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O País – A verdade como notícia

O edil da Beira, Albano Carige, diz que há falta de vontade política do Governo para pagar os três meses em atraso do fundo de compensação autárquica àquele município. Carige diz que o não desbloqueio dos fundos compromete projectos da edilidade, como o de protecção costeira.

Os municípios do país continuam a ressentir-se dos atrasos do Governo na disponibilização dos fundos de compensação financeira.

O edil da Beira diz que que o município não recebe o fundo autárquico há cerca de três meses e conclui que o atraso se deve à pouca vontade das lideranças centrais.

“Quem politicamente não querer que as coisas aconteçam “ignora tudo” porque este governo faz a transferência ao seu bel-prazer. estamos há três meses em receber a transferência do fundo de compensação, do fundo de investimento autárquico ”, queixou o autarca.

De acordo com Albano Carige, que falava em conferência de imprensa convocada para fazer o balanço da governação municipal durante o ano 2023, a ausência de fundos compromete a implementação de projectos de desenvolvimento na autarquia.

“Como sabem, o projecto de protecção costeira e o projecto de Valas de drenagem tinham que arrancar este ano”, lembrou.
Esta é a segunda vez que o autarca fala dos atrasos de fundo de compensação autárquica, cuja disponibilização é da responsabilidade do Governo Central. Em Junho passado, o município denunciou um atraso que já durava desde Outubro de 2022, ou seja, de nove meses.

Várias lojas de venda de roupas estiveram extraordinariamente abertas este Domingo, na Cidade de Maputo. As compras de última hora e ressurgimento de negócios típicos da época, marcaram as vésperas do natal.

Era um movimento não habitual, quando se fala de Domingo. Mas, porque o natal está à porta, a avenida Guerra Popular, na baixa da Cidade de Maputo, esteve com os passeios quase que intransitáveis e lojas aglomeradas.

A azáfama era pela procura de roupa nova e a mais bonita para passar o 25 de Dezembro, onde os comerciantes prepararam um pouco de tudo, para todos os gostos, tal como disse a nossa equipa de reportagem, Jesus Janeiro.

“Temos variado as marcas e as posições de venda para poder suprir com todas as necessidades dos nossos clientes”.

Mesmo com falta de tempo, nalguns casos, e de dinheiro noutros, a procura pela melhor roupa não ficou para trás.

Depois de muita procura e indecisão, Maria Joaquina, finalmente decidiu que a cor do natal e do dia da família para este ano é verde.
O habitual branco e vermelho, ficaram para a história, no natal de muitas famílias. Judite Carlos, outra cliente,explicou que “o verde representa esperança”.

Com o natal à porta, surgem também novos negócios, para dar cor e vida à tradição, tal é o caso da venda de lacos e chapéus de natal, por isso, a habitual troca de presentes, característica desta época, fez com que Isidro Fernando visse uma oportunidade de negócio.
Apesar da agitação, o ambiente mantinha-se ordeiro.

As várias lojas na Cidade de Maputo estiveram abertas este Domingo para responder às compras de última hora.

 

Por: Helio Guiliche

Olá Pai Natal!!!

Como de costume nestas alturas do ano, dedico um tempo e escrevo a minha cartinha, e faço alguns pedidos – alguns meio extravagantes e outros talvez utópicos. Porém, imagino que pela sua idade e experiência perceberá o alcance de muitos dos pedidos.

Imagino que pela minha faixa etária não seja mais elegível nem prioritário para ver meus pedidos satisfeitos, mas como deveis saber, eu raramente peço para mim, mas tento interceder pelos menos favorecidos.

Escrevo a partir de Moçambique – um país extenso e muito belo; também apelidado de Pérola do Índico. País com uma riqueza de dar inveja a qualquer um, mas com níveis de pobreza alarmantes e muito preocupantes. É conhecido por uns como a terra do gás que jorra pela bacia do Rovuma; como a terra dos rubis localizados maioritariamente em Namanhumbir; da grafite de Balama; das areias pesadas de Moma; e a terra que hospeda uma biodiversidade marítima, faunística e florestal única. Por outros é conhecido como o país que vive horrores do terrorismo que grassa a província de Cabo Delgado desde 2017 e, também como o caminho das tempestades tropicais devastadores, sejam elas de alta, média e baixa intensidade.

