O País – A verdade como notícia

O secretário de Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, acompanhado pelo presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, e quadros das duas instituições, encontra-se no Reino de Marrocos, desde a passada segunda-feira, para uma visita de trabalho quatro dias com vista a buscar parcerias e apoios para o desenvolvimento do futebol e do desporto moçambicano.

Os dirigentes moçambicanos iniciaram esta digressão na semana passada, em Portugal, onde estiveram na assembleia-geral extraordinária da recém-criada União das Federações de Futebol de Língua Oficial Portuguesa.

Na referida reunião magna, onde esteve presente Gelson Fernandes, Director para as Associações-Membros de África na FIFA, em representação do organismo máximo do futebol mundial, os presentes debateram assuntos relacionados a aspectos administrativos e projectos, bem como as melhorias, visando a consolidação dos aspectos funcionais da agremiação.

Em Portugal, a delegação reuniu-se ainda com o seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, já a preparar a jornada de Junho de qualificação para o Campeonato Africano das Nações, CAN 2023, onde o combinado nacional se desloca a Kigali, onde defronta o Ruanda para a quinta jornada do grupo L.

De Cascais e Lisboa, a delegação moçambicana, que integra ainda o inspector-geral do Desporto, Sidónio Chavisse, a directora-geral do Fundo de Promoção Desportiva, Amélia Chavana, e o vice-presidente para Alta-Competição da FMF, Amir Gafur, partiu para o Reino do Marrocos, onde também busca parcerias e apoios para o desenvolvimento do futebol moçambicano, em particular, e do desporto, no geral.

Na agenda, houve um encontro de trabalho com o Ministro do Desporto Marroquino, Chakib Benmoussa, com quem houve o estreitamento dos laços de cooperação entre os dois países, no ramo do desporto.

No encontro, discutiu-se a possibilidade de as diversas selecções nacionais utilizarem o Centro de Alto Rendimento de Marrocos no quadro da preparação e qualificação para a próxima edição dos Jogos Olímpicos, Paris 2024, com destaque para as modalidades individuais, onde residem as esperanças de Moçambique estar representado na prova interplanetária.

As duas partes analisaram a viabilidade de os atletas olímpicos moçambicanos se beneficiarem de bolsas de estudo, bem como a realização de acções de formação e de capacitação de agentes desportivos nacionais, segundo escreve o Olho Clínico.

Na mesma ocasião, a Federação Moçambicana de Futebol assinou um memorando de entendimento com a contraparte Marroquina, visando a materialização da construção do Centro de Excelência e um Centro Técnico Nacional de Futebol nas imediações do Estádio Nacional do Zimpeto, no espaço disponibilizado pela Secretaria de Estado do Desporto no âmbito da troca de instalações de uso com a Academia Mário Coluna, em Namaacha.

O memorando foi alcançado numa reunião conjunta mantida na manhã desta quarta-feira com o presidente da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF), Fouzi Lekjaa, na presença dos representantes do Ministério das Finanças daquele Reino, quadros seniores da Secretaria de Estado do Desporto (SED) e da Federação Moçambicana de Futebol (FMF).

Entretanto, não foram anunciados os valores envolvidos, mas o financiamento das obras daquela importante infraestrutura para o futebol nacional está assegurado, segundo disse Carlos Gilberto Mendes, citado pelo Olho Clinico, como também garantiu a ida, para dentro de dias a Maputo, dos arquitectos responsáveis pela implantação do Centro Técnico de Futebol de Marrocos, que é por sinal de referência a nível continental.

A delegação regressa esta quinta-feira ao país para permitir que o secretário de Estado do Desporto, Carlos Gilberto Mendes, possa participar na reunião do Conselho do Desporto da União Africana da Região 5, AUSC-R5, entre esta sexta-feira e domingo.

 

TREINADORES DO CENTRO DO PAÍS FORMADOS COM NÍVEL DE CAF “B”

A capital da província de Sofala, Beira, é desde a manhã de segunda-feira a sede do Curso de Treinadores candidatos à Licença “B” da Confederação de Árbitros de Futebol (CAF). A formação, promovida pela Federação Moçambicana de Futebol junta um total de 25 participantes oriundos de clubes da província anfitriã bem como das províncias de Tete, Manica e Zambézia.

De acordo com uma nota da Federação Moçambicana de Futebol, o curso é realizado em três módulos com a duração de uma semana cada. O primeiro módulo vai até 14 de Maio, o segundo de 5 a 11 de Junho, e o terceiro de 10 a 17 de Julho, com uma carga horária de 190 horas distribuídas por 12 disciplinas, que serão precedidas pela realização de exames finais nas componentes teórica e prática.

Esta formação tem em vista afinar a componente prática de aprendizagem, uma vez que durante as interrupções dos módulos cada formando deverá cumprir, com carácter avaliativo, um estágio pedagógico de 30 horas num clube que participe no Campeonato Nacional da Primeira Divisão, o Moçambola, ou no Campeonato Provincial na província de origem.

A mesma terá como instrutor o moçambicano Abdul Abdulá, quadro da Federação Moçambicana de Futebol e instrutor CAF, que vai contar com outros profissionais convidados de diversas áreas para acrescentar valor em temas específicos e complementares ao treino desportivo.

A cerimónia de abertura oficial do curso que decorre nas instalações do Clube Ferroviário da Beira contou com a presença do Governo de Sofala, representado pelo Director Provincial da Juventude, Emprego e Desporto, Zeferino História, o qual enalteceu o amor da sua província pelo futebol e saudou a iniciativa da FMF em levar o curso àquela parcela do país.

Por seu turno, o Presidente da Associação Provincial de Futebol de Sofala, Joaquim Mateus Manguaiana, exortou os participantes a explorarem ao máximo a oportunidade de aquisição de novos conhecimentos com quadros reconhecidos em matéria de futebol, pois reconhece que só com conhecimento técnico aplicado na prática é possível elevar a qualidade do futebol local.

Lembre-se que este é o segundo curso de treinadores CAF “B” para o presente ano, depois do recentemente terminado na capital do país. Sabe-se que ainda este ano a zona norte também o mesmo curso para treinadores das províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa.

Por Nataniel Ngomane

 

Aquando da atribuição do título de Doutora Honoris Causa à escritora Paulina Chiziane, pela Universidade Pedagógica de Maputo, fui indicado para seu padrinho. Dessa posição, coube-me proferir palavras de louvor à doutorada, naquilo que as academias – entre outras designações – chamam discurso panegírico. Este texto resulta dessa participação no acto de outorga do título honorífico à Paulina Chiziane, na qualidade de padrinho da laureada. Nessa solenidade, desafiei-me a apresentar parte do meu testemunho sobre as realizações dessa agora minha afilhada, Paulina Chiziane. Obviamente, parte significativa desse testemunho já fora apresentado por outras pessoas, nesse evento. Ainda assim, não me coibi de incluir algo mais que, agora, por ocasião da entrega, hoje, do Prémio Camões à nossa Paulina, aqui partilho.

