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O País – A verdade como notícia

Taruma pretende, nos próximos tempos, que os seus livros ultrapassem a fonteira da língua e possam ser lidos em mais países africanos.

 

Ndeje, Entebbe. 20 graus e céu muito nublado. Mais à frente, o enorme lago Vitória quase engole a visão de quem o contempla. Um poeta moçambicano esteve diante daquele universo líquido, naquela circunstância, a ponderar o que fazer de um projecto de livro inédito. Na verdade, como que inspirado pelo Vitória, a decisão foi rapidamente tomada. Aproveitando a passagem pelo Uganda, onde esteve a formar-se em assuntos editorias, ocorreu a Álvaro Taruma lá deixar um livro para ser editado naquele país e com financiamento local.

Trata-se de um livro de poesia, ainda inacabado, mas que o autor de Matéria para um grito pretende que fique nas prateleiras de Kampala e de todo o Uganda, até porque “nesta região de África, o mercado ugandês lidera em termos de produção. O Uganda publica em média 100 livros por ano, entre ficcão e não ficção. Os países vizinhos como Quénia, República Democrática do Congo e Tanzânia dependem muito do Uganda para a impressão dos livros”.

Poucos dias e passeios pelas livrarias ugandesas foram suficientes para Taruma constatar as potencialidades literárias daquele país. E mesmo a propósito de Quénia, a partir de Uganda o poeta foi convidado a participar no Festival Literário de Nairob.

Taruma pretende que o livro bilingue (português e inglês) que irá submeter para publicação no Uganda seja apresentado próximo ano no Quénia. Com isso, a ideia do poeta é levar a sua escrita ao maior número de leitores possível e, assim, implementar os ensinamentos apreendidos na formação sobre assuntos editoriais.

Segundo observou Álvaro Taruma, apesar do clima chuvoso e frio, Entebbe e, sobretudo, Ndejje, onde esteve, “é uma cidade uniforme de crescimento horizontal, com uma sucessão de colinas de onde se vê o majestoso lago Vitória”, certamente uma inspiração para novas produções.

Ora, na formação em que Taruma participou, estiveram presentes autores jovens, com mais ou menos dois livros publicados, do Malawi, Zâmbia, Uganda e Zimbabwe. Os mesmos autores tiveram quatro principais facilitadores: Otieno Owino, editor do Quénia e responsável pelos conteúdos da formação; Crystal Rutangye, editora ugandesa, residente na Escócia; Abu Ndengwa, autor e editor de livros a viver em Mombaça, Quénia; Oscar Ranzo, autor dos EUA; e Kizza Racheal, coordenadora do projecto formação.

Entre os vários conteúdos lecionados, Álvaro Taruma e os colegas da escrita aprenderam sobre “Escolha e implicações do tipo de edição: edição de autor ou editora?”, “Escolha do tipo de livro: ficcão ou não ficção?”, “Perspectiva da arte editorial”, “Fases da edição: edição estrutural, edição de texto e prova”, “Partilha de experiências editoriais por cada país” e “Processos de design, ilustração e impressão”.

No Uganda, Álvaro Taruma participo na oficina de treinamento e mentoria em matérias de literatura a convite da African Writer Trust, entidade que lida com 30 países em África. No evento, o poeta foi o único autor de língua portuguesa.

 

Cantor e compositor morreu sábado à noite, no Hospital Geral José Macamo. Restos mortais vão a enterrar esta terça-feira, no cemitério de Lhanguene, na cidade de Maputo.

 

30 anos depois de começar a gravar as suas composições nos estúdios da Rádio Moçambique, Gabar Mabote finalmente conseguiu lançar o tão almejado álbum. Ao mesmo, constituído por 14 músicas, intitulou Unganipoile. A cerimónia de lançamento aconteceu há dois, no bairro Malhazine, onde vivia, e, curiosamente, foi mais ou menos a essa altura que o autor começa a ter complicações de saúde.

