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O País – A verdade como notícia

Espectáculo teatral do Grupo Girassol será apresentado numa curta temporada que terá lugar no Teatro Avenida, a partir do próximo fim-de-semana. 

 

Até final deste mês, no Teatro Avenida, cidade de Maputo, o Grupo de Teatro Girassol vai apresentar, todos os sábados e domingos, às 18h30, o espectáculo Os (des)aparecidos.

Adaptado por Joaquim Matavel do texto original de Mia Couto, “A história dos aparecidos”, a peça aventura-se pelo além par ir buscar uma história de supostos mortos que atravessam a fronteira do seu universo a fim de reclamarem determinadas condições no mundo dos vivos, o que os conduz a uma desestruturação do status quo da existência humana há muito tempo normalizada. O que o Grupo Girassol fez, basicamente, foi apropriar-se da narrativa de Mia Couto e contextualiza-la à actual realidade moçambicana.

Deste modo, com Os (des)aparecidos, o elenco de actores no qual integra Rafael Vilanculos, Horácio Mazuze, Abílio Massingue, Júlia Novela, Célia Matsinhe e Fernando Magaia pretende convidar o público a reflectir sobre várias mazelas que afectam a sociedade moçambicana. Por exemplo, a exclusão e os efeitos das calamidades naturais. O grupo decidiu avançar com esta temática porque tem observado que daí surgem os grandes conflitos ideológicos por detrás do subdesenvolvimento social.

Inicialmente, o espectáculo foi preparado há dois anos. Na altura, Os (des)aparecidos foi apresentado apenas uma vez no FESTECA, em Angola. Agora, com nova roupagem, a peça começou a ser preparada em Novembro e fará uma curta temporada no Avenida, numa altura em que, frisa Joaquim Matavele, é difícil fazer temporadas teatrais na cidade de Maputo no caso dos grupos que não têm uma sala.

O novo espectáculo do Girassol tem 50 minutos de duração. É uma peça interactiva, com algum envolvimento do público em algumas partes. O mesmo vai funcionar como uma espécie de antecâmara do Festival Internacional Teatro do Inverno (FITI). Assim, o Girassol pretende preparar o público para que ao chegar o evento estejam preparados. Portanto, Os (des)aparecidos será usado para formação de público, ao qual será levado a mensagem de que todos fazem parte da solução dos problemas sociais de Moçambique. 

A encenação de Os (des)aparecidos foi confiada a Elliot Alex e Joaquim Matavele e o comando da luz está na responsabilidade de Abílio Massingue.

Na última sexta-feira, o grupo Fragmentado apresentou, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na cidade de Maputo, a peça teatral O sétimo juramento.

Adaptado do livro de Paulina Chiziane, o monólogo é a dramatização da história do personagem David, que, a certa altura da sua vida, submete-se a certas práticas curandeira com o interesse de buscar e preservar o poder que tanto estima.  

Para Lírico, o único actor na peça, fazer O sétimo juramento foi um momento de experimentar novos desafios, longe daquele modelo de teatro entregue à diversão hilariante. “Aproveitamos esta peça para reflectir sobre a ideia de até onde o homem precisa de viajar para poder encontrar a sua liberdade”, disse o actor.

Na versão de Fragmentados, O sétimo juramento teve encenação conjunta dos elementos que integram o grupo, que junta estudantes da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane e da Universidade Pedagógica de Maputo.

Durante 50 minutos, Lírico apresentou-se numa sala com luz ténue, com velas acesas, bacias e incenso no chão. Tudo para representar os ambientes tétricos em que se dão alguns rituais mágicos. “A Paulina Chiziane deu-nos a liberdade de trabalharmos a obra à vontade, do jeito que julgássemos melhor”, adiantou Lírico, momentos depois de confessar que a peça exigiu de si muita preparação física”. No entanto, o que mais encantou o actor nesta experiência foi a possibilidade de viajar (e voltar dessa viagem) para uma dimensão distante, longe daquilo que realmente acredita.