Iniciei a minha intervenção agradecendo a escolha que recaíra sobre mim para ser padrinho da Prémio Camões 2021. Uma escolha marcada, primeiro, pela unanimidade dos organizadores do acto e, logo depois, entre estes e a própria Paulina, quando esta tomou conhecimento do programa que estava a ser proposto. Considerada essa unanimidade, a minha escolha revela – ainda que de forma discreta –, o quão fortes são os laços de proximidade que me unem à Paulina, situação que, em si, constitui um grande privilégio.

São laços de amizade e de irmandade que vêm acompanhando os nossos percursos de vida há bastantes anos. E tudo indica nunca terem passado despercebidos ao grande público, nem sequer à Academia, em particular à Universidade Pedagógica de Maputo, entidade outorgante do título. Por sua vez, ao tomar conhecimento de quem estava a ser proposto para padrinho – segundo me confidenciaram –, Paulina Chiziane não só concordou de imediato como reiterou, com convicção, que a escolha não poderia ter sido outra, porque essa era, de facto, a escolha. A sua escolha. E não poderia ter sido outra.

Se, por um lado, vinda de onde e como veio – da unanimidade da Universidade Pedagógica com a escritora –, essa escolha enche-me de orgulho, por outro, também me honra sobremaneira ser indicado padrinho da pessoa especial que é Paulina Chiziane, a primeira mulher preta, africana e moçambicana a vencer o Prémio Camões, num universo de trinta e três (33) atribuições nas quais apenas sete são mulheres. Ela inclusa. Prémio Camões, considerado o mais prestigiado prémio das literaturas de língua portuguesa. Ser indicado padrinho dessa pessoa especial, conforme dizia, na cerimónia que a conferiu o título de Doutora Honoris Causa em Estudos Artístico-Culturais e Literatura, constitui para mim, sem margem para dúvidas, também uma elevada distinção. Por isso, agradeço profundamente a unanimidade da minha escolha ao Magnífico Reitor da Universidade Pedagógica, Prof. Doutor Jorge Ferrão, aos organizadores desse elevado acto e, em especial, à minha amiga, colega, irmã e companheira de longos e, não poucas vezes, duros percursos, Paulina Chiziane, a quem digo, na nossa língua: na bonga nguto, ndiyango! Agradeço muito, minha irmã!

Não se trata, esta breve descrição – como pode parecer –, de uma mera verborragia. Ela procura situar e explicar, de certa maneira, as razões que podem estar por detrás da convergência de opiniões e posturas sobre a escolha que em mim recaiu: os laços que unem padrinho e afilhada. Tal é o aspecto que abriu portas para a minha intervenção – agora, aqui partilhada.

Quando e como conheço Paulina Chiziane?

Conheci a Paulina Chiziane, se não me falha a memória, na sala de aulas e nos corredores da então Faculdade de Letras (FL) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), hoje Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS). Em 1989. Frequentávamos, então, o primeiro ano do curso de Linguística. Entre outros colegas, hoje figuras públicas de reconhecido mérito, faziam parte da nossa turma a Doutora Aíssa Mithá Issak, presente na cerimónia; os jornalistas Alfredo Dacala e Moisés Mabunda; as professoras Albertina Moreno (já falecida), que foi Directora do INDE – o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação -, Benilde de Sousa Vieira, Rosa Enosse, Samaria Tovela, Samima Patel, o actual Director do Centro de Línguas da UEM, Doutor Carlos Manuel, os então destacados jogadores de basquete e nossas bases de apoio para as disciplinas de Matemática, Estatística e Lógica Matemática – que se esmeravam para sempre nos esclarecerem as imensas dúvidas nessas áreas –, Bruno Carvalho e Stélio Mavimbe, entre outros colegas dessa turma. Mas, como a Paulina e eu estávamos entre os mais velhos da turma, e os temas das nossas conversas nos aproximavam, andávamos sempre juntos. Em particular nos intervalos. Além disso, nos momentos de lazer, fora da Faculdade, juntávamo-nos ao nosso saudoso amigo Eduardo White, o poeta, e nos deliciávamos dos diversos espaços culturais da cidade de Maputo, não poucas vezes, até altas horas da noite, quando já não havia machimbombo para Matola, onde a Paulina residia. Nessas ocasiões, ela passava a noite na minha casa, num sétimo andar do bairro do Alto Maé, onde dormia com as minhas filhas no quarto destas, ganhando sempre no dia seguinte – e eu também –, um cuidadoso mata-bicho preparado e servido pela minha mulher, depois do qual minha mulher e eu a levávamos para Matola onde, invariavelmente, encontrávamos o Dudú e a Marisa, seus filhos, esperando-a no portão da casa. Foi por essas alturas que esses seus filhos se tornaram meus sobrinhos e, a Paulina, tia das minhas filhas. Já éramos irmãos. E somos, desde então. Mas, voltemos à Faculdade.

Num belo dia, sentados no banco de um dos corredores, ela disse-me, de repente: sabes, não sei o que é que eu ando a fazer por aqui. Eu, espantado, indaguei: como assim!? E ela, com muita seriedade, olhando bem para dentro dos meus olhos, respondeu tranquilamente: devia ficar em casa a escrever as minhas histórias. E manteve fixo aquele olhar sério dentro dos meus olhos. Então, eu disse-lhe: faz isso. Fica em casa e escreve as tuas histórias. E ela fez isso. Fez isso! E esse foi o último dia em que Paulina Chiziane esteve na Faculdade como estudante de Linguística. Nunca mais lá voltou. Estávamos, então, no segundo ano do nosso curso. Pouco depois, publicou Balada de Amor ao Vento, em 1990. Que se saiba, o primeiro romance escrito por uma mulher em Moçambique e por cá publicado.

Passado mais algum tempo, e numa daquelas vezes que a levávamos para Matola, entregou-me uma daquelas enormes e antigas pastas de arquivo que conhecemos há muito tempo, totalmente cheia de papel A4 dactilografado. Pediu-me que lesse aquilo tudo e dissesse algo. Olhei para ela; não tinha como recusar. Era o original, sem cópia absolutamente nenhuma, do que veio a ser a sua segunda publicação em livro, em 1995: Ventos do Apocalipse. E deu-me, nesse então, o privilégio de apresentar esse romance ao público, na Matola. Fi-lo prazerosamente. O Mia Couto esteve.

Edição da autora, Ventos do Apocalipse abriria as portas para a Paulina percorrer o mundo. De facto, uma senhora austríaca que lera e apreciara positivamente o primeiro romance da autora, Balada de Amor ao Vento, fez de tudo e conseguiu que esse segundo livro, Ventos do Apocalipse, ganhasse uma tradução em alemão e fosse, junto com a autora, ser exposto na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. A maior Feira do Livro do mundo que se conhece. Estando lá, expondo o seu livro numa barraca de livros em alemão, Paulina Chiziane é descoberta por Zeferino Coelho, o bem conhecido editor da Editora Caminho – agora da Leya – que, espantado por vê-la no meio de obras em alemão, sendo ela uma escritora de língua portuguesa, convida-a a conhecer o pavilhão onde estavam expostos os livros escritos em português. E ainda a convida a ir com ele a Portugal. Literalmente, a rota de viagem de Paulina, que deveria ser Maputo-Frankfurt-Maputo, foi desviada por Zeferino Coelho, tendo seguido viagem, logo após o encerramento da Feira em Frankfurt, para Portugal. Pouco depois, em 1999, saía a segunda edição de Ventos do Apocalipse, sob chancela da Caminho. Caminho, onde já haviam passado escritores como José Saramago, José Craveirinha e outros de grande peso nas literaturas de língua portuguesa. Talvez fosse o indício do peso que ela viria a ter entre nós. E assim se abriram, de uma vez por todas, os caminhos internacionais da nossa Prémio Camões 2021.

