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O País – A verdade como notícia

No primeiro dia deste ano, Chico António programou-se a voltar ao estúdio para continuar a produzir o seu novo álbum. Apesar da saúde frágil, o músico contactou o produtor Zé Pires. Ambos trocaram mensagens, animados, convictos de que 2024 seria o ano… No entanto, em poucos dias, a situação da saúde complicou-se e o artista teve de ser internado no Hospital Central de Maputo, onde, este sábado, não resistiu ao cancro que se tinha espalhado pelo corpo.

Como consequência da morte de Chico António, em poucas horas, as redes sociais funcionaram como a grande montra para a homenagem ao autor de “Maimuna” e “Mercandonga”. Os admiradores, amigos, colegas de trabalho e artistas lamentaram, com efeito, o desaparecimento de um autor cujo último grande concerto aconteceu no dia 22 de Dezembro, no Centro Cultural Moçambique-China. Zé Pires esteve na direcção do espectáculo designado Aqueles dias de rádio. “Eu tive essa sorta de ter sido escolhido por ele, para trabalhar. Fiz a finalização do último disco dele, Memórias, e, recentemente, ele escolheu-me para fazer a produção-executiva do seu último álbum, numa co-produção minha com o Nelton Miranda. Infelizmente, passados dois ou três dias, recebemos esta mensagem de que o Chico está hospitalizado e, pasado uma semana, o Chico foi-se. Mas nós vamos finalizar o trabalho. Não vamos permitir que o legado do Chico morra com ele. Faremos com que o seu projecto vá até ao fim. Disso eu tenho a certeza”, garantiu Zé Pires, acrescentando que, nestes dias, percebeu que, já a 22 de Dezembro, o autor de João Galagala estava debilitado.

Reagindo à morte de Chico António, Lucrécia Paco lamentou à perda de uma referência para a cultura moçambicana. Do mesmo modo, a actriz lembrou-se da sua adolescência e de um período em que ela e Graça Silva foram dançarinas do Tio Chico. “O país perde não só um artista, um mestre da música, mas também um professor da vida e uma referência que, ao longo do seu percurso soube, com muita dingnidade, ter em conta o ser artista, que questiona e não se alheia do meio em que se insere”.

No mesmo calor de choque, Elvira Viegas sublinhou: “Esta situação nos deixa tristes. A mim, pessoalmente, que o conheço há muitos anos e partilhamos o palco juntos… Estou triste e revoltada, ao mesmo tempo, porque não passam dois meses que perdemos Leman Pinto, outro grande músico”.

Para o amigo Nataniel Ngomane, que o conheceu há quase 30 anos, Chico António é um autor diferenciado. E explica porquê: “A guitarra de Chico António não é qualquer pessoa que toca, pois tem uma escala específica, quer dizer, não é uma escala Ocidental que nós conhecemos, e, nesse aspecto, poderia comparar Chico António com José Mucavele. E este é um caso muito curioso. Como é que um indivíduo inventa uma escala?”.

De acordo com José Mucavele, “Perdemos um grande artista, que estava a aguentar-se porque a arte é uma grande luta num país sem cultura de cultura. Eu não conheço um músico do calibre de Chico António, lá fora, mais pobre do que Chico António”.

Ainda sem data do funeral, os artistas são unânimes numa coisa. Desde já, os estudiosos devem se preocupar em estudar e valorizar a obra de Chico António.

Morreu o músico moçambicano Chico António. O autor de Baila Maria perdeu a vida na Cidade de Maputo, vítima de doença. Chico António teve complicações de saúde e esteve internado no Hospital Central de Maputo durante perto de uma semana.

Chico António é autor de êxitos como Baila Maria, Antlissa Maria, Wodza, entre outros trabalhos.

Nascido a 13 de Maio de 1958, no distrito de Magude, província de Maputo, Chico fez parte de bandas que compunham música com base em ritmos tradicionais moçambicanos, tais como Grupo RM e Orquestra Marrabenta Star.

O sucesso musical de Chico António favoreceu digressões por países como Inglaterra, Holanda, Itália, França, Portugal, Suécia, Noruega, Dinamarca, Zimbabué, Guiné Conacry e Cabo Verde.

Em 1990, ganha o prémio Descobertas da Radio France Internacional e recebe uma bolsa de estudos para estudar técnicas básicas de piano, arranjos e captação de som em estúdio.

Uma semana depois de ter sido internado, Chico António não resistiu. Partiu, deixando para trás uma vasta obra.

Por: Izidro Dimande

Lançado já a dias longos em Moçambique, a obra do escritor Ungulani Ba ka Khossa, empresta um título duvidoso às nossas mentes problemáticas, facto que deixou-me no cerne de poder escrever sobre sua percepção crítica. A obra ora criticada segue a diacronia dos factos, iniciado depois da independência, aos dias de hoje, democrático.

Os factos, as acções do autor, realça-nos partes da história, quando estudados isoladamente encontramos – sincronia – um estudo mais profundo do país hoje, em todos os aspectos, desde a política – primeiro na linha, depois a sociedade – repartida em extratos sociais, habitação, educação, escolarização, culturas diversas, línguas renegadas e acusadas, interpretações musicais e seus autores esquecidos, sem querer fazer a ruptura, mas sim encontrar semelhanças de um período na obra.