 

A Austral Seguros e o Grupo Soico assinaram, hoje, um memorando de entendimento que visa assegurar todos os meios humanos e materiais que estarão envolvidos na presente edição do reality show.

Na ocasião, o Presidente do Conselho de Administração da Austral Seguros, Bernardo Cumaio, disse que o Fama Show é um programa que vai continuar a elevar a cultura nacional.

“Olhamos para o Fama Show como uma janela que pode contribuir não só para o bem-estar espiritual das pessoas, mas também criar possibilidades para que os moçambicanos se revejam naquilo que é o desenvolvimento da música”, referiu Bernardo Cumaio.

Já o Administrador do Grupo Soico, Jeremias Langa, olha para a iniciativa da Austral Seguros como um sinal de que o empresariado está a reagir positivamente ao produto.

“Este parceiro que se associa a este produto vai ser importante para assegurar os equipamentos que vão ser utilizados e os recursos humanos envolvidos no programa”, realçou o Administrador do Grupo Soico.

Para além da Austral Seguros, a sétima edição do Fama Show conta com mais quatro parceiros, nomeadamente a TMcel, a Zap, a BDQ e Heineken.

Há um ano, o ciclone Idai arrasou a zona Centro do país. A fim de enaltecer a capacidade de superação de todo um povo abalado pela calamidade natural, a editora Fundza, localizada na Beira, resolveu organizar um concurso literário que deverá culminar com a edição de uma antologia de crónicas, em Agosto, mês em que a capital de Sofala comemora o seu aniversário.

O grande propósito da iniciativa da Fundza é registar o conjunto de episódios e memórias que as pessoas em geral presenciaram durante e depois do ciclone Idai. Assim, o concurso está aberto a escritores, estudantes, jornalistas, e etc., quer nacionais quer estrangeiros residentes no país. “Decidimos avançar com este concurso de crónicas porque as histórias e memórias ajudam na reconstrução das pessoas”, proferiu Dany Wambire, escritor e editor da Fundza.

Para esta edição, o concurso de crónicas realiza-se com o lema “A reconstrução começa pelas histórias” e o mesmo será lançado oficialmente no próximo dia 14, podendo os textos serem submetidos até 14 de Abril. Despois disso, o júri constituído por Paulina Chiziane (Presidente), Padre Manuel Ferreira, Cristóvão Seneta, Manuel Mutimucuio e Dany Wambire vai trabalhar para seleccionar 25 a 30 melhores histórias, num período de um mês.

Além da possibilidade de os concorrentes selecionados serem publicados em antologia, os mesmos vão concorrer a prémios monetários. Ou seja, o primeiro classificado será distinguido com 15 mil meticais, o segundo com 10 mil e o terceiro com 5 mil meticais.

Portanto, as crónicas deverão versar sobre pelo menos um episódio do ciclone Idai sem que isso afecte a qualidade literária. No máximo, cada texto deve ter entre duas e quatro páginas A4, no formato Times New Roman, espaçamento 1,5. Cada candidato apenas pode concorrer com uma crónica.

A antologia de crónicas será lançada sob a chancela da editora Fundza.

 

 

 

Exposição individual de fotografia será inaugurada este mês, no Camões – Centro Cultural Português, na cidade de Maputo.

 

Mário Macilau tem um novo projecto para exposição. Água é o título de uma individual de fotografia que contém 22 peças e que, eventualmente, será inaugurada no dia 25 deste mês, no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo.

As fotografias que integram a individual de Mário Macilau foram feitas em Nampula, Zambézia, Sofala e Maputo, há três anos. Esse foi o tempo necessário para que o projecto, na óptica do fotógrafo, amadurecesse. Assim, a inauguração da mostra irá coincidir com as celebrações do Dia Mundial da Água, que se assinala a 22 de Março.  

Através da sua nova exposição, Mário Macilau pretende continuar a intervir nas questões atinentes à sociedade moçambicana, e, dessa forma, mostrar a realidade que se vive em algumas zonas do país, afectadas com a crise de água. Desta maneira, o fotógrafo quer que se note como a falta de água tem contribuído para desacelerar o desenvolvimento humano e social.