Depois seguiram-se O Sétimo Juramento, em 2000, bastante procurado e lido, inclusive, pelos vendedores informais de Maputo. Pouco depois, o romance que está a fazer furor: Niketche: uma história de poligamia (2002). Niketche foi escolhido há pouco, no Brasil, para ser uma obra de leitura obrigatória para quem queria ingressar na Unicamp, a Universidade de Campinas, do Estado de São Paulo. Essas últimas duas obras saíram também pela Ndjira, sediada em Maputo. Uma espécie, nesse então, de uma extensão da Caminho. Mas, quem é, de facto, Paulina Chiziane?

Quem é, de facto, Paulina Chiziane?

Paulina Ricardo Chiziane, de nome completo, nasce a 04 de Junho de 1955, em Moçambique, no distrito de Manjacaze, província de Gaza. Filha de pai alfaiate, Ricardo Chamusse Chiziane, e de mãe camponesa, Adelina Khau, é a sétima filha de um total de oito irmãos. O primeiro contacto dessa família com a literatura, no sentido mais amplo, ficou-se a dever à milenar prática tradicional dos contos à volta da fogueira. Ainda hoje, em várias regiões de Moçambique, essa prática continua viva e a iluminar as mentes e a imaginação de uma vasta massa de crianças. E não só. Tudo indica, por conseguinte, que a prática das narrativas orais à volta da fogueira, em Manjacaze, no seio da família, pode ter sido a primeira escola literária da nossa Doutora Honoris Causa em Estudos Artístico-Culturais e Literatura, e Prémio Camões 2021, enquanto ponto de partida para o seu gosto particular em contar histórias. E hoje recebe o prestigiado Prémio Camões.

É sobejamente sabido que Chiziane sempre recusou os consolidados rótulos de romancista e feminista. Categórica e reiteradamente, tem afirmado que o que escreve tem mais a ver com as suas vivências ao longo dos seus anos de vida e não com movimentos de ideias. Desse ângulo, parece não restarem dúvidas de que os contos à volta da fogueira, ora referidos, constituíram, de facto, o marco inicial da sua paixão pelas narrativas, paixão que se vincula, indubitavelmente, às práticas tradicionais da sua comunidade de origem – e de Moçambique, de uma forma geral -, aspecto sempre presente na sua escrita. Seja ela ficcional ou ensaística.

Com 5 anos de idade, Paulina muda-se com os pais, de Manjacaze para Lourenço Marques, hoje a capital Maputo. Começa a estudar, frequentando a escola indígena da igreja católica, embora a sua família fosse protestante. Aí, ainda na escola primária, descobre que gosta de pintar e sonha um dia vir a ser pintora. Mas as condições de vida e o sistema patriarcal da família não permitiram a realização desse sonho. Pintar, para o raciocínio de então – e mesmo com a elevada abertura cultural dos dias de hoje –, pintar, para alguns, ainda é, às vezes, coisa de rico; coisa de homens, não de mulheres. A mulher devia preparar-se para casar e ser dona de casa. Talvez, por aí, a sua atenção em relação à temática da mulher. Mergulhada nesse raciocínio, Paulina decide substituir a pintura pela escrita. Pelo que fiquei a saber, o seu primeiro acto de escrita deu-se através de um diário que ela havia atribuído o nome “O Diário dos Sonhos”. Um manuscrito que acabou não saindo dos sonhos, acabando, mesmo, por se perder com e no tempo.

Ao despertar, Paulina divertia-se, tentando representar, já não com a pintura, mas com a palavra, tudo o que sonhara e de que se lembrasse. Desse modo, foi desenvolvendo habilidades na escrita, o que fazia sigilosamente: os pais não podiam saber que gastava papel na escrita de coisas infantis. E “coisas infantis”, no caso, poderia significar coisas insignificantes, sem importância. A família era pobre e, por isso mesmo, devia-se poupar o caderno escolar. Os pais não podiam saber que ela gastava papel na escrita de coisas “sem valor”, infantis. Contudo, deve ter sido nessa fase da escola que emergiram as primeiras influências literárias para esta autora, tendo como fontes a Literatura Portuguesa.

A Literatura de Cordel que, de certo modo, nos reenvia a relatos orais e formas populares, era uma das suas preferidas. Também teve contacto com livros que representavam o guardador de gado bovino norte-americano, o vaqueiro, mais conhecido em Moçambique, nas famosas revistas de banda desenhada, por “cowboy”. Mais tarde, ela teve contacto com a Literatura Brasileira e com os grandes autores africanos. Essa é a Paulina que, tendo percorrido vários e longos caminhos, foi candidata e recebeu o título de Doutora Honoris Causa em Estudos Artístico-Culturais e Literatura, pela Universidade Pedagógica de Maputo, e recebe hoje, 05 de Maio de 2023, o Prémio Camões.

O quotidiano moçambicano, enquanto fonte de inspiração para a escrita, chega-lhe já na idade adulta, dominando-a, obrigando-a a tomar aquela posição que tomou no banco do corredor da Faculdade: ficar em casa a escrever os seus livros. É quando começa a descrever os anseios, as contradições e dificuldades de uma sociedade que luta por ser ela, luta por sobreviver e reconstrói-se. O terror da guerra civil em Moçambique, presenciado na primeira pessoa, quando trabalhava como assistente de emergência na Cruz Vermelha de Moçambique, foi um estopim para os seus temas. Trabalhar na Cruz Vermelha de Moçambique constituiu, para Paulina, uma forte motivação para a publicação dos seus escritos. As práticas tradicionais no Norte, além das do Sul, ganham espaço nas suas obras. Tais são os casos das já referidas obras O Sétimo Juramento, que aborda o Sul; Niketche: uma história de poligamia, que aborda o Norte; às quais veio a juntar-se O Alegre Canto da Perdiz (2008), que aborda o Centro-Norte. As duas últimas, em particular, Niketche e O Alegre Canto da Perdiz, versando sagazmente sobre o universo feminino, levam a que Chiziane seja considerada, por muitos, uma feminista. Porém, a opressão da mulher no dia-a-dia, também dentro da família patriarcal, de onde ela é originária, em conexão com as ideias libertárias que ocorrem no país e no mundo, creio terem ajudado a criar na Paulina uma literatura própria, ímpar, de causas humanas incomensuráveis e com discurso humanista.