A crítica literária pode assumir a forma de um discurso teórico baseado na teoria da literatura ou um discurso mais detalhado, apresentação e revisão de uma obra literária (muitas vezes na forma jornalística quando é publicada). O método da crítica literária é directamente influenciado pela história e pela teoria crítica. O método é, ao mesmo tempo, a actualização histórica de uma visão teórica da literatura. O formalismo, a filologia, os estudos culturais, o geocriticismo, as religiões comparadas, a simbologia e a psicanálise são métodos muitas vezes utilizados na crítica literária. [1]

Em teoria da literatura, a obra procura iniciar com aspectos da sua função psicológica (literatura e psicologia) ao colocar-nos (pessoas da geração antes e pós-independência) com uma doença ou trauma mental, o Acidente Vascular Cerebral, como resposta às intempéries da nação fracassada – vê a quantidade de AVCs a afectar  a geração dos nossos pais. Tipos que, directa ou indirectamente, foram perseguidos ou vigiados pela polícia política colonial, sonharam com uma independência que fosse para todos. Mas nada aconteceu. Pág. 20 – neste trecho retirado, o autor explica em partes o medo, o caos, a preocupação, a dor, o desespero, a seca social, esperada por aquela gente adulto, tornada criança pelo partido, pelas às ordens, gente adulta que lutando ou sem lutando por um espaço, desejou almejar um espaço na governação. É sobre os AVCs em massas que o resultado súplica as lideranças partidárias hoje, se nos concentrarmos na actualidade política e governamental, será possível depararmos com AVCs neste século. Gente que espera a todo custo pelo espaço determinado pelo apelido que carrega, ou pelo simples facto do seu parente de linhagem directa ou indirecta, sem ser do mesmo sangue ter ´´ sofrido“ nas saias colonial a dor do chicote na Vila Algarve (durante a Guerra Colonial muitos combatentes da resistência foram aqui torturados), no campo de cultivo da cana, no comboio a caminho do exílio prisional, nas celas de uma das três unidades prisionais regionais, ou das nove unidades prisionais províncias, construídas pelo estado colonial para educar aos que lutavam pelos seus direitos de liberdade e política. Estamos perante um ajuste de contas entre as elites.

Esta nova elite de ricos políticos e governantes, surgidos através de vários métodos, dos quais destacamos a liderança política, transformou a situação habitacional da cidade em um autêntico lar de esquizofrênicos, gente que esqueceu sua proveniência, sua luta, sua dedicação à causa nacional. Surgiram e ocuparam moradias no único bairro de luxo e tornaram muitos bairros em mansardas de gente que acha – a Mafalala, bairro suburbano, tornou-se num quartel general na estratégia de imobilizar os brancos que ainda sonhavam com o grande império. Pág. 31 –  estes  brancos que orquestraram o ataque a rádio, última tentativa da metrópole com a causa de recuperar a dita província ultramarina. Facto, feito, não conseguido, caos social e econômico – O pão escasseia e quase ninguém se atrevia a sair de casa. As lojas estavam trancadas. Pág. 31 – fugir do país ou dos bairros pobres seria, ou era, o desejo da maioria, as cooperativas com cadernetas em filas, transbordavam nas prateleiras a raiva de uma fome anunciada. O partido estado, continuava enchendo o povo em comícios de ideais revolucionárias, ideias de socialismo, ideias de recuperação de um estado falido pela nossa forma de pensar individual, a obra aborda isso, visto numa perspectiva de gente que sofre, e nos relacionamos com os discursos triunfalistas da ocasião, discursos que enchem nossa mente com princípios e ideologias narcisistas, escamoteando as necessidades da base no diagrama de Venn. Ou seja, estamos no topo da pirâmide sem sairmos da base. Este livro, lido e analisado, encontrar-se-ão elementos para reflexão, numa sociedade apostada numa melhoria de todas as condições históricas.
A raiva e o ciúme pelo sucesso do outro, se encontram nos estudos culturais, não se configuram exatamente como uma disciplina distinta, mas sim uma abordagem ampla dentro das disciplinas constituídas, Ungulani busca uma parte da raiva que este povo livre do 25 de Abril não compreendeu, a liberdade em solo pátrio é o melhor e único prazer para cada povo no mundo, facto que levou a morte da Alda – Morreu vendo e ouvindo, no pequeno ecrã, Samora Machel, primeiro presidente da República Popular de Moçambique, em pleno solo lusitano. Pág. 39 – uma morte sem simbolismo cultural. Um povo que recusa a liberdade a outro povo, não é digno de fazer parte de um sindicato. Nesta obra, esta parcela mostra o quão foi preciso explicar aos portugueses, no seu espaço, a importância da nossa liberdade sem qualquer tipo de confrontos, que sejamos irmãos pela língua – português – sejamos confrades na divulgação das nossas culturas, mas não estereotipamos o próximo. É uma obra que vem inculcar-nos nos dias de hoje, o que não fazem os nossos dirigentes políticos, após a morte de Samora Machel.
Na história da Frelimo, a maioria das pessoas eram santas como das igrejas, imaculadas, pessoas que não fodiam, não bebiam, e nem se traiam. Pág. 43 – o nosso grande símbolo ideológico, desde 1975, hoje piorou a forma sã de pensarmos a vida em sociedade que se preze ao desenvolvimento.  Todas as sociedades humanas possuem símbolos que expressam algo, sendo umas das formas de representação da realidade. Vivemos de um simbolismo histórico incauto. Segundo Julius Evola, Eugène Canseliet, Schwaller de Lubicz e outros autores, a simbologia que aparece na cultura de diferentes povos não pode ser reduzida somente ao conhecido.