“Normalmente, nós vivemos numa zona de conforto. Então, a preparação desta exposição mostrou-me que fora da nossa zona de conforto existem pessoas que vivem em piores condições do que nós. Por exemplo, temos em Moçambique pessoas que disputam água com animais”, lembrou Macilau, adiantando que, além da individual em Maputo, com o mesmo tema, irá inaugurar mais uma na Universidade Católica de Lisboa, em Portugal, onde também vai dirigir uma pequena conferência no início do próximo mês.

Em Maputo, Água estará exposta no Camões por um mês. Durante esse período, Mário Macilau gostaria que os visitantes percebessem, por via das fotos, que os problemas africanos não são apenas políticos ou relacionados a conflitos. “Por mais que resolvemos os nossos conflitos, por exemplo, em Cabo Delgado, sem água potável os problemas sociais vão prevalecer”.

A nova individual de Mário Macilau terá um texto de João Paulo Borges Coelho.  

 

 

Marcelo Panguana disserta, esta terça-feira, na Associação dos Escritores Moçambicanos, sobre a poética de Sangare Okapi.

A leitura de Marcelo Panguana insere-se no ciclo de palestras e debates “No gume da palavra”, que este ano arrancou com uma palestra realizada na Escola Secundária Francisco Manyanga, subordinada ao tema “Importância da leitura e literatura”, orientada pelo escritor Agnaldo Bata.

Designada “Marcelo Panguana lê a poética de Sangare Okapi”, a palestra terá início às 17h30 e antecede outras duas, a realizarem-se quarta e quinta-feira.

Na quarta-feira, às 18h, Sara Jona apresentará uma palestra intitulada “Literatura moçambicana: rastos e rostos da última década – 2010/2020”, com moderação do crítico literário Cremildo Bahule.

No dia seguinte, no âmbito do projecto “Atelier filosófico”, evento mensal realizado na AEMO, com coordenação de Severino Ngoenha, o brasileiro Eduardo de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia, dissertará sobre o tema “A emergência da ética: do quotidiano à esfera pública”.

 

Sem kalash, e com muito love. Assim foi a sessão de sexta-feira à tarde, na sede da Associação dos Escritores Moçambicanos, na cidade de Maputo. A razão? Muito simples, tributar um poeta que também é sociólogo, Filimone Meigos, pela dedicação às letras e às artes em geral.

Por isso, poetas e escritores reuniram-se na AEMO para celebrar não apenas a obra, mas também a vida de um autor que, no passado dia 4 completou 60 anos de vida. Daí o sarau ter sido designado “Os 60 do poeta da kalash in love”, em referência ao título de estreia de Meigos: "Poema & Kalash in Love".

Num ambiente descontraído, festivo de todo, várias gerações de autores nacionais brindaram à saúde de Filimone Meigos, com ou sem taças de champanhe na mão. E porque a festa foi à moda da AEMO, no tributo ao poeta houve música ao vivo com Chico António e poesia recitada por Sangare Okapi. As palavras vieram depois. E quando tiveram de chegar, o Secretário-Geral da AEMO, Carlos Paradona, sublinhou as razões que os levaram a tributar Meigos: “Homenageamos ao Filimone porque, além da sua dedicação à poesia e às ciências sociais, a sua voz nunca se calou. Pelo contrário, sempre clama pela cultura moçambicana, enaltecendo nossa moçambicanidade”

Um dos membros da AEMO que há mais tempo conhece Filimone Meigos é Marcelo Panguana. São amigos há 35 anos. Conheceram-se no Chimoio e, desde então, a cumplicidade literária nunca os separou. Referindo àquele jovem, agora adulto, Panguana realçou qualidades: “o Filimone é uma individualidade multifacetada. Além de poeta, é músico, actor de cinema, sociólogo e uma série de coisas. Ele é um tipo especial, que merece o amor que nós temos por ele. Por isso viemos cá a AEMO transmitir-lhe o agradecimento por ele estar vivo e ser nosso amigo”.