Da ficção literária ao ciclo ensaístico

A seguir a O Alegre Canto Da Perdiz, é como se o ciclo do romance se tivesse fechado, substituído pelo do conto. E aí surgiram As Andorinhas, também em 2008, uma colectânea que narra a história de 3 personalidades moçambicanas, com destaque para Eduardo Chivambo Mondlane, o arquitecto da unidade nacional. Essa narrativa, em particular, veio a merecer uma adaptação para o teatro, no mesmo ano, apresentada num recital alusivo, exactamente, ao Ano Eduardo Mondlane. Ainda em 2008, Paulina organiza em Angola, em parceria com Dya Kassembe, As Heroínas Sem Nome: memórias de guerra e paz das mulheres em Angola, com o financiamento da ajuda popular da Noruega. Depois disso, faz uma pausa e, ao retomar a escrita, entra num novo ciclo: ensaístico.

Primeiro, escreve Na Mão de Deus (2012), em parceria com Maria do Carmo da Silva. Essa obra devia ter sido a primeira a sair. Mas saiu primeiro Por Quem Vibram os Tambores do Além (2013), em co-autoria com Rasta Pita. Costumo dizer que se trata de uma trilogia, juntando-se a essas duas Ngoma Yethu: o curandeiro e o novo testamento (2015), escrito em parceria com Maria Ana Martins. Depois da publicação de Na Mão de Deus, em co-autoria com Maria do Carmo Silva – livro em que Paulina, a pretexto de discorrer sobre uma dramática experiência de vida, levanta o véu a toda uma série de questões fortemente marcadas pela discriminação, exclusão e, consequentemente, marginalização dos doentes mentais, quer pelas famílias quer pelos hospitais e pelo Estado –, a longínqua autora de Balada de Amor Ao Vento, Ventos do Apocalipse, O Sétimo Juramento, Niketche, As Andorinhas e O Alegre Canto da Perdiz, parece ter, de facto, a partir de então, optado por um novo paradigma de escrita, não propriamente ficcional, mas contemplativo-reflexivo, ao nos apresentar Por Quem Vibram os Tambores do Além, Na Mão de Deus e Ngoma Yethu. Nestas obras, ela volta o seu olhar para África, para as suas práticas ancestrais, suas crenças; para as suas religiões e diz qualquer coisa como “África, Surge et Ambula”. Algo como, “África, seja você mesma e aposte na identidade africana, na sua africanidade”!

A seguir, estreia-se na poesia com O Canto dos Escravos (2017), como se aprofundasse a busca da sua própria ancestralidade, percorrendo os caminhos da história. E depois deu espaço a uma laboriosa pesquisa, traduzindo a palavra por meio da música. E aí nos surpreende, compondo, editando e publicando música num disco compacto (CD), em 2019: Mensagem de Esperança em Tempo de Corona Vírus. Trata-se de um trabalho feito com um grupo de amigos. Em 2021 escreve e publica, também em co-autoria – desta vez, com Dionísio Bahule –, A Voz do Cárcere, colectânea de depoimentos de presidiários. De 2011 para cá, trabalhou na composição orquestral de uma ópera de natureza histórica, recentemente estreada (2023), na pretensão genuína de apresentar a história de África por meio da música. Paulina Chiziane subiu aos palcos não apenas como autora de textos dramáticos, mas também como actriz. E Msaho é a denominação da ópera africana de sua autoria, que juntou vários pesquisadores – entre dramaturgos, historiadores, filósofos, e não só.

Deve-se referir que de 1988 a 2002, Paulina publicou vários contos na Revista Tempo, nos jornais Notícias e Domingo; participou em conferências de arte e literatura em Moçambique e em diferentes universidades da Europa, Ásia, América e África, actividade à qual continua ligada; publicou várias comunicações e entrevistas em revistas culturais e científicas de diferentes línguas, também na Europa, Ásia, América e África, e está presente em diversas antologias na Alemanha, Estados Unidos, Noruega, Polónia, Suécia, Suíça, entre outros países. E todos os seus livros são matéria de diferentes estudos e, em particular, ao lado de Mia Couto, Paulina encabeça os autores moçambicanos alvo de estudos em dissertações de licenciatura, mestrado e teses de doutoramento no Brasil e em Portugal. Candidata nomeada ao Prémio Nobel da Paz de 2005, pelo movimento One Thousand Peace Women for Nobel Price – em reconhecimento ao seu trabalho de escrita militante pela causa da igualdade e justiça, igualdade nas relações humanas do seu país, e reconhecimento do trabalho social na promoção da mulher e dos grupos desfavorecidos – Chiziane foi também nomeada uma das mil mulheres pacíficas do mundo, pelo movimento internacional de paz One Thousand Peace Women. Ganhou, em parceria com Mia Couto, o prestigiado Prémio José Craveirinha de Literatura, em Moçambique, pelo livro Niketche. E é interessante fazer referência a esta parceira com Mia Couto, porque Paulina, afinal, e com base, precisamente, nesse seu livro Niketche, foi anunciada recentemente por uma universidade indiana, ao lado de Pepetela, escritor angolano, no sentido de que esse seu livro, Niketche, seria traduzido para a língua bengali, da Índia, junto com uma obra do escritor angolano. Portanto, não é só com Mia Couto que se notam parcerias desta autora, que hoje recebe o Prémio Camões, mas também com Pepetela. E mais: no dia da cerimónia de outorga do título de Doutora Honoris Causa à nossa Paulina, Pepetela recebera no dia anterior o seu título de Doutor Honoris Causa.

Paulina Chiziane é Prémio Camões 2021, prémio que recebe hoje. Quem ganhou o Prémio Camões em Moçambique foi José Craveirinha e Mia Couto. Ou seja, e no final das contas, a nossa Paulina não está somente ao lado de Pepetela; não está apenas ao lado de Craveirinha, Mia Couto, José Saramago e outros, pela Caminho – onde todos esses publicaram livros –; ela está também ao lado de todos aqueles escritores que, como ela, ganharam o Prémio José Craveirinha e ganharam o Prémio Camões. Ela é, de facto, uma grande escritora. Não por acaso, vence em 2021 o Prémio Camões, sendo, digo uma vez mais, a primeira mulher preta e africana a receber esse prestigiado Prémio.

Também recebeu várias condecorações: a de Grande Oficial da Ordem de Infante Dom Henrique, em Portugal; a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil; a de Medalha de Artes e Letras, em Moçambique. Os seus livros estão traduzidos e publicados em vários países, desde o Brasil e Portugal, passando pela Alemanha, China, Croácia, Espanha, Estados Unidos da América – só para citar alguns exemplos. E, mais recentemente, Índia, como referido. É essa mulher, pois, Paulina Ricardo Chiziane que, pela profundidade da sua obra literária e ensaística, pelo seu trabalho musical e teatral, pela sua dignidade e verticalidade, pelo seu nacionalismo, seu humanismo e sua profunda visão, defesa e valorização da cultura ancestral moçambicana e africana, hoje Doutora Honoris Causa em Estudos Artístico-Culturais e Literatura, pela Universidade Pedagógica de Maputo, que eu, com muita honra, na qualidade de padrinho, apadrinho – também hoje, dia em que ela recebe, meritoriamente, o Prémio Camões, ganho em 2021.

Parabéns à nossa Paulina Chiziane!

Maputo, 05 de Maio de 2023.