O simbolismo, os AVCs, as detenções contínuas, e outras mazelas da vida, tornaram o nosso sistema nacional de educação num campo de golf, só mete a bola no buraco quem melhor pontaria tem para conseguir uma bolsa aos seus. Hoje vemos instituições públicas preenchidas de preguiçosos porque foram ao estrangeiro estudar sem vontade própria, os com vontade de construir e transformar nossas indústrias destruídas pelos dois lados da guerra, ficaram por lá. Com medo do simbolismo e das perguntas as – ambições da nova elite tornaram-se transnacionais com a queda do apartheid sul-africano, e a ascensão de Nelson Mandela…pois ambicionavam… casas para puro lazer ou o idílico recanto dos filhos que nunca terminavam os cursos médios e superiores em Johannesburg e Cape Town. A África do Sul era a ambicionada metrópole africana, o destino do dinheiro amealhado, o abençoado espaço para as infidelidades conjugais.  Pág. 54 – nunca conseguiremos ter uma selecção de bolseiros à medida das necessidades planificadas.

Depois da nossa Diva Zaida Chongo, vivemos a maior enchente fúnebre no Edson, suas mensagens de intervenção social deixaram uma elite boquiaberta e farta de assassinatos a oralidade, acto igual o passado viveu – Recordo-me que quando censuraram a música do Simião Mazuze, xa tima i bodlela, que clamava pelo cachimbo da paz, pelo cessar das armas, ninguém do burgo se manifestou. Pág. 66 – estes vestígios são suficientes para os leitores desta obra a analisarem com perspectivas futuras. Não basta-nos desejarmos ser músicos, cantor, é preciso escrever mensagens apelativas às costas do poder político, sem chamar nomes directos, como se fosse ideal chamar de irmãos o ladrão que sacou-me os patos em casa. Ou seja, é essa visão que o poder deseja em toda nação. E depois escrevemos nas cartas internacionais que somos democráticos em tudo!

A obra dá muitos exemplos de como o estado político prefere reagir a difamação de suas acções. Acções essas que foram escamoteadas ao passar dos anos para o multipartidarismo de imprensa. São factos reais, falar de algo num sistema deficiente pode virar deficiente quem o diz, basta não ser da mesma casta. Eu vivi na pele a mentira desses fulanos, convivi com eles, conheço a podridão que os alimenta. Pág. 76. Querem-me borrada de esperma e em gritos primitivos. Pág. 80. A minha mulher chamou-me de infantil, parvo, achas que essa porcaria de Direito vai dar o chá que os teus filhos precisam? Pág. 93. Vimos acima as conotações levadas aos despautérios dentro de uma família, quando ambos não comungam a mesma necessidade social. Chegar-se ao cúmulo da nomenclatura difamatória a um membro sênior da família não é novidade na nossa sociedade. Hoje, a dupla de casais pelas necessidades diversas militam no partido e fazem escolhas perfeitas, ninguém é excomungado com dizeres (…) em nome dos princípios revolucionários, eram sentenciados, no mínimo, dez chambocos em público, essa era a transparência: criticar em público, punir em publico, exonerar em publico. Era o novo aparelho de estado, eram as novas regras.  Pág. 97

Assim não senhor presidente, dá uma esperança aos leitores, não a toda uma sociedade, para isso deveria a sociedade, nela toda, ler a obra – A história ainda falará dessa geração de troca tintas. Pág. 106. Quem serão os troca tintas, aqueles que virão salvar-nos? Que coragem carregarão. Como será  a sua cor partidária, o símbolo!

Não desejamos ser dirigidos por uma classe de adúlteros, em que o rancho comprado pelos impostos é dividido pelas casas, para além da casa dos progenitores, parte, por igual (…) porque os menos dotados financeiramente, mas ávidos de práticas adúlteras, preferiam a palavra mais rasca para designar a mancebia, como esquema, deixando o termo casa dois aos que desconheciam a expressão teúda e manteúda. Pág. 108 – é repartido. Tens razão. E essa nossa apatia fará com que a nossa história tenha a particularidade de ter os mesmo protagonistas até a doença da velhice. Pág. 111

