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A actriz e encenadora Maria Atália destaca que a experiência de trabalhar na China foi positiva, mas carregada de muitas dificuldades que a tornaram outra mulher.  

 

Maria Atália trabalhou na China durante um ano e meio. Naquele país asiático, a actriz e encenadora colaborou com uma companhia que se dedica à dublagem de telenovelas, séries televisivas e desenhos animados.

Numa realidade tão diferente da moçambicana quanto à chinesa, a artista teve de enfrentar momentos muito difíceis, no entanto, reconhece que a experiência na China foi positiva. “Aprendi e ensinei”. Nesse processo de ensino e aprendizagem, Maria Atália apreendeu outra dinâmica de criação, produção e a sua relação com o tempo já não é a mesma. Ou seja, a actriz que regressou a Maputo, há quatro meses, para passar férias com a família, é distinta daquela mulher que há dois anos partiu para China. Sem vida social, sem diversão e com os dias preenchidos de muito trabalho, confessa Maria Atália, tornou-se outra mulher, mais chata. “Já ouvi de algumas pessoas próximas que a China me mudou. Tenho menos paciência para perder tempo. Por exemplo, irrito-me bastante quando as pessoas atrasam-se aos encontros ou quando não usam o tempo devidamente. Provavelmente já tivesse esta coisa, na China ficou carregada”. 

Na China, Maria Atália dublava, actuava na área técnica e traduzia. Tudo isso acontecia numa base de trabalho solitária, em que a artista, desde o momento que chegava aos escritórios até ao intervalo de uma hora para o almoço ou até regressar a casa no final do dia, não se contactava com os colegas, pela natureza das suas actividades. Trabalhava de segunda-feira a sábado, e o domingo apenas era dedicado às actividades domésticas, no contexto em que não há “diaristas”.

Segundo acredita Maria Atália, a sua experiência no teatro foi importante na China porque, “primeiro, no meu isolamento profissional, o teatro ajudou-me a não morrer. Sempre tive de trazer ao de cima a actriz que tenho em mim. Sem isso, eu teria voltado para casa ao fim de seis meses. Tive de olhar para aquela realidade como uma representação. Além disso, o meu lado actriz também ajudou-me nas dublagens, porque, nesta actividade, não basta só dizer, é preciso sentir o que se diz, considerando as circunstâncias”.

Para Maria Atália, foi igualmente difícil o trabalho na China porque levou tempo para entrar no sistema. “Eu sou uma pessoa muito perfecionista. No meu emprego, nós éramos avaliados pela quantidade do que pela qualidade. Eu era das que menos quantidade oferecia porque apagava muito. Na China resisti à ideia de apenas apostar na quantidade, sempre investi na qualidade, e as pessoas a quem prestava contas queixavam-se mesmo sabendo que o trabalho era bom”. Como meio-termo, à encenadora foi confiada a missão de se focar mais na tradução. Aí Maria Atália sentiu-se mais à vontade porque podia ser rápida como se pretendia sem comprometer a qualidade.   

 

COVID-19: Moçambique deve aprender da China

Maria Atália teve a oportunidade de conhecer a China seis meses depois de lá ter começado a trabalhar. Quando chegou ao país, foi levada ao seu apartamento e, no dia seguinte, começou a trabalhar. Um ano depois, com saudade de casa, pede férias e viaja de volta para Moçambique, em Dezembro. Não tardou, ao fim de duas semanas, explodem os casos da COVID-19 em Wuhan. Desde então, não viajou mais para China. “Assustei-me muito quando chegaram as notícias de Coronavírus. O que me tranquilizou foi saber que, ao contrário de nós, os chineses ouvem tudo o que o Governo diz. Sabia que os meus amigos estavam seguros. Quando tiveram de ficar em casa, todos os chineses e estrangeiros ficaram. Aliás, acredito que, se nenhum país tivesse retirado os seus cidadãos da China, o vírus não teria se espalhado tanto como se espalhou”.

A actriz e encenadora defende que, neste Estado de Emergência, os moçambicanos devem aprender a ouvir e a seguir as recomendações das autoridades, como os chineses, para que se possa vencer a COVID-19.

