recursos humanos tem mais 10 dias para responder à eventual preocupação levantada, findo o prazo que equivale a 32 dias, a partir da aprovação do decreto de enquadramento e notificação funcional, passa o enquadramento a ser definitivo”.

Além da novidade sobre o início do pagamento de todos os retroactivos a partir deste mês, o Conselho de Ministros aprovou a revisão de dois decretos sobre a Tabela Salarial Única, um dos quais define os critérios e enquadramento dos funcionários que exercem funções de direcção, chefia e confiança no Aparelho do Estado.

“O primeiro aspecto que foi revogado no Decreto 56/2022 que fazia hierarquização e, em função dos dias, agrupava um conjunto de funções a nível dos diferentes grupos que nós temos a nível da Tabela Salarial Única e endossava os níveis salariais para cada grupo de chefia”, esclareceu o vice-ministro da Administração Estatal Função Pública, Inocêncio Impisse.

Indo ao detalhe da sua explicação, o vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública refere que revogado o decreto, “passará a fazer-se um cálculo que permite a consideração do salário base dos chefes que exercem função de direcção e de confiança que, acrescido a um subsídio específico que é para determinar o nível referencial da função, e, com base nisto, acresce-se um subsídio de gestão que vai permitir apurar o quanto salário cada um quadros ou funcionários que exercem a função e isso em todos os níveis, central, provincial e distrital, sem excepção”.

O vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública diz que as mexidas poderão reflectir-se nos demais funcionários, até porque “com a aplicação desses critérios no novo decreto aprovado pelo Governo será assegurada ou respondida a uma das grandes questões levantadas aqui pelos médicos, magistrados, enfermeiros e professores sobre a necessidade de controlar e permitir um controlo entre os salários pagos aos funcionários que recebem de acordo com a sua carreira, mas também os que exercem funções de cargo de chefia. Com a implementação desse decreto que foi revisto nesta sessão, pensamos ter garantido a razoabilidade entre aquilo que se compensa em termos de salário para os que exercem durante a função, mas também os exercem em função da sua carreira”.

Sobre a reclamação de enquadramento na TSU de acordo com os níveis académicos, Inocêncio Impissa explicou: “Estamos, agora, numa fase apenas de enquadramento dos funcionários, sendo que exercício a seguir vai ser rever o sistema de carreira, que remota de cerca de 1997 e, de lá para cá, um conjunto de reajustes que têm que ser feitos mesmo no quadro da reforma e este não vai terminar agora; é um processo que deverá levar não menos que seis meses depois da implementação efectiva deste instrumento e, nessa altura, depois da realização desta revisão dos qualificadores, poderá, então, ajustar-se a questão da evolução no desenvolvimento da carreira”, esclareceu o vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública.

“O que hoje está a dizer-se”, concluiu Impissa, “ é que se paga ao indivíduo que tinha o salário “A” e para entrar na tabela “B” que é o que o Governo criou. Para entrar lá, há critérios e, depois de entrar, há que perceber como é que ele evolui na Tabela”

O Governo criou uma Comissão de Enquadramentos que, no período de um ano, deverá responder às preocupações dos agentes e funcionários do Estado sobre a TSU, mas as reclamações devem ser feitas a partir da instituição a que o trabalhador está afecto.

A Bélgica vai desembolsar 25 milhões de euros (equivalente a 1,5 mil milhões de Meticais) nos próximos cinco anos, para o desenvolvimento das energias renováveis e gestão de resíduos no país, através de um novo programa de cooperação.

A informação foi avançada pelo ministro de Desenvolvimento da Bélgica, Frank Vandenbroucke, por ocasião da COP 27, que decorre no Egipto.

“O nosso país (Bélgica) vai ajudar Moçambique para que possa investir em energia verde em vez de combustíveis fósseis”, referiu Frank Vandenbroucke, ministro do Desenvolvimento da Bélgica.

Segundo o dirigente belga, Moçambique é um exemplo de baixa emissão, mas sofre severamente os efeitos das alterações climáticas. Apesar disso, o país tem os recursos inigualáveis para se transformar numa solução significativa de transição energética a nível da África Austral.

O apoio para o período 2023–2028 é atribuído tendo em conta que Moçambique é indicado como um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas e é, ao mesmo tempo, um dos menos desenvolvidos do mundo.

Apesar das riquezas do subsolo, a iniciativa prevê estudos para a produção de hidrogénio verde em Moçambique, e a Agência Belga de Desenvolvimento vai alimentar áreas remotas sem ligação à rede eléctrica com painéis solares.

Segundo um comunicado citado pela Lusa, está também a ser planeado o fornecimento de água potável e soluções de irrigação com base em energia solar.