Em psicanálise da literatura, a mente do inconsciente é um outro “eu”, e essa é a grande ideia: a de que temos no inconsciente uma outra personalidade actuante, em conjunto com a nossa consciência, mas com liberdade de associação e acção. Quando Ungulani expressa – A memória colectiva torna-se rapidamente amnésica. Pág. 114 – Qual a associação entre “amnésia” e a sociedade em que vivemos? Embora o pesadelo da amnésia colectiva descreva um aspecto emocional e bem difuso de nossa sociedade e não tenha sido uma invenção de cientistas sociais, muitos deles não só o endossam como tentam explicá-lo teoricamente. O mundo da amnésia colectiva é o mundo onde a competitividade, racionalidade e informatização substituem sentimentos, práticas colectivas e vínculos interpessoais presentes em antigas comunidades. Homens e mulheres, portanto, desprovidos de conhecimento e experiências do passado, se tornam incapazes de sentir, julgar e defender seus direitos. Nestas condições, seja tradição, memória ou traços do passado, estes são aspectos, que, de uma maneira ou de outra, representam uma defesa decisiva da humanidade na sua luta por autodeterminação e Liberdade. Diversos autores têm argumentado que o esquecimento colectivo faz parte do processo de constituição social, uma vez que memória é compreendida a partir de um processo selectivo que envolve tanto o lembrar quanto o esquecer.[2] Para eles interessava-lhes somente o poder. E por esse poder tornam-se as putas mais baratas do mundo. Pág.126

Todos os revolucionários diziam conhecer a nossa cultura, porque aprenderam-na nas zonas libertadas! Autêntica falácia. Pág. 127 – encontramos nesta nota um formalismo literário. O formalismo descreve uma ênfase da forma sobre o conteúdo ou significado. Segundo a crença social, cada governante conhece sua cultura no geral, sabe interpretar, sabe caracterizar de acordo com a região, sabe utilizar e explicar aos visitantes os nossos hábitos e costumes. Ungulani, volta a dar-nos a entender que tudo não passa de um formalismo, se refere a um estilo de crítica que se concentra nas técnicas artísticas e literárias per se, separadas do contexto social e histórico da obra. Neste caso a obra seria o acto em si, de descrever e valorizarmos a cultura. Quando viajam em delegações coloridas (brancos, pretos, indianos e mestiços) todos são amigos, contam histórias inexistentes de vivências comuns e até dançam a marrabenta, esse ritmo que se quis nacional. Mas é tudo mentira. Quando regressa, cada um vai para o seu mundo. E a realidade volta a ser a mesma de sempre. Não conseguem discutir os problemas de fundo. Estou em crer que esse defeito não vem do colono, mas dos camaradas da luta que foram sempre adiando os problemas de fundo em nome da unidade nacional. Pág. 144. Quererá o escritor abrir-nos à mente sobre este assunto – camaradas da luta – como os responsáveis pela desordem social e cultural? Ou estamos num ponto de saturação dos formalismos políticos? (…) Para isso, o Estado e a lei por vezes, mandam retirar a liberdade ou a vida a um punhado, para proteger a vida e a liberdade da grande maioria. Quando as circunstâncias nos obrigam a fuzilar um assassino, um bandido, um ladrão ou candongueiro  é porque estes atentam contra a vida de todo um povo. Pág. 152 – regressamos às matanças contra a liberdade de imprensa e outras liberdades (greve de pão, greve na saúde, greve dos docentes, greve nas urnas, greve nos transportes) em ecdise. O livro reporta este período como catastrófico vivido e actualmente o vivemos, sob pena de terminar o ciclo da vida em caixões de praxe, o povo e seus líderes entregam-se a mudanças de pele sem futuro estratégico, continuando no mesmo ciclo. Temos aqui um estudo – geocriticismo – elaborado e defendido pelo Ungulani.

E fecho a crítica com um aspecto menos importante: a corrupção. Menos importante no ponto de vista da escrita, mais super importante no ponto de vista social e mundial, por terem nos colocado na posição 142 num lote de 180 países, na última avaliação de 2022, pela trading economics. O grande desenvolvimento que terás, Agapito, é na corrupção. A maneira como a classe política se a burguesa é o chamariz à institucionalização da corrupção. Esse dinheiro engorda os gestores das partes. Tanto à montante como à jusante. Pág 167

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%ADtica_liter%C3%A1ria
[2] O PESADELO DA AMNÉSIA COLETIVA: UM ESTUDO SOBRE OS CONCEITOS DE MEMÓRIA, TRADIÇÃO E TRAÇOS DO PASSADO Myrian Sepúlveda dos Santos

Por : Daniel da Costa

 

Assim não, senhor Presidente, de Ungulani Ba Ka Khosa, foi a minha última leitura de 2023.
Um livro surpreendentemente cáustico, um autêntico manifesto. Livro premonitório de um autor preocupadíssimo com o seu tempo, com o rumo dos acontecimentos em Moçambique.
As vozes que se encontram nesta obra de ficção narrativa (bastante porosa, diga-se de passagem) dialogam, de forma áspera, desencantada e contundente, com as vozes que transportamos dentro de nós, espicaçando a apatia dos ‘João Merda’ e ‘Catarina Punheta’ desta vida, nomes de baptismo passíveis de se encontrar num país “que já nasceu fodido”, com uma moçambicanidade “hipócrita” e sem raízes.