 

Por: Otildo Guido

 

Alerto Bia é um escritor atento ao seu tempo e ao seu espaço. Em o ardina de sapatos gastos, capta o quotidiano e invoca as imagens comuns. Os personagens deste livro são sem rostos definidos e sem massa corporal inteiramente palpável, quiçá o autor queira fazer com que todos se sintam representados nesta obra, ou queira trazer à ribalta a sociedade sem categorização em estratos sociais e fisiológicos, quiçá para atestar a hipótese de que o que existe existiu e existirá. É tudo um processo de metamorfoses sucessivas.

Confirma-se essa hipótese de leitura no texto da pág. 17, quando diz que “a pouca fome que tinha havia se esvaído. Quase sempre, acontece com todos nós, quando um tormento sacia o nosso ser”.

Fala da fome como o elemento que nos lembra a nossa humanidade, a nossa essência enquanto habitantes deste vasto universo.

Não sabemos, por exemplo, se a Açucena Ricardo Reis, filha de um português e uma negra ronga, que nasceu na Ilha de Moçambique e formou­-se na Universidade de Coimbra, é branca ou negra. Ou se é filha de um dos heterónimos de Fernando Pessoa. O único dado que o narrador nos apresenta é que era mulher fruto dessa união intercontinental.

No texto da pág. 23, Dona Rodália, que, por acaso, é o mais extenso deste livro, o autor conta-nos a estória de um casal cujo marido escreve versos e tem como musa a sua empregada, porém o Alerto não dá juízo final das desconfianças da mulher sobre esse romance. Deixa com que o leitor continue a ruminar as incertezas dela, e crie as suas próprias linhas de interpretação.

Em alguns textos, Alerto esquece-se da prosa, recupera a poesia, e divaga usando os corpos de Rachel e Constante, e, no fim do texto, introduz Sidónia, a mãe da Rachel sem nenhum antecedente ou função dentro da estória. E essa técnica vai se repetindo numerosas vezes ao longo dos textos aqui apresentados. Alerto não se prende aos personagens. Aqui neste livro são peças, o meio para um fim maior, que é o delírio, o estranhamento e a interrupção.

Alerto reflecte profundamente sobre a morte, o descanso dos corpos e se apropria de alguns contos populares moçambicanos para construir a sua linha ideológica e estética, tal como se refere o prof. Sávio “o poeta é uma instituição ideológica e estética”, quiçá por isso que Alerto coloca pontos finais em alguns textos e outros simplesmente deixa-os como uma panela destampada à espera de uma mão que a acolha.

Vê-se claramente que Alerto se despe de todas as possíveis regras linguísticas para criar um novo horizonte da sua carreira, nessa incansável busca pela novidade, pela transgressão das fronteiras.

Como havia dito, Alerto é um poeta que se experimenta em prosa.

Em Ardina, o padrasto do neto do avô da maldade, o Simonge, diz que um homem deve “nascer e escrever para ser completo”, coloca-nos aqui o percurso último da vida, como quem diz que se não escrevemos, não somos completos, neste caso só os que escrevem são completos, e os que lêem? E os que não fazem nem uma nem outra coisa?

Este livro discute o envolvimento da polícia na resolução de crimes, o seu distanciamento em certos casos de violência que se verificam no nosso quotidiano. Ele conta uma situação em que o polícia se envolve em um crime, o general da corporação se distancia desses actos, e dias seguintes ele é tido como foragido e o caso dá-se por encerrado.

Toca temáticas fortes da nossa sociedade, desse seu jeito peculiar, entre a poesia e a prosa, não necessariamente a prosa poética. Estamos perante um conjunto de microcontos e microcrónicas.

Quando Alerto escreve que “o ardina tinha os sa­patos gastos e o calcanhar à espreita”, na pág. 11, descreve as ruínas dos que trabalham sob o sol, procura transmitir a vida dos comerciantes que precisam caminhar para venderem os seus produtos. Alerto mostra-se atento às questões básicas dos movimentos dos mercados do nosso país, a luta dos comerciantes, das mulheres que vendem a beira da estrada, ou que caminham casa a casa para venderem os seus produtos, não apenas por elas, mas pelos seus filhos que sofrem a pressão económica e social da vida.

Alerto não traz os rostos dos personagens, não os caracteriza para que eles sejam quaisquer, e tenham todos os rostos comuns das pessoas que conhecemos.

Alerto morou em Niassa, norte do país, e traz essa experiência de vida no texto com o título “não era Cardoso, o menino do sonho gigante” conta-nos a estória de um jovem que queria mudar o mundo, com sonhos e perspectivas revolucionárias, a única coisa que nos deixa saber é que o rapaz apenas conseguiu vencer um prémio por juntar caricas de garrafas para constituir as partes de uma bicicleta.

Este livro pode-se ler olhando pelo menos três ângulos:

Primeiro: considerá-lo composto por dispersos e fragmentos

Segundo: considerá-lo composto por narrativas abertas; e

Terceiro: considerá-lo composto por tentativas de construção de uma narrativa que se apoia na poesia para espelhar a prosa e na prosa uma ideia.

 

BIOGRAFIA

Alerto Bia nasceu em Inharrime, Inhambane a 02 de Março de 1993. É licenciado em ELT (English Language Teaching) pela Universidade Pedagógica. Frequenta actualmente Licenciatura em Filosofia pela Universidade Save. Lecciona Inglês na E.S 4 de Outubro – Maxixe. Foi associado do CEPAN (Clube de Escritores, Poetas e Amigos do Niassa). Participa de antologias nacionais e internacionais. Escreve para jornais e revistas.

Obras publicadas:

  1. Sonhar é ressuscitar. Maputo: Livres editores, 2016 
  2. Sombras Cálidas. Brasília: Editora do Carmo, 2017.
  3. O desassossego por dentro. Belém: Editora Folheando, 2021. [Prémio Internacional Literatura e Fechadura, 2020]
  4. O ardina de sapatos gastos. Beira: Editora Fundza, 2022.

 

 

A Banda Pentecostal vai lançar, às 16 horas de hoje, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo, o álbum intitulado “Viagem missionária”.

Constituído por 13 faixas musicais, o álbum pretende proporcionar aos ouvintes uma experiência de viagem pela palavra de Deus, fazendo do gospel uma forma de buscar a paz, a liberdade, a solidariedade e o bem-estar comum. Nesse sentido, os artistas da banda investiram numa diversidade de ritmos ao longo dos dois anos de trabalho.

O disco “Viagem missionária”, da Banda Pentecostal, contou com a produção, direcção e arranjos de Carlos Gove,  co-produção, mistura e mastetização de Filipe Mondlane (Filipinho) e patrocínio da Mozal.

Para os integrantes da banda, que, esta sexta-feira falaram numa conferência de imprensa sobre o espectáculo de lançamento do disco, Carlos Gove a todos garantiu a visão de que é possível ter uma forte indústria gospel em Moçambique. Com a sua experiência, o baixista despertou em todos os membros da Banda Pentecostal a confiança no trabalho que agora culminou no álbum.