Um problema que chamou atenção de Maria Atália na China foi o racismo, que é uma realidade. A este respeito, a encenadora defende que nem sempre se deve olhar para os chineses como racistas, mas, acima de tudo, como ignorantes. “Estamos a falar de um povo que vive como se estivesse numa ilha; que, quando liga televisão, é para ver apenas canais nacionais. Não cabe na cabeça deles que existe um negro. Eles acreditam apenas nas histórias contadas pelos avôs de que o negro vive com leões. Têm redes sociais, mas apenas válidas para China. O racismo deles é resultado da ignorância”.

 

 

"Casal em casa" é o título da mini-série do grupo Haya-Haya que irá estrear às 18 horas deste domingo. A obra foi concebida para entreter os moçambicanos neste período de distanciamento social.

 

 

 

A COVID-19 impede que os grupos teatrais apresentem os seus espectáculos nos espaços habituais. Entretanto, a pandemia não impede que os actores cheguem a casa dos moçambicanos através das várias plataformas digitais disponíveis. A Internet facilita a necessidade os fazedores de arte apresentarem as suas obras. Assim, o grupo Haya-Haya, da cidade da Beira, preparou uma mini-série para entreter a todos que devem ficar em casa durante a vigência do Estado de Emergência no país.

A partir das 18 horas de hoje, a estreia da mini-série Casal em casa pode ser vista pelo YouTube ou pelo Facebook do grupo Haya-Haya. Em 45 minutos, cada episódio, a obra de Haya-Haya conta a história de um casal que se deve adaptar ao isolamento social, passando mais tempo junto, e foi filmada sem grandes produções. No elenco estão três actores: Lúcio Chiteve, Calene e Dany, que se considera sortudo por contracenar com a mãe. “É muito bom trabalhar com a minha mãe, e eu sinto-me muito privilegiado por isso”.

Na percepção do actor com 15 anos de idade, no teatro desde os 8, a mini-série Casal em casa vai ajudar a unir ainda mais as famílias moçambicanas neste tempo de distanciamento social. “Acho que as famílias vão-se divertir muito porque nós relatamos tudo aquilo se passa no dia-a-dia dos nossos lares com muita risada”.

Sem nenhum apoio financeiro, a mine-série foi produzida em casa da actriz Calene. Por isso, para o grupo de actores, todo o apoio é bem-vindo, já que da exibição nas redes socias não se adivinha nenhum tipo de remuneração. “Como qualquer espectáculo de rua, já que não temos nenhum tipo apoio financeiro, esperamos que o público que puder contribua com o que for possível para que continuemos a trabalhar neste projecto. Nós teremos uma espécie de chapéu virtual, com o número de M-Pesa ou Ponto-24 para onde podem canalizar a ajuda. Seja como for, o que nos interessa, de facto, é entreter as famílias moçambicanas através das plataformas digitais disponíveis”, afirmou Lúcio Chiteve.

Haya-Haya é um grupo teatral que iniciou as suas actividades em 1990, na Igreja Católica Sagrada Família, na cidade da Beira. Em Outubro de 1992, o grupo começou a trabalhar como semi-profissional, interessando-se, desde essa altura, em trabalhos focados na sensibilização e educação das comunidades.

Não há espetáculo, não há concertos, não há shows e muito menos casamentos. Moçambique está em Estado de Emergência devido ao novo coronavírus e está interditada a realização de qualquer tipo de evento cultural ou desportivo. E os impactos já são visíveis na vida de quem tem na cultura a fonte de rendimento.

 

O país está em Estado de Emergência. As pessoas circulam com restrições. Os mercados têm horários de funcionamento. Os cultos estão suspensos. Teatros, cinemas, espetáculos e concertos estão cancelados. Aliás, a sua realização está proibida. O novo coronavírus está a deixar impactos negativos na música e na vida de quem tem nela (a música) a fonte de rendimento.

Sem distinção, a pandemia COVID-19 afectou, negativamente, o estilo musical da antiga e nova geração. Conhecido no mundo da música como Duas Caras, o rapper sempre deixou transparecer, ainda que de leve, que vive disto.

“Uma outra actividade que também faço está afectada na medida em que não posso viajar, pois tem a ver com saídas internacionais então não posso fazer. Mas a música, com certeza, era uma das principais, mas vamos ver no que é que isso vai dar”, sublinhou o rapper Duas Caras.

Enquanto se espera por dias melhores, Duas aproveita o período de distanciamento social para manter a forma e escrever algumas letras até porque dias melhores estão por vir. “Não estou desesperado porque eu acho que é uma coisa que vai passar, mas tenho aproveitado esse tempo para continuar a trabalhar”.