Mas o escopo da minha carta não é publicitar as riquezas e potencialidades do meu belo país, tampouco sugerí-lo às apetências dos senhores do mundo. É sim, deixar ficar um pedido muito nosso, para que interceda a favor do nosso país junto ao concerto das nações e faça o grito dos moçambicanos ser ouvido e respeitado além-fronteiras.

Na carta que escrevi no ano passado, acabei me empolgando e fiz muitos pedidos. Será perceptível que não tenha dado cobro a todos, todavia escrevo de forma convicta e com alguma esperança no coração. Lembro-me de forma clara, que dos vários pedidos que fizera, destacou-se o de pedir mais responsabilidade e assertividade por parte dos que governam e “decidem” o futuro do país.

Do Índico surge um pedido normal e algo ainda muito cortinado – mas que a meu ver deve ser visto como um direito inalienável e inegociável – O Direito a sermos um país uno e indivisível; com a autodeterminação e um lugar audível e respeitado nos holofotes do mundo.
Nesta carta trago pedidos de índole político-social. E acredito que pela sua versatilidade podes tornar-te um actor relevante e um campeão que carrega mensagens aos políticos e decisores. Quero usar deste canal de influência que é “a carta”, para levar a voz de todo um povo sofrido mas esperançado, que clama por mais justiça social, mais empatia, mais inclusão e mais respeito pela dignidade humana.

Por veleidade, podia aqui acrescentar alguns pedidos que tenho em mente – chamarei de pedidos de ocasião, mas com um alcance muito realístico pois, preocupam a mim enquanto cidadão ordinário, e a todos enquanto actores e sujeitos activos e passivos da ação climática. Sem egocentrismo, olho para o mundo como um todo e vejo que a crise climática é uma realidade e está cada vez mais severa. Suas consequências são nefastas e seus efeitos tem se mostrado avassaladores. Nunca antes o agora e o hoje foram tão prementes e convidativos a uma ação global urgente, coordenada e sem precedentes. Nenhuma outra geração teve em mãos o poder para pensar, decidir e fazer o que deve ser feito – nenhuma outra geração poderá ter melhor chance de mudar o hoje e deixar um amanhã melhor para as gerações futuras. O relógio climático da terra esta disparado, e os ponteiros do clima aceleram a uma velocidade quase que incontrolável – tudo o que devemos fazer é dar uma chance ao clima (give a chance to climate). Feliz ou infelizmente, o efeito das mudanças climáticas não tem sul global nem norte global; eles afectam ao globo como um todo. Todavia o sul global é o que mais perdas e danos sofre e daí vem um clamor para que se olhe mais pelo Sul.

Pai Natal!!!

Irá perceber que as mudanças climáticas estão a acelerar o degelo na Antártida e noutros pontos cruciais do nosso planeta, e em breve, até a neve que tanto o caracteriza irá começar a escassear. Não nos vai espantar que o seu trenó puxado por Renas seja substituído por barcaças ou que as Renas sejam substituídas por camelos. – Aí, talvez tenhas que reinventar e recriar toda amalgama em torno do enredo secular que gira em torno de ti e do Senhor barbudo que faz maravilhas ao mundo.

As mudanças climáticas não eram parte da sua agenda, e disto estou certo. Mas esteja mais certo que irão a breve trecho afectar o seu status de velho barbudo que faz a alegria de milhares de crianças pelo mundo. Por isso Pai Natal, faça uso dos seus corredores nas Nações Unidas e faça chegar este pedido sobre desbloqueio do financiamento climático, sobre o fundo para perdas e danos, para adaptação e mitigação, energias limpas e renováveis, bem como para a tão propalada transição justa. Por falar em transição justa, tente falar que o Sul Global precisa desenvolver-se, criar bases sólidas e atingir os standards no Norte Global – e quando estiver num nível de desenvolvimento sustentável haverá sentido falar em justiça climática.

Acabei me empolgando na ressaca da COP28, e trouxe aspectos globais que espero que sejam também globalizantes e ligados a agenda climática que a todos diz respeito e a nós toca de forma muito particular a cada evento extremo. Mas, descendo a minha petição, diria que no meu país – Moçambique – o ano foi um dos mais desafiadores e marcantes. Uma data de acontecimentos varreu o país e inaugurou um novo paradigma social e político – a marcha progressiva de repúdio e aos discursos vazios e sem materialização factual. Talvez seja cedo para apelidar de um novo amanhecer, mas a aurora parece ter dado sinais.

