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O País – A verdade como notícia

Por: Nyimpini Khosa (Dulcídio Cossa)

 

A conheço desde os tempos de “nha cretcheu”, mas posteriormente um momento específico marcara nossa relação.
Passam-se alguns anos que escrevi minha Tese de Doutorado, e nesse longo processo de escrita, maravilhoso, fortalecedor e às vezes doloroso, duas artistas, ou melhor, irmãs foram fundamentais: SARA TAVARES e Lenna Bahule. Foi justamente nessa época que a minha relação com estas mulheres transcendeu a compreensão humana. A intimidade com o álbum Xinti de Sara Tavares e Nômade de Lenna Bahule foi espiritual. Os sons destes álbuns tornaram minha escrita e vida leves como pluma.

Mana Sara, mana Lenna, jamais fui o mesmo desde que as conheci. E por isso, ainda em vida, dediquei-lhes uma vênia em minha Tese.
Hoje, mana Sara, “do lado de cá”, do meu mais profundo lado moçambicano- changano-tsonga, é a ti e para ti que escrevo, trêmulo, mas com a certeza de que me ouves “do lado de lá”. Sem erudição nas palavras quero na simplicidade dizer-te “coisas bunitas” e o quanto amo-te. Como não dizer-te, se “esse teu sorriso é que me kuiô BUÉ”?

Muitos choram, deprimidos, com a tua transcendência a outro plano, mas eu, “i feel good, very nice”, “i got good, good, good vibes”, porque tú és meu “PONTO DE LUZ”, “que me conduz, aceso na alma”. Tal como o Edson, fizeste de mim um bom “CAMINHANTI” com “PÉ NA STRADA” da Luz.

“Já chega hora di bai, hora di bai já chega”!? Dá um aperto no peito, mas não, você é “DI ALMA”, e uma alma jamais se vai. “Di alma, bô ê nha família”, “bô ê fidja di sol di dia”, “di noite és a lua que tá guia”. Ancestral-guia.

Estou pensando em ti, na tua melodia, pensando em nós, de olhos fechados viajo na fantasia. Só imagina. “Xinti”. “SÓ D´IMAGINA” já sinto esperança, só de imaginar já sinto criança de luz na tua leveza humana ancestral. Meu ritual.

“Aqui vou eu em KEDA LIVRE” numa viagem longe sem sair do sítio, dando “a volta ao mundo e na curva redonda do teu gingar”. “Aqui vou eu em keda livre”. “Eu contigo, tu comigo, Ser Humano é Ser Divino”.

Que posso mais dizer-te? Não te quero dizer mais nada, quero é sentir tua “VOZ DI VENTO”, na onda do teu mar, onde “tem serenata pa luar”, “don di natureza”.

Quero sentir teu cheiro, que a natureza “EXALA”. “Palavras atafulham minha fala”.

“Saiba que tudo que o amor não cala, exala”.

Agora entendo e percebo, quando disseste-me: – “não procures por mim, serei tua borboleta, não procures entender, não tentes perceber!”. Ouvi o sussurro da tua alma com calma, sinto tudo contigo, sinto perto de ti abraço apertado no meu peito, no fundo do meu coração. Agora entendo e percebo, “ciência está em saber ser”. Vivo eu “pelas asas da surpresa”. “FUNDI KU MI”, sejamos um só.

Sou apenas um “MININO”, e quero dar-te um pouco mais de mim como “QUANDO DÁS-ME UM POUCO MAIS” de ti. Afinal, tú ensinaste-me que ao acordar devo pensar logo positivo e, não devo deixar de dizer “bom dia” com um sorriso. Ponho alegria em tudo aquilo que faço, porque “não vale a pena viver a vida como um castigo”. Hoje, não só “poderia ser um bom dia” como é um Bom dia.

Amanhecendo celebrando ouço-te cantando com os ancestrais, “dando graças ao Papá”, por tudo aquilo que nos dá.

Sei que encontraste tua “liberdade na doce verdade”, e vais para a “terra prometida viver a eterna Vida”. Mas fique mais um pouquinho, hoje é um Bom dia. Ou leve-me contigo.

Mana, maninha, “é poderosa a fé”, eu acredito, “o amor é bué”, tú mesma disseste-me isso, e eu acredito. Tenho fé.