Trabalho, trabalho e mais trabalho só que a partir de casa para evitar a contaminação pelo novo coronavírus é o mesmo que faz o músico “mais velho” Wazimbo depois que a pandemia ter condicionado a realização de oito concertos que tinha pela frente.

“Eu vivo do meu dia-a-dia. Daí que o pouco que havia é aquilo que fui aguentando até neste momento. Doravante só Deus é que sabe o que vai acontecer. Vamos desenrascando aqui e acolá”.

E é diante do mesmo Deus que Wazimbo pede união de todos para que o momento difícil que o mundo está a passar passe o mais cedo possível “porque se isto continuar assim, as nossas reservas vão esgotar e aí virão dias de fome, desemprego e criminalidade”.

Falando em reservas, António Marcos ainda tem o mínimo para sobreviver…o mínimo mesmo e receia que se a situação piore nos próximos dias e não tenha como alimentar a si e aos seus netos.

“Eu tinha três festivais gigantes que, de repente, cancelaram. Eu vivo da música. Tinha tantos outros trabalhos que não preciso aqui especificar”, lamentou o músico António Marcos.

O que o homem da boina e luvas brancas não sabe especificar é o que fará nos próximos dias para sobreviver, mas consertar sapatos parece ser a alternativa mais viável. “Tento me recompor para poder escolher o que devo fazer. Não posso ir para madeira nem para carpintaria. Mas estou a considerar a possibilidade de abrir uma sapataria”, avançou, António Marcos.

A pandemia do novo coronavírus encontrou a todos em contramão, daí ser o momento de repensar numa fonte alternativa em caso de próximas crises. “Isso chama-nos à atenção para necessidade de, muito cedo, enquanto trabalharmos, saber fazer poupança. O músico não tem um salário fixo. Há fins-de-semana que ganha mais, outros (fins-de-semana) ganha menos. O mais importante é que ele defina cada mês qual é o seu salário e deposite uma parte como poupança”, aconselhou Aniano Tamele.

Segundo Tamele, o Governo não tem condições da subsidiar todos os sectores que poderão ser devastados pela pandemia da COVID-19 e muitos menos a cultura, “ Melhorar as políticas culturais, “impondo-se que os músicos tenham algum seguro privado para situações calamitosas como estas”.

Não obstante os prejuízos que os artistas tem somado devido à COVID-19, o mais importante é preservar a saúde, aproveitando os dias de distanciamento social para manter a forma.

“Estamos a perder dinheiro, mas acima de questões financeiras está a nossa saúde pois ela (a saúde) é a nossa vida. Daí que é importante cumprir todas as medidas preventivas”, afirmou o rapper Flash Ency.

E cumprir com as recomendações das autoridades da saúde pode salvar a nossa vida e da dos demais, sobretudo “tendo fé no pensamento, tornando-se o soldado deste movimento, cumprindo com as normas do Estado de Emergência, ficar em casa e prevenir-se desse vírus”, aconselhou Flash Ency.

Além da música, os efeitos desastrosos da COVID-19 são indisfarçáveis nos salões de festas e casamentos. Cadeiras dos noivos, padrinhos e convidados vazias…na pista, nenhum movimento de garçons para servir os presentes…já lá vão dois meses que o complexo Palhota não conseguiu esconder os seus clientes da COVID-19.

“Tínhamos casamentos, seminários e foram cancelados. Desde o mês de março e agora estamos a caminho de Junho não temos nenhum evento. Isso deve dar uma estimativa de, mais ou menos, seis a sete milhões de meticais”, revelou Rosa Issufo, gestora do Complexo Palhota.

A Palhota ainda não despediu seus trabalhadores, isso porque a parte da acomodação ainda tem alguns clientes. “É só ter fé, mantermos a esperança. Temos a parte da acomodação que estamos ainda a 80% em termos de cancelamento, então isso vai permitir a sobrevivência da empresa neste momento”, referiu Rosa Issufo, com um tom carregado de suspiro de desespero.  

E num momento em que os casos positivos da pandemia COVID-19 nem a minha casa, ou seja, Kaya Kwanga, é um local seguro para realizar qualquer tipo de evento. Casamento, nem pensar.

“Em termos de festas estamos a 0% de funcionamento. Infelizmente aquilo que o decreto prevê, não se pode mais nenhuma festa”, deplorou Jaime Bila, gerente do complexo residencial Kaya Kwanga. 