Velhas formas de pensar e olhar a sociedade, outrora relegadas a velha esperança, deram lugar a novas formas de agir social e vários movimentos espontâneos de mobilização social liderados por jovens, agitaram o panorama político-social do país.

Estas formas de pensar e de agir, degeneraram em manifestações muito concorridas onde milhares de jovens maioritariamente das gerações 1980, 90 e 2000, saíram às ruas para mostrar o seu descontentamento e seu desejo de ver a mudança há muito anunciada e propalada, mas nunca vista.

Estas manifestações e passeatas pacíficas, foram sempre acompanhadas por uma carga e uso desproporcional de força da força por parte das autoridades.

Se em 2020 na minha carta de natal, pedi mais vacinas e máscaras para a COVID19, entenda Pai Natal que o contexto pandémico assim o exigiu.

Hoje, em 2023, troco as máscaras da COVID pelas máscaras ANTI-GÁS lacrimogénio. Cancele os brinquedos e toda a gama de entretenimento da época e invista mais em saúde do nosso povo provendo máscaras anti-gás, pois o contexto também o exige.

No encontro anual que tem com os estadistas e governantes, faça chegar de forma leve, breve e objectiva esta máxima que é sobejamente conhecida: Nada é mais forte que o POVO!!! E que usar a força e brutalidade contra o povo é perder a base de apoio deste que é o maior recurso social, político e humano da nossa nação.

Não quero politizar a minha carta, tampouco ser associado a alguém que esta perverter a ordem social e o status quo, por isso Pai Natal, peço anonimato, e a minha assinatura será ilegível.

Escrevo porque sei que existes, e acredito veementemente como tantas outras pessoas que tu podes e vais fazer chegar nossa prece aos devidos destinatários.

Mais esperança para Moçambique.

Feliz Natal!!!

Na segunda fase de seleção de projectos artísticos do MASA, o Festival AZGO foi representado pela Directora-Geral, Júlia Novela, em Abidjan, Costa do Marfim, este mês, para a composição da 13ª edição do Festival das Artes da Costa do Marfim (MASA) que decorrerá de 13 a 20 de Abril de 2024.

O MASA busca promover a diversidade cultural, estimulando o diálogo entre diferentes formas de arte e valorizando o potencial criativo dos jovens.

O evento será realizado em Abidjan e terá como tema “Juventude, Inovação e Empreendedorismo”. A comissão responsável pela escolha dos projectos foi composta por renomados representantes do cenário artístico internacional.

Na categoria de música, a comissão contou com a participação de Moçambique, Marrocos, Estados Unidos da América e Costa do Marfim. Ao todo, foram seleccionados 69 projectos, distribuídos nas seguintes categorias: 20 de música; 06 de teatro; 14 de dança contemporânea; 06 de Slam; 06 de humor; 12 de artes circenses e de fantoches; e 05 de conto. Os projectos seleccionados representam 22 países.

A 13ª edição do MASA será uma oportunidade para artistas de diversas regiões, culturas e ritmos de se reunir e compartilhar suas performances com o público. O tema “Juventude, Inovação e Empreendedorismo” pretende reflectir a importância da criatividade e da expressão artística como motores para o desenvolvimento social e económico.

De moçambique foram seleccionados duas candidaturas, na música a Banda Kakana e na dança contemporânea a dançarina Janet Mulapha.
O Festival das Artes da Costa do Marfim (MASA) é um evento bienal que celebra a diversidade cultural e a criatividade artística. Desde a sua criação em 1993, o MASA promove o diálogo intercultural e a valorização das artes africanas e tornou-se um dos festivais mais importantes da África, atraindo artistas, profissionais do sector cultural e amantes das artes de todo o mundo, através de uma extensa programação de dança, música, teatro, artes visuais e outras expressões artísticas.

Estórias da paz e reconciliação e O romper da aurora, duas colectâneas de contos, serão lançadas, nesta sexta-feira, pelas 17:30, na cidade de Maputo. As obras literárias foram editadas para estimular a escrita de jovens autores, que, assim, tiveram a oportunidade de ver a sua história publicada em livro.

