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O País – A verdade como notícia

Durante uma semana, de 7 a 14 deste mês, o país vai participar na 11ª edição do maior Mercado Internacional de Artes Performativas do continente africano (MASA), a decorrer na cidade de Abidjan, capital da Costa do Marfim.

Segundo uma nota de imprensa sobre o evento, com dança, música, teatro, conto e comédia, o MASA visa promover as artes dos países africanos, através do apoio à criatividade e produtos de boa qualidade, da facilitação da circulação dos artistas e de suas obras em África e no mundo.     

Assim, “Theka”, obra coreográfica estreada na sétima edição da Plataforma Internacional de Dança Contemporânea – Kinani, é a peça com a qual Moçambique far-se-á representar naquele país africano. A peça surge através de um desafio proposto por Quito Tembe, director da Yodine Produções, cenógrafo e produtor do plataforma de dança Kinani, aos coreógrafos moçambicanos para inserirem nas suas criações uma nova visão artística que envolve aspectos tradicionais dentro de uma realidade contemporânea. Idio Chichava e Horácio Macuácua, dois coreógrafos moçambicanos reconhecidos a nível internacional, trouxeram a resposta.

Junto da associação de música e dança tradicional “Hodi”, e não só, Idio Chichava e Horácio Macuácua projectaram uma peça que envolve diversas danças tradicionais africanas sem necessariamente seguir um padrão.

Criado em 1993, na Costa do Marfim, o festival MASA teve um intervalo de sete anos, devido ao conturbado contexto sócio-político da Costa do Marfim, e reabriu em 2014.

 

 

A sede do Bairro de Ndlavela, na cidade da Matola, província de Maputo, acolhe, sábado, dia pelas 08 horas, a cerimónia central do lançamento do XI Festival Nacional da Cultura, evento organizado no presente ano pelo Governo de Moçambique, através do Ministério da Cultura e Turismo, sob o lema: “Cultura, a Força que une a Nação rumo ao Desenvolvimento”.

Na cerimónia, que é replicada em todas as províncias na mesma data, será presidida pela Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, e tomarão parte o Governador Provincial, a Secretária do Estado na província, o Presidente do Conselho Autárquico, membros das Assembleias Provincial e Municipal, membros do Governo Provincial, Administradores Distritais, artistas de todos os distritos da província, convidados e o público interessado em participar no evento.

O XI Festival Nacional da Cultura (XI FNC), que é o maior evento do seu género em Moçambique, contempla todas as expressões culturais e artísticas: a dança, canto e música tradicional, o teatro, literatura, a poesia, fotografia, cinema, artesanato, gastronomia e moda.

No bairro Ndlavela, serão igualmente expostos artigos agropecuários, entre outras potencialidades económicas da Província, para além de serviços de emissão de Bilhetes de Identidade, Número Único de Identificação Tributária (NUIT), e de saúde.

No âmbito do Programa Quinquenal do Governo, o Ministério da Cultura e Turismo é o órgão do Estado responsável pela preservação e valorização de todas as formas do património cultural moçambicano, mormente as tradições culturais menos difundidas ou em vias de extinção, o desenvolvimento da economia da cultura, através das indústrias culturais e criativas, fazendo da cultura um factor de identidade e de desenvolvimento social e económico.

 

Os dois músicos irão actuar num concerto designado “Venha viver e avivar a marrabenta”. A realizar-se às 18h30 desta sexta-feira, na Galeria do Porto de Maputo, no espectáculo ambos os autores deverão interpretar os seus grandes êxitos.

No primeiro caso, segundo a nota da Galeria, Chico António, que canta um estilo de mistura de fusão tradicional e moderna e não concretamente a marrabenta, vai apresentar êxitos dos anos 80 ao último álbum de 2014. “Chico realça que do seu repertório a musica marrabenta não é cantada directamente, mas sim através de parcerias musicais”.