A partir das 16 horas, o concerto de lançamento de “Viagem missionária” contará com a participação do cantor gospel sul-africano, Mthunzi Namba. Além de se sentir feliz pela presença no concerto, o artista da África do Sul enalteceu, esta sexta-feira, em Maputo,  o excelente trabalho da Banda Pentecostal. “É um momento excitante para mim, por estar aqui em Moçambique, e sinto-me ansioso por poder actuar neste sábado”, disse o sul-africano.

Com músicas como “Fambanine”, “Angakona wo fana na Yesu”, “Jerusalema”, “Alfa e Omega”, “Santo Santo” e “Ndza khensa”, o disco pretende, igualmente, mostrar que Moçambique é um país rico em termos de ritmo e a música gospel faz parte dessa diversidade rítmica. A ideia é proporcionar aos moçambicanos um conteúdo educativo e as vantagens de se seguir uma vida temente a Deus.

O espectáculo desta tarde foi preparado a pensar em mil pessoas na audiência do Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlande, onde se vai ouvir marrabenta, magica, R&B e afro-pop. Mthunzi Namba vai interpretar quatro canções no espectáculo, numa actuação interactiva, segundo prometeu.

 

 

A Associação Kulungwana e a MOZAL realizou, esta quinta-feira, uma conferência de imprensa de lançamento dos Prémios Mozal Artes e Cultura. O acto teve lugar na Galeria Kulungwana, sita na Estacão Central dos Caminhos de Ferro de Moçambique, na baixa da cidade de Maputo.

A partir deste ano, os Prémios Mozal Artes e Cultura ganham uma nova forma, passam a Concurso, ampliando e democratizando o acesso aos jovens artistas a nível nacional. Para a Mozal e a Kulungwana, o novo formato cumpre melhor os propósitos de abrangência e igualdade de oportunidades e ajuda a divulgar os trabalhos dos artistas, contribuindo para o desenvolvimento das artes em Moçambique.

Os objectivos dos prémios, este ano, enquadram-se na responsabilidade social da Mozal/South 32 e nos propósitos da Kulungwana, ao premiar o melhor artista anual em cada uma das sete (7) categorias, nomeadamente: Artes Visuais, Cinema e Audiovisuais, Dança, Design de Moda e Vestuário, Fotografia, Música e Teatro.

Para facilitar a submissão e a avaliação das candidaturas, foram elaborados regulamentos específicos por categoria. Estes regulamentos definem mais especificamente os critérios do concurso e colocam o foco principal nos profissionais criativos de cada área, responsáveis pelas obras, que têm habitualmente menos estímulos à formação e desenvolvimento profissional, em desprimor das profissões mais técnicas.

O novo conceito dos Prémios Mozal Artes e Cultura pretende absorver também, através de candidaturas anuais, uma amostragem dos melhores trabalhos e talentos moçambicanos nas sete (7) artes, podendo, através desta recolha, identificar novos talentos e abrir canais de contacto e novas oportunidades para os artistas nomeados e vencedores nestas áreas.

Os prémios, nos dois anos de implementação anteriores (2018, 2019), conseguiram criar um ambiente de grande espectativa no mundo artístico, o que, à época, lançou um novo dinamismo e estímulo à concorrência dentro de cada categoria, ambos factores promotores de crescimento e desenvolvimento da qualidade, competências e profissionalização nas áreas artísticas. Os artistas nomeados e premiados viram o seu nome e obras amplamente divulgadas, dando-lhes assim maior visibilidade nacional e internacional. Pretende-se que com a introdução das inovações nesta segunda versão, os objectivos sejam agora mais amplamente atingidos.

A 10ª Temporada de Música Clássica do Xiquitsi iniciou, na última semana de Abril, com três concertos realizados na Cidade de Maputo. No dia inaugural da Temporada, o Conselho Municipal de Maputo foi palco do Concerto de Gala, com composições dos clássicos W. A Mozart, J. Haydn, A. Vivaldi e Gustav Holst.

Numa noite cheia de luz e glamour, Rui Travasso (clarinete), David Juritz, Suzanne Martens (violino), Ekaterina Triana James (violino), Maya Egashira (viola d’arco), Peter Martens(violoncelo), Florêncio Manhique (violoncelo) e Orquestra Xiquitsi fizeram um concerto memorável.

Já no dia seguinte, 28 de Abril, o concerto Noite Clássica teve lugar no Centro Cultural Franco- Moçambicano, e o momento marcante foi a apresentação da obra Moya-quintento de cordas, escrita pelo Compositor e Coordendor Artístico do Xiquitsi, Estevão Chissano. A obra foi executada pelos músicos convidados à 1ª série.

Já no terceiro e último dia da série inaugural de concertos inerentes à 10ª edição, 29 de Abril, na Sé Catedral de Maputo houve a Tarde Clássica, com interpretações de composições de W.A Mozart, Tradicional isiZulu, Jim Papoulis, Ernani Aguiar, Tradicional Lesotho/isiZulu, Diogo Dias Melgás, Énio Matlombe, Tradicional isiXhosa, Giuseppe Verdi. Para a surpresa de todos presentes, o fecho do concerto foi com a interpretação de “Oh happy day” de Edwin R. Hawkins na voz da Xixel Langa e o Coro Xiquitsi.

Os três concertos inseriram-se na projecção de uma temporada em celebração do décimo aniversário do projecto Xiquitsi da Associação Kulungwana. Por isso mesmo, falando aos parceiros e amigos do Xiquitsi, na presença da Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Matrula, e do Presidente do Município de Maputo, Eneas Comiche, a Directora-Executiva da Kulungwana – Associação para o Desenvolvimento Cultural, Henny Matos, referiu que: “São 10 anos de muito investimento nos nossos jovens estudantes em prol do desenvolvimento artístico no nosso País, e para atingirmos estes resultados só foi possível com o apoio consistente dos nossos patrocinadores alguns dos quais tem apoiado o Xiquitsi desde o princípio”.

Em todos os concertos o público teve a oportunidade de testemunhar o resultado dos feitos do Xiquitsi através de obras moçambicanas compostas por alguns alunos na qualidade de professores ou maestros (Estevão Chissano, Énio Matlombe, Herminda Sucena Nela).

Actualmente, o Xiquitsi conta com três orquestras e coros de níveis diferentes, 250 alunos, cinco alunos a frequentar o ensino superior de Música em Portugal e a replicar a experiência Xiquitsi nas Províncias de Nampula e Cabo Delgado, através do projecto Cantate, financiado pelo União Europeia.

Neste ano que se celebra uma década do projecto Xiquitsi, em jeito de comemoração, além dos três iniciais, o Xiquitsi vai realizar mais sete concertos, com reportório variado. Os eventos contarão com músicos internacionais que têm sido convidados em anos anteriores e que têm acompanhado os alunos do projecto ao longo destes anos.

Por: Edna Matavel

 

Invadiram o seu quintal, deram um tiro no cachorro que tanto ladrava para avisar aos seus donos que haviam intrusos na casa. Foram do lado de trás, onde dormia o Paito. Arrombaram a sua porta de zinco, acenderam as suas lanternas. Ele acordou e perguntou o que se estava a passar. Eles disseram: Cala-te, cabrão! Eram cinco homens bem armados, três fardados e dois não. Um deles tirou o instrumento que lhe conferia poder, espancou o jovem até sangrar pelas narinas. Ele ficou deitado no chão e o agente da polícia pisou o seu rosto com a bota que havia envergado, tão dura quanto a rocha. Paito questionou o motivo de tamanha violência, mas nenhum deles respondeu. Eles dizem que as autoridades não tem responsabilidade de responder a um simples cidadão.

