O País – A verdade como notícia

Kika Materula, Gilberto Mendes, Pérola Jaime e Gabriel Júnior foram distinguidos pela Casa do Artista Kutenga, num evento realizado sábado, na Matola.

 

O evento prossegue com cinco edições. Com música ao vivo, intercâmbio e muita confraternização, o programa Celebrando Vidas levou, este sábado, artistas e vários interessados pelas artes à Casa do Artista Kutenga, no bairro Tchumene, na Matola. O propósito foi o de sempre, reconhecer aqueles que ao longo dos anos têm contribuindo de forma notável na reedificação das artes e da cultura moçambicanas.

Com efeito, nesta quinta edição do evento, quatro moçambicanos foram distinguidos. São os casos de, primeiro, Kika Materula, Directora-Artística da Temporada de Música Clássica de Maputo – Xiquitsi. O reconhecimento a oboísta, segundo Elvira Viegas, responsável pela Casa do Artista Kutenga, justifica-se porque, ao invés de se preocupar com notoriedade, Kika Materula é uma artista que aparece a fazer trabalhos que beneficiam, sobretudo, crianças, adolescentes e jovens. Além disso, Elvira Viegas realça que a Directora-Artística do Xiquitsi forma artistas na mesma proporção que se preocupa em formar homens do futuro. Por isso, “nas suas aulas, Kika ensina a ser, transmite valores relacionados com o respeito e humildade. “Com a homenagem à Kika – refiro-me à Kika e não a El-de… eu nem sei bem dizer o outro nome –, fomos reconhecer aquilo que muitos de nós esquecem: os valores da esperança baseados na disciplina”.

Outro homenageado no Celebrando Vidas foi Gilberto Mendes. Referindo-se ao actor, Elvira Viegas destaca um homem com coragem de fazer o que acredita. “Quando ele deixou de pertencer a uma grande companhia teatral para fundar a sua, muitos não acreditaram nele. Quando ele ocupou o espaço onde agora se encontra Gungu, aquilo estava abandonado. Desde então construiu uma nova companhia, que há anos tem vindo a intervir de forma exemplar. O Gilberto merece o nosso reconhecimento, está a mudar a forma de pensar de muita gente através do teatro. A mensagem das suas peças atingem-nos e impacta. São poucas as pessoas atrevidas como o Gilberto Mendes”.

Um dia depois do reconhecimento, o actor do Gungu começou por dizer que tudo foi uma surpresa. Depois lembrou: “Normalmente, as homenagens vêm quando já não podemos as ouvir. No entanto, não trabalhamos para homenagens, mas para fazer a diferença na vida das pessoas. Para o efeito, temos de fazer todos os dias o melhor do que no dia anterior”.

No evento do Kutenga, que contou com actuações ao vivo dos Gémeos Parruque, de Ta Basily, de Filipe Nhassavele, de Tchakaze e do Xiquitsi, a outra artista galardoada foi Pérola Jaime, responsável por muitas coreografias nos eventos de Estado. “É uma daquelas meninas que entrou tão pequena na Casa da Cultura do Alto-Maé e, depois, na Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD). Humilde. Seu profissionalismo faz dela uma das artistas que merece o nosso obrigado”.

Para a coreógrafa, foi gratificante estar num evento em que se disseram coisas bonitas sobre as pessoas ainda em vida. “Quando fazemos algo, não esperamos nada em troca, mas é sempre agradável quando nos fazem perceber que o nosso trabalho é importante para o país”.

E o obrigado do Kutenga foi ainda extensivo ao apresentador de televisão Gabriel Júnior, pela forma de comunicar com as massas, pelo seu empreendedorismo na área da formação e pela sua sensibilidade às causas sociais. E Elvira Viegas sublinha: “É uma pessoa muito interessada em ajudar. É dos comunicadores que mais conhece o nosso país. De facto, ele é o filho do povo, que dá sem esperar nada em troca”.

O Celebrando Vidas é uma iniciativa da Casa do Artista Kutenga, que se realiza uma vez ao ano, no mês de Fevereiro.

 

A poetisa Lica Sebastião largou os versos por algum tempinho para se dedicar às artes plásticas. Assim, ao fim de alguns meses de trabalho, na quinta-feira, a artista inaugurou a sua sexta exposição individual, na galeria da Kulungwana, na cidade de Maputo.