Chegou o ano de 2019. Como no anterior, o compositor e guitarrista frequentou os hospitais com alguma regularidade. Sempre na tentativa de prolongar a vida, e, com isso, continuar a cantar as suas afamadas “Dana ndzole”, “Helenane”, “Lhupeco” ou “Djokotane”, músicas que o consagraram noutros tempos. Às vezes recuperou. Noutras a doença mostraou-se mais acutilante. E casmurra. Por isso, ao fim de dois anos de altos e baixos, Gabar Mabote teve uma recaída na passada quinta-feira. Nesse dia, foi levado ao Hospital Geral José Macamo, na cidade de Maputo, onde ficou internado por 48 horas. Na noite de sábado, entretanto, frágil e com os 62 anos a pesarem-lhe as costas, Gabar Mabote não resistiu mais. Partiu para longa viagem, deixando para trás tantas outras composições não gravadas.

Os restos mortais do autor de Unganipoile vão a enterrar esta terça-feira, às 14 horas, no Cemitério de Lhanguene, na cidade de Maputo. 30 minutos antes, familiares, amigos e apreciadores da música de Gabar Mabote irão se juntar para o último adeus, na capela do mesmo cemitério.

 

O PERCURSO E O AMOR PELO CINEMA 

A 10 de Agosto de 1957, na então Lourenço Marques, hoje Maputo, nasceu o primeiro de 10 filhos do casal Jaime Simbine e Teresa Manjate. Baptizaram-no com o nome Enoque Jaime Simbine, que foi crescendo como todas as crianças do seu tempo.

A partir da adolescência, Enoque Jaime Simbine começa a frequentar cinemas, ao mesmo tempo que o amor pela música se consolidava. Apaixonou-se pelo cinema indiano. Um dos filmes mais marcantes para Enoque foi Sholay (1975), do realizador Ramesh Sippy. Como que amor à primeira vista, naquela produção cinematográfica, o compositor e guitarrista identificou-se com o personagem Gabbar Singh, interpretado pelo actor indiano Amjad Khan. Então, quando chegou o momento de escolher um nome artístico, depois de se ter notabilizado num dos programas do falecido apresentador de TV Victor José, Enoque preferiu Gabar Mabote. O primeiro em homenagem ao seu personagem preferido e, o segundo, como tributo à terra natal da família, Mabote, distrito de Inhambane.

Gabar Mabote deixa viúva e cinco filhos.

Para este grupo a música é fruto da amizade. Conheceram-se ainda muito novos, no bairro Sommerschield, na cidade de Maputo. Tudo começou sem grandes pretensões. Quando deram por si, estava criado o grupo Dark Room Productions, ou seja, DRP. Nesta entrevista, mesmo a propósito do mais recente álbum lançado, Agora ou nunca, o grupo fala da forma como pensa o RAP e do seu compromisso com a música.

 

Passados 15 anos depois do primeiro CD, DRP volta ao game, como os rappers gostam de dizer. Quais são as histórias por detrás deste Agora ou nunca?

Este é um álbum que nós já queríamos fazer há algum tempo. Só agora é que foi possível porque, nos últimos 15 anos, muita coisa aconteceu. Inclusive, muitos dos membros do grupo tiveram de sair do país por causa dos estudos, mas, quando voltamos, começamos a programar a produção deste nosso novo álbum, num contexto em que alguns de nós já trabalham e têm família. Ainda assim, conseguimos nos concentrar para este projecto Agora ou nunca. E este título vem do feeling que tínhamos. Quer dizer, ou fazíamos o álbum agora ou nunca mais iríamos fazer.

 

Agora com maturidade, o compromisso continua o mesmo?

Sim, e agora com mais determinação e seriedade no nosso trabalho.

 

DRP é um grupo preocupado em contar histórias através do Hip-Hop. Que narrativas, desta vez, quiseram levar ao público?