A obra indaga o nosso destino colectivo, como nação política, nação cultural, nação económica, prenhe de debates estruturantes constantemente adiados.

Passa em revista a questão identitária sublinhando a matriz Bantu, o complexo de inferioridade em relação ao europeu, a aventura socialista, os campos de reeducação, a miragem da cidade de Unango que estava a ser construída “com enxadas e machados”, as execuções sumárias, a fome, a guerra, a paz sem reconciliação, o capitalismo selvagem, as talácuas, essas formigas “verdadeiramente vorazes” que “formam um tapete à medida que devassam a floresta, devorando tudo à sua passagem”, os “esquadrões da morte”, o “desnorte” governativo, as eleições como “legitimação” de “novas trapaças”, enfim, a necessidade de reavaliar as nossas utopias de sociedade e de progresso. Dedicado à geração 8 de Março, é um livro intenso, actual, que vale a pena ser debatido.

 

A hora maconde

Foi arriscado ler A hora maconde, de Marcelo Panguana, a seguir ao romance Assim não, senhor Presidente, da autoria de Ungulani Ba Ka Khosa. Um título estava a seguir ao outro na cabeceira e caí na tentação de fazer comparações. Não estava no plano.

Ambos os livros exploram à partida uma boa matéria-prima: a História de Moçambique como colónia portuguesa (Panguana) e como país independente (Ba Ka Khosa). Mas os livros têm personalidades diferentes, à luz das estratégias discursivas usadas por cada um dos autores para tecnicamente nos apresentarem uma prosa com entrosamento, ritmo e clímax bem delineado.
Objectivamente, a proposta de Panguana não tem um início tão arrebatador quanto à de Ba Ka Khosa. Enquanto este autor agarra o leitor à primeira e usa técnicas que prolongam o seu interesse até ao fim, com o texto a evoluir em forma de espiral em direcção ao desfecho, a voz do narrador de Panguana só se encontra consigo lá mais para o meio da história e perde alguma assertividade na busca do clímax.

Entretanto, o romance de Marcelo Panguana é um relato da guerra numa perspectiva bem interessante: a de um oficial negro do exército colonial português em conflito com a sua consciência por estar a combater guerrilheiros nacionalistas.
A proposta literária de Marcelo Panguana faz um notável retrato do perfil psicológico da tropa colonial na frente de combate.

De permeio, exalta a paradoxal beleza das paisagens no teatro das operações em Cabo Delgado e enaltece a cultura maconde que, coincidentemente, este ano viu o mapiko consagrado como património universal pela UNESCO.

(Um aparte castrense: achei interessante a revisitação feita à eficiência logística do exército colonial que conseguia assegurar serviços de socorro e regularmente distribuir correio, vinho e mantimentos nos lugares mais recônditos onde estivesse um soldado português, um assunto com bastante actualidade quando se discute a relação entre a logística e o moral combativo das nossas forças armadas no presente).

Voltemos à técnica. A composição das personagens em A hora maconde poderia ter sido favorecida por algum barro adicional, por forma a que os níveis de verosimilhança conseguissem estar à altura do ângulo escolhido pelo autor para contar a história dos últimos anos da guerra colonial e prender o leitor do princípio ao fim, sem oscilações acentuadas de interesse.
A minha expectativa pode ter sido inflacionada pela força do título, extraordinariamente bem conseguido, e pela trajectória do autor, recheada de distinções.
Para terminar esta brevíssima nota de leitura, não vá alguém pensar que tenho a veleidade de esgotar a complexidade deste livro nestes parcos parágrafos, subscrevo as observações que Nelson Saúte fez do trabalho bastante confrangedor de revisão.

A Alcance Editores devia ter um maior controlo da qualidade dos seus produtos. É imperativo que a editora proteja a sua marca, a dignidade das suas colecções e o prestígio de autores da estirpe de Marcelo Panguana e Ungulani Ba Ka Khosa.

 

* Título do editor.

 

Albano Brito e Zainabo Amisse são dois estudantes moçambicanos que se encontram a formar na Ilha Reunião. Segundo constatam, o intercâmbio com aquele departamento francês é importante porque permite consolidar aspectos socioculturais comuns que concorrem para o desenvolvimento dos povos das duas regiões do Oceano Índico.

Geopolítica – Geografia Política é o curso frequentado por Albano Brito na Universidade da Reunião. Na Ilha Reunião, o estudante moçambicano encontrou uma oportunidade para ampliar os seus conhecimentos aprendidos ao nível da licenciatura e do mestrado. Uma das suas paixões é pensar o seu país e o seu continente através das relações internacionais desses territórios. Por isso mesmo, fixou-se em Saint-Denis, capital da Ilha Reunião, em Setembro de 2021. “Mas não tenho ficado todo o ano cá”, esclarece. Afinal, a sua formação exige que viaje a Paris, França, onde encontra pesquisadores e melhores bibliotecas, e ao Centro e Norte de Moçambique.