Metamorphosis, título da exposição que pode ser visitada até 20 de Março, é um conjunto de 12 peças, que apresentam uma pintura materializada em suportes diferentes. Por exemplo, madeira e metal. A pretensão da artista, essencialmente, foi, como a caracteriza, dedicar-se a um reaproveitamento de materiais, aqueles que muitas vezes são dados como acabados, sem utilidade alguma.

Paralelemente, é do interesse de Lica Sebastião, na nova individual, contribuir para demonstrar que as artes plásticas se fazem de variadas formas. Então, a pintora deixou as telas de lado para abraçar um projeco maior: a diversidade, e, com isso, veicular a sua motivação estética.

A preparação da exposição teve duas fases. Na primeira, Lica Sebastião trabalhou devagar, devagarinho. Como quem não quisesse nada. Depois, vieram os prazos e a pressão do curador, Ulisses Oviedo. Então, o pincel acelerou. É também graças a essa rapidez que hoje a exposição poder ser visitada ali na Baixa da cidade de Maputo.

Ora, sem falsas modéstias, Lica Sebastião acredita que Metamorphosis é uma mostra mais elaborada em relação a sua última individual, pois, realça, conseguiu fazer com que cada peça fosse única. Ainda assim, a artista reconhece que há linhas fixas nas peças no que à cor diz respeito. A predominância do azul é visível.

Não obstante, todos os trabalhos expostos na individual têm figuras humanas, que realçam rostos. “Não me canso de fazer o exercício de desenho com rosto. É a parte do corpo mais exigente. Tudo deve ter alguma ligação. Pratiquei muito isso nas próprias obras”, frisou, explicando de seguida que o que mais deu gozo durante o processo foi a tentativa de encontrar solução para cada peça e a possibilidade de relacionar materiais que aparentemente não têm nenhuma ligação (metal e madeira), formando, a partir daí, um conjunto até chegar ao equilíbrio. Contrastar as cores foi outra acção simpática para a artista.

Metamorphosis resulta de um trabalho com óleo e técnica mista. Para quem deseja visitar a exposição, Lica aconselha: “gostaria que vissem as peças de três ângulos diferentes, numa visita que deve ser feita devagar”.

Segundo livro de Japone Arijuane será lançado terça-feira, numa cerimónia a realizar-se na Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo, a partir das 18h.

Japone Arijuane saiu de Dentro da pedra. Agora, como que armado em mecânico ou algo parecido, vem com vários instrumentos, no seu segundo livro: Ferramentas para desmontar a noite. Esta missão pode até ser complexa para um cidadão comum. Não para um poeta. Então, o livro de poesia é, na voz do poeta, um conjunto de engenhos intangíveis que permitem desmontar as nuvens negras que não permitem sorrir e nem vislumbrar o horizonte.

Neste contexto poético, as nuvens negras não se encontram no céu. Longe disso, metaforicamente, representam a pobreza, a corrupção, as guerras, a desgovernação, o individualismo e o nepotismo. Assim, tal é a convicção do autor, as ferramentas aqui funcionam como catalisador para a ressurreição do amor, o amor ao outro, ao meio ambiente, à moçambicanidade, e, claro, o amor ao próprio amor.

À imagem do que vem acontecendo há algum tempo, Japone Arijuane escreveu o seu segundo livro de poesia porque não sabe fazer nada tão bem, “tanto quanto o nada chamado poesia”. E acrescenta: “a poesia é um inutensilio, como chamou o Leminski. É a minha forma de estar com todos outros eus. Escrevo para não morrer do ridículo que se tornou moda nos dias que correm. Escrevo para libertar os meus fantasmas, que no fim do dia, são de todos outros. Escrevo para me distanciar de tudo isso, às vezes até de mim mesmo, às vezes para me aproximar mais de mim”.

Ferramentas para desmontar a noite aconteceu em momentos diferentes, que resultaram em três cadernos independentes. Ao notar que havia uma certa intertextualidade entre os tais cadernos, que apontam para o mesmo horizonte (o desmontar do abismo), o autor decidiu unificá-los. Logo, o desmontar aludido no título também é, paradoxalmente, um processo de montagem da felicidade.  

O livro publicado pela Fundação Fernando Leite Couto tem aproximadamente 70 textos. A propósito da chancela, Japone Arijuane decidiu confiar o seu segundo livro àquela editora porque oferece uma estrutura que lhe permite uma boa edição.