Ainda que nada esteja a funcionar como dever ser, os Dois Oceanos continuar a fazer “flutuar” os seus serviços, mas também a partir de casa. “Estamos a usar instagram para fazer lives, alguns vídeos, onde as pessoas possam pagar um valor para os cursos e teremos algumas sessões grátis porque numa altura em que as pessoas não estão a trabalhar e por isso não há rendimentos. Então temos que ajudar de alguma forma” explicou Giovanni Paolo

E uma das formas de ajudar em tempos de distanciamento social, é montando um escritório em casa. “O cliente tem que, primeiro, dizer que tipo de trabalho faz ou serviço presta. Nós pegamos a informação e nós montamos o cenário” disse Paolo da Dois Oceanos.

Mas nem com esse ambiente, os promotores de eventos e espetáculos conseguem trabalhar. Os promotores de espetáculos falam dos prejuízos acumulados por conta da pandemia. “Nós temos uma plataforma que é o Moments of Jazz que, anualmente, faz dois concertos, um no primeiro semestre e outro no segundo, mas fomos obrigados a cancelar e ainda não temos datas porque não se vislumbra uma solução a curto prazo”, lamentou Belmiro Quive, promotor de eventos.

A Ministra da Cultura e Turismo exigiu à Direcção-Geral do ARPAC – Instituto de Investigação Sociocultural a criação de Planos concretos para formação dos recursos humanos. Eldevina Materula interveio na inauguração do novo edifício do ARPAC, esta manhã, em Xai-Xai, e, no local, apelou ao uso racional da infra-estrutura do Estado.

Num evento restrito, segundo o comunicado de imprensa, Eldevina Materula disse que não fosse a pandemia da COVID-19, a cerimónia tomaria um sentido mais festivo, com a participação de maior número de pessoas, com mais brilho artístico que caracteriza o povo moçambicano: “Esta restrição não pode e nem deve ser entendida como abandono dos planos e projectos institucionais e sociais assumidos em prol do bem-estar do nosso País. Pelo contrário, devemos entendê-la como um chamamento à adopção de medidas alternativas às habituais, para a realização dos desideratos das nossas tarefas diárias, sobretudo do nosso Plano Económico e Social”.

Na cerimónia de inauguração, a Ministra da Cultura e Turismo afirmou que o acto é resposta do desafio lançado pelo Chefe do Estado de promover o desenvolvimento de instituições especializadas na protecção do património sociocultural, tendo como objectivo promover a pesquisa, a preservação, a valorização e divulgação da cultura moçambicana no país e no estrangeiro.

A inauguração enquadrou-se no plano de realizações dos primeiros 100 dias de governação do presente quinquénio. Assim, com o novo edifício, a província de Gaza passa a dispor de mais um instituto devidamente equipado para investigação e divulgação do seu património cultural, contribuindo, desta forma, para dentre outras coisas, diversificar a oferta de produtos culturais e turísticos baseados num profundo conhecimento da realidade sociocultural das comunidades.

 

 

Já se observou que a COVID-19 alterou o quotidiano dos artistas moçambicanos. Não podendo expor os seus trabalhos como antes, ficam recolhidos em casa, “à espera” que o Estado de Emergência passe e a vida volte à normalidade. O futuro é incerto para todos os intervenientes das artes e para os que deste sector dependem. Por isso mesmo, segundo entende Quito Tembe, Director do Festival Internacional de Dança Contemporânea – KINANI, o Coronavírus, no caso de Moçambique, veio pôr a nu a fragilidade do sector da cultura. Como implicação directa dessa fragilidade, para Tembe, há toda uma cadeia de valor que fica completamente parada e cujos integrantes, actualmente, sentem-se completamente desprotegidos.

Num momento como este, em que, devido ao isolamento social, as televisões e as rádios estão a ter o pico de audiência, não é justo, para Quito Tembe, que os artistas, que as fornecem conteúdos, estejam em casa arrumado, a debaterem-se sobre como sobreviver. “Pergunto-me, por exemplo, onde está a nossa sociedade de autores, a SOMAS, que devia estar, neste momento, no seu pico em termos de distribuição de renda. Não se explica e não se justifica que tenhamos artistas que estiveram todos estes anos a produzir conteúdos, a estarem em grandes palcos e hoje a olharem para o Ministério da Cultura e Turismo como salvação. E digo, não sei se a salvação vem do Ministério da Cultura”.

