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Às 15 horas desta quinta-feira, na Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Chimoio, serão lançadas as obras literárias Estórias trazidas pela ventania (contos), de Adelino Albano Luís, e Deixa-me escrever-te (poesia), de Timóteo Papel.

Segundo uma nota da Editorial Fundza, Estórias trazidas pela ventania é um livro de 25 contos, que, usando uma linguagem simples e coloquial, retrata diversos acontecimentos de fórum social e privado. Por isso mesmo, enquanto lê, o leitor depara-se, não raras vezes, com situações facilmente denotáveis com a realidade de Moçambique.

Ao longo dos enredos dos contos, casas se movem por si mesmas; um natal é comemorado na lixeira; há um sequestro sem um sequestrado; uma psicóloga que precisa ser consolada pela paciente ou um Eusébio que não quer saber de futebol. A proposta literária de Adelino Albano Luís será apresentada por Inocêncio Albino.

Quanto a Deixa-me escrever-te, avança a mesma nota da Editorial Fundza, é uma obra poética rítmica e cantada. O ritmo, que é a característica intrínseca e peculiar da poesia oral africana, evidencia-se nos poemas com maior propriedade. Isto é, o poeta diz a arte em versos e comunga a sacralidade do amor em um recorte lúdico e potente, no universo de uma realidade que, por vezes, é tão árida, tão inóspita, fazendo ressurgir, até mesmo aos olhos mais cépticos, a existência de afectos que soariam inatingíveis em determinadas circunstâncias.

Deixa-me escrever-te conduz o leitor, portanto, aos detalhes despercebidos do cotidiano, com os momentos e delicadezas que não se revelam aos olhos enevoados de rotina. A proposta literária de Timóteo Papel será apresentada por Francisco Massambo
Adelino Albano Luís nasceu em 1998, na Cidade de Chimoio. Licenciado em Filosofia pela UEM, é professor e o conto é seu género literário de eleição. Estreou-se com obra ″Cronicontos da Cabeça do Velho″ (2022), prémio literário Calane da Silva ⁄ Alcance Editores (4ª edição – 2021). Conquistou o primeiro lugar do Concurso de Crónicas da 1ª edição da Feira do Livro da Beira (2021); Conquistou o primeiro lugar do concurso literário Dia Mundial da Língua Portuguesa: estórias pandémicas, e foi finalista do prémio Fundação Fernando Leite Couto (2022), com a obra Estórias trazidas pela Ventania. Participou em várias antologias, dentre as quais o volume I de Espíritos Quânticos – Diário de uma Quawwi.

Timóteo Gentil Papel nasceu em 1990, na Zambézia. É docente, pesquisador, poeta e escritor, licenciado em Ensino de Filosofia com Habilitações em Ensino de História, pela Universidade Pedagógica de Maputo. É Mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local, pela Universidade de Santiago – Cabo Verde. É autor da obra Não sei ser triste (2021). Participou nas antologias Literatura e cultura em tempos de pandemia (2021); As Áfricas dentro de mim (2021); Encontro de gerações (2022); e Antologia Luís Vaz de Camões e convidados (2022).
Os dois livros foram seleccionados na segunda chamada literária da Editorial Fundza.

Esta quinta-feira, às 18 horas, o programa Cine das quintas, vai exibir o filme Tragédia da vingança, de Malegino Benzane. Esta será primeira exibição do filme, aberta ao público, após o seu lançamento e estreia em 2017. A sessão será seguida de uma conversa com o realizador moçambicano.
Tragédia da vingança trás à ribalta a problemática dos direitos da criança, trabalho infantil, criminalidade e o papel das igrejas na sociedade.
A longa-metragem retrata a história de Ndjombo, um adolescente de pai desconhecido, que perdera a mãe no dia do parto e, por conseguinte, criado pela tia. Com 12 anos de idade, perde a tia e decide sair de Chókwè para Maputo, com o objectivo de procurar pelo pai. Ndjombo envolve-se no mundo do crime e lidera uma quadrilha, patrocinada por um comandante da Polícia apelidado por Chefe Dinheiro.
Apesar de se ter envolvido no mundo do crime, Ndjombo continua com o desejo de encontrar o seu pai e terá que enfrentar adversidades ao descobrir que o seu pai está mais perto do que ele imaginava.
O projecto Cine das quintas leva o cinema moçambicano aos amantes da sétima arte, todas as quintas-feiras, no Cine-Teatro Scala. O objectivo é promover e dinamizar a oferta de programação cinematográfica nacional no país.