Ora, passados seis anos depois de se estrear em livro, Japone Arijuane adianta que em Ferramentas para desmontar a noite os leitores vão encontrar o mesmo autor que de Dentro da pedra ou a metamorfose do silêncio, seu primeiro livro. Porém, mais maduro e mais poético, no sentindo de consciência literária. “Este é o livro de poesia que eu sempre quis ler. Porque não encontrava em livrarias e nem em bibliotecas, resolvi escreve-lo”, afirmou o autor, sugerindo, como quem provoca, os seguintes versos do livro: “Como desmontar a noite com uma vontade sem gumes?/ a noite é navalha a verter incertezas/ lâmina viva plantada na carne do vento/ voz incendiada nas falas do cifrão/. grito de vazios nas entrelinhas da cidade/ onde a dança cósmica do pão emerge/ para o amor rouco no silêncio das mãos”.

João Nuno Pinto é realizador português e nasceu em Moçambique lá vão várias décadas. À terra natal, o cineasta voltou para gravar uma longa-metragem baseada em factos reais, que foi escolhida para abrir o Festival Internacional de Roterdão, na Holanda, mês passado. Além de Mosquito, título do filme em causa, João Nuno Pinto conta, a seguir, como foi produzir a longa e o que Moçambique representa para si.

 

Mosquito é um filme sobre o seu avô e sobre Moçambique.  O que mais o motivou a trazer esta história?

Tudo começou com histórias que eu ouvi em casa, sobre o meu avô paterno que não conheci. Quando eu nasci, ele já tinha falecido. Quando o meu avô tinha 17 anos de idade, quis combater os alemães. Nessa altura, foi enviado para Moçambique, onde percorreu mais de mil quilómetros a pé, à procura da guerra. Agora, imagine um jovem que nunca tinha saído da sua aldeia, no Norte de Portugal, de repente está em África, em Moçambique, há 100 anos, num lugar sem estradas, numa situação em que a ocupação do colonizador era ainda muito insipiente, perdido no meio do mato… por todos os relatos que existem, deve ter sido um horror. Durante essa viagem, alguma coisa se passou, o que fez com que ele não voltasse para Portugal. Ou seja, o meu avô sobreviveu e quis ficar em Moçambique. Foi graças a ele ter ficado que o meu pai e eu nascemos em Moçambique.

 

A motivação?

Quando comecei a trabalhar no filme, no entanto, mais do que contar a história do meu avô, interessou-me muito mais contar a história desta guerra e da sua demência. Ainda mais uma guerra que não é de defesa de um país, mas de luta no outro território que se considera de alguém pelo direito de se ter ocupado. Isto leva-nos ao segundo ponto do filme, que fala da colonização, do horror da colonização e da subjugação dos outros povos. Este era um tema que eu julgava importante abordar e falar, principalmente em Portugal, para provocar uma discussão sobre o que significou, de facto, ser um país colonizador e ocupar um país que não é o nosso. Este filme acaba por confrontar o meu passado, de onde eu venho.

 

Há uma missão nisso?

Eu tenho uma missão a fazer, que é provocar esta reflexão e mostrar que a colonização não foi boa. É importante olharmos para o passado e tirarmos lições, de modo a podermos aplicar decisões certas no presente. Nada melhor do que percebermos o errado que fizemos no passado, para que a história não se repita.

 

Como foi regressar ao país onde nasceu com este filme?

Regressar a Moçambique para fazer o filme foi uma experiência incrível. Tão bom do que fazer um filme é o processo de o fazer. Fiz quatro viagens interessantíssimas. Percorri Moçambique de Sul a Norte, do Índico ao Niassa. Fiz mais de cinco quilómetros de carro, só na primeira viagem para pesquisa. Conheci pessoas extraordinárias. Fazer este filme em Moçambique foi como regressar ao útero materno, ao meu berço, a um lugar onde eu sinto-me bem e em casa, um lugar onde eu nasci. Não há palavras para descrever essa sensação. Este é um filme feito sobre o amor. Nasceu do amor e da dívida que eu tenho perante Moçambique e o povo moçambicano.

 

Boa parte dos actores que integram o elenco de Mosquito são moçambicanos. O que acha dos actores moçambicanos?