Mana Sara, do lado de cá sigo “MANSO, MANSO”, mesmo que haja “dias em que o sol não sai à rua”, “há sede de beber a água viva, água viva que me refresque e lava tudo, tudo cá dentro”. “Quero um pouco de água e um pouco de céu, quero um pouco de terra e um pouco de chão, e um tanto de música no meu coração”…

“SUMANAI”…

Quero abrir as asas, voar e encontrar-te como “o dom das palavras que voam no vento”. Tal como tú, voaste. Afinal, “há que ouvir a voz que grita cá dentro”.

 

À Rainha Sara Tavares (1978 – 2023)

Ngonyama ya kaGaza
Aracaju/Sergipe, 20/11/2023

 

A Directora-Geral e o Director-Artístico do Paris Dance Project, Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied, deslocaram-se à Cidade de Maputo com a pretensão de procurar parcerias na área da dança contemporânea. Segundo disseram esta sexta-feira, esperam que os artistas africanos e europeus possam trocar diálogos que enriqueçam mutuamente as suas sociedades.

 

Na última terça-feira, Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied aterraram, pela primeira vez, no Aeroporto Internacional de Maputo. À capital moçambicana, os directores franceses do Paris Dance Project deslocaram-se com o objectivo de encontrar parcerias originais e inovadoras, quer com programadores da área da dança contemporânea, quer com bailarinos e coreógrafos moçambicanos e de outros países africanos.

De modo que as suas pretensões fossem alcançadas, Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied viajaram para Maputo numa altura em que a cidade acolhe duas bienais de dança contemporânea: Kinani e Dança em África.  “Este é um momento-chave de consciencialização em matérias de dança. Inclusivamente, nestes dias em que nos encontramos em Maputo, já identificamos artistas com propostas muito fortes, os quais queremos convidá-los a fazerem parte dos nossos projectos, de modo a valorizarmos as suas propostas”, disse a Directora-Geral de Paris Dance Project, Solenne  Hays Mascré.

Para francesa, a dança é uma manifestação maior da arte, pela possibilidade de expressão de ideias sem o recurso à palavra que muitas vezes pode dividir o entendimento sobre as coisas. A dança facilita o diálogo entre os indivíduos e as sociedades. Também por isso, Solenne Hays Mascré agendou momentos de intercâmbio com artistas que, à sua semelhança, encontram no corpo uma ponte rumo às culturas de outros espaços e/ou de outros continentes. E ainda acrescentou: “Eventos como as bienais Dança em África e Kinani permitem aos artistas moçambicanos ou africanos e franceses ou europeus entrarem em contacto com artistas de regiões diversas”.

Como que a complementar o raciocínio da sua compatriota, o Director-Artístico do Paris Dance Project, Benjamin Millepied, salientou que, quer a bienal Dança em África, quer o Kinani são fundamentais porque facilitam encontros que, de outra forma, talvez não aconteceriam. Assim, os países desses artistas saem a ganhar, porque, através da dança, se exprimem ideias fortes como aquelas que traduzem uma visão parcial ou abrangente da sociedade. Logo, considerou, “Esta nossa estadia em Maputo tem sido um momento de grande êxito, porque vimos coreografias modernas que queremos mostra-las em países como França ou Estados Unidos”.

Na percepção de Benjamin Millepied, o Kinani é um momento-chave para os programadores e coreógrafos apresentarem os seus trabalhos em público. “Aprendemos muito nestes dias”, reconheceu.

Solenne Hays Mascré e Benjamin Millepied conheceram-se numa altura em que a francesa trabalhava para uma grande sala de espectáculo em Paris. Depois de ter programado um espectáculo de Benjamin Millepied, ambos resolveram desenvolver um projecto artístico com um valor social, o Paris Dance Project.

O Paris Dance Project concentra-se na juventude, com uma forte dimensão educativa. Inclusive, regularmente, a iniciativa tem convidado artistas para conversar com os alunos nas escolas, levando, igualmente, a arte a espaços que não são comuns. “O nosso propósito também é trabalhar em lugares simbólicos e contar as histórias invisíveis desses mesmos territórios”, reforçou Benjamin Millepied, que nasceu em França e cresceu no Senegal, país que tem uma grande influência na sua maneira de pensar a dança contemporânea. “Por causa dessa influência, eu e a dança somos a mesma coisa”.

 

 

No próximo dia 29, quarta-feira, a Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos/Afrolic e o Núcleo de Estudos e Pesquisas Africanidades e Brasilidades – Nafricab/Ufes vão galardoar o escritor Carlos Paradona Rufino Roque, com o Troféu Afrolic 2023.