No espectáculo “Venha viver e avivar a Marrabenta”, o público terá a possibilidade de se divertir ao ritmo de um passado ainda presente. “Não acontece sempre dois ícones como eu e Chico António no mesmo palco, é um privilégio para o público e para o Galeria que começou este projecto em prol da música ligeira moçambicana. Teremos uma parte do meu novo álbum, teremos uma música acompanhada de uma banda seleccionada a dedo por mim, para trazer aquela qualidade que exijo e que exige o meu público. Em resumo, é um concerto garantido. Sempre que puderem estar nos meus concertos é agradável para mim”, avança Salimo Muhamed na nota da Galeria.

Para a organização, o espectáculo será um resgate aos grandes da música moçambicana com a previsão de proporcionar excelentes momentos musicais aos fãs que habitualmente têm seguido os concertos destes experientes músicos.

O ainda recente espaço cultural Galeria do Porto de Maputo, na Baixa da cidade, foi concebido para que bandas e músicos a solo apresentem projectos musicais em ambiente com capacidade para mais de 600 pessoas de pé.

 

 

Desde 28 de Fevereiro, Júlio Silva é, oficialmente, membro da Academia Internacional da União Cultural. Assim, o cineasta vai colaborar com aquela instituição na qualidade de Académico Correspondente na cidade de Maputo.

Júlio Silva foi investido pelo Presidente da Academia Internacional da União Cultural, Luiz António Cardoso, quem espera que o cineasta moçambicano contribua com o seu trabalho para a promoção da cultura, da filantropia, da paz e harmonia.

Reagindo à distinção internacional, Júlio Silva afirmou que se trata de um reconhecimento ao trabalho de investigação cultural realizado durante 20 anos, sobretudo em zonas rurais do país. E por ser uma instituição com sede na cidade de Taubaté, no Brasil, fazer parte da Academia Internacional da União Cultural, acredita o cineasta, vai abrir portas para que aquele e outros países da região possam conhecer a diversidade cultural de Moçambique. Por isso, confessou Júlio Silva: “sinto-me um ser humano feliz , mas ainda não realizado, pois desejo muito aprofundar as minhas pesquisas nas áreas da Etnomusicologia e Antropologia em Moçambique e divulgar internacionalmente”.

A Academia Internacional da União Cultural é uma instituição inspirada nos mesmos conceitos do Movimento União Cultural, comportando associados efectivos e correspondentes, sem número restrito de académicos ocupantes. Tem como objectivos a união dos diversos ramos da actividade humana, sejam profissionais, artísticos, culturais, filosóficos, e a troca de informações culturais, tradições, informações gerais, entre pessoas de diversas localidades, de culturas distintas.

A posse de Júlio Silva para membro da Academia Internacional da União Cultural acontece depois de, recentemente, o cineasta ter sido confiado as responsabilidades de pesquisador do Laboratório Folclore e Etnomusicologia do Departamento de Musicologia e a de membro do conselho editorial da revista científica russa “Mariinskaya Academy”.

 

Às 18h de quinta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, cidade de Maputo, estará Lucílio Manjate. Na verdade, o autor de Rabhia lá irá conversar com os seus leitores sobre o livro distinguido Prémio Literário Eduardo Costley-White.

Sem se preocupar em definir o sentido da conversa, Lucílio Manjate adianta que à Fundação Fernando Leite Couto irá com a grande alegria de saber que, depois do lançamento, o texto vai continuar a suscitar novas conversas. Segundo entende Manjate, este tipo de aproximação entre escritor e leitor é a melhor coisa que pode existir. “O melhor que pode acontecer a qualquer artista é ser interpelado pelos apreciadores da sua obra, porque a verdadeira motivação vem dessa forma muito casual de partilhar histórias. Certamente, irei sair da Fundação com outras notas”.

À semelhança de Lucílio Manjate, Celso Muianga, editor da Fundação Fernando Leite Couto, também acredita ser importante encurtar a distância entre os autores e os leitores. Desta vez o convite para a conversa calhou em Lucílio Manjate, porque, na percepção de Muianga, é um autor com visibilidade. Com a conversa, o interesse é o de sempre: criar uma certa narrativa, de modo que o escritor salte da página para partilhar experiências sobre a sua escrita e sua oficina.

