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O País – A verdade como notícia

A Associação Kulemba realiza, a partir desta quarta-feira, a terceira edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2023). Agendada para Livraria Fundza e universidades da cidade, o evento vai juntar autores e leitores de diferentes gerações para a celebrarem Moçambique através da arte literária.

Conforme avança a nota de imprensa, neste dia inaugural, 20 de Setembro, às 14h, a terceira edição da FLIB vai iniciar com a cerimónia de lançamento dos livros Estórias trazidas pela ventania, de Adelino Albano Luís, e Phombe, de Juvenal Bucuane. O evento vai decorrer na Universidade Zambeze. Às 15 horas, na Universidade Católica de Moçambique, será lançado Deixa-me escrever-te, de Timóteo Papel.

À noite desta quarta-feira, quando forem 18 horas, na Livraria Fundza, o professor universitário e filósofo, José Castiano, vai proferir uma palestra subordinada ao tema “O reencontro com munthu: em busca do sujeito reconciliador”. Cruzando a filosofia e a literatura, Castiano vai, inclusive, recorrer a uma abordagem intelectual anteriormente partilhada na sua mais recente publicação em livro: O inter-munthu.

No dia 21, quinta-feira, às 9 horas, na Universidade Católica de Moçambique, o escritor e jornalista Daniel da Costa vai conversar sobre literatura com autores e leitores. Às 10 horas, na Universidade Alberto Chipane, será a vez de Timóteo Papel e Whaskety Fernando trocarem impressões. Por fim, às 14 horas, na Universidade Zambeze, será a vez Mia Couto conversar com a comunidade literária.

No dia 22, sexta-feira, às 9 horas, na Universidade Licungo, José Castiano e Álvaro Vasconcelos farão parte de uma mesa redonda subordinada ao tema “Memória e reconciliação: diálogo entre filosofia e história”. No mesmo horário, no Instituto de Formação de Professores de Inhamizua, Francisco Noa vai interagir com docentes e futuros docentes daquela instituição de ensino. Mais tarde, quando forem 16h30, na Livraria Fundza, Daniel da Costa e Juvenal Bucuane vão dividir a mesa redonda “Isso aconteceu? Fronteiras entre história e literatura”. Por fim, às 17 horas, na Universidade Aberta ISCED, Mia Couto volta a conversar com autores e leitores.

A FLIB 2023 termina no dia 23, sábado, às 9 horas, na Livraria Fundza, com o lançamento do livro Estórias da paz e reconciliação, uma colectânea de crónicas que reúne textos estudantes universitários que se destacaram na edição do ano passado do Concurso de Crónicas. Por fim, às 11 horas, na Livraria Fundza, serão anunciados os vencedores do Concurso de Fotografia “Eu na Livraria”.

A terceira edição da FLIB 2023 decorre com o lema O reencontro com o munthu: diálogos entre a História, a Filosofia e a Literatura. Portanto, a programação dos quatro dias do evento inclui sessões de conversas, debates, feiras, lançamentos de livros e premiação.

Vim para contar uma hisória é o título da nova individual de artes plásticas, de Butcheca. A mostra de pintura será inaugurada esta terça-feira, na sala de exposições do Centro Culural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.

Ao fim de um ano, Butcheca expõe pela terceira vez uma individual de artes plásticas. Depois do Camões – Centro Cultural Português, em Maputo, e da Galeria Manoeuvre, em Matosinhos (Portugal), o artista regressa às exposições com algo por narrar. Na verdade, Vim para contar uma história é uma forma que o artista encontrou para regressar ao seu e ao passado dos moçambicanos, de modo a extrair eventos que ajudam a preservar a memória colectiva de uma sociedade em permanente transformação.

Recorrendo a óleo, carvão e acrílico sobre tela ou à pintura sobre metal, Butcheca imprime nas suas novas obras imagens que sugerem movimentos realizados por personagens aparentemente familiares. Na verdade, é através de figuras aparantemente humanas que, de certo modo, as narrativas de Butcheca ganham, primeiro, um sentido comunitário, e, simultaneamente, nacional.