A cerimónia de premiação terá lugar no Campus Goiabeiras da Universidade Federal de Espírito Santo, na Cidade de Vitória, no Brasil, durante o IV Congresso Internacional da Afrolic, e “deve-se à contribuição da sua escrita no estabelecimento de caminhos literários entre Brasil e África”, segundo se lê numa nota de imprensa.

Para Carlos Paradona, “A atribuição do Troféu pela Afrolic significa um reconhecimento internacional do papel e do valor da literatura moçambicana no mundo e no Brasil em particular. Reflecte a vontade do reforço das relações culturais entre a República de Moçambique e a República Federativa do Brasil”, acrescentou Carlos Paradona: “Como escritor agraciado, sinto honra e privilégio de contribuir, com a minha escrita, para a divulgação e o reconhecimento internacional da literatura moçambicana no Brasil e no mundo”.

Carlos Paradona estreou-se na literatura em 1980, com a publicação dos seus primeiros poemas na página Diálogo, do extinto jornal Notícias da Beira. Publicou ainda poesia, contos e ensaios nas páginas Diálogo do Diário de Moçambique, Letras e Artes do Jornal Domingo, nas Revistas Tempo, Charrua, Forja e Eco ao longo das décadas de 80 e de 90.

Em 1991, publicou o livro de poemas A gestação do luar; os romances Tchanaze, a donzela de Sena (2009), obra vencedora do Prémio Internacional PEN Translate-2022 da Inglaterra; N’tsai Tchassassa, a virgem de missangas (2013); Carota N’tchakatcha, feitiços e mitos (2018) e Mueda, nos labirintos dos ritos de iniciação (2022).

O escritor Carlos Paradona Rufino Roque tem obras publicadas em Portugal e Espanha e consta numa antologia bilingue de contos de escritores da CPLP, editada em 2022, em Macau, China, e representa Moçambique, desde 2009, no Corpo de Jurado do Grande Prémio SONANGOL de Literatura, da República de Angola.

Na quarta e quinta-feira, o projecto Música Para Todos realizou uma série de actividades artísticas e didácticas no Centro Yopipila e nos centros de deslocados internos de Saul, Tratara e Ngalane, no Distrito de Metuge, na Província de Cabo Delgado.

As iniciativas que abrangeram 370 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, tiveram como pretensão, em geral, levar às vítimas do terrorismo em Cabo Delgado alguma esperança, através de manifestações artísticas. Assim, os beneficiarios tiveram a oportunidade de participar em oficinas de representação teatral e pintura livre, sempre com a possibilidade de improvisar segundo os seus próprios instintos.

Em Yopipila, Saul, Tratara e Ngalane, as actividades foram conduzidas pelo artista peruano Rafo Diaz, que vive em Moçabique há vários anos. Com a acção, a Música Para Todos quis fazer da arte uma forma de terapia, levando âmparo e conforto aos beneficiários. Por consequência disso, as crianças puderam sonhar e sorrir sem limitações, ao deixarem-se levar pela criatividade de Rafo Diaz.

Em Cabo Delgado, o projecto Música Para Todos está a ser desenvolvido pela Fundação Hakuna Matata e pela Direcção Provincial da Cultura e Turismo de Cabo Delgado. Já em Maputo, Música Para Todos está a ser levado a cabo pela Fundação Musiarte. O projecto está inserido no Procultura e é financiado pela União Europeia e co-financiado e gerido pelo Camões IP e as embaixadas da Irlanda e Suíça.

Sobre Música Para Todos

O projecto Música Para Todos tem o objectivo de desenvolver a capacidade das instituições e dos recursos humanos dos PALOP (Moçambique e Angola) para prestar serviços de educação de qualidade na área da música, com vista à maior profissionalização do sector da música e criação de oportunidades de emprego a longo prazo.

O projecto espera contribuir para o aumento da qualidade do ensino musical em Moçambique e Angola, através do fortalecimento da capacidade organizacional e institucional dos parceiros; da criação de um projecto piloto de uma nova escola de música em Pemba; do aumento da capacidade e empregabilidade dos professores e outros profissionais na área de música em Moçambique e Angola; da criação de novos empregos no sector de ensino musical e gestão cultural, com foco nos jovens e nas mulheres ou raparigas, em particular.

Ao todo, estima-se que mil crianças poderão se beneficiar do projecto de iniciação musical e/ou ensino musical elementar/básico em Moçambique e Angola, com criação de pelo menos 40 empregos durante o seu período de implementação e 20 postos de trabalho mantidos após o fim do projecto, que deverá terminar em Junho de 2024.