Ter trabalhado com actores moçambicanos foi outra experiência maravilhosa. Os actores me acolheram e acolheram o filme com uma generosidade incrível. Foi uma das experiências mais enriquecedoras que eu já tive no cinema. Os figurantes, mulheres e crianças que também entraram no filme, foram incríveis. Foi algo que eu só conseguiria fazer em Moçambique. Essa entrega dos actores e a forma como tudo ocorreu não teria sido possível em Portugal ou num outro país. Fico emocionado só de pensar no que aconteceu durante as filmagens e nesse amor todo com que fui recebido. E isso está impresso no filme.  

 

Que benefícios podem advir de Mosquito para Moçambique?

Só na estreia do filme estiveram cerca de três mil pessoas do mundo inteiro, em Roterdão. O nível de exposição do filme é algo impressionante. Julguei que seria incrível despertar este interesse sobre a história de Moçambique no mundo. E, de Facto, todo o feedback é bom. Para Moçambique e para os moçambicanos que trabalham com o cinema, penso que é o reconhecimento de todo o seu esforço, afinal é possível fazer filme de qualidade e de nível mundial em Moçambique. Eu mando um abraço fraterno a todos os moçambicanos e ao meu país do coração.  

 

PERFIL

O cineasta João Nuno Pinto nasceu em Moçambique em 1969 e mudou-se para Portugal aos 5 anos de idade, logo a seguir à independência. Os últimos anos têm sido divididos entre Lisboa e São Paulo. Em 2010, estreia a sua primeira longa-metragem de ficção, “América”, uma irónica reflexão sobre Portugal enquanto país destino de imigração. Também é autor de Skype Me (2008) e Don’t Swim (2015).

 

SM Traduções, de Sandra Tamele, é finalista do Prémio Excelência da Feira do Livro de Londres, na categoria Iniciativas de Tradução Literária. O vencedor será anunciado proximo mês, em Inglaterra.

 

“Um sonho que nem me atrevia ter”. É assim que Sandra Tamele descreve a nomeação da sua micro empresa (SM Traduções) na categoria Iniciativas de Tradução Literária no Prémio Excelência da Feira do Livro de Londres. Tal acto, permite que Moçambique esteja entre os finalistas nas 16 categorias do concurso cuja cerimónia restrita vai realizar-se no dia 10 de Março, entres 18h e 22h, no Pergola Olympia, na capital inglesa.

Sandra Tamele sempre quis participar na Feira do Livro de Londres, na sua opinião, mais acessível e humanizada do que, por exemplo, a de Frankfurt, na Alemanha. “Estar lá como finalista para um prémio internacional é o corolário de cinco anos de trabalho que tenho feito com alguns jovens para promover a literatura. Orgulho-me imenso por esta nomeação que coloca Moçambique pela primeira vez no evento”.

Com a participação no Prémio Excelência da Feira do Livro de Londres, a fundadora da editora Trinta Zero Nove antevê adquirir imensas oportunidades. A tradutora acredita que daí virá uma projecção que a SM Traduções nunca teve antes, o que deve ser capitalizado para que consiga apoio, afinal no acto de promover a arte literária Sandra Tamele tem recorrido às suas próprias poupanças. Além de vencer esse problema que já está a pesar, a tradutora pretende adquirir direitos autorais para traduzir mais livros para língua portuguesa.

À imagem de Moçambique, este ano, Colômbia, Croácia e Uganda são outros finalistas que se estreiam no Prémio Excelência da Feira do Livro de Londres. Deste modo, os representantes daqueles países participarão no evento com personalidades dos Estados Unidos, Índia, Egipto, Canadá, Alemanha e Nova Zelândia.

Os grandes vencedores do Prémio Excelência de Londres serão anunciados no dia de abertura do programa anual. Seja quem for, para Sandra Tamele, estar na final já é uma grande vitória, até porque os outros concorrentes na sua categoria são de organizações “gigantes”, com mais de 10 anos de experiência.

Na categoria Prémio Iniciativa de Tradução Literária, além da SM Traduções, de Sandra Tamele, igualmente, estão nomeadas as seguintes entidades: Gecko Press (Nova Zelândia) e Yiddish Book Center (Estados Unidos).

Nas 16 categorias de premiação, o painel de jurados será composto por especialistas do sector. Algumas dessas categorias são: Prêmio de Editora Acadêmica e Profissional, Editora de Áudiolivros do Ano, Prémio Livraria do Ano, Prémio de Iniciativas Educacionais e Prémio Biblioteca do Ano.