A ser moderada pelo jornalista Elton Pila, a conversa vai durar mais ou menos hora e meia.

 

 

Eis o título da exposição de escultura
de Massunganhane: “Mistérios e tendências da capulana”. Tendo sido inaugurada no dia 4, a individual pode ser visitada na Fundação Fernando Leite Couto, até 28 deste mês.

Numa publicação sobre a exposição, Yolanda Couto adianta que “Massunganhane procura, através das esculturas de formas bizarras, alojar uma série de práticas e percepções, seguindo um rumo onde coexistem fenómenos e processos no espaço e no tempo”. De acordo com a curadora,
o artista explora o tema do corpo humano e inspira-se nos modos, hábitos e costumes das comunidades por onde anda, dos lugares que visita durante as suas pesquisas e, em particular, do meio social onde vive.

Yolanda Couto acredita que Massunganhane, com recurso a perspectivas intemporais e físicas, “percorre a história do seu país e das suas gentes, recolhendo sentimentos e identificando, através dos instrumentos e hábitos, à sua cultura e tradições, tal como o uso da capulana, que, com origem há muitos séculos atrás, vai adquirindo outras nuances sociais, sem nunca perder valor.
É assim a escultura de Massunganhane, que se transforma e molda docemente nas suas mãos e que se redimensiona à condição de vivente no mundo. É assim como a Capulana, símbolo de riqueza, prestígio e poder no século XV e hoje um importante acessório de vestuário rico em cor e design”.

 

Autor de Matéria para um grito, um dos dois melhores livros publicados em Moçambique em 2018, irá formar-se em matérias ligadas ao mercado editorial na cidade de Entebbe, no Uganda.

 

Entre os dias 8 e 14 deste mês, Álvaro Taruma irá participar numa oficina de treinamento e mentoria em matérias de literatura, na cidade de Entebbe, no Uganda. Naquele país africano, o poeta terá a possibilidade de trocar experiências e aprofundar conhecimentos atinentes ao mercado editorial. Para o efeito, numa viagem patrocinada pela African Writer Trust, entidade que lida com 30 países em África, o poeta irá envolver-se em formações com autores e editores de Uganda, Malawi, Zâmbia e Zimbabwe.

Na formação que se avizinha, Álvaro Taruma será o único autor de língua portuguesa, e o que o atrai é a possibilidade de apreender conhecimentos que o ajudem no próximo desafio que definiu para si, o de passar a publicar os seus e os livros de outros escritores numa edição de autor. Esta decisão, segundo o poeta, surge depois de ter constado que o país tem muitos problemas editoriais. Então, através de workshops que irão abordar temas como “Aspectos legais na publicação do livro” ou “Os passos que devem ser tomados para publicação do livro na edição do autor”, Taruma espera poder inaugurar um novo ciclo na sua actividade literária. E explica: “Em Moçambique, o nosso mercado ainda é muito fraco. As editoras não têm retorno do seu investimento e nem pessoas para encaminhar os escritores. Por isso, correm o risco de fechar ao fim de algum tempo de funcionamento. Esta formação vem para me fornecer pilares que me ajudem a investir na auto-publicação”.

Ora, além da formação, o autor de Matéria para um grito pretende concorrer a um fundo no valor de 4 mil euros, destinado a iniciativas de criação literária individual ou em grupo. Se ganhar o concurso, o poeta já antevê uma edição do autor para o seu terceiro livro.

Outro aspecto que move Álvaro Taruma na viagem a Uganda tem que ver com o interesse de perceber como funcionam os mercados editorias nos países que estarão representados no evento, até porque “estou a pensar em traduzir um livro meu a fim de o editar num daqueles países africanos de língua inglesa”.