Vim para contar uma história é a dimensão onde o passado e o presente de Moçambique se encontram, o que faz com que as artes plásticas participem na composição de uma realidade social inerente a um certo tempo. Aliás, conforme aponta a nota de imprensa do Centro Cultural Franco-Moçambicano, “Nesta exposição, Butcheca atravessa episódios da sua autobiografia, cruzando memórias de pessoas e lugares da sua história de vida. Na sua pintura, o artista leva-nos pela mão, fazendo-nos mergulhar no seu universo, através de manchas de cores e personagens, que nos transportam para a sua história, que também pode ser a nossa história”

“Vim Para Contar uma História” estará em exibição até o dia 28 de Outubro.

As Tertúlias Itinerantes, que promoveram o debate sobre interculturalidade no mundo de língua portuguesa, em Maputo, entre Agosto de 2016 e Março de 2020, estão de regresso à capital moçambicana neste final de ano. Interrompidas pela pandemia do COVID 19, as Tertúlias Itinerantes apresentaram, durante quase cinco anos, um cartaz de conversas mensais, animadas por especialistas moçambicanos, portugueses, brasileiros e italianos. Partilhando com as suas audiências conhecimento e experiência sobre temas relacionados com a complexa convivência no interior da comunidade cultural de língua portuguesa, estes especialistas abordaram questões como a coexistência entre o português e as línguas nacionais em Moçambique, a tensão entre as culturas locais e a cultura global, ou a decolonialidade nas relações interculturais neste espaço geocultural.

Com o fim da pandemia, poderemos contar com o regresso desta iniciativa já a partir deste mês de Setembro, a vários espaços culturais de Maputo, pela mão dos seus habituais promotores: Eduardo Lichuge, Lurdes Macedo, Mário Forjaz Secca e Sara Jona Laisse.

O programa deste regresso das Tertúlias Itinerantes começa a 27 de Setembro, às 18h, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, onde Eugénio Santana lançará o debate sobre Xico Nhoca e Nhoca Jr. e os olhares destes personagens sobre o passado e o presente.
A moderação desta tertúlia estará a cargo de Sarita Monjane Henrikson. Em Outubro, no dia 25, também às 18h, Matilde Muocha partilhará o seu ponto de vista sobre as “Indústrias culturais e criativas em Moçambique: utopia e realidade”, no Centro Cultural Guimarães Rosa. Mário Forjaz Secca fará a moderação desta tertúlia.

O cartaz deste regresso fica completo com a sua última tertúlia, a 29 de Novembro, no horário habitual das 18h, com Augusto Jone, que nos falará  sobre “O ensino bilingue e a formação multicultural de professores em Moçambique”. Esta última tertúlia, que decorrerá na Casa do Professor, será moderada por Aissa Mithá Isaak”.

 

Por: Lurdes Macedo

No próximo dia 28, a partir das 17h30, o poeta Rudêncio Morais irá lançar a sua mais recente obra literária, no Instituto Guimarães Rosa, na Cidade de Maputo. A ser apresentada por Aurélio Ginja, O ecoar musical da gente – a música e o amor imprime nos textos o ritmo e as sonoridades moçambicanas. Para o efeito, o autor explorou as vozes, os lugares e os instrumentos tradicionais na definição da essência do que escreve.

Para o autor, O ecoar musical da gente – a música e o amor “é também uma homenagem aos fazedores da nossa música nacional. O livro percorre os vários lugares deste país, fazendo-se tradutor dos nossos silêncios, no amor e na forma com a qual encontramos na música um espaço para exteriorizar o que se nos vai à alma, com pureza e autenticidade”.

Com 110 páginas, O ecoar musical da gente – a música e o amor é resultado de um exercício de escrita bastante interactivo, tendo como ponto de partida a escuta atenta dos trabalhos dos músicos homenageados no livro e entrevistas que os mesmos foram dando em diferentes programas televisivos e radiofónicos.

Na sequência da escuta, houve um trabalho poético de Rudêncio Morais, buscando trazer as suas interpretações sobre o que as músicas tramitem, revestindo-as de uma significação que apalpa o íntimo dos lugares em que as mesmas foram concebidas, e estabelecendo uma ponte entre a música e o silêncio, para depois categorizar a música como um veículo no qual as línguas locais emolduram o amor, “cimentando partidas seguras para uma vida de profunda gratuidade”.

Entre os vários autores homenageados no livro, encontram-se Mr.Nhungue, Isaú Meneses, Grupo Primeiro de Maio, Fafitine, Carlos Gove, Saldicos, Elcides Carlos, Mandjolo, Matchume Zango, Duas Caras e Dudas.