Música Para Todos arrancou em Janeiro de 2022 e tem como parceiros a Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Aveiro (Portugal), Fundação Musiarte – Conservatório de Música e Arte Dramática de Maputo (Moçambique) e Direcção Provincial de Cultura e Turismo de Cabo Delgado (Moçambique) e Fundação Hakuna Matata de Pemba (Moçambique).

A décima Temporada de Música Clássica – Xiquitsi 2023, chega ao fim, com a realização da terceira série de concertos, marcados para os dias: 25 e 30 de Novembro; 1 e 2 de Dezembro. “Serão 4 dias vibrantes de música com um forte cunho moçambicano”, lê-se na nota de imprensa.

O primeiro será o Concerto para Pais e Filhos, no Centro Cultural Moçambique-China, no dia 25 de Novembro às 11h3,0 com uma apresentação da orquestra de percussão e coro Xiquitsi.

O dia 30 de Novembro está reservado para Noite Clássica às 19h00 no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

O concerto do dia 1 de Dezembro, é a Noite de Família, que será às 19h00 na Igreja Santo António da Polana.

A série termina no dia 2 de Dezembro, com o Concerto de Fim de Ano, no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

“O Coro e Orquestra Xiquitsi vão se apresentar na sua melhor performance e maturidade que espelha os 10 anos de existência do projecto. Nesta série vão se juntar quatro alunos do projecto de ensino de música Cantate, desenvolvido pela Kulungwana nas provincias de Cabo Delgado e Nampula, que se deslocam a Maputo para interagir com os alunos do Xiquitsi e para participar nesta série de concertos”, lê-se na mesma nota de imprensa.

A última série tem a particularidade de juntar no mesmo palco renomados artistas moçambicanos de géneros musicais diversificados que vão dar cor e vida ao concerto que encerra a décima temporada do Xiquitsi, criando uma simbiose perfeita entre a música ligeirae jovem moçambicana e a música erudita, onde os artistas convidados vão tocar e cantar com a Orquestra e Coro Xiquitsi.

Ali Faque, Ubakka, Aniano Tamele, Lourena Nhate e Aido Boydrizzy são as figuras que vão abrilhantar a festa que encerra as celebrações de uma década do projecto Xiquitsi.

Durante estes 10 anos, o Xiquitsi tem sido palco marcante de inserção social, aprendizagem e socialização, onde crianças, adolescentes e jovens iniciam-se no mundo da música e ganham habilidades para a vida.

O Projecto tem, neste momento, cerca de 250 alunos distribuídos entre as classes de violino, viola, violoncelo, contrabaixo, oboé, clarinete, percussão e canto.

Por: Elcídio Bila

O crescimento da televisão é notório em todos os quadrantes do mundo. Se em 1926, o escocês John Logie Baird apresentou a televisão mecânica aos cientistas da Academia Britânica, em Londres, hoje, após de várias experiências, temos a televisão digital, por satélite ou a cabo, oferecendo maior qualidade na transmissão de conteúdos.

Em Moçambique, o processo de transição digital começou em 2021, com o apagão dos emissores analógicos, permitindo a acomodação do país no padrão europeu de televisão, uma decisão conjunta do bloco dos países da SADC, na área das Telecomunicações.

Trata-se de um processo de migração que viveu vários cenários, tendo acompanhado uma evolução substancial entre 2015 e 2017, com a adopção de muitas inovações, incluindo a abordagem de negócios e o início da digitalização em algumas emissoras ao longo das principais cidades do país, gerando a expansão do sinal de televisão e atraindo cada vez mais pessoas.

A nível público, a liderança deste processo foi confiada à TMT, mas provedores privados como DStv, GOtv, Zap, Startimes e TV Cabo são outras propostas de acesso à televisão digital nos tempos actuais.

Se a TMT responde uma solicitação política, em 2015, como uma alternativa à TVM na transmissão dos conteúdos no processo de transição para o digital, outros provedores já estavam enraizados no país. Por exemplo, a DStv chega a Moçambique em 1992 e, em 1995 já tinha lançado a TV por satélite, à qual a TVM começou a aderir em 2001.

A TV Cabo chega em 2006, como pioneira na distribuição de dados e conteúdos por cabo no continente africano. A Zap, em 2011, alarga a distribuição de televisão por satélite em língua portuguesa em Moçambique. É no mesmo ano que começa a actuar a Startimes. E a GOtv, em 2014, entra no mercado moçambicano em cumprimento do objectivo do Grupo MultiChoice em tornar a televisão digital terrestre acessível, oferecendo televisão a preços acessíveis a todos os níveis da comunidade.