No primeiro caso, a publicação de Estórias da paz e reconciliação resulta de um concurso de crónicas sobre paz e reconciliação, envolvendo jovens estudantes universitários moçambicanos. “É um acto interessante, pois se dá aos jovens a possibilidade de pensar e opinar sobre um problema do seu tempo. E, neste livro, fazem-no bem. Embora ainda sintam os efeitos da guerra que se abateu sobre o país, preferem apartar-se dela, optando pela construção de um enredo que tem a família como palco, querendo com isso mostrar que a árvore da paz, cujos frutos alimentam o país inteiro, deve ser plantada na família. É na família, onde, primeiramente, devem ser ensinados os valores da paz e reconciliação”, lê-se na nota de apresentação da obra.

O segundo livro, O romper da aurora, resulta do Concurso Literário organizado pela Associação Kulemba, no contexto da sexta edição da FLIK 2023. Assim, 15 histórias de igual número de alunos do Ensino Secundário, em Moçambique, foram seleccionadas, num universo de 10 meninas e cinco meninos.

Os 15 textos de O romper da aurora perfazem cerca de 85 páginas e, em termos temáticos, incluem no enredo diferentes cenários sobre os desastres naturais, que, no país, têm causado muitas vítimas humanas e perda de bens. Com a iniciativa, a Associação Kulemba espera contribuir para a consciencialização da necessidade de preservação da natureza.

 

A cantora e compositora sul-africana Bulelwa Mkutukana mais conhecida por “Zahara” faleceu, esta segunda-feira, em Joanesburgo, África do Sul, aos 36 anos, vítima de doença.

De acordo com a imprensa sul-africana, que avança a informação, a cantora teve complicações hepáticas semanas depois de ser internada no hospital em terapia intensiva.

Em Moçambique, a autora do sucesso “Loliwe” fez vários shows onde atraiu centenas de fãs.

Com o seu aclamado álbum “Lolilwe”, a cantora recebeu disco de platina duplo.

Zahara  ganhou vários prémios, incluindo 17 South African Music Awards, três Metro FM Awards e um Nigeria Entertainment Award.

A edição 2023 do Mozambique Fashion Week (MFW), que decorre em Maputo, conta com a participação da estilista franco-senegalesa Rama Diaw e da directora francesa Nadine Gonzalez. As duas profissionais vieram a Maputo a convite da Embaixada da França em Moçambique e estão a identificar talentos que vão beneficiar de iniciativas como residências artísticas.

Rama Diaw é franco-senegalesa. Na sua área de actuação, a estilista apresenta-se como uma profissional aberta, quer na concepção, quer na criação das suas peças de moda. Apesar de viajar muito pelo mundo, de África à Ásia ou da Europa à América, nunca tinha estado num país banhado pelo Oceano Índico. Por isso mesmo, nesta sua primeira vez na Cidade de Maputo, para o Mozambique Fashion Week, tudo é uma boa novidade e um mar de descobertas.

A estilista chegou à capital moçambicana no passado dia 4 deste mês de Dezembro. Não sabe muito da cultura moçambicana. Logo, para preencher essa falta de conhecimento, mal aterrou saiu à rua para procurar tecidos tipicamente tradicionais de Moçambique, longe das capulanas produzidas nas fábricas e, em muitos casos, importadas. No entanto, não encontrou nada e a sua procura continua…

Um dos grandes projectos de vida de Rama Diaw é inspirar pessoas. “Eu gosto de ser inspiradora. No caso, do ponto de vista artístico. Sou uma estilista autodidacta e lutei muito para estar no lugar onde me encontro. Por essa razão, o que me interessa é inspirar outros jovens, que, inclusive, não têm a formação em moda, mas a paixão por esta arte. Com inspiração eles podem atingir os seus objectivos pessoais”.

Engajada na promoção da identidade africana negra, Rama Diaw tem uma exposição no Museu de Arte Africana em Washington, nos Estados Unidos, com a fotógrafa norte-americana Ayana V. Jackson. “É uma exposição sobre o trabalho profundo inerente à identidade africana e da mulher africana, pensando o passado e o presente como forma de definir o futuro”.