Diante da desorganização que abala o sector artístico, o Director do KINANI julga que os moçambicanos devem fazer do caos causado pela COVID-19 uma oportunidade para alterar as coisas, com clareza e eficácia.

Ora, a fim de ajudar os artistas a todos os níveis, o Ministério da Cultura e Turismo lançou, recentemente, uma campanha de mapeamento das indústrias criativas e culturais ao longo de todo o território nacional. Para Quito Tembe, a iniciativa é boa, mas, considerando-se que o Estado de Emergência também afecta a área cultural, se se pôr uma máquina ministerial a fazer o mapeamento, o Estado de Emergência irá terminar  com muito trabalho ainda por fazer. “Não quero com isto dizer que o mapeamento não é uma ferramenta necessária para o sector, é uma das ferramentas muito importantes. No entanto, não sei se é o momento indicado para se avançar com este levantamento, até porque já se fizeram várias pesquisas do género que ficaram em banho-Maria”.

Tembe receia que, ao invés de se buscar soluções pragmáticas para o sector, perca-se tempo a discutir a questão de base de dados. “Devíamos ir para além de mapeamento e tomar decisões para que se resolva o problema que afecta o sector. Não podemos pôr toda uma cadeia de valor completamente adormecida.” E para que não fique adormecida, num debate televisivo moderado por Boaventura Mucipo, na Stv Notícias, quarta-feira à noite, o promotor do KINANI chamou atenção para não se cometer o erro de, ao falar-se de indústria criativa, focar-se no artista: “é preciso olharmos para todos os intervenientes porque no rácio de 100, por exemplo, o artista representa apenas 10% do que implica um festival”. E Quito Tembe constatou: “Este é o ano do Festival Nacional da Cultura. Considerando que já não vai acontecer, por que não realocar a verba de uma forma aberta, e apoiar aqueles que estão a ficar lesados neste período, ao invés de trancar o cofre?”.

Presente no debate, Roberto Isaías discordou que o apoio ministerial seja dado aos que viram seus eventos cancelados. Para o músico dos Kapa Dech, a haver apoio, deve ser abrangente para todos. E justificou: “A situação da COVID-19 é devastadora e angustiante. A cultura, hoje, também é negócio, que envolve o artista, o produtor, o iluminotécnico, os motoristas, o pessoal do catering, os fornecedores de bens e serviços e o sector informal, que se aproveita dos eventos. Assim, há uma perda de renda de sobrevivência dessas pessoas todas”.

Roberto Isaías espera que o Estado de Emergência não seja prolongado porque o cenário nas artes pode ser ainda mais devastador.

Esta sexta-feira, quando forem 10 horas, a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, vai inaugurar o novo edifício onde passará a funcionar a Delegação Provincial de Gaza do ARPAC – Instituto de Investigação Sociocultural, na cidade de Xai-Xai.

A construção é de raiz, financiada exclusivamente pelo Governo, visando conferir condições condignas de trabalho à instituição pública de carácter cultural e científico, vocacionada à pesquisa, conservação e divulgação de forma sistemática, dos aspectos da cultura moçambicana (nos domínios da etnologia, antropologia, linguística, sociologia e história), com finalidade de estudo, educação e deleite. Além de gabinetes técnicos, a infra-estrutura possui uma biblioteca para o acervo de especialidade da área de trabalho do ARPAC.

A Delegação Provincial do ARPAC de Gaza foi criada e iniciou as suas actividades em 2009, tendo partilhado o espaço de funcionamento com a Casa Provincial da Cultura, ao longo de anos, com todos os inconvenientes que a situação representava.

Com esta inauguração, enquadrada no Plano de Realizações dos Primeiros 100 dias de Governação do presente quinquénio, o ARPAC fortalece a sua expansão territorial no País, faltando apenas delegações em duas Províncias, designadamente, Nampula e Inhambane, já que na Zambézia funciona um Núcleo do ARPAC que assegura as actividades do Instituto de Investigação Sociocultural, podendo formalizar-se como Delegação Provincial em breve.

De acordo com o Ministério da Cultura e Turismo, a cerimónia de inauguração das novas instalações do ARPAC em Xai-Xai, terá a observância das medidas de prevenção da Pandemia do Coronavírus pelo que, será de participação restrita, devendo contemplar intervenções culturais mínimas e discursos oficiais.