Trabalhamos três anos neste projecto. No momento que decidimos avançar com o álbum, sabíamos de que enquanto estivemos sem lançar, as coisas foram mudando. Aliás, o próprio RAP evoluiu muito em Moçambique. Actualmente, temos grandes artistas que estão a fazer coisas maravilhosas em termos de qualidade. Então, decidimos que com este álbum tínhamos de tentar abranger um bocado de todos os moçambicanos, sabendo que a nossa faixa etária é de 35 anos para cima e que as pessoas que ouvem Hip-Hop são jovens. Então, tínhamos de falar de coisas com as quais as pessoas pudessem se relacionar. E não há melhor maneira… ao invés de inventarmos histórias, pegamos nas nossas próprias histórias, no nosso dia-a-dia e transformamos isso em música. Julgamos que assim fica mais fácil para quem ouve poder se identificar. Se falássemos de coisas fora do nosso quotidiano, haveria o risco de as pessoas não se reverem e nós não nos revermos nas nossas músicas.

 

Ou seja, a ideia de a DRP existir com os outros é bem presente na maneira de pensar a música?

Sim, porque a DRP não é uma ilha. Um dos nossos grandes objectivos para este álbum, que não conseguimos concretizar no nosso primeiro, foi de abranger todo Moçambique. Sabemos que nas cidades a nossa música é muito consumida, mas temos de levar a música para onde as pessoas estão.

 

Do ponto de vista de participações, Agora ou nunca é um disco eclético. O que pretenderam ao levar ao CD autores como Tégui, Muzila, Duas Caras ou Simon Silver?

Desta forma quisemos absorver o máximo possível dos nossos artistas e, a partir daí, com eles partilhar o que é a DRP. Tínhamos planos de trabalhar com mais artistas, mas o tempo e a direcção para a qual estávamos a levar o álbum não permitiram. Acima de tudo, tínhamos de ficar bem focados no que queríamos fazer do Agora ou nunca.

 

Sei que neste Agora ou nunca a DRP teve a preocupação de produzir as músicas a pensar em actuações ao vivo. É verdade?

Sem dúvidas. Quando fizemos o álbum sabíamos que tínhamos de investir nessa componente ao vivo, até porque somos mais conhecidos como artistas que fazem performances. Sempre trabalhamos nisso e fomos dos primeiros grupos que, naquela altura em que não haviam condições, tentava fazer actuações com banda. Pensamos, neste álbum, como é que poderíamos mexer com as pessoas de uma maneira subtil. Por isso Agora ou nunca é mesmo uma viagem. Calculamos como cada música poderia impactar no show e continuamos a trabalhar nisso – o CD só saiu há algumas semanas. Portanto, tentamos sair da caixa, até para quebrar aquela ideia de que o Hip-Hop é um estilo de marginais…

 

É a pensar nisso que cantam sobre a mulher, a autoestima e uma forma de estar?  

Isso sempre foi a DRP. A DRP sempre teve essa consciência porque assim é o tipo de RAP que nós gostamos e escutamos. Há muitas pessoas que, quando fazem os álbuns, apenas pensam num tópico. Por exemplo, ou falam das ruas ou de política. Nós preferimos pensar que o Hip-Hop é um estilo de música para todos. Mulheres gostam de Hip-Hop, mas poucas vezes nós ouvimos músicas positivas sobre elas. Então, nós tentamos mudar essa narrativa e consciencializar os rappers no sentido de que temos de investir na nossa música. No fim do dia, música é arte, arte é produto e produto dá dinheiro. Nós estamos a falar dessas coisas no álbum, que é também para incentivar as pessoas. É isso o que nós sabemos fazer e queremos evoluir com isso.  

 

A segunda música do CD é “Golo”, que nos sugere a mais afamada modalidade desportiva do mundo. Que golo é esse que quiseram marcar como grupo?

Quem fez o coro dessa música foi o Jonaze e a mesma produzida por Leeleo. “Golo” foi a última música que nós gravamos, em 2018. Nessa altura estamos prestes a concluir o álbum. Então tivemos o sentimento de estarmos a conseguir alcançar a meta que tanto ambicionávamos. Felizmente conseguimos chegar lá… e, por isso, a música, com participação de Duas Caras, foi o primeiro single do nosso álbum. Outra coisa, muita gente, quando ouve a música, pensa no futebol, claro, o maior desporto do mundo e que nos traz muitas alegrias. Entretanto, com a música nós não estávamos a pensar apenas na modalidade, mas sobretudo em alcançar um objectivo. Esse era o nosso golo e nós já o marcamos.