Como não podia deixar de ser, o homenageado também proferiu algumas palavras. Essencialmente, Meigos afirmou que o gesto dos escritores consubstancia as relações que com ele estão a cimentar há algumas décadas. “Conheço esta gente há quase 40 anos. Mexe muito comigo esta homenagem, por ser num lugar especial para mim, e é gratificante saber que estamos todos juntos”.

Filimone Meigos nasceu a 4 de Março de 1960, na cidade da Beira. É autor de livros como Poema & Kalash in Love, Globatinol – antídoto – ou garimpeiro do tempo e Moçambique, meu corpus quantum. Como actor, integra o elenco do filme Avó Dezanove e o segredo do soviético, de João Ribeiro, estreado mês passado na cidade de Maputo.

 

 

 

Ministra da Cultura e Turismo espera que a edição deste ano do Festival Nacional da Cultura contribua para o fortalecimento da unidade nacional e desenvolvimento do país.

Ndlavela. Para alguns, nome difícil de pronunciar. Aquele foi o bairro da Matola, na província de Maputo, escolhido para receber a cerimónia de lançamento do XI Festival Nacional da Cultura. A acção realizou-se na manhã de sábado e foi presidida por Eldevina Materula, a Ministra da Cultura e Turismo.

Em geral, a cerimónia que contou com a presença de membros do Governo, artistas e promotores de actividades artísticas, serviu para convidar os moçambicanos a juntarem-se num evento concebido para exaltar a moçambicanidade, através de manifestações e trocas de experiências essenciais para o desenvolvimento humano. E, à imagem do que tem vindo a acontecer ao longo das 10 edições anteriores, o Governo moçambicano almeja que os festivais culturais continuem a contribuir na consolidação da unidade nacional ao mesmo tempo que expõem a diversidade cultural e sensibilizam a sociedade sobre a necessidade da valorização da cultura como factor de progresso.  

A edição deste ano do Festival tem como lema “Cultura, a força que une a nação rumo ao desenvolvimento”, e, de acordo com a Ministra da Cultura e Turismo, “reitera o compromisso que o Governo e todas as forças vivas da sociedade moçambicana assumem, de que a cultura, como factor de coesão social e de desenvolvimento económico, dinamiza todas áreas do desenvolvimento social e humano”.

A convicção de Eldevina Materula é a de que o lema do Festival vai inspirar grupos culturais e artistas no que considera exaltação das acções e os progressos que Moçambique vem alcançando na protecção da natureza e da biodiversidade. Além disso, reiterou a Ministra, “o Festival deve valorizar a cultura como factor da consolidação da nossa identidade e como factor de desenvolvimento, capaz de gerar empregos, aumentar a renda das comunidades, reduzir as desigualdades sociais e produzir riqueza, tal como acontece noutros países de economias em desenvolvimento”.

Porque o XI festival Nacional da Cultura vai realizar-se na província de Maputo, o edil da Matola, Calisto Cossa, garantiu que o município por si dirigido tudo fará para os participantes provenientes de outras províncias do país sintam-se em casa.

Na cerimónia de lançamento, houve ainda demonstrações de danças tradicionais de Moçambique, exposições de artefactos artesanais e feira de gastronomia.

 

Women Going Digital é um projecto voltado para as mulheres, sejam empregadas assim como não, que desejam ser treinadas em temas contemporâneos relacionadas à digitalização, com o objectivo de aumentar o número de mulheres que trabalha na área das tecnologias de comunicação e informação e, sobretudo, melhorar as oportunidades de empregabilidade e recolocação profissional no mercado.

Para quem quiser integrar a equipa, pode candidatar-se à iniciativa, que encerra este sábado. Para a efectivação desta inscrição, numa primeira fase, as concorrentes deverão enviar um Curriculum Vitae e uma Carta de Motivação.

A inscrição na página web pressupõe o preenchimento de um formulário com informações pessoais e a realização de dois testes, sendo um de inglês e outro de cultura geral. Ao todo, os testes levam cerca de 10 minutos.

Todas as mulheres são elegíveis à participação, desde que tenham o mínimo de 16 anos e o ensino médio concluído.

 

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