De 11 a 17 de Setembro, vários centros culturais da Cidade de Maputo vão acolher a quarta edição do Festival Gala Gala, um programa anual realizado pelo colectivo dos centros culturais da capital do país com o apoio especial da União Europeia.

Segundo a organização, a presente edição do festival mantém a matriz de um evento itinerante e abarca propostas artísticas que partem desde a música, dança, teatro, literatura, multimídia e actividades para as crianças.

Assim, os 18 eventos agendados para a quarta edição do festival contarão com cerca de 200 artistas e agentes culturais. Os organizadores dos eventos do Festival Gala Gala são a Fundação Fernando Leite Couto, o Museu Mafalala, o Centro Cultural Franco-Moçambicano, 16 Neto, o Centro Cultural Moçambicano-Alemão, a Associação Cultural Kulungwana, o Camões – Centro Cultural Português, a Embaixada da Espanha e o Instituto Guimarães Rosa, nova designação do Centro Cultural Brasil-Moçambique.

A curadoria da programação do festival, avança a nota de imprensa, é fundamentada na promoção do trabalho dos artistas e apresentação de novos produtos culturais, resultado de residências artísticas realizadas ao longo do ano com o apoio do próprio festival.

A quarta edição do Festival Gala Gala comporta um conjunto de espectáculos, exposições, filmes, literatura e actividades para a infância em diversos espaços da cidade de Maputo, e pretende celebrar a multiculturalidade .

Por: Huwana Rubi

 

Luís Cezerilo é uma individualidade que dispensa qualquer tipo de apresentação no universo sócio-cultural, académico e político em Moçambique.
No seu mais recente livro, “Mar, espelho líquido do infinito”, a ser lançado no dia 28 de Agosto do ano em curso, transborda o eflúvio natural do amor enquanto um mar infinito, um elemento da vida como uma fagulha, numa essência superior do ser. Neste livro, o amor e o mar formam a alga que nos inunda. Ele, o poeta, “rasga” de forma minuciosa, delicada e reverberante, o que lhe vai na alma, no seu mais íntimo e translúcido âmago. Este breve texto, através do qual busco tecer algumas humildes linhas, é uma pequena amostra deste mar líquido do escritor.
Cezerilo está além do tempo, por isso chama todos para o entendimento de que o “amor é algo genuíno” e todo o ser deve gozá-lo, independentemente do percurso de cada um, do seu extracto social, porque o amor é a esperança, alegria, o prazer das sereias denominadas nhamussoros no Sul do país, esse amor que consegue mesclar-se na brisa dos verdadeiramente constituídos.
Nas lentes do autor, nestas dezenas de poemas muito bem seleccionados, somos remetidos sobretudo ao amor, à beleza do mar, à nossa história, à contemporaneidade, aos descasos, ao misticismo da magia, da ternura e do encanto do povo.
O mar é infinito.
O mar é pleno, esbelto, tem as suas tonalidades e os seus percursos e, neste livro, o poeta Cezerilo soube pincelá-las tão perfeitamente, começando com a primeira estrofe do primeiro poema, que nos suscita a imersão dos segredos que o mar transmite na sua vastidão, a solitude, que depois desagua com o quinto poema que nos trás a sensação do poderio e da extravagância do amor, dos seus relevos ludibriantes, da vastidão e dos devaneios que nos pode transmitir.
Cezerilo traduz nas suas metáforas tudo o que o universo propõe sobre o encanto da beleza e do som das sereias, denominados no sul do país, de nhamussoros, que conseguem se mesclar na brisa dos ventos que o Índico traduz de forma poética. O livro o mar, espelho líquido do infinito, é sem dúvidas uma concha em forma de livro, que promete suscitar a todos “os sentidos mais humanos que possam existir”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou para que as eleições autárquicas sejam mais uma oportunidade para a exaltação da cultura e que os jovens envolvidos na XI edição do Festival Nacional da Cultura sejam o exemplo de como se convive com a diferença. Nyusi falava na abertura do evento, na Província de Maputo.