“No final, este trabalho marca uma clara separação entre Falso Poeta e Rudêncio Morais, fechando, assim, um ciclo de convivência repartida, e, pavimentando, assim, um futuro em que o escritor se define plenamente como Rudêncio Morais”. Ou seja, ao contrário do que vinha acontencendo nos livros anteriores, em que o autor assinava Rudêncio Morais e Falso Poeta, nos próximos, o autor passará a assinar apenas com o seu próprio nome.

O prefácio de O ecoar musical da gente – a música e o amor é assinado por Aurélio Ginja, para quem “Há algo de divino na música, que a torna inseparável da voz sagrada da poesia! Por isso, Falso Poeta, vestindo a alma de Rudêncio Morais, cidadão mundano apaixonado pela música e Rudêncio Morais encarnado em Falso Poeta, lavrador da palavra, decidiram juntos e com identidades distintas, mas em comunhão fraternal, embarcar nesta aventura lírica em que a pena literária e a tecla musical de diversos autores se juntam, a beira da paisagem de letras e sons que este livro sugere”.

Entre os dias 19 e 23 deste mês de Setembro, o Cine Scala, na Cidade de Maputo, vai apresentar o Ciclo de Cinema Samora Machel.

A iniciativa é levada acabo pela Fundação Samora Machel e insere-se nas celebrações do nonagésimo aniversário natalício de Samora Machel, ‘‘o líder, o homem, o marido, o pai, o familiar, o amigo, que não está mais entre nós, mas apenas fisicamente’’, lê-se na nota de imprensa.

Com entradas gratuitas, a programação do Ciclo de Cinema Samora Machel inicia diariamente às 18 horas e comtempla a exibição de cinco filmes, nomeadamente: ‘‘Nachingueia’’;  ‘Moçambique independente’’; ‘‘10 dias nas zonas libertadas’’, ‘‘Ofensiva’’, ‘‘25 de Junho, a festa 10 anos depois’’.

Na cerimónia de abertura, marcada para o dia 19 de Setembro, terça-feira, será exibido o filme “Nachingueia’’ e, para fechar o ciclo, no dia 23 de Setembro, a Fundação Samora Machel propõe a exibição de ‘‘25 de Junho, a festa 10 anos depois’’.

Com esta iniciativa, a Fundação Samora Machel pretende fazer uma exibição de filmes de  arquivo nas salas de cinema, escolas e centros sociais em várias capitais provinciais do país, no âmbito da celebração dos 90 anos de Samora Machel.

‘‘Queremos deixar o testemunho a novas gerações para que elas saibam quando e como, ainda há tão pouco tempo histórico, quisemos ser donos do nosso destino. Como Samora nos ensinou’’, refere a Fundação Samora Machel.

A Catalogus – Plataforma de autores moçambicanos e o Instituto Guimarães Rosa realizam, esta quinta-feira, às 17 horas, o evento artístico multidisciplinar intitulado “Como uma gota de sol”, em homenagem a um dos mais distintos e incansáveis dinamizadores culturais de Moçambique: Calane da Silva.

Jornalista, ensaísta, professor universitário, poeta, escritor e “agitador cultural” como gostava de se designar, Calane da Silva teve uma vida intensa, sempre com linhas que, apesar de cruzadas entre profissões, foram sempre dar a um só corpo: Cultura.

“Por isso, fazemos deste espectáculo esse corpo complexo e miscigenado chamado Cultura, cruzando as Palavras, Poesia, Música, Teatro e Retrato, porque tudo o que fez em vida, Calane da Silva, foi formar vários retratos dos outros em si”, avança uma nota de imprensa. “Para compreender o percurso e a personalidade do escritor e intelectual, vamos partir das suas criações literárias icónicas: Dos meninos da Malanga,  Lírica do Imponderável e outros poemas de Ser e Estar e Gotas de Sol”.

A Catalogus é uma plataforma de promoção de autores moçambicanos e desenvolvimento de projectos literários. Esta iniciativa visa contribuir para a valorização e preservação na memória colectiva dos moçambicanos, os feitos do escritor Calane da Silva.