As distribuidoras de televisão por satélite, compõem, hoje, as preferências dos moçambicanos, mostrando o quão a indústria televisiva está robusta, numa viagem que inicia em 1981, quando a televisão em Moçambique ainda era experimental.

Ao mesmo tempo que há esta diversidade de serviços, a preocupação em colocar melhores conteúdos, sobretudo programas nacionais, tem aumentado gradualmente. Se na era analógica, canais como TVM, Miramar e Stv eram o eco de produções internacionais, sobretudo brasileiras, como séries, telenovelas e filmes, agora, na digitalização, há mais propostas nacionais, principalmente com o surgimento de novos canais.

Já é possível, nos dias actuais, grudar-se à tela para assistir as nossas histórias, ver as nossas pessoas – gente com quem cruzamos na rua – e reconhecer os edifícios e estradas que usamos no dia a dia, para além de nos solidarizarmos com os dramas, fantasias e utopias descritas nas séries, telenovelas, filmes e reality shows por serem a mais fiel descrição da nossa realidade.

Por exemplo, neste mês (21) de celebração da televisão em todo o mundo, o Maningue Magic – um canal recente que se esmera em trazer conteúdo local – divulgou a sua próxima produção, fruto de uma audição pública para captar conteúdos criativos e impactantes. A série seleccionada, nesta experimental abordagem de recrutamento de conteúdo, foi “Ex-Amicíssimas”, de Lorna Zita (produtora: AfroCinemakers).

Ainda no Maningue Magic temos a “Maida”, uma telenovela que já se apresenta a si própria, por romper os paradigmas de uma produção televisiva sem fragmentos, tal como nos habituaram os brasileiros desde os tempos de propostas como “Saçaricando” ou “O Bem-Amado”.
Aliás, tal como o Maningue Magic, canais novos como Mega TV, com reality shows e Tua TV, de Fred Jossias, com programas de entretenimento, são o exemplo de como o conteúdo local é a grande aposta nos dias de hoje. Mesmo os canais tradicionais, como TVM, Stv, Miramar e, agora, TV Sucesso têm preferido uma grelha transversal, apostando cada vez mais em conteúdos moçambicanos.

Esta aposta por produtos dos criativos locais tem elevado o sector da produção audiovisual no país, permitindo que criadores possam garantir sustentabilidade das suas obras, o que antes era quase que impensável.

Portanto, celebrar a televisão, nos dias de hoje é, acima de tudo, a celebração das histórias locais. Neste 21 de Novembro, não só os técnicos e os operadores de televisão merecem sorrir, mas os actores das indústrias culturais e criativas, no seu todo, já têm motivo de se juntar à festa, pois a televisão deixou de ser um espaço dos outros, mas, pouco a pouco, vai revelando e contando com o talento moçambicano.

O Vice-Ministro da Cultura e Turismo procedeu, esta segunda-feira, à abertura oficial da Bienal de Dança Internacional – Kinani. Segundo considera Fredson Bacar, a dança é uma expressão fundamental para promoção da cultura moçambicana, pelo que os moçambicanos devem se unir em prol de um evento que promove Moçambique, como é o caso do Kinani.

A Praça da Independência, na Cidade de Maputo, foi o local escolhido para a abertura oficial da Bienal de Dança Internacional – Kinani. No local da cerimónia, o Vice-Ministro da Cultura e Turismo afirmou que o Governo considera a dança uma das fortes possibilidades de expressão dos hábitos e costumes ao nível nacional. Por isso mesmo, lembrou que o país possui uma Escola Nacional de Dança há 40 anos.

Ao longo do seu discurso, Fredson Bacar defendeu que os moçambicanos devem se unir na realização de eventos como a Bienal Internacional de Dança Contemporânea – Kinani, pois, ao realizarem um evento sobre a arte cénica, igualmente, estão a expor universos ligados à cultura nacional. “É, para nós, uma honra proceder à abertura deste importante evento, que celebra 10 anos de existência. De forma muito particular, endereçamos cumprimentos a Quito Tembe, por manter o evento de forma continuada. É um momento de alegria, por celebrarmos a nossa maior plataforma de dança contemporânea e a bienal Dança em África. A dança é uma constante na vida das nossas comunidades. É um momento praticado nas nossas famílias, bairros e comunidades, em vários momentos das nossas vidas”.