A cultura foi exaltada ao mais alto nível no Festival Nacional da Cultura, que, desta vez, tem, na Província de Maputo, o seu palco de actuação.

Canto, dança, poesia, gastronomia, artesanato, artes plásticas e outras modalidades fizeram soar alto a diversidade cultural, afinal todas províncias do país se reencontram depois da interrupção causada pela pandemia da COVID-19.

Uma vez que o intercâmbio cultural acontece num ano eleitoral, o Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou para que as eleições autárquicas sejam mais uma oportunidade para exaltação da cultura e que os jovens envolvidos sejam o exemplo de como se convive com a diferença.

“A cultura de paz, de reconciliação e de tolerância. Em suma, a celebração da democracia, e da convivência sã entre os munícipes sem vestir cores partidárias. Vocês bem viram aqui, não sabemos de que partido são os jovens que vimos dançar aqui, ou sua ideologia política, nunca ouvi dizer, por exemplo, que Marrambenta pertence a algum partido político.”

O XI festival é, segundo o Presidente da República, mais uma oportunidade de reafirmação da unidade nacional.

“Quem tem vergonha para com a sua cultura não tem personalidade. Isso nos orgulha a nós, jovens, dançar aquilo que nos pertence. Aliás, a história do nosso passado recente é testemunho de que, respeitando a diversidade, é possível unificar um país, torná-lo desenvolvido.”

Na abertura do Festival Nacional da Cultura, o Presidente da República esteve acompanhado pelo seu homólogo da Indonésia, Joko Widodo, que está de visita ao país.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, dirige hoje, no campo da Associação Black Bulls, em Tchumene, Município da Matola, província de Maputo, a cerimónia inaugural da XI edição do Festival Nacional da Cultura.

O evento, que decorre sob o lema “Cultura, a Força que une a Nação Rumo ao Desenvolvimento”, contará também com a participação do Presidente da República da Indonésia, Joko Widodo, como convidado de honra do Chefe do Estado moçambicano, no âmbito da visita de trabalho de dois dias que efectua ao país.

Mais de 1000 artistas de todo país, vão exibir várias expressões artísticas, designadamente: artes plásticas, artesanato, música, cinema, dança, gastronomia, fotografia, moda, literatura, teatro e outras manifestações imbuídas de um inestimável valor simbólico e, impregnadas de conhecimentos seculares que, mais do que proporcionar diversão e lazer, participam do processo de socialização.

A XI edição do Festival Nacional da Cultura que decorre de 23 a 27 de Agosto é realizado pelo Governo de Moçambique e está sob responsabilidade do Ministério da Cultura e Turismo. Dentre vários, o maior objectivo do festival é preservar, desenvolver as artes, a cultura, as tradições das diferentes comunidades moçambicanas, criar uma plataforma de interacção e intercâmbio e de divulgação do rico e diversificado património cultural do país, colocando-o ao serviço da sociedade e do progresso.

Os académicos Severino Ngoenha e Filimone Meigos vão apresentar hoje, em Maputo, o livro “O inter-munthu: em busca do sujeito da reconciliação”, de José Castiano.

Editado pela Fundza, o livro do filósofo pretende ser um marco na filosofia africana em qualquer das línguas que o autor conhece e destina-se a transformar-se num clássico, pela inovadora forma de filosofar, simultaneamente africana e profundamente universal. Refere uma nota enviada ao “O País”.

A nota diz ainda que “O inter-munthu: em busca do sujeito da reconciliação”  é um contributo muito significativo para a reflexão filosófica e intelectual, em geral, e não apenas para filósofos ou africanos. “Aliás, tenho a profunda convicção de que o mundo académico do Norte global teria muito a aprender com este livro se se predispusesse verdadeiramente a aprender com a reflexão que se faz fora do seu contexto, o Atlântico Norte, um contexto que, contrariamente às suas pretensões, é cada vez menos global e mais provinciano”, lê-se na contracapa do novo título do académico.