A Feira do Livro de Londres é o mercado global de negociação de direitos e venda e distribuição de conteúdo nos canais de impressão, áudio, TV, cinema e digital. O evento oferece acesso directo a clientes, conteúdo e mercados emergentes. A 49ª edição acontecerá a partir de 10 de Março, no Olympia London.

Com efeito, a nomeação da SM Traduções, de Sandra Tamele, para o Prémio Excelência da Feira do Livro de Londres acontece depois da tradutora ter participado, ano passado, na Feira de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com a fundadora da Trinta Zero Nove, é dali que adveio a grande oportunidade para a visibilidade agora consumada.

 

 

Uma vez mais, o Maputo International Music Festival realiza-se na capital do país. Com a pretensão de ser uma referência em termos de organização de espectáculos, na cidade de Maputo, o evento vai realizar-se no próximo dia 29 deste mês, sábado, no Campus da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

De acordo com a organização, ao contrário do ano passado, em que o protagonismo temático foi dado ao ritmo tropical, nesta edição o festival musical vai procurar proporcionar o que consideram “um frenesim de ritmos”. Bem dito, revela a nota da Tindziva Comunicação, “daqui em diante, o Maputo Internacional Music Festival vai configurar-se desta forma, permitindo uma pluralidade sonora, mesmo para celebrar a música. Esta edição, que comparativamente ao ano passado chega mais cedo, sugere uma mescla entre o rock, soul, funk, afro e marrabenta, ao som dos Pink Floyd Legend, grupo de tributo à banda inglesa Pink Floyd; da banda inglesa Imagination feat Lee John e dos moçambicanos Kappa Dech, António Marcos, Seth Suaze e Hot Blaze”. 

Citado pela mesma fonte, o Director-Geral da BDQ – Concertos, promotor do festival, Belmiro Quive, adianta que a escolha dos artistas acima mencionados vêm responder ao que foi desenhado enquanto um festival que pretende exaltar a diversidade. “Achamos que essa era uma combinação perfeita, tendo em conta aquilo que pretendíamos em termos de variedade de bandas e de músicas”.

Não obstante, a promessa é a de que o cruzamento de ritmos não é a única novidade nesta edição do Maputo International Music Festival, afinal, pela primeira vez, a BDQ-Concertos decidiu colocar dois palcos, mesmo para permitir que não haja demoras na arrumação do cenário por parte das bandas, bem como permitir uma animação aprimorada. “É um modelo diferente que estamos a fazer, por isso a nossa espectactiva é grande no sentido de querer manter a nossa tradição – que é fazer as coisas com maior qualidade”, afirma a organização na nota enviada à nossa Redacção.

A uma semana e meia do espectáculo musical, as montagens do cenário no local já arrancaram e os convidados estrangeiros começam a aterrar em Maputo no dia 24. As actuações individuais ou com banda deverão oscilar entre meia e duas horas, com destaque para as figuras de cartaz.

Este festival musical surgiu em Junho do ano passado, com actuações de cantores predominantemente jovens e praticantes do ritmo tropical.

 

Curta-metragem do realizador é Menção Honrosa no 1º Festival Independente do Cinema Angolano (FESC-Kianda).

 

Este princípio de ano está a ser auspicioso para Júlio Silva. Depois do cineasta moçambicano ter sido confiado as responsabilidades de pesquisador do Laboratório Folclore e Etnomusicologia do Departamento de Musicologia e a de membro do conselho editorial da revista científica russa “Mariinskaya Academy”, mais uma boa notícia. Desta vez, no continente africano.

Em Angola, o cineasta foi Menção Honrosa com o filme Lágrimas nas ondas di mar, devido à potencialidade da curta-metragem na representatividade de todos os pescadores luandenses e povos do litoral. A distinção aconteceu no primeiro Festival Independente do Cinema Angolano (FESC-Kianda), realizado nos finais de Janeiro e cuja premiação aconteceu no dia 15 deste mês.

Este reconhecimento, para Júlio Silva, premeia o trabalho que, ao longo dos anos, tem feito a nível do cinema africano, o que é acrescido pelo facto de Lágrimas nas ondas di mar ter-se destacado num universo em que vários outros filmes também concorriam ao grande prémio do Festival Independente do Cinema Angolano. Assim, o cineasta entende que a Menção Honrosa é mais uma vitória das várias que o cinema moçambicano tem acumulado.