Além da Ministra da Cultura e Turismo, tomam parte do evento a Governadora da Província de Gaza, Magarida Mapandzene, o Secretário de Estado na Província de Gaza, Amosse Macamo; o Presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Emídio Xavier; o Director-Geral do ARPAC, João Fenhane, membros do Governo Provincial e Municipal e outros convidados.

 

A cantora de R&B/ Soul inaugurou as sessões em directo realizadas pela Fundação Fernando Leite Couto, na cidade de Maputo. O propósito da iniciativa é celebrar o mês da mulher moçambicana e entreter as pessoas neste momento que devem evitar ir à rua.

 

O desejo de Tégui é claro. Como todos, a cantora almeja que a COVID-19 seja um problema resolvido rapidamente, com a arte sempre a chegar às pessoas. Por isso mesmo, no dia em que a Fundação Fernando Leite Couto lançou um programa de eventos culturais on-line, hoje, a autora do disco Eleven aceitou o convite de actuar ao vivo a partir daquela instituição cultural, na cidade Maputo.

Tégui cantou das 18 até perto das 19 horas, tendo interpretado temas do seu disco mais recente e tantos outros, por exemplo, “Nungungulo” e “Caleidoscópio”. Além de cantar, a cantora de R&B deixou algumas confissões para o público que acompanhou a sua actuação em directo pelo Facebook e Instagram da Fundação Fernando Leite Couto. “Neste cenário da COVID-19, hoje dou valor a coisas que antes não dava. É uma situação complexa esta da pandemia, e não está a ser fácil para ninguém”. Acrescentou Tégui: “Às vezes, vivemos com pessoas e não as conhecemos muito bem. Temos a obrigação de nos conhecer melhor”.

Na sua actuação, a autora do disco Eleven defendeu que a Humanidade encontra-se numa situação em que, independentemente de raças, classe social, e etc., todos descobrem-se iguais. Logo? “É tempo de olharmos para nós e descobrirmos coisas sobre nós. Estamos obrigados a reparar no nosso interior. Que esta pandemia passe e ajude-nos a reflectir e a encontrar o melhor de nós, dentro de nós. Protejam-se, porque nós é que damos sentido à vida”.

A sessão musical da Fundação Fernando Leite Couto foi moderada por Pablo Ribeiro, que considerou a COVID-19 uma catástrofe, mas também… “uma oportunidade de nos reencontramos e repensar as nossas relações. Toda gente anda muito acelerada, preenchida… Neste momento de pausa podemos olhar com mais calma para as coisas. E a natureza agradece porque está a ganhar um novo sopro”.

A sessão com Tégui enquadrou-se nas celebrações do mês da mulher moçambicana. A fim de enaltecer as comemorações, a Fundação Fernando Leite Couto convidou artistas de música, teatro e literatura para apresentarem performances de 30 minutos ao vivo no Facebook e no Instagram da própria Fundação. 

Tégui foi a primeira autora a apresentar-se. Esta sexta-feira, a partir das 21 horas, “DJ N’Zualo – uma celebração do melhor signo do zodíaco: Áries” é a proposta para o público acompanhar a partir de casa. E as sessões não param por aí. Sábado, às 10 horas, as crianças terão uma actividade pensada para elas, designada “Yuck Miranda – a viagem do corona pelo reino azul”.

No dia 21, a sessão musical de Hip-Hop será com Jazz P, a partir das 18 horas. No dia seguinte, a mesma hora, Melita Matsinhe irá “Reacender a esperança pela palavra”, numa sessão poética. Já no dia 23, novamente às 18 horas, a música será levada a casa numa actuação de Xixel Langa, acompanhada por Nicolau Cauaneque.

Às 21 horas do dia 24, DJ Lubana levará ao público Hip-Hop dos anos 80 e 90 e Soul, Jazz, Funk e tambores ritualísticos.

Sempre em directo a partir do Facebook e Instagram, as sessões que se inserem nas celebrações do mês da mulher moçambicana irão continuar com Iracema de Sousa, às 18 horas do dia 29. Neste caso, a declamadora irá dizer poesia de Noémia de Sousa, Sangari Okapi e Fernando Leite Couto.

A programação das actividades deste mês, na Fundação, irá terminar no dia 30, às 18 horas, com a actuação de Tassiana, cantora e letrista moçambicana se Soul Music. Tudo para ver a partir de casa, em directo.