Com os conhecimentos consolidados na área de Geopolítica – Geografia Política, Albano Brito quer, sobretudo, ampliar a percepção sobre questões internas moçambicanas, com leitura mais informada e crítica, considerando o espaço geográfico e estratégico onde Moçambique empresta as suas identidades culturais com desafios. Também por isso, para Brito, o intercambio entre Moçambique e Reunião é importante, primeiro, devido ao passado comum. Vários moçambicanos, ou melhor, várias pessoas oriundas do actual território moçambicano contribuíram para povoar a ilha. Logo, há um passado histórico e cultural comum.

Segundo, a Ilha Reunião oferece uma formação de excelência que Moçambique precisa aproveitar para os seus estudantes e profissionais. Assim, acredita Albano Brito, criam-se condições para uma leitura mais cuidada e partilhada sobre o espaço comum que é o Índico. “Acho que o que está a acontecer agora é devolver as bases das relações do Índico, as afinidades sociopolíticas e espaciais desta parte do continente”.

Quem comunga das ideias de Albano Brito é Zainabo Amisse, estudante do Ciclo de Engenharia Agroalimentar na Universidade da Reunião – Escola Superior de Engenheiros da Reunião Oceano Índico. Para a mestranda, “O intercambio entre Moçambique e Reunião é um exercício que nos leva a essa ligação com o nosso povo que foi parar àquela ilha. Ir a Reunião é uma forma de conhecer a minha história, as minhas origens e assim aproximar-me de África, até porque Reunião é uma ilha de muitas misturas de identidade.

A formação em Ciclo de Engenharia Agroalimentar na Universidade da Reunião faz parte das realizações pessoais de Zainabo Amisse. “Sempre coloquei a formação como algo prioritário. Estudar sempre foi um prazer e espero alcançar os meus objectivos como profissional, honrar a minha família e desmistificar que o espaço da mulher, na nossa sociedade, é nos cursos diferentes de engenharia”.

Ao apoiar a formação dos estudantes moçambicanos no seu departamento, a Embaixada da França em Moçambique enfatiza a cooperação existente com a Ilha da Reunião, ao nível universitário e científico. Deste modo, a Embaixada espera estreitar os laços entre os povos na região do Índico, oceano que também banha Moçambique.

 

Sobre os estudantes

Albano Brito nasceu na Cidade da Beira, onde, desde cedo, desenvolveu o interesse pela política e pela dinâmica internacional. Iniciou a sua jornada acadêmica na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, onde obteve a licenciatura em Ciência Política. A sua busca pelo conhecimento levou-lhe a atravessar fronteiras, rumando à França, onde graduou no curso de mestrado em Ciência Política, com especialidade em Assuntos Internacionais, pela renomada Science Po Bordeaux. Actualmente, é doutorando na Universidade da Reunião, focado na geografia e espacialidade geopolítica. A sua pesquisa concentra-se em temas cruciais, como conflitos, paz, segurança e reconstrução pós-conflito, bem como justiça de transição, especialmente em países com instituições frágeis. Esta jornada acadêmica representa a sua dedicação em contribuir para o entendimento e a resolução de questões prementes no cenário global. Na Reunião também é professor, e, para si, a sala de aula tornou-se um espaço dinâmico onde pode partilhar não apenas conceitos acadêmicos, mas também a sua paixão por questões críticas que moldam as relações internacionais.

Zainabo Amisse  nasceu em Maputo. É licenciada em Ciência e Tecnologia de Alimentos, pela Universidade Eduardo Mondlane. Possui experiência de trabalho em Gestão de Qualidade,  treinada em matéria de Gestão de Auditorias, Legislação Alimentar, o que contribuiu para alavancar as suas qualidades de monitoria, inspecção a nível da cadeia alimentar e desenvolvimento de estratégias de Garantia de Segurança Alimentar. Actualmente, estuda o ciclo de engenharia Agroalimentar na Universidade de Reunião – Escola Superior de Engenheiros da Reunião Oceano Índico (ESIROI), em Saint-Pierre. Escolheu o curso porque sempre teve uma paixão pela saúde humana, e ao abraçar esta componente engenharia Agroalimentar poderá também cuidar dos humanos, ainda que indirectamente. Com o mestrado espera agregar valor ao sistema de produção alimentar e contribuir para redução dos principais problemas de desnutrição e saúde pública em Moçambique. Além disso, estar em França representa uma das suas maiores aspirações, pois aprecia a maneira como o sistema francês é comprometido com a qualidade de ensino e a componente prática bastante presente.

 

 

 

 

 

 

Por: Grácio Antonio Mucuecuessa

Caros convidados, aqui presentes, minhas senhoras, meus senhores.

E com grande honra e jubilo que presencio esta cerimónia de lançamento do livro baseado na história real, por tanto minha história.

O menino serpente é uma história de ficção inspirado da vida do senhor Grácio António Mucuecuessa. Uma história de vida que não cabe somente numa página. Poderíamos ficar um dia inteiro a contar a história emocionante nas minhas diversas etapas de vida desde nascimento, primeira infância, idade escolar, fase de adolescência, fase académica, fase profissional até os dias de hoje nos momentos altos e baixos ou sucessos e fracasso. Hoje vamos nos concentrar somente numa parte da vida do Menino Serpente.