O livro com aproximadamente 600 páginas é constituído por sete capítulos, designadamente, Robben island: o “santuário”?; O inter-munthu, o sujeito da reconciliação; Missionarismos e espiritualidades; Políticas de identidades e de reconciliação; Do bunthu ao munthu, em direcção ao inter-munthu; Tecnocultura; e Discurso sobre a democracia reconciliatória.

O estilista Nivaldo Thierry reuniu-se, esta quinta-feira, na Cidade de Maputo, com a Ministra da Cultura e Turismo. Durante a sessão, o artista teve a honra e o privilégio de oferecer uma obra de arte única e significativa a Eldevina Materula.

De acordo com uma nota de imprensa, trata-se de um quadro que possui um valor simbólico, principalmente por conter a primeira gravata da colecção inaugural do género, da marca Nivaldo Thierry, lançada no próprio dia da visita realizada ao Gabinete da Ministra da Cultura e Turismo.

Com a oferta da obra na apresentação da sua nova colecção de moda, o estilista pretendeu expressar o reconhecimento e a admiração pelo trabalho desempenhado pela Ministra nas áreas da cultura e do turismo ao nível nacional. “Espero que sua excelência Ministra da Cultura e Turismo aprecie o presente e compreenda a intenção por trás do gesto, reconhecendo o talento e a dedicação do meu trabalho como artista moçambicano”, afirmou o estilista.

Na reunião entre a Ministra da Cultura e Turismo e Nivaldo Thierry, Eldevina Materula reconheceu que o estilista tem-se afirmado com o seu talento e com a sua criatividade. Por isso mesmo, Materula mostrou-se aberta em apoiar iniciativas inspiradoras das artes nacionais.

Segundo disse o estilista, a primeira colecção de gravatas constitui uma tentativa de ampliar e diversificar os seus produtos de moda. Assim, com efeito, poderá, igualmente, fazer com que a gravata deixe de ser apenas um acessório, mas símbolo de poder e respeito.

A primeira linha de gravatas da marca Nivaldo Thierry é o resultado de anos de estudo e dedicação. Portanto, o encontro com a Ministra da Cultura e Turismo inseriu-se nas celebrações dos 15 anos de carreira de Nivaldo Thierry.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, exigiu celeridade na resposta aos raptos, corrupção, branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. O desafio foi lançado a quatro magistrados empossados no cargo de procuradores-gerais-adjuntos.

Amélia Munguambe, Selemane Sefo, Agostinho dos Ramos e Tâssia Simões são os novos procuradores-gerais-adjuntos empossados, esta sexta-feira, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que exige a priorização do combate ao crime organizado e transnacional.

“O Ministério Público tem como principais desafios, na jurisdição criminal, a prevenção e o combate à criminalidade geral e em especial à organizada e transnacional, em que estão incluídos os crimes de terrorismo e seu financiamento, branqueamento de capitais, raptos, tráficos de pessoas e bens, entre outros”, referiu o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Os empossados afirmaram que assumem o cargo de procuradores-gerais-adjuntos da República cientes dos desafios.

“Temos também o tráfico de drogas que está a emergir com muita força, tráfico de pessoas e outros crimes”, disse Amélia Munguambe, recém-empossada procuradora-geral-adjunta.

Dos empossados, o Chefe do Estado exigiu também que sejam céleres na tramitação de processos e mais actuantes nas instituições de administração pública, para reduzir irregularidades.

“No âmbito da jurisdição administrativa, constitui principal desafio o reforço do controlo da legalidade dos actos praticados pela administração pública, o reforço do controlo da gestão financeira, incluindo a responsabilização dos gestores públicos por infracções financeiras”, desafiou Filipe Nyusi.

Para o Presidente da República, a nomeação de mais quatro procuradores-gerais-adjuntos vai ajudar a minimizar o défice de magistrados no Ministério Público.

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