 

 

 

As artes e letras não vão deixar de chegar ao público. Nem a COVID-19 é capaz de impedir a conexão entre artistas e apreciadores de arte. Como prova disso, a Revista Literatas agendou para 19h15 de segunda-feira o lançamento do segundo volume da colectânea Contos e crónicas para ler em casa,  que reúne 18 autores nacionais e igual número de textos.

De acordo com uma nota, o acto será marcado por um evento online, a ser transmitido a partir da página da Revista Literatas no Facebook.

Os 18 autores que integram o segundo volume do livro são: Armindo Mathe, Baptista Américo, Énia Lipanga, Ganhanguane Masseve, Hermínia Francisco, Izidro Dimande, Jaime Munguambe, Jessemusse Cacinda, Mauro Brito, Miguel Luís, Miller Matine, Nelson Lineu, Pretelério Matsinhe, Sadya Bulha, Sandra Tamele, Sara Jona, Tassiana Tomé e Teresa Taímo.

O primeiro volume da colectânea, lembra a nota do evento, foi lançado no dia 27 do mês passado, e reuniu 15 autores e 15 textos. Em termos de adesão, o livro teve mais de mil descarregamentos registados na página da Revista Literatas. “Mais de três mil contactos espalhados em vários cantos do mundo, em especial onde se fala a língua portuguesa, partilharam o livro. No total e nas nossas falíveis previsões, cerca de cinco mil pessoas leram os primeiros Contos e crónicas para ler em casa e muito será bem conseguida esta iniciativa se, de facto, contribuiu para que esses leitores tivessem sido salvos da infecção pelo novo coronavírus”.

A Literatas leva ao público o segundo volume do livro “para alimentar ainda mais a sede demostrada por esses mais de cinco mil leitores no mundo, para continuar a contribuir para a sua saúde mental e física, porque a leitura é um alimento espiritual; porque quem lê fortifica o espírito e espírito fortificado endurece o corpo, para as lutas quotidianas”, avançam os organizadores.

 

A escola vocacionada para o ensino de música e literatura, Xiluva Artes, organiza a terceira edição do concurso literário para crianças com o intuito de desenvolver a criatividade e a imaginação.

 

O Concurso Infantil de Literatura Flores que nunca Murcham foi criado em 2017, com o objectivo de estimular o gosto pela leitura e escrita nas crianças. Este ano, numa altura em que se impõe isolamento social às pessoas, a Xiluva Artes volta a organizar o concurso literário acessível a crianças com idades compreendidas entre os 8 e 13 anos de idade.

Desde esta quarta-feira até 15 de Maio, os concorrentes com ou sem trabalhos editados podem concorrer, apenas com um texto, ao prémio, que, este ano, está aberto à poesia.

Para se evitar o contacto físico entre a organização e os participantes, a Xiluva Artes, desta vez, decidiu que os textos devem ser submetidos através da Internet. Por isso, no regulamento que pode ser consultado no site Flores que nunca Murcham, a organização disponibilizou um endereço electrónico para o qual os poemas podem ser enviados (cilf@xiluva-artes.com). Entretanto, no caso das crianças que não têm possibilidades de internet? “Nós estamos conscientes de que o modelo de submissão dos textos adoptado este ano irá excluir crianças menos privilegiadas. Devido à pandemia, e não querendo deixar o ano passar sem este programa para as crianças, decidimos avançar, considerando que estamos a dar um passo de cada vez”, disse Melita Matsinhe, mentora do concurso e Directora-Executiva da Xiluva Artes.

Mais do que dar continuidade ao que vem acontecendo há quatro anos, esta edição do concurso pretende, fundamentalmente, contribuir para que os mais pequenos possam criar poemas e partilhá-los com o público. Assim, acredita a organização, o concurso estará a complementar os programas de ensino do país.   

O Concurso Infantil de Literatura Flores que nunca Murcham irá anunciar o grande vencedor desta edição até 16 de Junho, Dia da Criança Africana, e a premiação irá consistir em material escolar para os primeiros três classificados. No entanto, é pretensão da Xiluva Artes, depois do concurso, trabalhar 20 textos que se destacarem. Mais tarde, os poemas das crianças serão publicados numa antologia.

A terceira edição do concurso da Xiluva Artes decorre com o lema “Fico em casa” e terá três membros do júri.

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