 

O título do vosso primeiro CD, Era uma vez, nos introduz para uma narrativa. Agora ou nunca conduz a uma determinação. Como começam as vossas histórias e para onde gostariam que as mesmas vos conduzissem?

As nossas histórias começam com a nossa amizade, nós crescemos juntos e a maioria das nossas músicas, no princípio, foram criadas no quarto da Taíla. Naquela altura, preocupávamo-nos em fazer um exercício de composição sobre o ego, mas rapidamente percebemos que a música não é só isso. Existem tantas outras coisas relevantes, coisas que nos afectam. Quem ouve o nosso primeiro CD e nos conhece percebe que lá estão muitas músicas que relatam situações que vivemos. Por exemplo, “Get together”. Um dia antes de gravarmos essa música, nós realmente fizemos um “Get together”. Outro exemplo, o que Jonaze relata na música “A carta”, ele realmente escreveu numa carta para uma namorada dele que foi embora. Nós sempre tivemos essa proximidade que nos leva a partilhar histórias. E por termos uma mulher no grupo, a Taíla, isso sempre nos ajudou a estarmos focados na dimensão humana. Um rapper tem de contar narrativas que impactam na sua e na vida de outas pessoas, comunicando-se com os outros. É por aí que nós caminhamos.

 

Já agora, de que forma se consegue o equilíbrio entre o exercício sobre o ego, muito comum no RAP, e o lirismo, de tal forma que o rapper não se torne uma voz narcisista?

O “eu” ou o “ego” é qualquer coisa que a maioria dos rappers usa como capa. Esse é o ponto de introdução. É como toda a gente, na verdade. A nossa primeira preocupação, como pessoas, é o nosso “eu”. Enfim, o rapper está a mudar. Agora este ritmo é uma indústria de um bilião de dólares, anualmente. Há 20 anos, o RAP era considerado música de marginais. Hoje não se faz nada sem o RAP. Por isso, actualmente, as empresas assinam contratos com rappers para que sejam suas caras. Internamente, é o caso de Ellputo, que está a fazer trabalhos com muitas empresas grandes. Ellputo vende o Hip-Hop.

 

Era possível lançar um álbum assim há 15 anos?

Não, não era possível. Quando fizemos o nosso primeiro álbum, não tínhamos a intenção de o lançar para o público. Estávamos a fazer o álbum para os nossos amigos. Só que, começou a ficar tão bom que os nossos próprios amigos começaram a exigir… Ou seja, do ponto de vista criativo, a qualidade até existia para produzirmos um álbum como este há 15 anos, mas, emocionalmente, como grupo, não estávamos preparados. Agora, sim, estamos muito preparados.

 

A prova disso?

Estamos a fazer tudo sozinhos, como uma equipa. Temos o nosso manager, abrimos uma empresa. A DRP agora já não é apenas um grupo de música, também é uma empresa que produz roupas. Há 15 anos não estávamos com este nível de preparação e não teríamos alcançado a qualidade que o álbum tem e nem as participações que trouxemos. Não tínhamos a concentração necessária.

 

Qual é a música que mais deu gozo de gravar e a mais difícil?

A que deu mais gozo foi a primeira, “Agora ou nunca”, a que dá o título ao álbum; e a mais difícil foi a quarta, “Pouco a pouco”. Fizemos essa música com Mark Exxodus e tivemos de sair da nossa zona de conforto. Mas são esses desafios… Se não sais da tua ilha, ficas sozinho, isolado.  

 

Como gostariam que os moçambicanos, gostando ou não do Hip-Hop, olhassem para a marca DRP?                                                                                                                                                           

Gostaríamos que os moçambicanos percebessem que DRP é um movimento para promover artistas nacionais, sobretudo de RAP. É isso que nós queremos e já estamos a fazer. O nosso produtor, Leeleo, tem um estúdio e está a produzir vários artistas. Nós gostamos muito de Hip-Hop.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugerimos o disco Eleven, de Tégui; Resgate, da Mahla Filmes; Memórias em voo rasante, de Jacinto Veloso; e La famba bicha, de Jeremias Ngoenha.