A Bélgica vai ainda apoiar a implementação de um programa nacional para gestão sustentável dos resíduos, que inclui a construção de instalações de reciclagem em Nacala e Nampula, com o apoio adicional de um fundo multi-doadores.

Dos 25 milhões de euros anunciados, uma parte do valor será destinada à componente de perdas e danos para tornar as infra-estruturas públicas mais resilientes a tempestades e cheias.

A Bélgica anunciou ainda uma contribuição adicional de um milhão de euros (62,9 milhões de Meticais) para novas instalações de água potável em Moçambique.

Uma delegação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial está em Maputo para ajudar o Governo a melhorar a gestão da dívida pública e da tesouraria. As instituições vão apoiar o Governo até sexta-feira.

Uma delegação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional reuniu-se, esta terça-feira, à porta fechada, com o presidente da Comissão do Plano e Orçamento da Assembleia da República, numa altura em que a dívida pública do país é insustentável.

“Nós estamos aqui, em Moçambique, para fornecer uma assistência técnica, é uma equipa do FMI e do Banco Mundial, num trabalho conjunto, por solicitação do Ministério da Economia e Finanças e do Banco de Moçambique, para contribuir para o processo de aprimoramento das funções de gestão das finanças públicas, conduzido por estas duas instituições”, declarou o chefe da missão, Felipe Bardella.

A fonte explicou que a razão da vista ao Parlamento é informar à Comissão de Plano e Orçamento que também participa do processo de boa gestão das finanças públicas no país, e que está sempre em contacto com todos os actores que fazem parte do processo, sempre trazendo as melhores práticas internacionais e contribuindo para o desenvolvimento das práticas aplicadas em Moçambique.

Sem avançar detalhes, o chefe da missão garantiu que, ao fim da assistência técnica ao Governo, será apresentado um relatório com os aspectos principais que foram abordados.

“Os assuntos técnicos estão relacionados a temas operacionais de tesouraria, procedimentos operacionais da gestão pública, de formulação orçamental, dos riscos fiscais que todos os países enfrentam, planeamento do cenário macro fiscal, entre outros que concorrem para a boa gestão da coisa pública.”

Após o encontro, o presidente da Comissão Parlamentar disse que o Governo deve usar a oportunidade para adquirir mais conhecimento sobre a gestão das finanças públicas.

A missão do Banco Mundial e do FMI trabalha em Moçambique com o Ministério da Economia e Finanças e o Banco de Moçambique desde o dia 14 até 18 de Novembro.

Depois de quase três anos fora de casa, a população que regressou à vila de Mocímboa da Praia volta a abrir campos agrícolas para produzir comida para auto-sustento e para comercialização. Para facilitar o processo da retoma da agricultura no distrito, o Presidente da República procedeu, hoje, à entrega de insumos agrícolas a cerca de 200 famílias.

O Presidente da República chegou à aldeia Nnango, também conhecida por Auasse, numa viatura militar e foi recebido pela população que havia fugido do distrito de Mocímboa da Praia no ano de 2020 devido aos ataques terroristas.

Depois de cumprimentar a população da aldeia e membros do Governo, Filipe Nyusi dirigiu a cerimónia do lançamento da campanha agrária ao nível do distrito, onde procedeu à entrega de insumos agrícolas e mais de 200 hectares de terras lavradas a cerca de duzentas famílias.

“O terrorismo efectivo começou exactamente nesta província, neste distrito, neste posto administrativo e nesta povoação. É gratificante saber que, depois de um esforço muito grande, é também neste local onde lançamos a campanha agrária 2022–2023, que deverá ser uma grande campanha em relação às anteriores”, disse Filipe Nyusi, Presidente da República.

Durante a cerimónia, o Chefe de Estado anunciou uma nova estratégia concebida pelo Governo na área de agricultura para zonas afectadas pelo terrorismo, que consiste na abertura de campos de produção em blocos para garantir segurança e facilitar a assistência técnica aos camponeses.

“O outro projecto, que vai complementar esta área ou esta actividade de produzir em blocos, será um acordo que será celebrado com comprador fixo, ou seja, alguém sabe que vai produzir e vender à empresa X, para termos a certeza de que o produto que sai daqui tem um destino. Uma outra vantagem é que vai facilitar a vigilância contra todo tipo de problemas. E vai facilitar a assistência técnica aos agricultores”, referiu Nyusi.

Além de reactivar a agricultura, o Presidente da República prometeu à população de Mocímboa da Praia novas infra-estruturas sociais que poderão mudar a imagem do distrito.

Na cerimónia de entrega de insumos agrícolas e campos de produção a população de Mocímboa da Praia, estiveram presentes o ministro da agricultura, o governador da província, membros do Governo do distrito, extensionistas e a população de Nnango, uma das aldeias mais afectadas pelo terrorismo.

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