O espectáculo tem a encenação e adaptação dos textos de Calane da Silva por Angelina Chavango, música com Micas Silambo e Letícia Deozinda, os actores Alice Chirinza, Joana Mbalango, Negro e Wangy Cavele.

O evento acontece no Centro Cultural Brasil-Moçambique, actual Instituto Guimarães Rosa, e está inserido na quarta edição do Festival Gala Gala, evento multicultural organizado por instituições culturais baseadas em Maputo, com apoio da União Europeia.

O baixista e compositor moçambicano Isac Moiane, apresenta, sexta-feira, às 18 horas, no espaço Galeria, na Cidade de Maputo, o concerto “Fly in melody of jazz”. O show é uma continuação da celebração do primeiro álbum de originais do artista, intitulado Isac Project, lançado em Março último na Cidade de Maputo.

O espectáculo servirá para apresentar as canções integradas no disco de estreia, numa noite que contará com a presença especial da cantora Onésia Muholove. Em termos sonoros, a música de Isac Moiane resulta de uma fusão entre o género gospel, jazz contemporâneo e ritmos africanos.

A nota de imprensa sobre o evento avança que o jovem artista acredita no poder da música como um veículo que une as pessoas e promove a coesão numa sociedade. Através da sua música, Isac Moiane procura promover valores nobres como a confraternidade, amor, perdão, louvor e solidariedade entre os povos.

Isac Moiane é baixista e compositor moçambicano, tem 26 anos de idade. Trabalha e vive na Cidade de Maputo e muito cedo revelou uma enorme paixão e amor pela música. A sua iniciação artística aconteceu na Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Pandora, inserido nos grupos de instrumentistas. Aos 12 anos de idade, aprendeu a tocar viola-baixo e teve aulas com diversos professores de referência nacional na música.

Em 2018, começou a gravar o seu primeiro EP, intitulado Bass In Worship, no qual levou ao mercado uma nova abordagem em termos de música jazz (com destaque no baixo), tocando ritmos e composições originais que dialogam entre o jazz contemporâneo, gospel e ritmos africanos.

A Cornelder de Moçambique e a Associação Kulemba lançaram, no passado dia 2 de Junho, na Cidade da Beira, a primeira edição do Prémio Literário Mia Couto. A iniciativa pretende estimular a produção literária de qualidade em Moçambique, distinguindo as melhores obras publicadas anualmente. Para o efeito, foi constituído um colectivo de júri, que, esta segunda-feira, apresentou a lista de 10 finalistas do concurso.

As obras seleccionadas para o género de poesia são, aleatoriamente, Para onde foram os vivos, de Eduardo Quive; Pétalas negras ou a sombra do inanimado, de Belmiro Mouzinho; Vestígios do silêncio, de Amosse Mucavele; Cães à estrada e poetas à morgue, de Deusa d’África; e O lugar das ilhas, de Sónia Sultuane.

Quanto às obras seleccionadas para o género romance, são No verso da cicatriz, de Bento Baloi; Museu da Revolução, de João Paulo Borges Coelho; Nas bordas do arco-íris, de Agnaldo Bata; Vidas, paixões e o oculto, de Cláudia Chope; e Encontro em Rosebank, de Lex Mucache.

O anúncio das obras vencedoras será feito durante a Feira do Livro da Beira (FLIB 2023), que decorre entre 20 e 23 deste mês de Setembro. Cada vencedor do Prémio Literário Mia Couto será agraciado com valor pecuniário na ordem de 400 mil meticais.

Nesta primeira edição, o Prémio Literário Mia Couto tem como membros de júri Francisco Noa, Fátima Mendonça, Teresa Manjate, Tânia Macedo e Daniel da Costa.

Sobre os livros finalistas
Para onde foram os vivos, de Eduardo Quive, é o retrato do mundo em decadência, no qual as cidades se encontram em ruínas com o silêncio ensurdecedor das almas que ainda habitam o lugar com a esperança no exercício do amor. Portanto, trata-se de um livro que encara os males do tempo, no olhar sensível do poeta que não se conforma com o estado das coisas.

Pétalas negras ou a sombra do inanimado, de Belmiro Mouzinho, é um livro de poesia que reflecte o encanto que a arte do verso exerce na vida do poeta, pois, para si, tudo o que as pessoas vêem e tocam, tem poesia. Nesta sua estreia em livro, Belmiro Mouzinho assume-se como um poeta rebelde e inconformado. Em parte, isso corresponde à sua maneira de ver as coisas à sua volta.