 

Perfil

DRP significa Dark Room Productions (Quarto Escuro Produções) em referência ao estúdio/quarto de DaBrain (Ntanzi), onde se criava e avaliava as músicas: dentro de um quarto todo escuro. É um grupo de RAP, formado por amigos de infância: Afonso “Gusto” Coelho, Jonaze “Kwitas” Americano, Taila “Yillah” Carrilho, Dwalak “Mollas” Mendes, Nonulio “Fresh Nunas” Wetela, Lúcio “Lucky Luciano” Sumbana, Robert “D.K. Vader” Honwana e Leandro “Leeleo” Costa. Além de cantar, o grupo produz, edita álbuns e tem uma empresa de vestuário.

 

 

 

 

 

Cuentos para leer el mundo, ou seja, Contos para ler o mundo. Este é o projecto de livro da organização não-governamental Fundación Ayuda en Acción, que tem como objectivo levar a alegria e a esperança às crianças do mundo inteiro. Por isso, aquela entidade convidou autores a escreverem textos para uma publicação infanto-juvenil. Um desses autores é Pedro Pereira Lopes, que, ao projecto, leva “O coração que veio de longe (ou O homem e o líquido)”.

Como é óbvio, o convite da Fundación Ayuda en Acción deixa Pedro Pereira Lopes satisfeito. E o escritor argumenta: “só a possibilidade de poder ser traduzido, ser lido em outra língua, já era uma motivação ímpar. Não gosto de antologias, mas essa pareceu-me particularmente especial. Desde cedo, fiquei a par dos outros escritores, de quem eram, e são todos muito bons e de reconhecida honra literária na área em seus países. O nosso trabalho foi voluntário, mas o ganho é inestimável”.

 

Ainda assim, o ofício da escrita do conto não foi algo simples. Na percepção de Pereira Lopes, é sempre complicado escrever dentro de fronteiras. “A editora exigia um texto actual, realista, do nosso tempo. Estou acostumado a misturar estilos, entretanto pareceu-me um exercício parecido ao que fiz no A história do João Gala-Gala. Foi um texto escrito, nesse caso, para a antologia. Foi difícil, a começar, mas depois apanhei o espírito da coisa. A editora gostou bastante, escreveu-me duas vezes a dizer que tinha chorado”. 

O conto “O coração que veio de longe (ou O homem e o líquido)” foi publicado em Dezembro, no jornal O País, e conta com ilustrações de Walter Zand: “resolvi publicar o texto durante o Natal porque achei que, embora eu o tenha escrito para um público específico, a sua "mensagem" era abrangente, mesmo a parafrasear o José Saramago”.

Entre os convidados a integrarem a antologia Contos para ler o mundo, além de Pedro Pereira Lopes, estão Roberto Santiago (Espanha), María Fernanda Heredia (Equador), Paro Anand (Índia), Ángeles Mastretta (México) e Santiago Roncagliolo (Peru).

A antologia Contos para ler o mundo será lançada na Espanha, no dia 2 de Abril, para coincidir com a comemoração do Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Todos os benefícios da venda do livro serão destinados a projectos de defesa dos direitos da infância.

 

A notícia é avançada pelo Observador de Portugal. O actor norte-americano, Tom Hanks, e a mulher, Rita Wilson, foram diagnosticados com o Coronavírus, na Austrália.

Uma das grandes estrelas do cinema mundial, Tom Hanks anunciou através das redes socias que ele e a mulher estão infectados. O Observador cita: “Sentimo-nos um pouco cansados, como se estivéssemos constipados, e tivemos algumas dores no corpo. A Rita sentiu alguns arrepios, que vinham e depois passavam. E febres brandas também. Para fazermos as coisas como deve ser, que é aquilo de que o mundo precisa agora, fomos testados para o Coronavírus, e descobrimos que estamos infetacdos.”