Lágrimas nas ondas di mar foi realizado ano passado. O filme retrata a vida árdua dos pescadores artesanais que vão para o mar alto à procura do seu sustento, deixando as famílias sempre nervosas e ansiosas, pois nunca sabem se os pescadores vão regressar. Esta é a curta-metragem. Na óptica de Júlio Silva, um docudrama (ficçao e documentário).

Na qualidade de realizador do filme, Júlio Silva trabalhou com Emanuel Ribeiro (Produtor) e com os actores Rank, Jair Estêvão, Pedro Bettencurt, José Gomes, Agatê, Lutchinha, entre outros.

A curta-metragem foi rodada na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Então o cineasta destaca: “filme realizado por um moçambicano, feito em Cabo Verde e premiado em Angola. A verdadeira lusofonia”.

No mesmo festival, o filme O Mambo, do realizador angolano Nuno Barreto, venceu o Prémio de Melhor Curta-Metragem.

No dia 27 deste mês, arranca a 5ª edição da Semana de Cinema Africano Moçambique. Trata-se do maior evento anual de exibição de filmes africanos contemporâneos de ficção, de longa-metragem, no país. 

Estão agendados no programa principal desta edição sete filmes, seis dos quais em estreia nacional, além da exibição de três clássicos do cinema moçambicano, conversas com realizadores e masterclasses.

Na cerimónia de abertura, marcada para a 27 de Fevereiro, em Maputo, será exibido o filme “Avó Dezanove e o Segredo do Soviético”, do realizador moçambicano João Ribeiro, uma adaptação da obra homónima do escritor angolano Ondjaki.

Já a encerrar o evento estará uma produção independente que já conquistou o público, o filme “Resgate”, de Mickey Fonseca. Pelo meio, cinco filmes serão exibidos no Centro Cultural Franco-moçambicano (CCFM), nomeadamente,“Mak’ila” com a presença da realizadora congolesa Machérie Ekwa Bahango; “Rafiki”, da queniana Wanuri Kahiu; “T-Junction”, do tanzaniano Amil Shivji, com a presença especial do realizador, “Vaya”, do nigeriano Akin Omotoso e “Ilha dos cães” do luso-angolano Jorge António.

Já nos dias 02, 03 e 04 de Março decorre a exibição do Programa de Clássicos, com três filmes que marcam a história do cinema moçambicano na tela gigante do Cinema Scala, “O vento sopra do Norte”, “Tempo dos Leopardos” e "Deixem-me ao Menos Subir às Palmeiras”, este último, com a presença do realizador Lopes Barbosa.

Nas mesmas datas, três Masterclasses para profissionais e estudantes de cinema, duas delas integradas na iniciativa de incentivo à formação de novos autores africanos denominada MultiChoice Talent Factory, trazem especialistas internacionais em produção/distribuição e som Dolby, novamente no CCFM, gratuitas, mas com lotação limitada.

Enquanto isso, um programa académico de conversas com os realizadores Amil Shivji (Tanzânia), Mickey Fonseca (Moçambique) e Machérie Ekwa (RD Congo), decorrerá no Auditório da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane. De realçar que toda a programação da 5.ª Semana de Cinema Africano Moçambique, financiado pela MultiChoice é de acesso gratuito.

A fim de atribuir 27 bolsas de estudo para áreas de Música e Artes Cénicas, licenciatura e mestrado, a PROCULTURA abriu candidaturas para os cidadãos dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) e de Timor-Leste.

Conforme avança a organização, “esta acção ocorre no âmbito do projecto da União Europeia PROCULTURA PALOP-TL e tem como objectivo favorecer a contemporaneidade e inovação nos sectores da música e das artes cénicas, através do acesso à educação de referência e mobilidade internacional de criadores e operadores dos PALOP e de Timor-Leste”.

A nota de imprensa sobre o assunto adianta que as candidaturas estão abertas desde 3 deste mês até 1 de Julho de 2020 e destinam-se a cidadãos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste e aí efectivamente residentes.

O regulamento e os formulários podem ser encontrados no site do Instituto Camões.

A PROCULTURA é uma iniciativa financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, IP e co-financiada também pela Fundação Calouste Gulbenkian. Tem por objectivo contribuir para a criação de emprego na economia cultural e criativa nos PALOP e em Timor-Leste, com um orçamento de 19 milhões de euros.

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