Vestígios do silêncio, de Amosse Mucavele, apresenta uma poética concebida para desvendar mistérios, celebrar a memória transnacional dos ritos de passagem e ruptura, um desencanto de repensar as origens, as mutações da dor, as variações dos mapas territoriais e sociais de Maputo e Lisboa, partindo de um ponto de vista subjectivo das estórias desses dos lugares.

Cães à estrada e poetas à morgue, de Deusa d’África, é um exercício sobre a linguagem, no qual a função dialética tem o poder de inaugurar, destruir, reconstituir e libertar o sujeito. É uma poesia sobre a esperança e, muitas vezes, sobre o lado ingrato das coisas e dos sentimentos. Portanto, é um livro interventivo e emotivo.

O lugar das ilhas, de Sónia Sultuane, é um diálogo emocional com a Ilha de Moçambique, um processo que se vai multiplicando por outros espaços. As ilhas do livro, com efeito, não são necessariamente geográficas, são também lugares interiores, onde o ser humano tem a possibilidade de revisitar o seu ser físico e espiritual.

No verso da cicatriz, de Bento Baloi, é um romance que desafia não só as crenças e o horizonte de expectativas do leitor, mas a sua sensibilidade e a sua estabilidade emocional. O efeito catártico da narração se impõe de forma inapelável, convocando a dor, o sofrimento, o drama humano, a desilusão e a degeneração dos valores sociais.

Museu da Revolução, de João Paulo Borges Coelho, é uma aventura por 50 anos de História de Moçambique. A narrativa começa no Japão e atravessa mares e oceanos numa aventura que cruza aspectos identitários e emocionais. Trata-se de um romance em que, num Toyota Hiace, as personagens vão-se descobrindo na sua relação com o espaço.

Nas bordas da escrita, de Agnaldo Bata, traz a história de um projecto social desenhado por uma ONG Francesa para prover água num distrito que é assolado por uma seca prolongada na Província de Inhambane. No caso, a iniciativa falha de forma “inexplicável”, pelo que uma personagem estrangeira é enviada a Moçambique para averiguar as causas do fracasso.

Vidas, paixões e o oculto, de Cláudia Chope, é um romance cuja temática é atravessada pelo Realismo das coisas, da possibilidade e das condições da representação da realidade na arte. No livro, estão representados sonhos e anseios daqueles moçambicanos cuja vida buscou sentido no outro lado da fronteira sul-africana.

Encontro em Rosebank, de Lex Mucache, é uma história de um jovem moçambicano que se apaixona por uma escritora sul-africana. Em algum momento do enredo, a personagem envolve-se num triângulo amoroso com uma secretária, o que sustenta o interesse de o autor explorar aspectos culturais dos dois países.

Chegada dos últimos seis jogadores “estrangeiros” completam leque dos 25 convocados por Chiquinho Conde para “operação Benin” deste sábado, a contar para a última jornada do grupo L de qualificação ao Campeonato Africano das Nações, CAN-2023.

Chiquinho Conde já conta, desde esta quarta-feira, com todo esquadrão para o jogo deste sábado, no Estádio Nacional do Zimpeto, diante do Benin, após a chegada e integração dos restantes seis atletas que ainda faltavam juntar-se ao combinado nacional.

Trata-se dos “portugueses” Geny Catamo, Bruno Langa, Ricardo Guimarães e Witi Quembo, do “italiano” Faisal Bangal e do “finlandês” Clésio Baúque, que aterraram em solo pátrio na tarde e noite de terça-feira, e esta quarta-feira já realizaram o treino conjunto com os restantes colegas.

Fica assim completo o leque dos jogadores à disposição de Chiquinho Conde, sem nenhuma outra alteração, depois da chamada de Fazito para o lugar do lesionado Ivan, ainda na semana passada.

Aliás, já com a integração dos seis jogadores em falta, Chiquinho Conde já pode começar a pensar na equipa inicial do jogo do próximo sábado, uma vez que todos estiveram ao seu dispor e com entrega total, mesmo alguns mostrando ainda algum cansaço.