Num contexto em que os escritores africanos não se encontram com regularidade no seu próprio continente, Taruma considera que a sessão do African Writer Trust fica engradecida por poder juntar autores em Entebbe.  

O pesquisador Belarmino Lovane realiza, este mês, uma estadia investigativa no Núcleo de Estudos e Investigação Ambiental (NEPAM), na Universidade de Campinas (Unicamp), no Brasil. O evento enquadra-se na cooperação entre aquela universidade e o Centro de Estudos de Desenvolvimento Regional e Política Pública (CEDER).  

No Brasil, Lovane irá partilhar a sua experiência em pesquisas socioculturais no grupo de investigadores em ambiente e sociedade coordenado pela investigadora brasileira Lucia da Costa Ferreira. O moçambicano participará, igualmente, na abertura do Programa de Doutoramento em Ambiente e Sociedade, onde vai partilhar parte dos resultados da sua pesquisa sobre a dimensão sociocultural no desenvolvimento sustentável no Chile.

De acordo com Belarmino Lovane, “o convite para realizar a estadia numa das melhores instituições de ensino superior da América Latina, constitui uma oportunidade ímpar para aprofundar os conhecimentos na área de pesquisas culturais e um desafio para continuar a explorar as potencialidades dos Estudos Culturais na interpretação de fenômenos sociais em moçambique e no mundo. Belarmino Lovane lamenta a limitação de muitas pesquisas culturais em Moçambique, que não se atrevem a utilizar os pressupostos culturais para interpretar diversos fenômenos sociais “infelizmente, a cultura ainda é resumida ao entretenimento, ainda não é tomada como ciências e com seriedade. Os poucos estudos se limitam a entender a evolução das artes, o estágio da música, literatura etc. e pouco se fala da potencialidade da cultura para melhorar as condições de vida dos moçambicanos; da sua aliança com a governança, com o desenvolvimento sustentável, econômico e social”. 

Belarmino Lovane participa actualmente em dois projectos de investigação pertencentes ao Centro de Estudos de Desenvolvimento Regional e Políticas Públicas da Universidade de Los Lagos, Chile, ligados aos processos de desenvolvimento sustentável. O primeiro tem como título “Dimensiones humanas de la conservación y manejo de recursos naturales en el sur austral de Chile” e o segundo “Institutional Drivers of Environmental Disaster Reduction Management”, ambos financiados pelo governo chileno.

Lovane faz parte do primeiro grupo de formados em Estudos Culturais no Instituto Superior de Artes e Cultura. Mestrando em Ciências sociais na Universidade de Los Lagos e pós-graduado em Direitos humanos na Universidade Austral de Chile. Nos últimos anos, tem-se dedicado a estudar a relação prática entre a Cultura e o processo de Desenvolvimento municipal.

No Centro Cultural Português de Maputo, realizar-se-á, quinta-feira, a partir das 18 horas, o lançamento do DIVERSIDADE – Instrumento de financiamento para a diversidade cultural, cidadania e identidade.

De acordo com a nota sobre o evento, o DIVERSIDADE disponibiliza um total de 600 mil euros – sendo que cada um dos seis países PALOP e Timor-Leste beneficia de 100 mil – para atribuição de subvenções a projectos ou acções de pessoas individuais ou colectivas, que possam contribuir para a criação de emprego adicional nos sectores culturais e, simultaneamente, para a diversidade cultural e para a cidadania através da cultura como valores sociais.

A nota do DIVERSIDADE avança ainda que esta é uma actividade do projecto da União Europeia PROCULTURA PALOP-TL – “Promoção do Emprego nas Actividades Geradoras de Rendimento no Sector Cultural nos PALOP e Timor-Leste”, financiado pela União Europeia, cofinanciado e gerido pelo Camões, IP em parceria com a rede de Institutos Culturais Europeus (EUNIC).

No país, o DIVERSIDADE é gerido pelo Centro Cultural Português, na qualidade de membro da rede EUNIC.

A cerimónia de lançamento contará com a presença da Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula.

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