A sua mãe ouviu os gritos, abriu à porta, viu o filho algemado e ferido. Tentou interpelá-los e recebeu um insulto e chapada no rosto. Ela desmaiou.

Paito foi rastejado, ameaçado e sem direito à defesa. Raquelina, sua irmã, mergulhava no mais profundo dos sonhos quando o seu irmão visitou o seu cérebro e despertou. Escutou o barulho que ainda se fazia sentir. Saltou da cama toda desesperada. A mãe estava deitada no chão, quando ouviu o seu irmão a chamar por ela. Correu até ao portão, do lado de fora, viu o irmão debruçado nos bancos do famoso Mahindra e algemado como um cão vadio. Ela fixou o olhar no motorista, era o seu primo Betinho. Não quis acreditar que o sangue do seu sangue estava a assistir o cenário sem intervir. Imediatamente, foi acordar a mãe e o Mahindra tinha ido embora.

Mãe, não vais acreditar quem está a conduzir o caro que irá levar o mano até ao posto policial… É o primo Betinho, filho da tia Rofina.

Não é possível, filha! Será mesmo que os pretos não se podem governar? Que é só dar-lhes armas que se matam entre si? O poder transformou verdadeiros seres humanos em verdadeiros insensíveis.

As duas questionavam-se o motivo que levou o Paito à prisão. Ele era um homem de boa índole. Os vizinhos começaram a sair, e Raquelina foi até à esquadra na companhia do amigo. Quando lá chegaram, foram travados na porta por um agente. Ela perguntou incansavelmente o motivo da prisão do irmão e ele respondeu que a sua tonalidade de voz era desacato à autoridade. Então ela perguntou o que seria desacatar à autoridade. Nenhum deles respondeu, mostraram ignorância nas próprias palavras, mostrando que para eles o poder está na arma e no uso do medo como instrumento de dominação.

Meteram-me na cela, enquanto mano Paito era chamboqueado do outro lado, vivemos um neo-colonialismo no nosso próprio país. Daí, um deles disse-me que o mano estava a ser detido por ensinar às crianças a cantar Povo no Poder. Fiquei em choque.

Raquelina ficou 24 horas trancada em uma cela escura com insectos, sem contacto com o mundo externo. Sofreu uma violência psicológica e nenhum dos que tinham o dever de a proteger o fizeram. No dia seguinte, quando saiu da cela, recebeu a triste notícia do desaparecimento físico do irmão. Ela não acreditou e, quando tentou entender o motivo, apontaram-lhe uma arma… Foi doloroso chegar a casa e contar à mãe.

As cerimónias fúnebres foram realizadas e ninguém se pronunciou a respeito da súbita morte, nem mesmo os que detêm o poder. Primo Betinho foi o primeiro a derramar lágrimas de nostalgia, morreu como cão, nas mãos de terroristas disfarçados de gente que carrega o cinto da paz.

Raquelina decidiu seguir um curso de comunicação social, reportar as causas ocultas, documentar factos. Encontrou na escrita o seu refúgio. Tempos depois, foi novamente presa, acusada de usar os seus textos para infringir todas as regras. Nem mesmo o seu talento foi respeitado. Ele deve permanecer na gaveta para não despertar as elites.

É quase madrugada e Raquelina não chega a casa. A preocupação no coração de sua mãe é maior. Nas primeiras horas do dia, a mãe saiu à rua e, no seu muro havia uma imagem do filho Paito colada a da Raquelina com uma cruz desenhada na testa de ambos. Todos os traumas voltaram, pobre mãe, decidiu arrumar s suas coisas e regressar a sua terra natal, onde durante anos fugiu da guerra civil.

Hoje, ela chora a morte dos filhos. Ninguém pagará  por isso, mas os seus pagaram com a própria vida em busca do bem comum e defesa dos direitos de cidadania.

 

Por: Dany Wambire

 

A primeira letra deste texto saiu-me às 23h59 de 1 de Maio, o dia em que decidiste partir. Não quis deixar para o dia seguinte a celebração da tua partida, uma das mais serenas que eu já acompanhei.

Soube da tua partida às 14h43 minutos, através do Rogério. Sem lhe perguntar, assegurou-me que recebera a informação de fontes seguras. Em momento algum ocorrera-me fazer telefonemas ou cruzar fontes. Não queria sofrer demais com esta informação. Tu tinhas estado comigo há umas semanas. Trabalhamos de forma intensa para que o teu livro saísse antes de regressares a Portugal para tratamentos. Estavas debilitado e sentias muita dor, mas não querias regressar a Portugal sem realizares o teu lançamento na Beira e no Maputo.

Acho que, por alguma razão, o livro não saiu antes. Podia ter saído mais cedo, pois me tinhas enviado a primeira versão a 26 de Abril de 2022, umas duas semanas depois da Páscoa daquele ano, e quis o destino que os textos fossem lançados na Páscoa de 2023. A acompanhar o anexo dos textos, vinha o seguinte: “Proponho-te que os vás lendo. E se encontrares alguns, de que gostes, fica-te com esses e outros deita fora. Se vires que alguém pode aproveitar com a sua publicação, faz de contas que são teus, fazes deles o que bem entenderes”.

Como editor (imagino-te a sorrir ao ouvires isto), fiz o que bem entendi: coloquei os textos na fila de espera e li-os apenas quando soube que vinhas para Moçambique em Janeiro deste ano. Li o livro de poemas, li o livro com lições de Português que andavas a dar por aí (lembras-te deste “por aí”?) aos teus alunos e reli o livro de ensaios sobre os 56 romances africanos que já me tinhas enviado.

Entendi que, do conjunto de livros que me pediste para publicar, aquele era o mais urgente. A razão: naquele livro tu celebravas a vida que foi a tua: os momentos da tua infância entre a Mina e a Ribeira, no qual a Deus, através do poema: rip (p. 19), tu fizeste um pedido: “dá-me dois metros de paz”, que, com certeza, vais ter agora.

Em Fevereiro, confirmei-te que iria publicar o livro de poemas e começamos a trabalhar. Submetemo-lo a trabalhos editoriais: cortamos-lhe alguns poemas, retiramos-lhe o texto de apresentação e demos-lhe um título simpático.

Mas quando tudo corria normalmente, tu enviaste-me um e-mail, no qual, de forma suave, pedias-me urgência. De forma suave ou não, tu sabes que mandavas em mim. Mas fiquei mais sensibilizado com o teor da tua mensagem: “Olha, tenho andado a emagrecer muito e sinto-me cada vez debilitado. E então deixei-me ir completamente abaixo, quando soube que me foi diagnosticado um tumor na cabeça do pâncreas. Ainda não sabemos ainda se é benigno ou maligno. De Lisboa, tanto o médico como os superiores me serenam e inspiram confiança. E nenhum deles me diz que regresse logo-logo, mas é claro que não podemos perder tempo”.