Considerando a potencialidade da dança na expressão do que repesenta parte da alma de um povo, Fredson Bacar acrescentou: “É dentro deste prisma que, como Ministério da Cultura e Turismo, associamo-nos ao Festival Kinani e à bienal Dança em África com toda a naturalidade, como parte da pressucução da nossa agenda de apoio ao desenvolvimento artístico local, plasmado na política cultural e na estratégia da sua implementação”.

Para Fredson bacar, o Kinani contribui para intercâmbios, para importantes parcerias, solidificação do mercado de trabalho, troca de experiências e partilha de práticas e aprendizagens, o que favorece a melhoria dos ambientes culturais. Por isso, o Vice-Ministro da Cultura e Turismo espera que a organização do Kinani continue tornando Maputo um espaço de referência obrigatória em África e, quiçá, do mundo.

A Bienal Internacional de Dança Contemporânea explora diferentes espaços da Cidade de Maputo, com o apoio do Governo e do Município. Em representação da Vereadora da Cultura, Rodrigo Sala referiu “Que temos estado a acompanhar, de forma calorosa e com orgulho, esta décima edição do Kinani e também a quarta bienal de Dança em África”.

Com esta bienal de dança, a organização do evento espera promover Maputo como um importante espaço criativo. “Vamos começar a história da dança contemporânea em Moçambique e, quiçá, no continente africano”, sublinhou Quito Tembe, o director da bienal Kinani.

A cerimónia de abertura oficial da décima edição da Bienal Kinani contou com a presença de Sophie Renaud, representante do Instituto Francês de Paris, que manifestou a sua felicidade por constatar que, ao longo de 30 anos de história, a dança contemporânea em África tem-se desenvolvido. Sophie Renaud felicitou a direcção do Kinani por conseguir reunir tantos intervenientes da dança em África e ainda se referiu ao bailarino que a trouxe pela primeira vez a Maputo: Augusto Cuvilas.

 

 

 

O cantor angolano, Matias Damásio, vai actuar, sexta-feira e sábado, em Maputo e Matola. Segundo uma nota de imprensa, o primeiro concerto será em forma de Jantar de Gala, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano e o segundo será no recinto do Conselho Municipal da Matola.

Na Cidade de Maputo, o cantor irá contar com as bandas Gran’Mah e Banda Kakana. Já o concerto da Matola vai obedecer dois palcos, um dedicado a artistas emergentes, como Michael Sululo e Flávio Lisboa, e outro que vai acolher as actuações de artistas como Mavundja, Tamyres Moiane e Cleyton David, DJ Ardiles, Mr. Kuka e Júlia Duarte.

“Estes eventos, um mais reservado e outro aberto a um público mais alargado, pretendem, acima de tudo, celebrar o amor, através das músicas de um dos artistas estrangeiros mais acarinhados pelo povo moçambicano”, lê-se na nota de imprensa.

Matias Domingos Damásio nasceu em Benguela, Angola, a 9 de Maio de 1982. Parte mais tarde para Luanda, onde aprendeu a tocar guitarra nas ruas. Participou em vários concursos de talentos. Em 2003, vence a “Gala Sexta Feira”, o Festival da Canção de Luanda e o Concurso Variante.

A produção dos eventos é levada a cabo pela Evolution, um grupo moçambicano que, para além da produção e gestão de grandes eventos, também produz concertos e festivais.

 

Às 10 horas de do próximo dia 2 de Dezembro, na Livraria Sequoia, na Cidade de Maputo, o escritor peruano Rafo Diaz, residente no país há vários anos, vai lançar a sua mais recente obra literária. Intitulada “O menino serpente”, a história do enredo é inspirada em factos reais.

“O menino serpente” tem como protagonista Bento, personagem que nasce com um problema de saúde que o impede de andar. Bento foi crescendo a rastejar como uma cobra. Daí lhe veio a alcunha de “menino serpente”

Depois de muitos anos de ausência, Bento regressa à sua aldeia e, enquanto na casa de infância espera pelos vizinhos, familiares e amigos, recorda a sua história e reflecte sobre o quotidiano das pessoas que sofrem de deficiência no confronto com a sociedade onde vivem.

O livro de Rafo Diaz é uma história que, apesar de difícil, se revela plena de esperança, podendo ser uma fonte de inspiração para quem nasceu marcado pela “diferença”.

A cerimónia de lançamento de “O menino serpente”, de Rafo Diaz, é organizada em coordenação com a Fundação para Apoio de Crianças com Deficiência e a Livraria Sequoia.

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