O vencedor de dois Óscares de Melhor Actor foi surpreendido pelo vírus no estado de Queensland, na Austrália, onde se encontrava há seis semanas a gravar o próximo filme, sobre a vida de Elvis Presley, o casal foi internado e colocado em isolamento no Hospital da Universidade de Gold Coast, adianta o Observador.

 

 

Malangatana Valente Ngwenya morreu há 10 anos. Entretanto, partiu apenas o homem. A obra, essa, ficou e continua a ser apreciada. Por isso mesmo, no próximo dia 21, o Instituto de Artes de Chicago, nos Estados Unidos de América, vai inaugurar uma mostra com as obras do falecido artista moçambicano, que deverá ser apreciada pelo público até 5 de Julho.  

Intitulada Malangatana: Mozambique Modern, a exposição individual resulta de uma parceria exclusiva entre a Fundação Malangatana Valente Ngwenya e a Galeria MOMO. E esta será a primeira vez que as obras do artista serão exibidas no Instituto de Artes de Chicago. Por essa razão, do lado dos organizadores, há um sentimento de muita satisfação, pois os interessados terão a oportunidade de apreciar parte de um espólio privado.

Além disso, o facto de a exposição poder acontecer no Instituto de Artes de Chicago satisfaz à Fundação Malangatana Valente Ngwenya pela visibilidade internacional que aquela instituição possui. Segundo Mutxhini Ngwenya, o Presidente da Fundação e filho de Malangatana, é igualmente encantador levar as obras aos Estados Unidos porque esta será a primeira exposição individual de um pintor africano moderno no Instituto de Artes de Chicago, que muito se comprometeu com o tratamento, restauro e conservação das obras levadas de Moçambique para serem lá expostas.

Com efeito, as mais 40 peças a serem exibidas a partir deste mês incluem pinturas a óleo e desenho, sendo que foram concebidas entre 1959 e 1975. Referindo-se às mesmas telas, Mutxhini Ngwenya frisou que as peças demonstram a evolução técnica, temática e da narrativa de Malangatana, que foi crescendo com as vivências e experiências reais do artista, inclusive as enfrentadas na prisão da PIDE: “Naquelas telas está um período particular e marcante da vida de Malangatana e de Moçambique. As telas incluem desenhos com temática forte, carregadas de um conjunto de situações que caracterizam a vida dos moçambicanos”.

Portanto, a exposição individual traz uma abordagem dos contextos em que Malangatana embarcou em ousadas experiências formais e pintou o mundo em rápida mudança ao seu redor, convidando os apreciadores das artes plásticas a considerar o seu desenvolvimento artístico como parte e parcela do surgimento da arte africana moderna, como anota a Fundação Malangatana Valente Ngwenya.

O Instituto de Arte de Chicago é um museu com notáveis e diversificadas colecções mundiais. Foi fundado em 1879 e é um dos mais antigos e maiores museus de arte dos Estados Unidos.

 

 

Monstro de guitarra é o título do documentário que retrata o percurso musical de Wazimbo. Em 52 minutos, o músico conta as suas experiências diante das câmaras da Blue Art Filmes.

Monstro de guitarra irá estrear no próximo dia 26, às 18 horas, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, na cidade de Maputo, e insere-se num projecto de 25 documentários sobre música. Os mesmos, foram concebidos para serem exibidos na televisão. Por isso, a equipa do filme encontra-se a negociar com uma cadeia televisiva do Brasil a cedência dos filmes.

Com esta estreia, a ideia do elenco que produziu o filme é tentar encaixar mais dinheiro, que permita materializar mais iniciativas como Monstro de guitarra.

Dentro de dois meses, a Blue Arte Filmes vai estrear mais um documentário, que, à imagem de todos, terá 52 minutos. O grande propósito é o de promover a música e cultura moçambicanas além fronteira.

O documentário foi realizado e produzido por Aldino Languana, filmado por Micas Mondlane e Francisco Martins e editado por Ilídio Sithole.

Monstro de guitarra foi gravado em duas semanas. Este é o primeiro de dois documentários sobre Wazimbo. O segundo terá a particularidade de ser mais abrangente. Em 90 minutos, será contada não apenas a obra, mas também a vida de Wazimbo.  