Na sessão desta quarta-feira já era possível ver os prováveis escolhidos para iniciar o embate diante do Benin, com Ernan a ser o homem da baliza, um quarteto defensivo com Mexer Sitoe e Malembane no centro, Mexer Macandza e Bruno Langa nas laterais, Nené e Guima no miolo do terreno, com o jogador da Black Bulls mais recuado e o do Chaves mais a frente, junto com Domingues e Geny Catamo, sendo que a dupla da frente estava, no ensaio, entregue a Ratifo e Jonny Muiomo.

Mas há, ainda, outras opções a serem levadas em conta para esta equipa, nomeadamente as possíveis entradas de Edmilson Dove, Witi Quembo, Clésio Baúque e Faisal Bangal, que tem estado em alta nos respectivos clubes e em boa forma.

Geny Catamo, a joia do Sporting Clube de Portugal, foi dos mais saudados no Complexo Desportivo de Tchumene, tal como Faisal Bangal, que regressa à selecção nacional quase cinco anos depois da última participação, bem como Ricardo Guimarães, também conhecido por Guima, que faz sua estreia na equipa de todos nós.

Recorde-se que Moçambique ocupa, à entrada para a última jornada da fase de grupos de qualificação ao CAN da Costa do Marfim, o segundo lugar, com sete pontos, e a precisar apenas de um empate para chegar à fase final da prova continental, 13 anos depois da sua última participação.

Os Mambas tem mais dois pontos que o Benin, seu adversário deste sábado, que precisa, necessariamente, vencer, se quiser chegar a Costa do Marfim, em Janeiro de 2024, enquanto o Ruanda conta com quatro pontos e quase sem possibilidades de qualificação.

Senegal é líder do Grupo L, com 13 pontos, e já garantiu a qualificação.

Moçambique e Benin já se defrontaram por duas vezes com vantagem para os Mambas, que venceram um jogo em 2022, à tangente, na primeira volta desta fase de qualificação, e um empate a dois golos, na fase final do CAN de Angola, em 2010.

 

“CHITAS” TAMBÉM COMPLETOS PARA DEFRONTAR OS MAMBAS

 A selecção do Benin, que também prepara o embate de sábado, já está completo, a partir desta quarta-feira, depois da chegada do último jogador que era esperado, Matteo Ahlinvi, que actua no Čukarički de Belgrado da Sérvia.

O jogador de 24 anos de idade, nascido na França, foi o último a chegar, na noite da passada terça-feira e juntou-se ao conjunto no treino matinal desta quarta-feira, dia da partida para Maputo, sendo que só esta quinta-feira chega a capital moçambicana.

Assim, todos os 25 jogadores chamados por Gernot Rohr estão disponíveis para o embate deste sábado no Estádio Nacional do Zimpeto, que encerra a fase de grupos de qualificação ao CAN que terá lugar em Janeiro e Fevereiro de 2024 na Costa do Marfim.

Para este embate, todos jogadores estão aptos, a excepção do atacante do Lorient da França, Tosin Aiyégun, que não fará parte da delegação que se desloca a Maputo devido a uma lesão coxa. Por esse mesmo motivo o médico do clube francês não autorizou a viagem de Tosin, que assim desfalca a selecção do Benin.

Para o lugar de Tosin Aiyégun, o seleccionador dos Chitas, Gernot Rohr chamou Ghislain Ahoudo, do Dadjè FC, que já se juntou ao grupo.

Os jogadores dos Chitas estão moralizados e confiantes num bom resultado que afaste os Mambas da fase final do CAN e qualifique o Benin. Rodrigue Kossi partilhou seu otimismo em relação a este jogo, tendo dito que “já sinto que vai correr bem se continuarmos assim”.

Junior Olaitan enfatizou a importância do jogo de sábado, tendo dito que “este é um jogo muito importante para o povo beninense e para nós”, enquanto o treinador Gernot Rohr mostrou-se confiante.

Rohr diz mesmo que “os jogadores estão moralizados, confiantes e bem treinados. Eles estão em apuros fisicamente que inspiram a um bom resultado”.

Moçambique e Benin defrontam-se sábado no Estádio Nacional do Zimpeto, quando forem 15h00, com os Mambas a precisarem de apenas um empate para garantirem a qualificação ao CAN-2023 que terá lugar em Janeiro e Fevereiro do próximo ano, na Costa do Marfim.

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