Falar do menino serpente, é falar de uma criança de campo ou da cidade que tem dificuldades de locomoção e rasteja pela barriga ou pelos joelhos com as mãos no chão sem condições para adquisição de uma cadeira de roda que lhe facilite a locomoção de um lugar para outro.
Bento é somente uma amostra da criança com deficiência, pois como ele, existem muitos outros meninos serpentes. Até posso me riscar a dizer que o menino serpente, pode ser privilegiado pois pelo menos rasteja, fala, ouve e pode assegurar algum objeto e pode fazer as suas necessidades básicas sem precisar de tanta dependência. Imagine o menino prisioneiro, imagine o menino cágado virado para cima, imagine o menino monstro.

O menino serpente com a sua história de superação decidiu criar uma organização denominada FACD Fundação para apoio de crianças com deficiência por forma unir as sinergias junto de pessoas de boa vontade e instituições para encontrar mecanismo de aliviar o sofrimento desta camada social que muitas vezes são também órfãos de pais e mães ou foram abandonados pelos seus progenitores em razão da sua deficiência ou estado físico.

O menino prisioneiro, menino cagado virado e o menino monstro, são personagens mais excluídos e ignorados pela família e a sociedade no geral pois para eles, olha-se como se de um fardo se tratasse.

São isolados dentro das casas, são até enforcados com almofadas pelos próprios pais, morrem de sede e fome dentro das suas casas, não tem direito de passeio, nem brincadeiras com amigos, muito menos com as famílias, não tem direito a escola e até o direito a vida é negado. São muitos dentro das nossas cidades, bairros, vilas, zonas, distrito, províncias deste belo pais, e dia apos dia, tem vindo a nascer devido a vários fatores que merecem um estudo aprofundado. Neste momento o FACD, mapeio, identificou e está a dar seguimento a pelo menos 500 crianças dentro da cidade e distrito de Quelimane e Nicoadala.

Somos todos chamados a dar uma atenção especial a esta camada social. A FACD assume o papel de embaixador destes meninos que não podem por si, soltar a sua voz ou ser ouvidos.

Queremos aqui aproveitar esta oportunidade para convidar a toda sociedade moçambicana, instituições do governo, Sociedade civil, nacional e internacional a se juntar a esta causa, cuja sede localiza-se na província da Zambézia, cidade de Quelimane. Contamos com dois centros de reabilitação física, nutricional, psiquiátrica e ensino especial na cidade de Quelimane nos bairros de Sangariveira e Manhaua para crianças com deficiência.

O nosso sonho é de alargar as atividades um pouco por todo o país, ate pelo mundo fora, onde reside situações similares por forma de dar apoio psicossocial, moral e material se possível.

Vamos todos realizar o sonho dos meninos: serpente, prisioneiro, menino cagado virado e o menino monstro que é de ter um futuro promissor através de ações concretas que tragam qualidade de vida desta camada social.

Por último quero agradecer ao escritor Rafo Diaz, Dra Madalena, Dr. Teodato e todos que de forma direta ou indireta, tudo fizeram com que este evento tivesse lugar hoje e convidar a todos presentes a ser parte da família FACD.

Comprar o livro, é também forma de apoiar a causa.

Juntos somos mais fortes.

Quelimane, 21 de novembro de 2023.

*Discurso pela ocasião da apresentação do livro “O menino serpente”, de Rafo Diaz.

O escritor e editor Dany Wambire vai participar, sexta-feira, no IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, realizado na Venezuela. A iniciativa integra as comemorações do centenário do nascimento do poeta Eugénio de Andrade.

Desde ontem até sábado, decorre o IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, na Cidade de Caracas, capital da Venezuela. Conforme esclarece a organização, o encontro está “integrado nas comemorações do centenário do nascimento do poeta português Eugénio de Andrade e reúne escritores de diferentes nacionalidades, que escrevem sobre realidades e temas diversos, todos utilizando o português como língua comum.

Entre os autores convidados ao IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, de Itália, Portugal, Macau, Moçambique e Brasil, faz parte Dany Wambire. Para o escritor e editor, “O IV encontro Virtual de Escritores Lusófonos na Venezuela é uma oportunidade para quebrar fronteiras à busca deste espaço comum, que é a língua portuguesa, ingrediente com o qual temos estado a confeccionar a nossa literatura. O número de falantes da língua portuguesa tem estado a crescer imenso no mundo, ampliando-se por via disso o campo de circulação da literatura”.

Durante a sua participação no evento venezuelano, o autor de A mulher sobressalente falará do lugar da literatura na sua trajectória e da possibilidade que a arte literária lhe dá de converter em coisas comuns uma data de fenómenos estranhos ou incompreensíveis. “Falarei, ainda, do crescimento que a literatura está a registar, com o surgimento de novas editoras e de novas vozes literárias, que chegam ao mercado já como uma certeza. Por fim, falarei do contributo que outras línguas nacionais têm dado à língua portuguesa, para o seu enriquecimento”, sublinhou Dany Wambire.

No IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, Dany Wambire vai intervir às zero horas de Maputo de sexta-feira, num painel com Ana Cristina Silva (Portugal), Frederico Bertolazzi (Itália), Luiz Eduardo de Carvalho (Brasil) e Shee Vá (Macau).

O IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos será inaugurado pelo professor italiano Federico Bertolazzi, professor de literatura portuguesa na Universidade de Roma “Tor Vergata” e especialista na obra de Eugénio de Andrade, e conta com o apoio da Embaixada de Portugal em Caracas, do Instituto Camões, da Coordenação para o Ensino do Português na Venezuela, do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), do Correio da Venezuela e dos Centros de Língua Portuguesa de Maracay y de Caracas.

A Editorial Fundza lançou, no passado mês de Novembro, a terceira chamada literária. A iniciativa anual pretende dar oportunidade de publicação aos jovens autores talentosos, moçambicanos, sem nenhum custo para a publicação do livro.

Nesta terceira edição, segunda avança a editora, foram inscritos 104 projectos literários, entre os quais 11 seleccionados, designadamente: Marina, é hora de voar!, de Silmério Uaquessa e Obedes Lobadias, Jornada do rei alfabeto, de Stélio Felipe (infanto-juvenil); A boca negra-a seiva, de Kafir Enes, A promessa do mentiroso, de Natércia Chicane (romance); O filosofar dos corpos, de Atanásio Mutoropa, O endereço para dentro do segredo, de Baptista Américo, Metapolimorfose do ar, de Beni Chaúque, Locus-corpus, de Jeremias Francisco Jeremias, Poemas do breve, Lex mucache, Tocar o ser, de Sánia Iacuti, e O prazer ao chorar de dor, de Whaskety Fernando (poesia).

Das 104 propostas literárias inscritas na terceira chamada da Fundza, revela a editora sedeada na Beira, 30 são de poesia, 29 romances e 45 contos e/ou crónicas.

Nas duas anteriores chamadas literárias, a Fundza lançou aproximadamente 30 livros de autores de praticamente todo o país, o que se insere no plano de a editora descentralizar as oportunidades de publicação.

Um dos livros seleccionados na segunda chamada literária da Fundza, Pétalas negras ou a sombra do inanimado, de Belmiro Mouzinho, foi distinguido na primeira edição do Prémio Literário Mia Couto, no género poesia.

 

A turma 2023 da Academia MultiChoice Talent Factory (MTF) para África Austral encerrou recentemente. Na turma deste ano, com efeito, foram graduados mais dois jovens moçambicanos, nomeadamente, Genilson Matuca e Dulany Sedemo.

Uma nota de imprensa informa que, para o cineasta Nelson Faquirá, graduado da turma MTF 2022 e produtor da série “Kuga Munu”, esta é uma notícia empolgante, “É uma optima notícia para a indústria e para o público em geral. É inspirador ver como a Academia MTF ajuda a promover novos talentos, porque o resultado final são mais histórias para contar e mais talentos para trazê-las aos nossos ecrãs”, sublinhou Faquirá.

Ao recordar a sua passagem na Academia MTF, Faquirá diz que foi uma oportunidade para transformar a sua paixão em uma habilidade refinada. “Agora, sou um produtor mais completo, equipado com as ferramentas e conhecimentos necessários para liderar um elenco e trazer narrativas envolventes e impactantes para o público”, refere, acrescentando que é “incrível ver como a Academia MTF criou uma base fundamental para o desenvolvimento da minha carreira.”

A MTF permite, por exemplo, a importância da colaboração, técnicas avançadas de produção e, acima de tudo, a arte de contar histórias autênticas. “As experiências compartilhadas com mentores internacionais de renome e os meus colegas pan-africanos na Academia, foram inestimáveis”, afirma, orgulhoso.

Mais do que abrir novos horizontes, conta o cineasta, a Academia MTF deu-lhe acesso a uma rede global de profissionais do sector. Essa abertura de horizontes, realça, é evidente no seu trabalho, permitindo-lhe explorar narrativas diversas.

As habilidades aprendidas na Academia MTF notam-se claramente em ‘Kuga Munu’, conseguindo tornar a série um sucesso e, por isso, bem-recebida pelo público. “Os conhecimentos obtidos lá e a dedicação da minha equipa, a AfroCinemakers, foram o alicerce sólido que sustentou o sucesso da série”, salienta.

Aliás, a AfroCinemakers é a produtora vencedora do Pitch de Seriados ao canal Maningue Magic, com o projecto “Ex-Amicíssimas”, que está em fase de pré-produção. Trata-se de uma série centrada em torno de um grupo de amigas que se reúnem após muitos anos para lidar com questões pessoais e profissionais. O enredo cruza drama e comédia, com personagens bem desenvolvidos e histórias envolventes.

“Estou a trabalhar em estreita colaboração com meus colegas da AfroCinemakers para garantir que a série seja um sucesso”, conta Faquirá sobre os primeiros instantes do projecto que caiu nas graças do júri.

De acordo com Faquirá, a iniciativa de Pitch público é uma oportunidade emocionante para cineastas e produtores de televisão, pois permite que novos talentos sejam descobertos e que novas histórias sejam contadas em Moçambique.

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