A exposição em causa, depois de Washington, será itinerante, devendo seguir para Nova Orleães, nos Estados Unidos, e, depois, para Dakar, no Senegal. Enquanto isso não acontece, parte do que essa exposição é, Rama Diaw trouxe a Maputo para o MFW, até porque, segundo acredita, “A moda é uma forma de exprimir uma identidade de forma positiva”. Em parte, esta é a razão que a levou a viajar para Moçambique, com a pretensão de encontrar estilistas nacionais e africanos para juntos compartilharem perspectivas e possibilidades. “Eu gosto de descobrir outros povos. O mais importante é esta mistura entre nós e de materiais com os quais estamos a trabalhar”.

Para o MFW, sessão marcada para 21h30 deste sábado, na Galeria do Porto de Maputo, o que Rama Diaw trouxe são vestidos de diferentes materiais e de diferentes países africanos. A estilista gosta de inserir na sua criação elementos dos lugares por onde passa. Assim, nesta estadia em Maputo, que vai durar oito dias, também espera levar consigo materiais moçambicanos para as suas próximas colecções, o que pode testemunhar a sua passagem por Moçambique.

Ao todo, na colecção “O mar”, 15 modelos moçambicanas vão vestir mais ou menos 30 peças da estilista franco-senegalesa. Trata-se de um trabalho ainda em construção, que, independentemente de ser apresentado no Senegal ou não, representa uma homenagem às mulheres que têm uma relação especial com o mar. E lembra: “No tempo da escravatura, as mulheres grávidas eram lançadas ao mar. E outras lançavam-se pessoalmente porque, uma vez grávidas, sabiam que não tinha escapatória. Essas mulheres partiram desta vida, mas acredita-se que há um reino no fundo do mar, onde elas existem”.

Partindo dessa história triste, quer na exposição nos Estados Unidos, quer na colecção que vai apresentar em Maputo, Rama Diaw recupera um passado para homenagear a grandeza da mulher africana.

Além de apresentar o seu trabalho no MFW, Rama Diaw quer identificar criadores, porque tem em manga um evento ao redor da moda para Senegal. Portanto, a estilista espera convidar talentos moçambicanos para se apresentarem no outro lado de África.

NADINE GONZALEZ TRAZ CASA 93 A MAPUTO

A pretensão de dar extensão à moda, de encontrar novos mercados, de reaproveitar materiais e de expandir parcerias também constitui uma prioridade para Nadine Gonzalez, Directora da Casa 93, no Norte de Paris. Igualmente pela primeira vez em Maputo, nesta capital se encontra desafiada para estudar a possibilidade de criação de uma incubadora da área da moda em Moçambique.

A Casa 93 é um projecto de uma associação que, há 18 anos, surgiu no Rio de Janeiro, no Brasil, com objectivos de identificar jovens, formar, valorizar e inserir no mercado da moda. O subúrbio é a sua prioridade, todavia, uma vez que o MFW acontece na zona cimento de Maputo, a missão da sua directora, confiada pela Embaixada da França em Moçambique, é, depois de ver os desfiles, escolher um(a) estilista moçambicano(a) que poderá ter uma residência artística em Paris e ainda participar no Paris Fashion Week, tendo como alguns critérios relacionados com a qualidade e originalidade. A pessoa seleccionada, com efeito, será anunciada sábado à noite.

O assunto critério, para Nadine Gonzalez, é fundamental, no contexto da selecção de um ou uma estilista no MFW, pois a Casa 93, por si dirigida, é muito exigente em questões de produção e criação. “Vi muitos desfiles tradicionais, e vi com vários critérios, porque a nossa escola não é comum, é humana, consciente, preocupada com a concepção e reciclagem”.

Segundo acredita Nadine Gonzalez, o mundo já produziu vestuários demais. O que se propõe, doravante, é reaproveitar o que já existe e de forma ecológica e, inclusivamente, em zonas alternativas, como os subúrbios. “Os subúrbios são centros de muita criatividade. A ideia é transformar as frustrações do subúrbio em criação. Nós reaproveitamos as coisas para fazer novidades. Pegamos roupa com defeito ou usada, e reaproveitamos. Para o efeito, contamos com grandes parceiros”.