Calhou-me passar por Maputo, alguns dias depois de me teres mandado a mensagem, e fui visitar-te a Kim Il Sung. Confirmei o que tinhas escrito na mensagem. Mas conversamos longamente. Apesar da dor da enfermidade, o teu bom humor estava ali e querias conversar. Mas eu precisava de partir (queira eu para te fazer companhia nesta viagem infinita que seguiste), tinha um evento a escassos minutos. Mais, tu foste a tempo de surpreender: equilibraste-te naquele chão de parqué, foste ao quarto e trouxeste-me um presente. “Trouxe-o de propósito de Portugal para to oferecer”, disseste-me quando eu ensaiava recusar o presente.

Acompanhaste-me até à porta e vi que estavas muito debilitado. Bem que me apeteceu dizer-te: “tenhas coragem, padre! Vai estar tudo bem”. Mas evitei, pois tu, com certeza, mesmo naquele estado, haverias de dar uma boa gargalhada, troçando-me: “então, queres ensinar a fé a um padre?!”

Os dias para a tua viagem a Portugal aproximavam-se. Estávamos a uns quatro dias. Nós queríamos fazer duas apresentações do teu livro, mas não tínhamos os exemplares ainda. Estavam numa gráfica, na África do Sul. Na fé, marcamos as datas de lançamento, para Beira e Maputo. Na Beira, só conseguimos ter os livros a 24 horas do evento. Graças a Deus, tudo correu bem. Tivemos o lançamento, que lembrava mais uma despedida do que um evento comum. Eu tinha esse pressentimento, muita gente, naquela sala, tinha esse pressentimento, mas ninguém queria assumir publicamente. Mesmo tu, padre, sereno, leste-nos os olhos e fizeste questão de nos acalmar, dizendo: “eu volto a Portugal e vou ficar bem.” Todos nos lembramos disso. Todos lembram-se disso e de várias coisas boas que fizeste a pessoas que cruzaram o teu caminho.

Tu disseste, com algum exagero, no dia do lançamento do teu livro, que eu era uma figura benemérita da Beira por estar a contribuir para a educação das pessoas, sobretudo de crianças e jovens, através dos projectos a que estou ligado ou ajudei a fundar. Sei que te enchias de júbilo quando ouvias gente desinteressada falar ou escrever sobre nossos projectos (mais teus do que meus), como foi o jornal Público, pela forma eufórica como tu me escreveste depois da publicada a matéria. Na mensagem, pensas tu, que celebravas a minha vitória. Mas celebravas mais era a tua vitória por teres sabido dar amor a quem mais precisava, por teres conseguido transmitir conhecimento a alguém, talvez, com pouca margem para progredir, por seres verdadeiro e por teres ajudado a sonhar a várias pessoas improváveis.

Sabido isso, vamos às comparações. Entre mim e tu, quem é a figura benemérita da Beira? És tu, obviamente. És tu o princípio e o fim dos projectos que ando a sonhar. Tudo quanto faço é o prolongamento do que contigo aprendi nas inúmeras lições no pátio da Paróquia de Matacuane, na biblioteca do Centro Cultural Padre Cirilo, onde, inicialmente, ficou hospedada a Associação Kulemba, que muito te orgulha, e centenas de correspondências que trocamos no âmbito da edição e revisão da revista Soletras.

Antes de terminar, uma confissão. Sabes como me enchi de alegria quando te vi entrar, pela primeira e última vez, na Livraria Fundza, para lançares o teu livro? Gostei de te ver sentado com pose de rei numa das poltronas do pódio da livraria. Aquilo, confessaste depois, dava-te imensa consolação. O que tinhas semeado, dava frutos. Naquela poltrona, tu te sentias o dono daquilo tudo. Com todo mérito.

Fecho estas sentidas palavras agradecendo à literatura por me ter apresentado a ti. Eras padre, eu sei disso. Mas contigo conversei mais sobre literatura e sobre como essa arte podia ser um instrumento para tornar este mundo mais humano. Deixaste-me nesta batalha.

Espero que estejas a ter um descanso merecido e com sentimento de missão cumprida.

Até já, amigo e mestre, Pe. Manuel Ferreira!

 

 

 

A 5 de Maio de cada ano, celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Para assinalar a data, a Associação Kulemba vai realizar, próxima sexta-feira, 5 de Maio, às 18 horas, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, uma conversa subordinada ao tema “Diálogo entre as variantes do Português de Moçambique, Brasil e Portugal”.

De acordo com a nota de imprensa da Associação Kulemba, na sessão aberta gratuitamente ao público, o escritor e jornalista freelancer Daniel da Costa (Moçambique) e a actriz e escritora Nayara Homem (Brasil) vão recorrer a experiências vivenciadas nos seus locais de trabalho e nas suas viagens para juntos reflectirem sobre as variantes do português falado em Moçambique, Brasil e Portugal, ressaltando as semelhanças e diferenças dessas mesmas variantes.

Na Livraria Fundza, localizada na baixa da Cidade da Beira, o evento deverá durar cerca de 90 minutos e a moderação será feita pelo docente universitário Jane Mutsuque.

Daniel da Costa nasceu em Tete, em 1964, e ingressou no jornalismo em 1987. Trabalhou na então Televisão Experimental de Moçambique como repórter, e na Rádio Moçambique como produtor de programas. Exerceu a crítica de teatro e literatura. Tem colaboração dispersa pelos principais semanários de Moçambique. Foi coordenador da Gazeta de Artes e Letras, suplemento literário da prestigiada revista Tempo. Foi membro de vários júris, incluindo o dos Prémios Gazeta, da revista Tempo, e o Prémio Nacional de Literatura, instituído pela Associação dos Escritores Moçambicanos. É autor dos seguintes títulos de ficção narrativa, editados pela Ndjira: Xingondo (2003), A ciência de Deus e o sexo das borboletas (2007) e A flauta do Oriente (2008).

Nayara Homem é especialista em comunicação, arte e cultura, e nos quase 20 anos de percurso pelo mundo das artes desempenha papéis como produtora cultural, investigadora, escritora, maquiadora, actriz, palhaça, performer e apresentadora. Transita entre circo, teatro, tv, cinema, literatura e fotografia. Os seus caminhos artísticos e as pesquisas incluem passagem por vários países (Espanha, França, Suíça, Peru, México, Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Argentina, Moçambique – chegou em Maio de 2021).

É autora dos livros As tintas do riso (2018), fruto de pesquisa independente, com abordagem filosófica, de tema inédito, cujo foco é a relação entre maquiagem e a arte da palhaçaria, e Cinemaquia (2022), que traz ferramentas e reflexões para maquiadores de cinema e interessados no tema. Em 2020, inicia a sua pesquisa de doutoramento em Estudos Africanos (ISCTE-IUL- Lisboa) para se debruçar sobre a produção de humor e riso em culturas africanas e, a partir de 2021, inicia o seu mergulho na cultura nyau, pesquisando a dança-religião Gule Wamkulu, Património Imaterial da Humanidade.

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