Nesta sexta-feira 13, e no mês em que se assinala o Dia Internacional da Mulher, o ser feminino volta a ser o centro das atenções da imaginação criativa do poeta, declamador e activista social moçambicano Leco Nkhululeko.

A partir das 20h30, à Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, Leco Nkhululeko irá levar duas peças juntas: “Ku-Txinga” e “Mulher da Noite”, em que, de acordo com o comunicado sobre o evento, a mulher e os mistérios da tradição moçambicana irão cruzar-se num único ritmo e cadência. A sessão vai contar com músicos e bailarinos da Associação Cultural Warethwa, que, desde ano passado, dão vida aos versos de Leco Nkhululeko.

Além disso, o poeta e declamador terá ainda como convidadas especiais a actriz Iva Mugalela e Paulina Chiziane, como se sabe, escritora muito interessada em incluir questões relacionadas com a condição da mulher nos seus livros.

Portanto, a actuação de Leco Nkhululeko vai juntar poesia, música e dança.

 

 

 

A Feira do Livro de Londres distinguiu a SM Traduções, da editora e tradutora Sandra Tamele, com Menção Honrosa. Além disso, devido à qualidade do trabalho apresentado, a micro empresa moçambicana foi convidada a participar na edição do próximo ano.  

A cerimónia da consagração dos vencedores do Prémio Excelência da Feira do Livro de Londres deveria ter acontecido esta terça-feira, no Pergola Olympia, na capital inglesa. No entanto, para evitar a concentração de 65 mil pessoas de todo mundo, num contexto em que o número de infectados pelo COVID-19 não pára de aumentar, o evento foi cancelado.

Assim, os vencedores das 16 categorias do Prémio Excelência foram informados pela organização via e-mail. Foi assim que, esta quarta-feira, Sandra Tamele ficou a saber que a sua micro empresa SM Traduções tinha sido distinguida com Menção Honrosa na categoria Iniciativas de Tradução Literária. Se, só de estar entre os três projectos nomeados para a final já era uma excelente notícia para a tradutora e intérprete, agora, a notícia recém-chegada de Londres revela-se ainda mais estimuladora.

Pelo reconhecimento do seu trabalho, doravante, a SM Traduções vai poder usar o selo do prémio Excelência da Feira do Livro de Londres nos seus trabalhos. Outro aspecto a considerar, um dos membros do júri, Daniel Hahn, premiado tradutor do escritor angolano José Eduardo Agualusa para o inglês, encantou-se com o trabalho desenvolvido por Sandra Tamele e sua equipa em Moçambique. Por isso, a organização convidou a SM Traduções para voltar a participar na Feira do Livro de Londres do próximo ano. Chegados aqui, uma observação quiçá relevante. O projecto vencedor deste ano, Yiddish Book Center, dos Estados Unidos da América, foi finalista em 2018. Pela qualidade do trabalho desenvolvido, a tradutora norte-americana foi convidada a voltar à Feira deste ano. E venceu… a história repete-se?

Normalmente, lembrou a tradutora e intérprete moçambicana, a Feira do Livro de Londres premeia um projecto no Excelência. Porém, desta vez, a iniciativa inglesa abriu uma excepção e também reconheceu a SM Traduções com Menção Honrosa, o que inclui a cedência de um valor simbólico para a micro empresa poder participar na edição de 2021.

O anúncio dos vencedores do Prémio Excelência da Feira do Livro de Londres foi feito por Orna O’Brien, Coordenadora da Conferência. Depois disso, Sandra Tamele contactou-se com Madeleine Cohen, a representante da Yiddish Book Center, e ambas trocaram felicitações. Inclusive, já se advinham colaborações para o futuro, pois o interesse dos dois lados existe e foi manifesto.

Nesta edição, concorreram na categoria Prémio Iniciativa de Tradução Literária a SM Traduções, de Sandra Tamele, Gecko Press (Nova Zelândia) e Yiddish Book Center (Estados Unidos).

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