Uma das coisas que a Casa 93 tem feito é imaginar o futuro da moda daqui a 30 anos. Ao invés de produzir novos tecidos, prefere reaproveitar. “Precisamos de muita reflexão e de investir em outras maneiras de fazer as coisas”. Nesse sentido do reaproveitamento, realça Nadine Gonzalez, um dos exemplos que Moçambique tem é Gonçalo Mabunda, “um artista de dimensão global e que traz essa inspiração para jovens estilistas. Na sua arte, Gonçalo Mabunda recupera tudo”.

Referindo ao facto de o MFW contar com a participação de variados públicos, provenientes de imensos países, Nadine Gonzalez entende: “Acho importante que dentro dos colectivos como o MFW haja estrangeiros ou estilistas de outras proveniências, para consolidar projectos de intercâmbio, para todos nos realimentarmos de culturas diferentes. Por isso, nesta vinda, consideramos o critério sociocultural, de modo que o que é aqui produzido, com as suas especificidades, possa beneficiar a França. Esta é uma troca que será importante para os dois países”.

Referindo-se ao papel da moda, actualmente, a Directora da Casa 93, de Paris, sublinhou que esta arte é importante para os profissionais se exprimirem, experimentarem e contestarem. “A roupa é uma boa maneira para as pessoas se exprimirem e, igualmente, revelarem o seu engajamento na protecção do planeta”.

Tanto Nadine Gonzalez, bem como Rama Diaw participam no MFW a convite da Embaixada da França em Moçambique.

 

A moçambicana Fátima Taquidir, que concorreu sob o pseudónimo de Gaiaguango, é a vencedora da edição de 2023 do Prémio Imprensa Nacional / Eugénio Lisboa, pelo seu trabalho “Disrupção”. Taquidir ganhou cinco mil euros e deverá ver o seu trabalho publicado já no próximo ano pela editora pública portuguesa.

O júri constituído por Lucílio Manjate (Moçambique), na qualidade de Presidente,  Sara Laisse (Moçambique) e Paula Mendes (Portugal), deliberou atribuir o prémio a Fátima Taquidir, por considerar que o seu trabalho constitui “uma ousada e agradável combinação entre o romance histórico e psicológico, que explora tanto o paradoxo como a síntese de paisagens e culturas, servindo-se a autora da descrição como expediente técnico de assinalável alcance imagético e simbólico, aliada a uma investigação documental cuidada”, lê-se na nota enviada ao nosso jornal.

A obra “Disrupção” explora o cenário da guerra civil em Angola, pano de fundo usado pela autora para representar todo um mundo conturbado, universalizado pelo desenvolvimento da trama por diversos outros espaços: Portugal, Brasil e Cuba, onde laços familiares e sociais estão em constante ruptura.

Concorreram à edição deste ano um total de 42 textos. O Prémio Imprensa Nacional / Eugénio Lisboa foi criado em 2017, numa parceria com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

A velejadora moçambicana Deisy Nhaquile continua na rota dos Jogos Olímpicos de Paris, após terminar na segunda posição do Campeonato Africano de Vela e Canoagem, que decorre em Soma Bay, no Egipto.

Deisy Nhaquile não teve um início encorajador no Africano de Vela e Canoagem que qualifica para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Nas primeiras duas regatas, no primeiro dia de provas em Soma Bay, no Egipto, terminou em terceiro lugar, e foi penalizada uma vez, facto que comprometia a sua posição final.

Entretanto, a actual campeã africana começou a evoluir e, no segundo dia de competições, cresceu e conseguiu terminar as regatas em posições que garantissem a segunda posição da classificação actual.

Com habilidades destacáveis e uma navegação admirável, a velejadora moçambicana conseguiu, nas regatas desta terça-feira, impressionantes resultados, facto que cimentou a segunda posição na classificação geral da prova da classe Laser Radial, agora chamada de ILCA 6, para barco individual feminino.

Ainda assim, Deisy Nhaquile continua longe da primeira posição, ocupada pela egípcia Khouloud Mansy, que tem conseguido bons resultados nas seis regatas até aqui disputadas, faltando mais seis.

Deisy Nhaquile continua, assim, bem posicionada para assegurar a sua presença nas Olimpíadas de Paris 2024, tendo em conta que se qualificam para a prova intercontinental os dois primeiros de cada classe dos Africanos de Vela e Canoagem.

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